sábado, 23 de janeiro de 2010

JESUS E OS APÓSTOLOS

JESUS E SEUS APÓSTOLOS

Chegando o tempo previsto em que Jesus deveria realizar sua missão divina, se encaminhou para a pequena cidade de Cafarnaum, as margens do Mar da Galiléia, como a procurar alguns amigos que estivessem à sua espera, para convocá-los a serem os seus seguidores. Chegando a beira mar, dirigiu-se a dois pescadores, dizendo: Simão e André, filhos de Jonas, venho da parte de Deus e vos convido a serem pescadores de almas. Quereis ser meus discípulos? – Eles ao ouvirem aquelas palavras, não sabiam como explicar a confiança e o amor que lhes brotaram na alma e, sem hesitarem responderam: - “Senhor, seguiremos os teus passos”. Jesus então os abraçou e seguiram em frente, a convocar outros companheiros. Ele convidou primeiro os pescadores que formou a maioria, e depois passando pela Coletoria de impostos, recrutou a Levi (mais conhecido como Mateus), depois, Simão o zelote, e por último, para completar os doze, aceitou o oferecimento de Judas Iscariotes, que desejava se juntar ao grupo, visando a posição política.

O reduzido grupo de seguidores do Mestre, esperimentou no início, dificuldades para harmonizar-se. De vez em quando, o Mestre os surpreendia em discussões sobre qual deles seria o maior no Reino de Deus; outras vezes era sobre qual deles revelava maior condição de pregar o Evangelho; outras mais, pela capacidade de trabalho em função da idade.

O “Sermão da Montanha”, engloba toda a doutrina de Jesus. Sobre esse sermão assim se expressou Gandhi: “Se, se perdessem todos os escritos e sobrasse apenas o “Sermão da Montanha”, nada se teria perdido”. Em dois mandamentos, Jesus resumiu todos os profetas e todos os ensinamentos, ao dizer: “Amar a Deus acima de todas as coisas; e ao seu próximo como a si mesmo.” E aos seus discípulos ainda lhes afirmou: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida, e ninguém vai ao Pai senão por mim.”

Os seus doze discípulos (apóstolos) foram:

01- SIMÃO PEDRO (Cefas), nascido em Betsaida, pescador, filho de Jonas, o mais rude e idoso de todos. Em sua casa Jesus costumava se hospedar. Era um dos mais dedicados, porém, quando da prisão do Mestre, foi acusado de ser seguidor do Nazareno, o que ele negou por três vezes, conforme havia anteriormente predito Jesus. Pedro, fazendo suas pregações após a partida de Jesus, chegou até a cidade de Roma, onde realizada as reuniões nas catacumbas, até o dia em que foi preso e condenado a morrer na cruz. Pediu ele, ao seu algoz, que fosse crucificado de cabeça para baixo, para não se igualar ao seu Mestre, no que foi atendido e veio a falecer.

02- ANDRÉ (irmão de Simão Pedro), nascido também em Betsaida, pescador, filho de Jonas, um dos mais jovens do grupo.

03- THIAGO MAIOR, nascido em Betsaida, pescador, filho de Zebedeu e Salomé, parentes de Maria, mãe de Jesus. Foi morto por ordem de Herodes, por comandar o grupo de apóstolos, após a partida do Mestre.

04- JOÃO EVANGELISTA, nascido em Betsaida, irmão de Tiago Maior, um dos jovens do grupo e autor do 4ª Evangelho sobre Jesus.

05- FELIPE, nascido em Betsaida, pescador, integrante do grupo dos jovens, com André, João e Tiago Menor.

06- BARTOLOMEU (Natanael), nascido em Caná da Galiléia, pescador; um dos mais dedicados ao Mestre.

07- TOMÉ (Dídimo), nascido em Dalmanuta, pescador, muito incrédulo.

08- LEVI (Mateus), nascido em Nazaré, filho de Alfeu, irmão de Tiago Menor e de Judas Tadeu, autor do 1º Evangelho, tendo a profissão de cobrador de impostos.

09-TIAGO MENOR, nascido em Nazaré, pescador, filho de Alfeu, autor da Epístola Universal de São Tiago.

10- JUDAS TADEU (Lebeu), nascido em Nazaré, filho de Alfeu, irmão de Mateus e de Tiago Menor.

11- SIMÃO (o Zelote), nascido em Canaã, pescador. Pertencia ele ao grupo dos Zelotes, que tinham por fim libertar o povo judeu pelas armas. Depois de se integrar ao grupo de seguidores do Mestre, abandonou os Zelotes.

12- JUDAS ISCARIOTES, nascido em Kerioth, na Judéia, filho de Simão. Foi o discípulo que entregou Jesus ao Sinédrio, em troca de trinta moedas. Com o seu afastamento e suicídio, foi escolhido para substituí-lo no apostolado, o discípulo Matias.

Pedro, Tiago Maior e João Evangelista, eram chamados por Jesus, para presenciarem os acontecimentos mais importantes, como: Transfiguração do Tabor, onde aparecerem materializados ao lado de Jesus, os espíritos de Moysés e Elias; a Oração do Horto das Oliveiras; a Ressurreição da filha de Jairo, etc. Todos os discípulos pregaram aos judeus e aos gentios, e dentre estes, se destacou a figura de Saulo, doutor da lei, que em perseguição aos cristãos, e a caminho de Damasco, teve um encontro com Jesus; se converteu ao Cristianismo e trocou seu nome para Paulo.

O Espírito Emmánuel, no livro “Caminho, Verdade e Vida”, nos recomenda: “É importante não atentarmos para os indivíduos, mas sim, observar e compreender o bem que o Supremo Senhor nos envia por intermédio deles. Que importa o aspecto exterior deste ou daquele homem? O que interessa a sua nacionalidade, o seu nome a sua cor? Anotemos, sim, a mensagem de que são portadores. Se praticam o mal, são dignos de uma oração que possamos lhes fazer; mas, se são bons e sinceros, no serviço em que se encontram, merecem a paz e a honra que o Pai Celestial concede”.

Se consultarmos os Evangelhos de Mateus, Lucas e João, não vamos encontrar nenhuma referência a um 13º discípulo; apenas existe uma pequena menção no Evangelho de Marcos.

Desconhecido, não há como saber-lhe o nome, nem mesmo sua origem; o que temos notícia é da ação apostólica por ele desenvolvida. É de estranhar como pôde tão singular personagem fazer jus à posição de 13º discípulo de Jesus, se não fazia parte do grupo apostólico e nem convivia com os doze que o compunham...

Num dia de causticante calor, tarde ensolarada, a multidão ansiosa aguardava a presença de Jesus, que não apareceu. Um cidadão desconhecido, porém, ante a expectativa frustrada, se permitiu fazer-lhe a vez, dispensando assistência espiritual ao grande número de almas sofridas. Esse caso, em breve menção da qual nos põe a par o evangelista Marcos no (Cap.9 vrs. 38 a 41): “Disse João; Mestre, vimos um homem que em teu nome expelia demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não segue conosco.” Mas Jesus lhe respondeu: “Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagres em meu nome e logo a seguir possa falar mal de mim. Pois quem não é contra nós, é por nós. Porquanto, aquele que vos der de beber um copo com água, em meu nome, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão.”

Esse cidadão desconhecido, era um jovem moreno, de olhos castanhos, modestamente trajado com uma túnica de algodão, alpercatas gregas e manto de lã marrom. Seus cabelos eram negros e abundantes, não passando da altura do pescoço, barba pequena e negra como a cabeleira. Jamais esse jovem se fazia acompanhar de outro de sua idade, nem mesmo era visto interessado em palestras frívolas. Introvertido, não era dado a ditos que suscitassem hilaridade, sem contudo chegar a ser mal-humorado ou averso a sociedade. Munido dos apetrechos necessários ao seu trabalho, portava dois roletes de madeira muito fino envoltos em retalhos de linho, de uso pelos estudantes e intelectuais, para a escrita, utilizados pelos gregos. Um desses roletes era suprido de “papirus” (papel), e o outro vazio, um saco com estiletes e tintas para a escrita...

Em outra ocasião, condoído da multidão sob sol escaldante, sem ter onde resguardar-se, com sede e fome, o moço anônimo notando a ausência de Jesus, pôs-se à frente das infortunadas criaturas e lhes dispensava os almejados benefícios, de emergência, como eventual doador.Concluída a tarefa, já se predispunha a retornar à pousada, quando viu a João que, presenciando mais essa oportunidade de substituição do Mestre, aproximou-se do jovem para penitenciar-se, em seu nome e dos demais discípulos, da imprópria e imprudente atitude de proibição que tiveram para com ele; e lhe pede que esquecesse o lamentável incidente, e o incentiva com sinceridade, a que não desanimasse ante os sacrifícios de suas ações. E não houve mesmo desfalecimento ao longo do tempo e das perseguições a que se sujeitou.

Muito empenhado em ser o detentor do conteúdo de todos os ensinamentos de Jesus, pôs-se a campo para conseguir o almejado objetivo; aonde quer que o Nazareno estevesse, fosse qual fosse a localidade, ele ali estava a postos, e o fazia cauteloso, esgueirando-se por entre a massa humana, alheia ao que se passava ao redor, interessada apenas em ver o meigo Rabi. Posicionado como bem lhe conviesse, ora sentando-se no próprio chão, ora em assentos improvisados, se punha a manuscritar os ensinos do Divino Pregador da Boa Nova. Só não o fazia, quando o Senhor estava a sós com os discípulos, em visitas a doentes, em reuniões nas sinagogas ou participando de alguma hospitalidade.

Em uma das reuniões, comprimido pela multidão, empurrado de um lado e do outro, Jesus foi impelido a aproximar-se tanto do jovem que a ponta da sua túnica roçou-lhe o rosto, ensejo em que o moço a tomou nas mãos beijando-a, sem conter as lágrimas, num testemunho de deferência e veneração. Ato contínuo, Jesus pousou-lhe, carinhosamente a mão na cabeça do jovem, momento em que seus olhares de encontraram, emudecidos de significativa afeição, a um tempo humana e divina... Quem observasse no acompanhamento a Jesus, em Jerusalém, Judéia, Galiléia, Cesaréia, Jericó, Cafarnaum, e em outras aldeias e povoados, era certo estar presente o moço de manto marrom, nas manhãs e às tardes, períodos em que ocorriam as pregações. Nos intervalos, atento ao imperativo de sua subsistência e querendo supri-la com seu trabalho, dava-se a tarefas que lhe garantiam o alimento de cada dia. Ora remendando túnicas e mantos para os costureiros, ora consertando tendas para os viajantes, limpando e varrendo o mercado para os comerciantes, carregando água para as famílias, levando camelos e cavalos a beberem água e a serem lavados no poço mais próximo. Ele que ficara conhecido por manuscritar, era também homem de certa cultura, própria de alguém de posição social, nem por isso se sentia humilhado ou constrangido pelo gênero de vida que levava. Recolhido à pousada em que se hospedava, comprazia-se em passar revista nas anotações do dia e a meditar sobre o seu conteúdo, buscando assimilar-lhe a essência, e assim ficava até altas horas da noite.

Passara-se o tempo, Jesus tinha sido preso, condenado e crucificado. Uma noite, alguns dias depois da ressurreição do Mestre, fatigado pelas horas de canseiras, adormeceu e sonhou que o Mestre o visitava em seu modesto quarto, e lhe dirigia a palavra: “Filho, querido! Dar-te-ei a incumbência de relatar aos jovens que encontrar em teus caminhos, o noticiário que escrevestes, e que ai está... Será bom que te dediques também a educar corações e mentes para os meus serviços do futuro, que abrangerão o mundo inteiro, através dos tempos... Não te limites a curar apenas os corpos, que tendem a desaparecer no túmulo. Trata de curar também as almas, por amor de mim, pois estas são eternas e mais necessitadas do que os corpos, pois necessitam de fachos da Verdade...”

O moço que era musicista carregava um pífaro, (espécie de flauta) e um alaúde (antigo instrumento de cordas), dos quais retirava sons harmoniosos. Na manhã seguinte à do sonho, estava ele nas imediações do mercado de Jerusalém, sentado sobre as pernas cruzadas, executando melodias de envolventes sonoridades, rodeado de crianças e jovens, a quem pedia sentarem-se, e ao término dos números musicais, passava a contar tudo quanto ouvira do Mestre, e o fazia com tal maestria, com tanta arte, que o improvisado auditório ao ar livre não dava mostras de cansaço, tão enleado estava em ouvi-lo. Essas reuniões a céu aberto, passaram a ter maior número de participantes que acompanhavam atentos, as narrativas do expositor, de casos e coisas, atitudes e ações da vida de Jesus, cujos ensinos e exemplos ficaram no âmago dos ouvintes, muitos dos quais se fizeram fiéis depositários do precioso legado transmitido pelo moço.

Sentindo-se cansado e com a saúde desgastada por anos de apostolado, numa bela noite, em que se encontrava bastante meditativo, ao deitar-se, voltou a sonhar com o Mestre, que assim lhe falou: “Prossegue ainda, filho querido! Prossegue até o final dos teus dias, porque me tens prestado precioso serviço! Educa, educa por mim, e em meu nome, as almas e os corações, porque me ignoram... É preciso que todas as almas alcancem a Verdade Eterna...”

Renovado nas suas forças, o discípulo agora mais idoso, continuou no seu trabalho de pregar o Evangelho de Jesus, enquanto deliciava as pessoas com suas melodias. E assim, continuou a sua tarefa abençoada, por todos os lugares por onde passava... Alguns anos depois, encontrava-se ele em Roma, onde havia se domiciliado. Sentado sobre as pernas, à moda oriental, estava ele, agora de barba branca, tocando velhas melodias em seu velho pífano, recitando ou cantando, com voz trêmula, lindos poemas ao som do seu alaúde, rodeado de crianças e jovens que lhe rogavam entre sorrisos: - “Conta-nos, avozinho, aquela história do Príncipe, filho dos deuses, que desceu do Olimpo para curar cegos e leprosos, paralíticos e surdos-mudos... e para amar os pecadores e redimi-los, ensinando-lhes a lei do amor, para substituir a violência...”

Envelhecera mais ainda e agora conhecido como o “velho do manto roto”, cansado, corpo arqueado, olhos embaçados, semblante enrugado, cabelos em desalinho, mãos encarquilhadas, andar trôpego, veste estragada, sandálias encardidas, até então sem nome nem nacionalidade: assim termina os dias, fecha-se o ciclo de uma existência, aquele que deixara a sua imagem retratada como o 13º discípulo do Colégio Apostólico, como tal reconhecido e consagrado por Jesus, junto a quem estivera, assiduamente, com admirável perseverança e dedicação, a serviço da Boa Nova, arrebanhando as ovelhas perdidas para o acolhedor e manso aprisco do Senhor.

Marcou ele, sua passagem pelo mundo, não pelo seu nome e do país de nascimento, mas pelo que fora e fizera em benefício dos semelhantes. Desconhecido dos homens, mas identificado pelo Cristo que lhe consagrara justa qualificação, muito além das formalidades humanas; autêntica consagração!... Esse discípulo, pode ser você mesmo, meu irmão, que tomaste conhecimento da sua existência. O mundo necessita muito ainda do Evangelho do Senhor. Você, ao se alistar a Causa da redenção da Humanidade, poderá prestar idêntico serviço a Jesus... Necessita de apenas uma coisa, para o desempenho de tão grande tarefa: - Amor a Deus, ao próximo e ao Evangelho do nosso Mestre Nazareno...


Que Jesus nos dê a força para nos tornarmos merecedores do trabalho na sua seára.



Bibliografia:
“Novo Testamento”
Livro “Boa Nova”
Livro “Ressurreição e Vida”

Jc.
S.Luis, 28/8/2003

JESUS, O EDUCADOR DE ALMAS

JESUS, O EDUCADOR DE ALMAS

Certa vez um moço dirigiu-se a Jesus chamando-o de “Bom Mestre”. Ele de imediato recusou o título dizendo: “Ninguém é bom senão um só, que é Deus”. Mas aceitou o título de Mestre: “Vós me chamais Mestre, e dizeis bem; porque eu o sou”, disse Jesus em outra ocasião. Esse título foi por Ele dignificado, apresentando aos seres humanos, uma forma nova de educar, toda ela centrada no maior dos sentimentos: O Amor.

Segundo a Lei de Diretrizes e Bases que rege a instrução no Brasil, “o papel do ensino religioso é ensinar valores universais como: ética, respeito e cidadania.” Também a solidariedade deveria ocupar o centro de toda ação educativa, que não se aprende e se transmite só por palavras, mas, sobretudo, por exemplos.

Por ter a família descuidado da educação religiosa dos filhos, se formou gerações de poucos recursos espirituais. Alguns pais se mantiveram na religião mais não tiveram forças para se fazerem acompanhar dos filhos. Não seria egoísmo ter consolações, espaço de paz e harmonia, o apoio de companheiros de ideais, e não dividir com os filhos esse bem estar?

As crianças de hoje recebem uma imensa quantidade de informações através dos meios de comunicação, e os pais são profissionais em luta por manterem-se num mercado de trabalho cada vez recessivo que exige de ambos mais tempo. Antes, a mãe era responsável pela transmissão dos valores morais e religiosos, enquanto o pai era o provedor da família. Essa situação mudou e hoje, muitos pais não podendo nem querendo “perder tempo” com os filhos, transferem para os professores e outras pessoas, a responsabilidade de corrigir, educar e orientá-los, e, por se sentirem culpados pela ausência na vida dos filhos, costumam compensá-los com presentes e muita liberdade. Por sua vez, as crianças têm mais argumentos e, quando esses não funcionam, insistem e fazem alegações em defesa de seus desejos, nem sempre aconselháveis. De permissão em permissão, os filhos ganham e os pais perdem, proporcionando-lhes ainda, os meios de se perderem também.

“O destino das criaturas humanas está em função dos princípios educacionais que lhes foram inculcados na infância e na adolescência pelos pais. A violência crescente nos dias de hoje, está relacionada à inegável falta de educação, no sentido da palavra”, diz Pedro Camargo no livro “Mestres na Educação”. Ainda é tempo dos pais recuperarem sua responsabilidade e autoridade junto aos filhos, educando-os com dedicação, paciência, amor e, principalmente com exemplos.

A mensagem de Jesus foi apequenada, podada, enxertada e modificada por aqueles que dela se apossaram, ao construírem uma religião atemorizadora e salvacionista, com bases em atitudes místicas e ritualísticas. A Humanidade começou, com o advento da Doutrina dos Espíritos, a conhecer com mais amplitude e profundidade o que significou, para o mundo, a vinda de Jesus, o Mestre Amado, mais perfeito que a Terra já conheceu; aquele que baseou seus ensinamentos na pedagogia do exemplo. Não há um só ensinamento dele que tenha ficado sem o seu testemunho pessoal. Jesus foi simples e minucioso no que ensinou verbalmente e muito na exemplificação.


O próprio conceito de religião foi modificado a partir dos seus ensinamentos. Com Jesus, aprende-se que religião não é algo místico e mágico a ser levado a efeito no interior dos templos. Não mais a idéia de religião contemplativa, cheia de oferendas e fórmulas vivenciadas no interior das chamadas “Casas de Deus”. Religião passou a ser, para aquele que lhe entendeu as lições, um novo modo de viver, de se relacionar com o próximo em todos os ambientes, em todos os momentos.

Ensinando que Deus está presente em todo o universo, Jesus alargou os limites, conceituando o universo como um templo imenso, quando disse: “Na casa de meu Pai há muitas moradas”. Jesus não foi um Mestre que viveu confinado em ambiente religioso, ou em local distante, isolado do convívio diário, longe do povo. Pelo contrário, o Mestre sempre viveu com as pessoas e, para prevenir qualquer interpretação equivocada, deixou ensino registrado por dois evangelistas, ao dizer: “Eis que vos envio como ovelhas no meio dos lobos”. Ele não era um profissional religioso, pois vivia como simples carpinteiro, que causava espanto a muitos, diante do que falava e fazia.

Jesus foi um educador de almas, que sempre falou da necessidade da criatura se educar e progredir, conforme ensinou no Sermão da Montanha, quando disse: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens”. Toda a mensagem do Mestre fundamenta-se no esforço da criatura e na herança divina que todos trazemos. Nada de graça, além da graça da vida. Nada de privilégios. “A cada um segundo as suas obras”.

Jesus não aceitou apóstolos passivos, encantados, deslumbrados. Ao contrário, sempre buscou tocar o sentimento, juntamente com o apelo para que a criatura raciocinasse, para saber agir desse ou daquele modo. Jesus levou o entendimento, a compreensão, o uso do raciocínio ao campo da fé. A fé ensinada por Jesus transcende os limites da emoção, do sentimento, por associar-se a um componente essencial: a razão. Inquestionavelmente, a fé raciocinada, ensinada pela Doutrina dos Espíritos, começou com Jesus. Kardec, como profundo conhecedor dos Evangelhos, soube ver que as lições de Jesus têm sempre dois direcionamentos: ao sentimento e à razão. Ao ensinar a criatura a não criar fantasias sobre a fé, mostra a divisão entre o que deve ser objeto da preocupação do ser humano, e o que deve ser entregue à Deus, perguntando: “E qual de vós poderá acrescentar um côvado à sua estatura?” Por isso o Evangelho Segundo o Espiritismo, ensina: “Fé inabalável, só o é, a que pode encarar frente a frente a razão em todas as épocas da Humanidade.”

O ensino religioso de Jesus propicia ao ser humano a conscientização de que não será através de orações repetitivas que estaremos agradando a Deus, nem por meio de oferendas, bajulações e promessas. No seu trabalho educativo, Jesus mostrou a importância do bom relacionamento com o próximo, como caminho para Deus, conforme bem entendeu o apóstolo João, que registrou: “Pois, quem não ama a seu irmão, ao qual vê, como pode amar a Deus a quem não viu?”.

Significativo é o diálogo entre o doutor da lei e Jesus, conforme relatado por Lucas. “Mestre, que farei para herdar vida eterna?” – Ali se vê um homem conhecedor das leis religiosas a receber de Jesus a resposta: “Amarás ao Senhor teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma, e ao teu próximo com a ti mesmo”. E quando Jesus lhe disse: “Faze isso e viverás”, aquele homem não compreendeu a conexão entre o preceito religioso que lhe enfeitava o campo intelectual, com a vida prática, a ponto de perguntar: “Quem é o meu próximo?” – Para aquele homem a palavra “próximo” era uma palavra mágica usada no templo, sem nenhum significado real na vida profana; daí o espanto. Ele estranhou que Jesus lhe recomendasse a aplicação do preceito religioso à vida comum. Sabendo da distância que havia entre os preceitos religiosos e a vida em sociedade, é que Jesus contou-lhe a Parábola do “Bom Samaritano”, mostrando que aquele homem, desprezado pelos judeus, fez sua obrigação a Deus, não diante do altar, mas através do mais legítimo modo – o socorro ao seu próximo!

Jesus deu-se como exemplo no serviço a Deus na pessoa do próximo. Curava sempre, impondo as mãos sobre os doentes, embora não precisasse fazê-lo para curar, como o fez com o servo do centurião; mas o fez para ensinar, recomendando que se fizesse o mesmo. Deixou bem claro, que também a prática religiosas deveria ser gratuita, ao dizer: “De graça recebestes, de graça dai”. Jesus trouxe à Terra uma mensagem religiosa sem preconceitos. Simples, sem ser superficial; profunda, sem ser complicada...

Uma concepção religiosa libertadora, geralmente não agrada àqueles que desejam exercer o poder religioso. Eles procuram conservar a religião como algo mágico, místico, extático, complexo, a ponto de a ela, só terem acesso os doutores e os sábios, pessoas pretensamente especiais, que estariam mais habilitadas a intermediarem entre as pessoas e o Criador, mesmo sem procuração de Deus. Jesus concedeu uma verdadeira carta de alforria à Humanidade, em relação à intermediação sacerdotal, ao informar ao ser humano que ele tem o direito legítimo e inalienável de se comunicar com seu Criador, diretamente, em qualquer lugar onde se encontre, dando como exemplo o lugar onde se dorme, dizendo: “Mas tu, quando orares, entre no teu aposento, e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está oculto, e teu Pai que tudo vê secretamente, te recompensará”.

Ao se meditar sobre esse ensinamento, percebe-se quanto sua mensagem foi deturpada pelos religiosos que ensinam terem certas pessoas, determinadas prerrogativas de serem ouvidas por Deus, como se fossem advogados ou procuradores, a levarem agradecimentos ou a reivindicarem determinadas benesses, numa prática desenvolvida em meio a rituais completamente estranhos aos ensinamentos e aos exemplos de Jesus, com a agravante de serem renumerados. Jesus libertou a criatura humana também da necessidade do comparecimento ao templo, a fim de ali encontrar-se com Deus. O Mestre jamais convidou alguém a orar num templo. Ao contrário, quando a samaritana manifestou-se no sentido de adorar a Deus no Templo de Jerusalém, o Mestre desautorizou tal atitude, dizendo-lhe: “Mulher, crede-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Deus é Espírito e importa que os que O adoram O adorem em Espírito e Verdade”. Para Jesus, não havia lugares especiais. Seus ensinos, suas curas, suas orações sempre foram efetuadas ao ar livre, onde quer que se encontrasse Ele.

Infelizmente, com o passar do tempo, a mensagem cristã foi-se desviando, saindo da área do estudo, da meditação e do serviço à luz da oração consciente, passando às práticas exteriores. Essas verdades religiosas simples, que estiveram ao alcance de humildes pescadores, de viúvas e de deserdados, foram, com o tempo, relegadas a segundo plano, tendo sido posto em primeiro lugar o ritual, a solenidade, o manuseio de objetos de culto, imagens, velas, roupas especiais e todo um conjunto de práticas exteriores alienantes, trazidas do paganismo romano e do judaísmo, que distanciavam o ser humano cada vez mais do esforço de auto-aprimoramento, preconizado por Jesus.

Os ensinos libertadores de Jesus não foram objetos de estudo pelos teólogos, que criaram as liturgias, e, pior ainda, a hedionda teoria das penas eternas, desfazendo a imagem do Deus Misericordioso, tão bem apresentado pelo Mestre Amado. A mensagem cristã foi então apequenada, podada, enxertada e modificada por aqueles que dela se apossaram, ao construírem uma religião com bases em atitudes místicas e na crença de que o sangue de Jesus seria o remissor dos pecados da Humanidade. Foi enfatizada a adoração extática de Jesus morto, em detrimento do esforço em aceitar um Jesus vivo, permanente, conforme Ele mesmo afirmou ser “A Verdade, o Caminho e a Vida”.

O Mestre veio trazer a certeza de que Deus é Pai, é Amor, é Misericórdia, ao contrário do que foi apresentado pela Bíblia, no Velho Testamento, que mostrava o Pai Criador, vingativo, capaz de ter preferências por determinadas pessoas e povos e abominando os outros. O Pai Misericordioso, de Bondade e Justiça, tantas vezes apresentado por Jesus, foi negado pelos teólogos, ao criarem o inferno de penas eternas. Em verdade, Jesus falou de sofrimentos após a morte, mas nunca com a possibilidade de ser eterno esse sofrimento. Tanto é que Ele disse: “Em verdade te digo que de maneira alguma sairás dali enquanto não pagares até o último ceitil”. O Mestre, conhecedor da fragilidade humana, sabia que, de alguma forma, isso aconteceria, por isso, prometeu o Consolador, dizendo: “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome; esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.” Cumprindo sua promessa apareceu a Doutrina dos Espíritos, que não é apenas mais uma religião cristã... mas o próprio Cristianismo Primitivo redivivo.

Jesus como educador, fez os ensinos agradáveis com o relato de parábolas (pequenas histórias) e, nelas, prefere o uso de símbolos e situações da vida. Não desfazendo a cultura da época, prestigia o templo como casa de oração, mostrando-nos a necessidade da religião ao ser humano, para ensinar-nos como proceder na existência. A vinda de Jesus a Terra, deu aos seres humanos, os parâmetros para a boa condução de sua própria educação e de seus semelhantes, com vistas ao crescimento moral e espiritual.

Aos pais cabe, a educação religiosa dos filhos, para fortificá-los nas vicissitudes da existência. Desvinculado de sua condição espiritual, a pessoa é esse ser que, jogado na estrada da vida, se perde no emaranhado dos vícios, da violência, da perdição, pela falta da vivência do amor sublime que nos ensinou e exemplificou o Divino Mestre Jesus, e que os pais, responsáveis perante Deus pelos filhos, têm o dever de lhes ensinar e exemplificar, por serem os seus primeiros instrutores ainda na fase de crianças carentes.

Que a Paz do Senhor esteja em nossos corações, nos orientando para bem viver...

Bibliografia:
“Novo Testamento”

Jc.
Refeito em: 01/09/2009

FIM DOS TEMPOS

FIM DOS TEMPOS = APOCALIPSE

Apocalipse, na verdade são, revelações feitas a profetas (médiuns) da antiguidade. Há vários apocalipses, sendo os mais citados o apocalipse de Moysés, o apocalipse de Elias, o de Daniel, o de Jesus e o apocalipse de João Evangelista, escrito na ilha de Patmos, para onde ele fora exilado no ano de 95 DC. Este apocalipse tem caráter cósmico porque relata acontecimentos que interessam à Terra e sua humanidade, e da remate ao de Jesus, no seu sermão profético de despedida com os seus apóstolos, sobre os acontecimentos finais deste atual ciclo evolutivo da Terra. Em estado de desdobramento ou êxtase, provocados e controlados pelo Alto, o apóstolo João viu, nos Planos Espirituais, quadros e projeções que deveriam gravar-se em sua mente com a intensidade para serem escritos, destinados à divulgação em épocas vindouras.

Os ciclos evolutivos da Terra se sucedem em períodos de cerca de 2.000 anos, e no atual, o sentido religioso é o elemento mais importante, cabendo-lhe guiar o ser humano à redenção com base nos ensinamentos cristãos. Para apurar os resultados do esforço evolutivo, ou das tendências humanas dominadas por valores negativos, é que haverá o selecionamento predito para este milênio, quando então se abrirá novo ciclo da mesma duração. Os acontecimentos que se darão, desde muito tempo anunciados ao mundo e ultimamente confirmados pela espiritualidade, ocorrerão causando impressionantes transformações genéticas, profundas alterações de clima, confusões de estações, destruição de colheitas, por efeito de secas impiedosas ou de chuvas torrenciais, e outras muitas calamidades já conhecidas como: violência,crimes estarrecedores, guerras, fenômenos atmosféricos com grande abrasamentos(calor) e pressões, provocando a explosão de vulcões que causarão violentos terremotos e maremotos e terrível calor que em conseqüência, causará o degelo das massas polares, que a ciência já verificou e está se iniciando.

Como resultado de tudo isso, haverá o deslocamento do eixo da Terra e regiões continentais submergirão nos oceanos, ao mesmo tempo em que surgirão regiões novas, como já tem acontecido desde os tempos primitivos. Em virtude dessas calamidades, haverá grande êxodo de populações (fuga de povos de um lugar para outro), mistura de raças, unificações, separações, desespero e muitos sofrimentos, e, ante tal violência, poucos seres humanos sobreviverão aos cataclismos anunciados, que se abaterão sobre a Terra.

Jesus profetizando sobre esses acontecimentos no sermão do cenáculo, em várias ocasiões, referia-se a uma Nova Jerusalém, ou Cidade Santa, numa alusão bastante clara e antecipada da Terra renovada do Final dos Tempos, na qual não entrariam espíritos retardados na evolução, os quais, no expurgo a haver, já estariam destinados a mundos inferiores, e João refere-se a isso a também “a um novo Céu e uma Nova Terra”, porque nesta altura, dos acontecimentos, já estariam mudados os cenários.

Apesar de apenas iniciado na Terra o período de transição para chegarmos ao período evolutivo, já observamos as ondas de perturbações, de corrupção, de violência, de anarquia, desorientação, desequilíbrio sexual que varrem o planeta de extremo a extremo, atingindo homens, mulheres, idosas, jovens e crianças.

Allan Kardec, indaga aos benfeitores espirituais sobre o assunto, como se observa na questão 687 de “O Livro dos Espíritos”: - “Indo sempre a população na progressão crescente, chegará o tempo em que seja excessiva na Terra?” – Resposta dos Espíritos Superiores: “A reprodução da existência física, à semelhança do equilíbrio cósmico e de tudo o mais, resulta de uma programação planejada por Deus.” Não há dúvida quanto à magnitude do momento que passa, quando milhares de espíritos, retidos por milênios nas regiões de sombra e dor, alucinados e primitivos, vêm sendo encaminhados ao corpo físico, a fim de experimentarem a última oportunidade evolutiva que os poderá libertar da própria situação. Ressurgem, atônitos e violentos, conforme se encontravam, reassumindo as posições inferiores em bandos ou grupos de alucinados, esperando receber educação e socorro, com as possibilidades iluminativas, de modo a se integrarem no contexto da evolução que ora se opera no planeta, por graça de Espíritos mais elevados que também já chegaram e estão chegando à Terra, para a transformação.

As massas malignas das trevas e da Crosta planetária, se misturam com os encarnados por serem parte da mesma humanidade e, no expurgo, dois terços dela serão descartados para outros mundos, eliminando-se definitivamente do planeta, as forças negativas e os seres incompatíveis e irrecuperáveis, por enquanto, pelos recursos do amor. As massas de espíritos que estão sendo soltas e liberadas para tomarem parte na grande avaliação, saturarão a Terra nestes últimos tempos, conforme estamos vivenciando, tentando reconstituir a vida dos mundos primitivos, e os desregramentos das civilizações passadas; tentando fazer o mundo retroagir. Porém todos eles e mais os enganadores de todas as origens, os chacinadores de povos, os inquisidores religiosos, os que sugam na miséria do povo, os armamentistas, os políticos corruptos que enganam o povo com vistas a conquista do poder, e os que retardam a evolução espiritual dos seres humanos, apregoando cultos exteriores e a exploração de seus semelhantes, serão descartados, embora até lá, muitos ainda poderão redimir-se pelas luzes do Evangelho, pelo esforço dos humildes discípulos do Cordeiro, que não cessam de difundir pelo mundo as promessas de redenção.

Como as filosofias e as religiões não tiveram êxito durante séculos e séculos, e, como insignificantes foram os resultados, conforme se pode constatar pelo baixo índice de espiritualidade da Humanidade atual, e como os seres humanos de consciência e inteligência próprias não agiram buscando os caminhos apontados pelo Divino Mestre, o único poder capaz de derrotar a Besta Apocalítica; foi enviado o Consolador, A Doutrina dos Espíritos, como agente de Jesus, como recurso derradeiro de esclarecimento e encaminhamento dos seres humanos deste final dos tempos.

Para que se cumpram todos estes acontecimentos, os espíritos estão encarnando no ritmo de quase 1000 por dia. Milhares deles, são os mesmos que tomaram parte nas últimas guerras e conservam ainda o ódio e o espírito de vingança, e voltam para colaborar nas violências deste período de transição; outros são espíritos que estavam aguardando novas oportunidade de redenção com testemunhos em épocas difíceis; e por último, estão encarnando aqueles que receberam missão de trabalho para a implantação da paz futura, da concórdia, orientando e conduzindo os povos neste transe doloroso e difícil que se avizinha. Por outro lado, estão partindo da Terra, espíritos em grandes quantidades, realizando a renovação da população do planeta.

Daniel, disse no seu apocalipse que o tempo do fim seria assinalado pela ciência que se multiplicaria e por uma angústia generalizada, que cairia sobre os seres humanos como nunca se vira antes. Isto estamos vendo nos dias atuais. E quanto ao dia e hora que tais coisas aconteceriam, Jesus advertiu que ninguém sabia, nem mesmo Ele, somente o Pai. E recomendou aos seus apóstolos: “Portanto, estai sempre preparados. Orai e vigiai porque esse dia chegará tão de improviso, como a rede do pescador que cai na água e surpreende os peixes.”

Em várias épocas, a partir de Jesus, o chamado “Fim dos Tempos” foi anunciado com alvoroço e emoção, supondo-se que o mundo acabaria e fenômenos físicos, como cometas, eclipses, erupções vulcânicas, terremotos e maremotos, pareciam confirmar as suposições. Mas o tempo, passando, desmentiu as previsões e a vida retomou seu ritmo normal, pois não passavam de fenômenos naturais que a ignorância generalizada do povo inculto, dramatizava como ameaças divinas. Entretanto, os anúncios de agora merecem maior atenção pelas credenciais dos seus autores, Jesus, João e os Espíritos Superiores, que falam com uniformidade, demonstrando que os acontecimentos que já ocorrem na Terra, envolvendo a humanidade, confirma de certa forma a natureza e os prazos profetizados para sua ocorrência; e ainda por que os grandes acontecimentos de períodos cíclicos, são sempre precedidos de revelações e fenômenos que afetam fundamentalmente a vida humana e a próprias Natureza.

O Brasil, receberá o eco das provações coletivas e cada habitante o choque de retorno do seu próprio débito pessoal, cujas provações serão mais fortes ou menos forte, segundo o merecimento de cada um. Portanto, caros irmãos, devemos estar preparados para atenuar o que puder das dívidas que porventura tenhamos com a Lei Divina e, melhor será ainda, que desde já estejamos alertados e despertos sobre esse futuro e não cegos e iludidos. As esperanças do mundo se voltarão nesses dias para o nosso país, e ele se converterá em um grande sanatório mundial, no qual a terapêutica será a do amor de cristão, com bondade e consolação. O Brasil não estará isento de sofrer impactos violentos, porém permanecerá a salvo na sua estrutura física, porque nesses dias, grande será o número de seus filhos despertados para as luzes do Evangelho.

Referindo-se ainda ao nosso país, os Espíritos Superiores dizem “que somente quando o panorama espiritual do planeta atingir os momentos decisivos das provações coletivas (desencarnações em massa), a alma brasileira despertará, completamente, sacudida pela imperiosidade da própria destinação, caso não se deixe envolver pelo orgulho, ou inebriar-se pela força e o poder que lhe serão atribuídos. Grande, portanto, será nossa responsabilidade nesses acontecimentos. Muitos de nós sempre tiveram e continuam a ter ante os olhos, provas inúmeras e expressivas do amparo divino e a possibilidade de vivermos no sentido justo da predestinação; e mais que quaisquer outros, devemos nos preparar para cumprir a tarefa missionária que nos cabe.

Nestas horas e dias de tormentos para quem as pessoas poderão apelar? Após esse caos prolongado, ressurgirá a Terra com uma nova aparência, mais perfeita, de regeneração espiritual, onde novos planejamentos sociais serão estabelecidos, segundo os ensinamentos cristãos e as necessidades, e, muitos habitantes de outros mundos virão, como vieram antigamente os espíritos de Capela, para nos ajudar e nos orientar durante esse período difícil, e que participarão da humanidade que habitar a nova terra, e ela os receberá necessitando de reconstrução para que se torne habitável. Após a seleção que será efetuada, a Terra não mais será um mundo de provas e expiações, porque a nova humanidade estará renovada, pacificada e espiritualizada.

Mas é necessário que haja uma expansão de maior rapidez e amplitude das ações positivas, porque o tempo é curto e grande é a luta a travar contra as forças negativas que combatem o Cristo e “só uma força de fé muito superior ao desequilíbrio geral, sustentará o trabalhador na sua tarefa de abnegação.” Espíritos missionários, afeitos ao bem, já encarnaram e estão encarnando em maior número agora, para ajudar na luta, e serão também as lideranças de aproximação dos trabalhadores bem intencionados e orientados para a vitória do Cristo. Jesus ensinou que “os mansos e pacíficos herdarão a Terra”, mas não será de graça; terão que conquistá-la com suor e lágrimas, trabalho e perseverança, sobretudo, nestes dias finais que estamos vivendo com a Doutrina dos Espíritos, neste esforço de revivescência do Cristianismo primitivo e exemplificador.

Assim como os pais terrestres não têm a intenção de atemorizar seus filhos, ao adverti-los sobre os perigos da existência e do mundo, também os Espíritos Superiores não desejam senão alertar, sem intenções de levar receio ou o pânico a quem quer que seja. Avisar é obrigação de amigo e irmão; assustar é prova de leviandade. Mas, se alguém se assustar e esse susto o levar a emendar-se; se esse temor o conduz à virtude; se alguém sente medo de ouvir sobre os seres que serão exilados da Terra, e esse conhecimento o faz buscar no Evangelho de Jesus, o remédio para seus males espirituais e o impulso sagrado para a reforma interior, então nos sentiremos felizes e recompensados pelo esforço nesse trabalho.

O Divino Mestre, que após a multiplicação dos pães e peixes recolheu as sobras, agora recolhe com Suas mãos, toda centelha de luz, toda ação boa, toda intenção verdadeira de serviço no bem. E toda fagulha de luz que existe nas almas, é por Ele recolhida e levada ao Supremo Juiz, e apresentada com uma rogativa sincera e humilde: “Vê, Pai, este já tem um si uma pequenina luz a brilhar. Deixa-o ficar conosco.” Essa pequenina luz, imaginemos, representa um fósforo que se acende num quarto escuro... “Brilhe a vossa luz”, recomendou o Mestre. Que ela faça desaparecer a escuridão, para que a Terra Prometida e Renovada do Terceiro Milênio, possa abrigar em seu seio toda aquele que trabalhou pela implantação do Reino de Deus.

Divaldo Franco recebeu uma mensagem de Joana de Angelis que diz: “Adensam-se as sombras. Os fantasmas do desequilíbrio e da destruição se confraternizam no festival da loucura humana. A dor amesquinha os ideais edificantes da humanidade. Deus e o Amor parecem ignorados de muitos governantes e de muitos segmentos da soberba sociedade humana. Não obstante, raia madrugada nova. A treva densa e ameaçadora não vai resistir ao lampejar de uma estrela, nem à débil claridade de uma vela. A madrugada de um mundo novo está começando. Perguntais então: “Quando os céus promoverão a chuva de estrelas, para que a noite de sombras se transforme num radiante dia?” – Tende calma e velai! O Senhor da vida no Seu código de amor, não promove a precipitação, o improviso nem o desequilíbrio. Há algum tempo, estão reencarnando na Terra espíritos evoluídos que fulgirão nas diversas áreas, alterando a estrutura da Cultura, do Conhecimento, da Arte, da Fé e da Ciência. Este é século em que a Ciência e a Tecnologia promoverão a mente. O próximo, será o do Amor e da Educação que dignificarão a criatura humana.”

Enfim, os mansos herdarão a Terra, cumprindo-se a promessa de Jesus, já que não haverá mais lugar para os maus e os que entravam o progresso espiritual da humanidade. Eles serão encaminhados para mundos inferiores, e deles retornarão um dia para a luz do Mestre, que não quer que ninguém se perca, conforme o determinismo divino. Antecipando esse tempo, ocorrerão os últimos acontecimentos deste final dos tempos, com a seqüência dos mais terríveis cataclismas na terra, no mar e no céu, durante os quais desencarnarão milhões de seres humanos, operando-se em todos os setores do planeta, profundas transformações.

É chegado o momento da grande decisão; o tempo da colheita e da separação está chegando. A cada um será dado conforme o que houver praticado. Bem-aventurados os que forem achados trabalhando pelo Reino de Deus, dignos de permanecerem na Terra. E os que forem exilados para outros mundos, onde os sofrimentos imperam, serão conduzidos para o campo da evangelização, sob as bênçãos do Criador, no novo lar que habitarem, de acordo com o merecimento de cada um...


Que o Senhor nos ampare nessa transição, a fim de que possamos continuar sob a sua bandeira de Paz, Amor, Fraternidade e Caridade.





Bibliografia:
“A Hora do Apocalipse”
“Novo Testamento”


Jc.
Refeito em 8/8/2009

domingo, 17 de janeiro de 2010

A EDUCAÇÃO

A EDUCAÇÃO

A educação é o conjunto dos hábitos adquiridos e das orientações recebidas. Educar, portanto, é formar hábitos, e educar para o bem é formar hábitos bons.

Nos registros históricos da Humanidade, encontramos inúmeras anotações sobre os esforços dos homens para lograr as chamadas “reformas sociais”. Desde que entendeu o valor da vida grupal e que a família se constitui em importante célula da sociedade organizada, os indivíduos de formação humanística elaboraram procedimentos, estudos e leis, e fomentaram movimentos, no sentido de conceder aos grupos humanos, aspectos positivos de vida cristã.

Inesquecíveis movimentos sociais libertários se destacaram na História, a exemplo da Revolução Francesa, ocorrida em 1789, cujo lema era “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, se constituiu na trilogia de ideais reformistas de bem-estar das pessoas. Conceitos socialistas-marxistas promoveram na Rússia e em outros países da Europa, a Revolução do Proletariado, mesmo com as distorções praticadas no afã de libertação do ser humano.

Após as grandes guerras mundiais, as nações do mundo buscaram unir-se na conquista de soluções para as disparidades sociais, da crise da fome, da violência, do abuso do poder. Em 1945 surgiu a Organização das Nações Unidas (ONU), e posteriormente, outras instituições, com notáveis finalidades de alcance social, entre elas a preservação do meio ambiente, afetado por ações precipitadas e egoísticas do ser humano. Contudo, todo esforço para alcançar as reformas sociais, tem sido muitas vezes alvo de fracasso, para desilusão de idealistas e da população mundial.

Muitos perguntam: - Como solucionar tão graves problemas? Entendemos que, enquanto se procurar a reforma social sem a indispensável e profilática reforma moral, inúteis serão os esforços. Isto porque, a alavanca da reforma moral chama-se educação...

A propósito, conta-se que Licurgo, célebre orador e político ateniense, que viveu entre os anos 396 a 323 A/C., fora certa ocasião, convidado para falar sobre Educação. Ele aceitou o convite, com a condição de lhe concederem três meses de prazo... Findo esse tempo, apresentou-se ele perante numerosa e seleta assembléia, que aguardava, ávida de curiosidade, a palavra do consagrado tribuno. Licurgo se apresentou trazendo consigo, dois cães e duas lebres. Ele então soltou a primeira lebre e um dos cães. A cena foi chocante e bárbara. O cão avançou furioso sobre a lebre e a despedaçou. Ele então voltou a soltar a segunda lebre e o outro cachorro. A surpresa foi geral, porquanto o cachorro passou a brincar amistosamente com a lebre. Ambos se afagavam mutuamente.

Ergueu-se, então Licurgo na tribuna e concluiu, dirigindo-se ao seleto público: “Eis aí o que é a educação”. O primeiro cão é da mesma raça e idade do segundo Foram tratados e alimentados em idênticas condições. (Mas, qual a diferença entre eles?) A diferença é que um foi educado e o outro não; ele foi deixado aos seus instintos primários. Educar, disse então Licurgo – é criar hábitos considerados saudáveis. Educar é desenvolver as aptidões inatas da criatura que, estando adormecidas, devem ser dirigidas para o bem geral. Educar, é preparar a pessoa para realizações nobres, concluiu ele.

Com essa assertiva, Allan Kardec enfatiza então que, as raízes das atitudes comportamentais atormentadoras e agressivas, individuais e grupais, são originárias do modo de ser, adquirido em outras existências terrenas, que teria de ser “reformadas” ou “reeducadas”. Para isso, somente a educação logrará êxito.

Relatório da Comissão Especial da ONU para a Educação, Ciência e Cultura, sob a coordenação do educador francês Jacques Delor, intitulado: “Educação, um Tesouro a Descobrir”, valioso documento norteador para as pessoas, instituições e nações que vêem na ação educacional o caminho real para o progresso das sociedades e da Humanidade, apontam os quatro pilares de uma educação para o século XXI: - Aprender a Conhecer; Aprender a Conviver; Aprender a Fazer; e Aprender a Ser – visando à revolução e renovação sociais que o mundo deseja: 1- Aprender a conhecer a existência de Deus; a sua ação providencial no mundo e a amá-lo acima de todas as coisas; 2- Aprender a conviver com o seu próximo, amando-o como a si mesmo; 3- Aprender a fazer o seu destino voltado para o bem, para não sofrer as conseqüências pela “lei de causa e efeito”; 4- Aprender a se conhecer como um Espírito imortal em constante evolução por vontade própria...

Vivemos num mundo atrasado, onde a grande maioria de seus habitantes admira e busca o que os seus sentidos elegem como conquistas a realizar; a notoriedade, a riqueza, o luxo, o prazer, a posição social e todos os valores da existência material. Entretanto, considerando que somos um ser imortal, Espírito eterno, que está atualmente ligado a um corpo material perecível, os verdadeiros valores a ser conquistados não estão no exterior, mas no interior de cada um: a inteligência e os sentimentos nobres, formadores do caráter.

O Cristo já havia ensinado há dois mil anos; também o Consolador por Ele prometido, vem ressaltar a necessidade da construção dos valores interiores, sem prejuízo do atendimento das necessidades materiais. Os seres humanos esqueceram sua condição de seres espirituais, para dar ênfase a tudo o que se relaciona com a existência transitória do corpo.

Todos os mensageiros do Alto, desde as mais remotas eras, tiveram a preocupação de lembrar a natureza espiritual do ser humano. Os ensinos do Mestre, ressaltaram a finalidade da existência presente e o caminho para o futuro, para o “reino dos céus” que se encontra dentro de nós mesmos. Por sua vez, o Consolador, a Doutrina dos Espíritos, mostra a vida futura do Espírito que deixa o corpo físico, no fenômeno que denominamos morte, para voltar ao mundo espiritual, às esferas que se destinam a acolher as almas das mais diferentes condições evolutivas. A compreensão dessa realidade retifica os erros e enganos resultantes de crenças milenares errôneas sobre a finalidade da existência na Terra e suas conseqüências.

Por outro lado, a realidade das existências sucessivas demonstra a verdade das doutrinas reencarnacionistas, conhecidas há milênios, mas rejeitadas pela igreja católica que substituiu a igreja cristã, após sua condição como religião oficial, e por outras denominações religiosas, com graves prejuízos para o conhecimento do positivo, da realidade. Esse roteiro resume-se na educação da mente e do coração e consiste na conquista dos conhecimentos e no aperfeiçoamento dos sentimentos; vale dizer, é o progresso intelectual e moral.

De acordo com as leis divinas, todos os seres humanos podem realizar esse objetivo de crescimento, através da educação. Falamos de educação como o processo e a realização dos objetivos superiores da existência. No atual estágio de muitas nações, inclusive o Brasil, confunde-se o conceito de educação com o de instrução. Assim o nosso Ministério da Educação, cuida, na realidade, da instrução do povo, oferecendo níveis de escola para o aprendizado das letras, dos números e das ciências, nos seus múltiplos aspectos.

Sabemos todos que a educação, durante a nossa existência terrena, inicia-se no lar, na fase do berço, quando as mães começam a passar aos seus bebês, os rudimentos de educação, além dos conhecimentos inatos trazidos de outras encarnações. A instrução é que começa a ser adquirida alguns anos depois, quando a criança inicia o aprendizado das primeiras letras e números, quando já entende e fala, porém, sem ter ainda qualquer conhecimento prático.

Não basta apenas o ser humano se instruir ou se especializar em determinadas atividades, se permanece moralmente atrasado, personalista, orgulhoso, insensível e egoísta. A mensagem de Jesus, se expressa principalmente em ensinamentos morais, por saber Ele que as pessoas se preocupavam mais com o aperfeiçoamento intelectual e encontravam maior dificuldade nas aquisições morais. Por isso, a educação tem sempre como parâmetro aquela mensagem, visando à renovação íntima e a reeducação de todos que despertam para as verdades eternas. Será através das idéias trazidas pelo Consolador, revivendo os ensinos de Jesus, que a Humanidade encontrará nova fase de progresso moral.

A reeducação com base na Nova Revelação, trazida para a era do Espírito, afastará as teorias negativistas, os dogmas, as doutrinas superadas, os mistérios, as superstições e todos os desvios da verdade, responsáveis em grande parte pelo atraso moral em que se encontra considerável parcela da população mundial. Assim, as verdades não surgem do exterior, mas crescem no íntimo de nós mesmos, quando existem esforços e vontade para se escolher o caminho certo da evolução.

A educação é obra difícil e de sacrifício em certo sentido, no espaço e no tempo, atendendo à Divina Sabedoria, por mais pesadas e espinhosas que sejam, recebendo as mais altas e belas lições. A prática da lei do amor, por exemplo, pressupõe um aprendizado prévio do Espírito que o conduz à modificação de sentimentos e hábitos. Essa transformação é obra de educação e um fator poderoso de progresso. Enquanto os estabelecimentos de ensino, representados pelas escolas em geral, preocuparem-se somente com a instrução, esquecendo a educação, e enquanto predominarem os erros pela influência tradicional e pelo materialismo, os seguidores do Consolador terão a responsabilidade de sustentar as verdades espirituais, na obra de reeducação, que haverá de produzir seus efeitos no futuro.

Todos os problemas da existência terrena terão soluções naturais quando o Espírito for reconhecido em sua natural condição, acima do corpo material, porque sobrevive a ele. O processo educativo, amparado no Evangelho de Jesus, será o grande fator na transformação dos hábitos humanos carregados de egoísmo e de orgulho, em novas vivências na fraternidade, na solidariedade, na caridade e na compreensão entre os seres humanos.

Compete à educação o mais relevante papel no progresso da civilização. Porém, os nossos sistemas pedagógicos não têm correspondido às suas legítimas finalidades. A julgar pelo conteúdo dos programas oficiais de ensino, os valores do sentimento continuam relegados a plano secundário ou esquecidos, como se o cérebro, que elabora a teoria, devesse viver divorciado do coração, que inspira a prática. A prova está em que, no período mais fecundo de nosso aprendizado que vai da infância à juventude, quando são máximas as nossas capacidades aquisitivas, tudo se faz por dotar-nos da maior soma de valores intelectuais, mas pouco ou quase nada se tem feito para demonstrar-nos a melhor forma de aplicá-los. De que nos tem servido saber corretamente a conjugação do verbo amar, se não nos ensinam a amar o nosso próximo? Para que nos tem servido aprender a operação de dividir, se não temos aprendido a dividir com os que sofrem, um pouco sequer de nossa felicidade?

Teoricamente, sabemos conjugar o verbo amar e efetuar a operação de dividir; mas, praticamente, só temos sabido odiar e subtrair. Compreendemos perfeitamente que a divisão, segundo as leis da matemática, é uma subtração sucessiva, mas o que ainda não compreendemos é que a divisão com os outros, segundo as leis do amor, é uma autêntica multiplicação de bênçãos.

Uma das mais nobres formas de trabalho de educação, é a desempenhada pelos pais na infância e pelos professores na fase de criança/adolescente. Quatro são as condições requeridas para a nobreza de tão alta função: 1- Amor; 2- Vocação; 3- Abnegação; 4- Boa-vontade... Nenhuma mulher deveria ter filho, ou o educador, ter permissão para ensinar, se não houvessem provado, por sua vivência, ser o amor a qualidade fundamental de sua natureza, porque somente uma mãe devotada e com amor, fará de seu filho um cidadão e um professor cheio de boa-vontade e vocação, atrairá seus alunos, para o aprendizado agradável.

O desenvolvimento do processo educacional da humanidade passou por várias etapas sucessivas e complementares, a saber: A Educação Clássica, grego-romana que formou o cidadão, vinculado à sua cidade e suas leis; que aprendeu a respeitar e conviver com o próximo numa comunidade urbana; a Educação Medieval, que formou o cristão, submisso ao Cristo e sujeito à igreja; a Educação Renascentista, que formou o gentil-homem, refinado na forma, sujeito às etiquetas e às normas sociais; a Educação Moderna, que formou o homem esclarecido, amante das ciências e das artes; a Educação Nova, que formou o homem psicológico do nosso tempo, ansioso por se libertar das dúvidas, do medo, das angústias e dos traumas psíquicos do passado, substituindo o confessionário pelo consultório do psicanalista e reduzindo a religião a mera convenção social.

Desse processo, resultou o homem de hoje, ainda buscando a própria cidadania, distante da fraternidade, (vide guerras, inclusive religiosas), apegado às etiquetas e formalismos exteriores, extremamente confuso e angustiado diante das possibilidades libertadoras que, intuitivamente, sente. O ser humano enfim, que ainda não sabe o que é, qual sua origem e o propósito de sua existência na Terra...

Segundo o IBGE, l/5 da população brasileira (36 milhões) é constituída de jovens entre 8 e 18 anos de idade. Destes, 50 mil estão cumprindo medidas sócio-educativas, impostas pela Justiça; outros 14 mil estão recolhidos em instituições (FEBEM) pretensamente destinadas a protegê-los e educá-los. Um número bem maior está freqüentando os bancos escolares públicos e privados, cujo relato de profissionais da educação, não permitem fazer para muitos deles, projeções otimistas. Muitos deles serão os futuros profissionais responsáveis por vidas e outros condutores do nosso País.

Vivemos tempos de desagregação e convulsões, já previstos por Jesus no Sermão Profético, em que os laços familiares se enfraqueceram, em virtude das pessoas estarem concentradas nas aquisições materiais. Não poderia ser diferente o que se passa com a educação no lar e com a instrução nos colégios. Os acontecimentos que estamos vivenciando, de nos estarrecer, estão de acordo com as nossas ações, pois, se não agimos negativamente, em função do nosso atraso espiritual, nos aproveitamos e nos solidarizamos com eles ao darmos audiência aos programas de baixarias, sem qualquer respeito à educação que deveria ser obrigação das emissoras. Onde está a censura e os juizados que não atuam no respeito à família e aos bons costumes?

Os valores morais e espirituais chegaram ao fundo do poço, e, se não fosse à intervenção divina, determinando o nascimento (reencarnação) de Espíritos mais evoluídos, para promoverem a reformulação do mundo, o caos em que nos encontramos seria pior. Estamos vivendo uma situação difícil, de aferição de valores, onde devemos priorizar os valores morais que nos livrarão de sermos levados de roldão pelas forças desagregadoras que atuam no mundo, ao saberem chegado o final dos tempos, do reinado do mal e de suas conseqüências. Transformações e acontecimentos nunca vistos estão se processando no mundo, para libertá-lo dos espíritos inferiores que ainda habitam entre nós, e prepará-lo para receber novos habitantes que farão deste, um mundo de regeneração, onde a educação será a mola propulsora da evolução.

Que o Senhor nos permita passar por essa turbulência sem afetar nossos valores.


Jc.

S.Luis, 13/1/1996

NOSSOS MEDOS

NOSSOS MEDOS

Classificamos o medo como um dos piores inimigos do ser humano, por alojar-se na alma, atacando as energias mais profundas. Segundo a Enciclopédia Larousse Cultural, por definição: medo é o sentimento de inquietação, de apreensão em face de um perigo real ou imaginário. A palavra medo, relaciona-se também com receio, temor, horror, pavor e pânico. Vejamos como se expressou sobre o medo, o filósofo inglês Thomas Hobbes, há muito tempo discutido nos meios da psicologia: “O medo é um sentimento que nos inspira a possibilidade de sermos afetados por um mal real, de um mal que conhecemos pela experiência.”

Nós, espíritas, bem sabemos que além dos “males reais”, visíveis, tangíveis, existem também os medos invisíveis, intangíveis, que são provocados pelas obsessões. De início, se analisarmos desde quando o ser humano tem medo, certamente chegaríamos a idade da pedra lascada, com nosso ancestrais refugiados nos fundos das cavernas, ante os grandes perigos dos raios, dos trovões, dos furacões, dos vulcões, dos terremotos, dos animais, etc. etc. Tais acontecimentos, hoje bem explicados, antes, eram tidos como sobrenaturais e determinados por deuses terríveis e vingativos. Holocaustos, oferendas e promessas faziam os homens naquela época e, pelo jeito, não diminuíram a cólera daqueles deuses...

Joanna de Angelis, faz uma análise do medo e apresenta seis aspectos, como responsáveis pela cultura ancestral geradora do medo, que nós trazemos embutida no inconsciente individual, e que essa culpa nos leva a uma situação tormentosa.

O primeiro medo, é o da morte. Pelo instinto de conservação da existência terrena, nós gostaríamos de não envelhecer e de não morrer, ou seja, não deixarmos o corpo que temos, não perder a nossa individualidade; o que é uma ilusão porquanto o corpo está sempre em constantes transformações. Deus no-lo deu para que nós o preservemos até que ele preencha a finalidade para a qual foi elaborado. E, apesar do instinto de conservação, não são poucos os que se atiram no labirinto da morte, por quase nada, pelas portas do suicídio.

O segundo medo é o da velhice. Ela nos aproxima da morte e a pessoa teme envelhecer porque fica mais sujeito a ela. Isto é um pequeno engano, porquanto morrem tantos jovens, tantas crianças, e hoje a população de idosos é quase igual a dos jovens, em face das conquistas da medicina e da tecnologia farmacêutica, que tem alongado a existência da espécie humana. Mas o ser humano tem pavor de envelhecer. Esse período não deveria ser chamado de velhice, que parece um termo depreciativo, mas de idade da experiência, ou idoso.

A idade idosa é uma dádiva de Deus, que nos livra de vários inimigos, quais sejam: Da ambição, da posse, da escravidão e do sexo. O Senado Romano e o Grego, eram formados por pessoas idosas, respeitáveis e experientes. É verdade, entretanto, que temos muitos idosos não muito respeitáveis.... Quando, pois, lhe chamarem de velho(a) responda assim: Eu tenho a felicidade de ter chegado até aqui, enquanto você não sei se vai chegar, e se chegar, estará idoso também. Velho mesmo é o mundo, que já existia quando chegamos e vai continuar existindo quando partirmos.
O terceiro medo é o da doença. Isto porque a doença nos ameaça com a morte. Nem sempre é assim... a grande maioria dos doentes ficam bons. Porém, em nosso inconsciente, quando chega a doença, logo vem o medo da morte. Existem pessoas que, de tanto medo de morrer, se tornam hipocondríacas, isto é, pessoas com obsessão de doenças, médicos, remédios e tratamentos.

O quarto medo é o da pobreza. O indivíduo na pobreza não dispõe de recursos para comprar remédios quando adoecer, a fim de evitar a ameaça da morte. A pessoa que vive na pobreza, acredita que vai morrer antes, pela falta de alimentação adequada, o que nem sempre acontece, pois muitas pessoas nessa situação, ultrapassam a casa dos noventa e cem anos. Morre-se mais de excesso de comida ou alimentação irregular, do que pela falta de pão

O quinto medo é o da opinião dos outros. Esse medo não tem nada a ver com a morte, mas é uma forma de morte, porque, quando descobrimos que os outros têm opinião diferente e negativa a nosso respeito, isso se torna um tormento na nossa alegria. Gostaríamos que todos tivessem um excelente conceito sobre nós, embora nos permitimos o prazer de não ter boas opiniões a respeito dos outros. As pessoas quando dizem que estamos com aspecto doentio ou envelhecido, logo nos vem a lembrança da morte.

O sexto medo é o da perda de alguém querido. Nenhum sofrimento na Terra se compara ao daquele que observa um seu ente querido sem vida, em grande silêncio. Devemos, entretanto, reprimir o desespero e a mágoa no coração, porque sabemos que os chamados “mortos”, são apenas ausentes na Terra, vivendo agora na Espiritualidade. Jesus ensinava a superioridade da alma – o espírito encarnado – que é eterno, sobre o corpo físico por ela usado em cada existência, e abandonado como roupa velha que não serve mais. Quando tomamos conhecimento da sobrevivência da alma, atravessamos todas essas situações com a maior naturalidade. A existência terrena é por algum tempo, enquanto que a vida, que representa a centelha divina é permanente.

Esses seis medos, produzem o impacto dos outros medos existenciais, que mencionaremos a seguir e que aterrorizam os seres humanos:

Medos naturais: São os medos com os quais praticamente todos nascemos; medo do fogo, medo dos trovões, do mar, do desconhecido, da morte. O medo da morte se prende à infância, quando a criança sem o despertar da razão, vê os familiares com grande sofrimento em velórios e enterros de parentes ou amigos; com isso, instala-se no subconsciente infantil, que aquilo (a morte) é terrível...

Medos amigos: São os ditados pela prudência, e é por eles que os seres vivos mantêm sua existência, como por exemplo: - O vegetal, procura a luz e a água, evitando a sombra e a seca, na qual feneceria; - o animal, foge do predador ou do combate no qual esteja em desvantagem, para continuar a existir; - o ser humano, evitará as conseqüências prejudiciais; não brincar à beira de abismos; não riscar fósforos próximo a combustíveis; não entrar no mar sem saber nadar; não reagir a um assaltante armado, etc. Esses são medos frutos da prudência, ditados pelo instinto de conservação, que nasce com todas as criaturas.

Medos inimigos: São os causados pela inação, como por exemplo: Medo de mudanças, de mudar de casa, de mudar de emprego, medo de sair de casa; medo de enfrentar desafios, medo de compromissos, de responsabilidades, sejam eles familiares, profissionais, sociais, religiosos, etc.

Medos irracionais: São os que bloqueiam os sentimentos e a razão; - medo de ir ao dentista, medo de falar em público, medo de assalto, medo de infecção, medo de altura, medo da morte, medo de andar de avião. É verdade que há desastres aéreos, mas o avião é centenas de vezes mais seguro que viajar de carro, comprovado pelas estatísticas.

Medos imaginários: Esse é o mais prejudicial dos medos, pois o medo real, têm raízes no passado, a expressar-se no presente. Agora a pessoa ter medo de algo que ainda não aconteceu? Exemplos: - Um jovem que sofre antecipadamente, a angústia de não arranjar uma namorada; de não ser bem aceito no grupo, de não ser bem sucedido nas provas, de se sentir inferior aos outros, de ficar preso em um elevador; medo de terrorista, medo de tempestade, medo de sofrer um desastre. Esses medos podem atingir a fase de pânico. A síndrome de pânico, é originária de “Pan”, deus grego, tocador de flauta que metia medo nas pessoas com seus chifres e pés eqüinos (minotauro).

Existem ainda as fobias, que são medos exagerados e persistentes. Entre estes citamos: Claustrofobia – medo de lugares fechados. Alto-fobia – medo das alturas. Gerontofobia – medo de envelhecer. Necrofobia – medo da morte. Antropofobia – medo da sociedade; a pessoa se isola. Obeso-fobia - medo de engordar, principalmente as que são modelos. - O fóbico sofre terrivelmente com sensações, palpitações, falta de ar, etc...

Vencendo os Medos: Todos nós, sem exceção, temos nossos medos... Sempre resultam desses medos, grandes ou pequenos desconfortos. Assim sendo, impõe-se que idealizemos uma “administração” dos nossos medos. Em primeiro lugar, nada melhor do que identificar e classificar o medo que sentimos. Uma vez identificado e classificado, o trabalho a seguir é realizar um estudo da origem dele. Devemos saber que a Humanidade sempre se defrontou com o medo e poucos foram os que se dedicaram a estudar e explicá-lo; primeiro para poderem entendê-lo, para em seguida eliminá-lo. Todos fracassaram, uma vez que o medo, enquanto sentimento de evitar o mal, é um instrumento de sobrevivência de todos os seres vivos. Até porque, há a classe de medos que é muito benéfica como vimos anteriormente. Dessa forma, o medo tanto pode ser um amigo como um grande inimigo.

Se o perigo for real ou imaginário, o medo também o será. Para um medo ser identificado, necessário se torna compreender como ele se instalou, ou melhor dizendo, como é que ele “apareceu”; quando, como, porquê. Quase sempre o medo se disfarça, lançando mão de símbolos, num processo muito parecido com os sonhos, cuja interpretação é problemática, justamente pelo simbolismo com o qual a maioria se apresenta ao sonhador. O medo pode e deve ser trabalhado para se tornar um instrumento de equilíbrio em nosso dia-a-dia.

Em todos os medos, se a pessoa não conseguir dominá-lo racionalmente, um bom caminho a seguir será procurar um aconselhamento: a)- Na fé; em primeiro lugar, fazendo orações a Jesus ou ao nosso Pai Celestial, pedindo a proteção, para o problema; b)- na família; ouvindo a experiência dos pais ou familiares mais íntimos: c)- na ajuda da Casa Espírita, por um orientador espiritual, disposto a ouvi-lo com tolerância e humildade, que poderá sugerir uma terapêutica evangélica, se houver alguma influência de um desencarnado; d)- Na assistência de um psicanalista...

O medo na Doutrina: A Doutrina dos Espíritos explica que todos nós temos um extenso passado de múltiplas existências terrenas, que espelham atualmente nosso painel de emoções e sentimentos, painel esse que se atualiza minuto a minuto. De posse de tão precioso entendimento, ao espírita será possível iniciar, por uma enérgica e sincera auto-reforma, um intenso e permanente tratamento, visando libertar-se de seus medos, manias, fobias, neuroses e eventuais psicoses. Também poderá, através de um tratamento espiritual, se libertar de certas situações infelizes, se estas forem de origem mediúnica; influenciação de espíritos. Na questão 919 de “O Livro dos Espíritos”, o Espírito de Agostinho nos dá preciosa maneira de nos conhecermos a nós mesmos, através do balanço diário das nossas ações, ao final de cada dia, como interrogação à nossa consciência. Na introdução da mesma obra, Allan Kardec registrou, a propósito dos nossos temores o seguinte: “O Espiritismo mostra a realidade das coisas e com isso afasta os funestos efeitos de um temor exagerado.”

Tratando-se da realidade das coisas, o espírita compreende muitos fatos da presente existência, cuja origem pode estar em nossas existências passadas. Sabendo que o perispírito guarda indelevelmente as chamadas “matrizes psíquicas” (fatos marcantes de outras existências), não será difícil compreender que o medo, no presente, pode ter se originado em ocorrências do passado como por exemplo: - medo de multidão; será que essa pessoa, em outra existência, não foi condenada e quem sabe até apedrejada em público, como se fazia antigamente? – Medo de altura; não teria essa pessoa se suicidado, ou sido vítima de queda de algum penhasco? – Medo do mar; não teria essa pessoa, em outra existência, se afogado? – Medo de lugares fechados; não teria essa pessoa, ficado presa e morrido num calabouço? – Medo de animais; não teria essa pessoa morrido por ataque de algum deles? Esses exemplos são apenas no caso desses medos terem se originado no passado distante, ou em outras existências.

O medo impede a reflexão, a análise e a solução dos problemas do nosso dia-a-dia, qual lanterna que se apaga. Infinitos medos existem e infinitas são também as maneiras de administrá-los. Ele sendo real, a prudência, o enfrentamento com a oração sincera e a auto-reforma, possibilitam o amparo do Alto. Contudo se o medo é imaginário, deverá ser enfrentado pelo “medroso” mediante auto-análise ou por aconselhamento e assistência. Com base na Doutrina dos Espíritos, asseveramos: se o medo é real, com a oração fervorosa, ela possibilita o equilíbrio emocional.

Que o Senhor da Vida, nos possibilite a força necessária para afastarmos os medos existenciais.

Jc.
S.Luis, 23/7/2006.