domingo, 11 de julho de 2010

O ESPIRITISMO E A REENCARNAÇÃO

O ESPIRITISMO E A REENCARNAÇÃO

Jesus afirmou e provou a existência da reencarnação, e em seu Evangelho de luz, deu esse testemunho. O Pai Celestial mostra-nos a Sua misericórdia, manifestada na benção do recomeço (reencarnação), facilitando à sua criatura, a possibilidade de se corrigir e de refazer a sua trajetória, como que a dizer: “Filho, você errou muito, infelicitou, fez sofrer, faltou com a Lei do Amor. Você não vai ser condenado ao sofrimento eterno. Volte, matricule-se novamente na escola da Terra, mergulhando no corpo físico, reencarne, e vá fazer sorrir, quem você fez chorar; vá abraçar o filho que você num momento de desventura, abandonou; vá fazer a felicidade a quem você infelicitou...”

A reencarnação na Terra vem aumentando sempre de maneira que no tempo de Allan Kardec, lá pelos anos de 1850, havia encarnado na Terra o primeiro bilhão de habitantes. Em 1960, um século depois, a população dobrou para dois bilhões e meio de pessoas, e até o ano 2000, chegamos aos seis bilhões de criaturas. Segundo Emmanuel, a população terrestre está em torno de 20 bilhões de almas, sendo sete bilhões aqui na Terra e treze bilhões na espiritualidade terrestre.

A população do mundo está aumentando porque os recursos tecnológicos melhoraram, fazendo permanecer na Terra por um período maior, as portas de entrada para a reencarnação, que são as mulheres. Sem elas não haveria nascimento. Na Idade Média da civilização, o tempo de vida de uma pessoa era de 27 anos. Em 2000, essa idade aumentou para 60 anos, e hoje, a média de vida das pessoas passou para 70 anos e há alguns heróis que já estão com 80, 90 e 100 anos. Os recursos da medicina para receber o espírito reencarnante são fantásticos: Ginecologistas, Obstetras, Anestesistas, Pediatras, Neonatais, etc., assistindo as reencarnações.

O espírito vem a Terra com três objetivos: Aprender, mudar e crescer. Quanto mais ele aprende mais ele modifica sua moralidade e cresce em conhecimentos, que são os estágios do processo evolutivo. Para saber como funciona a Lei de Deus, Allan Kardec perguntou aos Espíritos Superiores, o que era o Bem. Ora, com nosso conhecimento podemos responder: “O Bem é aquilo que faz bem”. A nossa resposta aparentemente certa, está errada, porque um estuprador se sente bem, estuprando sua vítima. Os Espíritos Superiores então respondem: “O Bem é tudo aquilo que está conforme as Leis de Deus”. – Kardec fez outra pergunta: “E o que é o mal?” Os Espíritos responderam: “O mal é tudo o que está contrário as Leis de Deus”. Kardec fez então a terceira pergunta: “Onde está a Lei de Deus?” Os tratados, os códigos e as leis dos homens estão nos livros, nos fóruns... Os Espíritos responderam: “Na consciência”.

Ninguém veio à Terra para sofrer; vem para aprender, mudar, crescer e progredir espiritualmente. O espírito reencarnante, carrega consigo as próprias aquisições, fruto do trabalho de séculos incontáveis, apresentando também as condições de maior responsável pelo encadeamento ajustável e
harmônico do mecanismo evolutivo – seu corpo físico. Cada espírito é o construtor de sua própria vestimenta física, de acordo com o que possui de evolução, e o que necessita para progredir.

Como nosso destino depende de nós mesmos, se sofremos estamos apenas colhendo o que plantamos, e, se não queremos agravar nossos compromissos futuros, devemos evitar o egoísmo e cumprir a Lei de Deus, que é a lei do Amor. Qualquer idéia fixa que emitimos cria formas-pensamentos que passam a conviver conosco e que, com freqüência, nos escravizam e nos prejudicam pela intensidade de que estão constituídas. Constantemente, passamos o dia fixados em idéias ou lembranças que nos aborrecem, como: comida, sexo, dinheiro, melhor posição social, posse, poder. Cada um desses desejos nos leva a um processo de auto-obsessão, pela idéia que se fixa em nossa mente. Além disso, muitos de nós não nos damos conta de pequenos desvios de comportamento, como: respostas mal-educadas, disse-me-disse sobre as outras pessoas, uma fofoca que passamos adiante ou uma piada maldosa ou maliciosa.

No final do dia, acumulamos um lixo mental denso, que desestabiliza a sintonia
entre nosso corpo físico e nosso corpo espiritual. No dia seguinte, levantamos com o corpo quebrado, sem saber porque, e passamos a reclamar: “Hoje estou arrasado”, “Parece que estou carregando o mundo nas minhas costas”, “Parece que tudo está errado comigo”. Tudo isso acontece porque nossa mente ficou carregada de lixo no dia anterior. Permitimos que o disse-me-disse, o mal e a licenciosidade tomassem conta dos nossos pensamentos; e para cada uma destas atitudes, teremos que pagar um preço. Para eliminar essa situação temos que manter o bom ânimo, a boa-vontade e nos envolver com as tarefas voltadas para o bem. Nós somos livres para fazermos o que quisermos; o que nos escraviza são as conseqüências de nossos pensamentos e atos.

Kardec questiona os Espíritos na pergunta 919: “Qual é o meio prático, o mais eficaz, de se melhorar na vida e resistir ao arrastamento do mal?” Os Espíritos respondem: “Conhece-te a ti mesmo”. – Só que não queremos refletir, não queremos ter aquela postura de pensar e analisar um pouco sobre os nossos pensamentos e ações. Reagimos ainda muito irracionalmente no terreno das emoções, assim como na comunicação e entendimento com nossos familiares dentro de casa e com os outros nos demais lugares. A postura correta e prudente do ser humano deve ser de compreensão e tolerância para com todos. Quem somos nós para nos julgar melhor ou julgar os outros? Jesus que era isento de mácula, condenou a adúltera ou a perdoou?

Reencarnar significa uma benção de Deus, cujo objetivo é a evolução, para a reconstrução da felicidade interior. A Doutrina dos Espíritos propicia na Terra, uma tecnologia de conhecimentos para melhorar a qualidade da existência das pessoas. Se alguém aceita a doutrina e é triste, deprimido e não se modifica, alguma coisa está errada, porque ser triste e permanecer sem mudanças é próprio de espírito inferior, ainda atrasado. Pode acontecer de se
estar no Espiritismo e ele não estar em nós. O Espiritismo é um farol que ilumina, fazendo-nos saber e sentir a eternidade dentro de nós, nos dando a entender que não importa o que temos, mas sim, o que somos.

A Doutrina dos Espíritos completa-se na pessoa, quando ela leva o conhecimento na direção da sua mudança interior. Neste momento crucial, histórico, do 3º Milênio da Humanidade, o nosso auto-aprimoramento é a grande necessidade que devemos levar adiante; principalmente porque vivemos no plano espiritual, cerca de três vezes mais do que o tempo médio que vivemos na Terra. Considerando a média atual de vida em 70 anos, levamos de 210 a 220 anos para voltar a reencarnar. Alguns espíritos, pela condição evolutiva ou por necessidade de maior estágio de aprendizagem e preparação, levam mais tempo, enquanto outros levam menos tempo.

Com toda essa dificuldade para reencarnar e sabendo que existem bilhões esperando uma oportunidade, ainda há pessoas tentando o suicídio, pensando que vão se livrar do que estão passando. Não imaginam que a intensidade do que estão passando vai aumentar muito mais com o agravamento da infração a Lei de Deus. Há ainda o caso de paises populosos como a China e a Índia, cujas populações já atingiram mais de um bilhão de habitantes, e por causa disso, o aborto, é imposto pelo governo. As chinesas só podem ter um filho. Se houver outra gravidez é realizado o aborto, sem perdão; razão porque na China são feitos 3 mil abortos por dia. Ainda tem mais; há cerca de vinte anos, todas as crianças de sexo feminino, são automaticamente mortas para que não venham a aumentar a população. Com tudo isso, muitos dos que estão na Terra, não aproveitam a existência para evoluir...

A idéia de reencarnação assim como tantas outras do Espiritismo, são idéias que pertencem ao acervo cultural da humanidade. Mas as formas de se analisar são muito diferentes, dependendo da cultura dos povos. Os budistas são reencarnacionistas, mas a idéia é bastante diferente entre um budista e um espírita. Hoje em dia, a literatura especializada espírita, conta com um número grande de registros de casos de recordações de existências passadas. Três obras são significativas: “Reencarnação no Brasil” de Hernani G. Andrade, “Vinte casos sugestivos de reencarnação”, de Ian Stevenson, e “Reencarnação” de Banerjee. A reencarnação projeta e objetiva o espírito na existência, e tem outras finalidades, entre elas a de esquecer o passado.

Nós vivemos, no decorrer das existências, muitas personalidades, e, se tivéssemos recordação de todas elas, sem controle, correríamos o risco de nos deixar influenciar por aquilo que já fomos. Nós não suportaríamos ser ao mesmo tempo, tantas personalidades diferentes. Se assim não fosse, seríamos iguais a uma pilha que acumulada energia acima de sua capacidade, estouraria. Até porque, sendo a nossa vida evolutiva, a recordação do passado poderia nos envolver em existências em que fomos vítimas e outras vezes algozes dos nossos atuais familiares. Não precisamos saber do nosso passado, porquanto a nossa existência presente, já nos mostra o nosso estágio evolutivo.
Muito mais importante do que saber o passado, é viver as possibilidades que o presente nos abre para o nosso futuro... Se observarmos a nossa jornada, do nascimento à juventude, da maturidade à velhice, vamos perceber claramente uma situação semelhante. Algumas pessoas passam á existência e mal se dão conta dela, tão singela é a contribuição com que marcaram á existência terrena e pouco crescimento pessoal puderam fazer. Esse é o grande perigo: passar uma existência sem construir qualquer coisa útil, ou lembrança agradável.

Para ilustrar o que acabamos de comentar, vamos nos transportar até o Nepal, onde existem montanhas altas que dificultam o transporte de alimentos de um povoado para outro. Nessa região, vivem pessoas de baixo nível social que nascem, vivem e morrem, simplesmente percorrendo trilhas, carregando em suas costas os alimentos que levam de um lugar para o outro. Comportam-se como animais de carga, quando na verdade são seres humanos fadados ao progresso. Passam eles a existência inteira, de pai para filho apenas nessa atividade. E nós como estamos vivendo? Vamos também fazer parte de um grupo sem mudanças, sem progresso, sem contribuição, sem perspectivas para o nosso futuro, e sem deixar nada que marque a nossa passagem na Terra?

A trajetória que percorremos até agora, foi muito longa e devemos aproveitar a chance de recomeçar, batalhar e vencer cada etapa a que estamos compromissados. Sabemos por André Luis, que poucos são os seres humanos que conseguem realizar o compromisso de trabalho que tinham se proposto a realizar, antes da reencarnação. Ainda estamos mais próximo do estágio de comprometimento do que de engrandecimento. Temos certeza de que, com boa-vontade vamos um dia atingir um ponto de perfeição, a que o Divino Mestre Amado nos convida. Reconhecemos as dificuldades, porém, se temos que chegar a esse objetivo por que não nos decidimos logo pela jornada evolutiva, poupando sacrifícios e sofrimentos futuro?

Para a Espiritualidade Maior, não há ninguém desamparado ou rejeitado. As doenças, os defeitos, as situações graves como o retardo mental, seguem os critérios e escolhas nossas ou dos nossos protetores espirituais, conforme o mérito e a necessidade de cada pessoa. Humberto de Campos, através de Chico Xavier, escreveu uma crônica, em que ele apresenta uma lista de dados relacionados com nossos débitos e créditos. Diz ele que, muitas são as hortaliças, as frutas, os cereais e os animais que têm de ser sacrificados para dar sustentação a cada um de nós, que representam os débitos. Para a grande maioria, entretanto, a caridade sem ostentação, a benevolência e o amor aos semelhantes é muito pequena, com poucas anotações de créditos. Não nos damos conta do que os outros seres estão fazendo por nós, e mal percebemos as oportunidades que perdemos de aumentar nossos créditos, retribuindo o muito que recebemos.

Quando Allan Kardec pergunta aos Espíritos Superiores, se a pobreza e a miséria do mundo têm a ver com as Leis de Deus, a resposta vem esclarecedora: “Não! Isso é um crime do egoísmo humano”. É o egoísmo de
muitas pessoas em existências passadas, não repartindo o seu pão ou não ajudando o seu semelhante, que faz com que existam no mundo, muitos miseráveis passando pelas mesmas situações daqueles a quem deveriam ter amparado e não o fizeram. O objetivo das Leis de Deus, não é punir o ser humano, mas sim educá-lo, melhorá-lo, divinizá-lo. As leis que punem são as humanas. Se, sofremos, não é porque a Lei Divina impôs o sofrimento. É porque nós mesmos no caminho da evolução nos desviamos do processo correto da ascensão. Existe uma frase elucidativa em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, que diz: “O ser humano é o próprio réu e juiz de sua causa; o tribunal é a consciência...”

Possuindo o ser humano (espírito encarnado) muitas existências terrenas, fica mais fácil compreender a Justiça Divina. Porque existem ricos e pobres de bens materiais, opressores e oprimidos, pessoas sadias e outras doentes. Quem promove o sofrimento em uma existência, volta para recebê-lo e resgatá-lo. Mesmo assim, muitas pessoas afirmam não acreditar em reencarnação porque não se lembram de suas existências passadas. Tal esquecimento, na verdade, é parcial e perdura apenas durante a existência, evitando que recordações do nosso passado nos crie graves dificuldades. Imaginemos se tivéssemos a recordação dos nossos erros e maldades; de que tal parente nos prejudicou; de que ocupamos posição de autoridade e não fizemos justiça e perseguimos nossos familiares? Certamente que os conhecimentos desses fatos só traria prejuízos ao nosso relacionamento e nossa existência atual.

Finalizando, recordo as palavras de Jesus, respondendo a Nicodemos: “Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer de novo”. Os apóstolos, respondendo a uma indagação de Jesus, lhe afirmam: “Dizem que tu és João Batista, Elias, Jeremias ou um dos profetas que voltou”. (Mateus C-16 v.14) Ora, tanto Elias como Jeremias haviam morrido em idade avançada, enquanto Jesus era um jovem e de pais conhecidos. Se Elias ou Jeremias devessem voltar à Terra, só poderia fazê-lo pela reencarnação e não de outra maneira, pois um corpo sepultado e desintegrado pelo tempo, não seria possível, atesta a Ciência. Entre os hebreus a reencarnação constituía crença comum, designada como ressurreição; por isso os apóstolos responderam a Jesus daquela maneira. Na busca do aperfeiçoamento e do Reino de Deus, existe uma necessidade: a reencarnação; existe uma exigência: a pureza de sentimento. Por isso Jesus disse também: “Bem-aventurados serão os puros de coração, porque verão a Deus”.

Bibliografia:
Livro “O Espiritismo
“ “A Reencarnação e a Ciência”
“ “Evangelho de Jesus”
“ “Evangelho Segundo o Espiritismo”

Jc.
03/01/2005