terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

OS NOSSOS IDOSOS




  Mudar os seres humanos ou a sociedade não é tarefa fácil, mas mudar a forma como tratamos as pessoas a nossa volta, principalmente os idosos, é algo que está inteiramente ao nosso alcance.  A propósito do assunto, a Drª  Roberta da Silva, médica especialista em Geriatria, explica que na cultural oriental o idoso é reconhecido na família pela sabedoria natural da idade e, por isso, merecedor de profundo respeito.
Assim, conselhos são solicitados a ele, que possui não apenas uma soma de anos de vivência, mas também pelos valores e a experiência adquirida que guiam os mais jovens nos desafios e nos caminhos que a existência proporciona. Parecem-lhes simples dessa forma, auxiliados pelos mais velhos, conhecer de antemão o caminho que deverá ser percorrido. E o mais importante:  São-lhes gratos.  E nós, o que aprendemos com os nossos idosos? Ao menos os respeitamos como merecem?
A drª Roberta acredita que não, uma vez que a nossa sociedade, a julgar por tudo aquilo que podemos observar, tem outro olhar diante da terceira e quarta idade: os idosos muitas das vezes acabam ocupando um “status” de improdutivos. Não trabalham mais, como se o mercado de trabalho lhes oferecesse chances dignas para produzir. Quantas vezes já ouvimos: “O vovô está caducando” ou “no seu tempo era diferente, isto já era”.
O conflito de gerações nos lares, mudanças de hábitos, de atitudes, de tecnologias, não podem existir em detrimento do respeito, dos bons costumes e dos sentimentos. Na década de 1940, os idosos representavam somente 0,7%  da população brasileira, e hoje esse contingente  representa 2,5%. Segundo o IBGE. No ano de 2025, eles chegarão a 34 milhões, colocando o Brasil em 6º lugar no mundo em população idosa.  Se conclui  que, fazem-se necessárias as devidas providências para o atendimento dessa parte bastante expressiva da sociedade, e nesse contexto a família tem um papel muito importante.
A questão do envelhecimento da população é urgente, pois no Brasil as pessoas com 60 anos ou mais, somavam em 2013 o equivalente a 13% (21 milhões) da população senso do IBGE.   O desafio, neste cenário, é construir um mundo melhor e valorizar o idoso, em toda a sua existência, trazendo uma situação melhor, numa sociedade que supervaloriza o jovem, o consumo e as relações superficiais. Sem lugar num mundo aonde a expectativa de vida vem aumentando, é preciso mudar em nossa cultura, onde só o novo tem vez e tem valor, criando oportunidades para que também as pessoas idosas continuem produzindo. Essa experiência não pode ser descartada em qualquer sociedade, em qualquer empresa ou em qualquer tempo e lugar, pois eles são os mais aptos.
Pesquisa inédita divulgada durante o 4º Fórum da Longevidade revela que os idosos se sentem desrespeitados e ás vezes esquecidos pelos familiares, mesmo assim, 80% dos idosos são os responsáveis pelo sustento da casa onde vivem. Os idosos sofrem o preconceito e a discriminação na sociedade brasileira atual, e por muitas vezes descaradamente ao serem tratados de maneira humilhante como:  “Ele é velho.” Outras vezes ouve-se frases como: “Não liga, ele é velho”, “Coitado está velho” e ainda: “Isso é coisa de velho”. Há um apelo social tão grande para ser jovem que envelhecer parece algo muito indesejável e ofensivo.
Uma nova visão do idoso se faz necessária, não só pelo aumento da população, mas também por que todos aqueles que hoje não são idosos, se permanecerem no mundo, no futuro serão. Infelizmente vivemos hoje numa sociedade que prega a “eterna juventude” e tudo o que não é associado a esta ideia assume um caráter social negativo. Se você for uma pessoa idosa como eu (87 anos), orgulhe-se de ser idoso e agradeça a dádiva de ter chegado a essa idade, situação que muitas outras pessoas não terão oportunidade de chegar.
Eis uma boa orientação: Não dê muita importância à idade do seu corpo físico: sinta-se sempre jovem e bem disposto espiritualmente. O Espírito não tem idade. Mesmo que o corpo assinale os sintomas da sua idade física, mantenha-se bem disposto, porque isto depende de sua mentalização positiva. Faça que a juventude do seu Espírito se irradie pelo seu corpo, tenha ele a idade que tiver, para seu próprio bem.
Finalizando, acompanhemos um diálogo de Simão e Jesus.
Simão, mais tarde conhecido como o “Zelote”, mais velho que os demais discípulos, acompanhando as conversações dos outros, sentia-se humilhado, pois era mais forte o declínio das suas forças, embora seu espírito se conservasse firme no ritmo da vida. Deixando-se impressionar muito com essa situação, procurou o Mestre, expondo seus receios e Jesus o ouviu sem surpresa, e em resposta lhe disse:  “ Simão, poderíamos acaso perguntar a idade do mundo ou de nosso Pai? E se fôssemos contar o tempo, quem seria o mais velho de todos nós? A vida do homem na Terra é como uma árvore grandiosa. A infância é a ramagem verdejante; a mocidade são as flores perfumadas; a velhice é o fruto da experiência e da sabedoria. Há ramagem que morre depois de receber a luz do Sol, e flores que caem ao primeiro sopro da Primavera. O fruto, porém, é sempre uma bênção de Deus. A ramagem é uma esperança; a flor é uma promessa; o fruto é a realização. Só ele contém o doce mistério da vida!...”
O discípulo voltou a lhe dizer: “Mestre, a verdade é que estou envelhecido, temendo não resistir aos esforços a que estou sujeito na semeadura da vossa doutrina.”  Jesus então lhe respondeu:  “Simão, achas que os moços poderão fazer alguma coisa sem os trabalhos realizados pelos que estão envelhecendo?!  Os jovens são crianças que pedem cuidados; iguais a abelhas que ainda não sabem fazer o mel. Perdoa-lhes o entusiasmo ainda sem rumo e esclarece-os, e não penses que outro homem, no conjunto da obra divina, poderia fazer o esforço que te compete... Vai, e tem bom ânimo!...”
E Simão se despediu do mestre amado muito feliz e animado.

Fontes:
Jornal  “O Imortal” – 10/2017
Livro  “A Boa Nova”
+  Pequenas modificações

Jc.
ortsac1331@gmail.com
São Luís, 19/10/2017

CONSIDERAÇÕES SOBRE O ENSINO RELIGIOSO




    CONSIDERAÇÕES SOBRE OS ENSINOS RELIGIOSOS
Em muitas ocasiões, especialmente quando atendemos pessoas sem qualquer conhecimento em matéria da Doutrina dos Espíritos, elas nos perguntam quais são, a respeito da alma, as diferenças que existem entre os ensinamentos que recebemos das religiões tradicionais e os ensinos espíritas. Respondemos que as diferenças são muitas e expressiva, conforme verificaremos a seguir:
 De acordo com a doutrina da Igreja Católica e dos Protestantes, a alma humana (Espírito encarnado), é criada por ocasião do nascimento de cada ser. Ela vive, sobrevive e conserva sua individualidade após a morte; mas a partir desse momento sua sorte está irrevogavelmente fixada. Seus progressos posteriores são nulos, e por isso ela será por toda a eternidade, intelectualmente e moralmente, o que era durante a existência corpórea. A exceção a essa regra são os anjos, almas privilegiadas, isentas desde a sua criação, de todo e qualquer trabalho para chegarem à perfeição.  
 As pessoas más são condenadas a castigos perpétuos e irremissíveis no inferno, do que resulta para elas a inutilidade do arrependimento. Parece, segundo tais ideias, que Deus não deseja que elas tenham a oportunidade de reparar o mal que fizeram. As pessoas boas, por sua vez, são recompensadas pela visão de Deus e a contemplação perpétua no céu. Os casos que podem merecer, por toda a eternidade, o inferno ou o céu, são deixados para o julgamento e a decisão de homens falíveis, aos quais é dada pela Igreja e pelo Templo, a incrível prerrogativa de absolver ou condenar as almas, como se fossem procuradores, em substituição a Justiça Misericordiosa de Deus. As doutrinas católica e protestante ensinam ainda, a separação definitiva e absoluta dos condenados e dos eleitos, e a inutilidade dos auxílios morais e das consolações que enviamos para os condenados, através das orações.
Em face de semelhante concepção a respeito do destino das almas, ficam, no entanto, sem solução os problemas seguintes:
1º-  Por que Deus criou anjos, chegados à perfeição sem trabalho, ao passo que as outras almas estão submetidas às mais rudes provas, nas quais têm mais chances de sucumbir do que de sair vitoriosas?
2º-  De onde vêm as disposições inatas, intelectuais e morais que
fazem com que alguns seres nasçam inteligentes e outros idiotas, uns bons e outros maus?
3º- Qual é a sorte das crianças que morrem em tenra idade? Por que elas entram na vida eterna, felizes, sem o trabalho que as outras pessoas estão sujeitas durante longos anos? Por que são recompensadas sem terem podido fazer o bem, ou privadas da felicidade sem terem feito o mal?
4º- Qual é a sorte dos cretinos e dos idiotas, que não têm consciência de seus atos?
5º- Onde está a justiça de Deus, na miséria e nas enfermidades de nascimento, uma vez que, segundo a Igreja e os Protestantes, não é o resultado de nenhum ato anteriormente cometido?
6º-  Qual é a sorte dos selvagens e de todos aqueles que morrem no estado de inferioridade moral, no qual se encontram colocados pela própria Natureza, se não lhes é dado progredir?
7º-  Por que Deus criou almas privilegiadas e a grande maioria vivendo em maiores sacrifícios e sem nenhuma vantagem?
8º-  Por que Deus chama a si, prematuramente, aqueles que teriam podido melhorar-se se tivessem vivido por mais tempo, tendo em vista que não lhes é dado avançar depois da morte?
9º- Por que Deus que criou a todos nós deixa que seus filhos sejam separados, uns para o inferno e outros para o céu; que justiça é essa, inferior á justiça dos pais terrenos?
10º Por que Deus sendo infinitamente de misericórdia e bondade faz distinção e criou o céu e o inferno para as suas criaturas?
===
Vejamos agora os ensinos da Doutrina dos Espíritos que nos apresenta uma visão diferente acerca da alma e do seu destino. Começamos pelo princípio inteligente (Espírito ou Alma) que é independente do corpo físico. A alma é preexiste e sobrevive após a morte do corpo.
a-   É igual o ponto de partida para todas as almas, sem exceção nenhuma. Todas são criadas simples e submetidas ao progresso indefinido. Nenhuma é privilegiada ou favorecida mais do que as outras. Os anjos são os Espíritos chegados à perfeição relativa, depois de terem passado, como as outras criaturas, por todos os graus da inferioridade, progredindo até á situação atual.
b-  As almas e os Espíritos progridem mais ou menos rapidamente em virtude do seu livre-arbítrio, por meio do seu trabalho e de suas ações benéficas.  A vida espiritual é a vida normal; a existência corporal é uma fase temporária da vida do Espírito, durante a qual ele reveste, momentaneamente, um envoltório material de que se despoja na morte física. O Espírito progride no estado espiritual, e no estado corpóreo como alma, que é uma necessidade, até ela atingir certo grau de perfeição.
c-   Como apenas uma única existência é insuficiente e não lhe permite adquirir todas as perfeições, retorna ao corpo físico como homem (adquirir conhecimentos) ou como mulher (adquirir sentimentos), tantas vezes quantas forem necessárias e, a cada vez, ela chega com o progresso que alcançou em suas existências anteriores,  na vida espiritual e na última encarnação. O estado feliz ou infeliz dos Espíritos é inerente ao seu adiantamento moral, e sua punição é a consequência de seu endurecimento no mal; mas a porta do arrependimento jamais lhes é fechada e elas podem, quando quiserem retornar ao bom caminho e chegar com o tempo, à meta a que todos somos destinados – seres evoluídos.
d-  As crianças que morrem em tenra idade completam outra existência interrompida, e podem ser mais ou menos evoluídas, porque já viveram outras existências anteriores, onde puderam fazer o bem ou cometer suas más ações, inclusive o suicídio, abreviando a sua existência. A morte não as livra das provas que devem passar, em face disso, elas recomeçam uma nova existência na Terra ou em outros mundos, conforme seu grau de evolução espiritual.
e-   A alma dos cretinos e dos idiotas é da mesma natureza que a de qualquer outro encarnado; e frequentemente sua inteligência pode ser superior ou não. Eles tão somente sofrem a insuficiência dos meios que têm para entrar em relação com os seus companheiros de existência, como os mudos sofrem por não poderem falar. Por haverem abusado de sua inteligência em suas existências anteriores, pediram e aceitaram submeter-se à limitação em que se encontram, para expiarem o mal que cometeram. Mas, finda essa expiação, elas retornam ao estado normal que caracteriza o Espírito.
f-    Deus não separa nem abandona seus filhos; apenas cada um colhe do que plantou, em outras palavras, se permanece na prática do mal o sofrimento vem para ele expiar seus malefícios, que é como se vivesse no inferno; se na existência procura praticar o bem, é assistido pelos protetores Espirituais, ajudando-os no seu bem-estar e na sua elevação espiritual.
g-  O inferno citado por Jesus nos Evangelhos, não é um lugar determinado, mas sim uma condição íntima do ser humano, quando sofre as consequências do mal praticado, assim, como era dito antigamente que o céu ficava acima da Terra e o inferno ficava abaixo da Terra; quando sabemos que não existem esses determinados lugares, mas sim o espaço infinito, em redor de todos os planetas e mundos. Deus, sendo o nosso Pai misericordioso, de bondade infinita e amor eterno, não poderia querer para seus filhos, sofrimentos eternos. Todas as suas criaturas passaram por dificuldades e sofrimentos em razão do mau uso das suas faculdades, porém, tudo melhora quando elas passam a vivenciar a fraternidade, a caridade e o amor que são as verdadeiras Leis do Pai Amoroso, que somente deseja o bem das suas criaturas e a todos assiste com a sua infinita misericórdia e bondade.
Essas, portanto, são as diferenças que existem entre os ensinos  das outras religiões e os ensinos da Doutrina dos Espíritos, que não nos amedronta e nem nos ameaça com o inferno,  nos ajudando a entender como devemos agir nas nossas ações para com nosso próximo, a fim de podermos melhorar a nossa situação espiritual.

Fonte:
Jornal “O Imortal” – 03/2014
Adolfo O. de Oliveira Filho
+ Pequenas modificações e acréscimos.

Jc.
São Luís, 6/4/2014
Refeito em 19/9/2017

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

HUGO GONÇALVES - O PAIZINHO DE CAMBÉ




  Em 1888, chega sozinho ao Brasil e se instala nas proximidades de Rio Claro, um imigrante português chamado José Maria Gonçalves, porém estava  bem acompanhado por entidades espirituais que o conduzem até Boa Esperança, pois ali já estava sua prometida consorte e companheira de toda a sua vida – Cândida -- que chegara anteriormente ao Brasil,  com a sua família em 1880, ambos com sério  compromisso de gerarem o filho de nome Hugo Gonçalves. Eles se casaram em 1893 e se mudaram para Matão por volta de 1897, e lá fizeram amizade com o bondoso farmacêutico Cairbar Schutel. No dia 6 de outubro de 1913 nasceu Hugo filho de José Maria e Cândida.
Aos 12 anos de idade, o menino Hugo já revelava seu dom literário, passando a escrever para o jornal “O Clarim”, fundado e dirigido por Cairbar Schutel. Sua família possuía uma pedreira em Matão e ele iniciou o seu trabalho como cortador de pedra com os demais irmãos, apenas 13 anos. Ainda na adolescência, na escola ficava sempre olhando uma bonita descendente de italianos, e o namoro se deu após a morte do pai de Dulce em 1930. Eles se casaram no dia 21 de setembro de 1935 e o padrinho foi Cairbar Schutel.   Em 1940, já com um filho Cairbar, mudaram-se para Campinas onde permaneceram  alguns anos. Retornaram  a Matão, já com outro filho, chamado Emmanuel, para continuar com o seu trabalho na pedreira.
Em 1947 a família mudou-se para o Paraná, indo morar em Londrina. Continuou  a trabalhar agora como administrador de fazendas até 1953, quando se mudaram para Cambé, onde Hugo passou a dirigir o Lar Infantil Marília Barbosa, o que fez com muito carinho até os últimos dias de sua existência terrena. O Lar era próximo do Centro Espírita Allan Kardec, que vinha funcionando desde 1940, atendendo o público pelos mais variados motivos: ajuda espiritual, conselhos, pedidos de alimentos, roupas, dinheiro, etc.
Ele nessa época, não tinha nenhum rendimento além de uma aposentadoria de um salário mínimo, quando chegou uma senhora com extrema pobreza, pedindo uma pequena ajuda para comprar leite para os filhos. Hugo que havia recebido na véspera seu pagamento meteu a mão no bolso e retirou o que tinha:  Uma nota de 50 reais, e  entregou-a àquela mulher.  Ele ficou sem nada mais feliz, pela felicidade que viu em seu rosto.
A ideia do Lar Infantil surgiu assim: Em uma noite de frio intenso, uma criança morreu enregelada. Esse fato trágico ficou na alma sensível de Luiz Picinin. Em visita a Nova Iguaçu-RJ., ele conheceu o “Lar de Jesus” dirigido por Leopoldo Machado, que abrigava crianças abandonadas. Retornando a Cambé, entusiasmado, Picinin e os seus amigos espíritas resolveram criar, nessa cidade,  uma instituição semelhante a que conheceu em Nova Iguaçu, que tanto o encantara. Aí nasceu a ideia do Lar Marília Barbosa, que não tardaria a se concretizar. O Lar foi inaugurado, com sede própria, no dia 29/3/1953. Após poucos meses, Hugo Gonçalves passou a dirigi-lo, contando com a colaboração de dona Dulce, sua esposa. Durante quase cinquenta anos, mais de 300 meninas foram atendidas, umas  em tenra idade e saindo somente para se casar ou depois de adquirirem, por profissão ou emprego a auto suficiência.
Além do internato, o Lar criou uma Creche com todos os requisitos ao desenvolvimento físico e mental das crianças. Passado algum tempo, um grupo de senhoras passou a prestar serviços ao Centro e ao Lar, como costureiras voluntárias que se revezavam para fazer e reformar roupas para as internas  abrigadas no Lar e na Creche, bem como para os recém-nascidos de famílias carentes na maternidade de Cambé. E começaram a distribuir, todos os sábados, 100 cestas de alimentos para as famílias carentes, que recebiam também os alimentos da alma, a leitura do Evangelho e ensinos religiosos.
O jornal “O Imortal”, fundado por Hugo Gonçalves e Luiz Picinin foi um capítulo importante na existência de Hugo, pois circula no Brasil inteiro, chegando também a alguns países, desde 1953. Em algumas ocasiões, quando pessoas foram visitar Chico Xavier, o médium ao saber que eram moradores de Cambé, disse-lhes: “Ah! de Cambé, a terra de Hugo e do jornal “O Imortal?”, pois era um leitor assíduo do jornal. O Albergue Noturno criado depois foi também ideia de Luiz Picinin e sua direção foi passada a Hugo Gonçalves, juntamente com o Lar. No livro em que eram anotadas as entradas de usuários do albergue consta a de Laudelina Cândida Talara que recebeu o número 46.233 de pessoas atendidas ao longo dos anos. O Coral Hugo Gonçalves foi criado por ele em 3 de agosto de 1997 e, desde então vem se apresentando várias vezes, sempre com muito brilho.
Hugo Gonçalves e Dulce só tiveram dois filhos, mas muitas foram as filhas do coração que foram morar no Lar ainda crianças, e muitos sobrinhos,  netos e netas. Ele foi detentor de vários títulos honoríficos em virtude do seu trabalho sempre incessante e direcionado  ao bem do próximo, notadamente das crianças e dos idosos. Todos ficavam encantados com seu bom humor, sua lucidez e boa memória, narrando fatos de sua longa trajetória. Sua casa era sempre cheia de amigos que buscavam uma palavra de apoio e sempre acompanhada de uma anedota que alegrava os ouvintes.
Seus exemplos de espírita ficarão por isso, para sempre, gravados nos corações dos amigos de perto e de longe. Ele após completar 100 anos de idade, nove dias depois ele, desencarna no dia  15 de outubro de 2013, deixando saudades em todos os que o conheceram, com seus exemplos de um bom cristão e espírita exemplar.
Ensina a Doutrina dos Espíritos, que a passagem dos Espíritos pela existência na Terra é necessária, para que possam realizar, os propósitos cuja execução Deus lhes confiou, desenvolvendo os dotes da inteligência e dos sentimentos, indispensáveis ao nosso crescimento espiritual; um objetivo  que o nosso irmão Hugo Gonçalves conseguiu , constituindo-se para todos nós, num exemplo que nos cabe aplaudir e, se possível... Imitar.

Fontes:
Jornal “O Imortal” – 10/2017
Internet
Pequenas alterações.

Jc.
São Luís, 18/10/2017

A ORFANDADE





  A ORFANDADE
“Não vos deixareis órfãos”, disse Jesus.
A orfandade caracteriza-se pela privação de assistência, pela ausência de todo o interesse, em suma, pelo abandono em que a criança se encontra, e não propriamente pela perda dos pais. Existem órfãos cujos pais vivem ainda, e há crianças que jamais passaram pelo duro transe da orfandade, a despeito de não haverem conhecido seus pais. A promessa de Jesus, acima transcrita, tem-se cumprido fielmente. Ele jamais deixou de assistir seus discípulos através dos tempos. A Doutrina dos Espíritos surgiu no mundo, como prova eloquente da assistência do Senhor, junto dos que procuraram lhe seguir as pegadas.
Só a ausência do amor determina a orfandade; e, ao mesmo tempo,  só a presença do amor a pode extinguir. Ser mãe não é gerar filhos. Ser mãe é amar a infância. Mãe é uma expressão que significa carinho, dedicação, desvelo e sacrifício. Para que a criança não se sinta órfã, não basta que ela tenha ao seu lado a mulher que a gerou: é preciso que essa mulher seja sua mãe e lhe ame. Pai, a seu turno, quer dizer previdência e providência, e além de prevê e provê o bem da criança.
Na Terra existe a orfandade, no que diz respeita às crianças abandonadas, porque os seres humanos vivem divorciados da moral evangélica; completamente alheios aos ensinos e as exemplificações de Jesus. A orfandade atesta a ausência do Cristianismo nos corações das pessoas e nos lares. Só os lares cristianizados resolverão os problemas orfanológicos.
Os orfanatos jamais extinguirão a orfandade; antes contribuirão para perpetuá-la, porque a criança amparada continua órfã. O orfanato que a acolhe, os meios, os regulamentos, o modus vivendi, tudo ali contribuirá para que a criança tenha sempre em mente sua condição de órfã. O reverso só se dará, se ela for adotada por um lar cristão. A vida familiar, o convívio íntimo com seus pais adotivos, e, sobretudo, a posição de filho/a que lhe é outorgada, logo tirará de sua mente a ideia de orfandade, porque, de fato, esse estigma terá desaparecido ao doce e suave bafejo do amor dos pais.
Orfanatos, como cárceres, são males necessários; atendem a uma necessidade transitória, se bem que indispensável, atestando, não a caridade como erroneamente se imagina, mas a dureza e a falta de sensibilidade de coração das pessoas deste século.
É inominável crueldade, a cena que observamos a cada instante, nossas crianças maltrapilhas, perambulando pelas ruas, sem pão, sem lar e sem afeto, no seio de uma sociedade onde há tanta riqueza, tanto fausto e tanta pompa; onde se ostentam luxuosos solares e vilas em cujos recintos, por vezes, não se veem desabrochar um sorriso de criança, mas se veem em compensação, cães de raça comendo do melhor, na sociedade onde, ao lado dos jardins, das praças, dos palácios e dos monumentos, se erguem soberbas catedrais em honra daquele que disse: “Deixai vir a mim as crianças, pois o reino dos céus é dos que se assemelham a elas”.
Nunca se viu um pássaro sem ninho, nem uma fera sem o covil. Só na sociedade dos seres humanos se veem seus próprios filhos desabrigados, expostos aos rigores das intempéries, e a toda sorte de influências negativas. O lar é tudo: é a verdadeira escola de amor, é o verdadeiro templo de harmonia. Cristianizemos os lares voltando nossas vistas para as famílias que não possuem filho, onde não há crianças não há um sorriso infantil, não há alegria, e desses lares depende o problema da orfandade, da miséria, da enfermidade, do vício, da violência, do crime, e de todos os males da Humanidade.
“Não vos deixareis órfãos”, disse Jesus, contando com os cristãos verdadeiros para amparar essas crianças abandonadas...
OS  DIREITOS  DA CRIANÇA  E  DO  ADOLESCENTE
O Brasil se destaca por sua vasta e avançada legislação, em prol da garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes.
Um dos grandes avanços se concretizou no artigo 227 da Constituição Federal de 1988, que assegura todos os direitos à criança e ao adolescente com absoluta prioridade. A convenção sobre os direitos da criança ratificada pelo Brasil e mais 192 países, também é importante.
Um dos seus artigos determina que “as instituições, os serviços e os estabelecimentos encarregados dos cuidados ou da proteção das crianças, cumpram os padrões estabelecidos pelas autoridades competentes, especialmente no que diz respeito à segurança e à saúde das crianças”. Essa convenção serviu de fonte de inspiração para a elaboração do estatuto da criança e do adolescente, Lei nº 8.069, que foi promulgada em 13 de julho de 1990.
Segundo o estatuto da criança e do adolescente, meninas e meninos brasileiros, devem ter prioridade em receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias, precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevâncias públicas, preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas, e destinação privilegiada de recursos públicos.
A população brasileira deve conhecer esses instrumentos legais, assim como outras leis e normas que garantam os direitos integrais de todas as pessoas com ate 17 anos de idade.

Obs: leiam também os seguintes artigos:
 A evangelização e as crianças
As crianças e a TV, Como agir?
As crianças da Nova Era

Fonte:
Vinícius no livro
“Nas Pegadas do Mestre”
+ pequenas modificações.
Jc.
 São Luís,  20/10/2015
Refeito em 20/9/2017

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

DIVERSOS ASSUNTOS




 A  ATITUDE CRÍTICA
A primeira característica da atitude filosófica é negativa, é um dizer não aos “preconceitos”, aos “prejuízos”, aos fatos e as ideias da experiência cotidiana, ao que “todo mundo pensa e diz” ao estabelecido. É tomar distância de nossas crenças para poder interrogar quais são suas causas e qual é o seu sentido. A segunda característica da atitude filosófica é positiva, isto é, uma interrogação sobre o que são as coisas, as ideias, os fatos, as situações, comportamentos, valores, nós mesmos. É também uma interrogação sobre o porquê e o como disso tudo e de nós próprios.
O que é? Porque é? Como é? Essas são as indagações fundamentais da atitude filosófica. A face negativa e positiva da atitude filosófica constitui o que o que chamamos de atitude crítica.  Julgamos ser do contra, dizer que tudo vai mal, tudo está errado ou desagradável, provêm do grego e tem três sentidos principais: - Capacidade para julgar, discernir, decidir corretamente, exame racional, sem preconceitos e sem prejulgamento de todas as coisas; atividade de examinar, avaliar detalhadamente uma ideia, valor, costume, comportamento, uma obra artística ou científica.
Atitude filosófica é uma atitude crítica porque apresenta esses três significados da noção de crítica. Por sua vez, é inseparável da  noção racional.  A filosofia começa dizendo não as crenças e aos preconceitos do dia a dia para ser avaliado  racional e criticamente: Para a filosofia, não sabemos o que imaginávamos saber. Como dizia Sócrates, começamos a buscar o conhecimento quando somos capazes de dizer: “Só sei que nada sei”.
Platão, discípulo de Sócrates, dizia que a filosofia começa com a admiração. Aristóteles, discípulo de Platão, dizia: A filosofia começa com admiração, o espanto que reconhecemos nossa ignorância e podemos superá-la. A filosofia inicia sua investigação num momento muito preciso: no instante em que abandonamos nossas certezas cotidianas e não dispomos de nada para substituí-las; ela se interessa por aquele instante  em que a realidade natural (mundo das coisas) e a realidade histórica social (mundo dos seres humanos)  tornam-se estranhos, espantoso, incompreensível e enigmático, quando as opiniões estabelecidas já não nos podem  satisfazer, a filosofia volta preferencialmente para os momentos de crise no pensamento, linguagem, ação, pois é neles que se torna mais clara a exigência de fundamentar ideias, discursos e práticas.                    

A  CARIDADE  MAIOR
Ao homem que alcançara o Céu, pedindo orientação sobre as tarefas de benemerência social que pretendia realizar na Terra, o Anjo de Caridade falou compassivo: - Volta ao mundo e cumpre de boa vontade, as obrigações que o destino te assinalou!... Para que te sintas de pé, cada dia, milhões de vidas microscópicas esforçam-se em tua carne, garantindo-te o bem-estar... Cada órgão e cada membro do teu corpo amparam-te, abnegadamente, para que te faças abençoado discípulo da civilização.
Os olhos identificam as imagens que já podes perceber, livrando-te da desordem exterior; os ouvidos selecionam sons e vozes para que não vivas desorientado; a língua auxilia-te a expressar os pensamentos, enriquecendo-te de sabedoria; a boca mastiga os alimentos para que te não condenes à inanição; os pulmões asseguram-te o ar puro contra a asfixia; o estômago digere as peças com que nutrirás o próprio sangue; o fígado gera forças vitais que te entretêm a harmonia orgânica; o coração movimenta-se sem parar, proporcionando-te a vida; as mãos realizam-te os sonhos engrandecendo-te o caminho na ciência e na arte, na indústria e no progresso; os pés sustentam-te o corpo físico para que não te arrojes à inércia. Vive da caridade de inúmeras vidas inferiores que te obedecem a mente. Torna, pois, ao lugar em que o Senhor te situou e satisfaze as tarefas imediatas que o mundo te reserva!...
Caridade é servir sem descanso, ainda mesmo quando a enfermidade sem importância te convoque ao repouso; é cooperar espontaneamente nas boas obras, sem aguardar o convite dos outros;  é não incomodar quem trabalha;  é aperfeiçoar-se naquilo que faz para ser mais útil;  é suportar sem revolta a bílis do companheiro;  é auxiliar os parentes, sem reprovação;  é rejubilar-se com a prosperidade do próximo;  é resumir a conversação de duas horas em três ou quatro frases;  é não afligir quem nos acompanha;  é ensurdecer-se para a difamação;  é guardar o bom-humor, cancelando a queixa de qualquer procedência;  é respeitar cada pessoa e cada coisa na posição que lhes é própria...
E  porque o homem ensaiasse inoportunas indagações, o Anjo concluiu: -Volta ao corpo e age incessantemente no bem!...  Não percas um minuto em descabidas inquirições. Conduze os problemas que te atormenta o espírito ao teu próprio trabalho e o teu trabalho os liquidará. A experiência aclara o caminho de quantos lhe adquirem o tesouro da luz. Recolhe as crianças desvalidas, ampara os doentes, consola os infelizes,  e socorre os necessitados. Não olvides, pois, que a execução de teus deveres para com o próximo será sempre a tua caridade maior...
Fonte:
“Cartas e Crônicas” do Irmão X

A  ESCOLA  DO   CORAÇÃO
O lar, na essência, é a academia da alma.  Dentro dele, todos os sentimentos funcionam por matérias educativas.

A responsabilidade governa; 
A afeição inspira; A bondade auxilia;                               
O dever  obriga; O desafio provoca;
O trabalho soluciona; A luta renova;     
A necessidade propõe; A dor ilumina;   
A cooperação resolve; A calma ajuda;      
A ingratidão espanca; A ilusão engana;                       
A doença corrige; O perdão balsamiza;
O cuidado preserva; A renúncia liberta;
O egoísmo aprisiona; A caridade eleva;  
A experiência realiza; A ajuda colabora;
A humildade refunde; O amor edifica.


Todas as disciplinas referentes ao aprimoramento do cérebro são facilmente encontradas nas universidades da Terra, mas a família é a escola do coração,  erguendo os  seres  amados à condição de professores do Espírito.

E somente nela conseguimos compreender que as  diversas posições afetivas, que adotamos na esfera convencional, são apenas   caminhos   para  a  verdadeira  fraternidade   que   nos irmanam  a  todos,  no  amor  puro,  em  sagrada   união,  diante de Deus...
             Emmanuel
                                                                           
UM MINUTO COM JOANNA DE ÂNGELIS
A  escola  é  o  prosseguimento   do   lar,   e  este  é  a  escola abençoada  na qual se fixam os  valores  condizentes  com  a dignidade  e  o engrandecimento  ético-moral do ser humano. A educação é fenômeno presente em todas as épocas.  O pajé que ensina,  o guru  que  orienta, a  professora  que transmite lições, são sempre educadores  diversos  através  dos  tempos. A verdadeira educação  ocorre no lar  e no  íntimo da pessoa, sendo um processo  verdadeiramente  transformador. Qual a uma semente  que  sai  do  fruto  e  semelhante  à  vida que se esplende saindo  da  semente,   quando  os   fatores  são-lhe propícios; a educação  é  mecanismo  semelhante  da  vida  a serviço da existência. É  certo  que  o  ser  humano  se   apresenta   imperfeito,   por enquanto,  todavia  é,  potencialmente perfeito, e  à educação
compete o papel de desenvolvê-lo.  A divina semente que n’Ele jaz, á  educação  põe  a germinar.  Sempre se  educa e se  sai educado quando se está atento e predisposto ao ensino e à aprendizagem. Todos somos educadores e educandos, quer sejamos consciente ou não. A educação,  porém,  há que ser integral no homem total. Jesus, o  Educador  por Excelência, prossegue,  está  paciente, nos
amando e educando-nos, havendo apenas aceito o título de Mestre porque em verdade. Ele o É.

  Joanna de Ângelis

A DOUTRINA ESPÍRITA RESPONDE:
- Como definir uma vivência cristã legitima?
A vivência cristã implica um clima de convivência social em regime de fraternidade, em que todos se ajudam e se socorrem, eliminando dificuldades e problemas. Viver com Jesus é conviver com o próximo, aceitando-o  tal qual é, com seus valores, defeitos e imperfeições, sem a pretensão de corrigi-lo.
O verdadeiro cristão inspira seu semelhante com bondade para que ele mesmo desperte e mude de conduta de modo próprio. Isolar-se a pretexto de crescer espiritualmente não passa, pois, de uma experiência em que o egoísmo predomina, porque afasta a pessoa da luta que forja heróis e constrói os sentimentos da abnegação e de caridade. Segundo a Doutrina Espírita, tal procedimento só merece reprovação, visto que não pode agradar a Deus, uma existência pela qual o ser humano deliberadamente se condena a não ser útil a ninguém.
É claro que não nos referimos aos que se afastam para buscar no retiro a tranquilidade por certas ocupações, nem aos que se recolhem a determinadas instituições, para se dedicarem com amor ao socorro dos desgraçados. Apesar de afastados da convivência social. Prestam eles, obviamente, excelentes serviços à sociedade e adquirem duplo mérito porque têm a seu favor, além da renúncia às satisfações mundanas, a prática das leis do trabalho e da caridade cristã.
Lembra-nos Joanna de Ângelis que, ao descer das Regiões Felizes ao vale das aflições, para nos ajudar, Jesus mostrou-nos como devem agir os que se dizem cristãos. O Mestre não convocou a si os privilegiados, mas os infelizes, os rebeldes, os rejeitados, suportando suas mazelas e amando-os. Evocando o exemplo de Jesus, a mentora de Divaldo Franco recomenda-nos:
“Atesta a tua confiança no Senhor e a excelência de tua fé mediante a convivência com os irmãos mais inditosos que tu mesmo. Sede-lhes a lâmpada acesa a lhes clarificar a marcha. Nada esperes dos outros; sê tu quem compreende, desculpa e ajuda. Se eles te enganam ou te são ingratos ou te exigem o que te não dão, ama-os mais, porquanto são mais carentes de socorro  e amor, do que supões. Se conseguires conviver com os amigos difíceis, pacificamente e fazê-los companheiros, terás logrado êxito, porquanto Jesus em teu coração estará sempre refletido  no trato, no intercâmbio social com os que te buscam e com os quais ascendes na direção de Deus.”
= = = = =
-Uma leitora de “O Imortal” pergunta-nos como fica o Espírito de uma pessoa em estado de coma? O Espírito se desprende do corpo o tempo todo ou fica perto do corpo? Pode ele trabalhar na condição de Espírito e estudar?  Qual o objetivo desse estado que às vezes costuma durar até anos?
Esse assunto é tratado no artigo intitulado “Vinte dias em coma”, de autoria do nosso confrade Wilson Frungilo Junior, que examina exatamente as questões propostas pela leitora. Na obra em questão o personagem principal é empresário vaidoso e arrogante, embora bem sucedido, que é levado ao estado de coma e, nesse estado, ouve tudo que é falado em sua volta, o que produz expressiva renovação em seus sentimentos, ao perceber realidades que seu orgulho não permitia ver. Ao retornar do coma, ele dá outro rumo à sua  existência.
O romance pode assim, ajudar a leitora a compreender o que se passa durante esse estado e deduzir quantos benefícios, em termos morais e espirituais, pode o coma trazer à alma de uma pessoa, uma vez que, examinando o assunto tão somente pela ótica materialista, não é possível vislumbrar no fato algum benefício. São inúmeros os relatos de pessoas que voltaram do coma e afirmaram ter podido acompanhar, como se estivessem perfeitamente acordadas, os fatos que se passaram a seu lado durante aquele estado.
No livro “Plantão de respostas – Pingo Fogo II”, publicado em 1995 pela Editora CEU, Emmanuel, valendo-se da mediunidade de Chico Xavier, respondeu a uma pergunta semelhante, expressa nos seguintes termos: “O que se passa com os Espíritos encarnados cujos corpos ficam meses, e até mesmo anos, em estado vegetativo como o coma?”  Eis a resposta na obra mencionada:  “Seu estado será de acordo com sua situação mental. Há casos em que o Espírito permanece como  aprisionado ao corpo, dele não se  afastando, até que permita receber o auxílio dos Benfeitores espirituais. São pessoas, em geral, muito apegadas à existência material e que não se conformam com a situação. Em outros casos, os Espíritos, apesar de manterem uma ligação com o corpo físico, por meio do períspirito, dispõem de uma relativa liberdade.
Em muitas ocasiões, pessoas saídas do coma descrevem as paisagens e os contatos com os seres que os precederam na passagem para a Espiritualidade. É comum que após essas experiências, elas passem a ver a existência com novos olhos, reavaliando seus valores íntimos. Em qualquer dessas circunstâncias, o Plano Espiritual sempre estende seus esforços na tentativa de auxílio. Daí a importância da prece, do equilíbrio, da palavra amiga e fraterna, da paz, das conversas edificantes para que haja melhores condições ao trabalho do Bem que se direciona, nessas horas, tanto ao enfermo como também aos encarnados, familiares e amigos.
A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA
Porque a educação física é importante para seus filhos? É por meio dessa disciplina e sob orientação de profissionais de Educação Física, que os adolescentes aprendem a se preparar para desenvolver as habilidades de ser, conhecer, conviver e fazer – exatamente os quatro pilares que dão base ao ensino, segundo a Unesco. Pela participação em atividades coletivas seus filhos deixarão de pensar apenas em si mesmos para contribuir com o bem-estar das outras pessoas.
A educação física ajuda seu filho/filha a se desenvolver.
1- Melhora as habilidades motoras, pois são eficientes para melhorar os movimentos naturais da pessoa. Quanto mais experiência motora seu filho desenvolver, mais preparado ele estará para corresponder aos desafios da existência;
 2-  Estimula as capacidades cognitivas, pois com as aulas, seu filho aprende a organizar o pensamento, pois elas: a- Desenvolvem o raciocínio lógico; b- Exercitam o planejamento; c- Estimulam a memória; d- Ajudam a compreender situações, linguagem e estratégias; e- Ensinam a resolver problemas;
3- Confere domínio corporal, pois ao fazer atividades físicas e esportivas seu filho também vai testar seus próprios limites físicos, conquistando um controle até então inédito sobre o próprio corpo. Ele poderá conhecer diferentes formas de se relacionar com os outros e com o ambiente, jogando, dançando, correndo,  lutando e se exercitando de acordo com os estilos e técnicas criadas ao longo do tempo por diferentes culturas do mundo;
4- Aprimora as competências, com a prática regular e devidamente orientada, de atividades físicas e esportivas, enriquecendo o jovem tanto do ponto de vista psicológico como intelectual. E ainda: a-  Melhora a atenção e o poder de concentração; b- Promove a disciplina e a determinação; c- Valoriza outras formas de comunicação e expressão que não a verbal;
A educação física identifica os problemas corporais valorizando a consciência corporal através das aulas de educação física bem orientadas que não pretende formar atletas, mas pessoas  conscientes de si mesmo e do próprio corpo.    
AS  MISSÕES  IMPORTANTES
É sempre a mesma história:  As pessoas que mais anseiam o poder e o comando são, exatamente, as que se mostram mais despreparadas para o seu exercício.  As pessoas que não o esperam, ou que não se julgam preparadas, quase sempre surpreendem com exemplos de vida, onde humildade, autodisciplina e perseverança  compensam,  sobejamente, toda e qualquer limitação por inexperiência ou despreparo.

AS PESSOAS

“Há criaturas como a cana de açúcar. Mesmo postas na moenda, esmagadas no todo, reduzidas a bagaço, só sabem dar doçura...”
                                                            
                                                            Dom Helder Câmara

Fontes:
Diversas
+ Pequenas modificações.
Jc.
São Luís, 17/7/2017


TUDO PASSA COM O TEMPO




  “Tudo tem seu tempo determinado e há tempo oportuno para todo propósito debaixo do céu. Existe o tempo de plantar e de colher; tempo de construir e de destruir; tempo de rir e de chorar; tempo de alegria e de tristeza; tempo de abraçar e de apartar; tempo de ganhar e de perder; tempo de falar e de calar; tempo de andar e de parar; tempo de subir e de descer; tempo de dormir e de acordar; tempo de trabalhar e de descansar; tempo de paz e de guerra; tempo de amar e de odiar; tempo de prazer e de desprazer; tempo de nascer e de morrer.” Existe até um provérbio chinês que diz: “Se você quiser ser feliz por uma hora, tire uma soneca;  se quiser ser feliz por um dia, vá pescar;  se quiser ser feliz por um mês, case-se;  se quiser ser feliz por um ano, herde uma fortuna; mas se quiser ser feliz por toda a existência; Ajude o próximo”.

Certamente, você já deve ter passado por tempos difíceis, e nesses dias, tem-se a impressão de que o ar se mostra pesado e cortante, que o céu é menos azul e que o riso e a espontaneidade desaparecerem das pessoas. São dias de desafios, que ocorrem com qualquer um de nós, nos oferecendo o aprendizado e o entendimento de que a existência na Terra é uma escola a oferecer inúmeras lições. Algumas vezes, esses dias nascem por motivo das dificuldades financeiras, onde o dinheiro parece minguar, até mesmo para as despesas básicas da família. Outras vezes os dias difíceis surgem lentamente, na convivência familiar, seja no filho a nos exigir amor incondicional ou no cônjuge exigente, onde precisamos de paciência e compreensão. Não raro, são as pequenas tarefas que vão qual picadas de agulha, minando nossa disposição e boa vontade para conduzir a nossa existência.

Conta-se que o Apóstolo da Caridade, Francisco Candido Xavier, certa vez ele passava por uma fase muito dura em sua existência. Os problemas familiares se avolumavam, a incompreensão alheia se mostrava intensa e isso tudo lhe enchia o coração de inquietações e sofrimentos. Um dia, em que as dores se faziam mais profundas, recorreu Chico Xavier ao seu mentor espiritual, Emmanuel, a fim de fazer-lhe uma solicitação. Chico então rogou a Emmanuel se ele poderia fazer um pedido à Maria Santíssima, e ela pudesse lhe dar um conselho em momento tão amargo de sua existência. O mentor disse que iria encaminhar sua solicitação e passados alguns dias, retorna ele com a resposta de Maria, mãe de Jesus. Disse Emmanuel para Chico:  Maria manda lhe dizer o seguinte: “Tudo passa”. O médium acolheu aquela resposta curta entendendo o seu significado; afinal, tudo passa com o tempo.

Assim também acontece conosco. As borrascas da existência são desafios para o desenvolvimento das virtudes. Elas nos exigem ora o esforço, ora a paciência, ora a compreensão e outras vezes nos convidam a cultivar a fé em Deus. Todos esses desafios estão sob a vontade de Deus, que cuida de cada um de nós atentamente, sabendo quais as melhores lições que devemos passar como seus filhos. Nos momentos mais difíceis, em que as dificuldades forem mais intensas e as forças parecerem se esvair, lembremo-nos do conselho de Maria:  “Tudo passa”.

O tempo é um amigo de valor inestimável que Deus concede à criatura humana para auxiliar seu progresso.  Quando o espírito renasce na Terra, vem com uma programação para executar durante sua existência. Assim, é necessário utilizar-se de maneira útil e construtiva o tempo que se recebe e precisamos aproveitar as horas, os dias, os meses e os anos para cumprir esse objetivo. E qual é o objetivo do espírito? – A Doutrina Espírita ensina que o objetivo é se melhorar cada vez mais, aprendendo, amando e evoluindo. E como se faz isso? Aproveitando ao máximo o tempo que se tem para adquirir conhecimentos e praticar bons atos a fim de substituir as tendências inferiores e defeitos como o orgulho, o egoísmo, a maldade, a inveja, a impaciência, por qualidades morais como humildade, resignação, desprendimento, paciência,  bondade, fraternidade e amor...

Precisamos cuidar do nosso corpo e do espírito em igualdade de condições. Para cuidar do corpo, que é o instrumento de progresso do espírito, de forma que ele seja sadio e equilibrado, é preciso reservar algum tempo e cuidados para: Alimentação – Alimentar-se de maneira correta, sem excessos que faz mal, principalmente de frutas, legumes e verduras. Higiene – Escovar os dentes e tomar banho todos os dias, usando roupas limpas. Exercícios – Praticar algum esporte, de preferência andar, fazer alongamento, passear de bicicleta,  natação, futebol.  Recreação – O lazer também é importante para o corpo e por isso devemos passear pescar, ir ao cinema, assistir jogos ou a televisão, ler um livro ou uma revista. Acima de tudo, devemos trabalhar para a nossa saúde perfeita e reservar algumas horas para o descanso e recuperação do nosso corpo.

Para cuidar do espírito, devemos utilizar uma parte do dia para ler livros que nos possibilite obter conhecimentos e informações sobre o mundo em que vivemos seguir as orientações e imitar os exemplos nobres, fazendo também as orações que nos ampare e proteja. Se, possível, frequentar um Centro Espírita ou fazer a Evangelização no Lar, de modo a nos renovar interiormente, tornando-nos melhores a cada dia. Praticar o bem através do amparo ou da ajuda com amor aos nossos próximos, ação essa que nos liberta do egoísmo, e nos proporciona a fraternidade e o merecimento.

No alvorecer do século XX, os trabalhadores gastavam muitas horas diárias para prover o seu sustento e de seus familiares, e o tempo que sobrava era para o repouso noturno. Hoje esses mesmos trabalhadores cumprem jornada semanal de 35 a 44 horas para realizar os mesmos trabalhos. Que deve então o ser humano fazer de suas horas livres? O que fará desse tempo para a sua evolução espiritual? Nas condições anteriores, seria impossível cuidar das necessidades do espírito. Hoje, boa parte da humanidade realiza atividades pessoais e coletivas, por saber que o ser humano não deve caminhar isolado e por saber que a felicidade de cada um, só pode ser completada com a felicidade do nosso próximo. Compreende também que não está mais num “vale de lágrimas” mais sim, numa oficina de trabalho e educação, onde pode realizar várias atividades em benefício próprio e de seus semelhantes, garantindo o seu progresso espiritual.

O motivo da nossa existência  na  Terra  é a  evolução  do  espírito  e  a  lição  básica que deve ser aprendida é viver  harmoniosamente com seus  semelhantes; é viver trabalhar e participar da transformação do mundo para melhor, mais solidário e fraterno, durante todo o tempo. Fruto dessa participação surge cada vez mais, vários movimentos de solidariedade humana. Para as Organizações Não Governamentais, se dirigem atualmente pessoas dos mais diversos segmentos sociais, na forma de solidários (que exercem os sentimentos de compaixão), de filantropia (que doam recursos financeiros), de voluntários (que colaboram no desejo de ser útil ao próximo). Em síntese, são levados pela prática do sentimento de amor ao próximo, nas diversas formas de assistência a que se dedicam.

No dizer do cientista Hermínio Miranda, no 1º Fórum Mundial  de Ciência e Espírito; “A nossa nave planetária caminha com problemas técnicos e morais; e a população, tanto quanto os líderes políticos, intelectuais, religiosos e educadores, não estão ainda certo sobre o que fazer, ou talvez, estejam tão preocupados em fazer o que não devem que não lhes sobra tempo e nem espaço mental para fazerem urgentemente, o que precisa ser feito”. Como o terceiro milênio deve ser o despertar do ser humano para as tarefas do espírito, é satisfatório perceber que uma parte desta nova humanidade, integrada de almas mais evoluídas, está praticando as lições do Evangelho de Jesus. E o ser humano evangélico é aquele que “procura amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, ainda que não seja um religioso metódico.

Quanto mais horas o ser humano dispuser, mais liberdade terá para, por meio do livre arbítrio, exercer funções de elevação espiritual. Este é o objetivo maior para que o seu espírito não viva mais nas trevas, no sofrimento e na ignorância espiritual. Entretanto, grande número de pessoas  ignorante das Leis Divinas, em vez de se dirigirem ao trabalho coletivo de ajuda ao próximo, se encaminham para os bares, para as orgias, para os vícios e tantas outras ocupações individuais egoísticas, onde sempre encontrarão mais sofrimentos e resgates, pelo tempo mal aproveitado.

O tempo, no século XX, foi um tempo de grandes transformações. Que despertou o ser humano para a tecnologia; que o tornou ainda mais analítico e cerebral além de nervoso e muito neurótico. O século XX assegurou à humanidade, o tempo do rádio, do cinema da televisão; da penicilina, da vacina Sabin, da geladeira, do radar, das grandes guerras; da ONU, do elétron, da fissão nuclear e da bomba atômica; do avião a jato, do ar condicionado e do raio laser; tempo de vultos, como Gandhi, Madre Tereza de Calcutá, de irmã Dulce, de Chico Xavier; tempo de chegar à lua, tempo de vasculhar o cosmo; da troca de órgãos, da ultra-sonografia, tempo do DNA, da ovelha Dolly, da fibra óptica; tempo do bebê de proveta, da Aids, da poluição, da globalização e da Internet... 

Assim como o último tempo do século XX, encerrou o segundo milênio consolidando a tecnologia científica da humanidade contemporânea, assim também se espera que o novo tempo do século XXI, desperte o ser humano globalizado fazendo surgir uma nova humanidade, que aplique seu tempo às técnicas e ações transformadoras do Evangelho, práticas essas vivenciadas e ensinadas com alta tecnologia espiritual pelo Mestre Amado Jesus. Fazer boas ações com nosso tempo presente e disponível é a recomendação que se faz necessária aos habitantes terrenos, e, quanto ao nosso país, assolado por crises e mais crises, tenhamos fé em Deus e nos servimos das palavras de Chico Xavier quando disse: “O Brasil será no futuro, a grandeza  ou a decadência  que os homens, principalmente os políticos e dirigentes da Nação, dela fizerem”. Façamos, portanto, boas ações com nosso tempo presente e disponível, é o recomendável.


Bibliografia:
Seara Espírita –
+ acréscimos e modificações.

Jc. 26/04/2001
Refeito em 30/7/2017