quarta-feira, 1 de maio de 2013

OS ESTÁDIOS DE FUTEBOL E OS HOSPITAIS

 


  OS  ESTÁDIOS  DE  FUTEBOL  E  OS  HOSPITAIS
Está sendo construídos para a Copa das Federações e a Copa do Mundo, estádios de futebol, nas cidades de Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Cuiabá, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo (de 4 sedes iniciais, aqui passaram para l2). Verdadeiras obras faraônicas, onde são empregadas verbas federais e estaduais que deveriam ser utilizadas na construção de hospitais, universidades, escolas profissionalizantes, saneamento básico, despoluição de rios (que prejudicam a saúde do povo), água para os estados nordestinos castigados pelas secas, ferrovias, portos, etc., para atender as grandes necessidades do País e dos cidadãos brasileiros.
Antigamente, os dirigentes da Roma, propiciavam o Circo para satisfazer o povo e fazê-lo esquecer de suas reais necessidades. Hoje, no nosso querido Brasil, os dirigentes atuais, imitando o que acontecia em Roma, gastam milhões de reais para oferecerem estádios de futebol com todo o conforto, luxuosíssimos, para atender nas mínimas coisas, inclusive com sauna os jogadores e dar conforto aos frequentadores e torcedores dos clubes. O que não é de estranhar são os propósitos que animaram tanto os dirigentes do passado, em Roma, como os da atualidade, aqui em nossa Pátria querida: Enganar a população, dando circo nos tempos antigos e futebol nos tempos atuais. Será que o povo romano se satisfazia apenas com os sacrifícios dos cristãos nos circos e esquecia as suas reais necessidades? Será também que a grande maioria do povo brasileiro concorda e se satisfaz apenas com o futebol apresentado nos estádios, esquecendo tudo o mais de que necessita no seu dia a dia?
Enquanto os milhões são desperdiçados, sem outras finalidades a Saúde se encontra em lastimável estado de abandono e pobreza, sem atender a população que sofre sem atendimento nos ambulatórios e postos de saúde, chegando até, em certos hospitais, a serem sorteados os que serão atendidos precariamente, e os outros que, apesar de também precisarem de atendimento, não o são, por não terem sido sorteados, ficando sujeitos a morrer até mesmo nas portas dos mesmos, como a televisão nos tem mostrado, motivados pela deficiência de recursos, de enfermeiros, de médicos, de medicamentos e de atendimento. É vergonhoso se presenciar em muitos hospitais públicos, doentes deitados nos corredores, em macas, colchões e até no chão sobre papelão, pano ou mesmo, apenas com a roupa do corpo, ligados a um soro, para aparentar um atendimento que não lhes é feito, por deficiências várias.
O inacreditável desses campeonatos é que o governo e o congresso brasileiro se curvaram perante a FIFA, modificando a lei que proibia o consumo de bebidas alcóolicas nos estádios, uma medida tomada para diminuir a violência nos mesmos, o que era uma realidade, comprovada por mim mesmo quando estava em São Paulo e fui assistir no Pacaembu, a final do campeonato de futebol do ano de 1957, entre o São Paulo e o Corinthians, vencido pelo primeiro. O espetáculo foi dantesco; após a marcação de mais um gol do São Paulo, os jogadores começaram a brigar em campo e os torcedores a brigarem também nas arquibancadas e a jogarem garrafas no campo que explodiam atingindo e ferindo os jogadores e os torcedores que estavam nas partes de baixo do estádio. Foram muitas as pessoas que ficaram feridas, outras presas por causa das brigas e muitos como eu, saíram correndo do estádio para não serem atingidos ou presos.
 Quem será responsabilizado por eventuais brigas, acidentes e mortes que porventura venha a ocorrer, por causa da bebida? Quem pode garantir que esses estádios estão sendo construídos com segurança e que depois de poucos anos, não venha a ser interditado por problemas estruturais na construção, a exemplo do que está acontecendo com o “Engenhão”, que foi construído em 2007, há apenas seis anos, e custou aos cofres públicos (bolso da população) 380 milhões, “legado do Pan-Americano”. Quem são os responsáveis por todo esse prejuízo? Certamente os operários, dirão os construtores, isentando-se de culpa.
Esse desrespeito ao governo brasileiro se observa também nas ações do Paraguai ao exigir e conseguir aumentar constantemente a tarifa de energia de Itaipu, que eles não entraram com nenhum recurso para a construção e foram agraciados com a metade da energia gerada, que é vendida por eles ao Brasil. O mesmo aconteceu com a Bolívia que se apoderou do patrimônio da Petrobrás naquele país, sem respeitar os direitos da empresa e sem qualquer protesto das autoridades brasileiras. Por que a diplomacia brasileira não toma uma atitude enérgica contra a prisão de vários torcedores na Bolívia, o que tem gerado um esforço da televisão bandeirante no sentido de libertá-los?
Esses gastos de milhões, retirados da população, melhor seriam se utilizados para melhorar a saúde no País que se encontra em estado deplorável, sem mencionar as deficiências na Instrução, na Segurança, que deve proporcionar a liberdade da pessoa de ir e vir em paz e com segurança.
O espetáculo de inauguração do Mineirão na noite de ontem foi também vergonhoso para a seleção que se apresentou medíocre e foi vaiada no final da partida com o Chile. Será que além desse desperdício do dinheiro do povo, cujos estádios servirão apenas para duas ou três partidas nas sedes, ainda vamos ter um papelão nessas competições? Não pensem que sou contra o futebol, pois sou torcedor do Sampaio Corrêa no Maranhão e do Botafogo no Rio de Janeiro. Apenas não concordo com todo esse desperdício de dinheiro e com os governos que vão aceitando e obedecendo às imposições absurdas e abaixando a cabeça, como se esses campeonatos fossem privilegiar o Brasil, cheio de problemas a resolver, para o bem da sua população.
Não sei por que essas coisas só acontecem no Brasil onde nossas autoridades
são “tão boazinhas”, igual á apresentação de um quadro que era exibido num programa na televisão. A destinação deste País é muito maior do que ser apenas o país do futebol e do carnaval. Se quiserem melhor conhecer o Brasil, vejam o artigo “Otimismo Por Quê” para saberem em que País vivemos.

Jc.
São Luís, 25/04/2013