terça-feira, 28 de janeiro de 2014

AMAI-VOS, OU ARMAI-VOS ?




 
“Um sinal característico dos costumes do tempo e dos povos se nos depara no porte habitual, ostensivo ou oculto, de armas ofensivas e defensivas. A abolição de semelhante uso pelos países demonstra o abrandamento dos costumes. A Doutrina Espírita apagará esses últimos vestígios da barbárie, incutindo nos seres humanos o espírito de fraternidade e de caridade”.

                  (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XII, item 16)

Numa sociedade muito competitiva e de agressividade, na qual as pessoas se entreolham como rivais, disputando espaços nos estacionamentos, vagas nos concursos públicos, lugares nos ônibus e nos trens; numa vida comunitária em que o medo rege os comportamentos, deixando as pessoas mais ariscas, receosas, outras assustadas, algumas em pânico, e a maior parte das pessoas em postura de guerra. É frequente serem afetadas as relações mais íntimas, de forma a comprometer a qualidade e o desempenho, gerando conflitos e desencontros, problemas e desencantos, frustrações e traumas, culminando no descrédito das relações humanas amorosas.

Especialmente nas vicissitudes e alternâncias negativas é que se revelam quanto á pessoa está amando ou armando, amada ou armada, em face das ocorrências que põem a nua a própria alma diante do outro que lhe partilha a coexistência. Em muitas situações, nos surpreendemos ao descobrir que, consciente ou inconscientemente, mais nos armamos do que amamos àqueles com quem convivemos que passam ou caminham ao nosso lado. É compreensível que o amor perde seu brilho e, às vezes, se desfigura muito quando:

- o pai não compartilha suas experiências frustradas da existência com seus filhos, temendo perder sua autoridade e sua boa imagem;

- a mãe resiste em confiar na filha (o) com receio de que esta a “passe para trás”, porque teve sua relação recheada de desconfiança, na sua infância;

- o esposo não se entrega à esposa, com receio de “ficar na mão dela”, porque um dia sofreu manipulação afetiva de outra mulher;

- o amigo esconde do seu melhor amigo o apreço sentimental que sente, com receio de ser mal interpretado e comprometer a amizade;

- o cidadão rejeita oferecer ou pedir ajuda a alguém, na via pública, julgando que irão se aproveitar dele e enganá-lo;

-a vizinha evita uma prosa com o vizinho, pensando que será mal compreendida e ficará mal falada;

- o cliente num estabelecimento em qualquer lugar, faz “cara de mau” para ser respeitado por quem vai lhe prestar um serviço;

- a pessoa teme conversar abertamente sobre seus problemas com seus irmãos no lar, imaginando que será julgada;

- o namorado (a) entre no MSN e se esconde atrás de um ícone para falar com sua namorada (o), testando sua fidelidade;

- o indivíduo rico não faz amigos porque sempre desconfia de quem se aproxima, supondo que as pessoas estão exclusivamente interessadas no seu dinheiro;

- o motorista coloca farolete possante na traseira do seu carro para acioná-lo contra alguém que o incomode com luz demasiada;

- etc, etc.

Quantos outros pensamentos e gestos, falas e atitudes estão impregnadas de conteúdo, caracterizando que a pessoa está mais armada do que amando, carregando as cargas pesadas das defesas psicológicas excessivas, em vez do fardo leve da amorosidade, vergando sob a pressão de crenças negativas, em detrimento do jugo suave proposto por Jesus.

É óbvio que amar não significa ser tolo ante a perspicácia do indivíduo mal-intencionado, ser inconsequente, em face das arremetidas da ignorância; ser passivo frente à violência que se disfarça; ser insensato diante de alguém que, nos inclina para a queda; ser ingênuo perante o afeto mentiroso que nos quer enredar na sua malha de negatividade... “É fundamental ter a prudência das serpentes! Mas sem o prejuízo da inocência das pombas”.

Amar é prudência, não medo.

Amar é vigilância, não agressividade paranoica.

Amar é atenção, não tensão e esquiva.

Amar é autopreparação, não preparação para o ataque.

Amar é cuidado, não controle neurótico.

 Amar é amar-se, não armar-se.

Por fim, é imperioso, ainda, recordar Erasto, ao nos alertar para a tutela à qual estamos submetidos: “Que importam as emboscadas que nos armem pelo caminho! Somente lobos caem em armadilhas para lobos, porquanto o Pastor saberá defender suas ovelhas das trilhas imoladoras”.   ( Mateus 10:16)

 

Fonte:

“O Evangelho Segundo o Espiritismo”

Alberto Almeida - Brasília Espírita 11/2013

+ Pequenas modificações

 

Jc.

São Luís, 23/11/2013