domingo, 24 de março de 2013

INTERNET E AS REDES SOCIAIS




   INTERNET  E  AS  REDES  SOCIAIS

Foi na Guerra Fria que surgiu no mundo a internet, com o objetivo de facilitar as pesquisas militares das duas maiores potências de então, os Estados Unidos e a União Soviética. Na época, criou-se nos Estados Unidos uma rede de troca e compartilhamento de informações, descentralizando todas as valiosas informações do país, chamado de ARPANET (Advanced Research Projects Agency), que funcionava através de um sistema conhecido como chaveamento de pacotes; um sistema de transmissão de dados em rede de computadores, em que as informações eram divididas em pequenos pacotes, que por sua vez, continhas trechos dos dados, endereços dos destinatários e informações que permitiam a remontagem da mensagem original.
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos não sabia que se iniciava ali, o maior fenômeno midiático do século XX, criando um meio de comunicação que em apenas quatro anos conseguiria atingir cerca de 50 milhões de pessoas.
Logo após o ano de 1970, a convivência entre a União Soviética e os Estados Unidos melhorou o que permitiu que o governo dos EUA autorizasse os cientistas a pesquisarem e desenvolverem, nas suas respectivas universidades, estudos na área de defesa, utilizando a ARPANET. Porém, com isso, ela passou a ter dificuldades na administração do sistema, devido ao grande e crescente número de localidades e universidades nelas contidas, causando então uma divisão de redes, ficando a MILNET para redes militares e a ARPANET para redes não-militares o que pulverizou o uso da internet por toda a sociedade.
No Brasil, os primeiros “embriões” de rede surgiram em 1988 e ligavam universidades do Brasil às instituições nos Estados Unidos. No mesmo ano iniciaram-se os testes do Alternex, o primeiro serviço brasileiro de internet que não era nem acadêmico e nem governamental; mas em 1989 o Ministério da Ciência e Tecnologia lançou um projeto pioneiro, a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), que existindo até hoje, tem como principal missão a operação de uma rede acadêmica de alcance nacional.
Após alguns anos de existência da internet, eclodiram em 2006, de mentes brilhantes, as redes sociais, que costumam reunir motivações comuns, embora se manifestem de diferentes formas. As redes sociais são estruturas compostas por pessoas ou organizações conectadas por um ou vários tipos de relações, que partilham valores e objetivos comuns. Uma das características fundamentais na definição das redes é a sua abertura e pulverização, possibilitando a troca de ideias, relacionamento entre os participantes, criando uma ferramenta indispensável nos dias atuais, ocasionando o surgimento de três redes sociais – Orkut, Facebook e Twitter, que são as de maior apelo, pelo menos em nosso País, onde as organizações oferecem seus serviços e as pessoas se relacionam, trocando mensagens e fotos, independentemente do país ou a região onde se encontram.
Hoje, a internet faz parte da existência do ser humano, e este por sua vez, não se desgruda do computador, se o possui, pesquisando, tomando conhecimento das notícias, se relacionando com outras pessoas, se instruindo através do acesso a blogs e páginas de assuntos instrutivos e outras mais. Dentre as redes, o Orkut perdeu o antigo prestígio, sendo secundado pelo Facebook que convive também com o Twitter. Outras redes deverão surgir com o passar dos tempos e a evolução dos meios de comunicações.
Essa parafernália eletrônica facilitando a comunicação, especialmente na área da futilidade, com as exceções compreensíveis, inquieta os seus usuários que se lhes transformam em escravos, utilizando as redes para diálogos irrelevantes, enviando MSMs, curiosamente olhando o ORKUT, FACEBOOK,   TWITTER, ou outros mecanismos de novidades e mexericos, entregando-se aos jogos de violência ou consultando os sites que lhes atendem aos específicos tormentos, em nome do falso progresso tecnológico.
Certamente, vivia-se bem sem muitos dos apetrechos modernos, alguns de extravagante significado, mais apresentados como status sociais e econômicos, em razão das suas grifes de luxo e ilusão, mais do que pelo valor da utilidade, responsáveis pela estimulação da ansiedade, dos jogos de interesse pessoal, das vaidades e das competições doentias. A falsa necessidade de se acompanhar ao vivo tudo o que se passa no Planeta, especialmente na área das tragédias e das intrigas entre celebridades, suas doenças, suas paixões, suas ascensões e quedas, impulsiona os tipos comuns a viverem atrelados, a todo o momento, aos instrumentos que lhes saciam a sede de frivolidades, como forma disfarçada de fuga psicológica da realidade, escondendo os conflitos que os afligem.
O ser humano desconhece-se enquanto sempre permanece atento aos acontecimentos exteriores que envolvem outras pessoas, cujas imagens são mecanismos de transferência das próprias aflições e insegurança, tomando-as como ídolos ou modelos, invejando uns, enquanto detestando outros, por parecerem inalcançáveis... O desfile de âncoras da alta comunicação midiática é contínuo, alguns sendo substituídos por outros mais audaciosos ou mais bem-renumerados que, incapazes de gerenciar os valores e a existência, atiram-se ao transbordamento das paixões servis, porque vivem saturados de bajuladores e de prazeres incessantes que lhes anulam toda capacidade emocional de se sentirem bem e fraterno.
Com rapidez vivenciam o triunfo e logo após desaparecem em silêncio, sendo trazidos de volta aos holofotes da fama, somente quando transformados em fantasmas inditosos, chamando a atenção por escândalos ou acontecimentos desditosos que os multiplicadores de opinião, vendem com entusiasmo com comentários chulos, quando não escabrosos... Entretanto, é certo que existem nesse  contexto,  admiráveis  expressões  de  elevação moral  e de dignificação  humana, como não poderia ser diferente, no entanto, é a grande massa, aquela que é dirigida habilmente pelos formadores de opinião, que se deixa arrastar pelo fascínio da modernidade com graves prejuízos para a saúde física, emocional e mental.
Os diálogos pessoais, no momento, cedem lugar às comunicações eletrônicas, o prazer da convivência entre parentes e amigos é transferido para as mensagens ligeiras, ortograficamente incorretas e atentatórias à boa linguagem. Diz-se que são novos tempos e, sem dúvida, trata-se de um novo período no processo sociológico e psicológico da Humanidade, lamentavelmente com resultados bastante negativos para os seus áulicos.
A falta de comunhão fraternal, de conversação edificante, de estudos sociais com objetivos libertadores, caracteriza o crepúsculo desta civilização de sentimentos claro-escuro, enquanto surge nova madrugada anunciando outros valores que estão esquecidos, mas que são de grande significado e valor permanente. Nesta panorâmica, em consequência, não se dispõe de tempo físico e muito menos de espaço mental para as aquisições duradouras, aquelas que elevam os seres humanos às esferas sublimes do pensamento e da realização espiritual. Mesmo quando surge algum espaço físico, havendo oportunidade de tempo cronológico, não existe o de natureza psíquica, porque a mente se encontra abarrotada de ideias, propostas e compromissos, inquietando as pessoas que não desejam ficar ultrapassadas no contexto do grupo social em que se encontram situadas.
É necessário, dizem, estar bem informadas, desde os lugares onde as drogas e os demais vícios são permitidos, aos redutos de luxo para o prazer exaustivo ou de miséria, assim como para tomar conhecimento de todas as ocorrências nas diversas tribos, gangues, clubes elegantes, apesar dos sucessos que ocorrem nos seus interiores e que, de quando em quando, se tornam motivos de escândalos na mídia...
O ser humano é constituído de equipamentos sensíveis e essenciais muito delicados, cujo manejo exige habilidade e experiência, a fim de não gerar desarmonia no seu funcionamento. A mente, que se exterioriza através da câmera cerebral, tem necessidade de harmonia, para que possa processar todos os acontecimentos que lhe dizem respeito ou aqueles que têm lugar à sua volta, de maneira á bem administrar a máquina orgânica. Em razão disso, o pensamento saudável é essencial para uma existência equilibrada que proporciona bem estar ou mal estar, de acordo com a onda vibratória em que se expressa. O atropelamento das ideias, a falta de amadurecimento psicológico, a ausência da reflexão podem gerar graves distúrbios nas áreas mental e comportamental. Impossibilitando a mente de decodificar todos os fatos e informações que chegam ao cérebro, apresentando a ansiedade, a impaciência, gerando descontrole nas comunicações com resultados perturbadores para o discernimento, a memória, as aspirações iluminativas, a saúde integral...
O ser humano necessita de silêncio mental, de espaço físico para a sua identificação, para o autodescobrimento. Esse interregno entre as atividades irá propiciar melhor discernimento em torno dos objetivos existenciais, facultando experimentar os prazeres não desgastantes dos sentidos físicos e a fruição da alegria íntima de viver e de poder pensar com liberdade e altruísmo. Quando se age sem pensar e analisar, inevitavelmente se é convidado a retroceder nas ações intempestivas, refazendo o caminho conquistado. O silêncio íntimo, que permite ouvir-se a voz da consciência, é de alta relevância para uma existência feliz, porque permite saber-se o que realmente se deseja produzir e como fazê-lo de maneira excelente.
A azáfama desequilibra o excesso de ruídos e a multiplicidade de interesses desarmoniza, e o ser humano perde o endereço, o rumo da sua felicidade. Devemos reservar algum tempo mental para as nossas reflexões, não nos deixando seduzir pelas vozes alteradas dos desconcertos emocionais, tidos como festivos e promotores de alegria. Resguardemo-nos na meditação diária, mesmo que seja por um espaço de tempo reduzido, mas de grande significado para nosso autocontrole, para as nossas decisões e realizações. Não devemos sobrecarregar as nossas paisagens mentais com as imagens violentas, com as imposições sociais e seus fetiches mentirosos, permitindo-nos ser livre para pensar e para agir dentro dos padrões da ética moral que encontramos nos ensinamentos de Jesus, que nos aguarda de braços abertos após as refregas da jornada terrena...
Use a Internet com sabedoria, sem abusar ou se escravizar, para depois não ter que se lamentar.

Bibliografia:
Marcel Bataglia
Jornal “O Imortal”- 02/2013
Joanna de Ângelis
Livro “Liberta-te do Mal”
+ Pequenas modificações.

Jc.
São Luís, 24/02/2013