sábado, 7 de julho de 2012

A C A R I D A D E

A CARIDADE Na era antes do Cristo, os povos não conheciam o significado da palavra Caridade. Utilizavam o termo “esmola” para definir a doação de algum bem material a outra pessoa. Existia entre os hebreus, um código moral recebido por Moysés, chamado “Decálogo” ou “Dez Mandamentos”, que determinava o “Amor a Deus sobre todas as coisas”, e outras leis menores que regulavam as relações entre as pessoas, isto porque, os povos daquela época, eram primitivos demais e não estavam preparados para melhores e elevados conhecimentos. Com o advento de Jesus, o auxílio proporcionado por Ele, às outras pessoas, tomou o nome de Caridade, e passou a ser definida como uma forma de amor ao próximo; não mais como simples esmola. Esmola, filantropia e Caridade são três coisas distintas. A esmola é uma doação material, geralmente passageira, sem compromisso com as causas que levaram a criatura a esmolar. Já a filantropia, que está associada a um processo de doação, auxilia a pessoa a alcançar um outro nível da sua situação de miséria. Portanto, esmola é pura doação; filantropia é promoção, maneira de melhorar o ser humano. A Caridade é mais de ordem espiritual. Pode ela valer-se de situações materiais como a esmola ou a filantropia. A Caridade é benevolência., é indulgência e perdão; é um conjunto de sentimentos que brotam do íntimo, irradiando e envolvendo as pessoas e seres, objeto da ação. Par dar esmola ou fazer filantropia, necessitamos de recursos materiais. Para fazer a Caridade necessitamos abrir nossa alma e permitir que nosso sentimento atue efetivamente em favor do próximo. Por esse motivo, a Doutrina dos Espíritos coloca a Caridade como condição essencial para nos aproximar de Deus. Jesus serviu-se da Caridade para nos ensinar como proceder para com nossos irmãos, por muito nos amar. O que compreendemos como Caridade? – Ajudar, acolher, abrigar, compartilhar, criar condições de melhoria, oferecer o ombro amigo, trabalho, dinheiro? - É certo que qualquer dessas atitudes poderá ser vista como Caridade, mas o quer torna cada uma dessas ações uma atitude de Caridade? – Não basta apenas a ação; ela terá que ser acompanhada da doação do nosso sentimento, do envolvimento com o outro. Não basta dar, ou mesmo, criar uma obra filantrópica; é preciso dar-se, se doar, como espírito que somos na caminhada evolutiva. Também, para fazer Caridade, como para tudo em nossa existência, não basta apenas ter boa-vontade, tempo ou dinheiro. É preciso a abnegação e o sentimento fraterno daquele que pratica a ação caridosa. Se houver necessidade de ser mantida por longo tempo, seremos capazes de realizá-la? Quantos de nós teremos de investir no trabalho de ajuda, sem deixar de nos envolver com o nosso trabalho renumerado e com a nossa família? Essa nossa ação em benefício do próximo, está amparada no sentimento de servir, ou será apenas um impulso momentâneo? Não será apenas para que os outros tenham conhecimento da nossa “bondade”? – Nunca esqueçamos de que, apenas amando e auxiliando desinteressadamente o nosso próximo, é que seremos felizes na nossa ascensão para Deus. Historicamente, a prática da Caridade, é usada no interesse da acomodação social, isto é, leva os ricos a minorar o sofrimento dos pobres, para que estes, não se rebelem contra as injustiças que lhes são impostas, enquanto os ricos, aplacam suas consciências, na acomodação de se sentirem aprovados pelo padrão ético vigente. Era assim no passado, assim continua até hoje. Nas épocas de calamidade pública, surgem essas atitudes até nas classes governantes; mobilizam-se a sociedade para fornecer alimentos, remédios, roupas, etc., a uma população de trabalhadores, sem trabalho. Precisam eles de esmolas ou de uma infra-estrutura social que lhes possibilitem terra e trabalho para viverem com dignidade? Nessa paisagem sócio-econômica, às vezes mascarada de cristã, a Caridade adquire o caráter de doação material. Eis porque até hoje as idéias de Caridade e esmola que é uma doação descompromissada e sempre humilhante das sobras dos que têm fartura. Peca a doutrina religiosa que estimula a “boa ação”, por nunca ter ensinado a necessidade de justiça social, de forma que todas as classes sociais tivessem com que sobreviver e a esmola não ser necessária. Jesus ao dizer: “Não saiba a mão esquerda o que dá a mão direita”, significa que não devemos ficar murmurando arrependidos, sobre o bem que tivéssemos feito ao nosso semelhante. Sobre esta recomendação, lembramos do caso relatado por Machado de Assis, a respeito de um rico comerciante e um modesto camponês, na Rússia. “Seguia a cavalo o rico comerciante, quando de repente o cavalo disparou a correr. Nada detinha o seu galope e o comerciante pensou que ia morrer. Se caísse, a sua cabeça bateria nas pedras e a morte viria a seguir... Eis então que surge um camponês que, corajosamente arriscando sua vida, se coloca a frente do animal, segura-o pelo cabresto e o faz parar de correr. Foi um milagre! – O comerciante agradecido, retira da carteira uma nota de mil rubros, passando-a ao camponês. – O coitado quase caiu de susto, pois nunca vira uma nota daquele valor! – Em seguida saiu pulando feliz, no rumo da choupana a mostrar para a mulher e o filho, a dádiva recebida. Mil rubros, uma fortuna! – “O comerciante ao vê-lo partir feliz, começou a pensar sobre a doação: Acho que dei dinheiro demais... mil rubros? Por que não 500? Ou mesmo 200? – Talvez o pobre infeliz ficasse contente com 100 ou até menos. Quem sabe com 10 rubros... afinal ele ganha por dia 5 rubros. Acho que dei dinheiro demais, por pouca coisa e foi embora arrependido. Isso costuma acontecer com todos nós. Na hora do entusiasmo, nós damos generosamente. Depois nos arrependemos e começamos a sofrer. Um outro exemplo aconteceu com um rapaz que nunca era convidado para ser padrinho. Ele já estava ficando complexado. Todos eram convidados menos ele. Será que eu não sirvo para ser padrinho? – Um dia ele foi convidado e ficou muito feliz. Tão feliz que logo prometeu ao noivo dar uma geladeira de presente. Uma geladeira na época era um presente muito caro. Então ele se arrependeu, mas como tinha prometido teve que cumprir a promessa... e tome sofrimento. Muitas pessoas acreditam que quem dá aos pobres empresta para Deus; mas costumam querer saber o que o beneficiado vai fazer com a doação. Por exemplo: Um pedinte pede um real para comprar pão. Certas pessoas atendem ao pedido, mas logo advertem: “Olhe lá, estou dando para você comprar pão; não vá gastar com outra coisa, ouviu?” Outro exemplo diz respeito a um mecânico que também era médium. Ele era um bom operário e tinha uma boa assistência espiritual. Como sempre acontece com médiuns assim, nasce logo a adoração e surgem as pessoas interessadas nos favores dos mentores espirituais, que envolvem o médium, o bajulam, o elogiam, o presenteiam e acabam se tornando donos dele. Querem utilizá-lo a qualquer hora, para resolverem seus problemas. Com isso vai-se a disciplina na assistência mediúnica e na profissão que lhe garante o sustento da família, que fica sacrificada. Os seus assistidos, para tê-lo permanentemente à disposição, lhe sugerem deixar a profissão de mecânico, que eles lhe garantem um salário. E assim foi feito, e cada um dos favorecidos ajudava com uma parcela do salário ajustado. No princípio funcionou. Porém, com o passar do tempo, cada um foi deixando de contribuir, e o mecânico sem a ajuda e sem o trabalho que perdeu, logo as dificuldades aparecerem; o aluguel atrasou, a comida faltou, a luz foi cortada e as necessidades se instalaram. Ele passou então a cobrar pelos serviços mediúnicos, em desacordo com as recomendações de Jesus que disse: “Daí de graça o que de graça recebeis”, e em pouco tempo ele é abandonado pelos seus guias espirituais e a desmoralização se apresenta. Os próprios assistidos de outrora que tanto o bajulavam, são os primeiros a falar mal dele abertamente. A obsessão se instala e o sofrimento se faz presente, pelo indevido uso dos dons divinos... causados pela imprevidência. Pessoas há que dão uma oferta à Igreja, uma contribuição a uma instituição beneficente e tratam logo de fazer uma “fezinha” nas loterias, pensando que vão ter a recompensa divina, ganhando o primeiro prêmio. Outras pessoas usufruem dos bens terrenos com que foram beneficiados sem se importarem com as necessidades dos outros, que são seus irmãos, e só se lembram de doar alguma coisa, na hora em que estão próximos da morte, quando não podem mais se servir da fortuna. Fazem então um testamento deixado um tanto para o Asilo, outro tanto para o Orfanato, para a APAE e outras entidades... e fazem isso porque não podem levar consigo os bens materiais. Na primeira Epístola aos Coríntios, Paulo nos dá preciosos ensinamentos ao dizer: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos Anjos, ainda que eu tivesse o dom da profecia e conhecesse todos os mistérios, toda a Ciência, e tivesse toda a fé, até o ponto de transportar montes, se eu não tiver Caridade, eu não sou nada.” A Lei nº 5063, instituiu o DIA DA CARIDADE, a ser comemorado anualmente no dia 19 de julho, com o objetivo de difundir e incentivar todos, à prática da solidariedade entre os brasileiros e os demais povos aqui domiciliados. O dia 19 de julho, representa o reconhecimento oficial da sublimidade contida nos ensinamentos de Jesus, e se constitui um marco de uma nova era de entendimento e de boa vontade entre as pessoas. Estabelece o texto da lei: Art.2º “A organização ficará a cargo do Ministério da Saúde, Educação e Cultura, constando obrigatoriamente de visitas a hospitais, casas de misericórdia, asilos, orfanatos, creches, presídios, e os demais lugares onde a necessidade e a dor se façam presente.” Essa lei porventura está sendo cumprida? Eu que fui dirigente de uma entidade beneficente por três anos, nunca recebemos uma visita referente ao cumprimento dessa lei. É bem verdade que a Caridade não se tornará num passe de mágica, uma instituição nacional, só porque o Governo Federal estabeleceu mais um “dia” no calendário das datas comemorativas do país. Percebe-se isso, ao ver que a humanidade não se tornou mais fraterna por sido designado o dia 1º de janeiro, como o dia consagrado à Confraternização Mundial. É vigorosa no Evangelho, a idéia de que os bens da Terra devem ser regidos pela”boa vontade entre as pessoas”. Não são condenadas as riquezas como recursos da existência na Terra, mas sim, o egoísmo e a usura com que os ricos fazem dela. Não faz parte da essência cristã, a doação pura e simples da doação para aplacar a fome, continuando o rico mais rico e o pobre mais miserável, com todo o cortejo de carências. Os espíritas têm um movimento de anos de ação filantrópica e o fazem de forma espontânea, séria e cristã, é afirmação do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, idealizador da campanha “Ação pela Cidadania e pela Vida”. A grande legenda espírita “Fora da Caridade não há salvação”, penetrou nos corações dos espíritas, motivo pelo qual a caridade cristã, sobretudo a assistência social, teve seu ponto alto aqui no Brasil, com a disseminação da Doutrina dos Espíritos, que começou no século passado, com a assistência aos necessitados, efetuada pelo Dr. Bezerra de Menezes, chamado de “o médico dos pobres”, grande incentivador da Caridade. O seu exemplo foi seguido posteriormente por diversos espíritas como Cairbar Schutel, Eurípedes Barsanulfo, Anália Franco, Frederico Figner, Meimei, Francisco Candido Xavier, Jerônimo Mendonça, Divaldo Pereira Franco, Raul Teixeira, e tantos outros anônimos, que levantaram e levantam bem alto a Caridade, em nome de Jesus e da Doutrina dos Espíritos. Existe também a assistência social, praticada em toda parte, que é realizada por profissionais, como: médicos, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiras e outras categorias, que recebem o pagamento pelos seus serviços assistenciais prestados, em nada relacionado com a prática da Caridade, a não ser em raríssimas exceções. Hoje em dia, já despontam projetos de grande alcance social, promovidos pela Unicef, órgão da ONU para a infância, que trabalha reabilitando a sociedade por meio da criança, indo além do prato de comida. Esse movimento social ainda é insuficiente face as grandes necessidades mundiais, o que convoca os espíritas a participar isoladamente ou nos Centros Espíritas, dos projetos assistenciais. Lembrando que, para o Espiritismo, a Caridade vai muito além do auxílio material. A verdadeira Caridade é aquela que fazemos quando doamos além da ajuda e da palavra, damos também de nós mesmos; o nosso gesto de fraternidade é acompanhado do nosso sentimento, do nosso amor de cristão. A prece, o passe que proporcionamos aos nossos irmãos necessitados e sofredores, é uma forma de Caridade maior, que nos proporciona o bem estar íntimo. Dinheiro nenhum compra a alegria e a satisfação que sentimos quando praticamos a Caridade. O religioso, seja ele qual for, que tomando conhecimento dos ensinamentos de Jesus, não procura realizar a transformação de pensamentos e atos e não passa a exercer a Caridade, para com seus semelhantes,, apenas está se rotulando de cristão, pois o verdadeiro religioso é renovação, é amor ao próximo, pois “É dando que se recebe”, como bem disse Francisco de Assis. Jesus que nasceu e viveu pobre, que não tinha sequer uma pedra onde repousar a cabeça, conforme afirmou, foi o primeiro a praticar a Caridade e o que mais a exemplificou. Distribuiu a Caridade a justos e injustos, bons e maus pecadores e publicanos, curou cegos, aleijados, paralíticos, leprosos; devolveu à vida para a filha de Jairo, o filho da mulher de Naim e a Lázaro, irmão de Maria e de Marta. Portanto meus irmãos vamos seguir o exemplo de Jesus e cumprir com nosso dever, contribuindo com a nossa parcela, através da doação ou da nossa inscrição como sócio de uma entidade beneficente, para amparar os necessitados e sofredores. Também podemos doar um olhar de ternura, um gesto de compreensão, uma palavra de esperança, um abraço fraterno de irmão, um pão repartido, um remédio doado, uma roupa sem uso, uma ajuda dada com carinho, junto com um pouco de nós mesmos, faz bem ao nosso próximo, é verdade... mas faz bem primeiro a nós mesmos. Vamos sempre lembrar as palavras de Jesus quando disse: “Eu vos digo em verdade, quantas vezes o fizestes a um destes pequeninos necessitados e sofredores, foi a mim mesmo que o fizestes...” A realidade é que quase sempre estamos a pedir para Deus, mas bem poucas vezes, nos lembramos de dar aos outros. Quantas vezes já se lembrou de agradecer a Deus pela existência, pela família, pelas facilidades e dificuldades, pelo dia que passou sem anormalidades, quantas? Quantas vezes durante a presente existência já praticou uma boa ação que lhe trouxe o bem estar? Quantas vezes, já agradeceu aos seus entes queridos e lhes disse que os ama? Quantas vezes, já procedeu mal e tentou se corrigir para que não voltasse a assim proceder? A Caridade é o vínculo que nos aproxima de Deus. Que a Paz do Senhor esteja em nossos corações... Jc. 12/11/2008

O MESTRE DOS MESTRES

O MESTRE DOS MESTRES Muito se tem falado sobre o Cristianismo, porém, muito pouco se tem falado sobre a pessoa que originou essa denominação religiosa. É sobre ela que faremos a nossa exposição de hoje. Segundo o filósofo, Paul Brunton, ‘Há tantos caminhos, quantos são os homens’. As vezes os caminhos são cheios de espinhos, dores, angústias, aflições, etc. entretanto, a medida que nossos passos levam mais rápido a mente-coração, esses caminhos vão sendo suavizados, e nós vamos surgindo como novos seres humanos. Para alguns é mais fácil, os caminhos mais curtos. Para outros, no entanto, os caminhos são mais difíceis e longos. Não há fórmulas mágicas. É um processo trabalhoso, as vezes penoso, porém necessário, imprescindível para abrir os nossos canais de recepção dos fluidos divinos. Muitos homens brilharam em inteligência e desenvolveram algumas áreas importantes do pensamento, tais como; Sócrates – questionador das normas; Platão – investigador das relações sócio-políticas; Hipócrates – executor e pai da medicina; Confúcio- filósofo que amou a brandura e viveu exercitando-a ; Sidarta-Gautama, o Buda – pesquisador da alma e das dores humanas; Moisés – grande mediador do processo de libertação do povo de Israel; Maomé – profeta que uniu o povo árabe; Allan Kardec – que investigou os fenômenos espirituais; Eistein – que observou o mundo com os olhos do coração e descobriu que o essencial é invisível aos olhos humanos. Outros vultos brilharam por sua inteligência: Tomás de Aquino, Agostinho, Galileu, Voltaire, Newton, Gandhi, etc. Esses homens souberam expandir o mundo das idéias no campo científico, cultural, filosófico e espiritual. Alguns não se preocuparam com notoriedade, mas suas idéias não foram suplantadas. Muitas germinaram como sementes na mente dos seres humanos e enriqueceram a história da Humanidade. Ao longo dos tempos, houve um homem que viveu há muitos séculos e que não apenas brilhou com sua inteligência, mas teve uma personalidade intrigante, misteriosa e fascinante. Conquistou fama indescritível, e o mundo comemora até hoje o seu nascimento. Ele apresentava sabedoria até diante das dores e era um grande pensador e inquiridor. Esse homem se chamou... Jesus de Nazaré - O Cristo. No livro intitulado “O Mestre dos Mestres”, Augusto Cury, nos emociona com a maneira simples e inteligente como discorre sobre as particularidades da história desse Homem que “abalou os alicerces da história humana, por intermédio de sua própria história, suas atitudes, seus gestos, seus silêncios, pela produção de pensamentos e ensinamentos de inconfundível complexidade”. Quem foi Jesus de Nazaré ou quem foi Jesus Cristo ? Ele é filho de Deus ? Claro, assim como todos nós também. Ele tem natureza divina ? Claro, como nós também somos criações divinas. Como Ele se antecipava ao tempo e previa fatos ainda não acontecidos, tais como a traição de Judas e as negações de Pedro ? Como realizava os atos considerados sobrenaturais que deixavam as pessoas extasiadas ? Como conseguia multiplicar alguns pães, peixes que saciou a fome de milhares de pessoas ? Augusto Cury afirma que a ciência não pode dar essas respostas sobre as ações de Jesus, pois esses fatos entram na esfera da fé. A fé transcende a lógica; é uma convicção em que há ausência de dúvida... Talvez, algum dia, a ciência venha a completar-se com os fenômenos que ultrapassam os limites da lógica. Até lá, Jesus continuará sendo um enigma para a ciência. Jesus sempre expressava com elegância e coerência a sua inteligência, nas várias situações tensas e angustiantes que vivia. Teria Ele dividido a história da humanidade se não tivesse realizado nenhum ato tido como sobrenatural ? Por que suas palavras permanecem vivas até hoje, mexendo com centenas de milhões de pessoas de todas as partes e de todos os níveis sociais, econômicos e culturais ? Por que pessoas que nunca o viram e nunca o tocaram disseram, ao longo da história, que, não apenas creram nele, mas também o amaram, dentre os quais se incluem diversos pensadores, filósofos e cientistas ? Quando Jesus comentava sobre a fé Ele falava da necessidade de crer sem duvidar, de uma crença plena, completa, sem insegurança. A fé como um processo de interiorização, que transcende o mundo material e que cria raízes no íntimo do espírito humano. Falando da fé Ele não anulava a arte de pensar; pelo contrário, era um mestre excepcional nessa arte. Para Jesus, primeiro deveria ser exercitada a arte de pensar e refletir antes de crer, depois vinha o crer sem duvidar... No estudo dos Evangelhos, descobre-se a maneira como Ele reagia e expressava seus pensamentos. Um dos maiores problemas enfrentados por Jesus, era o cárcere intelectual em que as pessoas viviam, ou seja, a ignorância e a rigidez intelectual com que elas pensavam e compreendiam a si mesmas e ao mundo que as envolvia. Por isso Ele era um mestre no uso da arte da dúvida. Ele usava a dúvida para abrir as janelas da inteligência e compreensão das pessoas que o seguiam. Jesus era um excelente perguntador, um grande questionador. Usava a arte da pergunta para conduzir as pessoas a se interiorizar e a se questionar. Ele não era um mestre passivo, mas provocador. Ele despertava a sede de conhecimentos nos seus íntimos. Ele informava pouco, porém ensinava muito. Foi corajoso em expressar seus pensamentos e ensinamentos, embora vivesse num época em que imperava o autoritarismo. Também era um excelente contador de histórias, que faziam pensar todos os que o ouviam. Quem sabe contas parábolas Ele contou ? Foram 33 no total. Augusto Cury, quando resolveu estudar a biografia de Jesus de Nazaré, por diversas vezes questionou se Ele realmente tinha existido, ou se tinha sido uma invenção literária, fruto da imaginação de uma mente humana. Com essas indagações, foi pesquisar e chegou à conclusão que os autores dos Evangelhos, no caso os apóstolos; a- não tinham eles intenções conscientes ou inconscientes de promover um herói político; b- não tinham a intenção de fundar uma filosofia; c- não tinham o intuito de construir um líder religioso diante do qual o mundo deveria se curvar. O que eles queriam? Apenas descrever uma pessoa comum que mudou completamente a vida deles; queriam registrar fatos, mesmo que incompreensíveis aos demais, para provar que Jesus existiu, viveu entre eles, ensinou e curou as pessoas. Jesus não poderia ter sido um personagem criado pelo imaginário daquele povo, nem poderia ser fruto dos autores dos Evangelhos. Se os Evangelhos fossem fruto da imaginação dos apóstolos, eles não falariam mal de si mesmos, não comentariam a atitude frágil e vexatória que tiveram ao se dispersarem quando o Mestre foi preso. Naquele momento tiveram medo e sentiram vergonha. Outro exemplo, vemos na história da negação de Pedro. Primeiro, Pedro jurou que não negaria a Jesus, por amá-lo tanto, chegando a dizer que morreria por Ele. Porém, Pedro numa situação delicada o negou por três vezes... Perguntamos: Quem contou aos autores dos Evangelhos que Pedro negou a Jesus por três vezes ? Ele negou aos servos do palácio e ninguém do seu círculo de amigos estava presente e nem sabia do acontecido. Quem contou então ? Pedro, ele mesmo teve a coragem de contá-lo. Qual autor falaria mal de si mesmo ? – No instante em que ele negava a Jesus pela terceira vez, o galo cantou, e Jesus o fitou com compaixão. Mesmo no extremo da sua dor, Jesus se preocupava com a dor dos outros. Durante alguns anos o pesquisador Augusto achou que as diferenças existentes nas passagens narradas pelos evangelistas, diminuíam a credibilidade deles. Porém, com o decorrer da análise, ele compreendeu que essas diferenças eram importantes para atestar a existência de Jesus, de vez que, não eram cópias umas das outras, as biografias. Que autor poderia imaginar um personagem tão instigante como esse ? - quando esperavam que ele falasse, ele silenciava; - constantemente ele se ocultava evitando qualquer tipo de ostentação; ele próprio facilitou sua prisão, não querendo que a multidão que sempre o acompanhava estivesse presente nesse momento; ele nunca tirou proveito dos atos de curas que praticava; ele se preocupava tanto com as pessoas que o seguiam, que as alimentou por duas vezes. Muitos fatores chamam a atenção na vida de Jesus: a- seus comportamentos incomuns; b- seus ensinamentos surpreendentes, que até hoje não tem precedentes; c- rejeição a qualquer tipo de poder, pompa e vantagem; d- gostava de conviver com as pessoas do povo; e- não forçava nem procurava convencer as pessoas a crer nele; f- era comum se antecipar e dar respostas às perguntas que ainda não tinham sido feitas; g- seus discípulos ficavam atônitos com sua inteligência, enquanto seus opositores emudeciam diante de seus conhecimentos... até Pilatos parecia um menino perturbado diante dele. O que fez Jesus no auge de sua fama ? Ele desceu todos os degraus da simplicidade e do despojamento e deixou todos perplexos com sua atitude. Quando todos esperavam que ele entrasse triunfalmente em Jerusalém, com uma grande comitiva e pompa, tomou Ele uma atitude humilde. Qual foi ? Mandou pegar uma jumenta e teve a coragem de montar naquele desajeitado animal. Que cena impressionante ! O que o povo daquela época esperava do Cristo ? - Um grande líder que viesse com todo poder; que reinasse sobre eles; que fosse capaz de libertar o povo do jugo romano; que fosse um político a resgatar a identidade e liberdade do povo subjugado; que levasse Israel a dominar todos os demais povos. E o que as autoridades judaica temiam de Cristo ? - Que ele desestabilizasse o entendimento existente entre a liderança de Israel e o Império Romano; que ele reunisse milhares de pessoas a segui-lo, gerando problemas sociais; o incômodo que criava às autoridades, por não fazer qualquer acordo político. Por outro lado, o que Jesus esperava ao propor uma reforma interior ? - Que fosse capaz de produzir uma transformação na mente humana melhorando seu Espírito; que fosse capaz de gerar a tolerância, a humildade, a solidariedade, a consideração pelo sofrimento do próximo; que fosse capaz de reorganizar os sentimentos e emoções para criar um novo ser humano, para levá-lo a aprender a suportar suas dores, tornando-se apto ao aprimoramento da inteligência e a evolução do Espírito. Para Jesus, ninguém era considerado indigno de se relacionar com Ele. Ele dava mais importância à pessoa que a história dos pecados; se doava sem pedir nada em troca; captava os sentimentos íntimos das pessoas, encorajando-as. A sua história, foi e continúa sendo um enigma para a ciência e para os intelectuais de todos os tempos. Ninguém falou tanto de amor como Ele e, ao mesmo tempo, ninguém foi tão odiado como ele. Jesus fazia até mesmo das suas necessidades uma poesia. Dizia Ele: “as raposas têm os seus covis, as aves do céu têm seus ninhos, mas o filho do homem, como dizia ser, não têm onde reclinar a cabeça”. Jesus de Nazaré, o Messias anunciado, o Cristo esperado, O Mestre dos Mestres, foi, é, e sempre será, o Espírito mais iluminado que já passou pela Terra. Sobre a sua pessoa, vejamos o que o tribuno Públio Lêntulo, presidente da Judéia, diz em carta enviada ao imperador Tibério César, em Roma: “Sabendo que desejas conhecer um homem, o qual vive em grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é chamado o profeta da verdade, e os seus discípulos dizem que ele é filho de Deus, o criador do céu e da terra e de todas as coisas que nela existem. Em verdade, César, cada dia ouvem-se coisas maravilhosas desse Jesus; cura os enfermos com uma só palavra, ressuscita os mortos. Ele é um homem de estatura e muito belo no aspecto, e há tanta majestade no rosto, que aqueles que o vêem são forçados a amá-lo ou temê-lo. Tem os cabelos da cor da amêndoa e são estendidos até as espáduas, no meio da fronte uma linha separa os cabelos, na forma dos nazarenos, o seu rosto é muito sereno, seu olhar é muito afetuoso e os olhos claros que resplandecem no seu rosto como raios de sol, porém ninguém pode olhar fixo o seu semblante, porque quando resplandece, apavora, e quando ameniza, faz chorar; ama a todos sem distinção. Diz-se que nunca ninguém o viu sorrir, mas, antes, chorar. Ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada. Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça; muitos se riem vendo-o assim, porém em sua presença, o admiram e tremem. Dizem que tal homem nunca teve igual. Em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram jamais, tais conselhos de grande doutrina, como ensina esse Jesus; muitos judeus o têm como divino e muitos me afirmam que Ele nunca fez mal a quem quer que seja, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele têm convivido, afirmam ter dele recebido grandes benefícios e a própria saúde”. Públio Lêntulo – Presidente da Judéia. Após esta descrição da pessoa de Jesus, finalizo esta exposição repetindo o que Augusto Cury afirma: “Devido sua intrigante e fascinante inteligência, Jesus de Nazaré, provavelmente foi o maior causador de insônia em sua época...” Complementando, digo ter sido Jesus o Espírito mais iluminado e mais bondoso que já viveu na Terra, deixando seu modo de vida, como exemplo para todos nós. Que a Paz e o Amor do Mestre dos Mestres, penetre em nossos corações... Jc. S.Luis, 23|05|2007 :

quinta-feira, 5 de julho de 2012

A POLÍTICA E OS ESPÍRITAS

A POLÍTICA E OS ESPÍRITAS Nestes tempos de profundas transformações pela qual a humanidade está passando, é fácil percebermos o grande número de idéias que entram em conflito. Aliás, conflito de opiniões é algo que sempre esteve presente na história da humanidade, justamente por sermos ainda, espíritos com pouca lucidez de consciência e evolução. Os seres humanos buscam muitas vezes sem saber como, uma sociedade mais justa. Para termos uma sociedade mais justa, é preciso acima de tudo, saber administrar as diferenças. O grande problema é que a sociedade é formada por pessoas, e cada uma delas é um universo muito complexo. Então a sociedade só poderá ser justa, quando os seres humanos que participam dela foram também justos nas suas ações. Já dizia Allan Kardec: “A educação é a arte de fazer despertar nas pessoas os sentimentos da virtude e abafar os instintos dos vícios”. Além do ensino ministrado nos Centros Espíritas, muitas pessoas reclamam a falta de espíritas na vida política, por desejarem uma atitude firme na batalha contra as injustiças sociais, a corrupção e a impunidade que lavra atualmente no país. A nossa luta, entretanto, tem dimensões mais amplas; nosso trabalho realiza-se nos alicerces, na própria base da vida política e da justiça social, correspondendo à orientação e a formação do ser humano de bem, que vai retificar o futuro. Não nos interessam os efeitos superficiais. A Doutrina Espírita pretende remodelar o mundo, a partir da reforma do ser humano e de seus procedimentos. Desde Platão, os homens inteligentes já compreendiam que as verdadeiras transformações sociais e humanas, se realizam pela Educação. Na atualidade vemos vários adeptos de religiões envolvidas com a política e suas igrejas transformadas em bases de confábulos sócio-políticos. Por isso, é comum vermos indagações sobre qual a posição da Doutrina Espírita e do espírita, diante da política, frente às eleições que se realizarão no mês de outubro próximo. A resposta lógica só poderia ser com base nas nossas convicções no Evangelho de Jesus e nas obras da Doutrina Espírita, clareando e objetivando-nos o assunto. O primeiro ponto a se basear o espírita, é o próprio Jesus (modelo de conduta para todos nós) que se colocou à margem das preocupações políticas do mundo, certamente por considerá-las incompatíveis com a sua missão eminentemente espiritual e eterna. Jesus não se envolveu com os dominadores, mas também não usou nem uma só palavra, nem uma só atitude que se comprometesse com a política humana. Outro ponto importante foi aquele em que Pilatos, curioso por conhecer suas intenções políticas, inquire: E a resposta veio firme, sincera e objetiva: “O meu reino não é deste mundo”. E para os apóstolos que queriam imaginar o Reino de Deus à semelhança dos reinos da Terra, o Cristo esclareceu: “O Reino de Deus não vem com aparências exteriores”. E aponta-lhes o caminho a seguir: “Não o das armas mas o das almas e o Reino de Deus está dentro de vós”. Com Jesus, ficou comprovado que a sua mensagem jamais se dirigiu a reforma das instituições sociais e políticas, mas à transformação íntima do ser humano, faz surgir o homem novo e poderá modificar as consciências e as estruturas políticas passageiras. O ponto seguinte não aconselha os espíritas a se espalharem pelos partidos políticos, mas resume-se na questão simples e básica da necessidade de levar, cada um deles, através de exemplos e ensinos aos nossos semelhantes, os conhecimentos evangélicos, para que os seres humanos transformem a si mesmos para o bem. Essa solução nos conduzirá à equação de todos os problemas da felicidade humana. Quanto às obrigações para com o processo eleitoral, os espíritas podem colaborar com a política, cumprindo o seu dever como cidadão, porque entendemos sempre, que a nossa missão Evangelizadora é muito mais delicada e muito mais nobre. Relembramos a advertência de André Luiz, por intermédio de Chico Xavier, no livro Conduta Espírita: “O espírita deve cumprir os deveres de cidadão e eleitor, escolhendo os candidatos aos postos eletivos, seguindo os ditames da própria consciência”. Espero que este artigo possa ter possibilitado ao irmão, saber qual é realmente o nosso compromisso assumido na espiritualidade e a nossa missão nesta existência aqui na Terra. Bibliografia: Revista Cristã de Espiritismo Francisco Júnior ! Fábio Oliveira ! Goiás Espírita Jc. 21/6/2010