segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

A FAMÍLIA E OS ADOLESCENTES

A FAMÍLIA E OS ADOLESCENTES Os pais, os filhos e os parentes constituem a família consangüínea. Emmanuel, falando da família nos esclarece dizendo: “De todas as instituições existentes na Terra, nenhuma talvez mais importante em sua função educadora e regeneradora, do que a constituição da família. Temos no instituto doméstico, uma organização de origem divina, em cujo seio encontram-se os instrumentos necessários ao nosso aprimoramento espiritual, para a edificação de um mundo melhor.” Viver em família significa vivenciar os sonhos, as esperanças, as árduas tarefas, as lutas, os sofrimentos e as alegrias, as tradições morais elevadas, que se alicerçam no grupo doméstico, onde crescem as nobres expressões de elevação espiritual. Entretanto, na atualidade, observamos crise na instituição familiar. Uniões entre homens e mulheres, se realizam irresponsavelmente a todo dia e, mais depressa ainda se desmancham. Atrás, ficam os filhos, as grandes vítimas; muitos se tornam filhos-problemas. Isto porque a família está sendo relegada para segundo plano. O pai moderno, muitas das vezes, aflito e angustiado, passa a existência inteira correndo atrás de garantir o futuro, se esquecendo de viver o presente. Na luta para edificar esse futuro (que pertence a Deus), ele se torna um homem ocupado, sem tempo para a família e os filhos, envolvido que está em várias atividades. Para conseguir o necessário e também o supérfluo ele tem mais de uma atividade; em vez de desfrutar a companhia dos familiares, vende as férias que deveria gozar; arranja outras motivações para ocupar o tempo que deveria dedicar a brincar ou passear com os filhos, ficando aqueles que ele colocou no mundo e a sua companheira esquecidos e abandonados. A mulher-mãe, por seu turno, tem relegado e transferido a outras pessoas, com exceções, a tarefa importante da educação dos seus filhos. Ficam as crianças, às vezes, entregues as mãos de estranhas ou de parentes que já estão sobrecarregados com seus próprios problemas, quando não passam essa tarefa, aos idosos, sem maiores condições de atender as crianças. Outras mães deixam de cuidar dos filhos, para se ocuparem com frivolidades; tais como: a vida dos outros, o que vestem ou o que fazem; assistir as novelas; comentar com amigas as ocorrências diárias. Outras mais procuram outra ocupação por não quererem assumir os sacrifícios de mãe, mesmo que os filhos fiquem carentes de afeto e cuidados maternos. Certa vez, uma criança ao ser interrogada acerca do que gostaria de ganhar de presente, no seu aniversário, respondeu: “Quero uma mãe!” – Disseram-lhe: “mas você tem uma mãe, por que quer outra?” – A criança voltou a responder: - “É que a mãe que eu tenho, não liga pra mim e está sempre fora de casa.” – Era o desabafo de uma criança, retratando a sua dura realidade. O que se questiona aqui é a responsabilidade dos pais para com os filhos; o compromisso de ampará-los e educá-los com respeito e amor, e, principalmente com exemplos edificantes; e não apenas possibilitar a instrução e a manutenção material. Existem filhos de pais vivos, pela falta de convívio de pai e mãe, onde a família se desagrega, sem diálogo e sem amor. Carinho dos pais pode ser substituído? Talvez, porém a educação que deixarem de dar a eles vai refletir na existência futura deles, assim como o tempo que lhes negaram. Então é recomendável acompanhar seus progressos na escola, ouçam suas dúvidas, sejam seus confidentes. Falem dos ensinamentos de Jesus e lhes ensinem a fazer uma oração diária. Dêem-se a eles e realizem a tarefa de conduzir para o bem, essas almas que Deus as confiou, como seus filhos. É preciso que os pais escutem e conversem mais cordialmente com seus filhos, no clima de harmonia que deve existir no lar, e nunca adiar essas conversas para os tempos de desastres (filhas engravidadas, meninos praticando pequenos delitos, jovens envolvidos em gangues, fumantes e viciados em drogas). Pois, se assim fizerem, não lhes dando oportunidades, mais tarde vão assumir atitudes atormentadas, quando os filhos ou filhas estiverem em dificuldades ou enfrentarem problemas íntimos, para cuja solução, os pais não os prepararam. Os filhos, por sua vez, também foram se libertando da educação rígida e autoritária de outros tempos. O tratamento de “senhor” foi mudado para “você”, “velho” ou pior. Hoje são raros os que ainda conservam o tratamento anterior dedicado aos pais. Por outro lado os pais estão reclamando dos excessos de liberdade que eles deram aos jovens sem a devida responsabilidade, e aí ficam sem saber o que fazer e o que é pior; o excesso de liberdade ou a repressão? O ideal seria uma boa conversa e o meio termo. As crianças precisam de harmonia, carinho e paz. Um ambiente de queixas, insatisfações, brigas e negativismo, criam nas crianças muitos problemas de saúde, morais e psíquicos, que perdurarão por toda a existência, isto porque, sendo elas muito dependentes, sofrem com muita facilidade os desajustes dos pais. Você, pai ou mãe, filho ou filha, já se perguntou se não está contribuindo para piorar o ambiente familiar? Acha que a culpa é sempre dos outros? Se você pensa assim, saiba que qualquer reclamação só vai fazer piorar o que já não está bom. Conscientizem-se de que todos merecem desfrutar de paz, e o lar, é o abrigo e refúgio no mundo, e por isso precisa ser mantido com o que tiver de melhor. Muitos se controlam em outros lugares, na presença de outras pessoas, deixando para despejar todo o seu fel, dentro de casa. Mesmo nos momentos dos problemas mais difíceis, é preferível fazer uma oração, pedir e confiar em Deus, entregando o que não depende mais de nós, e veremos que com fé, as coisas começam a melhorar. É comum escutarmos pessoas referindo-se aos filhos, alunos ou jovens, com quem se relacionam, usarem a expressão “aborrecentes”, para indicar que eles estão passando pela fase da adolescência, período de existência agitada e muito contestada, pouco compreendida e geradora de conflitos e aborrecimentos para todos. Emmanuel, mentor espiritual de Chico Xavier, afirmou sobre o assunto, o seguinte: “A juventude pode ser comparada à saída esperançosa de um barco em viagem importante. A infância foi à preparação, a juventude é a viagem, e a chegada ao destino será a velhice. Todas as fases da viagem precisam de lições de “marinheiros experientes”, para se aprender a organizar, velejar e terminar a viagem com êxito”. A mente do adolescente está entre uma ética moral transmitida pelos mais velhos e a que adquire e desenvolve por si mesmo. Ele está em fase de transição, período caracterizado por transformações biológicas, comportamentais, morais e sociais, em busca de uma definição do seu papel na sociedade, determinado pelos padrões culturais do ambiente e meio em que vive. Afinal, o que é a adolescência? Quando começa e quanto tempo dura? Por que temos tantas dificuldades de lidar com ela, se nós já fomos também adolescentes? – O período da adolescência geralmente inicia-se aos 10 anos e seu término é aos 25 anos. O término, caracteriza-se quando a pessoa atinge a “maturidade moral emocional e social, entendida como sendo a condição de assumir as atitudes e responsabilidades da existência adulta. Entretanto, algumas pessoas envelhecem sem ter cumprido a tarefa de definir sua individualidade e assumir a responsabilidade dessa condição. São pessoas que crescem biologicamente, mas não em emoções e sentimentos. Mesmo assim, assumem compromissos de pessoas adultas; casam-se, têm filhos. Quando, dessas pessoas, se espera “marinheiros experientes”, como disse Emmanuel, para ajudar os filhos adolescentes a se organizarem, revelam a própria incapacidade como modelo de comportamento. Para esses filhos, é lamentável a adolescência permanente daquele que ocupa a posição de pai ou mãe. A criança de hoje, ainda no começo dos estudos, recebe mais informações do que um sábio da Idade Média; seja no lar, na escola, nos meios de comunicação, em todos os lugares. Nas últimas décadas, após o aparecimento da televisão e da Internet acelerou-se, como em nenhuma época da História, o amadurecimento mental das crianças e adolescentes. Esse amadurecimento precoce, trás direitos e deveres que nem sempre eles estão preparados para exercer. A juventude conquistou então mais liberdade e com essa abertura, muitos jovens não souberam lidar com essa situação nova e exageraram, sobretudo com relação à liberdade sexual, o uso e abuso de bebidas alcoólicas e até de drogas. Com o tempo, os jovens se dividiram entre aqueles sem conhecimentos e maior liberdade sexual, guiados pelos instintos, e os que estão mais preocupados em estabelecer relações afetivas estáveis, apoiados no sentimento de amor com respeito. Na relação sexual promíscua ou com vários parceiros, além de ser um comportamento anormal e imoral, que degrada a criatura humana, ainda provoca a incidência e a transmissão de doenças contagiosas, que representam um grande fator de risco, visto que a cada dia é grande número de jovens infectados com; cancros, tuberculose, neuroses, câncer e aids que lotam os hospitais, muitos já em fase terminal, sabendo e apenas esperando a morte, quando poderiam estar ainda saudáveis e felizes. Muitos jovens, não sabendo os perigos das bebidas alcoólicas, algumas derivadas do vinho, usado pelos antigos como remédio e tônico fortificante, (Jesus usava como alimento, e os gaúchos usam como alimento e tônico que lhes dá calor contra o frio), esses jovens iniciam-se no uso das bebidas começando pela cerveja, não avaliando o poder desagregador e o mal que elas fazem no relacionamento no lar, pelos efeitos danosos causados ao organismo, que chegam a provocar acidentes fatais, e as conseqüências sofridas pelos familiares, quando estes já se tornaram alcoólatras. Muitos desses adolescentes morrem em acidentes de carro ou estão hoje em prisões e hospitais, levados pelo consumo dessas bebidas. Outros jovens, julgando-se senhores de si, experimentam certos tipos de tóxicos sob a influência de “colegas”, acreditando que em qualquer tempo que quiserem, poderão deixar de ser usuários, não percebendo a gravidade que representa essa atitude, e, desconhecendo que uma vez, iniciados, tornar-se-ão viciados e dependentes, sendo quase impossível sair dessa dependência. Começam eles pelo cigarro, que é apresentado como aquele que dá destaque, charme, valor, independência e status. Ao usar o cigarro, o fumante introduz, voluntariamente, em seu organismo, 4.720 substâncias tóxicas. Para melhor compreensão do assunto, damos alguns dados do Ministério da Saúde: Doenças causadas pelo cigarro; crises de asma, pressão alta, tosse constante, irritação de vários órgãos, dores de cabeça, bronquites, úlceras do estômago, enfisema, câncer em vários órgãos, infarto do coração, derrame cerebral. Conseqüências; adoecem com mais facilidade, menor resistência física, poluição do ar e das pessoas em ambientes fechados, defeitos congênitos em bebês de mulheres grávidas, uma em cada cinco mortes, pelo uso do tabaco. Natureza do cigarro; os fornos que secam as folhas do fumo usam lenha, e a cada 15 maços de cigarros, uma árvore é destruída, causando uma devastação em florestas; a plantação exige o uso de agrotóxicos que poluem o solo, a água e os rios. Depois do cigarro, vem á maconha, mais popular, a heroína, a que mais rápido vicia, a cocaína, de efeito devastador e o crack, que é produzido da cocaína contendo éter. Destes outros tóxicos, nem precisamos falar dos males que causam, porque a televisão nos mostra sempre os dramas humanos, causados por essas drogas, no organismo. Em qualquer destas situações, a tristeza e o sofrimento é grande quando os pais se defrontam com um filho ou uma filha, que às vezes, esquecidos e abandonados pelos genitores, busca na bebida e na droga, a companhia, o afeto ou o alívio para algum problema, tristeza, angústia e depressão. Os filhos, por sua vez, quando desprezam as orientações e conselhos dos pais e se voltam para os vícios, criam para si mesmos e os pais, na atual existência e nas futuras, tormentos, angústias e sofrimentos que poderiam ser evitados. Há ocasiões em que os pais se questionam sobre as lições transmitidas aos filhos: - De que adiantou tudo o que ensinamos ? - Para que tivemos tanto trabalho e tanto sacrifício? Referem-se eles, a filhos que lhes acarretam muitos problemas e maiores incertezas. Rapazes e moças que, no conflito de gerações, demonstram nada terem assimilado das lições recebidas no lar e na escola, durante anos de dedicação. É sempre oportuno lembrar que os pais devem ser os amigos mais íntimos e sinceros dos seus filhos, e ainda são os responsáveis perante Deus, pelos filhos que lhes foram confiados. O verdadeiro amor que deve existir, não isenta ninguém da luta de cada dia, fornecendo recursos e criando situações que somadas levam à vitória. Se quisermos mostrar valores novos e eternos, instruir e orientar devemos aproveitar todas as oportunidades; porém estejamos atentos para não exigir deles, mais do que podem dar no momento evolutivo em que estão vivendo. É nosso dever amparar nossos filhos em todos os níveis, contudo, não podemos tirar-lhes as valorosas experiências do esforço e da realização. Indiquemos o caminho, mas acima de tudo, caminhemos ao lado deles, dando-lhes os exemplos positivos para que se mire em nós e nos ensinamentos de Jesus. Hoje, graças a Doutrina dos Espíritos, temos conhecimento suficiente para ver nossos queridos filhos como espíritos imortais, com fraquezas, anseios, tentações, lutando contra todas essas imperfeições, para crescer e evoluir. Outras vezes, esses espíritos colocados em nosso teto como filhos, têm maior aprimoramento e evolução do que nós, podendo também nos ensinar e orientar. Um dia, a sementeira que realizamos brotará, talvez, quando eles também forem pais. Nesse dia, onde estiverem, os pais sentirão a satisfação em terem encaminhados para o bem, seus filhos, e terão a certeza de que, tudo o que foi possível, fizeram, para que os seres que vieram ao mundo por seu intermédio, encontraram finalmente o caminho que os conduzirão à paz e a felicidade. Finalizo este artigo, relembrando os princípios necessários que devem nortear os pais e filhos: Evangelho, fé, amor e esperança. Que a Paz do Senhor esteja em nossos corações. Bibliografia: Emmánuel “Revista Espírita de Campos” Jc S.Luis, 02/05/1999 Refeito em 28/12/2012

A VIDA NA ESPIRITUALIDADE

A VIDA NA ESPIRITUALIDADE Separado do corpo físico, em decorrência da desencarnação, o Espírito volta, na maioria das vezes, a reencarnar depois de intervalos mais ou menos longos, intervalos esses que atualmente podem durar desde alguns anos até vários séculos, não existindo, nesse sentido, limite determinado. A Doutrina dos Espíritos ensina que esses intervalos podem prolongar-se por muito tempo mais jamais serão perpétuos. Enquanto aguarda nova existência neste ou em qualquer outro mundo, o desencarnado fica no estado de espírito errante, estado em que espera novas oportunidades e aspira a um novo destino. Dá-se o nome de erraticidade esse estado em que se encontra o espírito. Entretanto, o fato de estar desencarnado não o coloca sempre, na condição de espírito errante. O espírito que não mais precisa encarnar para evoluir, já se encontra no estado de espírito elevado. Assim, quanto ao estado em que se encontram na Espiritualidade, os espíritos podem ser: 1- ERRANTES – desencarnados que aguardam nova encarnação; 2- ELEVADOS – desencarnados que já chegaram á determinada perfeição e por isso não necessitam de novas encarnações. Porém, podem encarnar em missão determinada pela Providência Divina, no sentido de trazer novos conhecimentos e exemplos para serem seguidos. Em todos os tempos esses Espíritos Superiores voltaram a Terra, como missionários do bem. Convém destacar que o estado de erraticidade não constitui, por exemplo, sinal de inferioridade dos espíritos, uma vez que há espíritos errantes de todos os graus de evolução. A condição de espírito encarnado será sempre um estado transitório, visto que o estado normal é quando o espírito liberto da matéria vive plenamente a vida espiritual. Na erraticidade, os espíritos não ficam inertes, ociosos como muitos pensam; eles estudam e buscam informações que lhes enriqueçam o conhecimento, procurando o melhor meio de se elevarem, além de trabalharem no auxílio aos necessitados. O ensino espírita acerca da vida de além-túmulo mostra que na Espiritualidade não há lugar algum destinado à contemplação ociosa. Todas as regiões estão povoadas por espíritos em constantes atividades laboriosas e assistenciais. Na condição de errante, o espírito pode, portanto, melhorar muito, conquistando novos conhecimentos, fazendo o seu progresso, dependendo naturalmente de sua maior ou menor vontade de evoluir. Entretanto, será na condição de espírito encarnado, que terá oportunidade de colocar em prática os conhecimentos que adquiriu e realizar efetivamente, o progresso que está necessitando e buscando. Gabriel Delanne, afirma que os espíritos são os próprios construtores de seu futuro, conforme o ensino de Jesus, quando disse: “A cada um segundo suas obras”. Todo espírito que se atrasar em seu progresso, somente de si mesmo pode queixar-se, do mesmo modo que aquele que se adiantou terá todo o mérito do seu progresso. A felicidade que ele conquistar terá, por isso mesmo, maior valor para si. O progresso intelectual, é causado pela atividade que ele é obrigado a desenvolver no trabalho e o progresso moral, por causa da necessidade que os seres humanos têm de se auxiliarem uns dos outros. A existência social lembra ainda Delanne, é a condição para que as pessoas desenvolvam as boas ou más qualidades. Uma questão intrigante, diz respeito à situação da criança, na morte, cuja explicação deve-se à Doutrina dos Espíritos. Ela ensina que tal qual acontece com o espírito de uma pessoa adulta, o espírito de uma criança que morre em tenra idade, volta ao mundo espiritual e assume sua condição precedente, salvo os casos das almas ainda encarceradas no inconsciente, distante por enquanto do autogoverno a que André Luiz se refere no livro “Entre a Terra e o Céu”. A curta duração da existência da criança pode representar, para o espírito que a animava, o complemento de uma existência precedente, interrompida antes do programado; outras vezes a morte da criança constitui prova ou expiação para os seus pais. O espírito cuja existência se interrompe no período da infância recomeça em nova existência, que ocorrerá na época que for julgada mais conveniente ao seu progresso. Se ele não tivesse oportunidade de reencarnar, ficaria estagnado, à margem do processo evolutivo, fato que não corresponderia à justiça de Deus. Com a possibilidade de uma nova encarnação, o progresso passa a ser uma meta acessível a todos os espíritos que necessitam evoluir. Com a experiência vivida pelo espírito da criança que morre em tenra idade, seus pais são também provados em sua compreensão acerca da vida, podendo ainda, por esse meio, resgatar débitos contraídos no passado, quando, em existências passadas, abandonaram seus filhos à própria sorte ou os mataram deliberadamente com o recurso do aborto delituoso, tirando-lhes a oportunidade de nova existência, de novas conquistas e de melhor progresso espiritual. No desencarne (morte física), e de acordo com a evolução, duas condições podem ocorrer ao espírito: 1- O espírito não possuindo virtudes e tendo praticado o mal, é levado por espíritos inferiores, para regiões de sofrimento na Espiritualidade, e lá despertando, são martirizados, sem poderem se libertar dos sofrimentos; acontecendo ainda que muitos espíritos permanecem ignorantes de que já desencarnaram; 2- Possuindo o espírito determinadas virtudes e tendo praticado o bem, ele é levado adormecido por Benfeitores Espirituais, que o assistem, para lugares de repouso, onde despertarão e, convenientemente tratados, reiniciam o trabalho de evolução. Alguns espíritos mais evoluídos, são mantidos, desperto e assistido pelos mentores espirituais, permanecem as vezes no recinto onde seu antigo corpo está sendo velado, para reconhecimento da sua nova realidade de espírito, sendo depois levados pelos seus amados que o precederam na passagem para a Espiritualidade, ao destino de que se tornaram merecedores. Essa é a dura realidade na espiritualidade para todos os espíritos. Entretanto, poucos serão os que poderão evoluir para um mundo mais adiantado; a maioria tendo merecimento voltará após um período de reajustamento que podem durar anos, para a escola da Terra, a fim de completarem resgates, provas e trabalharem em benefício dos seus semelhantes que lhes possibilitarão a evolução. Ernesto Bozzano, na obra “A Crise da Morte”, observa alguns critérios na passagem do espírito para o mundo espiritual, que resumiu em doze detalhes fundamentais, a saber: 1- Todos os espíritos afirmaram se terem encontrado com a forma humana, na vida espiritual, isto porque o espírito, por meio do “perispírito” conserva a aparência terrena; 2- Quase todos afirmaram terem ignorado durante algum tempo, que não estavam mais no plano físico; 3- Haverem passado, durante a crise do desligamento do corpo, ou pouco depois, pela prova da recordação de todos os acontecimentos da existência terrena ora encerrada; 4- Muitos terem sido acolhidos nas Espiritualidade, pelos espíritos dos que foram seus familiares e amigos; 5- Haverem passado, quase todos, por uma fase mais ou menos longa de “sono reparador”; 6- Terem-se achado num meio espiritual harmonioso (no caso de espíritos melhores), e num meio tenebroso (no caso de espíritos pouco moralizados); 7- Terem reconhecido que o meio espiritual era um novo mundo, real, semelhante ao mundo terreno, porém, mais espiritualizado; 8- Haverem aprendido que na espiritualidade, o pensamento constitui uma forma criadora, pela qual o espírito pode reproduzir em torno de si, o ambiente de suas recordações; 9- Terem sabido que a transmissão de pensamento é a forma de comunicação, embora alguns espíritos se iludam julgando conversar por meio de palavras; 10- Haverem comprovado que os espíritos podem se transferir de um lugar para outro, ainda que muito distante, apenas pela sua vontade, mas dentro do plano a que fez jus; 11-Terem verificado que se achavam em estado de perceber os objetos pelo interior, pelos lados e através deles; 12- Terem aprendido que os espíritos evoluídos seguem automaticamente para o plano espiritual que conquistaram, por motivo da lei de “merecimento e afinidade”, podendo, entretanto, visitar os planos inferiores, e os que lá estiverem, mas, estes, não podem subir aos planos superiores. Além destes doze detalhes fundamentais, Ernesto Bozzano relaciona mais alguns detalhes secundários: A- Que alguns espíritos recém-desencarnados, ao observarem seus corpos físicos, inertes, geralmente falam que estão em um “corpo etéreo” perispírito idêntico ao corpo físico; B- Afirmam que, assim como não existem pessoas absolutamente idênticas na Terra, o mesmo se dá na Espiritualidade, de modo que até a passagem para o plano espiritual não é exatamente igual para todos; C- Quando dominados por paixões humanas inferiores, os espíritos se conservam ligados ao meio onde viveram, na ilusão de se julgarem ainda na existência terrena, e tornam-se muitas das vezes, os espíritos “assombradores” ou “obsessores”, mesmo não tendo o desejo de fazer o mal; D- Na espiritualidade, os espíritos inferiores não podem ir a planos superiores, devido à diversidade vibratória de seus “corpos etéreos pesados”; E- Os espíritos afirmam ainda que, quando se encontram a sós, percebem mentalmente uma voz que lhes chega aconselhando sobre o que fazer: são os Espíritos amigos que, percebendo seus pensamentos, lhes orientam no sentido do progresso espiritual. Muitas pessoas pensam que, quando o espírito desencarna, deixa com o corpo todas as suas más paixões e seus vícios. A verdade é que depois de sua partida da Terra, o espírito conserva todas as suas boas qualidades ou as más tendências que possuía no mundo, e observam os espíritos que estão felizes, como para lhes mostrar a necessidade de trilhar o caminho do bem. Na erraticidade o espírito toma conhecimento das suas existências anteriores e vê o futuro que o aguarda e o que lhe falta fazer para atingi-lo, tal qual um viajante que chega ao alto de uma montanha e vê o caminho percorrido e o que lhe resta para alcançar o objetivo. Quando um espírito diz que sofre, ele está experimentando as angústias morais que o torturam mais que os sofrimentos físicos. O avarento vê o ouro que não pode mais possuir; o imoral vê as orgias nas quais não pode mais tomar parte; o orgulhoso vê as honras que não mais pode gozar; o viciado a bebida que não pode mais tomar e o fumo e as drogas que não pode mais consumir; o ambicioso, os bens que não pode mais possuir... Mas, seguramente, o maior sofrimento é o pensamento de serem condenados para sempre, enquanto observam a felicidade de outros espíritos que fizeram por merecê-la. A felicidade dos bons espíritos consiste em não terem ódio, nem ciúmes, nem ambição, nem egoísmo, nem qualquer outro sentimento inferior, que fazem á infelicidade do ser humano. O amor que os une e a caridade que praticam é para eles a fonte suprema de felicidade. Eles não experimentam nem as necessidades nem os sofrimentos da existência terrena; são felizes pelo bem que fazem. A situação dos espíritos e sua maneira de ver as coisas variam ao infinito, em razão do grau de desenvolvimento moral, intelectual e espiritual. Os espíritos de ordem elevada, só fazem na Terra, paradas de curta duração. Tudo o que se faz na Terra, é tão mesquinho em comparação com as grandezas do infinito, que eles se sentem desejosos de voltarem ao seu ambiente de paz e harmonia, a não ser quando convocados a promover o progresso da Humanidade, na condição de missionários do bem. Os espíritos de ordem mediana estacionam mais tempo na Terra. Os espíritos imperfeitos e vulgares são os mais adaptáveis às condições do planeta e constituem a massa da população dos mundos de provas e expiações, que é a situação atual da Terra. Com relação às qualidades íntimas, os espíritos são de diferentes ordens e graus, que são percorridos sucessivamente, à medida que vão se depurando. Quanto ao estado, podem ser encarnados, isto é, unidos a um corpo físico; errantes, livres do corpo físico, esperando uma nova encarnação para se melhorarem; elevados, que não têm mais necessidade de encarnação. A marcha ou ascensão dos espíritos é progressiva; jamais retrógrada. Eles se elevam gradualmente e não descem da categoria que já alcançaram. Nas suas diferentes existências corporais, podem descer como seres humanos, mas nunca como espíritos. Assim, a alma de um rei na Terra pode, mais tarde, em outra existência, animar o mais modesto trabalhador e vice-versa, porque as posições entre os seres humanos, frequentemente, estão na razão inversa da elevação dos sentimentos morais. O exemplo mais marcante, observamos em Herodes que era rei, porém espírito inferior, e Jesus que era um carpinteiro, porém um espírito puro, quando encarnou na Terra... Finalizando, recordo as palavras de Emmanuel, mentor de Chico Xavier, ao dizer: “Os que partiram na grande jornada, estão vivos e compartilham as tuas aflições. Pensa neles com saudades, convertendo teu sentimento em oração. Efetua por eles, o bem que desejariam fazer. Contempla os céus em que mundos incalculáveis nos falam da Criação e da união sem adeus, e ouvirás a vós deles no próprio coração, a dizer-te que caminham felizes, em plena imortalidade, tendo a certeza de que Deus que nos criou para nos amarmos plenamente, jamais nos separaria para sempre. . .” Quer estejamos habitando mundos, ou vivendo na Espiritualidade, fazemos parte da grande família, cujo pai é Deus, supremo criador do Universo. Se, desejamos ser recebido na Espiritualidade pelos nossos entes queridos e habitarmos um plano de paz e harmonia, tratemos de fazer por onde termos esse merecimento que é conquistado pelo bem que fizermos aos nossos semelhantes, sejam eles parentes amigos ou desconhecidos, como na parábola do “Bom Samaritano”. . . Bibliografia: O Livro dos Espíritos Livro “Entre o Céu e a Terra” Emmánuel Jc. S.Luis, 28/12/2004 Refeito em 29/12/2012

OS PATRIMÔNIOS

OS PATRIMÔNIOS Vários são os patrimônios adquiridos e usados pelo ser humano. Nesta exposição vamos conhecer e analisar muitos deles e suas finalidades. PATRIMÔNIO MATERIAL São todos os bens da Terra que pertencem a Deus que os criou e os concede aos seres humanos, de acordo com Sua vontade. Nada do que é para uso do corpo pertence ao ser humano. Ele é apenas o usufrutuário desses bens terrenos, isto é, tem apenas a posse e o uso por algum tempo, de vez que não trouxe quando chegou ao mundo, nem levará quando partir da Terra. Esse patrimônio material compreende os bens móveis e bens imóveis, que servem ao ser humano durante sua existência, podendo apenas além do uso, transmitir a posse a outras pessoas. Os bens móveis (que se podem mover) compreendem, inicialmente, o corpo físico, depois, as roupas, calçados, água, alimentos, berço, guarda-roupas, camas, fogão, geladeiras, televisão, veículos, dinheiro, etc., como também os animais, plantas, etc. Fazem parte ainda deste patrimônio, o ar que respiramos, a luz do sol, a chuva que possibilitam a existência terrena. Os bens imóveis são representados por terras, terrenos, sítios, fazendas, casas, apartamentos, etc. A posse dos bens terrenos se dá por meio de herança, doações, trabalho honesto e desonesto, sorteios, prêmios, etc. PATRIMÔNIO CULTURAL A cultura é o conhecimento diversificado. Ela é adquirida primeiramente no aprendizado do lar, nas escolas, nas bibliotecas, em qualquer lugar, onde os conhecimentos são transmitidos pelos adultos às crianças e adolescentes, e até mesmo aos idosos, visto que durante a nossa existência estamos sempre aprendendo e assimilando conhecimentos que aumentam a nossa cultura. Ela é adquirida também na leitura dos livros, jornais, pelos acontecimentos e fatos transmitidos pelas rádios, televisões e internet, e ainda, pelos conhecimentos adquiridos por nós mesmos durante a existência. Exemplos: O saber da existência de outros povos e nações; de vulcões na Europa; oceanos e continentes; a existência de ursos polares e esquimós nas regiões cobertas pelo gelo, tudo isso é cultura. Existe o conhecimento transmitido, quando nos dizem que a semente colocada sob a terra germina, aparece e se transforma em planta ou árvore; que a chama de uma vela ou de um isqueiro queima; e o conhecimento adquirido, que é conseguido pela comprovação pela experimentação e vivência do que nos foi transmitido. Comprovamos que a semente germinou e apareceu como pequeno broto, e colocando o dedo na chama da vela ou do isqueiro sentimos o calor ou a queimadura. Da-se então a fusão dos conhecimentos transmitidos e os adquiridos que irão valorizar mais a nossa cultura. Esse patrimônio cultural nos permite saber a diferença entre o certo e o errado, o justo e o injusto, o bem e o mal. PATRIMÔNIO MORAL A moralidade vem progredindo mais lentamente através dos tempos, juntamente com os conhecimentos. A moral ensina por Moisés, apropriada aos povos semi selvagens, do “olho por olho”, foi completamente renovada por Jesus, iniciador da moral mais pura e mais sublime de todos os tempos. “Amemo-nos uns aos outros, e façamos aos outros, o que queiramos para nós”. Nestas duas máximas ensinadas por Jesus, está o mais importante patrimônio que o ser humano pode conquistar. O amor e a caridade praticados no dia-a-dia aumenta o patrimônio moral e deve ser a aquisição mais importante para nós, espíritos em jornada de evolução na Terra. Entretanto, é muito difícil se por em prática, em virtude ainda do pouco progresso alcançado pelo ser humano. Um dia, porém chegaremos lá, com certeza, pois esta é a nossa destinação. O amor ensinado por Jesus está sintetizado nas máximas: “Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a nós mesmos”. O Espírito de Verdade, em mensagem constante no “Evangelho Segundo o Espiritismo”, nos convoca a honrar esse preceito quando diz: “Espíritas! amai-vos”. Feliz é aquele que ama com muito fervor seus irmãos! Jesus querendo gravar na memória das pessoas o amor e a caridade, narra á parábola do “Bom Samaritano”. (Marcos, Cap.X vrs. 25 a 37. ) A caridade moral consiste na tolerância em se suportar uns aos outros; em não revidar o mal que nos desejam; em perdoar ou desculpar as ofensas; em amparar com nossas preces, os irmãos em desespero, obsessão e sofrimentos. A caridade moral é uma expressão do amor e, sem ela, não há fé, não há esperança num futuro melhor, nem moral que nos guie e eleve. O patrimônio moral das pessoas está gravado na alma, e são partes integrantes: A inteligência, os conhecimentos e as qualidades elevadas que levamos conosco para o mundo real, que é o espiritual. Considerando a brevidade da existência terrena, devemos consagrar o maior tempo possível, a sublimar nosso aperfeiçoamento moral, que é patrimônio nosso para toda a eternidade, a fim de podermos com satisfação, nos despedir da Terra, em melhores condições de evolução, do que quando aqui chegamos. PATRIMÔNIO SAUDÁVEL ou Intermediário é representado pela boa saúde que proporcionamos ao nosso corpo; pela alegria dos bons momentos; pelo bem-estar contentando-se com o necessário; pela paz de consciência sem atos desabonadores e infelizes; pela felicidade como conseqüência da nossa moralidade na vivência dos preceitos evangélicos; pela satisfação com a nossa existência que, mesmo difícil e problemática, está nos proporcionando o progresso espiritual, PATRIMÔNIO ESPIRITUAL É representado pela nossa evolução, em virtude do progresso moral alcançado, na vivência da prática do amor e da caridade; no exercício da paciência, da humildade, da tolerância, da resignação, da fraternidade e do nosso trabalho em nosso benefício, dos nossos entes queridos e também dos nossos semelhantes, sejam eles, parentes, amigos, desconhecidos, inimigos, todos nossos irmãos perante Deus que nos criou a todos. A PROVA DO PATRIMÔNIO Qual é pois, o melhor emprego da fortuna? – Aquele que está animado do amor ao próximo, tem uma linha de conduta e emprega sua fortuna em empreendimentos, de maneira a proporcionar trabalho e benefícios para muitos, seguindo a orientação de Jesus. Esse benfeitor será abençoado na Terra, e quando deixá-la, será recebido pelo Senhor, como o servo bom e fiel da “parábola dos talentos”. Devemos, entretanto, pensar em possuir os bens infinitamente mais preciosos que os da Terra, e, esse pensamento nos ajudará a nos desapegar dos bens em que somos apenas usuários. Aquele que se apega demasiadamente aos bens terrenos, mais sofre quando tiver que se separar deles, e é igual a uma criança que só vê o momento presente; e o que usa os bens terrenos e não se prende a eles egoisticamente, é o que vê os bens mais importantes que permanecerão eternamente. Nos Evangelhos, temos dois exemplos de homens mencionados como possuidores de riqueza. O primeiro, encontramos na parábola do “Rico e de Lázaro”. Esse rico foi um esbanjador, além de egoísta e insensível ao sofrimento e necessidades do seu próximo. O segundo chamado Zaqueu o publicano, onde Jesus se hospedou com todos os seus apóstolos, representa o oposto do primeiro, por ser um homem bom, ao repartir metade de sua fortuna com os pobres, conforme prometera a Jesus. Por outro lado, esbanjar a fortuna não é sinal de desapego nem de desprendimento dos bens terrenos; é o atestado de um ser irresponsável e indiferente que negligencia os bens colocados por Deus à sua disposição. Deus não ordenou que o ser humano desfaça-se do que possui, para se reduzir a uma mendicância voluntária, tornando-se uma carga a mais para a sociedade. Os que assim fazem, é porque querem se isentar das responsabilidades que o possuidor da fortuna tem perante a justiça divina, se não agir bem. A propósito, narro aqui uma pequena história, cujo título é: “O Valor do que se tem”. – Vamos a ela: “O dono de um comércio, proprietário de um pequeno sítio e amigo do poeta Olavo Bilac, abordou-o na rua e lhe disse: - Senhor Bilac. Estou querendo vender o meu sítio que o senhor bem conhece. Será que o senhor poderia redigir um anúncio para eu publicar no jornal? – Olavo Bilac prontamente pegou uma folha de papel e caneta e logo começou a escrever: “Vende-se uma encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortado por cristalinas e murmurantes águas de um lindo ribeirão, a casa, é banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranqüila de longas tardes na varanda.” Feito o texto, entregou ao amigo e se foi. Meses depois o poeta encontra o amigo na rua e lhe pergunta se havia vendido o sítio. O amigo lhe respondeu: “Nem pensei mais nisso” disse ele. Quando li o anúncio é que percebi a maravilha que tinha e não me dava conta, que resolvi mantê-la. Moral da história: Às vezes não descobrimos as coisas boas que temos conosco e vamos longe, atrás da miragem de falsos tesouros. Valorize, portanto, o que você tem; a família, os amigos, os que estão perto de você, o seu emprego, a casa onde reside, o sorriso de uma criança, a cidade onde mora e o conhecimento que adquiriu. DESPRENDEIMENTO DO PATRIMÔNIO Como vivemos na Terra e os seus bens precisamos utilizar, relembremos o que Jesus disse ao jovem que o interrogou sobre os meios de ganhar a vida eterna: “Desfazei-vos de todos os vossos bens e segui-me”. Com essa resposta Jesus não quis estabelecer como princípio, que cada um deve se desfazer daquilo que possui, e que a salvação tem esse preço. O que Ele queria com a sua resposta, era demonstrar que o apego demasiado aos bens terrenos é um forte obstáculo à elevação espiritual. Esse jovem, como muitas outras pessoas, se acreditava quites com a Lei de Deus, porque tinha cumprido certos mandamentos; porém recua diante da idéia de desfazer-se de seus bens; seu desejo de obter a vida eterna, não ia até esse sacrifício, julgando-se dono dos bens terrenos que estavam em suas mãos. A proposta que Jesus lhe fez, era uma prova decisiva para por a descoberto o fundo do seu coração; ele podia ser um homem honesto, segundo o mundo, não fazer mal a ninguém, não ser orgulhoso, honrar pai e mãe; mas não tinha a verdadeira caridade, porque sua virtude não ia até a renúncia, a abnegação... Se a riqueza fosse um obstáculo à salvação daqueles que a possuem, o Pai Celestial que a concede teria colocado nas mãos dos seus filhos um instrumento de perdição, pensamento esse inconcebível e sem razão. A fortuna é uma prova muito difícil, mais perigosa que a miséria pelas tentações que proporciona, provocando tal vertigem que se vê frequentemente, aquele que passa da pobreza para a fortuna, esquecer depressa a sua primeira condição e aqueles que o ajudaram e a família, tornando-se egoísta e insensível. Se a riqueza provoca sentimentos negativos em muitos, é preciso saber que não é ela, mas o ser humano que dela faz mau uso e abusa também dos demais dons que Deus põe a disposição para o seu progresso espiritual. O patrimônio mais importante da nossa existência é aquele que, quando adquirido nunca mais o perdemos, mesmo depois de deixarmos o mundo. Ele é constituído dos conhecimentos, da moralidade e das virtudes que vamos conquistando cada dia, a cada mês, a cada ano e até a cada existência terrena. Esse patrimônio ninguém pode nos tirar; podem nos tirar tudo o que seja de bens materiais, podem até nos tirar a existência terrena, mas o nosso patrimônio intelectual, moral e as nossas virtudes, que são aquisições do espírito, não são alienáveis, nem podem ser transferidos e muito menos roubados. Esse é o nosso patrimônio real, relegado por muitos ao esquecimento, em virtude das riquezas terrenas transitórias, que julgam possuir, quando na verdade são apenas usuários por bondade de Deus. Após toda esta exposição sobre os patrimônios, material, cultural, moral, saudável e espiritual; sobre a prova do patrimônio terreno e sobre o desprendimento do patrimônio material, chegamos à conclusão de que o único patrimônio que nos acompanhará na nossa trajetória através dos séculos e milênios, nas muitas moradas que ainda iremos habitar no Universo, é exatamente o patrimônio imperecível das aquisições espirituais, para a nossa evolução, rumo ao reino de Bondade e Amor. Trabalhemos, portanto, sabendo e visando o nosso bem e também o bem da humanidade. Acumulemos as riquezas do espírito, constituídas dos benefícios que prestarmos aos nossos semelhantes, na certeza de que viveremos por toda a Eternidade, sob bençãos do nosso Pai Criador... Bibliografia: Livro “Novo Testamento” “ “Evangelho Segundo o Espiritismo” + Acréscimos e modificações. Jc. S;Luis, 11/02/2004. Refeito em 29/12/2012

O SER HUMANO

O SER HUMANO O ser humano é o habitante da Terra mais inteligente, com consciência, livre-arbítrio e responsabilidade, e com eles executa as funções vitais ativando o corpo físico. Como os demais animais, os seres humanos nascem, vivem, nutrem-se, respiram, crescem se reproduzem e morrem. Precisam para viver, de luz, de calor, de água e se disso estão privados, definham e morrem. Entretanto, entre todos os animais, sendo o mais evoluído é também o mais dependente, precisando que outros seres humanos lhe dispensem os cuidados indispensáveis para poder sobreviver. Assim sendo, desde o seu nascimento ele precisa que lhe cuidem do cordão umbilical, lhe façam a higiene corporal, lhe botem para se alimentar e todos os cuidados lhe são dispensados para que tenha boa saúde, a fim de se desenvolver, com a assistência permanente de quase 24 horas por dia. Essas atenções e cuidados não se limitam, nos seres humanos, somente ao período primeiro (infância), mas também aos demais períodos da existência terrena. Os demais animais, com exceções, não possuindo mãos para cuidar dos seus filhotes, apenas lhes oferecem o alimento, cabendo a estes, se movimentarem para se levantar, andar e se alimentar. Enquanto os animais tornam-se independentes desde os primeiros instantes de vida, sujeitos a serem eliminados por outros animais predadores, o ser humano é amparado, assistido e protegido pelos seus iguais, até mesmo na fase de adulto, quando muitos precisam ainda de maior assistência. Os seres humanos possuem, para o desempenho das suas atividades da inteligência e dos seis sentidos, sendo cinco materiais e um espiritual, enquanto os demais animais possuem apenas os instintos de conservação, defesa e procriação. Os seres humanos julgam-se os maiores e senhores do mundo por causa dos seus sentidos e da sua inteligência. Realmente, se comparado em estatura com alguns animais como as formigas, os vermes, os pequenos pássaros e outros pequenos animais, ele parece um gigante; mas se confrontado com os elementos da natureza como o mar, as montanhas, o sol, a lua, ele não passa de um minúsculo grão de areias na imensidão da praia ou do deserto. Do ponto de vista existencial o ser humano pertence à classe dos mamíferos, dos quais difere apenas na forma exterior, tendo, portanto, a mesma composição química de todos os animais, os mesmos órgãos, as mesmas funções; ele nasce vive e morre nas mesmas condições que os outros animais e, em sua morte, seu corpo se decompõe como o de tudo o que tem vida. Quanto isto possa custar ao seu orgulho, o ser humano deve se resignar a não ver, em seu corpo material, senão o último elo que o liga a animalidade na Terra. Mas, quanto mais o corpo diminui de valor aos seus olhos, mais o princípio espiritual cresce em importância; se o primeiro o coloca ao nível do animal, o segundo o eleva a uma altura incomensurável. A Psicologia diz que somos determinantes e determinados, o que em outras palavras, significa: Assim como o meio em que vivemos nos influencia, nós temos o poder também de influenciar o meio. Essa realidade comprova uma verdade incontestável, se analisada sob o prisma do bom senso: Nós somos donos de nosso destino; nós somos os únicos e exclusivos responsáveis pela boa ou má forma em que vivemos. Se, nascemos e vivemos em um meio horrível (pais brutos, miséria social etc.), podemos ser influenciados pelo meio e fazemos de nossa existência um sofrimento para nós e para os outros, enquanto outras pessoas escolhem lutar e viver, mesmo sendo oriundas de ambientes altamente permissivos e negativos, são capazes de sair desse ambiente e, o que é mais importante, conseguindo ter uma existência reta, bem vivida, tudo por uma questão de escolha e de querer. O texto a seguir, atribuído a Charles Chaplin, elucida-nos como tudo na existência é produto da nossa escolha; da personalidade construtora que nos eleva, ou da destruidora, que nos rebaixa. Diz ele: “Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia-noite. É minha obrigação escolher como vai ser o meu dia; posso reclamar porque está chovendo, ou agradecer às águas por lavarem as ruas. Posso ficar triste por não ter dinheiro, ou me sentir encorajado a administrar o que tenho, evitando o desperdício. Posso reclamar sobre a minha saúde ou dar graças a Deus por estar vivo. Posso me queixar dos meus pais, por não terem me dado tudo o que eu queria, ou ser grato a eles por me terem dado a existência; posso reclamar por ter que ir trabalhar, ou agradecer por ter um trabalho. Posso sentir tristeza pela casa humilde, ou agradecer por ter um teto para morar. Posso lamentar as decepções com amigos, ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades. Enfim, se as coisas não saírem como planejei, posso agradecer a Deus por ter um amanhã para recomeçar. O dia está esperando para ser para mim, o que eu quiser. E aqui estou eu, o construtor que pode fazer; tudo depende só de mim...” A pessoa que faz prevalecer em si á personalidade construtora, costuma assim pensar quando caminha para o trabalho: “Obrigado, meu Deus, por essa oportunidade de ter o meu ganha pão e, no ambiente profissional, através dos naturais conflitos inter-pessoais, ter a oportunidade de também poder aparar as arestas de minhas imperfeições”. A pessoa de personalidade destruidora caminha para o trabalho, assim pensando: “Ai meu Deus, vai começar tudo de novo, que tristeza!” – Viver bem é o nosso ideal. Nossa força é maior do que imaginamos. Devemos nos lembrar de Jesus quando disse: “Podeis fazer tudo o que eu faço e muito mais, se quiserdes”. Para nossa força interior manifestar-se é preciso, antes, reorganizar nossos pensamentos e tomar corajosas atitudes, criando uma poderosa força que irá impulsionar-nos ao sucesso: a força de vontade. Colocar essa força a serviço da nossa existência e da nossa evolução, significa utilizarmos do nosso direito de escolha várias vezes durante o dia. Exemplos: “Vou começar o meu dia com a mente tranqüila, fruto da oração matinal, ou começá-lo com a mente perturbada, sem nenhum preparo para enfrentar o novo dia de oportunidades e desafios ? – Quando chegar ao trabalho, vou dizer aos meus colegas um “Bom-dia” que expresse esse sentimento, ou vou chegar ao trabalho sem nenhum sentimento positivo?” Vejamos o que fala sobre a valorização do nosso direito de escolha, o piloto italiano Alessandro Zanardi (entrevistado pela revista “Veja”, edição 1736). Antes da sua entrevista, recordemos um pequeno histórico de sua existência: Zanardi, em 15 de setembro de 2001, sofreu um terrível acidente no Grande Prêmio da Fórmula Mundial. Seu carro partiu-se ao meio quando, foi atingido pelo carro do piloto Alex Tagliani a 320 km por hora. Como conseqüência desse fatídico acidente, Zanardi perdeu suas duas pernas, que o impossibilitou de nunca mais poder pilotar um carro. Com essa nova realidade, o piloto poderia escolher sentir-se um “coitadinho”, tornando-se uma pessoa profundamente infeliz. No entanto, passado os seus naturais momentos de tristeza, demonstrou ter escolhido bem viver. Assim, em resposta a entrevista da revista “Veja”, disse: “Não achava possível ter alguém uma existência feliz, sem um corpo perfeito, completo. Depois de perder as pernas, mas continuar existindo, minha concepção mudou totalmente e não posso reclamar. Tenho na verdade é de agradecer a Deus, por estar ainda vivo.” E, em depoimento mais expressivo, faz aumentar nossa responsabilidade ao dizer: “A capacidade de escolha é daquelas dádivas às quais não damos o devido valor, mas é o que faz a existência valer a pena. Isso é o principal para todo ser humano”. . . Francisco Candido Xavier, disse certa vez que “nossa responsabilidade tem o tamanho do nosso conhecimento”. De acordo com esse pronunciamento do Chico; se agora passamos a ter o conhecimento de que a escolha é uma dádiva, cabe-nos a responsabilidade de bem escolhermos, como também fez o Zanardi. Evitemos culpar o motorista, o colega, a empresa, a família e até Deus, por qualquer problema que nos chega. Quando culpamos os outros por eventual insucesso ou dificuldade nossa, podemos estar utilizando um dos mais destruidores mecanismos de defesa: a fuga. Em geral, nos nossos relacionamentos, é difícil manter o autodomínio; na maioria das vezes expressamos nossos pensamentos e sentimentos sem uma prévia análise e depois nos arrependemos do que falamos. Reagimos às ações dos outros, quando o correto seria agirmos após meditar, refletir e escolher a melhor atitude. O animal quando ferido reage. O ser humano, porém, não precisa reagir; pode apenas agir. Sendo a mente a base de todos os reflexos e intenções, falamos e agimos impulsivamente, sem analisar, acarretando desavenças, discórdias, desuniões e tudo o que impede um bom e saudável relacionamento e isso acaba por comandar o nosso humor, a nossa existência. Contentamo-nos em culpar os outros, as circunstâncias, o destino ou qualquer outra coisa, entretanto, a falha é nossa. Quando aprendermos a agir, assumiremos o comando das nossas ações e da direção da nossa existência. As ações são racionais, meditadas e refletidas, enquanto que as reações são emocionais, impulsivas e às vezes até agressivas. Não podemos viver como um barco ao sabor das ondas e dos ventos. Quando aprendermos a educar a nossa mente, passamos a errar menos, melhorando nossa saúde física e mental. Podemos então falar ou gritar; fugir ou enfrentar; agir ou reagir; enfim, devemos escolher a atitude e a partir dessa escolha, crescer e agir prudente e corretamente. Se eu trato de modo diferente uma pessoa calma e outra agressiva, estou permitindo que elas determinem meu comportamento. Quando reagimos, sintonizamos o ofensor e nos tornamos iguais a ele – desequilibrado. Chico Xavier, certa vez expôs para Emmanuel, que estava sendo vítima de acusações que o deixavam muito triste. O mentor respondeu: “Você está aborrecido com pouca coisa. . . Os cristãos eram presos , torturados nos calabouços e mortos na arena!. . . Se você não ficar surdo ao que dizem de você, não será possível continuarmos o trabalho. Temos muito pela frente e a caminhada está apenas começando. . .” Bibliografia: Livro “A Gênese” Jc. S.Luis, 2006. Revisado em 29/12/2012

C O M P O R T A M E N T O

C O M P O R T A M E N T O S Vanda Simões, em artigo publicado no “Jornal do Lar”, nos informa “que ultimamente, os estudiosos do comportamento humano, chegaram a conclusão que, o excesso de liberdade, traz prejuízos para a formação do ser humano. Informa ainda que a teoria amplamente difundida e executada nos últimos anos, que era de não impor limites a uma criança, estava definitivamente errada e encerrada. Afirmando em seguida, que os pais americanos estavam perplexos e confusos, com a geração de jovens e seus destemperos comportamentais”. Só nos últimos cinco anos, nos Estados Unidos, ocorreram mais de 250 assassinatos cometidos por crianças e adolescentes, apesar das leis americanas serem mais rigorosas do que em qualquer outro lugar do mundo. No Brasil, uma pesquisa indica que 25% das crianças que estudam em escolas do Rio e de São Paulo, demonstraram um comportamento agressivo, nas relações com colegas e professores. E mais: embora só agora as notícias sobre a violência nas escolas tenham se tornado mais freqüentes, o problema é antigo, especialmente, nas grandes metrópoles. Outras pesquisas divulgadas pelo Grupo de Planejamento e Pesquisa, do Rio, comprovam que a questão é muito mais grave nas áreas pobres, onde já foram registrados casos de agressões com estupro, de alunas pelos colegas. A mesma pesquisa indicou ainda que, as crianças vêem mais violência nas televisões do que nas ruas, e que muitas delas, acabam alimentando o desejo de ter uma arma para seguir o exemplo dos filmes assistidos. O pesquisador Robert Blum, observou a falta de amor por parte dos pais, como o grande fator da agressividade dos jovens. Diz ele que; “a criança que não se sente amada, querida ou cuidada pelos pais, torna-se violenta, e que essa situação piorou a partir dos anos 60, quando as mães começaram a entrar no mercado de trabalho, ficando várias horas longe dos filhos, e estes passaram a ter excesso de liberdade e escassez de atenção e carinho. A criança que sente ódio, não consegue amar porque desconhece o que é amor, por não haver recebido”. É certo que o ser humano precisa e vivencia as experiências de que necessita para o seu crescimento e existência. É certo também que poderá apressar ou retardar sua marcha, dependendo da maneira pela qual se conduza. Aí, entra o livre-arbítrio, que faz o adolescente escolher este ou aquele caminho. O mundo faz o seu papel de agente das oportunidades nos vários campos, o que significa dizer que se encontra na Terra, o que se precisa para bem ou mal se conduzir na existência. Dentro dessa concepção de vida, e após séculos de lutas pela liberdade de idéias e atitudes, explode nos Estados Unidos, o movimento hippie, na década de 60, influenciando a cabeça das crianças e dos jovens, a vivenciar outros modos de atitudes e comportamentos, como forma de repúdio e de modificação da sociedade conservadora. Surgia então, o movimento desagregador dos costumes familiares, e, comportamentos estranhos eram proclamados junto aos adolescentes. Em meados dessa década, cerca de 300 mil jovens haviam deixado seus lares para juntar-se a esse movimento, que pregava o sexo livre, a liberdade para fazerem das suas existências, o que bem entendessem, incluindo o uso abusivo de bebidas alcoólicas, drogas, e ainda, o descompromisso em assumirem a responsabilidade dos seus atos. A partir daí, e em conseqüência de uma pseudoliberdade, os jovens achavam ter conquistado a felicidade, e as escolas do comportamento humano, elaboraram teses as mais absurdas sobre a formação da personalidade do ser humano. Desde a liberdade que a criança passou a ter de fazer o que bem quisesse, sem que ninguém a molestasse para não traumatizá-la, até a iniciação precoce na sexualidade, tudo era aceito como normal. Felizmente esse movimento passou, mas até os nossos dias, ainda presenciamos resquícios dessa época, aliada a outros comportamentos reprováveis, que nos impõe os programas de Tvs, quando vemos nas novelas, principalmente na infantil intitulada “Chiquititas”, abordar assuntos de namoros, transas, “ficar”, traições, etc., e muitas mães se deixam levar nessa onda, em lugar de tratarem de assuntos essenciais à existência das crianças, tais como: preocupação com os estudos, com a boa moral, com os exemplos dignificantes, os comportamentos éticos e a religiosidade, necessária principalmente a essas mentes em formação, carentes de exemplos dignos para se tornarem bons cidadãos, permitem que seus filhos prematuramente, sem as mínimas condições de arcar com suas responsabilidades, tenham encontros privados, dentro do próprio lar, possibilitando a geração de novas crianças. Elas, na condição de avós, podem cuidar desses bebês? E quando não puderem mais, o que vão fazer? Transferir os problemas gerados por elas, para os filhos? Muitos daqueles jovens da década de 60, hoje são os pais de adolescentes e jovens. Criaram seus filhos dentro de uma concepção de liberdade irrestrita, acreditando estar nisso o segredo da estabilidade emocional, das relações pessoais e da felicidade. As escolas dessas teorias criaram adeptos no mundo inteiro, inclusive no Brasil. Muitos pais, sem avaliar as conseqüências futuras, entram nessa linha de pensamento e passaram a trabalhar mais em busca do sucesso material, a fim de proporcionarem aos filhos, melhores condições, brinquedos de última geração, roupas de grife, passeios ao exterior (Disneylândia de preferência), e computadores, como substitutos dos cuidados e carinhos que deveriam dar aos seus filhos. Porém, se esqueceram da educação que deve ser ministrada pelos pais no lar, para o bom comportamento na sociedade, deixando de lado a convivência tão necessária e os exemplos edificantes que deveriam ser transmitidos. Alguns dizem: “Como os tempos são outros, as crianças têm que ter liberdade de escolha”. Dessa maneira, as crianças passaram a estabelecer seus próprios limites, e como não possuem ainda a maturidade para tal, ultrapassaram as normas de bom senso, resolvendo suas próprias existências, como: horário de dormir (invariavelmente tarde), programas de televisão (geralmente todos), horário de fazer as tarefas escolares (quase nenhum), alimentar-se de sanduíches e somente do que gostam e não do que precisam, noitadas em clubes ou em outros lugares que nem mesmo os pais sabem, dormir em casas de colegas, e aí está um grande perigo da iniciação em bebidas alcoólicas, drogas e na promiscuidade sexual, e até na quantidade de dinheiro que devem receber, como mesada e não como retribuição a algum trabalho. O resultado disso tudo é que os pais, hoje, não sabem o que fazer com pequenos déspotas que têm dentro de casa. Filhos que foram criados naquela mentalidade, que se transformaram em tiranos dos próprios pais. Em muitos casos, quem manda na família são eles, pois tudo é feito para atender suas menores exigências. Estabelecer limites, é cercear a liberdade da criança e os traumas advindos disso são imensos, foi o que aprenderam esses pais com as teorias dos anos 60. E não é só por isso não, é também por comodismo que muitos pais deixam que os filhos cresçam ao sabor das influências dos colegas, da televisão, que na maioria das vezes, só mostra o que não presta para ninguém, e nas suas próprias tendências, que nem sempre são saudáveis e recomendáveis, pela falta da orientação e do exemplo dos pais. Criada essa grave situação os estudiosos do comportamento humano, chegaram à conclusão que esses excessos de liberdade, trazem prejuízos à formação do ser humano, isto após décadas de estímulo a essas teorias perniciosas, que nos dias atuais, são repetidas e apresentadas pela televisão. Estão aprendendo com a triste experiência. Sem valorizar o lado moral na formação dos jovens, vêem-se agora os pais, às voltas com duas gerações perdidas de valores, sem rumo, sem esperanças, vítimas de teorias absurdas, elaboradas por mentes em desarmonia. Fruto dessa filosofia de vida, os pais passaram a ser responsáveis pelos desregramentos dos filhos, em vista de não lhes terem doado tempo, atenção, carinho e amor. A falta de amor é a principal causa da agressividade das crianças, observou o pesquisador Robert Blum. Segunda a educadora Tânia Zagury, há muita necessidade de amor na educação dos filhos. Diz ela ainda: “Se acreditarem na importância do amor e no bom diálogo, os pais estarão dando o melhor de si para criar seus filhos, num clima de harmonia na família e de bem viver na sociedade”. Estatísticas de UTIs neonatais comprova que os bebês bem cuidados e bem alimentados que não recebem a visita e o afeto diário dos pais, não se desenvolvem, enquanto que os que recebem carinho diário se recuperam mais rápido. Isto comprova que toda criança precisa de atenção e afeto, cuidados mais essenciais do que a própria alimentação. Outra orientação é a de que, ao invés de reclamarem do ciúme infantil de algum filho, os pais devem se conscientizar que estão distribuindo seu amor de maneira errada à saúde emocional dessas crianças. As brigas e agressões entre irmãos, não precisam apenas de repreensões e punições, mas também de diálogo, porque é pela ausência do esclarecimento e do amor, que o ódio e a rivalidade se desenvolvem. Finalmente, o irmão que é alvo de hostilidade, deve manter um distanciamento, que é mais saudável, até que surja uma consciência no irmão hostil ou na família, e as condições necessárias a uma mudança de comportamento. Segundo os psicanalistas, há males existentes irrecuperáveis. A Doutrina dos Espíritos nos esclarece que há diferenças de estágios evolutivos e que existem inúmeras famílias constituídas de espíritos inimigos de outras existências, que são reunidos para iniciarem o processo de reconciliação e evolução. Se Deus colocasse esses espíritos, em cidades e famílias diferentes, jamais eles poderiam se reconciliar. Além destas orientações, para corrigir o rumo devem ser aplicados castigos de forma efetiva, nunca de maneira exagerada. Quando a disciplina é rompida, os pais devem dar à bronca. Algumas palmadas de vez em quando também costumam dar bons resultados. Se não funcionar, devem ser retirados os privilégios. Por exemplo: Não deixar que a criança assista ao programa de televisão que gosta ou brincar com o vídeo-game naquele dia. Conversar com a criança sobre o assunto para que ela reflita sobre o erro que cometeu, é aconselhável. Reaja com rigor caso os irmãos briguem frequentemente. Uma coisa é aquela briguinha caseira, outra é virar agressividade, que pode ir para fora do lar, onde a criança pode correr o risco de se envolver em brigas mais violentas. A dificuldade de ensinar o que é certo e o que é errado para os filhos, em função do comportamento anormal de determinadas pessoas, tem criado situações de ambigüidade na ética da sociedade. Vários são os exemplos com os quais convivemos. Alguns exemplos: Os traficantes das favelas do Rio, que destroem as gerações futuras com as drogas, por dispensarem alguns favores aos favelados, são aceitos, apoiados, favorecidos e imitados pelas crianças, convivendo tranquilamente nas comunidades. O seqüestrador Leonardo Pareja, quando vivo, recebia na prisão, grande quantidade de cartas de admiradoras. O jogador de futebol, Edmundo, foi ídolo mesmo com o temperamento e comportamento que lhe rendeu o apelido de “Animal”. Graças a Deus, ele evoluiu e hoje não deseja mais ser chamado de “Animal”, porquanto já é uma nova pessoa. E temos muitos outros exemplos negativos mostrados diariamente na política e na televisão. Diante destes fatos, somados a tantos outros, fica difícil transmitir valores morais para um comportamento ético. O que se pode considerar certo, ou errado? Até onde se deve impor limites? Estes são questionamentos que podem gerar uma situação aflitiva, contudo refletem hoje, a conscientização e a preocupação dos pais, sobre a existência desses problemas. O monge Agostinho, no livro “Evangelho Segundo o Espiritismo”, orienta dizendo: “Desde o berço a criança manifesta os instintos maus ou os sentimentos bons que traz de sua existência anterior...” Durante a infância, a criança recebe os conceitos dos pais. Entretanto, de nada adianta adotarem um determinado manual para as crianças, quando os pais mantêm um comportamento oposto. Citemos o caso de pais que procuram passar idéias pacifistas aos filhos, mas que ao mesmo tempo vivem discutindo e brigando dentro de casa. Mesmo com posições definidas dos valores éticos morais que queremos ensinar aos nossos filhos, às vezes nos vemos em confronto com o que o mundo e a televisão mostram, sendo necessário firmeza e perseverança para convencê-los a agir corretamente, e incutir em suas mentes o comportamento certo. Outras vezes é preciso desligar a televisão pelo péssimo programa apresentado. Deixar de atuar na formação moral de nossos filhos, pelas dificuldades de enfrentar o assunto, é uma atitude perigosa, cujas conseqüências podem ser muito mais desagradáveis, pois mesmo que não queiramos, os valores éticos são sempre transmitidos por nós, ou negativos de outras maneiras. É preciso, pois, os pais estarem atentos na formação e orientação dos seus filhos, evitando assim desgostos futuros. Cabe aos pais o papel de educador, orientador com um comportamento exemplar, a fim de encaminhá-los para uma existência responsável e consciente de direitos e deveres, perante as leis da sociedade da qual fazem parte e das leis divinas a que todos estamos submetidos. Não devem faltar orientações quanto às drogas, uso de bebidas alcoólicas, sexo e doenças transmissíveis como a AIDS, para que o jovem inexperiente, não se perca e venha a cometer erros que possa se arrepender e sofrer pelo resto da existência e também seus pais. Os pais têm que entender que o modo de agir e o comportamento perante os filhos, devem ser um modelo, pois são geralmente seguidos por eles. Exemplos: Se não queremos que nosso filho seja um fumante; se fumamos, deixemos de fumar, pois sabemos dos males que causa o tabaco. Se não queremos que ele se torne um alcoólatra, deixemos de beber. A força moral só prevalece com os exemplos. Dialogar com o filho ou a filha, tirando-lhe dúvidas, também é essencial para um bom relacionamento. É melhor a orientação dos pais do que o conhecimento deturpado feito por outras pessoas. A atenção e o interesse, pelo que o jovem faz, sempre procurando ajudar e estimular, estabelecendo uma amizade com ele, pode colaborar muito para um bom comportamento desde junto à sociedade. Finalmente, é importante acima de tudo, dar uma formação religiosa aos nossos filhos, ajudando-os a despertar sentimentos e valores, como ser útil ao próximo, estimulando a prática da caridade, do respeito e amor que devem ter aos semelhantes, principalmente aos idosos. A Doutrina dos Espíritos vem nos alertar quando diz: “Quando produzis um corpo, o espírito que nele encarna, vem para progredir; inteirai-vos dos vossos deveres e ponha todo vosso amor em aproximar de Deus essa alma; tal missão vos está confiada, cuja recompensa recebereis, se fielmente a cumprirdes a contento”. Este é o compromisso que nos cabe ter na qualidade de pais na Terra. Que a Paz do Senhor esteja em nossos corações... Bibliografia: Vanda Simões Robert Blum Livro “Evangelho Segundo o Espiritismo” Jc. S,Luis, 17/6/1999. Refeito em: 28/12/2012