sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

A CULPA DOS PAIS

A CULPA DOS PAIS Serão as mães as mais culpadas? – Para responder a esta pergunta temos que refletir sobre a responsabilidade que todos os pais têm, na educação, correção e formação do caráter dos filhos, e, também por alguns dissabores que os pais sofrem. Filhos ensina-nos a Doutrina dos Espíritos, são espíritos milenares com vícios, imperfeições, conhecimentos e virtudes, que estão tendo mais uma oportunidade de aperfeiçoamento, através daqueles que foram escolhidos para colaborarem na formação de um corpo, e com a tarefa de educar o espírito: os pais. Beneficiados pela dádiva do esquecimento do passado, desde a fase do feto, esses espíritos são acolhidos pelas mães e representam um grande compromisso, pois os seus desejos, atitudes e comportamento, terão reflexos na personalidade daquele pequeno ser em formação. Segundo os especialistas, ainda no ventre, têm o espírito á percepção de tudo e dos sentimentos a seu respeito, inclusive os pensamentos da sua mãe. Afirma-se que comentários dos pais, por exemplo, dizendo que querem um menino, podem criar complexo de rejeição no espírito reencarnante, cujo corpo seja de uma menina, apesar de sabermos que os espíritos não têm sexo, podendo renascer eles ora em corpo masculino como em um corpo feminino, de acordo com às necessidade do espírito. Se for menino, vem para desenvolver a inteligência; se for menina vem para desenvolver os sentimentos. Os reflexos desse sentimento de rejeição poderão surgir mais tarde, gerando problemas que incomodarão os pais. O recomendável é não comentar preferência por “ele” ou “ela”, até que seja efetuado o exame comprovando o sexo. Se porventura o sexo do feto em formação não for o do desejo do casal, deverá haver uma aceitação por parte destes, respeitando o direito e a necessidade do espírito, para que não venha a se instalar o processo de rejeição. Escolher um filho como favorito e deixar os outros de lado podem trazer sérios problemas no futuro, tanto ao eleito quanto aos preteridos. Vejamos pequeno exemplo: Em uma família, João era o predileto dos pais. Considerado o mais aplicado dos três irmãos no estudo; o mais habilidoso nos esportes e ainda era um virtuoso no instrumento musical. O exemplo retrata bem o hábito de algumas famílias de optarem pelo filho que consideram perfeito, o “eleito”. Aos olhos dos pais, ele é isento de qualquer culpa e defeito, porque só faz o que os pais se orgulham. Sobre os outros irmãos, “os preteridos”, recaem as responsabilidades pelas ações e/ou atos errados e, claro, as proibições e os castigos. A predileção por um determinado filho existe desde os tempos mais remotos da história da humanidade. A Bíblia traz narrativas sobre a inimizade, a rivalidade e a inveja entre irmãos, geradas pela predileção dos pais por um deles. O fato mais conhecido é o que Caim mata Abel, simplesmente porque este era o favorito de Adão e Eva. “José do Egito” é outro personagem prejudicado pelos irmãos. Irritados por ter o pai Jacó toda predileção por José, os irmãos o venderam como escravo aos mercadores. A psicóloga Dalka Chaves Ferraz, especialista no atendimento de crianças e adolescentes, explica que “é próprio do ser humano ter preferências e afetos direcionados a determinadas pessoas”. Porém, quando os pais entendem que isso pode trazer conseqüências para os filhos, passam a tratar todos igualmente; a não comparar e nem exaltar as qualidades de um determinado filho/filha. Muitas vezes os pais não se dão conta dos efeitos nocivos dessa preferência acintosa; ou então, quando isso é muito alardeado, os irmãos entram num quadro de ciúmes, situação que ocasiona vários riscos e atritos, como os comentados anteriormente. Existe o risco do preferido se tornar um narcisista exacerbado. “A pessoa preferida ou endeusada desde pequena cresce como se o mundo estivesse aos seus pés. Ela se considera o centro das atenções, e, no futuro será individualista, com a tendência de não ter limites, pois nunca houve um não para ela”, na avaliação da psicóloga Dalka. Esses filhos que sempre são preferidos criam um vínculo de cobrança inconsciente e fica toda a existência esperando sempre receber. No fundo, acreditam que são muito bons, mas têm muitas dificuldades em lidar com a frustração. Não podem ser contestados porque se julgam ótimos. Na existência adulta, os efeitos de ter sido preferido, se refletem em uma pessoa antissocial, exigente e incapaz de atingir as expectativas. Essa falsa impressão de que o mundo está ao seu serviço, pode fazer com que essa pessoa passe por maus momentos, quando os adultos ou superiores decidirem quebrar essa onipotência, por meios de limites rígidos. Poderá ela ter frustrações inesperadas e grandes problemas para lidar com a realidade nua e crua, que até então desconhecia. Com relação aos “preteridos”, a psicóloga Dalka Ferraz ressalta que estes sempre se sentirão em uma situação desconfortável, de comparação desfavorável, difícil de sentir-se estimulado e mais ainda, de se recuperar; serve como uma lição de vida. Em virtude dessa situação, eles vão à luta porque sabem que precisam ir com as próprias pernas, contar somente consigos mesmos. Sabem que as coisas para eles são mais difíceis. São mais desbravadores porque terão que vencer os obstáculos, terem vontades e experiências próprias e não são privilegiados, muito menos terão proteção. Por mais que subam na existência, ao longo de toda ela sempre lembrarão de que os outros são melhores. Por mais que eles façam, por mais que se esforcem, nunca conseguirão atingir as expectativas dos pais. O ambiente familiar abriga também outra figura; esta eleita como o “bode expiatório”, o caixão de pancada, responsável por tudo de errado que ocorre. Existe criança que é considerada “bode expiatório” da família inteira, a ponto de todo mundo acusá-la. Isso ocorre por várias razões, e, uma delas, é que veio ao mundo sem ser “planejada”; apareceu na hora errada e não é do sexo que os pais queriam. Ela passa a ser o motivo dos problemas e de todas as frustrações da família, ficando sempre a mais prejudicada porque existe uma intencionalidade de agressão inconsciente, porém quase consciente. A psicóloga diz ainda que “quando a pessoa tem ajuda, consegue reverter esse quadro, coso contrário, vai se afundando mais e mais. Muitas vezes, nessa situação, a criança começa a chamar a atenção em virtude do seu lado negativo que passa a se manifestar e agir”. No caso de favoritismo e de bode expiatório na família, e havendo embate entre eles, o preterido canaliza a revolta para a figura do irmão. Caso o confronto atinja os pais, o inimigo fica sendo a figura da autoridade (o pai). Por isso há os revoltosos e as Febens da vida. São os preteridos que foram escolhidos para não ter afeto, consideração e amor, porque tudo neles é errado e desagradável. Eleger um filho/filha e não ter compreensão dos problemas futuros que possam surgir, tanto para ele como para os preteridos pode ser lamentável e perigoso. Caso a pessoa seja pai ou mãe que realmente queira passar para o seu filho boas experiências, deve ter atenção redobrada nos primeiros anos de existência da criança, pois o seu “eu” individual se estrutura do nascimento até os três anos de idade. Se os pais nesse período forem tendenciosos, forem violentos, drásticos, as seqüelas ficam na criança, pois, depois tudo o que acontecer será readaptação, porque a estrutura já está implantada. “A criança que passa por situação de extrema carência afetiva nos primeiros anos de existência, pode até morrer”, complementa a psicóloga. Estes são os casos das crianças que são abandonadas e não conseguem uma substituta da figura afetiva da mãe. Falando em problemas, um dos mais freqüentes é a irresponsabilidade dos adolescentes, atualmente. Os pais reclamam que os filhos não querem fazer nada; nem cuidar dos próprios pertences. Cooperar nas tarefas de casa, nem pensar. É claro que existem muitas exceções. As mães que trabalham fora do lar arcam com pesado ônus de terem carga de trabalhos dobrada. Outras mães encarnam a figura da mãe boazinha, da mãe serva, da mãe escrava. Os filhos então passam a ser exigentes. Exige a roupa passada, a refeição pronta na hora que querem, como se estivessem num hotel de luxo, com camareiras, cozinheiras e serventes de toda espécie, sem pagarem qualquer salário. A preocupação excessiva de algumas mães em tratar os filhos, é um dos fatores que cria filhos exigentes. Sabem como? – Quando as mães se sentem na obrigação de realizar pelos filhos o que eles já podem fazer. A mãe agindo assim permite que o adolescente fique sem fazer o que deve, e ele raciocina: “Eu posso fazer, mas ela faz por mim. Por que eu vou me preocupar?” Acostumados, eles passam a exigir cada vez mais: “Por que a minha roupa não foi passada? E o meu tênis por que não foi lavado?” – A mãe se torna uma escrava, porque precisa dar conta das suas tarefas caseiras e das tarefas dos filhos. Alguns pais para não se aborrecerem procuram dar aos filhos tudo o que eles pedem, muitas vezes com renúncia de necessidades e até com sacrifícios, sem lhes mostrar o valor e quanto custa de trabalhos. Quando pequenos, pedem um brinquedo; quando adolescentes, pedem uma roupa ou um tênis de marca; quanto mais adultos os desejos também são mais dispendiosos, como uma viagem, um computador, um cartão bancário, um carro, etc., e, quando não atendidos, se voltam contra aqueles que nunca lhes mostraram que tudo tem um limite, e lhes permitiram crescessem sem saber dar o devido valor às coisas, ao dinheiro e o trabalho; outro erro cometido pelos pais. Alguns pais costumam dizer: “Não quero que meus filhos passem as dificuldades que passei”. Essa frase é cheia de boas intenções, mais infeliz, pois cada pessoa tem o seu destino. Podemos até amparar e ajudar, mas cada um faz a sua existência. Sabemos que a responsabilidade pelos filhos é de ambos, mas para a mãe, pelo contato mais direto, ficam as tarefas maiores de educação e o encaminhamento dessas almas que Deus lhe confiou. Se às vezes falhamos, é por falta de conhecimentos, por excesso de proteção e por sermos ainda espíritos imperfeitos. Afinal, filhos não chegam com manual de instruções. Errar, lutar, redirecionar e acertar faz parte do nosso crescimento como seres espirituais. Vejamos agora um exemplo de mãe indiferente. – Desejando sua realização profissional, a mulher-mãe tem relegado e transferido a outras pessoas, a tarefa importante da educação dos seus filhos. Ficam as crianças entregues aos cuidados de babás na maior parte do tempo, ou a parentes que já se encontram sobrecarregados com seus trabalhos, e às vezes, até entregues aos idosos sem maiores condições de atender as crianças. Outras mães deslumbradas com os eventos sociais, ou por não suportarem ficar presas no lar, não assumem os sacrifícios e as renúncias de uma mãe exemplar, e se afastam do lar, sob alegações várias, mesmo que os filhos fiquem carentes de afetos e cuidados. Tudo em prejuízo das crianças, das suas necessidades afetivas, da necessidade fluídica que têm da mãe, pois que a criança se alimenta também dos fluídos da mãe a quem ama e de quem depende. Carinho de mãe pode ser substituído? Talvez. Mas a educação e o amor que deixarmos de dar aos nossos filhos, iremos responder com certeza, no dia em que Deus nos perguntar: “Que fizestes do filho/filha confiado a vossa guarda?” E o pai que também não dá atenção nem amizade aos seus filhos? Alguns, indiferentes, consideram os filhos como um peso indesejável e incômodo que lhes trazem preocupações e sacrifícios. Outros, além de não assumirem com responsabilidade, a paternidade, ocupam seu tempo de lazer com futebol, festas, bebidas, e, quando resolvem levar os filhos a passeio ou à praia, os iniciam na bebida alcoólica ou no cigarro, para satisfazer seu “ego” e servir de afirmação de masculinidade para as outras pessoas. Com esses procedimentos, esses pais não deveriam constituir uma família nem ter filhos. Agora, vamos conhecer a figura de uma mãe má; seu desabafo e a opinião de seus filhos. “Um dia, quando os meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a razão que motiva pais e mães, a agirem assim, eu hei de lhes dizer: Eu os amei o suficiente para ter perguntado: onde vão, com quem vão e a que horas regressarão. Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia. Eu os amei o suficiente para os fazer pagar as balas que tiraram da mercearia e os fazer dizer ao dono: “Nós tiramos isso ontem e queremos pagar”. Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé junto de vocês por duas horas, enquanto limpavam o quarto – tarefa que eu teria realizado em 15 minutos. Eu os amei o suficiente para os deixar ver, além do amor que eu sentia por vocês, também o desapontamento e as lágrimas em meus olhos. Eu os amei suficiente para os deixar assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração. Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes “Não”, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso. Essas eram as mais difíceis batalhas que enfrentava. Estou contente, venci... porque, vocês venceram também! E qualquer dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entenderem o que motiva os pais e mães, meus filhos vão lhe dizer, quando eles lhes perguntarem se a mãe deles era má, eles responderão: “Sim... á nossa mãe era má. Era a mãe mais má do mundo!” E por que a nossa mãe era má? – É muito simples comprovar: As outras crianças comiam doces e biscoitos no café, e nós tínhamos que comer apenas frutas e pão; as outras crianças bebiam refrigerantes e comiam batatas fritas e sorvetes no almoço; e nós tínhamos que comer arroz, feijão e carne. E ela nos obrigava a fazermos as refeições à mesa, bem diferente das outras crianças que comiam vendo televisão. Ela insistia em saber onde nós íamos. Era quase uma prisão. Mamãe tinha que saber quem eram os nossos amigos e o que fazíamos juntamente com eles. Insistia que lhe disséssemos quando íamos sair, com quem e para onde, mesmo que demorássemos apenas uma hora. Enquanto os outros meninos podiam sair à noite com 12 e 13 anos, nós tivemos que esperar pelos 18 anos. A nossa vida era mesmo muito chata. Ela não deixava que nós saíssemos com os nossos amigos, sem antes ela os conhecer. Ela violou as leis de trabalho infantil: Nós tínhamos que fazer as camas, ajudar lavando as louças, aprender a cozinhar, varrer o chão e colocar o lixo fora, e outros trabalhos cruéis. Eu acho que ela gostava de nos martirizar porque quando íamos dormir, obrigava-nos a fazer uma oração de agradecimento; e penso que ela nem dormia, pois ficava pensando em coisas para nos mandar fazer! Ela insistia sempre conosco para somente dizer a verdade e apenas a verdade, mesmo que nos custasse algum castigo. E quando adolescentes, acho que ela conseguia ler até os nossos pensamentos... Por causa da nossa mãe, perdemos imensas experiências da adolescência... Nenhum de nós experimentou um cigarro, nem estivemos envolvidos em furtos, em atos de vandalismo, em violação de propriedades, nem fomos presos nenhuma vez... tudo isso foi por culpa dela! Agora que já saímos da casa dela, nós somos adultos, honestos, educados e estamos conscientes que devemos fazer o máximo para sermos “pais maus” e “mães más”, tal como a nossa mãe foi! Finalizando... achamos que este é um dos maiores males do mundo de hoje: “NÃO HÁ PAIS E MÃES SUFICIENTES MÁS COMO DEVERIA HAVER...” Há ocasiões em que os pais e mães se questionam sobre as lições transmitidas: “De que adiantou tudo o que ensinamos? Para que tivemos tanto trabalho e sacrifícios?” Referem-se eles a filhos/filhas que demonstram nada haver assimilado das lições e exemplos recebidos no lar. Porém, um dia a sementeira brotará. Nesse dia os pais sentirão a satisfação de terem encaminhados para o bem, seus filhos, embora talvez não vejam nossos olhos e nem percebam nossos sentidos... Que o Senhor nos possibilite poder encaminhar nossos filhos pela senda do bem. Bibliografia: “O Livro dos Espíritos” Jc. S.Luis, 16/06/2003 Refeito em 28/12/2012

O ENSINO RELIGIOSO

O ENSINO RELIGIOSO Os povos da mais remota antiguidade alimentavam idéias as mais absurdas no tocante à existência de determinadas coisas; as árvores eram tidas na conta de criaturas mudas; o fogo era considerado como se fosse um animal selvagem, que feria quando tocado. Árvores bonitas eram tidas na conta de criaturas boas, porque produziam bons frutos, e outras árvores carrancudas, eram consideradas de má formação, porque produziam frutos danosos à saúde dos seres humanos. Eles dedicavam orações às árvores e muitas delas eram enfeitadas, sempre que produziam muitos frutos. O Sol era visto como imenso astro que liberava sua luz quando estava de bom humor, mas a negava quando estava zangado. A Terra era considerada como descomunal monstro adormecido, que poderia acordar e destruir tudo. Nessa época, prevalecia profundo atraso material, moral e espiritual. Desconheciam que tivessem uma alma, um ser pensante que tomava deliberações, que pensava, agia e construía. Sacrificavam-se animais e seres humanos com o objetivo de acalmar a fúria dos deuses ou para agradá-los. Com o progresso da Humanidade, surgiram outras formas de religiosidade. A Mitologia, o Deísmo, o Panteísmo, o Teísmo, nas suas formas: Monoteísmo e Politeísmo. A religião, conjunto de crenças, leis e rituais que dizem respeito a um Ser considerado pelo homem, como Supremo; do qual se julga dependente e com o qual pode até entrar em relação, passou então a ser o novo meio pelo qual o homem reverenciava a Divindade. Dividida posteriormente, em diversos segmentos, surgiram as seguintes religiões: RELIGIÕES DE INTEGRAÇÃO – Foram as religiões dos povos primitivos, cuja organização não ia além da forma tribal. A vivência desses povos esgotava-se nas suas exigências imediatas de sobrevivência. Como exemplo: A fecundidade e a reprodução da mulher; a reprodução da caça e as colheitas que os alimentavam. Esta foi á religião dos povos primitivos, dos antigos asiáticos, dos ameríndios, etc. RELIGIÕES DE SERVIDÃO – Nestas, os deuses aparecem como grandes senhores do céu, da terra e das regiões inferiores, aos quais os homens deviam servir e homenagear, em troca de benefícios imediatos. (Vide seriado da TV “Hércules”). Estas foram religiões de povos de cultura mais desenvolvidas, com uma boa agricultura e princípios de urbanização. Estas culturas imprimiram nas relações entre os homens e as divindades, um sistema servil, criando com o tempo, um distanciamento entre o povo simples e os deuses, amparados pelo Estado e promovidos por um sacerdócio hierárquico. Esta foi á religião do antigo Egito, da Mesopotâmia, dos antigos gregos, dos romanos, do antigo Japão, dos astecas, maias e incas. RELIGIÕES DE LIBERTAÇÃO - Nestas, o ser humano encontra-se numa situação de desgraça, de dor ou de castigo. A religião então serve para libertá-lo. As causas desta situação ruim e as maneiras e os meios para sair dela, são apresentadas de diversas formas, conforme as idéias que se têm em relação ao mundo, e às atitudes que o homem pode e deve tomar para a sua existência presente e sua sobrevivência no além. O Hinduísmo, o Budismo, o Confucionismo, a Igreja Messiânica Mundial, o Gnosticismo, pertencem a este tipo de religião. RELIGIÕES DE SALVAÇÃO – Os fundamentos destas religiões são: l- A existência de um Deus único, santo e misericordioso. 2- O ser humano se encontra no pecado, pela desobediência a preceitos divinos e também por opção contrária à ordem moral estabelecida por Deus. 3- A alma do ser humano é imortal; portanto, cada um terá uma vida no além, que será feliz ou infeliz, em conseqüência da opção de vida no bem ou no mal. Deus sendo misericordioso, perdoa e reabilita o pecador que se arrepende. São chamadas religiões de “salvação”, porque não é o homem que se justifica perante Deus, mas é o próprio Deus que quer a reabilitação do homem, que se converte e se livra de seus pecados. Estão entre estas religiões: O Islamismo, o Judaísmo, e o Cristianismo. O ISLAMISMO – Tem seis grupos de seguidores: Os árabes, os muçulmanos, os turcos, os iranianos, os paquistaneses e os malaios e indonésios. O fundador do Islamismo foi Muhammad ou Maomé, que era árabe. O Corão, livro sagrado, foi escrito em língua árabe; como nada desse livro pode ser modificado, ele é difundido nessa língua. Outro elemento que justifica a primazia árabe é o fato de Meca, a cidade sagrada, encontrar-se em território árabe. São seis os elementos que compõem a base do Islamismo: 1- Crença em Deus, chamado por eles de Alá, que é único; 2- Crença nos anjos, auxiliares de Alá; 3- Os Livros Sagrados; 4- Os Profetas; 5- O julgamento, após a morte; 6- A Moral, representada pela fé em Alá, pela oração, pela caridade, pelo jejum e pela peregrinação a Meca, pelo menos uma vez na existência. O HEBRAÍSMO OU JUDAISMO – Religião de Israel baseia-se em três elementos fundamentais na vida dos judeus. 1- Deus existe; 2- Existe um povo; 3- Existe uma aliança de Deus com seu povo. Este Deus fez uma escolha especial do povo hebreu (?), com a finalidade de preparar a vinda do Messias, por ser o único povo monoteísta naquela época, isto é: que acreditava em um só Deus. A história desse povo está contida nas Sagradas Escrituras, que se compõem pelos cinco livros da Bíblia, que são: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. O conjunto desses livros é chamado de Torá. Um fato sobre o Judaísmo é que, nascido entre os judeus, Jesus é reconhecido por todos os cristãos de todo o mundo, como sendo o Messias anunciado pelos profetas, porém, repudiado pelos hebreus, hoje judeus, que esperavam um rei poderoso, que os livrasse do jugo romano, e lhes daria a supremacia sobre todos os povos da Terra. Como apareceu um enviado, nascido em extrema pobreza, humilde, falando de “dar a César o que era de César” (isto é: concordando com o pagamento do imposto ao dominador), e ainda falando de “amar aos inimigos”, eles não o aceitaram como o Messias, movidos pela vaidade e orgulho, o crucificaram e ainda esperam até hoje, pela vinda do filho de Deus. Com o passar dos tempos, a “Revelação de Deus”, recebida por Moysés no Monte Sinai, que são “Os Dez Mandamentos”, ficou relegada a segundo plano, substituída que foi pelas formas ritualísticas e dogmáticas criadas pelos judeus. As manifestações da vida religiosa dos judeus são as seguintes: 1- A oração que é feita três vezes ao dia; 2- A observância do sábado: 3- As festas religiosas, sendo as mais importantes: A Páscoa, que lembra a saída da escravidão do Egito; Pentecostes, para lembrar a aliança de Deus com seu povo, na entrega das Tábuas da Lei (Decálogo); Tabernáculos, que lembra a peregrinação pelo deserto. Existem ainda, a circuncisão, efetuada em meninos, após 8 dias de nascidos, para fazer parte da aliança com Deus; a iniciação, que é realizada aos rapazes quando alcançam 13 anos, passando por uma serie de cerimônias; o casamento, que só pode ser realizado entre eles, ou seja, não podem se casar com pessoas de outros povos, bem como, seus mortos são enterrados somente em cemitérios exclusivos de judeus. O CRISTIANISMO – É a religião da quase totalidade dos povos ocidentais. Não se preocupa somente com a salvação depois da existência. A finalidade dela é a construção do Reino de Deus (reino de justiça, de misericórdia, de paz, de fraternidade e de amor) que já começa neste mundo e que depois terá seu complemento no Reino dos Céus. Seu mandamento maior proclamado por Jesus é: “O Amor a Deus sobre todas as coisas”, complementado com outro que diz: “Ama ao teu próximo como a ti mesmo.” O Cristianismo surgiu na Judéia, com Jesus de Nazaré, que durante três anos, pregou ao povo judeu e aos samaritanos, o advento do “Reino de Deus”. A grande novidade de sua pregação estava no anúncio do “Reino de Deus”, esperado para o fim dos tempos, e nas “Bem-aventuranças” a todos os necessitados. Apresentado ao povo, por João Batista como o “Messias Prometido”, não no sentido político, mas altamente moral e religioso. Após sua partida, seus ensinamentos continuaram a ser pregados pelos seus apóstolos e, muitos anos depois, foram escritos muitos evangelhos sobre sua existência e seus ensinamentos, permanecendo até nossos dias, somente os Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João. Aconteceu, porém, que seus ensinos, dada às diversas interpretações, levaram a divisões. Assim, foram criadas diversas correntes que, apesar de suas diferenças, têm a mesma fé em Cristo e no Deus único. Fazem parte do Cristianismo, as religiões: Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Ortodoxa, Igrejas Protestantes, Igrejas Pentecostais, Doutrina dos Espíritos (Espiritismo), e as religiões Afro-Brasileiras, tais como a Umbanda, O Candomblé. Dentre estas, O Espiritismo é considerado uma religião Espiritualista, pelo fato dessa religião ter seus fundamentos nas orientações dos Espíritos. Destas, vamos comentar alguns aspectos da Igreja Católica Apostólica Romana, das Igrejas Protestantes e também sobre a Doutrina dos Espíritos. Igreja Católica Apostólica Romana – É a religião definida pelos seguintes fundamentos: 1- Católica, que quer significar universal, porque tende a estender-se a todos os seres humanos; 2- Apostólica, porque se diz derivada diretamente dos apóstolos, como poderia ser também uma continuação dos sacerdotes fariseus, saduceus e anciãos da época de Jesus; 3- Romana, porque é dirigida pelo Papa, que se diz vigário de Cristo, tendo seu governo no Vaticano, na cidade de Roma. A sua organização é constituída de um dirigente máximo, denominado de Sumo-pontífice ou Papa, seguido pelos cardeais, bispos, arcebispos, padres, freiras, seminaristas e noviças. Realiza seus cultos e missas em vários lugares e seus sacramentos são: Batismo, crisma, confissões, penitências, eucaristia, casamentos, unção e extrema-unção aos que estão por falecer. Segue os ensinamentos de Jesus, porém dando mais importância aos dogmas introduzidos, aos formalismos criados e aos rituais litúrgicos. Adotam imagens, descumprindo o 1º mandamento da Lei de Deus, contida nos “Dez Mandamentos”. Igrejas Protestantes – Foram criadas pelas reformas de alguns religiosos católicos descontentes com a decadência da Igreja Católica no período de 1350/1550, em função do ressurgimento do espírito pagão, e na demasiada riqueza e poder do clero, com a conseqüente depravação dos costumes e da miséria do povo. Os protagonistas dessa reforma protestante, porque protestavam contra Roma, foram: Martinho Lutero, monge agostiniano, que havia publicado 95 teses contra a venda de indulgências pela Igreja, na Alemanha; Calvino, na Suíça e França, e Henrique VIII, na Inglaterra. Depois que Lutero se rebelou contra Roma, casou-se e instigou os cidadãos que viviam na miséria, a saques a igrejas, conventos e castelos. A doutrina criada por Lutero afirma que: 1- A natureza humana é corrompida e nem o batismo nem as boas obras conseguem melhorar o homem; 2- O que justifica o homem é a fé e não as obras; 3-A única norma de conduta é a Bíblia, e cada um pode interpretar como quiser; 4- A verdadeira igreja é a invisível, e não a visível com a hierarquia de papas, bispos, sacramentos, liturgias, etc. O luteranisno ou protestantismo difundiu-se mais por vontade dos reis e príncipes e não por vontade do povo, pelo fato deles quererem se apossar dos bens das igrejas, como palácios, castelos, propriedades e terrenos. Hoje, existem muitas religiões protestantes e pentecostais, como: Batistas, Presbiterianos, Assembléia de Deus, Metodistas, Adventistas, Testemunhas de Jeová, Mórmons, Exército da Salvação, Congregação Cristã do Brasil, Igreja do Evangelho Quadrangular, Os Meninos de Deus, Igreja Brasil para Cristo, Igreja Universal do Reino de Deus, e muitas outras que surgem a cada dia. Cada pastor que se indispõe contra a igreja a qual está vinculado ou por desejo de querer a sua própria igreja, cria outra, daí a proliferação de religiões protestantes de todos os tipos e gostos e para todos os fins. RELIGIÃO ESPIRITUALISTA – Doutrina dos Espíritos (Espiritismo) Surgiu como religião após as manifestações, tidas como espíritas, terem se efetuado na América do Norte, com as irmãs Fox. Entretanto foi na França, centro das atenções do mundo, por causa da legenda “Fraternidade, Liberdade e Igualdade”, que surgiu a figura do ilustre professor Hippolyte Leon Denizard Rivail, que observou e estudou os fenômenos das “mesas falantes” e reuniu os princípios essenciais, ditados pelos Espíritos Superiores, formando um corpo doutrinário a que denominou de “Espiritismo”, no seu tríplice aspecto de Ciências, Filosofia e Religião. Ao publicar em 18 de abril de 1857, o primeiro livro da Codificação, com o título de “O Livro dos Espíritos”, o professor Hippolyte o fez usando o pseudônimo de Allan Kardec, para que não fosse á obra reconhecida como sua, mas dos Espíritos. As leis básicas da Doutrina dos Espíritos, estão reunidas nesse livro e nas obras complementares que são: “O Livro dos Médiuns”, publicado em 1861; “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, em l864; ‘O Céu e o Inferno”, em l865; e ‘A Gênese” publicado em 1868. Os postulados fundamentais da Doutrina dos Espíritos são: 1- A existência de Deus, como inteligência suprema, criador do universo e de todos os seres e coisas; 2- A existência de Jesus guia e protetor espiritual da Terra; 3- A existência do espírito envolvido pelo perispírito que, quando encarnado, tem o nome de alma; 4- A comunicação dos espíritos com os seres humanos, e destes para com os espíritos; 5- A crença na reencarnação, através das qual o espírito vai evoluindo; 6- A crença no Livre-arbítrio, que determina o destino do espírito de acordo com seus atos; 7- A crença na pluralidade dos mundos habitados, atrasados e evoluídos. Com o surgimento da Doutrina, os princípios espíritas foram sendo conhecidos em diversos países, inclusive no Brasil, surgindo então os primeiros Centros Espíritas. Com o aparecimento da primeira obra psicografada por Francisco Candido Xavier, em 1932, com o título “Parnaso de Além-Túmulo”, o Brasil viu o movimento espírita crescer, graças a formação evangélica do povo. Então novas obras literárias espíritas foram surgindo através do “Chico Xavier”, e novos Centros Espíritas foram sendo criados, inclusive, com serviços de assistências social, o que acontece até os nossos dias. A Doutrina dos Espíritos, como ciência, trata da natureza, origem e destino dos humanos e espíritos, e suas relações com o mundo corporal; como filosofia, explica as conseqüências dessas relações e dos ensinamentos de Jesus, a luz dos esclarecimentos dos Espíritos; como religião, religa a criatura ao seu Criador, através do conhecimento e do cumprimento das Leis Divinas, encaminhando-a ao progresso e à evolução espiritual. É necessário ainda que se diga que a Doutrina dos Espíritos não adota símbolos, sacerdócio organizado, vestes especiais, vinho, incenso, altares, imagens, velas, talismãs, amuletos e quadros de santos; não aceita adivinhações por cartas, búzios, tarô, bola de cristal; não recebe o espírita, pagamento por qualquer benefício que possa fazer ao próximo, não promove casamentos, sacramentos, concessão de perdão, remissão de pecados (atributos estes somente de Deus, visto que não deu procuração a nenhum ser humano), nem promete o céu ou o inferno a qualquer pessoa. A desinformação de grande parte da sociedade, por falta de conhecimento ou estudo da Doutrina dos Espíritos, tem dado lugar a ditos curiosos, como os seguintes: “Espiritismo de Terreiro”, quando querem se referir aos rituais da Umbanda, dos antigos escravos e seus descendentes, trazidos para o Brasil, alguns séculos antes da Codificação do Espiritismo, que surgiu em 1857; “Baixo Espiritismo”, quando querem designar uma prática puramente espiritual, voltada para fazer o mal, executada pela Quimbanda; “Espiritismo de Mesa Branca”, ou “Alto Espiritismo”, quando se referem a uma prática mediúnica, voltada para o bem, praticada pela Doutrina dos Espíritos. A exemplo de Jesus, dos apóstolos e de Paulo de Tarso, o espírita não vive às custas da religião que segue e pratica, nem recebe qualquer vantagem material, pelo passe, pela prece, pela água fluidifica e pela assistência espiritual praticada. Cremos que para o bom entendimento da Doutrina dos Espíritos, precisamos exercer o auxílio consolador, a caridade fraterna, o intercâmbio com os que estão na Espiritualidade, e a pregação moralista e evangélica; porém, se não ajudar o ser humano a tomar uma nova consciência de si mesmo, rompendo com os vícios e defeitos existentes, ficará falho e inconsistente o trabalho desenvolvido. A esta operação, o discípulo dos gentios, chamou: “A substituição da velha pessoa, pela nova pessoa renovada” e acrescentou ainda: “Os que procuram seguir Jesus, se tornam novas criaturas”. Finalizando este artigo, recordo as instruções do “Espírito de Verdade” sobre o Espiritismo, contidas no “Evangelho Segundo o Espiritismo”, que diz: “O Espiritismo, como antigamente minha palavra, deve lembrar aos incrédulos, que acima deles reina a verdade imutável: O Bom Deus. – Espíritas, amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo. Amai e orai; sêde dóceis aos Espíritos do Senhor; invocai-o do fundo do coração e então, Ele vos enviará Seu filho bem-amado para vos instruir e vos dizer estas boas palavras: - Eis-me aqui, venho a vós porque me chamastes”. Que a Paz do Senhor, esteja em nossos corações. Bibliografia: “Novo Testamento” “Evangelho Segundo o Espiritismo” Acréscimos diversos. Jc. S.Luis, l7/5/l999. Revisado em 28/12/2012

O PROGRESSO E A EVOLUÇÃO

O PROGRESSO E A EVOLUÇÃO DO MUNDO Os avanços materiais da ciência e tecnologia fizeram a Humanidade progredir muito. Da descoberta que foi da roda, até os nossos dias, muitos conhecimentos foram acumulados e muitas mudanças ocorrem. A ciência e a tecnologia abriram caminhos até então imaginados apenas pela ficção. Computadores substituíram as mais sofisticadas máquinas e ampliaram os espaços. Vivemos atualmente em um mundo fantástico em que o conhecimento produz engenhosas criações, em busca de mais avanços, de novos conhecimentos. Já não nos basta desvendar e viver no planeta; desejamos ir além, rumo ao desconhecido que nos atrai e desafia. Somos felizes, estamos realizados? Não completamente. Ampliaram-se nossos conhecimentos em várias áreas, todavia desconhecemos a nós próprios; o que somos e de onde viemos, para onde iremos? Precisamos descobrir essas respostas e resgatar essa parte essencial de nossa existência. Estudos genéticos da população Khoisan, que vive no Sudeste da África, sugerem que o grupo pode ser o mais antigo da Terra. A descoberta de pesquisadores confirma a teoria da evolução, segundo a qual os primeiros seres humanos surgiram no continente e depois se espalharam pelo mundo, entre 180 mil anos atrás. Segundo geneticistas do Instituto de Pesquisas Médicas da África do Sul, os genes dos modernos Khoisan, são muito parecidos com os dos primeiros homens do planeta. A respeito do assunto, são muitas as revelações trazidas pela Espiritualidade sobre o princípio da vida e o surgimento do ser humano em nosso Planeta. Emmanuel no livro “A Caminho da Luz”, psicografado por Chico Xavier, diz o seguinte: “As forças espirituais que dirigem os fenômenos terrestres, sob a orientação do Cristo, estabeleceram, na época da criação dos elementos materiais, uma linhagem definitiva para todas as espécies, dentro das quais o princípio espiritual encontraria o processo depurador para a racionalidade. Os peixes, os répteis, os mamíferos tiveram suas linhagens fixas de desenvolvimento e o homem também foi criado nessa regra geral.” Os séculos correram para essas criaturas de braços alongados e de pelos densos, até que um dia as hostes do Altíssimo, operaram uma definitiva transição no corpo perispiritual, preexistente, dos homens primitivos, nas regiões siderais e em certos intervalos de suas reencarnações. Os antropóides das cavernas espalharam-se então, aos grupos, pela superfície do globo, no curso vagaroso dos séculos, sofrendo as influências do meio ambiente e formando os iniciadores das raças futuras, em seus tipos diversificados, com a assistência das Entidades Espirituais que auxiliaram o homem, imprimindo-lhe novas expressões biológicas. As pesquisas recentes da Ciência sobre o homem de Neanderthal, reconhecendo nele a espécie do homem bestializado, e outras descobertas recentes da Paleontologia, quanto ao homem fóssil, são um atestado dos experimentos biológicos a que os prepostos de Jesus procederam, até fixarem no homem “primata”, as características aproximadas do homem do futuro. Surgem então os primeiros selvagens de compleição (feições) melhoradas, tendentes à melhoria dos tempos do porvir. Como poderia operar-se semelhante transição? Certamente perguntará o nosso critério científico. Muito naturalmente. Também as nossas crianças não têm os defeitos de infância corrigidos pelos pais, que as preparam para a existência, sem que, na maioridade elas se lembrem disso? Em a “Gênese”, no capítulo XI, vamos encontrar a seguinte explicação sobre o assunto: “Os mundos progridem fisicamente pela elaboração da matéria, e também moralmente, pela depuração dos espíritos que os habitam. Nesses mundos, a felicidade está em razão da predominância do bem sobre o mal, e esse estado é o resultado do avanço moral dos espíritos. Entretanto, o simples progresso intelectual não basta ao ser humano, uma vez que, com a inteligência, poderá ele empregá-la na prática do mal”. Quando um mundo chega a um de seus períodos de transformações, que deve fazê-lo subir na hierarquia universal, mutações se operam na sua população encarnada e desencarnada, como presentemente está ocorrendo na Terra; é então quando ocorrem as grandes emigrações e imigrações, saídas e entradas de espíritos ou almas. Aqueles que, apesar de crescerem em inteligência e saber, perseveraram no mal, contra as Leis de Deus, serão doravante um entrave para o progresso moral, uma causa permanente de perturbação para a felicidade dos bons. Por isso, eles serão excluídos e enviados para mundos menos avançados, onde aplicarão seus conhecimentos ao progresso daqueles entre os quais passam a viver, ao mesmo tempo em que expiarão numa série de existências penosas e duros trabalhos, as suas faltas do passado. A Terra da qual foram e serão excluídos, era para eles um paraíso, um lugar de delícias, em comparação com o meio ingrato onde vão estar integrados durante talvez, milhares de séculos, até o dia em que terão merecido a libertação. Ao mesmo tempo em que os maus espíritos partem do mundo em que habitavam, são substituídos por espíritos melhores, vindos da erraticidade ou de um mundo menos evoluído, que mereceram deixar, e, para eles a nova morada é uma recompensa, em virtude do progresso já alcançado. Dessa maneira lenta, porém constante, o progresso vai se realizando e o mundo segue o processo de evolução, de conformidade com o determinismo divino. Como pequeno exemplo; vamos imaginar uma sala de aula composta de 30 alunos; destes 20 não se interessam pelos estudos e apenas 10 estão querendo aprender. O ambiente é desfavorável para os que desejam aprender, em função da maioria que perturba a sala de aula. Mas, imaginemos a substituição de 10 alunos dos que não querem estudar por outros que estão interessados em aprender. Com essa mudança, a maioria passa a ser a favor dos que querem estudar. Aí então os 10 displicentes, ou passam a se interessar pelos estudos, em função de serem minoria, ou então vão procurar outra escola onde possam encontrar outros iguais. Essas mutações, algumas vezes, são parciais, isto é; limitadas a um povo, a uma raça; de outras vezes são gerais, quando o período de renovação chegou ao planeta. A raça adâmica que aqui viveu, tem todos os caracteres de uma raça proscrita; os espíritos que dela faziam parte foram exilados com a missão de fazer progredir a Terra, já povoada, mas por seres primitivos, mergulhados na ignorância. Chegando essa raça a este planeta, recebeu a sentença: “Dela tirarás teu alimento com o suor do teu rosto.” Porém, Deus na Sua Infinita Bondade, prometeu que lhes enviaria um Salvador que deveria iluminar o caminho a seguir, para sair do lugar de sofrimento e chegar à felicidade dos eleitos. Esse salvador foi Jesus, que veio ensinar a Lei da Caridade e do Amor, desconhecida por eles, que só tinham o progresso intelectual. É igualmente com o objetivo de fazer progredir a Humanidade, que Espíritos Superiores, sob o comando do Cristo, se encarnam de tempos em tempos sobre a Terra, para nela cumprirem missões que, se realizadas segundo o determinismo divino, também aproveitam ao seu adiantamento espiritual... Como se encontra a Humanidade atualmente? Estará a Humanidade em declínio moral, a passos acelerados? Em conseqüência, o mundo está piorando? Javier Godinho, em artigo na revista “Allan Kardec”, nos informa que a Humanidade não está piorando. A Humanidade está se depurando, o que é muito diferente. A Humanidade já foi incomparavelmente pior do que é hoje. É fácil na História, a confirmação dessa verdade. É só conferir o ontem e o hoje. As leis se aperfeiçoam, a solidariedade se amplia (apesar de muitos atos permanecerem desconhecidos ou anônimos), o direito é muito mais vezes abrangente e eficiente do que há cinqüenta anos atrás, apesar dos senões ainda existentes. Os povos se auxiliam nas tragédias coletivas. A televisão, o jornal, o rádio e as revistas vigiam os políticos e os governos, denunciando e cobrando dos políticos. As entidades dos direitos humanos e o Ministério Público estão mais ativos do que nunca. As guerras caminham para a extinção, mesmo com alguns focos, na sociedade global em que se tornaram os seis continentes. A ciência e a tecnologia, a convivência e as relações internacionais, estão melhorando; somente a corrupção e a violência, ainda é uma exceção, fruto de espíritos ainda não integrados nas Leis Divinas, e que estão sendo expurgados do nosso convívio. A violência não se tornou incontrolável? – é indagação quase geral. – Não é bem assim. Segundo a revista “Allan Kardec”, no Centro Penitenciário Agroindustrial do estado de Goiás, estão cerca de 700 condenados. No Estado inteiro, deve haver dez mil detidos. Segundo o IBGE, a população desse Estado é de 4,5 milhões de habitantes, que divididos pelos 10 mil presos, representa uma parcela de 4,5%, o que numericamente não é muito grande. O mesmo acontece aqui no Maranhão com índices ainda menor. O que acontece é que o mal tem destaque, é notícia de todos os dias nos meios de comunicação, enquanto as ações benéficas não são exibidas e muitas das pessoas que as praticam querem ficar no anonimato. Na metade do século XX, Pitigrilli, um dos mais críticos da sociedade contemporânea, admitia existir no mundo, mais gente boa do que ruim. Os maus aparecem mais porque são mais ativos e provocam mais comentários. Por exemplo, neste momento, sacia-se a fome e a sede alheia, aqui, ali acolá. Milhares de crianças estão na escola. Dezenas de milhares são acolhidas em creches e instituições. Milhões de meninos, meninas, mulheres e homens estão sorrindo, ajudando, trabalhando. Milhares de pessoas se dedicam ao bem do seu próximo e nada disso vira notícia. Mas, se um infeliz qualquer dispara um revolver numa rua movimentada, dentro de poucas horas será notícia na rádio, na televisão, e no dia seguinte vira destaque sensacionalista em manchete nas páginas dos jornais, porque causou escândalo, e o povo ainda se afina com esse tipo de coisas. Será uma exceção entre milhões de outras pessoas. As exceções aguçam a curiosidade; é uma realidade antiga. Muito antes de Matusalém, a exceção provocando o mal já estava nos primeiros lugares dos comentários. Estamos já no Terceiro Milênio, que chamam de final dos tempos, em que se abriram as prisões da Espiritualidade, possibilitando que muitos espíritos voltados para o mal, renasçam, nas suas últimas chances na Terra. É esta a explicação para tanta violência e crimes de todos os tipos. Corrupção sem precedentes; decadência dos bons costumes; a televisão, o cinema e as revistas vulgarizando a crueldade, o crime e o sexo. Em face dessa situação, muitos pensam em pena de morte, que não resolve, porque morrendo os delinqüentes renascem outra vez nas mesmas condições de espíritos ignorantes, em que foram para a Espiritualidade. Eles são minoria, mas aparecem muito mais por serem exceções. Aqui se faz aqui se paga – diz a sabedoria popular. Ou então se paga em outros mundos, até o último ceitíl, conforme disse Jesus, porque a impunidade não existe na Justiça Divina. Nos próximos decênios, os renitentes no mal não mais reencarnarão na Terra, que ficará livre dos tormentos e sofrimentos que eles causam. Irão para mundos primitivos, de sofrimentos indescritíveis, onde terão utilidade na evolução, graças aos conhecimentos que já possuem e levarão daqui. Assim foi na Terra, então um mundo selvagem, em formação, na Idade da Pedra. Enquanto os espíritos surgidos aqui animavam os homens das cavernas, os exilados de outros mundos que para cá vieram, criavam as sociedades e as obras que até hoje, são admiradas e desafiam a nossa inteligência. Os tempos são chegados aonde grandes acontecimentos e transformações vão se operar para a regeneração da Humanidade. O nosso planeta, como tudo o que existe, está também submetido à Lei do Progresso. O progresso físico e moral devem seguir paralelamente, porque a perfeição da habitação está em relação com a do habitante. Fisicamente, a Terra sofreu e vem sofrendo transformações constatadas por nós e a ciência; a Humanidade tem progredido muito em inteligência e mais lentamente em moralidade e no sentido religioso, e, pelo abrandamento dos costumes que também comprovamos. Sob o comando de Jesus, tudo se move, tudo funciona numa ordem perfeita, apesar dos nossos questionamentos e da nossa falta de entendimento. A Humanidade até hoje, alcançou incontáveis progressos; as pessoas pela sua inteligência chegaram a resultados que jamais atingiram em relação às ciências e ao bem estar material; restando-lhes ainda um imenso progresso a realizar; fazer reinar entre elas a caridade, a solidariedade e a fraternidade, para assegurar o bem estar moral. Esse é o período em que estamos entrando, e que marcará uma das fases principais da Humanidade. É por isso que se diz que os tempos são chegados. Não se trata de uma mudança parcial, de uma revolução limitada a uma região, a uma raça ou a um povo; é um movimento mundial que se opera no sentido do progresso moral das pessoas. Uma nova ordem tende a se estabelecer; a nova geração, formada por espíritos mais nobres, virá animada de idéias e de sentimentos mais elevados. O velho mundo viverá apenas na história, como hoje vivem os tempos da Idade Média, com seus costumes bárbaros e suas crenças supersticiosas. Mas, uma mudança tão radical quanto a que se aproxima, não pode se cumprir sem comoção, haverá lutas inevitáveis entre as idéias. Desses conflitos, nascerão forçosamente, perturbações temporárias, até que o terreno seja aplainado e o equilíbrio seja restabelecido. Dessas perturbações surgirão os graves acontecimentos anunciados por Jesus. Hoje não são somente as entranhas do globo que se agitam também as da Humanidade. Ela se transformará como já aconteceu em outras épocas, e cada transformação é marcada por crises penosas, dolorosas, que carregam com elas as gerações e as instituições; mas, sempre seguidas de uma fase de progresso material e moral. Veja-se o exemplo da segunda guerra mundial: Provocou milhões de mortes e sofrimentos, mas, como até dos acontecimentos negativos a Providência Divina faz surgir coisas benéficas, trouxe também enorme progresso e a consciência dos direitos, como a preservação dos meios de vida e a criação de organismos para manter a paz. A Humanidade está no meio de um desses períodos de evolução há quase um século; presa por uma espécie de febre e como movida por uma força invisível; com mudanças em seus costumes, suas leis, suas crenças, em todo seu estado social. Foi nesse período que se viu surgir e estamos vendo florescer a Doutrina dos Espíritos, dando seus frutos. É mais para o progresso do futuro do que para o presente que essas coisas estão acontecendo, e era necessário que isso fosse realizado antes, porque elas vão preparar os caminhos da regeneração. A marcha progressiva da Humanidade se opera pela melhoria sucessiva nos costumes, nas leis, nos usos e não se percebe senão com o tempo, ou por movimentos bruscos, rápidos, que lhe fazem atravessar, em alguns anos, o que levaria séculos para acontecer. É o cataclismo que em algum tempo leva as instituições e são sucedidas por nova ordem. Aquele que viver as duas fases, julgará que um novo mundo haja saído das ruínas do antigo; tudo estará mudado; é que, com efeito, pessoas mais evoluídas surgiram; as idéias da antiga geração, foram substituídas pelas novas idéias e conceitos da geração que está chegando. É esse período de transformações e de crescimento moral que a Humanidade está entrando. Quem meditou sobre Doutrina dos Espíritos e seus ensinamentos, compreende bem que ela abre para a Humanidade, um caminho novo, e lhe desenrola os horizontes do infinito, esclarecendo os mistérios do mundo invisível; mostrando o seu verdadeiro papel na criação, tanto no estado material como espiritual. A fraternidade deve ser a pedra angular da nova ordem social; mas, não haverá fraternidade real, sólida, efetiva, se ela não estiver apoiada sobre uma base inabalável; esta base é o conhecimento e a fé; não a fé em tais e quais dogmas particulares, mas em Deus, que é o mesmo para todos, soberanamente bom, justo e misericordioso. É esta base que a Doutrina dos Espíritos nos apresenta, assegurando que só o progresso moral proporciona a felicidade das pessoas na Terra, fazendo reinar entre elas, a concórdia, a paz e a fraternidade. A nova geração marchará então para a realização de todas as idéias humanitárias, compatíveis com o grau de adiantamento ao qual terá chegado. O filósofo Sócrates, já dizia há séculos atrás: “Conhece-te a ti mesmo”. A pessoa moderna esqueceu que possui e precisa cuidar de seu espírito para atingir a plenitude do seu ser. Se não descobrir a alegria do convívio fraterno com os seus semelhantes e a presença de Deus dentro de si, todo o seu conhecimento estará incompleto. A busca da auto realização da felicidade é da própria lei divina. Ninguém nasce para sofrer, e se sofremos, existe uma causa criada por nós mesmos. Muitas pessoas julgam erroneamente que ser feliz é “ser importante”, é possuir “bens materiais”, esquecendo que não somos donos de nada, pois até o corpo que usamos a Natureza nos emprestou; tudo pertence a Deus. Quando chegamos ao mundo trouxemos algum bem material? Muitas pessoas não dão valor ao lado afetivo, às leis morais e nem ao sentido espiritual da sua existência. Nessa correria louca pela aquisição de fama e bens, não dão o devido valor às pessoas com quem convivem, esquecendo o bom relacionamento, os sentimentos de fraternidade e amor que devem ter para com todos. E, quando deixamos de praticar esses sentimentos, descobrimos a nossa fragilidade de ser humano e ao nos chegar os infortúnios da existência; só então percebemos que existe uma força maior que é Deus, para quem apelamos. Nos lembramos de Deus, através de uma oração de agradecimento, quando as coisas correram bem? Fizemos alguma coisa de bom aos nossos semelhantes; temos merecimento? Pelas vicissitudes da existência, decidimos então aceitar a Deus como nosso Pai de Bondade, Amor e Misericórdia, para que a nossa existência tenha outro significado; uma sensação de paz, e se transforme em harmonia com a Natureza e as outras criaturas. As novas pessoas de progresso que habitarão a Terra encontrarão nas idéias espíritas, uma poderosa alavanca, e a Doutrina encontrará nas novas pessoas, espíritos dispostos a acolher seus ensinamentos. As novas gerações quê vem fundar a era do progresso moral, se distinguem por uma inteligência e uma razão geralmente precoces, são crianças super-dotadas, unidas ao sentimento do bem e das crenças espiritualistas, Elas não serão compostas exclusivamente de espíritos elevados, mas também daqueles que, tendo já progredido, estão dispostos a assimilar as idéias progressistas e colaborar com a implantação de um mundo melhor, sob a bandeira de Paz e Amor, símbolos do cordeiro de Deus. Os “tempos são chegados”, anunciam os espíritos, em que a vida no planeta será pacífica e mais voltada para o espírito, após as transformações porque passará a Terra. No Universo de Deus, tudo é progresso, harmonia e perfeição, e através do aprendizado milenar, do amor ou pela dor, um dia chegaremos lá. Somos todos convocados a colaborar na medida que pudermos e que se fizer necessário o nosso concurso. Muitos já vieram antes de nós, e deixaram a contribuição de seus trabalhos e sacrifícios, melhorando o mundo para que tivéssemos condições mais satisfatórias de “trabalhadores da última hora”. Se cruzarmos os braços e fecharmos nossos ouvidos neste momento decisivo e de testemunho, muito iremos lamentar pela oportunidade que deixamos escapar de colaborar na seara do Mestre, e na participação de um mundo melhor para nós e nossos descendentes. Peçamos ao Pai Celestial que nos dê forças para que possamos abraçar esse trabalho na condição de humildes servos, para o engrandecimento da obra divina, a melhoria da nossa casa planetária, da nossa existência e dos nossos entes queridos. Que o Senhor nos ilumine e nos ampare nessa fase crítica da Humanidade... Bibliografia: Livro “A Gênese” “O Evangelho Segundo o Espiritismo” Jc. São Luís, 30/9/1999. Refeito em 28/12/2012

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

URBANO DE ASSIS XAVIER

URBANO DE ASSIS XAVIER Nascido em Timbó (BA) em 28 de agosto de 1912, filho de Francisco Xavier de Sousa e Francisca Assis Xavier, Urbano Francisco de Assis Xavier, terminou o curso de odontologia e resolveu embrenhar-se pelo Estado de São Paulo para se iniciar na vida profissional, fato que se deu em 1935. Ele escolheu para isso a cidade de Santa Ernestina, próxima a Araraquara-SP. Com a idade de 25 anos já estava casado com Albertina Ferreira Xavier que tinha apenas 17 anos. Bastante ligado à Igreja Católica, ele logo se tornou presidente da Congregação Mariana e sua esposa filha de Maria. Logo que se casaram, fenômenos estranhos começaram a acontecer. Urbano, durante a noite, ponha-se a falar em voz alta, tão alta que vinha gente do final da rua ver o que estava acontecendo. Começou então a correr a notícia de que o dentista da cidade estava ficando louco. Todavia, Urbano, ao voltar a si, não se lembrava de nada e em virtude desses fatos, que se repetiam todas as noites, o casal que já morava próximo á igreja, resolveu se mudar para mais perto ainda, julgando que assim eles estariam mais protegidos. No entanto, ao contrário do que esperavam, a situação piorou. Certo dia, o trouxeram para casa porque estava na igreja rezando a missa como se fosse outra pessoa e dizia chamar-se padre Loureiro de Aguiar, que falecera anos antes. Em seguida, vários Espíritos se comunicaram com Urbano, diante de Albertina, que não sabia o que ocorria. Quando então uma entidade se comunicou chamando-se “Pai Jacó” que era um “preto velho”, que instruiu Albertina a procurar em Matão, uma pessoa chamada Cairbar Schutel, que poderia orientá-los. Urbano e Albertina assim fizeram e foram até Cairbar que os orientou. Urbano iniciou, então, os estudos da Doutrina Espírita e começou a participar das reuniões mediúnicas dirigidas por Cairbar, tornando-se, com o tempo, um dos médiuns de confiança de Cairbar Schutel, que teria dito: “Existem muitos Pais Jacós por aí, mas neste eu acredito!”. Pouco tempo depois, após curta enfermidade, faleceu Cairbar Schutel. O fato ocorreu no dia 30 de janeiro de 1938, em virtude de um aneurisma cerebral, e na mesma noite, durante o velório, ele se comunicou por intermédio de Urbano de Assis Xavier. Ele estava participando com a esposa do velório quando percebeu a presença de Cairbar (Espírito) próximo ao corpo e que estava lúcido e desejando se comunicar por sua mediunidade. Urbano achou, porém, que seria inconveniente uma manifestação naquele momento e tentou se esquivar e querendo ir para a sala ao lado, teve que passar perto do caixão, e, quando o fez, Cairbar,(Espírito) já impaciente, lhe disse: “Ora Urbano, tenha paciência!” e, agindo rapidamente, por intermédio de Urbano, proferiu algumas palavras para as pessoas que ali estavam, dizendo ser Cairbar de Souza Schutel e que ali estava para comprovar a continuidade de sua vida após a morte do corpo. Urbano possuía uma mediunidade ímpar, e alguns casos são muito interessantes. Manoel Philomeno de Miranda, autor de vários livros, psicografados por Divaldo Franco, foi primo de Urbano. Um dia já morando no sudeste, Urbano o visitou na Bahia, mas não o encontrou em casa, motivo pelo que se despediu e foi embora. Miranda depois indagou sobre seu procedimento de não tê-lo aguardado, quando descobriu que Urbano num havia saído do interior de São Paulo. Outro caso interessante se deu com um homem angustiado que aguarda numa estação de trem, ansiando por uma solução para o seu problema. Sua esposa doente precisava de tratamento. Ele vê se aproximar Cairbar Schutel e quando está mais perto, não enxerga Cairbar, mas sim Urbano, trazendo-lhe exatamente a importância que necessitava para o remédio. Urbano conviveu com Herculano Pires em São Paulo e em Marília e trabalharam juntos no movimento espírita, na divulgação dos conhecimentos e também no exercício da mediunidade. Conta Herculano Pires que Urbano transformava-se de tal maneira ao receber um Espírito comunicante, que este era facilmente reconhecido pelas pessoas amigas, sem necessidade do mesmo dizer seu nome. Outras vezes ele se transfigurava, transformando o seu rosto com os traços do Espírito comunicante. Nos últimos tempos, desenvolveu também a mediunidade de “voz direta”, ficando em transe enquanto os Espíritos falavam diretamente com os presentes, vibrando a voz em pleno ar. Herculano Pires ficou tão impressionado com a mediunidade de Urbano que acrescentou em sua tradução de “O Livro dos Médiuns”, publicado pela editora Lake, uma nota de rodapé sobre a mediunidade de transfiguração de Urbano. A nota consta do cap. VII – Bicorporeidade e Transfiguração. Em 1954, Urbano fez a palestra alusiva ao primeiro aniversário do Lar Infantil Marília Barbosa, na cidade de Cambé, entidade fundada por Luiz Picinin em 29 de março de 1953 e dirigida posteriormente, até os nossos dias, por Hugo Gonçalves. Luiz Picinin, que muito apreciava as palestra de Urbano, chegou a gravar algumas delas, e transformou-as em LPs. Urbano sofreu três derrames e desencarnou em 31 de outubro de 1959. Ele teve sete filhos com Albertina: Edna, Sóstenes, Célia, Gutemberg, Demóstenes, Alcione e Paulo. A sua filha Célia Xavier Camargo, que reside em Rolândia, é uma das colunistas do jornal “O Imortal” de Cambé. Nota: As informações contidas nesta biografia feita por Marinei Ferreira Rezende, foram fornecidas pelo confrade Alexandre Xavier de Camargo, neto de Urbano de Assis Xavier, que reside também em Rolândia-PR. Bibliografia: Jornal “O Imortal” – dezembro/2012. Jc. São Luís, 27/12/2012