quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A ADOLESCÊNCIA EM TODOS OS TEMPOS

A ADOLESCÊNCIA EM TODOS OS TEMPOS O conceito de adolescente foi criado em 1904 pelo psicólogo americano Stanley Hall, como o período e a mudança da infância para a juventude, e era marcada antigamente por rituais de passagem. Na Grécia antiga, um jovem adquiria status de adulto se tivesse educação; era o período de aprendizagem entre o mestre e o discípulo. Na Idade Média, ser ordenado cavaleiro significa deixar de ser criança, o que acontecia aos 15 anos de idade. O jovem recebia armas, cavalo e armadura para os combates nos torneios. No século XVII, no período conturbado por guerras, a fase adulta era considerada com o ingresso no serviço militar. Nos séculos XVIII e XIX, o alemão Johann Van Gethe, criou o modismo da época romântica, onde o jovem se tornava adulto depois da primeira desilusão amorosa. Em 1950, o adolescente adquire o status de adulto, se conseguir a chance de ingressar na Universidade e adquirir o hábito de consumir. Em 1960, ser adolescente significava se rebelar; usar drogas, praticar o sexo e falar de política. Foi a época dos hippies, do culto ao sexo livre e dos protestos. Em 1980, os adolescentes se fragmentaram em tribos, funks, góticos, roqueiros, cada um possuindo visual e hábitos próprios. Os jovens saíram de casa para protagonizar uma revolução de costumes jamais vista até então. Fizeram do rock’nroll o gênero mais importante da música popular e passaram a viver a promiscuidade. Esses jovens depois cresceram, casaram-se, viraram pais e mães, e depois acompanharam atônitos outra revolução de costumes, igualmente jamais vista. Ela foi protagonizada pelos seus próprios filhos, seguindo os exemplos dos seus pais, e ocorreu dentro de suas próprias casas. Os jovens de ontem, se trancavam no quarto ou procuravam a companhia de outros jovens, se isolando dos demais. Os jovens de hoje, se trancam também, mas para se plugar na Internet, na TV a cabo, no som estridente e no celular. Os de ontem, faziam sexo livre e depois arranjavam uma desculpa para explicar por que haviam chegado mais tarde. Os de hoje, já fazem sexo no quarto, dentro de casa, na maioria dos casos, sem dar desculpa alguma aos pais. Em 2000, surge a geração tecnológica, num mundo de informações rápidas, onde os contatos acontecem pela tela do computador. São os tempos de uma adolescência que gosta de músicas eletrônicas, jogos e amizades eletrônicas. A geração atual é a mais informada de todos os tempos e o grande desafio é utilizar de forma produtiva, no seu próprio amadurecimento, o volume de informações que recebe. Essa geração muda de um canal para outro na televisão; vai da Internet para o telefone celular, deste para o vídeo e o som e retorna para a Internet. Diferentes de seus pais sentem-se à vontade quando ligam ao mesmo tempo a televisão, o som, o telefone e a Internet. Aprenderam a conviver com a globalização desde a infância. Como informações não lhes faltam, estão sempre à frente dos mais velhos, concentrados em adaptarem-se aos novos tempos. Essa geração precisa selecionar o joio do trigo. E esse desafio não se resolve com um computador. A arma a ser utilizada chama-se maturidade... Uma das principais características dessa adolescência é que nessa fase o adolescente começa a dizer “não”. E o “não” é a sua resposta para todas as situações. A mãe pergunta: “Quer tomar um banho?” – “Não”. “Quer vestir um agasalho porque está frio?”- “Não” “Já fez o dever de casa?” – “Não” Não se trata apenas de uma resposta. O “não” serve para eles ganharem tempo e verificarem se são donos da situação. O adolescente poderá até tomar o banho, usar o agasalho e fazer o dever de casa, mas ele acha que fará isso porque ele quer. Ele está na fase do questionamento e entende ou aceita apenas o que ele julga ser correto ou justo, mesmo que sua percepção de “coerência ou justiça” seja incorreta. A porta do quarto de um adolescente parece ter mais placas de proibição do que cerca de usina atômica. Está, geralmente, afixado na porta: “Não perturbe”, “não entre”, “cuidado, alta tensão”, “Rock pauleira”, etc. “Na verdade, o adolescente quando se tranca no quarto, ele não quer isolar-se do mundo, mas apenas afastar os pais”, explica a psicóloga Ceres Alves Araújo. Ainda para afastar os pais, os adolescentes usam outros expedientes – música alta e barulhenta, e atualmente, esse não é o único aparelho ligado, pois ele é capaz de assistir à televisão, viajar na Internet, falar ao telefone e ainda escutar o som de um CD. Isso não significa que ele consiga prestar atenção em tudo ao mesmo tempo. Eles conseguiram desenvolver uma habilidade fantástica para lidar com a simultaneidade, mas têm dificuldades em se aprofundar em alguma coisa. Ele pode estar falando com um colega ao telefone e, se o papo fica chato, passa a prestar atenção no jogo de futebol e de repente, o som de uma música agradável lhe toma a atenção; se a música muda e ele não gosta, volta a prestar atenção ao colega no telefone. A globalização espalha a cultura jovem com maior velocidade. Ela teve início nos anos 50, quando começaram a surgir os ídolos dessa faixa etária: - James Dean, Elvis Presley, Chuck Barry; depois vieram os Beatles, Rolling Stones, Madonna, etc. Qualquer que fosse a nacionalidade do adolescente, ele se identificava com os seus ídolos, razão porque ele pertencia mais a sua faixa etária do que a seu país. Os adolescentes do passado se definiam por James Dean, o inspirador da “juventude transviada” dos anos 50. Os Beatles e os Rolling Stones, da turma do sexo, drogas e rock’nroll. Madonna liderava a juventude “com licença, vou à luta” nos anos 80. Hoje, de seus ídolos, os adolescentes querem apenas diversão, comprar roupas parecidas, gritar de paixão nos shows, se divertir e depois ir para casa dormir, pensando que amanhã será um novo dia, talvez com um novo ídolo. Antes da revolução sexual, os adolescentes, principalmente as garotas, só deixavam a casa dos pais para casar. Depois, morar sozinho tornou-se um sonho acalentado pelo adolescente, pois era a única maneira de ter liberdade e viver as próprias aventuras. Entretanto, para manter um apartamento equipado, um jovem precisava estar bem colocado no mercado de trabalho. Afinal, aluguel, condomínio, assinatura da Internet, TV a cabo e linha telefônica custam dinheiro, além de alimentação e outras despesas. Na casa dos pais, tudo isso era de graça. Assim sendo, eles estão preferindo ficar na casa dos pais até que sejam capazes de garantirem para si mesmos uma vida confortável. Os adolescentes de hoje tem mais liberdade e a vida sexual é cada vez mais cedo. “Ficar” é um termo que tem deixado muitos pais de cabelos em pé. Vejamos um diálogo entre filho e pai: - “Pai, fiquei ontem à noite com uma garota linda, na festa da Cláudia!” - “Como se chamava ela, meu filho?” – “Não sei, mas era uma gatinha”, respondeu o filho. A identidade da moça é menos importante do que o ato de ficar... Os tempos românticos em que se imaginavam os primeiros contatos de um adolescente com as drogas, poderiam ocorrer por intermédio de um lendário traficante disfarçado de pipoqueiro. Hoje, sabe-se que as drogas são vendidas até dentro dos colégios, por alunos que traficam em troca de dinheiro para financiar seu próprio vício. A grande questão atualmente para os pais não é mais evitar que seu filho tenha contado com as drogas, o que é quase impossível. O problema é ele não se tornar um viciado e dependente. E para isso. em primeiro lugar é necessário saber o que leva um adolescente a provar substâncias proibidas, que se resume a uma palavra: Curiosidade. “Para muitos, provar a droga faz parte do ritual da adolescência e é como “ficar” pela primeira vez”, acha o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, da Unifesp. Há um aspecto levantado pelo governo dos Estados Unidos, de que o caminho em direção às drogas tem início pelo inocente cigarro e pelo álcool. Os pais que fumam e bebem compulsivamente na frente dos filhos, dão a entender que é um hábito normal, porém, um péssimo exemplo. O lar onde existe o bom exemplo e o diálogo torna-se a melhor defesa contra os conflitos e frustrações que transformam a curiosidade em vício. Ainda há tempo para impor limites, é a pergunta que muitos pais fazem. Os erros de educação cometidos pelos pais na infância dos filhos, produzem efeitos danosos nos adolescentes e os pais convivem com um eterno desafio que é impor limites aos filhos. O psiquiatra paulista, Içami Tiba, explica: “Os pais de hoje foram educados de forma autoritária e, com medo de repetirem o mesmo com seus filhos, acabam caindo no oposto, que é a permissividade”. Para os pais que descuidaram da tarefa de colocar freios em seus filhos na infância, e que agora têm que lidar com adolescentes intratáveis; uma notícia bem desagradável: Com o tempo, fica mais difícil reverter esse quadro, mas, não é impossível. Os pais, para isso, ganharam um trabalho extra. Não basta apenas proibir; é necessário justificar com bons argumentos, a proibição... Antigamente, eram os filhos que tinham de dar explicações aos pais. Hoje, são os pais que, na hora dos limites, as dão aos filhos. Tânia Zagury ensina: “O pai moderno é aquele que estabelece limites com fundamentos educacionais”. Às vezes a falta de limites é encarada pela criança e adolescente como algo negativo. Para ela, isso pode ser sinônimo de falta de cuidado e afeto. Por exemplo, um jovem que burla as regras de casa e não é punido, tende a fazer o mesmo lá fora, por isso, os adolescentes que dirigem embriagados, tomam drogas ou entram em brigas de gangues, provocando acidentes ou arriscando a própria integridade física, vem de famílias que lhes deram exemplos negativos ou não quiseram ou não souberam impor limites a eles na infância... Estamos observando uma carência de amor entre os jovens. Eles, hoje, segundo alguns psicólogos, partem para a rebeldia ou para as agressões, por falta de sentimentos nobres. Necessitam de amor e não estão sendo amados; estão sem carinho, ganhando coisas para substituir o afeto que não recebem; não recebem também disciplina, educação e exemplos dignos como deveriam, e o mundo de amanhã será deles... Há muitas exceções; jovens amados e educados que respondem com amor e serenidade, que são as nossas esperanças de um mundo futuro melhor. O amor será sempre o alimento da existência e somente não dá amor, aquele que não conhece ou nunca recebeu; esse é um jovem triste, infeliz e sem esperanças. Observamos em muitos jovens, um grito de socorro, um pedido de carinho e de amor... Não devemos nos envergonhar de amar e demonstrar esse amor que devemos dar uns aos outros. Jesus foi tão claro ao dizer: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”. Se nos dizemos “cristãos”, saibamos nos tratar uns aos outros com respeito, sinceridade e amor. Quem não gosta de ser tratado com atenção, carinho e amor? - Um professor do Instituto Santa Fé, nos Estados Unidos, analisou as sociedades antigas e verificou que a gentileza era componente fundamental para a sobrevivência das comunidades. Outra professora da Universidade da Califórnia pediu aos participantes de um estudo, que praticassem ações gentis e caridosas durante dez dias. Quanto mais ações eles realizavam, maior era a felicidade que tinham, independentemente do ser ajudado ser um ente querido ou um estranho. Ser gentil e bondoso também faz bem à saúde, pois, as pessoas que ajudam os outros regularmente, têm mais saúde mental e menos depressão; sofrem menos doenças crônicas e o sistema imunológico funciona melhor. A ciência já descobriu que quem tem atitudes de bondade e amor, sente-se bem, o que está levando os cientistas a afirmarem que o organismo humano libera endorfinas, que são hormônios calmantes, quando da realização de atos bons, sendo importante, portanto, viver praticando o amor. Allan Kardec nos elucidou, dizendo: “Fora da caridade não há salvação”. E Jesus nos disse: “Amai-vos uns aos outros”. Um dia, o adolescente chega à maioridade pelo casamento antes dos 18 anos, ou atinge essa idade, embora a grande maioria ainda seja financeiramente dependente, com a família e filhos. Chegando ele a uma idade mais avançada, se pergunta qual foi á época mais feliz da sua existência. Muitas são as respostas, mas raramente alguém gostaria de reviver a adolescência, muito embora ela fosse agradável sob alguns aspectos. Por quê? – Essa época foi muito turbulenta, cheia de desenganos e decepções, principalmente na nossa iniciação amorosa; poucos de nós fomos bem sucedidos; perdemos nosso primeiro amor, fruto da nossa insegurança, rejeição, timidez e por causa da pouca estima por nós mesmos. Sonhamos com muitas realizações e muitos não a concretizaram... Apaixonamo-nos e perdemos a pessoa com quem achávamos que seríamos felizes por toda a existência, e, terminamos nos enlaçando com outra pessoa com quem jamais imaginávamos; muito embora essa tenha sido a existência que foi programada por nós na Espiritualidade; e só nos resta agradecer a Deus, levar adiante a nossa jornada até o fim, se for possível, recordando o passado com suas ocasiões agradáveis, e, procurando viver praticando a solidariedade, a fraternidade e o amor, que só nos trará a paz e a felicidade... Veja mais informações nos artigos: A família e os adolescentes e Nossos filhos. Bibliografia: Revista “Veja” edição 1719-A Evangelho de Jesus Livro dos Espíritos Jc. S.Luís, 6/10/2010 Refeito em 28/11/2012