domingo, 19 de agosto de 2012

REVELAÇÃO ESPÍRITA

REVELAÇÃO ESPÍRITA O ser humano, habitante deste mundo de expiações e provas, limitado em seus conhecimentos de tantas e tantas coisas que o rodeiam, desconhecendo a si mesmo, tem, entretanto, a intuição de que um Ser Supremo de Amor, de Poder, Bondade e Sabedoria, é seu Criador e a Causa primaria de tudo o que existe. Como ser humano e espiritual que é a intuição do Infinito jamais lhe foi cerceada, apesar de sua ignorância. Daí a crença desde os tempos primitivos, em deuses de variadas denominações; em forças superiores não definidas. Posteriormente surgiram as religiões, com seus cultos cheios de superstições e erros, mas sempre em busca de explicações a respeito do fenômeno da vida e da Criação. Em toda a trajetória do ser humano na Terra, jamais faltou á assistência de seu Governador, o Cristo, acompanhando o lento progresso da Humanidade, com infinita paciência e amor. Hoje sabemos que esse acompanhamento do Cristo decorre do determinismo de Deus, nosso Pai Criador. Assim compreendemos a razão por que somente em meados do século XVIII o Governador Espiritual da Terra enviou o Consolador, prometido quando da Sua passagem neste mundo. É que, sem uma base de conhecimento mínimo, o ser humano não tinha condições de tomar conhecimento, de forma satisfatória, de verdades e realidades novas para ele, como sendo um Espírito Imortal, dentro do Universo infinito, cerceado que foi em sua liberdade por séculos, embora essas verdades já tivessem sido referidas antes, de forma velada, tanto pelos emissários como pelo próprio Cristo. A Religião dos Espíritos, vindo ao mundo séculos após a instituição das diversas denominações religiosas, encontrou uma Humanidade que já havia progredido muito em termos de conhecimentos científicos. Depois das teorias comprovadas de Nicolau Copérnico e de Galileu Galilei, a Terra deixou de ser o centro do Universo. Essa nova concepção cósmica, a partir do século XVII, aliada ao desenvolvimento das ciências nos séculos seguintes, preparou a Humanidade para que pudesse evoluir no campo do conhecimento e também no campo espiritual. Quando a Terceira Revelação chega ao mundo, é o Cristo voltando a Terra, cumprindo Sua promessa, através da vinda do Consolador, relembrando tudo o que fora dito por Ele, revelando novas realidades e retificando o que fora mal entendido. Como simples ilustração desse mau entendimento, vemos no Velho Testamento, que Deus é apresentado ao povo hebreu, em aspectos contraditórios. Ora é apresentado como impiedoso para com suas criaturas; outras vezes é o pai bondoso. Deus é colocado ao nível das paixões humanas; implacável, vingativo, exclusivo do povo hebreu, devendo ser temido, em vez de ser amado como nos ensinou Jesus, no Seu Evangelho... Pode-se considerar a Doutrina dos Espíritos uma revelação? – Para respondermos a essa indagação, precisamos primeiro definir o sentido da palavra revelação. Revelar, do latim “revelare”, significa literalmente “sair de sob o véu; e no figurado, significa descobrir, fazer conhecer uma coisa secreta ou desconhecida; em sentido vulgar, diz-se de toda coisa ignorada que vem à luz, de toda idéia nova que não se conhecia. O caráter essencial de toda revelação deve ser a verdade. Toda revelação desmentida pelos fatos não é uma verdadeira revelação; e se é atribuída a Deus essa revelação e não sendo verdadeira, não pode emanar Dele; portanto é produto de uma concepção humana. Qual é o papel de um professor, diante de seus alunos, senão o de um revelador? Ensina-lhes o que não sabem o que não teriam nem tempo e nem possibilidades de descobrirem por si mesmos; porque o conhecimento é obra coletiva dos séculos e de uma multidão de seres humanos que deram, cada um, a sua contribuição, e das quais se aproveitam aqueles que vêm após eles. O ensino é na realidade, a revelação de certas verdades científicas, morais, físicas ou metafísicas, feitas por pessoas que as conhecem, a outras pessoas que as ignoram, e que, sem isso, ficariam sempre ignorando. Mas o professor só ensina o que aprendeu: é um revelador de segunda ordem; enquanto o homem de gênio ensina o que descobriu por si mesmo: é então um revelador primitivo; produz a luz ou conhecimento que, gradualmente vai de ampliando e se espalhando. – Onde estaria a Humanidade, sem a revelação dos gênios, que aparecem de tempos em tempos? De onde vêm esses homens de gênio? – Observamos que desde o nascimento, trazem faculdades transcendentais e conhecimentos inatos, que um pouco de trabalho, basta para desenvolver. Pertencem eles à humanidade, uma vez que nascem, vivem e desencarnam como nós. Onde, pois, adquiriram esses conhecimentos que transmitem à Humanidade? O homem de gênio é um Espírito que já viveu por mais tempo; em várias existências, que consequentemente mais adquiriu e progrediu do que aqueles que estão menos avançados. Voltando em nova existência corporal, traz o que sabe, e como sabe mais do que os outros, é considerado um homem de gênio. O que sabe é fruto de um trabalho constante anterior, e não o resultado de um privilégio. Esses gênios progridem pela vontade e pelos esforços de sua inteligência. Todos os povos tiveram os seus homens de gênio, que viveram, em diversas épocas, para dar impulso aos seus semelhantes tirando-os da inércia. Desde que se admita a solicitude de Deus para com suas criaturas, por que não admitir que Espíritos com superioridade de conhecimentos, de fazer a Humanidade progredir voltem a Terra pela vontade de Deus, tendo em vista ajudarem o progresso em um determinado sentido; recebendo uma missão igual a um embaixador que recebe uma tarefa de seu soberano? Esses gênios, que aparecem de tempos em tempos como estrelas brilhantes, que deixam um longo rastro luminoso na Humanidade, são missionários, reveladores de coisas novas que ensinam, tanto na ordem física, como na ordem filosófica e religiosa. Se Deus permite que as verdades científicas sejam reveladas, com mais forte razão permite as verdades morais, que são um dos elementos essenciais do progresso. No sentido religioso, a revelação trata mais das coisas espirituais, que o ser humano não pode saber por si mesmo, que não descobre por meio dos seus sentidos, cujo conhecimento lhe é dado por Deus, através de Seus mensageiros, seja por meio da palavra direta ou pela inspiração. Todas as religiões tiveram os seus reveladores que, longe de terem conhecido toda a verdade, foram apropriados ao tempo e ao meio onde viveram e aos povos aos quais falaram, e a quem eram relativamente superiores. Infelizmente, as religiões, em todos os tempos, serviram como instrumentos de dominação; o papel de profeta, representante ou mensageiro proliferou em função de ambições secundárias, e surgiu uma multidão de pretensos reveladores, que graças ao prestígio desses nomes, exploram a credulidade de suas vítimas, seus irmãos. A religião cristã não ficou isenta desses parasitas, tanto que Jesus nos alerta contra os falsos profetas e falsos Cristos. Somente os Espíritos puros, humildes e amorosos recebem e transmitem a palavra de Deus. Nem todos os Espíritos são puros; existem os que se apresentam sob falsas aparências, o que levou o apóstolo João a dizer: “Não creiais em todo Espírito, mas vede antes se os Espíritos são de Deus.” O Decálogo (Dez mandamentos) tem as características de lei divina, enquanto as outras leis mosaicas são obra pessoal do legislador hebreu. O Cristo fez do decálogo a base dos seus ensinos, ao passo que aboliu as outras leis. Moisés e o Cristo foram os dois grandes reveladores do passado que mudaram o mundo. Uma importante e nova revelação se cumpre nos nossos tempos; a que nos mostra a comunicação dos seres humanos com os seres do mundo espiritual. Esse conhecimento não é novo, porém permaneceu até a pouco tempo sem proveito para a Humanidade. A ignorância das leis que regem essas relações as havia sufocado sob a superstição. Estava reservado à nossa época, fazer sair á luz para iluminar a rota do futuro. A Doutrina dos Espíritos, dando-nos a conhecer o mundo invisível, espiritual, as leis que o regem, o destino do ser espiritual depois da libertação do corpo, é uma verdadeira revelação. Não é o resultado da iniciativa de um homem; os pontos fundamentais da Doutrina são ensinamentos dados pelos Espíritos Superiores, encarregados por Deus para esclarecerem os seres humanos sobre as coisas que ignoravam, por já estarem amadurecidos para compreendê-las. Ao elemento material juntou o elemento espiritual, que são as duas forças vivas da Natureza. Pela união desses dois elementos, explica-se, sem dificuldades, uma multidão de fatos até então inexplicáveis. O Espiritismo tendo por objetivo o estudo das forças espirituais do Universo precisava da maioria das ciências e não poderia vir senão depois destas, em função da impossibilidade de tudo explicar somente pelas leis da matéria. Ninguém nega, hoje, que estivessem na astrologia e na alquimia os fundamentos de onde saíram ás ciências atuais. Ocorre o mesmo com o Espiritismo, em que é acusado de parentesco com a magia e a feitiçaria. Estas se apoiavam também sobre a manifestação dos Espíritos; mas, na ignorância das leis que regem o mundo espiritual, misturavam essas relações e práticas, ritos e crenças ridículas, que o Espiritismo, fruto da experiência e da observação, soube separar. Mostrando apenas a verdade das relações espirituais. A distância que separa o Espiritismo da magia e da feitiçaria é maior do que a existente entre a astrologia e a astronomia, a alquimia e a química. É, pois, com razão que o Espiritismo é considerado a terceira das grandes revelações. MOISÉS, na qualidade de profeta, revelou aos homens o conhecimento de um Deus único, Senhor e Criador do Universo, de todas as coisas e seres; recebeu as tábuas da Lei (O decálogo ou Dez Mandamentos) no monte Sinai e na qualidade de legislador, lançou os fundamentos da verdadeira fé e criou leis primitivas, que apresentou como divinas, para poder conter os excessos do povo simples e ignorante daquela época. CRISTO, tomando da lei antiga o que era eterno e divino, e rejeitando o que era transitório, acrescentou a revelação da vida futura, da qual Moisés não havia falado, e um novo conceito de Deus; não mais o Deus terrível, vingativo, impiedoso, injusto; não mais um Deus de um só povo que se julgava privilegiado; mas um Deus soberanamente bom e justo, de amor e misericórdia, que perdoa ao filho arrependido, e dá a cada um segundo as suas obras. Não mais o Deus que quer ser temido, mas o Deus que quer ser amado. Toda a doutrina do Cristo está sintetizada em dois mandamentos: “Amai a Deus sobre todas as coisas, e ao vosso próximo como a vós mesmos.” Entretanto, o Cristo acrescentou: “Muitas das coisas que vos digo, não podeis ainda compreendê-las, e tenho para vos dizer, muitas outras coisas que não compreenderíeis; por isso vos falo por parábolas; mas tarde vos enviarei o Consolador, o Espírito de Verdade, que restabelecerá todas as coisas e vos explicará outras mais”. Se o Cristo não disse tudo o que ele queria dizer, foi porque acreditou deixar certas verdades na sombra, até as pessoas estarem no estado de compreendê-las. Por que chama o Cristo, de Consolador, o novo Revelador que haveria de vir? – Previa ele que os seres humanos teriam necessidade não só de conhecimentos, mas também de consolações pela insuficiência das crenças existentes. Nunca o Cristo foi mais claro do que nestas palavras. A DOUTRINA DOS ESPÍRITOS, tomando seu ponto de partida das palavras do Cristo, é uma conseqüência direta da sua doutrina. Sobre a ideia vaga da vida futura, acrescenta a revelação do mundo espiritual, que nos cerca e povoa o Universo, fixando a crença e dando-lhe uma consistência. Define os laços que unem a alma ao corpo e levanta o céu que escondia os mistérios do nascimento e da passagem da alma para a espiritualidade. O ser humano passa então “a saber” de onde vem, para onde vai, porque está na Terra, porque sofre temporariamente, e passa a crer na justiça de Deus. Sabe também que o Espírito progride, sem cessar, através de várias existências, até que haja conquistado o grau de perfeição relativa que pode aproximá-lo de Deus. Compreende que todos os Espíritos, tendo um mesmo ponto de partida, são criados iguais, com a missão de progredir de acordo com seu livre-arbítrio e que não há entre eles senão a diferença do progresso alcançado, e que todos têm a mesma destinação e atingirão o mesmo objetivo. A pluralidade das existências, cujo princípio o Cristo falou a Nicodemos, mas sem defini-lo, é uma das leis mais importantes reveladas pelo Espiritismo, necessária para o progresso. Por essa lei tomamos conhecimento das aparentes anomalias que a existência terrena apresenta. Com a reencarnação, caem os preconceitos de raças e de castas, uma vez que o Espírito pode renascer rico ou pobre, chefe ou subordinado, homem ou mulher, branco, preto, amarelo ou índio. O Espiritismo além de acabar com a dúvida com respeito à vida futura, mais tem feito pelo adiantamento moral do ser humano, através das leis disciplinares que o freiam algumas vezes, transformando-o para melhor. O Espiritismo vem confirmar o Evangelho, revelando tudo o que o Cristo disse e fez, trazendo luz sobre pontos obscuros dos seus ensinamentos que pareciam inadmissíveis, através das novas leis conhecidas da Natureza. A primeira revelação estava personificada em Moisés, a segunda no Cristo; a terceira não está em nenhuma pessoa. As duas primeiras são individuais, enquanto a terceira é coletiva por ter sido feita simultaneamente, a milhões de pessoas em toda a Terra, conforme predição nos Atos dos Apóstolos que diz: “Nos últimos tempos, disse o Senhor. derramarei de meu espírito sobre toda a carne; vossos filhos profetizarão”. Esta circunstância na história das doutrinas deu ao Espiritismo uma força excepcional e um poder de ação irresistível; se a reprimem em um país, como já aconteceu antes, é impossível reprimi-la em todos os paises. Como os Espíritos Superiores são os mentores dessa doutrina e eles estão em toda parte, e haverá sempre eles, é impossível abafá-la; devem se convencer os que sonham com a derrota da Doutrina dos Espíritos. A revelação foi feita em diversos lugares ao mesmo tempo, e é dessa maneira que ainda hoje é realizada; cada Centro Espírita encontra, nos outros Centros, o complemento dos ensinos que constituem o conjunto da Revelação Espírita, que Deus assim quis para a universalidade do ensinamento. Os espíritas marcham seguro ao sentirem um ponto de apoio; os fenômenos mediúnicos ligados às leis gerais de harmonia, dos quais são testemunhas e participantes. Estes são em resumo, os resultados da Nova Revelação. Veio ela preencher o vazio da incredulidade, elevar as mentes abatidas pela dúvida e perspectivas do nada, após a morte física, e dar a todas as coisas, uma explicação racional e a razão de ser. Entretanto, nunca a seara esteve tão pronta e receptiva para as sementes da Revelação Espírita, como nos tempos atuais. Porém, salvo exceções, nós espíritas não estamos sabendo nos valer deste momento excepcional. Quer nos parecer que isto acontece porque não estamos realmente sabendo juntar o conhecimento doutrinário com a prática do Evangelho em nossas vidas, e também nas Casas Espíritas. Falamos muito dos ensinamentos do Evangelho de Jesus, mas ainda temos dificuldades para vivenciá-lo como nos ensinou o Mestre Amado. Não restam dúvidas, de que as pessoas que freqüentam o meio espírita, principalmente aquelas que assumem compromissos nas mais variadas frentes de trabalho, estão com as melhores intenções e propósitos de praticar o bem. Contudo devemos lembrar a resposta dada pelos Espíritos Superiores a Kardec, na questão 932 de “O Livro dos Espíritos”, quando diz “que o mau se manifesta de forma pujante, agressiva, enquanto o bem se manifesta timidamente”. Devemos, portanto, ousar mais para sermos agentes produtivos dos ensinamentos e exemplos de Jesus. É necessário para isso que tracemos de forma didática, o roteiro de trabalho, valendo-nos do lema de Allan Kardec: Trabalho, tolerância e solidariedade. Quanto ao trabalho, é necessária a postura de abnegação porque o serviço requer participação e a unificação consciente da obra que é gigantesca; Quanto á tolerância, temos que ter a compreensão, revestida da postura interior de indulgência; Quanto a solidariedade, devemos entender que, enquanto nossas relações não forem de convivência fraternal, dificilmente haverá união e progresso. O verdadeiro conhecimento deve ser transmitido na simplicidade das palavras e das ações, a fim de não criar dúvidas ou resistências emocionais em quem ouve. Os frutos que o ser humano deve retirar não o são apenas para a vida futura; deve desfrutá-los também na presente existência, pela transformação que a Doutrina deve operar em sua vida; consequentemente sobre suas relações sociais, pondo fim ao reino da incredulidade, do egoísmo e do mal, preparando-se para o Reino de Deus, anunciado por Jesus e referendado pela Doutrina dos Espíritos. Que a Paz do Senhor permaneça em nossos corações. Bibliografia: Velho Testamento Novo Testamento Livro dos Espíritos + acréscimos Jc. 04/2003 Revisado em 08/08/2012

O LIVRO ARBÍTRIO

O LIVRE ARBÍTRIO O livre-arbítrio é a faculdade que tem o ser humano de decidir por sua vontade, sobre pensamentos, palavras e ações. Tudo o que se refere ao livre-arbítrio é delicado e merece a maior ponderação, o maior cuidado. Em todos os atos praticados pelo ser humano há sempre uma parte livre, que é a que vem da faculdade individual ou livre-arbítrio; e outra compulsória, obrigatória, que é a que decorre, como fatalidade, da Lei de Causo e Efeito, ou também conhecida como o Determinismo Divino. Assim sendo, os atos humanos são subordinados ao seguinte processo: 1º- O ser humano, no íntimo ou pelos sentidos, toma conhecimento de determinado fato ou circunstância; 2º- Esse conhecimento, indo ao cérebro, determina uma reação interna ou externa, isto é, para o espírito ou para o corpo físico; 3º- A faculdade da vontade intervém e a pessoa executa a ação julgada necessária num ou noutro sentido. A ação da vontade ocorre depois de uma série de elaborações no cérebro e representa a decisão tomada pelo espírito encarnado (a pessoa), em relação ao fato ou às circunstâncias em causa; essa decisão é o que chamamos de livre-arbítrio. Essa decisão posta em prática gera consequências que automaticamente, passam a pertencer ao espírito encarnado, com efeitos positivos ou negativos. Nos atos livres, onde que usamos o nosso livre-arbítrio, as decisões podem ser tomadas num sentido ou noutro, numa ou outra direção, do bem ou do mal; ao passo que, nas ações compulsórias, obrigatórias, qual seja nos casos de resgates ou provas, pela Lei de Causa e Efeito ou pelo Determinismo Divino, as decisões não são tomadas pelo livre-arbítrio da pessoa, sendo este, muitas das vezes forçado a agir num sentido ou direção, passando por situações sob a influência de forças desconhecidas, executores das leis divinas. Não podemos concluir, porém, que a fatalidade dessas ocorrências elimine o livre-arbítrio individual, que é um atributo sagrado do espírito. Muito ao contrário, o livre-arbítrio que gera essas situações, foram escolhidas pelo espírito que, entretanto, pode fazer ou deixar de fazer, aceitar com resignação ou reclamar e maldizer sua situação, que será repetida, enquanto não houver a aceitação e conformação. Depois da decisão tomada, do ato praticado, suas conseqüências, gravem bem, já não pertencem mais à vontade da pessoa, correndo por conta das coisas e fatos que têm de acontecer, justamente para o reequilíbrio da posição do autor na trajetória evolutiva, se for uma ação negativa. Resumindo: Duas forças operam sempre os atos humanos; as que nascem no momento, fruto da vontade da pessoa, como decisão pessoal, e, as que vêm da lei de “Causa e Efeito”, sobre as quais o ser encarnado (pessoa) não tem ação, porque são conseqüências de atos já praticados anteriormente, que devem encerrar seu próprio ciclo, para a volta do equilíbrio. Por esse motivo, dependem de nós os atos presentes que formarão o futuro; o direito de agir no sentido do bem ou do mal, criando um futuro bom ou mau; abrindo caminhos bons ou maus, fáceis ou difíceis, claros ou escuros, de paz e felicidade ou de problemas e sofrimentos. Acrescentamos ainda, mais alguns detalhes que são de interesse: O livre-arbítrio também se manifesta nos espíritos desencarnados quando, após uma encarnação (existência terrena) de provas ou tarefas, é dado o balanço dos resultados. Se débitos foram contraídos, falhas cometidas serão exigidas provas e resgates em uma nova encarnação. Para isso, aguardam sua vez, pois a fila de necessitados de nova encarnação na Terra é constituída de bilhões de espíritos, e, quando finalmente a oportunidade surge, tomam parte na elaboração do novo programa de ação no mundo, na escolha da família, dos meios, do novo campo de atividades, dos recursos necessários, das provações a passar resgatando dívidas, e os fins a atingir em determinado tempo de existência. Isso assim acontece quando há liberdade de escolha, porém quando se trata de espíritos ignorantes, irresponsáveis e incapazes, a reencarnação é compulsória, regulando-se rigidamente pelas leis espirituais necessárias no caso, sendo tudo providenciado e ajustado pelos benfeitores espirituais encarregados das encarnações desses espíritos. Se os espíritos mais evoluídos sofrem quando reencarnam (voltam ao corpo físico), nos mundos inferiores, os ignorantes e os retardatários, ao contrário, se alegram, porque voltam a esses mundos onde se sentem melhor; ficam mais a vontade e suas sintonias inferiores vibram melhor com eles. Nesses mundos vivem camuflados na carne, ostentando posições às vezes de destaque, que espiritualmente não lhe são devidas, podendo ocultar suas imperfeições e viver como os demais, o que não é possível na Espiritualidade, onde não possuem corpos para esconder os negrumes e as inferioridades sempre presentes no espírito. Utilizam a faculdade do livre-arbítrio, que todos nós temos e somos responsáveis, de forma irrecorrível, pelos atos praticados e suas conseqüências, que se registram automaticamente e minuciosamente na contabilidade divina, onde colhemos os frutos do que semeamos no passado, e ao mesmo tempo, semearemos para o futuro. Durante a nossa existência terrena, estamos sempre questionando sobre o destino; principalmente quando somos atingidos por algum infortúnio. Às vezes indagamos: - Por que o destino me fez passar por isto? – O Determinismo Divino diz que tudo no Universo progride; evolui. Algumas vezes para que esse progresso se realiza, deve haver algumas modificações. Essas modificações que representam ajustes são consequências de uma coisa que nem sempre sabemos definir. Assim, o nosso destino é a união do Determinismo Divino e o exercício do nosso livre-arbítrio, que origina as conseqüências que passamos durante a existência. Existem Leis Naturais e imutáveis que Deus não quer mudar segundo o desejo de cada pessoa; mas acreditar que todas as conseqüências da existência estão submetidas à fatalidade, ao destino; a diferença é muito grande. Se assim fosse, o ser humano seria apenas um instrumento passivo, um autômato, sem iniciativa e livre-arbítrio. Sendo a pessoa livre para pensar e agir, num sentido ou noutro, seus atos têm para ela e para os outros, conseqüências subordinadas àquilo que fez, faz ou deixou de fazer. O sofrimento que nos caem sobre os ombros, durante a existência, são conseqüências que funcionam como efeitos de causas praticadas por nós mesmos. Essa causa pode ter se originado na presente existência, como pode ter se originado em outras. “A lei humana pune certas faltas, não alcançando todas elas; atinge apenas as que prejudicam a sociedade. A Lei de Deus, por querer o progresso de todas as criaturas, não deixa impune uma única infração à Lei.” A Lei Divina por ser de justiça e amor, fornece à pessoa, a oportunidade de resgate que é concedida como perdão, pelos delitos cometidos contra ela. Aqueles que são atingidos pelas vicissitudes e decepções, que interroguem suas consciências, e verão se não podem dizer: “Se eu tivesse ou não tivesse feito tal coisa, eu não estaria em tal situação. Os sofrimentos que lhe são consequências dão à pessoa a experiência, fazendo-a sentir a diferença entre o mal e o bem, e a necessidade de evitar no futuro, o que lhe possa causar sofrimento.” As vezes determinadas provas como a pobreza e a deficiência, são escolhidas pelo espírito, ainda na Espiritualidade, como forma de apressar sua elevação espiritual. Outras vezes o espírito pede que no resgate de suas faltas, lhe seja concedido a riqueza que poderá ajudá-lo, ou prejudicá-lo na existência. O problema para todos é o seguinte: Devemos resgatar nesta existência, os erros do passado, com a maior compreensão e humildade, e proceder de acordo com as Leis de Deus, cuja base é o Evangelho de Jesus, para não acumularmos novas dívidas que, logicamente, exigirão novos sofrimentos e o retardamento na evolução espiritual. O Evangelho aponta sempre o rumo e a conduta certa e justa, restando a nós somente segui-lo, realizando a reforma íntima e a purificação dos sentimentos. Segundo sua vontade, o ser humano pode melhorar ou piorar os seus sentimentos, elevando-se ou estagnando-se nos diversos planos do mundo espiritual. Enquanto encarnado, o espírito constrói ou aprimora o seu mundo interior que resulta dos sentimentos melhorados e da sabedoria que até então adquiriu, que lhe forma a personalidade atual, com a qual se projeta no mundo. Quando desencarna (falece), esse estado interior representa as aquisições que o faz subir aos diferentes planos da Espiritualidade, passando a viver no que lhe competir, segundo suas aquisições. Nesse plano encontrará outros espíritos que estiveram em condições idênticas no grau de moralidade, na mesma sintonia sejam eles antigos familiares ou não. A sintonia vibratória marca rigorosamente as fronteiras entre os planos espirituais, impedindo sua transposição indevida; melhor dizendo: Espíritos inferiores não terão acesso a planos superiores. Disso se conclui que, modificando seu estado íntimo pela reforma moral e a prática do bem, o espírito encarnado melhora sua vibração, aumentando sua capacidade de evolução e, após sua libertação do corpo físico, poderá chegar a habitar um plano mais elevado e perfeito, levando a sua vida mais feliz, na convivência com outros Espíritos mais elevados. Tais possibilidades estão, pois, inteiramente em nossa vontade, em nosso livre-arbítrio, bastando que nos decidamos a realizar a reforma íntima, mas não apenas aparente, e sim, uma reforma profunda e sincera. Sabendo disso, seremos insensatos se nos deixarmos permanecer, por vontade própria, em comodidades passageiras ou negligências, em graus inferiores da vida moral, que geram após nossa passagem para o além, á convivência com espíritos ignorantes, maléficos que nos causarão sofrimentos, cerceando nossa liberdade, nos trazendo perturbações, que são condições insuportáveis, desesperadoras e terrivelmente dolorosas para nós. Quando o ser humano está na plena posse de suas aptidões, gozando saúde física e moral, lhe é muito fácil tomar atitudes, utilizar suas faculdades, poderes e sobra-lhe coragem. Mas quando está combalido, cansado da idade, ou por moléstias, quando sua mente se perturba por imprevistos ou desgostos, tudo se torna mais difícil e às vezes até impossível. Quando a luta o enfraquece e o desânimo o domina, tornando-o inativo, apático, descrente de tudo, as sombras o envolvem e fecham-se para ele as possibilidades de existência no mundo. Essa é a hora em que devemos lembrar-nos que possuímos em potencial, como partícula divina, poderes que, quando acionados pela vontade ou por uma necessidade premente, atraem forças de apoio de grande ajuda. Quando apelamos por motivos justos, nosso apelo nunca é feito em vão, pois a resposta do Alto se faz presente – essa é a Lei Divina. Não encarnamos neste mundo inferior para ficarmos inativos ou derrotados, mas para lutar pela nossa reabilitação, sofrendo provações e vencendo-as; muitas vezes os sofrimentos e as crises são testes e provações de selecionamento, após as quais a tormenta passa e galgamos um degrau a mais na escala evolutiva. Entretanto, não podem os benefícios espirituais servir-nos de apoio permanente, para que nos acostumemos a empregar sozinhos, as próprias forças, na conquista de valores espirituais e acumulando autoconfiança para provas futuras, demonstrando condições não só de utilizar nosso livre-arbítrio com sabedoria, como suportar com compreensão e paciência, as limitações marcadas em nossa programação existencial na Terra. É muito comum e natural nos dirigirmos aos protetores espirituais para obtermos conselhos, ajuda e solução dos problemas sociais e cura das moléstias. Isso é feito em larga escala, porque somos ainda imperfeitos e fracos; vivemos rodeados de males e raramente os suportamos com humildade e resignação. Conhecendo muito pouco das leis espirituais que regem nossos passos na existência terrena, erramos quando desejamos que os protetores retirem das nossas costas as cargas que nos cabe suportar. Jesus disse-nos que cada um tinha que carregar seu fardo. Os guias espirituais estão sempre prontos a nos auxiliar, mas é preciso compreender que há certos limites que eles mesmos não podem transpor, porque tudo o que nos acontece de bom ou de mal, é necessário ao nosso adiantamento espiritual; para isso é que nascemos. Não viemos para sofrer; viemos para progredir pelo amor, mas criamos dívidas na nossa jornada e somos obrigados a resgatá-las, da mesma maneira que nos endividamos. Se causarmos sofrimento, é pelo sofrimento que nos quitamos; se causarmos prejuízos a alguém é passando por prejuízos que liquidamos nossos débitos – essa é a Lei. Pelo nosso livre-arbítrio, podemos plantar o que quisermos, ou seja, agir de acordo com a nossa vontade, sabendo, entretanto, que colheremos daquilo que plantarmos. O livre-arbítrio, ou a liberdade que temos de agir dentro das leis dos homens e divinas, foi dado ao ser humano para que ele mesmo faça sua conduta, enfrentando seus problemas, assumindo responsabilidade das decisões que tomar, dos pensamentos que emitir, das palavras e dos atos que praticar e as suas conseqüências. Inútil é tentar transferir para os protetores espirituais nossos problemas, na suposição de que eles resolvem por nós, por serem Espíritos com mais poder. Somente espíritos irresponsáveis, malévolos e mistificadores se envolvem em nossos problemas pessoais, opinando ou interferindo. Isto não quer dizer que não teremos a assistência dos Espíritos familiares ou afins, que nos aconselham medidas, indicam remédios, choram conosco nossas dores e consolam sempre, assim como os de hierarquias mais elevadas também o fazem; porém não interferem eles no curso normal das leis divinas, salvo em casos especiais, onde haja o merecimento e a permissão da bondade de Deus. Quando, portanto, surgir dificuldades ou vicissitudes a enfrentar, o que devemos fazer é analisar o problema à luz da razão e lutar para eliminá-lo, utilizando nossos próprios recursos. Se mesmo assim não houver resultado satisfatório, persistir, até termos certeza de que a solução está acima de nossas forças; então podemos recorrer aos benfeitores espirituais, não com a certeza de sermos atendidos, mas com a esperança e a fé que Jesus nos transmitiu, ao dizer: “Buscai e achareis; pedi e dar-se-vos-á”, condicionado ao nosso merecimento. Para evitar essas situações, convém lembrar que é necessário exercer o livre-arbítrio de pensar, falar e agir sempre com pureza e elevação. Todo pensamento é vivo, tem vibração e interfere na vida do próximo como também na nossa. Há muita responsabilidade no ato de pensar, porque, se pensarmos bem espalhamos o bem e, em caso contrário, semearemos o mal, tanto ao nosso redor como a distâncias. Pensando, falando e agindo com bondade e justiça, criaremos correntes benéficas de força em torno de nós, fluídos e vibrações positivas e proteção que nos trarão bem-estar e aos nossos próximos. Deus a todos possibilita os caminhos que levam à perfeição; mas todos têm que percorrê-los com seus próprios esforços, executando a tarefa que lhes está prescrita, seja no campo individual, ou no campo coletivo. “O livre-arbítrio, vem de Deus... porém o destino, a fatalidade e os sofrimentos vem dos próprios seres humanos...” Que a Paz do Senhor esteja em nossos corações. Bibliografia: Edgard Armond Livro dos Espíritos Jc. S.Luis, 02/08/2004 Refeito em 07/08/2012

O VALOR DA ORAÇÃO

O VALOR DA ORAÇÃO Muitas pessoas acreditam no destino, achando que os acontecimentos que terão de passar não serão modificados, mesmo tendo fé e acreditando na bondade e justiça de Deus. Por essa razão, essas pessoas terminam não usando a oração, veículo de comunicação de que nos servimos para suplicar e agradecer, as forças necessárias para alterarmos os fatos, e resignação, para aceitarmos o que for do determinismo divino. Quem assim pensa, com certeza ainda não refletiu sobre o valor da oração. Fazer uma oração ao levantar, pela manhã, é a forma de atrair boas vibrações e a assistência dos bons espíritos, assim como fazer também uma oração ao deitar, são a melhor maneira de se agradecer as bênçãos recebidas durante o dia, e de sermos reconhecidos e agradecidos ao grande Pai Doador. Se com elas, não conseguimos tudo o que precisamos; será que sem elas será mais fácil conseguir? O próprio Jesus nos disse: “O que quer que seja pedido na oração, crede que o obtereis”. Nos dias atuais, são os próprios homens da ciência que se preocupam com a oração e seus efeitos. Já existem experiências, em que pessoas são escaladas para orarem em favor de certos pacientes, enquanto outros pacientes, com idênticos males, ficam sem alguém que por eles orem. Os que receberam a oração, às vezes repetitivas e sem muita vibração e fé, foram os mais beneficiados. Na hora da prece, devemos expor nossas necessidades; aquilo que mais nos atormenta a alma. Infelizmente, no mundo de hoje, o ser humano, com exceções, lógico, encontra-se desligado de Deus. Com o avanço da tecnologia, da cibernética, do computador, as pessoas se materializaram e perderam o contato com Deus. Em contrapartida, nunca o ser humano mostrou tanto apego às coisas materiais. Sem as energias positivas do Criador, obtidas pela oração, a pessoa sofre de depressão, de tristeza, de solidão, de angústia e de outras fobias que fazem parte dos tempos atuais, e que os médicos lutam para curar. Porém, sabemos que as doenças da alma não são curadas pela medicina convencional; só a oração, é o verdadeiro remédio. Mas, não deve ser uma repetição fria e decorada de um amontoado de palavras; a oração deve nascer do sentimento profundo da alma, ocasião na qual, o ser humano, busca pelo espírito, a Deus que também é essência Espiritual. Nossas perturbações de origem orgânica, emocional ou mental, são agravadas ou amenizadas pelos nossos pensamentos inferiores ou superiores, que agem negativamente ou positivamente sobre as zonas de predisposição enfermiças. Assim, o poder da oração na cura dos doentes, será tanto maior, quanto for á disposição do paciente em curar-se; de mobilizar suas próprias energias no sentido de recuperar a saúde. Certamente não somos religiosos extremistas; pois sabemos que “vírus e bactérias” não serão curados com preleções morais. Para isso devemos usar os recursos médicos, quando dele necessitamos. Médicos honestos, de vida honrada, são também agentes do amor de Deus na Terra, a amenizarem nossas dores, de conformidade com as nossas necessidades e/ou merecimento. Jesus curou muitos enfermos, mas chamou ao Reino Divino, somente os que se restauraram nas deficiências humanas, a exemplo do que aconteceu com Madalena e Zaqueu e tantos outros que lutaram e sofreram pela cura definitiva. Reconhecendo que a origem de muitas doenças está no espírito, entenderemos melhor a ação medicamentosa da oração e seu enorme poder de cura. Recordemos a passagem da mulher atormentada há doze anos por uma hemorragia que a tornava impura; ela busca tocar a túnica de Jesus, crendo que ficaria curada, o que aconteceu. Jesus percebendo que dele saíra uma energia, voltando-se para o povo, pergunta: “Quem tocou minha veste?”. Essa energia todos nós temos, embora diminuta se comparada à energia do Mestre, ou dos Espíritos Superiores. Orar diariamente; vivermos em convivência fraterna, cultivar a fé e lutar para não cair nas armadilhas do mal, é imperativo a que devemos nos submeter. Oremos como Francisco de Assis, que dizia: “Senhor, fazei-me instrumento de Vossa Paz; Onde haja ódio, consenti que eu semeie amor; Perdão, onde haja injúria; fé onde haja dúvida; Esperança, onde haja desespero; luz onde haja escuridão; Alegria, onde haja tristeza. Oh Divino Mestre, permiti que eu não procure tanto ser consolado, quanto consolar; Ser compreendido, quanto compreender; Ser amado, quanto amar, Porque é dando que recebemos; perdoando que somos perdoados; E, é morrendo (nos libertando do corpo), que nascemos para a Vida Eterna...” Há muito luz quando se ora com amor; afastamos as trevas e mudamos tudo para melhor. Quando Jesus, erguendo os olhos para o céu, e os braços elevados, como a querer abraçar a Deus e suplicar por todos, disse: “PAI NOSSO...” uma nova era começava para o mundo; o pensamento se direcionava para o bem e para o amor. Essa oração de Jesus, denominada de dominical, é mencionada nos Evangelhos, por Mateus Cap.6 vs. 9 a l3, e Lucas Cap.2 vs. 2 a 4. Jesus ao nos ensinar a orar, nos recomenda “para entrar no quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que tudo vê em secreto, te recompensará; porque o vosso Pai, sabe do que tendes necessidade, antes que lho peçais.” Jesus ao falar quarto, não se refere a uma parte da casa, mas ao interior de cada pessoa; e o fechar a porta, é uma alusão ao recolhimento, ao desligamento das coisas materiais, colocando-se em sintonia com o plano espiritual, a procura do Pai Celestial. A oração é um dever, um ato de adoração e de agradecimento a Deus, pela vida, pela existência, e uma necessidade que nos protege contra as investidas maléficas, dando-nos a resignação e coragem para as provas e resgates, a fim de corrigirmos as nossas imperfeições. Ao iniciarmos a nossa oração, dizendo: “PAI NOSSO...”, sentimos a força de uma ligação com o Pai, autor de nossas vidas; o Criador, o princípio de tudo; e quando Jesus assim disse, Ele se igualou a todos os seres humanos, incluindo-se na família universal. “QUE ESTAIS NO CÉU” – “céu é o espaço ilimitado e indefinido onde se movem os astros”. O Pai Nosso, está, portanto em toda parte, em cada partícula, em cada átomo, em cada ser. Se pretendermos limitar o céu apenas àquilo que os olhos humanos vêem, é pretender limitar Deus. A grandeza e a presença de Deus, deve ser sentida em tudo e em todos, porque Ele está em nós, na Natureza e no Universo. SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME – Significa, santificar, tornar santo, digno de veneração e respeito, glorificar. Jesus confirma com estas palavras, a atitude de humildade e amor que se deve ter para com o Pai Criador, seguindo a Lei Maior que diz: “Amar a Deus sobre todas as coisas”. VENHA A NÓS O VOSSO REINO – Jesus, por diversas vezes afirmou que seu reino não era deste mundo e, no entanto, nesta oração, Ele mesmo ensina a pedir ao Pai, a vinda desse reino, a que muitas vezes se referiu. Aparentemente, parece uma contradição. Na verdade, o que Ele se referia era ao reino de entendimento, da fraternidade, do amor que realmente ainda não existe neste mundo. Esse reino se instala nos seres humanos, à medida que eles evoluírem, que crescerem moral e espiritualmente. SEJA FEITA A VOSSA VONTADE, ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU – É a entrega total que se faz ao Pai, numa atitude de confiança ilimitada em Seus desígnios misericordiosos, conforme disse Jesus: “Porque vosso Pai sabe o que vos é necessário antes de lho pedirdes”. Portanto, se Deus sabe o que convêm a cada pessoa, devemos nos conformar com a Vontade Divina que rege o Universo. Às vezes a pessoa pede em oração, alguma coisa que acha ser a solução, e embora tenha orado muito, não é atendida e se decepciona, achando que Deus não é bom ou não existe, porque não a atendeu. Na nossa oração, nunca se deve pedir nada pessoal; deve-se pedir que fosse feita a vontade do Pai, porque Ele sendo infinitamente justo e bom, sabe o que é melhor para nós. Muitas das vezes, somos atendidos por outros meios, por outras pessoas, determinando a solução do nosso problema e um crescimento espiritual. O PÃO NOSSO DE CADA DIA, DÁ-NOS HOJE E SEMPRE QUE MERECERMOS – Obedecendo ao imperativo das Leis do Trabalho e Progresso, o ser humano necessita de alimento, tanto para o corpo físico como para o espírito. Sob o ponto de vista material, ao pedir o pão de cada dia, estará pedindo os meios de exercer suas atividades, para que, com o suor do seu rosto, consiga o alimento para o corpo, a fim de realizar a sua evolução. É justo e necessário que esse corpo seja cuidado, cabendo a cada um a responsabilidade de mantê-lo alimentado e saudável. Por outro lado, o espírito também precisa ser atendido, o que é feito pela assimilação dos ensinamentos de Jesus e, pela prática do que foi aprendido. Pedindo o alimento espiritual, estará o ser humano pedindo o conhecimento, o entendimento e a capacidade de modificar-se, amando o seu semelhante para melhor atingir um grau maior de evolução. PERDÔA AS NOSSAS DÍVIDAS – Jesus nos ensina a pedir ao Pai para perdoar as nossas dívidas, ou seja, as nossas imperfeições e erros. E como podemos ser perdoados? - Cada uma das nossas infrações às Leis Divinas, é uma dívida contraída que, cedo ou tarde será preciso resgatar. É quando entra a lei da reencarnação, ao não saldarmos nossos débitos na mesma existência. Outras existências nos serão possibilitadas e os meios necessários para repará-las e resgatá-las. Só assim, se explicam as anomalias e as diferentes situações das pessoas. Aquele que seguir os preceitos divinos; que conseguir um elevado grau de evolução, não mais necessitará de oportunidades de resgate de faltas, porque já estará voltado e afinado com o bem e o amor. ASSIM COMO PERDOAMOS AOS NOSSOS DEVEDORES – Jesus, nesta afirmação, como Espírito Elevadíssimo, ao ponto de ser chamado “filho dileto”, nos demonstra que possuía condições de perdoar realmente aos seus devedores, como o fez aos que o maltrataram, o martirizaram, o condenaram, o crucificaram e o fizeram morrer na cruz... Será que nós também já estamos livres das imperfeições e em condições de perdoar as mínimas faltas cometidas pelos semelhantes contra nós? Será que assim procedemos? Sinceramente, eu apesar do esforço que venho fazendo para me desfazer das minhas imperfeições, creio que ainda serão necessárias muitas outras encarnações, para poder exercer a virtude do perdão. É impossível na minha condição atual de espírito ainda atrasado, perdoar uma ofensa, uma calúnia, uma agressão, uma maldade, um prejuízo, sem ao menos pensar em revidar. Por isso, enquanto não alcanço um estágio mais evoluído, substituo a frase “Assim como também perdoamos aos nossos devedores”, nas minhas orações, pela frase; “Dai-nos a força para podermos também perdoar aos nossos devedores”. E NÃO NOS DEIXES CAIR EM TENTAÇÃO – Quando elevamos o nosso pensamento ao Pai Celestial, rogando que não nos deixe cair em tentação, fruto da nossa própria inferioridade espiritual, somos assistidos por entidades benevolentes, se a nossa súplica for acompanhada do sentimento de humildade e sinceridade, opera-se um fortalecimento do nosso espírito, para o caminho do bem. É necessário, além disso, travar uma grande batalha contra nossos próprios instintos inferiores, melhorando e passando a substituí-los pelos sentimentos nobres. Somente dessa maneira, estaremos fazendo jus a proteção que pedimos na oração. MAS LIVRA-NOS DO MAL Jesus, terminando esta oração, nos ensina a pedir ao Pai, para “livrar-nos do mal”; para que nos dê forças para resistirmos á prática do mal, pois se continuarmos no mal, dele não nos livrará porque sabemos que o mal que nos acontece é fruto do mal que praticamos. Devemos de hoje em diante, tudo fazer para evitar praticar o mal, pois somente assim, poderemos um dia viver somente para a prática do bem. POIS, VOSSO É O REINO, O PODER E A GLÓRIA PARA SEMPRE, Cabe a cada um de nós, conscientizar-se do Amor, da Justiça, da Misericórdia e da Bondade de Deus, e da importância desta oração ensinada por Jesus, para que não seja ela repetida automaticamente, sem sentimento de humildade, respeito e fé em Deus. ASSIM SEJA SE FOR DA VOSSA VONTADE E DO NOSSO MERECIMENTO, Jesus que nos ensinou a oração dominical orava sempre ao Pai, de quem recebia as energias necessárias para a sua missão, e por conhecer-lhe o poder, recomendava com sabedoria: “Orai e vigiai, para não cairdes em tentação”. Devemos todos orar, uns pelos outros, estabelecendo uma rede protetora de energias positivas, que são dinamizadas pelas forças cósmicas em ação. Esse intercâmbio com nossos semelhantes e, principalmente com Deus, é essencial para nosso desenvolvimento e progresso espiritual. Ao iniciar o nosso dia e ao nos recolher para o descanso à noite, devemos fazer as nossas orações, não só para pedir ao Pai o amparo espiritual como também para agradecer as bênçãos recebidas, ou mesmo, até as dificuldades que são os resgates das nossas faltas, habilitando-nos a galgar planos superiores na espiritualidade. A oração é finalmente, o precioso bem de que dispõe o ser humano, para viver e progredir e chegar a Deus... Que a Paz do Senhor esteja em nossos corações. Bibliografia: “Novo Testamento” “Evangelho Segundo o Espiritismo” Jc. O6/02/2000 Revisado em 07/08/2012

O TRABALHO

O TRABALHO O trabalho é uma lei? – “O trabalho é uma lei da natureza e por isso mesmo é uma necessidade”, respondem os Espíritos Superiores a Kardec, na pergunta 674 de “O Livro dos Espíritos”. Uma das ilusões do ser humano é a de confundir felicidade com o ócio; paz de espírito com ausência de responsabilidade; isto porque, desde a mais remota antiguidade, criou-se um conceito errôneo de trabalho; atitude servil de quantos caísse em submissão, aos conquistadores do poder temporal. O fraco ou o tolo tornavam-se escravos e a eles era imposto o trabalho, assim como as mulheres, reservando-se os braços dos senhores e dos maridos, para a inércia dourada. Daí confundir-se felicidade com inatividade. O escravo e a mulher sonhavam com a felicidade que só era desfrutada pelo seu senhor, enquanto eles trabalhavam, trabalhavam... De tal maneira esta idéia ficou arraigada no espírito humano que as religiões ortodoxas apresentavam o céu como uma região de beatitudes, onde as almas eleitas se compraziam no descanso eterno, não obstante o Mestre haver dito: “Meu Pai trabalha até agora e Eu trabalho também” ( João 5:17 ) Jesus, nosso exemplo maior, sempre trabalhou. Desde menino ajudava José, seu pai, que era carpinteiro. Mais tarde, muitos anos depois, passou a trabalhar ajudando aos necessitados do corpo e da alma, pregando a sua doutrina de amor para todos, levantando os caídos, curando os doentes, fossem eles, paralíticos, cegos, leprosos, enfim, todos os que tivessem algum problema, encontravam em Jesus, a solução. A vinda de Jesus não representou apenas um marco divisor no calendário, mas também revolucionou o conceito de trabalho. Enquanto, antes Dele, o trabalho era sinônimo de escravidão, a Sua filosofia vem ensinar que o trabalho é roteiro justo de emancipação e de elevação tanto material como espiritual. As pessoas sempre gostariam de ser ricas; possuir bens materiais e posições de destaque; satisfazer suas necessidades e vontades, mesmo as mais supérfluas; enfim, usufruir de todas as vantagens que a riqueza pode proporcionar. Porém, poucas são as pessoas que se lembram de falar também da caridade que poderiam fazer aos necessitados, da ajuda que poderiam prestar a orfanatos, creches, asilos e outras instituições beneficentes, se Deus atendesse a todos os seus apelos. A primeira coisa que fariam os que ficassem ricos de uma hora para outra, mesmo aqueles que trabalhavam para se manter, seria abandonar o serviço, esquecer o trabalho, adotar a ociosidade e passarem a gastar como se a fortuna não fosse acabar. Muitos acham que o trabalho é uma injustiça e por isso acham-se sempre injustiçados, esquecidos por Deus, ficando a se maldizerem, tornando-se eternos insatisfeitos por não aceitarem a situação que elas mesmas escolheram, na espiritualidade, antes de assumirem nova existência na Terra. Tornam-se pessoas invejosas dos haveres colocados à disposição de seus semelhantes, passando a viver em constantes frustrações e desânimo. Essas pessoas só olham para os que estão em melhor condições, ás vezes, escravos dos seus haveres (“...onde estiver o teu tesouro aí também estará o teu coração”), estes, sem tranquilidade, sem paz, preocupados em não perder ou não roubarem o que amontoaram; e elas esquecem de que existem pessoas que estão em situação inferior a sua, em piores condições, onde se contam milhões de irmãos, pessoas que não tem um trabalho; um teto para os abrigar, outras não tem o pão para saciar a fome; pessoas cegas, surdas, deformadas, paralíticas; pessoas que se encontram sofrendo nos hospitais, nos manicômios, nos leprosários, nas prisões, as vezes esquecidas e abandonadas pelos próprios parentes, porém resignadas e confiantes nas “Bem-aventuranças” prometidas pelo nosso Mestre Jesus. É pela benção do trabalho que podemos atender dentro da Lei de Deus, as nossas necessidades e esquecer os pensamentos que nos perturbam, os assuntos amargos, no enriquecimento de nossa existência, ajudando e amparando o nosso próximo. Ocupando a mente, o coração e os braços nas tarefas dignificantes, estamos exercitando a fraternidade, adquirindo o tesouro da simpatia e colaborando com a Divina Providência, no nosso próprio aprimoramento espiritual. Se Deus tivesse isentado o ser humano do trabalho, seus membros ficariam atrofiados; se o tivesse isentado do trabalho da inteligência, seu espírito teria permanecido na infância do conhecimento, no estado de instinto animal; por isso, lhe fez do trabalho uma necessidade, e lhe disse: “Procura e acharás, trabalha e produzirás, dessa maneira, será o filho das tuas obras; delas terás o mérito e serás recompensado segundo o que tiveres feito...” Diz o “Evangelho Seguindo o Espiritismo” que a máxima: “Ajuda-te, e o céu de ajudará”, é o princípio da lei do trabalho e, por conseguinte, da lei do progresso, porque o progresso é filho do trabalho, que coloca em ação as forças da inteligência. Na infância da Humanidade, o homem só aplica sua inteligência à procura de sua alimentação, dos meios de se preservar das intempéries e de se defender dos que lhe podem causar mal; mas Deus lhe deu, a mais do que ao animal; o desejo de melhora, e é esse desejo que o impele à procurar os meios de melhorar sua condição, que o conduz às descobertas, às invenções e a ciência, que lhe proporciona o que lhe falta. Mas o progresso que cada ser humano cumpre individualmente durante sua existência. é bem pouca coisa; como então a Humanidade poderia progredir sem a preexistência e a existência do espírito? Se o espírito, após uma única existência fosse embora e não voltasse, a Humanidade se renovaria sem cessar com os elementos primitivos, e não haveria razão para que o homem hoje fosse mais avançado do que nas primeiras idades do mundo. O espírito, ao contrário, voltando com o progresso oriundo do seu trabalho e adquirindo em cada existência mais e mais conhecimentos, passa da barbárie à civilização material, e desta à civilização moral e espiritual. Caberia à Doutrina dos Espíritos, que desenvolve e explica a filosofia de Jesus, estabelecer a diferença entre o trabalho que liberta e o que escraviza. “Não vale agir por agir” diz Emmanuel. O assaltante considera trabalho, o planejamento e a execução de um assalto. O ladrão considera um trabalho, quando furta coisas do seu semelhante. As regiões infernais vibram repletas de movimento. Nelas há espíritos que lideram muitos outros espíritos mais fracos, que se afina com eles no devotamento ao mal. Trabalhos assim colocam seus executores na condição de devedores diante da Lei Divina, porque responderão não só pela omissão do trabalho, como também, pelas atividades mal conduzidas. A Doutrina dos Espíritos nos ensina que todos nós, juiz ou lavrador, médico ou operário, professor ou marinheiro, estamos todos enquadrados naquela parábola dos talentos, de que se serviu Jesus, para chamar-nos ao exame de nossas responsabilidades perante os empréstimos que nos foram concedidos pelo Senhor da Vida. Cada espírito recebe, no plano em que se encontra certa quota de recursos para viver, honrar a obra Divina e engrandecê-la. Acontece, porém, que muitas das vezes, desbaratamos os talentos recebidos, contraem débitos que, na contabilidade da vida, serão cobrados mediante leis justas e imutáveis. Por isso, quando questionarmos quanto à insatisfação do trabalho que a existência nos impõe, busquemos a resposta para a nossa indagação, na Lei de Causa e Efeito, dentro dos princípios da reencarnação. Nós só seremos livres para escolher o trabalho que desejamos, quando fizermos do nosso trabalho um instrumento de libertação. Há o trabalho obrigação e o trabalho vocação e abnegação. Nas contingências naturais da existência terrestre, o espírito encarnado é compelido a esforço incessante para o sustento do corpo físico. Recolhe de graça, os raios solares que vivificam a vida na Terra e os recursos nutrientes da atmosfera; entretanto, é preciso suar e sofrer trabalhando em busca das proteínas e das vitaminas que lhe asseguram a manutenção orgânica. Ao lado do trabalho-obrigação que nos permite a renumeração, podemos realizar o trabalho-abnegação que nos dá o prazer de servir. A abnegação começa onde termina o dever. Qualquer trabalhador, em qualquer área de atividade, pode dar um pouco além do dever. A alegria, a gentileza, a paciência, são doações que fazemos além do trabalho-obrigação. O trabalho-obrigação mantém as pessoas e transforma o mundo; O trabalho-abnegação modifica as pessoas melhorando a humanidade. Pelo primeiro, o ser humano faz progredir o mundo, enquanto ele mesmo se aprimora em inteligência, caminhando para frente, na horizontal. Pelo segundo, transforma-se a si mesmo, caminhando na vertical, em direção ao Criador. O trabalho constitui a marcha da evolução espiritual. Assim, todos os espíritos encarnados e desencarnados, em qualquer grau de hierarquia em que estejam do maior ao menor, têm suas atribuições no grande mecanismo do Universo; somos todos úteis ao conjunto, ao mesmo tempo em que beneficiamos a nós mesmos. Em toda parte da criação, a atividade se faz presente; no mundo espiritual não existe a inútil ociosidade que muitos supõem. Daí a afirmação de Jesus: “Meu Pai trabalha até agora e Eu trabalho também”. Richard Simonetti, no livro “De papo pro ar”, faz a seguinte observação: “Num Universo dinâmico, onde tudo vibra em movimento de trabalho e progresso, desde o verme, que nas profundezas do solo o fertiliza, aos mundos que se equilibram no espaço, eis o ser humano, o mais evoluído do planeta Terra, a confundir a felicidade com o não fazer nada, e querer a paz com a ausência da responsabilidade. Daí a sua dificuldade em ser feliz. Está ele fora do ritmo do Universo”. O trabalho é lei da vida. Cada ser realiza as tarefas que lhe são possíveis por sua condição. Quem não trabalha não progride; permanece sempre na mesma situação, sem realizar nada de bom ou de útil. Mas não basta apenas cumprir sua obrigação e realizar a tarefa que lhe compete, é importante trabalhar com dedicação com amor, procurando fazer tudo bem feito, casando a vocação com a profissão. Certamente receberá de Nosso Pai o salário do trabalhador de boa-vontade, cuja renumeração será bem maior do que aquela que recebe como pagamento pelo suor dispendido. Por isso, jamais alguém deve se sentir sem condições para executar alguma tarefa, ajudar alguém, ou cooperar nas obras do bem. Desde que não esteja doente, ou impedido de trabalhar, todos devem se dedicar a uma profissão nobre e digna. Não devemos menosprezar o trabalho do nosso irmão, por mais humilde e simples que seja, porque todo serviço feito com amor é abençoado por Deus. O que seria de nós se não existisse o agricultor? – O carregador, o motorista, e o comerciante? - A cozinheira, a costureira e a professora?- O recolhedor de lixo (gari) ou até mesmo o coveiro? – Seria o caos... Todas as atividades são necessárias ao bem comum. Elas se completam para que o ser humano possa sobreviver e progredir. Devemos sentir orgulho de nossa atividade, seja ela qual for. Deixemos os sonhos de grandeza fácil que só nos pode levar aos abismos do sofrimento, e vamos lembrar que o trabalho nos afasta de três grandes males, que são: O vício, a doença e a necessidade. Sobre o trabalho, lembro aqui uma pequena passagem de minha existência: Após muitos anos de trabalho, resolvi tirar uns dias de férias para fugir da rotina, como qualquer ser humano. Pois é a rotina de se fazer todo dia a mesma coisa, que nos leva a entediar até mesmo o trabalho que fazemos; mesmo aquele que juntamos a vocação com a profissão, que nos faz realizar as coisas com carinho e amor. Pois bem, tomamos o trem que vai de São Luis para Carajás e fomos conhecer as cidades de Açailândia e Imperatriz. Durante o tempo em que estivemos viajando no trem, olhando a paisagem, me chamou a atenção, um fato que sempre tinha olhado, mas que nunca me detivera para analisar. Refiro-me a vegetação existente no percurso da viagem. E veio então à minha mente, a pergunta: Por que existia mato e não pomares repletos de frutos ou mesmo árvores frutíferas? Por que a Providência Divina ao fazer a vegetação, não preferiu as árvores que dessem fruto em lugar de mato? Procurei uma explicação. A resposta não se fez esperar e veio na forma de intuição: Se houvesse em lugar de mata, que nos proporciona o oxigênio e possibilita refrescar a terra e o ar, apenas árvores frutíferas, o ser humano se limitaria a colher os frutos e se alimentar, nada mais fazendo até que lhe faltasse o alimento e ele pereceria por falta do hábito do trabalho de plantar e extrair da terra, o alimento necessário a continuação da sua existência. Em seguida, descobri a parte mais interessante do assunto. Para que o ser humano progredisse, através do trabalho, o Determinismo Divino criou a mola propulsora da humanidade, que se chama... “barriga”. Esta, quando deseja ser saciada, impele o ser humano a sair em atividade, a fim de conseguir satisfazê-la. Se não fosse essa obrigação, o ser humano ainda estaria vivendo no tempo das cavernas. Então, obrigado pelo estômago, o ser humano sai em busca do que possa se alimentar, e trabalhando, vai encontrando e conseguindo os meios de sobreviver; fazendo do seu esforço mais compensatório, surge o progresso. O receio do “amanhã” não ter como satisfazer as necessidades da “barriga”, o faz previdente, trabalhando um pouco mais para o presente e o futuro incerto. Pensa como fazer o seu trabalho menos difícil, e cria as invenções que lhe possibilita maior produtividade, menos esforço e melhores condições de vida. Dessa maneira, vivendo em comunidade, e cada um fazendo o que necessita para sua existência, vai progredindo e pelo espírito de fraternidade para com as outras pessoas, o seu espírito também progride. Eis porque, devemos agradecer ao nosso Pai Celestial, a oportunidade que nos dá do trabalho; pois é pelo trabalho digno, pela oração cheia de fé e pela caridade para com nossos irmãos, que nos aproximamos de Deus, e conquistamos o direito de sermos chamados também de filho bem-amado. Se já estamos cientes da imortalidade ( porquanto o espírito continua e o corpo vai se decompor na terra) que o conhecimento espírita nos proporciona, já temos também o apelo constante da existência: trabalha, trabalha! Porque se não trabalharmos, o nosso corpo se atrofia, as doenças se apresentam e o processo de envelhecimento se acelera, levando-nos prematuramente ao túmulo, trabalhemos então com alegria. “A cada um, será dado segundo suas obras”, aqui na Terra como na Espiritualidade. Bom trabalho, portanto, desejo a você meu irmão. Bibliografia: Novo Testamento Livro “Pensamento e Vida” Evangelho Segundo o Espiritismo + acréscimos Jc. S. Luís, 1998 Refeito em 08/08/2012