sexta-feira, 20 de abril de 2018

GUERRA PELO FUTURO





 
“Esse Brasil de Lula é o país da impunidade – onde se quer assegurar aos poderosos o direito de cometer crimes e não cumprir penas.”  “O Brasil é o país da mentira do “avanço social” do “resgate do pobre” e de outras invenções dos governos Lula e Dilma, que brigaram para sobreviver.”
O Supremo Tribunal Federal, por um triz, acaba de tirar o Brasil de uma descida perigosa, talvez fatal, em direção à desordem imediata. Já não existe aqui há muito tempo um regime que preencha boa parte ou talvez a maioria, dos requisitos necessários para merecer a classificação de “democracia”. O ex-presidente Lula, com o apoio em peso de tudo o que existe de mais potente na corrupção brasileira, quis um “salve” do STF para invalidar todas as decisões da Justiça que o condenaram até agora. Ele quis receber, oficialmente, um certificado de indulto. Quase levou. Naturalmente, vai continuar tentando, incentivado pela presença na Suprema Corte de alguns ministros que militam abertamente em favor dele e da impunidade.
Na verdade o que esteve realmente em jogo no STF foi o desfecho de mais um confronto na guerra aberta que existe hoje para controlar o Brasil. É algo maior do que Lula, ou mais que uma pura e simples questão de justiça – a punição, como manda a lei, dos crimes  de corrupção e lavagem de dinheiro pelos quais ele foi condenado a doze anos  de cadeia nos dois níveis do Judiciário que o julgaram até o momento. A questão é a verdadeira disputa, em toda essa história, sempre para decidir se continuará a mandar no país, e a mandar na vida dos cidadãos, o sistema que está mandando até hoje.
Trata-se de uma vasta federação de gangues partidárias, empreiteiras de obras públicas, altos burocratas do Estado, empresas que recebem favores do governo e mais toda uma multidão de parasitas que, de uma forma ou de outra, vive à custa dos impostos que você paga dia e noite, e vai pagar até morrer. Essa gente está destruindo o estado de direito democrático do Brasil – quer dividir o país em duas categorias de cidadãos; os que são obrigadas a cumprir a lei e os que estão autorizados a não respeitar lei alguma. É no fim das contas, os aproveitadores do Tesouro Nacional.
Esse Brasil do Lula, que hoje está em guerra para sobreviver, é muitas coisas ao mesmo tempo. É em primeiro lugar, o país da impunidade – onde se quer assegurar ao rico e ao poderoso, que dispõem de dinheiro ilimitado para pagar advogados caríssimos, o direito de cometer crimes e não cumprir, pura e simplesmente, as penas a que foram condenados. O princípio jurídico pelo qual têm lutado com tanta ferocidade ministros do STF, e bandidos de bolsos cheios e escritórios cinco-estrelas de advocacia penal é o seguinte: qualquer criminoso bem apoiado por defensores espertos, mesmo um assassino de crianças, só poderá receber punição se for condenado na “quarta instância”. Isso quer dizer, segundo eles, que é preciso condenar o sujeito, quatro vezes seguidas, o que só pode acontecer durante anos a fio, para que ele pague pelo crime que cometeu. Uma aberração como essa não existe, pura e simplesmente, em nenhum país civilizado do mundo. Em outro qualquer país um condenado como Lula vai para a cadeia e pronto.
É claro que esse “princípio legal” é apenas uma trapaça para não punir o delito – mesmo porque, depois de anos e anos à espera de uma decisão,  o crime “prescreve”, ou deixa de ser delito. Alguns ministros da STF ainda insultam a população que lhes paga o salário (benefícios) dizendo que a liberdade até a “quarta instância”, é um direito de todos os brasileiros. Isso é uma mentira grosseira. Quem tem dinheiro para sustentar anos de processo na Justiça? A “presunção de inocência” é coisa privativa de milionário. Hoje mais de 300 mil brasileiros presos em regime “provisórios”, nada de “instâncias”, nem embargos, nem agravos, nem outras tramoias judiciárias para eles. Os ministros pro-Lula, obviamente, querem que todos eles se lixem. O único interesse deles, foi salvar a impunidade que goza a elite brasileira da qual  Lula é hoje o senhor número um.
O Brasil do Lula é um Brasil sem a Lava Jato – a operação judicial que pela primeira vez em toda a história do Brasil,  processou, condenou e prendeu dezenas de marginais de primeiríssima potência. São donos de empreiteiras, chefes das diretorias da Petrobrás e outras estatais, altos executivos de empresas, políticos ladrões, chefes de partidos e toda a subespécie de delinquentes que vêm da mesma sarjeta. A principal atividade deles é roubar o Estado, ou seja, roubar os
Impostos que todos nós pagamos ás vezes com sacrifícios, sendo que muitos deles confessaram seus crimes. Mas é claro que ele não está sozinho: sua impunidade ajudaria também a impunidade de uma multidão de outros foras da lei.
Os cúmplices de Lula, os serviçais e os simples devotos dele, muitos ignorantes, por sua vez afirmam que sua condenação não tem nada a ver com o fato de que, segundo decidiu legalmente a Justiça brasileira, ele é um ladrão, culpado dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo eles, a condenação foi por “ele ser o maior líder de esquerda do mundo, e que o capitalismo não ia deixar ele continuar a “salvar”  o povo  pobre do Brasil”. E a roubalheira imensa na Petrobrás, nos fundos de pensões, nos bancos e no BNDES? E os seus “companheiros” e sócios que confessaram os próprios crimes de corrupção? E os bilhões em dinheiro roubados que foram devolvidos? Não tem a ver com ele?
Neste país nenhuma obra pública é feita levando em conta o interesse do público: Ou a função é beneficiar o construtor e os seus cúmplices nos governos, ou então a obra não é construída. O Brasil da mentira, o país do “avanço social” do “resgate dos pobres” e de outras invenções dos governos Lula e Dilma, enquanto eles delapidaram o patrimônio do País.  Até hoje não se sabe de nenhum rico que tenha ficado pobre em qualquer desses dois governos. Ao contrário, temos mais 150 mil milionários (em dólares) agora no Brasil, segundo as contas e nenhum outro país da América Latina tem tantos. Quem ganhou tanto dinheiro no país das “conquistas sociais”? Aí vai: Marcelo Odebrecht, o empreiteiro-modelo de Lula, ou o miserável que recebe o Bolsa Família? Joesley Batista ou o pobre coitado da fila de ônibus? Quem se deu melhor, por causa dos feitos do ex-presidente dos pobres, o que passou a ter uma geladeira ou os que compraram jatinhos e viajaram para a Europa, ás custas do nosso imposto? O trabalhador brasileiro ou Sérgio Cabral, Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima e tantos outros aliados íntimos do complexo Lula-PT?
A decisão do STF não faz desaparecer esse Brasil do mal, mas pôs uma barreira, sem dúvida, ao avanço de todos os que querem, através da desmoralização aberta da lei, impedir que este país se torne uma democracia de verdade. . .
Fonte:
Revista “Veja” edição especial – 11/4/2018
Artigo de J. R. Guzzo
+ Acréscimos e supressão

Jc.
São Luís, 20/4/2018

O SONO E O MANUAL DO USUÁRIO





 
Não há uma atividade que tome mais tempo de nossa existência do que dormir. Essencial para ter a saúde em dia, o descanso é ignorado em decorrência dos compromissos profissionais e sociais. Entenda as consequências dessa privação e o que você pode e deve fazer para ter o repouso necessário e noites bem dormidas.
Como a idade influencia e as particularidades do sono em cada faixa etária.
Crianças - Recém-nascidos chegam a dormir até 80% do dia. Na infância, o repouso no colchão dura por volta de 10 a 11 horas.
Adolescentes - A noite é o período em que o corpo cresce e se desenvolve. Pela ação dos hormônios, existe uma tendência de adormecer e acordar mais tarde.
Adultos -  A necessidade diária  varia de acordo com cada um – a maioria fica entre 7 e 9 horas. O trabalho e as preocupações costumam prejudicar o descanso noturno.
Idosos -  Com o avanço dos anos, os idosos dormem menos e acordam mais cedo. O sono fica mais fragmentado, daí o costume de tirar uma soneca á tarde.
Agora, misture doses generosas de estresse, preocupação e ansiedade típicas das cidades grandes; acrescente altas taxas de obesidade e uma crise financeira; adicione ainda porções de sons de aparelhos eletrônicos. Pronto, eis a receita de um problemão que assombra o Brasil e o mundo:  as pessoas não conseguem dormir bem, acordam cansadas pois não conseguiram relaxar na noite anterior. A ciência já comprovou que a qualidade do descanso noturno vai de mal a pior. Em 2007, o médico Sérgio Tufik, diretor do Instituto do Sono, em São Paulo, levou mais de mil voluntários para seu laboratório, onde realizou uma batelada de exames. Com os laudos nas mãos, ele descobriu que um terço das pessoas tinha apneia do sono, distúrbios marcados por roncos e pela interrupção do fluxo respiratório na madrugada, e 32% sofriam de insônia.
Mas calma que a coisa vai piorar. Em 2017, o especialista reavaliou o mesmo grupo de voluntários e se deparou com uma queda geral dos índices de saúde. “Para termos uma ideia, 62% não apresentavam apneia há dez anos. Hoje esse número se reduziu para 31%. Aqueles que possuíam o problema em estágio moderado
passaram de 7 para 19%. Tudo  isso  em  apenas  uma  década.  As apneias do sono são:
Definição – Trata-se da obstrução total ou parcial do fluxo de ar na garganta enquanto se dorme o que não deixa o sono ser reparador. É a dificuldade de pegar no sono e há aqueles que despertam  antes da hora.
Sintomas – Quem dorme ao lado é acordado frequentemente pelos roncos. A pessoa sente cansaço e sonolência de dia. Cansaço extremo, falta de foco, irritabilidade, lentidão e dor de cabeça no corpo por vários dias.
Causas -  O principal fator  é a obesidade. O excesso de peso faz a língua ficar maior e mais pesada – daí ela cai em direção à faringe e fecha a passagem do oxigênio. A condição pode estar relacionada a maus hábitos no período noturno ou transtornos de ansiedade.
Riscos -  Vários estudos comprovam a relação da apneia com a maior propensão a problemas cardiovasculares e neurológicos. A pouca concentração causa acidentes no trabalho ou nas vias públicas. A insônia pode levar a doenças respiratórias e cardíacas.
Diagnóstico -  Feito pela polis sonografia. É preciso ficar a noite no laboratório com equipamentos que medem diversos parâmetros. O médico, por meio de um questionário simples flagra essa encrenca na consulta. Em alguns casos é preciso recorrer a polis sonografia.
Tratamento -  O CPAP, um aparelho que joga uma corrente de ar pela boca é o principal. Mas há casos que pedem de aparelhos bucais a cirurgias. A terapia cognitivo-comportamental ajuda a pessoa  a organizar seus hábitos. Remédios podem ser indicados.
A seguir, vão alguns conselhos se você quiser dormir melhor.
  Não leve as preocupações para a cama. Anote todos os afazeres do dia seguinte num caderninho – e durma bem!
  Tenha um travesseiro que se encaixe bem entre a cabeça e o ombro para lhe dar conforto durante a noite.
  Só vá para a cama quando sentir que está com sono. A pior coisa é ficar revirando na cama de um lado para o outro por horas.
  Se você acorda mais tarde, instale uma cortina que tampe a claridade exterior para não ser despertado.
  Gosta de ler à noite? Faça essa atividade numa boa poltrona. Assim você já vai se preparando aos poucos para dormir.
  Outra tática que dá resultado é tomar um banho de água morna a fim de se relaxar, minutos antes de ir para a cama.
  Se você não tem problema com o açúcar, tome um pouco de água açucarada antes de ir dormir e acorde no dia seguinte.
  Se quiser ver algum programa de TV, fuja de coisas tensas ou assustadoras, dando preferência por coisas leves e divertidas.
  Exagerar no tempo de dormir também é prejudicial. Segundo pesquisas, quem ultrapassa sempre 10 horas deitado, tem uma mortalidade 38% maior devido a doenças do coração, explica a biomédica Lenise Jihe Kim.
10º  No Brasil, as escolas começam as aulas cedo demais. “Às 7 horas da manhã os alunos não estão aptos a aprender novas informações”, atesta o neurocientista Fernando Louzada, da Universidade Federal do Paraná.
11°  Carro e sonolência não combinam. Mais de 50% dos desastres automobilísticos são devidos ao cansaço de uma noite mal dormida, diz a biomédica Mônica  Anderson, da Universidade de São Paulo.
12  Se você já pôs em prática algumas dessas dicas e mesmo assim não consegue dormir bem, procure fazer uma avaliação com um médico, para resolver seu problema de não dormir bem.

Fonte:
Revista “Saúde é Vital” – 10/2017
+ Alguns acréssimos

Jc.
São Luís, 26/10/2017

NOSSOS MEDOS




 
Classificamos o medo como um dos piores inimigos do ser humano, por alojar-se na alma, atacando as energias mais profundas. Segundo a Enciclopédia Larousse Cultural, por definição: medo é o sentimento de inquietação, de apreensão em face de um perigo real ou imaginário. A palavra medo se relaciona também com receio, temor, horror, pavor e pânico. Vejamos como se expressou sobre o medo, o filósofo inglês Thomas Hobbes, há muito tempo discutido nos meios da psicologia: “O medo é um sentimento que nos inspira sermos afetados por um mal real, de um mal que conhecemos pela experiência.”

Nós, espíritas, bem sabemos que além dos “males reais”, visíveis, tangíveis, existem também os medos invisíveis, intangíveis, que são provocados pelas obsessões. De início, se analisarmos desde quando o ser humano tem medo, certamente chegaríamos a idade da pedra lascada, com nosso ancestrais refugiados nos fundos das cavernas, ante os grandes perigos dos raios, dos trovões, dos furacões, dos vulcões, dos terremotos, dos animais, etc. etc. Tais acontecimentos, hoje bem explicados, antes, eram tidos como sobrenaturais e determinados por deuses terríveis e vingativos. Holocaustos, oferendas e promessas faziam os homens naquela época e, pelo jeito, não diminuíram a cólera daqueles deuses...

Joanna de Angelis faz uma análise do medo e apresenta seis aspectos, como responsáveis pela cultura ancestral geradora do medo, que nós trazemos embutida no inconsciente individual, e que essa culpa nos leva a uma situação tormentosa.

O primeiro medo é o da morte.  Pelo instinto de conservação da existência terrena, nós gostaríamos de não envelhecer e de não morrer, ou seja, não deixarmos o corpo que temos e não perder a nossa individualidade; o que é uma ilusão porquanto o corpo está sempre em constantes transformações. Deus no-lo deu para que nós o preservemos até que ele preencha a finalidade para a qual foi elaborado. E, apesar do instinto de conservação, não são poucos os que se atiram no labirinto da morte, por quase nada, pelas portas do suicídio.

O segundo medo é o da velhice. Ela nos aproxima da morte e a pessoa teme envelhecer porque fica mais sujeito a ela. Isto é um pequeno engano, porquanto morrem tantos jovens, tantas crianças, e hoje a população de idosos é quase igual a dos jovens, em face das conquistas da medicina e da tecnologia farmacêutica, que tem alongado a existência da espécie humana. Mas o ser humano tem pavor de envelhecer. Esse período não deveria ser chamado de velhice, que parece um termo depreciativo, mas de idade da experiência, ou idoso.

A idade idosa é uma dádiva de Deus, que nos livra de vários inimigos, quais sejam: Da ambição, da posse, da escravidão e do sexo. O Senado Romano e o Grego eram formados por pessoas idosas, respeitáveis e experientes. É verdade, entretanto, que temos muitos idosos não muito respeitáveis.... Quando, pois, lhe chamarem de velho(a) responda assim: Eu tenho a felicidade de ter chegado até aqui, enquanto você não sei se vai chegar, e se chegar, estará idoso também. Velho mesmo é o mundo, que já existia quando chegamos e vai continuar existindo quando partirmos.

O terceiro medo é o da doença. Isto porque a doença nos ameaça com a morte. Nem sempre é assim... a grande maioria dos doentes ficam bons. Porém, em nosso inconsciente, quando chega a doença, logo vem o medo da morte. Existem pessoas que, de tanto medo de morrer, se tornam hipocondríacas, isto é, pessoas hipocondria, com obsessão de doenças, médicos, remédios e tratamentos.

O quarto medo é o da pobreza. O indivíduo na pobreza não dispõe de recursos para comprar remédios quando adoecer, a fim de evitar a ameaça da morte. A pessoa que vive na pobreza acredita que vai morrer antes, pela falta de alimentação adequada, o que nem sempre acontece, pois muitas pessoas nessa situação ultrapassam a casa dos noventa e cem anos. Morre-se mais de excesso de comida ou alimentação irregular, do que pela falta de pão.

O quinto medo é o da opinião dos outros. Esse medo não tem nada a ver com a morte, mas é uma forma de morte, porque, quando descobrimos que os outros têm opinião diferente e negativa a nosso respeito, isso se torna um tormento na nossa alegria. Gostaríamos que todos tivessem um excelente conceito sobre nós, embora nos permitimos o prazer de não ter boas opiniões a respeito dos outros. As pessoas quando dizem que estamos com aspecto doentio ou envelhecido, logo nos vem a lembrança da morte.

O sexto medo é o da perda de alguém querido. Nenhum sofrimento na Terra se compara ao daquele que observa um seu ente querido sem vida, em grande silêncio. Devemos, entretanto, reprimir o desespero e a mágoa no coração, porque sabemos que os chamados “mortos”, são apenas ausentes na Terra, vivendo agora na Espiritualidade. Jesus ensinava a superioridade da alma – o espírito encarnado – que é eterno, sobre o corpo físico por ela usado em cada existência, e abandonado como roupa velha que não serve mais. Quando tomamos conhecimento da sobrevivência da alma, atravessamos todas essas situações com a maior naturalidade. A existência terrena é por algum tempo, enquanto que a vida, que representa a centelha divina é permanente.

Esses seis medos produzem o impacto dos outros medos existenciais, que mencionaremos a seguir e que aterrorizam os seres humanos:

Medos naturais: São os medos com os quais praticamente todos nascemos; medo do fogo, medo dos trovões, do mar, do desconhecido, da morte. O medo da morte se prende à infância, quando a criança sem o despertar da razão, vê os familiares com grande sofrimento em velórios e enterros de parentes ou amigos; com isso, instala-se no subconsciente infantil, que aquilo (a morte) é terrível...

Medos amigos: São os ditados pela prudência, e é por eles, que os seres vivos mantêm sua existência, como por exemplo: - O vegetal procura a luz e a água, evitando a sombra e a seca, na qual feneceria; - o animal foge do predador ou do combate no qual esteja em desvantagem, para continuar a existir; - o ser humano evitará as conseqüências prejudiciais; não brincar à beira de abismos; não riscar fósforos próximos a combustíveis; não entrar no mar sem saber nadar; não reagir a um assaltante armado, etc.  Esses são medos frutos da prudência, ditados pelo instinto de conservação, que nasce com as criaturas.

Medos inimigos: São os causados pela inação, como por exemplo: Medo de mudanças, de mudar de casa, de mudar de emprego, medo de sair de casa; medo de enfrentar desafios, medo de compromissos, de responsabilidades, sejam eles familiares, sociais, profissionais, religiosos, etc.

Medos irracionais: São os que bloqueiam os sentimentos e a razão; - medo de ir ao dentista, medo de falar em público, medo de assalto, medo de infecção, medo de altura, medo da morte, medo de andar de avião. É verdade que há desastres aéreos, mas o avião é centenas de vezes mais seguro que viajar de carro, comprovado pelas estatísticas.

Medos imaginários: Esse é o mais prejudicial dos medos, pois o medo real têm raízes no passado, a expressar-se no presente. Agora a pessoa ter medo de algo que ainda não aconteceu? Exemplos: - Um jovem que sofre por antecipação,  a angústia de não arranjar uma namorada; de não ser bem aceito no grupo, de não ser bem sucedido nas provas, de se sentir inferior aos outros, de ficar preso em um elevador; medo de terrorista, medo de tempestade, medo  de sofrer um desastre. Esses medos podem atingir a fase de pânico. A síndrome de pânico é originária de “Pan”, deus grego, tocador de flauta que metia medo nas pessoas com seus chifres e pés eqüinos (minotauro).

Existem ainda as fobias, que são medos exagerados e persistentes. Entre estes citamos: Claustrofobia – medo de lugares fechados.  Alto-fobia – medo das alturas. Gerontofobia – medo de envelhecer.  Necrofobia – medo da morte.  Antropofobia – medo da sociedade; a pessoa se isola. Obeso-fobia - medo de engordar, principalmente as que são modelos. - O fóbico sofre terrivelmente com sensações,  falta de ar, palpitações, etc...

Vencendo os Medos: Todos nós, sem exceção, temos nossos medos... Sempre resultam desses medos, grandes ou pequenos desconfortos. Assim sendo, impõe-se que idealizemos uma “administração” dos nossos medos. Em primeiro lugar, nada melhor do que identificar e classificar o medo que sentimos. Uma vez identificado e classificado, o trabalho a seguir é realizar um estudo da origem dele. Devemos saber que a Humanidade sempre se defrontou com o medo e poucos foram os que se dedicaram a estudar e explicá-lo; primeiro para poderem entendê-lo, para em seguida eliminá-lo. Todos fracassaram, uma vez que o medo, enquanto sentimento de evitar o mal é um instrumento de sobrevivência de todos os seres vivos. Até porque, há a classe de medos que é muito benéfica como vimos anteriormente. Dessa forma, o medo tanto pode ser um amigo como um inimigo.

Se o perigo for real ou imaginário, o medo também o será. Para um medo ser identificado, necessário se torna compreender como ele se instalou, melhor dizendo, como é que ele “apareceu”; quando, como, por que. Quase sempre o medo se disfarça, lançando mão de símbolos, num processo muito parecido com os sonhos, cuja interpretação é sempre problemática, justamente pelo simbolismo com o qual a maioria se apresenta ao sonhador. O medo pode e deve ser trabalhado para se tornar um instrumento de equilíbrio em nosso dia-a-dia.

Em todos esses medos, se a pessoa não conseguir dominá-lo racionalmente, um bom caminho a seguir, será procurar um aconselhamento: a)- Na fé; em primeiro lugar, fazendo orações a Jesus ou ao nosso Pai Celestial, pedindo a proteção, para o problema; b)- na família; ouvindo a experiência dos pais ou familiares mais íntimos: c)- na ajuda da Casa Espírita, por um orientador espiritual, disposto a ouvi-lo com  humildade, que poderá sugerir uma terapêutica evangélica, se houver alguma influência de um desencarnado; d)- Na assistência de um psicanalista...

O medo na Doutrina:  A Doutrina dos Espíritos explica que todos nós temos um extenso passado de múltiplas existências terrenas, que espelham atualmente nosso painel de emoções e sentimentos, painel esse que se atualiza minuto a minuto. De posse de tão precioso entendimento, ao espírita será possível iniciar, por uma enérgica e sincera auto-reforma, um intenso e permanente tratamento, visando libertar-se de seus medos, manias, fobias, neuroses e eventuais psicoses. Também poderá, através de um tratamento espiritual, se libertar de certas situações infelizes, se estas forem de origem mediúnica; influenciação de espíritos. Na questão 919 de “O Livro dos Espíritos”, o Espírito de Agostinho nos dá preciosa maneira de nos conhecermos a nós mesmos, através do balanço diário das nossas ações, ao final de cada dia, como interrogação à nossa consciência. Na introdução da mesma obra, Allan Kardec registrou a propósito dos nossos temores o seguinte: “O Espiritismo mostra a realidade das coisas e com isso afasta os funestos efeitos de um temor exagerado”.

Tratando-se da realidade das coisas, o espírita compreende muitos fatos da presente existência, cuja origem pode estar em nossas existências passadas. Sabendo que o perispírito guarda indelevelmente as chamadas “matrizes psíquicas” (fatos marcantes de outras existências), não será difícil compreender que o medo, no presente, pode ter se originado em ocorrências do passado como por exemplos: -  medo de multidão; será que essa pessoa, em outra existência, não foi condenada e quem sabe até apedrejada em público, como se fazia antigamente? – Medo de altura; não teria essa pessoa se suicidado, ou sido vítima de queda de algum penhasco? – Medo do mar; não teria essa pessoa, em outra existência, se afogado? – Medo de lugares fechados; não teria essa pessoa, ficado presa e morrido num calabouço? – Medo de animais; não teria a pessoa morrido em outra existência por ataque de algum deles?  Esses exemplos são apenas no caso desses medos se terem  originado no passado ou em outras existências.

O medo impede a reflexão, a análise e a solução dos problemas do nosso dia-a-dia, qual lanterna que se apaga. Infinitos medos existem e infinitas são também as maneiras de administrá-los. Ele sendo real, a prudência, o enfrentamento com a oração sincera e a auto-reforma, possibilita o amparo do Alto. Contudo se o medo é imaginário, deverá ser enfrentado pelo “medroso” mediante auto-análise e também por aconselhamento e assistência. A Doutrina dos Espíritos assevera: se o medo é real, com uma oração fervorosa, ela possibilita o equilíbrio emocional.

Que o Senhor da Vida, nos possibilite a força necessária para afastarmos os medos existenciais.

   
Jc.
S.Luis, 23/7/2006.
Refeito em 15/4/2018

terça-feira, 10 de abril de 2018

QUANDO OS FILHOS SAEM DE CASA





 
Depois que os filhos crescem e procuram seguir seu destino, muitos deles saem da casa dos seus pais, embora outros continuem, e muitos casais se deparam com um grande desafio de suas existências: o chamado “Ninho vazio.”  Essa situação pode até fazer com que o casal tenha a impressão de que eles nem se conhecem mais.
Um especialista em assuntos familiares, disse: “Eu já ajudei muitos casais que não faziam ideia de como podiam ficar unidos novamente. Depois que os filhos saíram de casa, parece que eles não têm mais nada para conversar ou compartilhar.” Muitos pais estão passando por esse problema e não sabem como agir, porque os filhos sempre foram a alegria, a esperanças e a prioridade do casal.
Como isso, o casal fica tão acostumado com as atenções e responsabilidades de pai e mãe que acabam se afastando um do outro; isso fica bem evidente quando os filhos saem de casa. Uma mãe declarou que “quando meus filhos estavam em casa nós ainda fazíamos algumas coisas juntos.” Mas, depois que os filhos se foram de casa, ela voltou a dizer: “Eu e meu marido passamos a ter prioridades diferentes.” Esse distanciamento deles, chegou ao ponto dela dizer para o esposo: “Parece que nós só estamos atrapalhando um ao outro.”
Um livro sobre assuntos familiares disse o seguinte: “Quando enfrentam essa situação, muitos têm a impressão de que estão casados com uma pessoa completamente diferente.” Nessa situação muitos casais ficam com a sensação de que eles têm pouca coisa em comum, e cada um passa a buscar os seus próprios interesses e não mais o do casal. O resultado disso é que eles parecem ser apenas conhecidos que moram juntos, e não um casal outrora harmonioso.
A boa notícia sobre o assunto é que vocês podem evitar esses problemas. Na verdade,  podem até gostar dessa nova fase em suas existências, e como ajudá-los a conseguir isso. Para início, devem aceitar a mudança, porquanto as Escrituras Sagradas dizem: “O novo ser humano deixará seu pai e sua mãe.” Quando os filhos moravam com os pais, o objetivo era treiná-los para lidar com os desafios da idade adulta. Se os pais olharem por esse lado, vão se sentir orgulhosos quando  saírem de casa, porque a missão de treiná-los foi cumprida.
É claro que os pais vão sempre ser pai e mãe dos seus filhos. Mas, agora eles cresceram e a função dos genitores não é mais de aconselhar, mas de supervisionar e ajudar dentro do possível, sem interferir.  Essa nova relação com seus filhos vai permitir que continuem bem achegados a eles. Ao mesmo tempo, vão conseguir dar mais tempo para eles mesmos. O mais aconselhável é  que o casal converse sobre o que cada um está sentindo nessa nova fase; escutem um ao outro com carinho e atenção e sejam sempre pacientes e compreensivos. Esse vácuo que os pais estão sentindo talvez demore um pouco, mas logo vocês se reaproximarão e esse esforço vale a pena, não só para vocês como também para os seus filhos, noras, genros e netos.
Certamente, levou algum tempo para aceitarem que tinha havido uma mudança. Porém, agora com mais tempo, comentem as qualidades que mais chamaram a atenção quando vocês se conheceram. Tentem lembrar como foi lidar com as dificuldades iniciais da existência em casal. Na verdade vocês podem ser muito felizes nessa nova fase. Conversem sobre as coisas que vocês gostariam de fazer ou que vocês poderiam realizar como passeios, viagens, visitas ao(s) filho(s) e netos, pois vocês se tornaram pessoas livres aptas a novas realizações.  Uma das maneiras de melhor aproveitar o tempo é ajudando outras pessoas e compartilhar suas experiências com elas. Para isso, existem muitas Entidades que necessitam de voluntários para algumas tarefas, e se engajando numa delas vão observar que o serviço vai fazer o tempo passar e a satisfação de ajudar o próximo, vai aproximá-los de Deus.
Essa é a fase em que devemos nos voltar para as realizações positivas a fim de adquirir merecimento e podermos ajudar a todos àqueles que necessitam de amparo e auxílio, tanto material como espiritual. Só assim, estaremos trabalhando pela nossa evolução espiritual como diletos filhos do Pai Celestial...
Fonte:
Revista “Despertai” nº 4
+  Acréscimos e modificações.

Jc.
São Luís, 22/11/2017

VITOR RONALDO DE SOUZA COSTA





 
Em 19 de setembro de 1943, nascia em Natal-RN, Vitor Ronaldo de Sousa Costa, filho de Lauro e de Adelina. Nascido em família espírita, sempre vivenciou a doutrina participando de reuniões mediúnicas e aprendia desde cedo á importância da caridade na vida de uma pessoa. Retornou ele para a espiritualidade em 21 de novembro de 2015, devido a um câncer de pâncreas diagnosticado apenas 20 dias antes.
Na infância dividida entre Natal e Recife, já mostrava inclinação pelo inexplicável. A sua mãe contava que, ainda pequeno, gostava de sentar-se à mesa, com papel e caneta na mão, dizendo que ia psicografar, e em posição bem compenetrada, escrevia: “Jesus é amor”; a mãe achava graça e dizia: - Muito bem! Ótima a sua mensagem!” E ele saia satisfeito pela sua tarefa espiritual.
Aos 14 anos, estava brincando na casa de um amigo, quando ouviu pelo rádio, a notícia da morte do seu pai, no momento em que este participava de um grupo que trabalhava por moradia para uma comunidade carente. Diante da orfandade paterna, tornou-se o “homem” da casa, começando a trabalhar muito cedo. Pensou em ser veterinário, geólogo e até ator! Mas a oportunidade de cuidar do próximo falou mais alto e ele optou pela medicina como seu caminho profissional.
Sua mãe, mulher forte e generosa foi a responsável pela sua moral espírita, e na luta do cotidiano para criar os filhos e viver a diretriz espírita, foi acometida por um câncer de mama que ela acolheu com serenidade e resignação. Ela dizia que só faleceria quando Vitor estivesse formado. E, de fato, veio ela a falecer no dia da sua colação de grau.
Dona Janete, companheira de 45 anos de matrimônio, sempre lhe apoiou nos trabalhos espirituais. Era ela quem oferecia o primeiro acolhimento àqueles que procuravam o consolo e tratamento espiritual. Eles tiveram quatro filhos que nunca deixaram de admirar a agradecer pela educação que receberam. Avô de cinco netos, o deixava ainda mais emotivo e carinhoso com as pessoas. Foi ele o grande responsável na família pela semeadura da fé, da caridade e do amor a Deus, aos que puderam usufruir da sua companhia com maior intimidade. Com seu jeito divertido era um entusiasta da vida.
Na medicina, como clínico geral, adotou a homeopatia como o restabelecimento da saúde das pessoas. E, na medicina da alma, por meio dos seus trabalhos mediúnicos, buscava oferecer alívio para os sofredores encarnados e desencarnados, sempre usando a filosofia do auxílio ao próximo e do perdão para a reforma íntima. Como médico militar foi morar em Porto Alegre, buscando resposta para aprimorar as terapias desobsessivas dos doentes psiquiátricos do Hospital Espírita. Foi quando conheceu o Dr. José Lacerda de Azevedo e se tornou o fiel companheiro dele, o mestre que o introduziu na desobsessão em casos complexos, utilizando-se da Apometria, e o ensinou como exercê-la. Ele chegou a escrever dois livros sobre a desobsessão por Apometria, sempre enfatizando a caridade no trato com as pessoas para o sucesso da terapia.
Posteriormente se radicou em Brasília e labutou na caridade desobsessiva  como dirigente mediúnico em várias casas espíritas, finalizando sua tarefa nos trabalhos mediúnicos do Grêmio Espírita Atualpa, casa que o acolheu com grande generosidade. Foram milhares de assistidos sem diferenciação de credo ou classe social. Foi doutrinador por mais de 40 anos de prática amorosa, algo que fazia com o maior prazer. Era disciplinado e estudante incansável da Doutrina Espírita, e dono de grande habilidade usava a palavra com muita propriedade e chegou a escrever 11 livros.
Combatia a ganância e o uso de técnicas espirituais para proveito financeiro e a medicina orientada aos procedimentos que colocava o lucro acima do paciente. Inspirado em Ivone Pereira, fazia um trabalho de irradiação de segunda a sexta-feira, realizado em sua casa, quando rogava a ajuda espiritual e auxiliava muitos assistidos, dedicando um dia para cada grupo: suicidas, drogados, cancerosos,  doentes psiquiátricos e obsidiados, sendo a sua principal ocupação depois que se aposentou como médico.
Vitor reconhecia suas imperfeições e lutava contra elas, buscando sempre seu aprimoramento espiritual. Como distração praticava o aeromodelismo, um convite a se sentir livre nos céus, e apreciava todo tipo de música. Adepto do vegetarianismo também não bebia álcool nem fumava. Gostava de usar bonés que protegiam sua calvície e brincava que quando desencarnasse iria pedir uma vasta cabeleira. Ele era pontual, alegre e divertido, um homem de bem que apreciava as coisas simples da vida e viveu com a beleza do amor de Cristo em seu coração.
Ele tinha convicção na continuação da vida e no amparo dos bons espíritos e ao receber o diagnóstico afirmou: “Eu estou pronto”  Não sucumbiu à revolta, à negação quando defrontado com a doença fatal, nem murmurou queixas. Dizia estar tudo bem e minimizava os incômodos dos cateteres e dos drenos, e diante da cirurgia, só manifestava confiança e gratidão aos enfermeiros e médicos. Sabia que ia desencarnar, mas minimizou a situação para que a família não sofresse. 
Para quem o conheceu, ficou a saudade da sua presença e a certeza de que Vitor Ronaldo de Sousa Costa foi um grande ser humano. Atualmente, no plano espiritual, reencontra seus entes queridos e todos aqueles que ele pode auxiliar durante mais de quatro décadas de trabalhos espirituais realizados com base no amor e na caridade.
Fazemos nossas as palavras que ele sempre encerrava as atividades mediúnicas:  “Que possamos nos sentir cada vez mais fortalecidos na prática do bem e do amor ao próximo”.
Fonte:
Jornal “Brasília Espírita” – 01-02/2016.

Jc.
São Luís, 13/2/2016

ENTREVISTA COM O SENADOR PEDRO SIMON





 
A revista “Isto É”, publica em seu nº 2520, uma entrevista feita com o ex-senador Pedro Simon, a respeito da prisão do cidadão Luiz Inácio da Silva, pela justiça brasileira. Ele que foi senador da república por 32 anos, participou de alguns capítulos da história do Brasil, diz que optou por não se candidatar mais, hoje com 88 anos e aposentado, deu essa entrevista a André Vargas.
Ele acredita como velho tribuno que foi, que podemos estar diante de um ponto de virada na construção de um consenso em substituição ao “toma lá dá cá” até então existente, e uma melhora nas instituições jurídicas do país.
Isto É: - Para onde vai o Brasil após o julgamento do STF?
Pedro Simon: - Deus estava do nosso lado. Se a decisão fosse inversa, seria criada uma situação incontrolável. A Lava Jato terminaria e os presos com bons advogados, seriam soltos e mantida a expectativa de que a impunidade garantiria o futuro de qualquer vigarista. Essa última sessão do STF vai ficar na história. Duas mulheres salvaram o Supremo da desonra total: A presidente Carmem Lúcia, que marcou para votar essa questão em vez daquela que o quarteto queria, e a ministra Rosa Weber, que deu o seu voto decisivo. Todos que tinham dúvidas descobriram que qualquer um pode ir para a cadeia. Esse é o início de uma perspectiva de que o Brasil pode mudar para melhor.
Isto É: - Antes a justiça era mais parcial?
Pedro Simon: - Sempre foi, até agora. Eu era guri em 1954, na morte de Getúlio. Fui para o enterro dele em São Borja. Quando terminou, não se apurou nada sobre o tal mar de lama da qual se falava. Depois, em 1964, derrubaram o Jango. Diziam que ele era o mais corrupto da história, que comprava uma fazenda por ano. A Igreja Católica foi para as ruas, defendendo Deus, a pátria e a família. Os militares ficaram 21 anos no poder, prenderam, mataram e nomearam cinco presidentes e não teve ninguém do governo de João Goulart que foi preso por corrupção. Não apuraram nada e não se falou mais nisso. Depois, eu fui ser coordenador do Movimento das Diretas Já, pelo PMDB.  Foi espetacular ver topo aquele povo nas ruas e o 
povo todo favorável. Resultado: Tancredo foi eleito, morreu e assumiu o Sarney. E não se apurou nada da ditadura. Por isso o Brasil é o país da impunidade. Jamais o STF botou empresário, deputado ou ministro na cadeia. Nossa corrupção não tem paralelo com os gangsteres de Chicago nem com a máfia italiana. Agora é preciso mudar; o mundo inteiro está nos olhando.
Isto É:-  O que permitiu haver tanta corrupção?
Pedro Simon: - Não foram os políticos nem gente do Poder Executivo que começaram. A corrupção nos governos de Lula começou com os maiores empresários, que se reuniram na hora em q     ue surgiram as novas grandes obras. O esquema era para facilitar os negócios. Uma empreiteira pegava uma obra no Rio, outra para São Paulo, uma terceira para o Nordeste. A partir daí, eles começaram a indicar os dirigentes das estatais. Quando o Lula diz que não foi ele que indicou, é capaz até de ser verdade. Mas não é tudo; esse pessoal foi colocado lá para participar do esquema. O Sarney, quando presidente era da tese do “É dando que se recebe”. Levou um monte de gente para o lado dele por causa das estatais e dos bancos.
Isto É: - Algo mudou desde então?
Pedro Simon: - O que mudou foi agora o Supremo Tribunal Federal, ao definir que condenado em segunda instância deve ir para a cadeia. Aquela votação de 7x4 é que mudou tudo. O que ocorreu depois é consequência. Na segunda votação, essa decisão foi mantida por 6x5, agora de novo. Por causa disso, ficarão presos, o ex-presidente da Câmara Federal (Eduardo Cunha), o ex-todo-poderoso ministro da Fazenda (Antônio Palocci), o ex chefe da Casa Civil (Zé Dirceu) e o milionário das empreiteiras (Marcelo Odebrecht). As celas estão cheias e, mais importante, há uma série de processos e investigações em apuração. Então, graças principalmente a Lava Jato, já não dá para se dizer que não há justiça no Brasil. O Lula finalmente foi preso, o Geddel (Vieira Lima) que tinha uma montanha de dinheiro em um apartamento, teve todos os direitos garantidos. O Maluf foi para a cadeia e hoje está fora. O problema está nos processos que permitem recursos sobre recursos, frustrando a população. Uma reforma das leis seria um segundo passo. Só que isso não pode ser feito agora.
Isto É: - O senhor acredita no “acordão” para salvar quem escapou até agora, como disse Romero Jucá?
Pedro Simon: - O que sei é o que todo mundo sabe. O “acordão” é tácito: Eles não precisam conversar entre si para chegar a isso. Ontem, dia 4, era isso que estava em vigor. Um ministro (Gilmar Mendes) veio de Portugal, antecipou o voto e foi embora. Por quê? Todos os partidos envolvidos estavam nessa jogada, como quando não votaram para processar o presidente Temer, assim como não prenderam o Aécio. Só que ontem deu errado o esquema para liquidar com a Lava Jato.
Isto É: -  A Lava Jato é um padrão para investigar a corrupção?
Pedro Simon: - Ela mudou o Brasil. Houve uma falha aqui ou acolá, como quando um procurador fez um espalhafato dando a entender que estava tudo acabado quando não conseguiram levar o Lula para depor na Federal. Foi um exagero. Eles agiram com rigor com todos. O PT se queixa, mas o MDB e o PSDB e outros estão na mesma situação. Agora há até a possibilidade de uma terceira denúncia contra o presidente. Não há o  que discutir sobre o desempenho da Procuradoria e da Justiça.
Isto É: - O que acha do Lula começar a cumprir pena já?
Pedro Simon: - Não estou muito preocupado se vai ser o Lula ou outro que vai para a cadeia. Não passa pela minha cabeça sequer que ele tenha que pagar e sofrer. O que interessa é o simbolismo da questão. Ele tem que ir para o resto ir atrás. Agora está todo mundo assustado. Alguns que ainda estão na fase de denúncia já sabem qual será seu destino.
Isto É: - Qual o resultado dessa situação?
Pedro Simon: - Quem sabe será possível fazer um governo sério com quem ficou de fora. Para tanto, teríamos que pensar no conjunto da sociedade e não apenas nos partidos. Quando fizemos o impeachment do Collor, tínhamos conosco a CNBB e os presidentes da ABI e da OAB, assim como gente de toda a sociedade. Hoje a Igreja Católica está quieta. Naquela época, tínhamos o cardeal D. Paulo Evaristo Arns, que era uma maravilha. Hoje não tem ninguém atuando de verdade.
Isto É: - O senhor imaginou que a Constituinte de 1988 produziria um texto que desse ao STF margem de interpretar a prisão em segunda instância?
Pedro Simon: - Na Constituinte, vivíamos ainda o fim das prisões, das torturas, da falta de liberdade e da inexistência de habeas-corpus. Foram mais de vinte anos. Na hora de criar a nova Constituição, não se falava em corrupção. O que entrou em jogo ali foram os direitos de defesa, in dubio pro réu,  quem manda é o povo, liberdade de expressão. Tem direito para todo mundo, deveres e obrigações, só para alguns. Foi um grande erro, mas algo justificável pelo clima de então.
Isto É: - o Congresso está com o presidente Temer?
Pedro Simon: - Há sempre grande perigo quando um presidente diz que precisa da maioria para governar. E com esse Congresso que está aí. Temer não tinha como escapar. É algo que já aconteceu antes. O Sarney quando presidente rompeu com o Ulysses e criou o bloco dele, o Centrão, junto com o Roberto Cardoso Alves do PMDB. Eles eram da tese do “é dando que se recebe”. Eu e outros acabamos de fora na hora que o partido chegou ao poder. Nós queríamos moralizar o País, só que Sarney levou um monte de gente para o lado dele por causa das estatais e dos bancos públicos.
Isto É: - Michel Temer deveria concorrer?
Pedro Simon: - Acho que não. O governo dele acabou. Ele está na mesma posição que o Sarney no fim do seu governo, quando ninguém queria o seu apoio. Só que o governo Temer tem aspectos positivos. Ele conteve a inflação e, aos poucos, o desemprego diminui. Acho que ele só fala em concorrer para continuar tendo alguma perspectiva de poder.
Isto É: - Em 2017, no escândalo da JBS, o senhor chegou a defender a renúncia de Temer.
Pedro Simon: - Se o Temer tivesse renunciado, teria assumido a presidente do Supremo (Carmem Lúcia), que certamente faria um governo acima do bem e do mal. Acho que ela levaria adiante as coisas que estão acontecendo.
Isto É: - No panorama atual, quem seriam os grandes candidatos à presidência?
Pedro Simon: - Hoje vejo o Jair Bolsonaro (PSL) crescendo, mas não acredito que ele possa fazer metade mais um dos votos no segundo turno. O Ciro Gomes (PDT) Foi bem no Ministério da Fazenda e no governo do Ceará. O problema está em seu gênio que é algo imprevisível se for para ele assumir uma presidência nas atuais circunstâncias. Marina Silva (Rede) é boa para isso que está aí. Ela escolheria um ministério de alto gabarito, como o Itamar fez após a saída do Collor. O problema dela está na troca de partido e não negocia, não dá para ninguém. O Álvaro Dias (Podemos) é um homem de bem, mas não sei se ele teria condições de ultrapassar as barreiras de seu partido. O Geraldo Alckmin (PSDB) Foi por três vezes governador de São Paulo. Já provou tudo que tinha que provar, mas acho que não está na linha de renovação que todo mundo está querendo. O PSDB foi muito atingido, visto as acusações contra o ex-governador (Aécio Neves) de Minas Gerais.
Isto É: - No passado, o senhor criticou duramente o PMDB. Agora, como MDB, seu partido apresenta condições de seguir no comando do executivo?
Pedro Simon: - Se analisarmos, nem o PSDB têm condições de governar hoje. Não surgiu alguém para fazer o entendimento político necessário. Daí vão buscar o dono da Riachuelo (Flávio Rocha) ou aquele rapaz da televisão (Luciano Huck), sem contar esse ex-capitão da direita (Bolsonaro). Onde fomos parar? Ninguém tem coragem de chamar para si essa missão.
Isto É: - O senhor pensa em voltar à política aos 88 anos?
Pedro Simon: - (Encerrando a entrevista, respondeu:) Essa foi uma boa piada.

Fonte:
Revista “Isto É” nº 2520.
+ Pequenas modificações.

Jc.
São Luís, 10/4/2018

quinta-feira, 29 de março de 2018

A PÁSCOA E A RESSURREIÇÃO DE JESUS





 
Estamos na semana em que nossos irmãos católicos consideram
como “Semana Santa”.  Para nós espíritas, essa semana também é considerada santa? – Claro; não só essa mais todas as semanas de todos os meses, de todos os anos, consideramos santas, porquanto todas são criadas por Deus.  

Embora a grande maioria dos cristãos desconheça a páscoa não é uma comemoração do Cristianismo. Ela é uma festa muito anterior a Jesus, instituída pelos hebreus (hoje israelenses), lembrando a saída dos judeus da escravidão do Egito, conduzidos por Moisés. Com a construção do Templo de Salomão, a festa da páscoa passou a ser realizada em Jerusalém, por sete dias, quando era comido o pão sem fermento (pão ázmo), em memória da fuga dos hebreus da servidão, no Egito, sem pausa para a levedura do pão.

Seguindo a tradição dos antigos, diz o Evangelho de Lucas, que Jesus veio a Jerusalém com seus apóstolos, e estando eles reunidos e chegando a hora da Ceia; e sabendo Jesus que se aproximava a hora da separação. Sentou-se Ele à mesa com seus apóstolos. Disse-lhes Ele: “Tenho desejado comer convosco esta páscoa”. E munindo-se de uma bacia e de uma toalha, passou a lavar os pés de todos, em sinal de humildade e pureza d’alma. Em seguida retornou à mesa, e, tomando o pão e tendo dado graças partiu-o e, deu aos seus apóstolos, pão que simbolizava toda a Sua Doutrina; e tomando o vinho, rendeu graças a deu-lhes, como essência da Vida do Espírito que deveria vivificar a Sua Doutrina.

Começando Ele o Sermão do Cenáculo, disse: “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Nisto, todos conhecerão que sois meus discípulos. Crede em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai, há muitas moradas (mundos habitados); se assim não fosse, eu já vos teria dito e eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, O Espírito de Verdade, que o mundo não vê nem o conhece; vós o conhecereis, porque ele estará em vós; mas o Consolador, o Espírito de Verdade, (Como é considerada a Doutrina dos Espíritos) a quem o Pai enviará em meu nome; esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que tenho ensinado”.

Após Jesus ter lhes falado estas coisas e muitas coisas mais, retirou-se Ele com seus apóstolos, para o Monte das Oliveira, onde começaria o seu martírio, narrado por João, nos Cap. 13 a 17.

Grande parte da humanidade, ainda em atraso espiritual, gosta de ficar revivendo esses tristes e lamentáveis acontecimentos, transformando-os em encenações que se repetem todos os anos, atestando a inferioridade de muitas pessoas e, como se quiséssemos vê-lo eternamente crucificado e morto fruto da vaidade, do orgulho de quem se presta a esses papeis. Tempo virá em que somente as lições de humildade, paz, amor e fraternidade, é que serão lembradas sempre quando lembrarmos de Jesus. Nesse tempo a humanidade já terá evoluído e o sofrimento e a morte não serão mais peças programas, encenadas e ainda comercializadas pelas pessoas da Terra, assim como todas as demais formas de mortes praticadas pelos humanos.

Nós, espíritas, não nos atemos a essas comemorações de “Semana Santa”, instituída pela Igreja Romana, por ser apenas uma recordação do povo judeu, onde é mostrado apenas o que de pior aconteceu com Jesus. Para nós espíritas todas as semanas são santificadas porque foram criações de Deus.

Nesta festividade, ficamos alegres por conta da Ressurreição de Jesus, no domingo, ao aparecer a Maria Madalena, fazendo-a portadora da nova revelação aos apóstolos – A IMORTALIDADE. Ressurreição quer dizer: “manifestação, aparição, reencarnação”, palavras que traduzidas em fatos são relatados nos Evangelhos. O que seria o Cristianismo sem as aparições de Jesus?- Seria possível que a Doutrina por Ele ensinada tivesse por finalidade a morte, o nada?- Ele mesmo não falou da continuidade da vida, quando disse a Nicodemos, que ele deveria nascer de novo!  Foi essa prova da Imortalidade que Jesus deu que despertou nos apóstolos a fé verdadeira, vencendo a timidez, dando-lhes a coragem e a determinação para saírem a enfrentar todas as dificuldades, e anunciar a todas a todos os povos, a palavra do Filho Vivo de Deus, e os esplendores da Vida Eterna. . .

A páscoa representa para os judeus, a libertação do cativeiro do Egito; o domingo da ressurreição, é para os cristãos, a libertação da ignorância, comprovando a existência da Vida Espiritual, após a alma se libertar da existência terrena, desencarnar, ou morrer.

Portanto, neste domingo devemos celebrar a Ressurreição de Jesus, lembrando o Mestre Amado, não como um morto, mas como a verdadeira Vida; não como uma sombra, mas como um extraordinário facho de Luz; não em agonia, mas em Harmonia e Paz; não com tristeza, mas com imensa alegria; pois Ele mesmo afirmou: “Eu sou o Pão da Vida” – “Eu sou a Luz do mundo” – “Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida, e ninguém vai ao Pai senão por mim”. Se quisermos segui-lo, devemos amar a Deus, amar a nós mesmos e amar ao nosso próximo, essa é a grande Lei... 

Fontes:
Velho e Novo Testamento
Novo Testamento

Jc.

S.Luís, 17/4/2014
Refeito em 12/9/2017