sábado, 17 de abril de 2010

DEUS E MAMON

DEUS E MAMON

Dentre os fatores que mais contribuiu para que a Humanidade galgasse o elevado patamar de desenvolvimento intelectual, científico e tecnológico, destaca-se um que se transformou no supremo ídolo do ser humano. Ressalvando-se as exceções, todos os amam, desejam e o disputam por muitos meios honestos, desonestos e criminosos...

Esse ídolo não é outro senão o ‘Rei dinheiro”, cujos súditos contam-se de bilhões, dispersos pelos seis continentes. Sobre sua origem, vejamos o que nos informa o espírito de Neio Lúcio, no livro “Alvorada Cristã”, psicografado por Chico Xavier, no capítulo “A Lenda do Dinheiro”.

“Conta-se que no princípio do mundo, o Senhor do Universo viu as dificuldades no desenvolvimento da obra terrestre, porque os seres humanos se entregaram a excessivo repouso. Ninguém se animava a trabalhar. As terras se estendiam ao longe sem nenhuma atividade. Minerais variados estendiam-se por toda parte. Águas estagnadas existiam por todo lugar. O Criador pretendia erguer lares e cidades, educandários e abrigos, templo e hospitais... mas com que braços ? – Os homens e mulheres convidados ao suor da edificação por amor, respondiam: “Para quê ?” – Estavam satisfeitos porque comiam as frutas silvestres, caçavam os animais para devorá-los e dormiam nas cavernas ou debaixo das árvores...

Após refletir, o Criador resolveu criar o dinheiro, sabendo que as criaturas presas da ignorância, se não sabiam agir pelo amor, trabalhariam movidas pela ambição... e assim aconteceu. Tão logo surgiu o dinheiro, a comunidade dos seres humanos fragmentou-se em pequenas e grandes facções, incentivando-se a produção de benefícios gerais e de valores imaginativos. Aparecerem então candidatos a toda espécie de serviços. O primeiro deles pediu ao Senhor, permissão para criar uma grande olaria. Outro requereu meios de pesquisar os minerais, de maneira a transformá-los em utilidades. Outro trabalhador pediu recursos para a exploração de cereais. Servidores de várias procedências vieram e solicitaram condições destinadas a produção de fios, remédios e outras utilidades. O Senhor a todos atendeu com alegria. Em breve tempo, olarias e lavouras, teares rústicos e oficinas rudimentares se improvisaram aqui e ali, desenvolvendo o progresso na inteligência e nas coisas.

Os homens, ansiosamente desejando o dinheiro para se tornarem mais destacados e poderosos, trabalhavam sem descanso, produzindo tijolos, alimentos, fios, agasalhos, calçados, instrumentos e máquinas que lhes garantiam maior produtividade, além de muitas outras invenções de conforto, e assim, movido pelo dinheiro a Terra progrediu. Todas as pessoas perseguiam o dinheiro e lutavam por ele, que passava de mão em mão. Vendo o Senhor que os seres humanos produziam a prosperidade, no anseio da posse, considerou satisfeito: “Meus filhos da Terra não quiseram trabalhar por amor, em virtude da deficiência em que se encontram; porém o dinheiro estabeleceu benéficas competições entre eles, em benefício da obra geral. Reterão eles provisoriamente, os recursos que me pertencem, com a sensação da propriedade. Esta é a minha Lei de Empréstimo que permanecerá na Terra. Cederei possibilidades a uns, de acordo com as exigências do bem comum; entretanto, cada beneficiário apresentar-me-á contas do que houver recebido, porque a morte conduzi-los-á, um a um, à minha presença. Este decreto divino funcionará até que meus filhos, individualmente, aprendam a trabalhar e servir por amor à felicidade geral, com a necessidade do sofrimento que a posse exige”. E aqui finaliza esta pequena lenda.

Também sobre a origem do dinheiro, vejamos o que nos informa o escritor e antropólogo Jack, em seu livro intitulado “a História do Dinheiro”. “O dinheiro apareceu há aproximadamente 3 mil anos, na Lídia (Asia Menor), e em sua longa trajetória, inicialmente como conchas, passou pelo sal, moeda e papel, antes de chegar, nos dias atuais, ao cartão ou a “senha”.

Conviveu com o surgimento ascensão e derrocada de impérios e reinados, revoluções e guerras, períodos de fartura e de misérias, sobrevivendo a todas às transformações pelas quais tem passado a Humanidade até hoje. O seu fascínio induz bilhões de pessoas, diariamente, em todo o mundo, a pensarem muito mais nele do que no Deus de suas religiões. Por isso, o mandamento maior “Amarás o Senhor teu Deus...”, foi mudado e reverenciado pelo: “Amarás o Senhor Dinheiro, acima de todas as coisas, de todo o teu coração, e aos lucros como a ti mesmo”.

Pela ambição do que podem adquirir com o dinheiro, é comum corromperem-se políticos e religiosos, militares e cientistas, advogados e juizes, empresários, desportistas, artistas e serviçais. Chegou-se a tal ponto que é cada vez mais raro se encontrar pessoas ou segmentos das atividades humanas, imunes às tentações do dinheiro, ou o que ele representa de prestígio e poder.

Esse capitalismo selvagem que sobrevive ainda caminha para inevitável derrota, porque foi arquitetado sobre uma filosofia de vida enganosa e perversa, que só beneficia pequena parcela da Humanidade. Nesse sistema nada se vende sem que o comprador não pague o dobro do valor dos produtos necessários ou supérfluos, enriquecendo os “geniais” grupos, famosos na arte de seduzir os consumidores. A ambição pelo dinheiro é milenar, e tanto é assim que Paulo nos adverte na Epístola a Timóteo, quando diz: “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça muitos se desviaram da fé”. Jesus também nos advertiu ao dizer: “Onde estiver o teu tesouro (dinheiro), aí estará também o teu coração”.

O dinheiro em si, não é culpado de coisa alguma. Por conta de sua neutralidade, presta-se indiferentemente aos bons e maus propósitos e empreendimentos. Se ele tem sido a causa de grandes tragédias, isso se deve unicamente ao atraso moral da Humanidade, sendo, portanto, a característica de um mundo de expiação, onde os seres humanos ainda estão muito envolvidos nas práticas materiais. Por outro lado, não podemos esquecer que o dinheiro tem sido o instrumento bendito que permitiu à Humanidade, edificar suas civilizações com tudo de bom para a felicidade dos povos.

Nestes tempos de mudanças rápidas o dinheiro foi elevado a um requinte jamais imaginado; ele hoje é eletrônico, é virtual e sem natureza corpórea. Corre o mundo com a velocidade da luz, passa de mão em mão e não para em lugar algum. Ele transformou o mundo em gigantesca arena onde a luta é de vida ou morte, e de todos contra todos. Aqueles que, num momento são parceiros amigáveis, no momento seguinte podem ser inimigos ferozes, pois o alvo é sempre o mesmo; a sua posse. Existem muitas pessoas que passam a existência ganhando dinheiro com dinheiro, sem aplicá-los um mínimo que sejas em proveito da sociedade.

Entretanto, como na lenda, o dinheiro foi inspiração divina ao homem primitivo, para que exercitasse o hábito do trabalho, induzindo-o de forma penosa e compulsória, a libertar-se de sua natural indolência, cuja existência se resumia em comer, beber, dormir, procriar e passear pelas florestas. No início da sua evolução, baseado na troca de alimentos e objetos necessários à sobrevivência, satisfazia às pequenas comunidades. Entretanto, com o aumento populacional, tornou-se impossível cobrir as necessidades. Então as pessoas foram inspiradas a criar um outro sistema baseado em escala de valores que, abrangendo do mínimo ao máximo, solucionasse o complexo problema, permitindo ao ser humano adquirir tudo o que quisesse, bastando-lhe conquistar, com seu trabalho, os símbolos de trocas.

Estava a partir desse momento, inventado o dinheiro que, pouco a pouco, foi passando de servo a senhor das pessoas. Assim, bem cedo o ser humano percebeu que todos os bens e prazeres efêmeros da existência material, incluindo o poder e a notoriedade, estariam em suas mãos, dependendo da quantidade de dinheiro que estivesse em seu poder. Para tanto, passou a trabalhar horas excessivas e, muitas das vezes, escravizando-se e também aos seus semelhantes, ou enganando-os.

Conseqüentemente, o dinheiro foi se transformando no maior agente do feroz egoísmo humano, sendo que a Humanidade hoje, divide-se em trabalho-egoísmo e trabalho-altruísmo que ainda congrega a minoria. Entretanto, pela lei divina do progresso, o trabalho-altruísmo irá se sobrepondo até alcançar o grau de sublimação, transformando o ser humano no anjo co-criador.

No momento, temos a impressão de que caminhamos para o caos; o ser humano conduzindo a locomotiva do progresso imprimiu-lhe velocidade semelhante ao trem-bala, e agora, assustado, não sabe como frear a máquina nem até onde irá essa louca corrida; mas Deus nos inspirará a solução. Entretanto, imaginemos que o “Rei Dinheiro” pudesse falar como nas fábulas dos animais, provavelmente nos diria: “Meus queridos súditos ! Meu reino não é eterno, porém, enquanto o vosso progresso moral não se nivelar ao intelectual ou até suplantá-lo, continuarei reinando, absoluto, em vossas almas”.

Quando Jesus falou que era “mais fácil um camelo (corda feita com o couro do animal) passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus”, logo acharam que o dinheiro era maldito... Porém, não há nada de errado com o dinheiro; ele existe nesta vibração inferior (Terra) porque as pessoas tiveram que fixar valores nas coisas. Nada está errado com o dinheiro, como não há com a posse de um carro, de uma casa confortável, de roupas caras ou de férias agradáveis. O que causa problemas para o Espírito, são os apegos exagerados. Os seres humanos ficam tão presos aos bens materiais, ao status ou ao poder, que seu Deus é o material e não o Deus Espiritual. É por isso que o ser humano apegado às coisas materiais, se torna incapaz moralmente de ir em frente e de desenvolver o progresso do seu espírito. Esse apego excessivo às coisas materiais é que leva o ser humano a esquecer o seu Criador.

Sócrates, em sua doutrina, no Item XIV, declara: “A riqueza é um grande perigo. Todo homem que ama a riqueza, não ama nem a si, nem o que está em si, mas a uma coisa que está fora de si”.

A desigualdade das riquezas é um dos problemas que se procura em vão resolver. A questão principal é: - Por que todos os seres humanos não são igualmente ricos? – Uma das razões é: Nem todos eles são igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquiri-lo, nem moderados e previdentes para conservar. – Outra questão é: “Por que Deus dá a pessoas que são incapazes de fazê-la frutificar para o bem de todos ?” – A fortuna é um meio de prová-lo, moral e caridoso, como também é um poderoso meio de ação para o progresso, por isso Deus a desloca incessantemente. A riqueza é sem dúvida, uma prova muito difícil, muito mais perigosa que a pobreza, pelos seus arrastamentos às tentações que provoca e a fascinação que exerce; sendo o excitante maior do orgulho, do egoísmo e da existência sensual, sendo o laço que liga o ser humano à Terra e o afasta do Céu.

Quando Jesus disse ao jovem que o interrogou sobre os meios de ganhar a vida eterna: - “Desfazei-vos de todos os vossos bens terrenos e segui-me”, ele não estabelecia como princípio, que cada um devia se despojar do que possui; mas era para sondar o jovem, para ver o seu apego aos bens terrenos. Se a fortuna vem de família ou a tenha ganho com o trabalho, não devemos jamais esquecer que ela vem e retorna para Deus. Nada nos pertence aqui na Terra, nem mesmo o nosso corpo. Aquele que hoje é rico, já foi ou será pobre, e o que hoje é pobre, já foi rico ou o será em outra existência, pois Deus dá a todos, as mesmas condições.

O ser humano pode transmitir aos seus familiares ou entes queridos, os bens que tem durante a existência terrena, se for da vontade de Deus, que pode, quando quiser, impedir seus descendentes de gozá-lo, o que acontece frequentemente, quando vemos se desmoronaram fortunas que pareciam solidamente estabelecidas. O ser humano só possui o que pode levar deste mundo. O que encontrou ao chegar e o que deixa ao partir, ele foi apenas o usufrutuário durante a sua permanência na Terra, nada lhe pertencendo. O que o ser humano pode então levar da Terra ? – Apenas o mérito das suas boas ações praticadas em benefício dos seus semelhantes, ou o demérito das ações más que praticou durante a sua existência. Isso é o que a sua consciência vai julgá-lo, quando partir da Terra e chegar à Espiritualidade.

Esbanjar a fortuna não é desapego aos bens terrenos, mas negligência e indiferença; o ser humano depositário desses bens, não tem o direito de os dilapidar; a prodigalidade não é generosidade, mas frequentemente, uma forma de egoísmo. O desapego aos bens terrenos consiste em dar à fortuna o seu valor justo, em saber servir-se dela para beneficiar os outros e não só a si mesmo. O ser humano, sendo o depositário, o usufrutuário dos bens que Deus depositou em suas mãos, lhe será pedida severa conta do emprego que deles tiver feito, em virtude do seu livre-arbítrio. O mau emprego consiste em não fazê-los servir senão à satisfação pessoal; ao contrário, o emprego é bom todas as vezes que dele resulta um bem qualquer para outros.

Jesus ao nos advertir sobre o perigo da avareza, conta a parábola: “Havia um homem rico cujas terras tinham produzido muito; e ele tinha em si mesmo estes pensamentos: Que farei, porque não tenho onde guardar tudo o que colhi? Ele então disse: Derrubarei meus celeiros e os construirei maiores e aí colocarei toda minha colheita e direi à minha alma: Minha alma, tu tens muitos bens reservados para muitos anos; repousa, come bebe, ostenta. Mas Deus disse a esse homem: Insensato! Esta noite será retomada tua alma; e para quem será o que amontoaste? – É isso o que acontece àquele que amontoa tesouros para si mesmo, e que não é rico diante de Deus”. (Lucas, cap.XII vs. 13 a 21)


Quando consideramos a brevidade da existência, ficamos impressionados pela preocupação da qual o bem-estar material é o objeto a ser alcançado, enquanto tão pouco ou nenhum tempo dedicamos ao nosso aperfeiçoamento moral que deve ser contado para toda a nossa eternidade.



Que o Pai Celestial nos dê o entendimento para separar o que é da Terra e do Céu.





Bibliografia:
Livro “Alvorada Cristã”
“ “A Historia do Dinheiro”
“ “Novo Testamento”
“ “O Evangelho Segundo o Espiritismo”



Jc.
S.Luis, 10/07/2008

OS TEMPLOS DE ADORAÇÃO

OS TEMPLOS DE ADORAÇÃO

Os estudos antropológicos afirmam que as sociedades mais primitivas, já desenvolviam o culto de adoração às divindades. Inicialmente, os elementos da Natureza foram divinizados; mais tarde, tomando o efeito pela causa, os seres humanos elevaram os mensageiros espirituais ao grau de deuses... Depois, passaram a edificar templos para adorar as forças superiores, os diversos deuses. Templo é uma denominação genérica dada a qualquer estrutura arquitetônica, destinada ao culto de um ou mais deuses.

A princípio, os seres humanos dirigiam suas orações aos deuses, do cimo das altas montanhas, isto quando não procuravam o recolhimento nos bosques e florestas. Os templos datam da época em que alguns sítios destinados ao culto religioso, passaram a ser protegidos por muros, ficando a parte de cima descoberta, a fim de que pudessem, do seu interior, divisar os céus.

Os primeiros templos surgiram na Mesopotâmia, por volta do quinto milênio antes de Cristo. Os templos mesopotâneos, pequenos e em forma de círculo, construídos com tijolos secos ao sol, eram bastante simples, com a abertura de acesso, e ao fundo, uma parede lisa e nela a estátua do deus a cujo culto era o templo dedicado. No terceiro milênio a/C, eles evoluíram para um formato quadrado, adquirindo mais tarde, a configuração retangular. No Egito, na época da 4ª dinastia, eram comuns os templos em forma de pirâmide. Nos templos gregos, cuja arquitetura influenciou a romana, destacavam-se as colunas, que sustentavam o frontão com os encaixes esculpidos, que mais tarde iriam circundar todo o templo. Esse tipo de templo se expandiu por todo o antigo Oriente Médio, influenciando até o Egito, durante o período do Novo Império.

E foi assim que no Oriente, os templos se multiplicaram; no Egito, as pirâmides e túmulos foram edificados; a Acrópole, na Grécia, berço da cultura ocidental, criaram-se muitos santuários. O templo grego era diferente, construído de forma retangular, ocupando o topo de uma base de três degraus. Os mais famosos e antigos templos helênicos foram: O de Diana, em Éfeso; de Apolo, em Mileto; de Júpiter, em Atenas; de Ceres, em Elêusis. Delfos resplandecia com o oráculo erigido em homenagem a Apolo. Já os romanos davam nome de templo às estruturas religiosas fundadas pelos reis e imperadores. Roma era cheia de deuses de pedra, importados da tradição helênica, inclusive, eram construídos altares nas casas das famílias nobres romanas.

Os templos budistas denominavam-se “estupa” na Índia, e “pagode” na Birmânia, contendo algumas relíquias de Buda. Pagodes são também os templos da China e do Japão, que são construídos de madeira. Muitos templos hindus, tibetanos e chineses foram construídos nas rochas, sendo o mais célebre deles o de Ajanta, na Índia.

Os templos maias, incas e astecas, na América, foram construídos de tijolos e madeira, muito similares aos templos do Egito. Somente os silvícolas não possuíam templos, pois adoravam a Natureza, por meio dos totem que representavam animais, plantas e objetos, considerando os antepassados, e por esse motivo, venerados por eles.

Na Judéia, no monte Moriá, os israelitas, representando a idéia monoteísta, fundaram o grande e famoso templo de Jerusalém, idealizado por Davi e construído por seu filho Salomão, que representava toda a grandeza daquele povo. A sua construção levou 3 anos, de 1006 a 1003 a/C.; foi destruído pelos caldeus, em 587 a/C.; reconstruído por Zorobabel, no tempo de Ciro; danificado por Pompeu em 63 a/C. e, reparado por Herodes, o Grande. O templo era constituído de dois retângulos concêntricos, separados por enormes pátios dos gentios. A porta central, no primeiro retângulo, tinha três entradas e várias colunas de mármore. Dessas colunas desciam cortinas azuis, brancas, vermelhas e roxas, simbolizando os quatro elementos da Natureza: ar, água, fogo e terra.

Nos vários pátios, ecoavam as orações ao grande Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó. No ano de 1.118 foi criada em Jerusalém, uma ordem militar e religiosa denominada “Os Templários” com a finalidade de proteger a cidade, o templo e os peregrinos. Por decisão do papa, essa ordem foi declarada extinta em 1.312, dando origem aos maçons, que não se conformaram com a extinção da ordem. Nesse templo majestoso, no pátio dos gentios, Jesus proclamou muitos ensinamentos. Certa ocasião em que Jesus tendo saído do templo, ia-se retirando quando se aproximaram dele os seus apóstolos para lhe mostrar as construções do templo. Ele, porém, lhes disse: “Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada”. Nos anos 70 d/C, conforme Jesus previra, o templo majestoso de Jerusalém, construído pelo rei Salomão, foi completamente destruído, restando apenas um muro que é denominado de “muro das lamentações”, onde os judeus atualmente fazem as suas orações.


A história registra que todos esses templos mundialmente conhecidos, foram ou estão sendo corroídos e consumidos pelo passar dos tempos... Dos oráculos e santuários gregos, restaram apenas as ruínas; nas terras dos faraós, os mausoléus, pirâmides e esfinge, aos poucos vão sendo destruídos pelo tempo. Todos os templos e construções de pedra são perecíveis, pois que estão sujeitos à modificações e as transformações da matéria.

Os grandes sistemas religiosos de formação mais recente, também possuem os seus templos chamados de: Basílicas, igrejas e capelas, onde antigamente também funcionavam como cemitérios de reis, fidalgos e religiosos pertencentes ao Catolicismo; templos, no Protestantismo; mesquitas, no Islamismo e finalmente, Centro Espírita, na Doutrina dos Espíritos, sem o aparato e o luxo das construções arquitetônicas grandiosas.

O Espírito mais perfeito que Deus enviou à Terra para nos servir de guia e modelo, Jesus, no seu diálogo inesquecível com a mulher samaritana, no poço de Jacó, ensinou que “Deus é Espírito, e importa que o adoremos em Espírito e Verdade”, e nos informou existir outro templo mais valioso e imperecível. Jesus fazia do seu corpo um verdadeiro templo de adoração a Deus; seu santuário era a própria Natureza, reveladora da presença divina; seu altar, a própria consciência que se elevava, em qualquer hora e lugar, para a comunhão com o Senhor do Universo, através da oração. O templo verdadeiro é o que existe em nós mesmos e também o da Natureza cheia de esplendor que nos cerca.

Vivendo numa época caracterizada por dogmas e crendices, Jesus freqüentou as sinagogas e o majestoso templo do monte Moriá (Jerusalém), sem apegar-se às fórmulas e normas vigentes. Interessava-se pelas almas e precisava ir onde o povo se reunia, a fim de pregar a sua mensagem, dando destaque a essência dos ensinos, aproveitando o espaço físico destinado às atividades espirituais, dando preferência a lugares onde a natureza lhe permitisse maior assistência aos necessitados.

Hoje, vinte séculos depois, ainda são construídos templos suntuosos para orgulho e admiração de muitos, onde Jesus ainda é representado por imagens de barro, estátuas de madeira ou bronze, em altares luxuosamente ornamentados, em contraste com a simplicidade dos montes e das cidades onde Jesus fazia suas pregações. Erguem-se também templos magníficos para impressionar as pessoas, onde é lida a Bíblia, sem maiores preocupações com a fraternidade e a caridade exemplificadas por Jesus; também são feitas construções modestas, núcleos espíritas, com simplicidade, para o estudo das lições contidas no Evangelho de Jesus e na Doutrina dos Espíritos, o Consolador prometido por Jesus, para restaurar o Cristianismo primitivo. Sendo uma religião do Espírito, dispensa toda e qualquer prática exterior de adoração, todo e qualquer simbolismo, desenvolvendo, através do estudo doutrinário, da fé raciocinada, a prática da fraternidade, pela caridade e pelo amor ao próximo.

Vários são os rituais praticados nesses templos. Ritual é formado de um conjunto de regras; ações relacionadas às religiões e ao misticismo, que podem ser realizadas individualmente ou em conjunto. O ritual também é chamado de simbolismo, destinado a lembrar fatos, crenças ou mitos de fé, como também de cerimonial, quando há necessidade de vestimentas e outros aparatos que são utilizados em casamentos, formaturas, velórios, etc.

O ritual é considerado psíquico quando pretende interferir ou modificar o estado físico. É usado para acionar ou bloquear as energias e/ou forças sobrenaturais (espirituais). Nesse ritual são usados certos elementos, como: Orações, destinadas a pedir e agradecer a Deus, as bênçãos recebidas; palavras, que têm poder e força e, por isso, devem ser usadas cautelosamente; mãos, que Jesus usava, impondo sobre as pessoas, liberando as energias que curavam, e que devem ser usadas de acordo com as necessidades; e ainda, outras utilidades como, incenso, imagens, roupas, bebidas, charutos, etc.

São também usados alguns instrumentos (objetos) que servem de auxílio, como: Livros, que contêm as orientações, os ensinos e as ordenações; água que é usada ainda para o batismo; taças, que servem para colocar água ou vinho; sal, que serve para limpar o ambiente e dar proteção; velas, que representam o ato de vigília, usada também como luz que protege da escuridão.

De todos esses instrumentos, a Doutrina dos Espíritos adota a oração (prece), que é feita para agradecer e pedir benefícios para todos os que estão necessitados do amparo espiritual; os livros, que nos trazem os conhecimentos para que possamos fazer através das boas ações, a nossa evolução; as palavras, usadas nas palestras para transmitir aos outros os ensinos do Evangelho; as mãos, usadas para transmissão de energias aos necessitados, através do passe; água, que é o veículo mais receptivo às energias espirituais, que fluidificada pela oração, pode trazer benefícios a quem necessita, e, segundo o merecimento da pessoa, a cura das suas enfermidades.

Se, queremos seguir os ensinos de Jesus devemos nos concentrar no estudo e na vivência do aspecto doutrinário, a fim de contribuir para o esclarecimento e o entendimento do que seja o Evangelho de Jesus e a Doutrina dos Espíritos; quais as responsabilidades do Centro Espírita e de seus integrantes. Que estas palavras possam chegar ao seu coração, despertando-lhe para a necessidade e responsabilidade do serviço evangélico, a fim de que possa reconhecer que, se há almas enfermas tentando contra a obra do Senhor, aproveitando as fraquezas humanas, também existem muitos benfeitores espirituais que apóiam, protegem e incentivam todo aquele que coopera de maneira honesta e verdadeira, sem lhe tirar a oportunidade, o mérito do aprendizado e seu testemunho.

Pratiquemos a vigilância, a oração, o estudo e o trabalho, guardando a certeza de que: - o que quer que venha a nos acontecer, fruto da nossa boa ou má atuação, será sempre a colheita do que houvermos praticado, além de comparecermos ao tribunal da própria consciência, convertida em juiz das leis divinas, na prestação de contas dos nossos atos praticados na presente existência.


Que o Senhor nos dê o entendimento e a força necessária para seguirmos o bom caminho ensinado por Jesus.



Bibliografia:
“Novo Testamento”
Livro “O Redentor”


Jc.
S.Luis, 10/03/2009