sábado, 12 de abril de 2014

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO




  Quando foi criado este blog, a nossa finalidade era levar os conhecimentos da Doutrina dos Espíritos, a todos aqueles que necessitassem de consolações e de orientações. Entretanto com o tempo, fomos agregando temas morais, biografias de vultos espíritas, normas de saúde e outros assuntos, com que fez crescesse o número, até chegar aos 300 artigos, com mais de 20 mil acessos, em 58 países. Completando 150 anos de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, que será comemorado no 4º Congresso Espírita Brasileiro, nas cidades de João Pessoa, Vitória, Campo Grande e Manaus, do dia 11 a 13 de abril, e também os 300 artigos constantes deste blog, e ainda, agradecendo a Deus por possibilitar-me esse trabalho, apresento resumidamente, os vinte e oito capítulos que compõe o referido livro que dá nome a este artigo.
Na Codificação da Doutrina dos Espíritos, Allan Kardec deixou para tratar dos temas morais pregados por Jesus, na terceira obra, lançada com o título de “Evangelho Segundo o Espiritismo”, em 1864. Era tempo de esclarecer as pessoas sobre a verdadeira orientação religiosa da Doutrina dos Espíritos. A Doutrina tem Jesus em altíssima conta e baseia suas lições morais nos ensinos do Nazareno. Daí a importância desse terceiro livro do Pentateuco Espírita. Kardec afirma: - Nada ensina a Doutrina dos Espíritos em contrário ao que ensinou Jesus; mas, desenvolve completa e explica, em termos claros, para todas as pessoas, o que foi dito por Jesus apenas sob a forma alegórica. E é a essa explicação das máximas morais de Jesus, que se presta o “Evangelho Segundo o Espiritismo”, para aplicação na nossa existência.   
                                                    PREFÁCIO
“Os Espíritos do Senhor que são as virtudes dos céus, iguais a um imenso exército que se movimenta desde que dele recebeu o comando, se espalham sobre toda a superfície da Terra; semelhantes às estrelas cadentes, vêm iluminar o caminho e abrir os olhos aos cegos. Eu vos digo, em verdade, são chegados os tempos em que todas as coisas devem ser restabelecidas em seu sentido verdadeiro para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos. As grandes vozes do céu ressoam como o som da trombeta, e os coros dos anjos se reúnem. Homens, nós vos convidamos ao concerto divino; que vossas mãos tomem a lira; que vossas vozes se unam, e que num hino sagrado se estendam e vibrem de uma extremidade à outra do Universo. Homens, irmãos a quem amamos, junto estamos de vós; amai-vos também uns aos outros, e dizei do fundo do vosso coração, fazendo as vontades do Pai que está nos céus: Senhor!  Senhor! e podereis entrar no reino dos céus”.
                                                                              O Espírito de Verdade

COMO INTRODUÇÃO DO LIVRO: O objetivo da obra: Notícias históricas, os precursores Sócrates e Platão, com o resumo da sua Doutrina, vários séculos antes do aparecimento de Jesus, semelhante aos ensinos deste, e o controle universal dos ensinos dos espíritos.

Capítulo 1 – EU NÃO VIM DESTRUIR A LEI  Disse Jesus: “Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; eu não vim destruí-los, mas dar-lhes cumprimento; porque eu vos digo em verdade que o Céu e a Terra não passarão antes que o que está  na lei não seja cumprido perfeitamente, até um único jota e um só ponto”.
As três Revelações:
Primeira – Moisés
Há duas partes distintas na lei mosaica: A Lei de Deus, promulgada no Monte Sinai, e a lei civil ou disciplinar, estabelecida por Moisés. Uma é invariável; a outra apropriada aos costumes e ao caráter do povo, se modifica com o tempo. A Lei de Deus está formulada nos dez mandamentos:
1-    Eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos tirei do Egito, da casa de servidão. Não tereis outros deuses estrangeiros diante de mim. Não fareis imagem talhada, nem nenhuma figura de tudo o que está no alto no Céu e embaixo na Terra, nem de tudo o que está nas águas sob a Terra. Não os adorareis, nem lhes rendereis culto soberano;
2-    Não tomeis em vão o nome do Senhor vosso Deus;
3-    Lembrai-vos de santificar o dia de sábado;
4-    Honrai o vosso pai e a vossa mãe, a fim de viverdes longo tempo na Terra, que o Senhor vosso Deus vos dará;
5-    Não matareis;
6-    Não cometereis adultério;
7-    Não furtareis;
8-    Não prestareis falso testemunho contra vosso próximo;
9-    Não desejareis a mulher do próximo;
10- Não desejareis a casa do vosso próximo, nem seu servidor, nem sua serva, nem seu boi, nem seu asno, nem nenhuma de todas as coisas que lhe pertencem. 

Essa lei é de todos os tempos e de todos os países, e tem, por isso mesmo, um caráter divino. Todas as outras são leis estabelecidas por Moisés, obrigado a manter, pelo temor, um povo naturalmente ignorante, turbulento e indisciplinado, no qual tinha que combater os abusos enraizados e os preconceitos hauridos na servidão do Egito. Para dar autoridade às suas leis, Moisés deveu atribuir-lhes origem divina, assim como fizeram os legisladores de povos primitivos; a autoridade do homem deveria se apoiar sobre a autoridade de Deus, e só a ideia de um Deus terrível poderia impressionar homens rudes e ignorantes, nos quais o senso moral e o sentimento de uma justiça eram ainda pouco desenvolvidos. É bem evidente que, aquele que tinha colocado em seus mandamentos: “Tu não matarás; tu não farás mal ao teu próximo” não poderia se contradizer fazendo deles um dever de extermínio. As leis mosaicas, portanto, tinham, pois, caráter essencialmente transitório.

Segunda - Cristo

Jesus não veio destruir a lei, quer dizer, a Lei de Deus; ele veio cumpri-la, dar-lhe seu verdadeiro sentido, e apropriá-la ao grau de adiantamento dos homens da época; e se encontra nessa Lei o princípio dos deveres para com Deus e para com o próximo, que é á base da doutrina. Quanto às leis de Moisés propriamente ditas, ao contrário, Jesus as modificou profundamente, seja no fundo, seja na forma; combatendo sempre o abuso das práticas exteriores e as falsas interpretações, e não poderia fazê-las sofrer uma reforma mais radical do que as reduzindo a estas palavras: “Amar a Deus acima de todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo”, e dizendo: “Aí está toda a Lei e os profetas”.

Por estas palavras: “O Céu e a Terra não passarão, antes que tudo seja cumprido até um único jota”, Jesus quis dizer que seria preciso que a Lei de Deus recebesse seu cumprimento, isto é, fosse praticada sobre toda a Terra, em toda sua pureza, e em todas as suas consequências, porque de que serviria ter estabelecido essa Lei, se ela devesse permanecer privilégio de alguns homens ou mesmo de um único povo? Todos os seres humanos sendo filhos de Deus são, sem distinção, o objeto da mesma solicitude.
Mas o papel de Jesus não foi simplesmente o de um legislador moralista, ele veio cumprir as profecias que haviam anunciado sua vinda; sua autoridade decorria da natureza excepcional de seu Espírito e de sua missão divina; veio ensinar aos homens que a verdadeira vida não está na Terra, mas no Reino dos Céus (Espiritualidade); ensinar-lhes o caminho que para lá conduz, os meios de se reconciliar com Deus, e os prevenir sobre a marcha das coisas futuras para o cumprimento dos destinos humanos. Entretanto não disse tudo, e sobre muitos pontos se limitou a depositar o germe das verdades que não podiam ser ainda compreendidas, e para compreender o sentido oculto de certos ensinamentos, seria preciso que novas ideias e novos conhecimentos viessem dar-lhes a chave, e essas ideias não poderiam vir antes de um grau de maturidade do espírito humano. A Ciência deveria contribuir para a eclosão  das ideias, o que seria preciso, pois, dar à Ciência o tempo de progredir.
Terceira – A Doutrina dos Espíritos (Espiritismo)
A Doutrina dos Espíritos é a nova ciência que vem revelar aos homens, por provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corporal, nos mostrando não mais como uma coisa sobrenatural, mas como uma força viva e incessantemente ativa da natureza, como a fonte de uma multidão de fenômenos incompreendidos e até então atirados, por essa razão, no domínio do fantástico e do miraculoso. É a essas relações que Jesus faz alusão, em muitas circunstâncias e que ele disse permanecerem ininteligíveis ou foram falsamente interpretadas. A Doutrina dos Espíritos é a chave com a ajuda da qual tudo se explica com facilidade.
A lei do Antigo Testamento está personificada em Moisés; a do Novo Testamento está personificada no Cristo; A Doutrina dos Espíritos é a terceira revelação da Lei de Deus, mas não está personificada em nenhum indivíduo, porque a revelação é o produto de ensinamentos dados, não por um homem, mas pelos Espíritos Superiores, que são as vozes do Céu, sobre todos os pontos da Terra, e por uma multidão inumerável de intermediários, compreendendo o conjunto dos seres do mundo espiritual, vindo cada um trazer aos homens, o tributo das suas luzes para fazê-los conhecer o mundo espiritual e a sorte que nele os espera. Da mesma forma que o Cristo disse: “Eu não vim destruir a lei, mas dar-lhe cumprimento”, a Doutrina Espírita diz igualmente: “Eu não vim destruir a lei cristã, mas cumpri-la”. Ela não ensina nada de contrário ao que o Cristo ensinou, mas desenvolve completa e explica em termos claros para todo o mundo, o que foi dito sob a forma alegórica (parábolas), e vem cumprir, nos tempos preditos, o que o Cristo anunciou, e preparar o cumprimento das coisas futuras. É obra do Cristo que o preside, como igualmente anunciou a vinda do Consolador Prometido, e a regeneração que está se operando, para preparar o Reino de Deus sobre a Terra.
A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana; uma revela as leis do mundo material e a outra, as leis do mundo moral e espiritual; mas uma e outra, tendo o mesmo princípio que é Deus, não podem se contradisser; porque Deus não pode querer destruir sua própria obra. Os tempos são chegados em que os ensinamentos de Jesus devem receber seu complemento; em que o véu, lançado propositadamente sobre algumas partes desses ensinamentos, deve ser levantado; em que a Ciência, deixando de ser exclusivamente materialista, deve inteirar-se do elemento espiritual, e em que a Religião, cessando de menosprezar as leis orgânicas e imutáveis da matéria, essas duas forças, andando juntas, se prestarão um mútuo apoio, e não se lhe poderá opor a irresistível lógica dos fatos.
O capítulo 2º -  MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO – Pilatos perguntou a Jesus: “Sois o rei dos Judeus?” – Jesus lhe respondeu: “Meu reino não é deste mundo”. Jesus apresenta a vida futura, como o termo para onde tende a Humanidade e como sendo o objetivo das preocupações dos seres sobre a Terra. A realeza terrestre acaba com a morte física; a realeza de Jesus continua governando e ainda depois da morte. Foi, pois, com razão que disse a Pilatos:  “Eu sou rei, mas meu reino não é deste mundo”.
O capítulo 3º - HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI – “Que vosso coração não se turbe. Crede em Deus, crede também em mim. Há muitas moradas na casa do meu Pai; se assim não fosse, eu já vos teria dito, porque eu me vou para vos preparar o lugar e depois que eu tenha ido e que tenha preparado o lugar, eu voltarei a fim de que lá onde eu estiver aí estejais também”. Diferentes categorias de mundos habitados. Diferentes estados da alma no Mundo Espiritual. Destinação da Terra. Causas das misérias terrestres. Mundos superiores e mundos inferiores.  Progressão dos mundos.
O capítulo 4º - NINGUÉM PODE VER O REINO DE DEUS SE NÃO NASCER DE NOVO – Após a transfiguração no monte Tabor seus discípulos lhe interrogaram: “Por que, pois, os escribas dizem que é preciso que Elias venha antes?”  - Jesus lhes respondeu: “É verdade que Elias deve vir e restabelecer todas as coisas; eu vos declaro que Elias já veio, e não o conheceram, mas o trataram como lhes aprouve”. Então seus discípulos compreenderam que era de João Batista que ele lhes havia falado. Ressurreição e reencarnação. Necessidade da reencarnação. Limites da reencarnação. Laços de família fortalecidos pela reencarnação e quebrados pela existência única. A encarnação é um castigo?
O capítulo 5º - BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS -  “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados;  os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados; os que sofrem perseguição pela justiça, porque o reino dos céus é para eles”. Justiça das aflições. Causas atuais das aflições. Causas anteriores das aflições. Esquecimento do passado. Bem e mal sofrer. A felicidade não é deste mundo. Perdas de pessoas amadas. Mortes prematuras. Provas voluntárias. É permitido abreviar a existência de um doente sem esperança de cura? Sacrifício da própria vida. Proveito dos sofrimentos.
O capítulo 6º - O CRISTO CONSOLADOR – “Vinde a mim, todos vós que sofreis e que estais sobrecarregados e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós, e aprendei de mim que sou brando e humilde de coração, e encontrareis o repouso de vossas almas; porque meu jugo e suave e meu fardo é leve”. O Consolador Prometido. Advento do Espírito de Verdade.
O capítulo 7º - BEM-AVENTURADOS OS POBRES DE ESPÍRITO – “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus”. O que é preciso entender por pobres de espírito. Todo aquele que se julga elevado, será rebaixado. Mistérios ocultos aos sábios. O orgulho e a humildade. Missão do homem inteligente na Terra.
O capítulo  8º - BEM-AVENTURADOS OS QUE TÊM PURO O CORAÇÃO – “Bem-aventurados aqueles que têm puro o coração, porque verão a Deus”. Apresentaram-lhe, então, criancinhas a fim de que ele as tocasse, e como os discípulos as afastassem, Jesus lhes disse: “Deixai vir a mim as criancinhas, e não as impeçais, porque o reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham”. E as tendo abraçado, as abençoou, impondo-lhes as mãos. Pecados por pensamentos. A pureza verdadeira. Mãos não lavadas. Escândalos. Bem-aventurados os que têm os olhos fechados.
O capítulo 9º - BEM-AVENTURADOS OS QUE SÃO BRANDOS E PACÍFICOS  “Bem-aventurados aqueles que são brandos, porque eles possuirão a Terra. Bem-aventurados os pacíficos, porque eles serão chamados filhos de Deus”. A afabilidade e a doçura. A obediência e a resignação. Injúrias e violências.
O capítulo 10º - BEM-AVENTURADOS OS QUE SÃO MISERICORDIOSOS. – “Bem-aventurados aqueles que são misericordiosos, porque eles próprios obterão misericórdia. Se vós perdoardes aos homens as faltas que eles fazem contra vós, vosso Pai Celestial vos perdoará também vossos pecados, porém se não perdoardes aos homens, vosso Pai também não vos perdoará os pecados”. Reconciliar-se com os adversários. O sacrifício mais agradável a Deus. Não julgueis a fim de que não sejais julgados. Aquele que estiver sem pecado que atire a primeira pedra. Perdão das ofensas. A indulgência. Observar as imperfeições e divulgar o mal dos outros e não vê os seus.
O capítulo 11º - AMAR O PRÓXIMO COM A SI MESMO – Os Fariseus sabendo que Jesus calara os Saduceus, reuniram-se e um deles, que era doutro da lei, para tentá-lo, lhe fez a pergunta: “Mestre, qual é o maior mandamento da lei?” -  Jesus lhe respondeu: “Amareis o Senhor vosso Deus de todo o vosso coração, de toda a vossa alma e de todo o vosso espírito; é o maior e o primeiro mandamento. E eis o segundo, que é semelhante ao primeiro: Amareis vosso próximo como a vós mesmos. Toda a lei e os profetas estão contidos nesses dois mandamentos”.  Fazer aos outros, o que queremos para nós. Parábola dos credores e devedores. Dar a César que é de César e a Deus o que é de Deus.  A lei do Amor. A fé e a caridade. A chaga do egoísmo.
O capítulo 12º - AMAI OS VOSSOS INIMIGOS –  Foi dito: “Vós amareis vosso próximo e odiareis vossos inimigos. Eu vos digo: Amai os vossos inimigos; fazei o bem àqueles que vos odeiam e orai por aqueles que vos perseguem e vos caluniam; a fim de serdes filhos de vosso Pai que faz erguer o Sol sobre bons e maus e faz chover sobre os justos e injustos;  porque se não amardes senão aqueles que vos amam, que recompensa disso tereis? Os publicanos não o fazem também?” – Amar os inimigos não é, pois, ter para com eles uma afeição que não está na Natureza; é não ter por eles nem ódio, nem rancor nem desejo de vingança. Quem quer que faça isso está cumprindo o mandamento: Amai os vossos inimigos. Os inimigos desencarnados. O ódio. A oração pelos inimigos.
O capítulo 13º - QUE A VOSSA MÃO ESQUERDA NÃO SAIBA O QUE DÁ A VOSSA MÃO DIREITA. – “Tomai cuidado de não fazer vossas boas obras diante dos homens para serem vistos por eles, porque não recebereis a recompensa de vosso Pai que está nos céus. Mas quando derdes esmola ou fizerdes uma caridade, que a vossa mão esquerda não saiba o que faz a vossa mão direita, a fim de que ela esteja em segredo, e vosso Pai que tudo vê, dela vos entregará a recompensa”. Fazer o bem sem ostentação. O óbolo da viúva. Servir sem esperar retribuição. A caridade material e a caridade moral. A beneficência. Benefícios pagos com a ingratidão.
O capítulo 14º - HONRAI VOSSO PAI E VOSSA MÃE –  “Honrai a vosso pai e a vossa mãe, a fim de viverdes longo tempo sobre a terra que o Senhor vosso Deus vos dará. Honrar, não é somente respeitá-los: é assisti-los na necessidade, proporcionando-lhes o repouso na velhice e cercá-los de atenção como fizeram com os filhos na infância”.  Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? O parentesco corporal e o parentesco espiritual. Os laços de família. A ingratidão dos filhos.
O capítulo 15º - FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO  Os justos lhe perguntarão:  “Senhor, quando foi que vos vimos com fome e vos demos de comer, ou com sede e vos demos de beber? Quando foi que nós vos vimos sem teto e vos alojamos, ou sem roupa e vos vestimos? E quando foi que vos vimos na prisão e fomos vos visitar?” E Jesus lhes respondeu: “Eu vos digo em verdade, quantas vezes o fizestes com relação a um desses pequenos que são meus irmãos, foi a mim mesmo que fizestes”. Parábola do Bom Samaritano. O maior mandamento. Fora da caridade não há salvação.
O capítulo 16º - NÃO SE PODE SERVIR A DEUS E A MAMON – Um jovem se aproximou de Jesus e lhe perguntou:  “Bom Mestre, o que é preciso que eu faça para adquirir a vida eterna?” – Jesus respondeu: “Porque me chamais bom? Só Deus é bom. Se quereis guardai os mandamentos”. – “Quais mandamentos?”- Jesus então lhe disse: “Não matareis; não cometereis adultério; não furtareis; não direis falso testemunho. Honrai pai e mãe e amei vosso próximo como a vós mesmos”. - 0 jovem lhe respondeu: “Tenho guardado todos esses preceitos deste a minha juventude, que me falta ainda?” – Jesus auscultando o seu íntimo lhe disse: “Se quereis ser perfeito, ide e vendei o que tendes e dai-o aos pobres e tereis um tesouro  no céu; depois, vinde e segui-me”. – O jovem ouvindo isso, foi-se embora muito triste, porque tinha grandes bens. Jesus disse aos discípulos: “Em verdade vos digo que é bem difícil que um rico entre no reino dos céus. Digo-vos ainda mais: É mais fácil um camelo (corda feita com o couro do camelo) passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”. Guardar-se da avareza. Parábola do mal rico. Desigualdade das riquezas. A verdadeira propriedade. Desprendimento dos bens terrenos.
O capítulo 17º - SEDE  PERFEITOS -  “Amai os vosso inimigos; fazei o bem àqueles que vos odeiam e orai por aqueles que vos perseguem e que vos caluniam. Sede, pois, vós outros perfeitos, como vosso Pai Celestial é perfeito”. Esta máxima: “Sede perfeitos como vosso Pai Celestial é perfeito”, tomada ao pé da letra, pressuporia a possibilidade de atingirmos a perfeição absoluta. Se fosse dado à criatura ser tão perfeita quanto o Criador, ela se tornaria igual, o que é inadmissível. É preciso entender, por essas palavras, a perfeita relativa, aquela da qual a Humanidade é suscetível e que se aproxima de Deus. Caracteres da perfeição. O homem de bem. Parábola do Semeador. A virtude e o dever. Os superiores e os inferiores. Cuidar do corpo e do espírito.
O capítulo 18º- MUITOS OS CHAMADOS E POUCOS OS ESCOLHIDOS – Aqueles que dizem: “Senhor! Senhor! Não entrarão todos no reino dos céus; mas somente entrará aqueles que fazem a vontade do meu Pai que está nos céus”. Vários me dirão naquele dia: “Senhor! Não profetizamos em vosso nome? Não expulsamos os demônios em vosso nome e não fizemos vários milagres em vosso nome?” E então eu lhes direi claramente: “Retirai-vos de minha presença, vós que fazeis obras de iniquidade”. A porta estreita. Muito se pedirá àquele que muito recebeu. Reconhece-se o cristão pelas suas obras.
O capítulo 19º - A FÉ TRANSPORTA MONTANHAS – Estando Jesus com o povo, um homem se aproximou dele, se lançou de joelho aos seus pés e lhe disse: “Senhor tem piedade de meu filho, que está lunático e sofre muito, porque ele cai ora no fogo e outras oras na água. Eu o apresentei aos vossos discípulos, mas eles não puderam curá-lo”. E Jesus respondeu, dizendo: “Trazei-me aqui essa criança. E Jesus tendo ameaçado o demônio, ele saiu da criança, que foi curada no mesmo instante”. Os discípulos perguntaram a Jesus: “Por que não pudemos nós expulsar esse demônio?” - Jesus lhes respondeu: “É por causa da vossa incredulidade. Eu vos digo em verdade: Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta montanha: Transporta-te daqui para ali, e ela se transportaria, e nada vos seria impossível”. A fé não se prescreve, a fé não se impõe, ela se adquire, e ninguém está privado de possuí-la. O poder da fé. A fé humana e a fé divina. A fé, mãe da esperança e da caridade.
 O capítulo 20º -  OS TRABALHADORES DA ÚLTIMA HORA – “O reino dos céus é semelhante a um pai de família que saiu para aliciar trabalhadores para a sua vinha e tendo acertado com eles que teriam uma moeda por sua jornada, os enviou à vinha. Saiu ainda na sexta e nona hora e lhes disse: Ide vós também para a minha vinha e eu vos darei o que for razoável; e eles para lá foram. E tendo saído ainda na décima hora, encontrou outros que estavam sem nada fazer e lhes disse: Ide vós também, para a minha vinha. Á tarde, o senhor da vinha chegou e chamou os obreiros começando a pagar-lhes dos últimos aos primeiros. Aqueles que chegaram  à décima hora e os demais, receberam uma moeda cada um. Os que foram aliciados nas primeiras horas creram  que o senhor lhes daria mais, mas não receberam além de uma moeda cada um; e em recebendo murmuraram contra o senhor da vinha, dizendo: Estes últimos só trabalharam poucas horas e vós os pagais iguais a nós que trabalhamos o dia todo sob o calor do sol. - Em resposta o senhor disse a eles: Meus amigos, eu não vos fiz injustiça; não acertastes comigo que receberiam uma moeda pela vossa jornada? Tomai o que vos pertence e ide; por mim quero dar a estes últimos tanto quanto dei a vós. Não me é, pois, permitido fazer o que quero? E o vosso olho é mau porque eu sou bom?” – Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos, porque há muitos chamados e poucos escolhidos. Os obreiros do Senhor. Missão dos espíritas.
O capítulo 21º -  HAVERÁ FALSOS CRISTOS E FALSOS PROFETAS –  “A árvore que produz maus frutos não é boa, e a árvore que produz bons frutos não é má; porque cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto. O homem de bem tira boas coisas do bom tesouro do seu coração, e o mau tira as más do mau tesouro do seu coração, porque a boca fala do que está cheio o coração. Guardai-vos dos falsos profetas que vêm a vós, cobertos de peles de ovelhas, e que por dentro são lobos vorazes. Vós os conhecereis pelos seus frutos. Guardai-vos de que alguém vos seduza; porque vários virão sob meu nome dizendo: “Eu sou o Cristo”, e eles seduzirão e enganarão a muitos”. A missão dos profetas (Missionários). Prodígios dos falsos profetas. Caracteres do verdadeiro profeta. Não acrediteis em todos os falsos profetas.
O capítulo 22º -  NÃO SEPAREIS O QUE DEUS JUNTOU – “O homem deixará seu pai e sua mãe, e se ligará à sua mulher, e não farão mais os dois senão uma só carne!” Não há de imutável senão o que vem de Deus; tudo o que é obra dos homens está sujeito a mudanças. No casamento, o que é de origem divina é a união dos sexos para operar a renovação dos seres que morrem; mas as condições que regulam essa união são de ordem tão humana, que não existem dois países em que elas sejam absolutamente as mesmas e que elas não tenham sofrido mudanças com o tempo. Quando Jesus disse: “Vós não separeis o que Deus uniu”, se deve entender da união segundo a lei imutável de Deus, e não segundo a lei variável dos homens. Mas, nem a lei civil, nem os compromissos que ela faz contrair, podem suprir a lei do amor; se esta lei não preside a união, resulta que, o que se une à força, se separa por si mesmo.  O divórcio, é uma lei humana que tem por fim separar legalmente o que já está separado de fato; não é contrária à lei de Deus, uma vez que não reforma senão o que os homens fizeram, por não ter sido levada em conta a lei divina do amor.  As leis de Deus e as leis dos homens.
O capítulo 23º -  MORAL ESTRANHA – “Aquele que ama seu pai  ou sua mãe mais do que a mim; aquele que ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim. Não penseis que eu vim trazer a paz sobre a Terra; eu não vim trazer a paz, mas a espada; porque eu vim separar o homem de seu pai, a filha de sua mãe e a nora da sogra; e o homem terá por inimigos os de sua própria casa, porque de hoje em diante, se se encontrarem cinco pessoas numa casa, elas estarão divididas umas contra as outras”. Ele disse a outro: “Segui-me” e ele respondeu: “Senhor deixe antes eu ir enterrar meu pai”. Jesus lhe respondeu: “Deixai aos mortos o cuidado de enterrar seus mortos*, mas por vós vinde anunciar o Reino de Deus”.   ( *os que desconhecem a minha doutrina  estão mortos para os meus conhecimentos) o cuidado de enterrar seus mortos (os que faleceram na existência física).
O capítulo 24º  -  NÃO COLOQUEIS A CANDEIA SOB O ALQUEIRE -  “Não se acende uma candeia para colocá-la sob uma cama, mas a põe sobre um candeeiro, a fim de que ela clareie todos aqueles que estão na casa; porque não há nada de secreto que não deva ser descoberto, nem nada de oculto que não deva ser conhecido e manifestar-se publicamente”.- Seus discípulos, disseram-lhe: “Porque lhes falais por parábolas?” - Ele lhes respondeu dizendo: “Porque, para vós, foi dado conhecer os mistérios do reino dos céus; mas para eles, não foi dado. Eu lhes falo por parábolas, porque vendo não veem, e escutando não ouvem nem compreendem, para que se cumpra a profecia de Isaias, quando disse: Vós escutareis com vossos ouvidos e não ouvireis; olhareis com vossos olhos e não vereis, porque o coração desse povo está entorpecido e seus ouvidos não ouçam e seus olhos não vejam o coração não compreenda”. Os são não precisam de médico. Carregar a cruz. Coragem da fé.
O capítulo 25º  -  BUSCAI E ACHAREIS – “Buscai e achareis; batei e a porta se vos abrirá; porque o que procura acha, e se abrirá àquele que bater à porta”. Estas máximas são análogas a esta: Ajuda-te e o céu te ajudará. É o princípio da lei do trabalho, e, por conseguinte, da lei do progresso, porque o progresso é oriundo do trabalho. Se Deus tivesse isentado o homem do trabalho, seus membros ficariam atrofiados; se o tivesse isentado do trabalho da inteligência, seu Espírito teria permanecido na infância; no estado de instinto animal; por isso lhe fez do trabalho uma necessidade. Sob o ponto de vista moral, as palavras de Jesus significam: Pedi á luz que deve clarear vosso caminho e ela vos será dada; pedi a força de resistir ao mal, e a tereis, pedi a assistência dos bons Espíritos e eles virão vos assistir. Observem os pássaros do céu, eles não semeiam e não colhem, e o Pai celestial as alimenta. Não vos inquieteis pela posso do ouro.

Capítulo 26º DAI GRATUITAMENTE O QUE HAVEIS RECEBIDO DE GRAÇA – “Dai gratuitamente o que haveis recebido gratuitamente e não façais pagar vossas prece”’, disse Jesus aos seus discípulos. Ora, o que eles tinham recebido gratuitamente era a faculdade de curar os doentes e de expulsar os demônios, pois esse dom lhes havia sido dado gratuitamente por Deus, para alívio daqueles que sofriam e lhes disse ainda para não fazerem um meio de vida. Deus quer que a luz alcance a todo o mundo; não quer que o mais pobre dela seja deserdado e possa dizer: Eu não recebi o benefício porque sou pobre e não pude pagar. Eis porque a mediunidade não é um privilégio, e se encontra por toda parte; fazê-la pagar seria, pois, desviá-la da sua finalidade providencial. Todo aquele, pois, que não tem do que viver, procure os recursos em outra parte, não explorando a mediunidade, pois os Espíritos se afastam daqueles que fazem um meio mercantilista. O dom de curar. Preces pagas.    .
O capítulo 27º  -  PEDI E OBTEREIS – “Pedi e se vos dará, porque todo aquele que pede, recebe. O que quer que seja que pedirdes na prece, crê que o obtereis, e vos será concedido”. O que Deus concederá, se nos dirigirmos a ele com confiança e fé, é a coragem, a paciência e a resignação. O que concederá ainda, são os meios de sair por si mesmo da dificuldade, com a ajuda das  ideias que são sugeridas pelos bons Espíritos, deixando-lhes o mérito, mas não ajudam àqueles que tudo esperam sem fazer uso das própria faculdades, preferindo ser socorrido por um milagre. A oração é recomendada por todos os Espíritos; renunciar à oração é desconhecer a bondade de Deus, é renunciar à sua assistência, e para os outros, ao bem que lhes pode fazer. Qualidade da oração. Eficácia da prece. Transmissão do pensamento. Preces inteligíveis (em língua estrangeira). Prece pelos sofredores e pelos mortos.
O capítulo 28º  -  COLETÂNEA DE PRECES -  Os Espíritos sempre disseram: “A forma não é nada, o pensamento é tudo. Orai cada um, segundo as vossas convicções e o modo que mais vos toca; um bom pensamento vale mais que numerosas palavras estranhas ao coração”.
Oração dominical ( Pai Nosso). Prece por si mesmo. Prece pelos outros. Prece por aqueles que não estão mais na Terra. Preces pelos necessitados, sofredores, doentes e obsidiados. Prece de agradecimento. Reuniões: “Em qualquer lugar em que se encontrem duas ou mais pessoas reunidas em meu nome, aí eu estarei no meio delas”, palavras de Jesus, sobre, principalmente, as reuniões do “Culto do Evangelho no Lar”.
Este é, em síntese, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, que é a terceira obra do Pentateuco de Kardec, simples e mais lido pelas pessoas em todo o mundo.
Bibliografia:                                                                                              
Livro: “O Evangelho Segundo o Espiritismo”

Jc.
S. Luís, 28/9/2012                                            
Refeito em: 9/3/2014

quinta-feira, 10 de abril de 2014

ELEIÇÕES E AS CRISES DE REPRESENTAÇÃO




  O título deste artigo nos remete, invariavelmente, a pensarmos na conduta inadequada e reprovável, daqueles que nos representam (políticos e administradores) nos três poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário.
Se, identificamos os erros, será que poderíamos também encontrar a solução dos problemas? Na verdade a crise de representação  alcança principalmente aqueles que escolhem os representantes. Será que os eleitores não estariam vivendo uma crise de valores, de prioridades, de ética, ao eleger pessoas tão desqualificadas?
A crise da representatividade surge da ação de políticos que atuam como agentes terceirizados, representando os interesses daqueles que financiaram suas campanhas políticas, mas não da população que lhe outorgou o voto. A partir de 2002 é que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a exigir a prestação de contas dos financiamentos eleitorais, de onde se tem uma vaga ideia dos valores que circulam nesse processo eleitoral.
Por conta disso, sabe-se que no ano de 2002, durante o processo eleitoral, foi registrado o repasse de R$ 814 milhões, a todos os políticos no Brasil; em 2006 o montante foi de R$ 1.428 bilhões; em 2010, chegou a R$ 4.5 bilhões. Por outro lado, também se sabe que a cifra declarada nunca é o valor realmente gasto na campanha. Segundo a ONG Contas Abertas, no processo eleitoral de 2010 pode ter sido gasto a soma expressiva de R$100 bilhões. Esse fato coloca abertamente os políticos e seus partidos como agentes corruptos e elementos terceirizados do poder econômico. Torna-se impossível confiar em políticos com tal índole, e é ingênuo imaginar que eles defenderão interesses coletivos.
Para termos uma ideia, no total das declarações dos dez deputados que propuseram as alterações no Código Florestal Brasileiro, por exemplo, as doações somaram R$-18.378.623,03 e 75% das verbas vieram de setores empresariais diretamente interessados nas alterações propostas. O chamado Consórcio Construtor de Belo Monte, composto por dez empreiteiras que são responsáveis pela construção da usina, fez doações que chegaram a R$ 342 milhões. É interessante saber que essas mesmas empresas deram em 2006
apenas R$ 16 milhões, revelando que, certamente, ocorreu um trato, uma combinação para que os legisladores facilitassem a complementação do projeto. Para a análise e alteração de um novo Código de Mineração, outras verbas eleitorais foram doadas pelas empresas de energia e mineração no total de R$ 94 milhões, aos políticos que analisam o código. Outros exemplos poderiam ser oferecidos para conhecimento da sociedade, como ocorre com a Ferrovia Norte-Sul.
Mas não é só o Legislativo como também o Executivo tem o seu preço. As declarações de doações da presidente Dilma ao pleito de 2010 alcançaram a soma de R$ 279 milhões, dos quais 99.75% foram efetuados por pessoas jurídicas (bancos, grandes empresas e empresários); quem você acha que ela iria beneficiar?
Tal fato justificaria a injusta e desumana divisão do Orçamento Geral da União de 2011, calculado em R$1.571 trilhões.  Desse total, aproximadamente 45% que representam R$ 708 bilhões seguem para o pagamento de juros e amortizações da dívida pública que beneficiam bancos e instituições financeiras, enquanto no mesmo período, a educação recebeu reles 2,99%, a saúde 4,07%, a segurança pública 0,41%, assistência social 2,85%, saneamento 0,02% e previdência social 22,01%.
Uma das propostas para a solução dessa vergonhosa situação seria adotar o financiamento público de campanha, sem descartar o aporte particular. Nesse caso, os valores da iniciativa privada comporiam uma conta única a ser gerenciada pelo TSE, que faria a distribuição aos partidos, e estes aos políticos, segundo as regras previamente estabelecidas, sendo que todos os partidos (haja partidos, quando deveria haver consciência, responsabilidade e honradez) poderiam consultar os repasses sabendo dos valores.
E aqui, se pode relacionar a crise de representação com a crise de valores dos eleitores, uma vez que são eleitos e reeleitos políticos relacionados a desvios de verbas, superfaturamentos, ficha criminal, tráfico de influência, nepotismo entre outras tantas situações, que deveriam ser observadas na hora do voto.
E o eleitor? Muitos fatores induzem o eleitor na hora de votar. E um dos principais é a tal de pesquisa de intenção de voto, que induz o eleitor para votar no candidato melhor nas pesquisas, para não perder o seu voto, sem avaliar a quem dá o mandato; outro motivo é votar naquele candidato que lhe fez alguma doação, ou ainda, naquele que lhe apertou a mão, sem levar em consideração a condição moral do candidato. Não acredite mais no candidato que promete tudo, apenas com o intuito de enganá-lo e receber seu voto. Se assim você fizer estará se desmoralizando perante a sua própria consciência.
Uma das armas do eleitor deve ser nunca votar na reeleição de político, a fim de que eles fiquem sabendo que se não agirem com dignidade, serão eliminados na eleição seguinte. Não permita que o político, do mandato parlamentar, faça uma profissão ou um posto vitalício para ele ou sua família, como vem acontecendo.  É certo que deve haver algumas exceções, porém estas devem passar pelo crivo do trabalho e da honestidade. Nós eleitores, somos obrigados por lei a votar, mas não somos obrigados a votar nos candidatos que os partidos nos apresentam, se não merecem o nosso voto e vão de encontra a nossa vontade.
E, se mesmo assim os partidos continuarem insistindo em nos impingir candidatos denegridos, resta-nos mostrar a eles, a nossa indignação, votando em branco. É muito melhor para nós e o país, votar em branco do que colocar no congresso um elemento que só vai beneficiar a si mesmo e aos que lhe ampararam com recursos financeiros. Tenha consciência de que queremos o Brasil melhor para todos nós, nossos filhos e netos, e para isso, é preciso saber escolher e votar; votar com dignidade para que a consciência não venha a nos acusar de ser conivente com o que aí está...
Fonte:
Jornal “Mundo Jovem” – 10/2013
Althen Teixeira Filho
+ Acréscimos e modificações.

Jc.
São Luís, 6/12/2013

terça-feira, 8 de abril de 2014

AS FRUTAS E OS SUCOS




  Pesquisa revela que o suco de frutas contribui para o surgimento do diabetes tipo 2. Já com as frutas, o caminho seria o inverso: Elas afastam o problema.
Pergunte aos amigos quais alimentos eles julgam compor uma refeição equilibrada. Apostamos que além de legumes e verduras a grande maioria prefere à mesa, os sucos naturais de laranja, abacaxi, limão...  Para os pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, só uma parte dessa afirmação está correta. Depois de avaliar os hábitos alimentares de mais de 180 mil homens e mulheres, inicialmente livres de diabete tipo 2, eles perceberam o seguinte: quem consumia certas frutas pelo  menos duas vezes por semana, tinha um risco menor de desenvolver a doença, em relação àquelas pessoas que comiam uma mísera porção por mês. Porém os sucos – fiquem sabendo e aproveitem para avisar os amigos –  Tomar um ou dois copos de sucos por dia foi associado a uma possibilidade mais elevada de se tornar um diabético.
Os cientistas não só apontaram o dilema como deram uma explicação. Ela recai sobre o alto índice glicêmico dos líquidos. Quem explica é o cientista Qi Sun, um dos experts que assinam a investigação. “Os sucos, especialmente os adoçados, são capazes de elevar a glicose no sangue de forma intensa, e com isso, há maior liberação de insulina para normalizar a situação”. O hormônio, é o responsável por colocar todo esse açúcar que passeia pela circulação dentro das células, onde será usado como combustível. “O problema é que os picos bruscos de glicose e insulina podem levar a uma resistência à ação do hormônio e, consequentemente, a um maior risco de diabete”, informa o estudo.
Mas, por que chupar uma laranja é tão diferente de bebericar um suco fresquinho feito somente com a fruta? “Ainda que o conteúdo nutricional seja o mesmo, os líquidos passam do estômago para o intestino mais rapidamente do que os alimentos sólidos por isso ocorrem á elevação acelerada da glicose”, explica a nutricionista Thais Steemburgo, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Sem contar que há um agravante aí. Para preparar um copo de suco, usamos cerca de quatro a cinco laranjas, quantidade que dificilmente consumimos quando resolvemos descascar e comer a fruta. Desse modo, a ingestão de frutose, o açúcar natural dessa fruta é muito maior quando a opção é o líquido. Moral da história: uma quantidade extra de insulina precisa entrar na jogada. Mais ainda: durante a produção do suco, as fibras das frutas são descartadas como bagaço...  “E essas fibras consumidas atrasam a digestão e a elevação do açúcar no sangue”, informa Louise Farah Saliba, nutricionista da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.
Outro problema:  “Além disso, domar os picos de glicose protege contra o risco de diabete tipo 2 e  problemas cardiovasculares”, acrescenta Cyril Kendall, pesquisador de Ciências da Nutrição da Universidade de Toronto, no  Canadá No suco os antioxidantes das frutas, substâncias protetoras do corpo, tendem a desaparecer. “Por isso, tome o suco logo após o preparo”, sugere a nutricionista Paula Cristina, do Centro de Diabetes da Universidade de São Paulo.
Também não é justo abrir mão de uma boa ponderação: “Sem dúvida, os sucos naturais são mais saudáveis do que os refrigerantes”, informa Eliana, da USP. Aliás, a regra de ouro é maneirar no açúcar de uma forma geral. E uma coisa não se discute: as frutas em si sempre proporcionam um leque maior de vantagens, e proteger contra o diabete, como relatam os cientistas de Harvard, é uma delas. “Isso pode ser explicado pela presença de polifenóis nas frutas”, defende Qi Sun. “Essas substâncias são antioxidantes, o que ajuda a diminuir a resistência à ação da insulina”, informa a endocrinologista Cintia Cercato, da Associação Brasileira de Estudo da Obesidade.
O inverno está chegando e com ele chegam também ás gripes e resfriados, comuns neste período. Que tal estar preparado e manter seu corpo saudável? Veja os alimentos e as receitas que podem ajudar a não entrar “numa fria” no inverno!
A gripe é uma doença causada pelo vírus “influenza” e ataca as vias respiratórias; nariz, garganta e pulmões. Como não existe cura, o que deve ser feito é aliviar os sintomas, que são: Dores musculares e articulares, febre alta, dores de cabeça e inflamação dos olhos. Para aliviar a gripe, ferva 2 xícaras de água e adicione folhas de limão, alecrim e erva-doce. Deixe em infusão por 10 minutos e coe. Junte mel para adoçar e o suco de ½ limão. Tome 3 vezes ao dia.
O resfriado é uma infecção leve das vias respiratórias, nariz e garganta, que pode ser causada por alergias, vírus ou bactérias. Como também não existe cura, apenas podemos amenizar os sintomas, que são: Febre baixa, coriza e espirros. Para aliviar o resfriado, ferva 1 xícara de água e adicione 1 cabeça de alho e cascas de laranja, folhas de erva-cidreira. Deixe em infusão por 10 minutos, coe e adoce com mel. Tome 1 xícara 3 vezes ao dia.
Ajuda ainda nesses casos, a vitamina C, que fortalece nosso sistema imunológico e ajuda na produção dos glóbulos brancos. Fontes da vitamina C: Laranja, limão, acerola, tomate, kiwi, morango, framboesa, maçã, espinafre, abacaxi, entre outras.
Já a vitamina A, protege as membranas mucosas que revestem os olhos, nariz, pulmões, e estômago. As fontes dessa vitamina são: Mamão, espinafre, cenoura, amendoim, banana, brócolis, manga, entre outras.
O repouso é recomendado tanto no caso da gripe como dos resfriados; não se esqueçam de lavar as mãos e os alimentos e evite ficar em ambientes fechados.
Veja agora os alimentos e suas finalidades:
Abacate – Possui  propriedades diuréticas, antianêmicas, digestiva, detém a progressão da calvície; ajuda na eliminação da caspa, fortalece os cabelos; reduz o mau colesterol, protege as artérias, é bom para infecção renal e da bexiga e dilata os vasos sanguíneos. Contém as vitaminas A, B1, B2, C, D e E, minerais, proteínas, carboidratos e óleo essencial.
Abacaxi – Possui ação adstringente, anti-séptica, digestiva, expectorante, regenerador celular, rejuvenescedora, reduz acidez estomacal, combate afecções da pele e bronquite, elimina manchas e sardas, acelera a cicatrização de tecidos, previne a osteoporose, as fraturas ósseas e acelera a  cicatrização. Contem as vitaminas A e C, complexo B, e minerais como potássio, manganês e cálcio.
Açaí (Jussara) – Possui propriedades antioxidante, estimula a memória, melhora o funcionamento do fígado, preserva o colágeno e a elastina da pele, protege os olhos e ajuda a evitar a cegueira e a catarata, estimula a memória, é rica em fibras que auxilia no trato intestinal. A fruta é rica em vitamina E, B1, B2 e C e ferro.
 Banana – Combate a anemia, principalmente em grávidas e crianças, por ser rica em ferro,  é grande fonte de potássio, indicada para desportistas sujeitos a grandes desgastes nos esforços físicos, ao ser consumida diariamente, aumenta a imunidade e oferece proteção contra o câncer, repõe as energias e evita o desgaste físico, cicatriza feridas, mantém normal o funcionamento do sistema nervoso, muscular e do coração. Contem cálcio, fósforo, ferro, potássio, vitaminas A, B1, B2, e C, e é rica em sais minerais.
 Cereja – Purifica o sangue, combate a prisão de ventre, estimula a digestão e as funções do pâncreas, tem propriedades diuréticas e estimula o crescimento, ajuda a combater o envelhecimento. É rica em amidos, sais minerais e vitaminas A, B1, B2 e C, cálcio, fósforo, ferro, potássio magnésio e flavonóides, um antioxidante que ajuda a combater o envelhecimento.
Damasco – Previne as doenças do coração, derrames, catarata, combate anemia, tem efeito calmante e diurético, além de regular a pressão arterial e combater a anemia. Sua fonte de ferro ajuda na formação de glóbulos vermelhos do sangue e as fibras regulam o ritmo intestinal. O consumo é indicado para quem busca propriedades calmantes, diuréticas e digestivas e ajuda as taxas de açúcar no organismo, além de alto valor nutritivo. Possui as vitaminas A, B1, B2 e C.
Framboesa – Previne doenças em geral; tem ação anti-inflamatória, diurética, desintoxicante, anticancerígena e ajuda no tratamento de afecções do fígado e vesícula.  Por ser rica em vitamina C, ajuda na saúde da pele, dos ossos e dos dentes. Seu consumo é indicado em casos de problemas virais, inflamatórios e diarréicos. Contém vitaminas B1, B5, C, E, ferro, fósforo, carboidratos, fibras e pectina.
Goiaba –  É uma fruta rica em vitamina C que combate infecções, fadiga, processo alérgicos, auxilia no crescimento, hemorragias, regula as funções do aparelho digestivo, fortalece dentes e ossos e o músculo. Por ser rica em licopeno e fibras solúveis, reduz o colesterol e a pressão sanguínea. Contém vitaminas A, B1, C, cálcio, ferro, fósforo, fibras solúveis, licopeno e pectina.
Kiwi – Previne o envelhecimento das células e a formação de rugas, ajuda a controlar o nível de colesterol no sangue e tem ações digestivas e antiescorbúticas. É indicado, ainda, para fortalecer o
sistema imunológico, estimular o apetite, regular as funções intestinais, prevenir problemas de tensões arteriais, depressão e stress. Possui vitaminas C, E, cálcio, betacaroteno, ferro, fibras, fósforo, magnésio, potássio e proteína.
Laranja -  Repõe as energias, diminui as taxas de colesterol, combate o estresse, as alergias, previne resfriados e a fragilidade capilar. A laranja é rica em vitamina C, além de possuir minerais e fibras, a pectina e flavonóides, melhora a formação dos ossos e dentes, é recomendada em casos de baixa resistência, estresse,  alergias e melhora o funcionamento intestinal, além de trazer vitalidade às gengivas e prevenir contra câncer. É rica em vitaminas A, complexo B, C, ácido fólico, fósforo, pectina e potássio.
Limão – Previne o escorbuto, alergias, estresse, fadiga, gripe, dor de cabeça, congestão, processos de cicatrização e má digestão. É rico em vitamina C, sendo um antioxidante que previne o envelhecimento das células e tecidos. Já o ácido cítrico presente, é um antisséptico contra fermentações no estômago e intestinos, e auxilia no tratamento da piorreia, além de nutrir o cérebro, as células nervosas e proteger contra a osteoporose. Possui ácido cítrico, bioflavonóides, cálcio, vitamina C, caroteno, fósforo e ferro.
Maçã – Tem propriedades adstringentes, ameniza a constipação intestinal, dores de garganta e favorece a secreção do aparelho digestivo. Ela é boa fonte de vitamina C, o que reforça o sistema imunológico, ajuda a cicatrização e combate o envelhecimento. Seu consumo é indicado para diabetes, obesidade, acidez, diarreias, convalescências. É recomendada para inflamações do aparelho respiratório, rins e fígado. Contém vitaminas A, B1, B2, B6, C, cálcio fósforo, potássio, sódio e óxido férrico.
Mamão -  Possui propriedades laxativas, diuréticas, alivia dores,  atua nas inflamações, queimaduras, alivia dores e tem efeito refrescante. Ele é rico em sais minerais, como: cálcio, fósforo, ferro, sódio e potássio que são importantes na formação dos ossos, dentes e sangue, além de evitar a fadiga mental e produzir energia. Trás benefícios na digestão dos alimentos e na absorção de nutrientes pelo organismo.  Possui cálcio, fibras, mucilagem, sódio, fósforo, potássio, vitaminas A, C, B1, B2, e B5.
Manga – Tem propriedades depurativas, digestiva, expectorante, diurética,  combate a bronquite e a acidez estomacal. É indicada em casos de anemia, asma, diarreia,  má digestão e doenças das vias respiratórias, oferece ação protetora para a pele, mucosa e visão. É rica em vitamina A, possuindo ação antiescorbútica e depurativa do sangue. Possui cálcio, carboidratos, betacaroteno, fósforo, zinco,  vitaminas A, B, C. e magnésio.
Maracujá – Tem propriedades sedativas, combate inchações,  inflamações da pele, alivia dores e cura feridas. É indicada ainda como sedativo,  calmante e para diminuir o nível do colesterol ruim e ajudar no bom funcionamento do intestino, atua no diabetes, no tratamento da gota, histeria e verminoses. É rica em vitamina A, C, B2, B3, cálcio, ferro, fibras, fósforo, niacina, passiflorina.
Além das frutas citadas, muitas outras existem,  como: Ata (pinha ou fruta do conde), bacuri, buriti, caju, cupuaçu, jaca, jacama (graviola), kaki, morango, murici,  pera, pêssego, tangerina, etc.etc.
Assim sendo, olhe com carinho aquela feira perto de sua casa, consumindo mais as frutas e, na medida do possível, deixe o liquidificador mais tempo guardado dentro do armário.

Fonte:
Revista “Saúde é Vital” – 01/2014
Reporteres: Thais Manarini e Gabriela Querioz
Revista “Sucos & frutas” nº 4
+ Pequenas modificações

Jc.
São Luís, 25/01/2014

domingo, 6 de abril de 2014

MANDELA, SUA EXISTÊNCIA E SEUS EXEMPLOS DE VIDA




  A incrível jornada do líder sul-africano – da clandestinidade à Presidência, passando por 27 anos na prisão – deixa um legado inestimável para todos nós. O sul-africano Nelson Mandela abraçou e simbolizou como poucos, em toda a história da humanidade, o espírito de conciliação, nos momentos finais do século XX.
A última década do mais sangrento século da história, que viu o comunismo morrer na Europa e com ele a Guerra Fria, que dividia o mundo em duas metades, que se ameaçavam mutuamente. Israelenses e palestinos trabalhando para caminhar para a paz; católicos e protestantes da Irlanda do Norte aos poucos abandonando as armas, em favor da convivência harmoniosa. Ditaduras militares e conflitos davam lugar, na América Latina, à festa da democracia; banhos de sangue na antiga Iugoslávia e na África eram recebidos por um sentimento de indignação e duas palavras: “Nunca mais”. Muitos eram os cenários, mas ninguém soube incorporar em suas ações o significado da palavra conciliação como Nelson Rolihlahla Mandela.
Ele veio ao mundo em 1918, como Rolihlahla, neto de um líder do povo thembu. O nome Mandela foi-lhe dado anos depois, por um professor de uma escola metodista por ocasião do seu batismo. O líder revolucionário, que se tornou o primeiro presidente negro num país de esmagadora maioria de sua raça, após passar 27 anos na prisão, por seu ativismo político, foi um pacificador – porém, essencialmente, um encrenqueiro. Desde cedo Mandela mostrou-se um inconformado, especialmente com algo que testemunhava dia a dia: injustiça.  Estudou Direito e, como homem das leis, lutou para que se tratassem com igualdade todos os seres humanos. Ele não concordava com as injustiças e as imorais regras impostas pela elite branca em seu país, sob o abominável nome de apartheid.
Sua existência pessoal foi movimentada, com três casamentos – o último deles com Graça Machel, viúva do líder moçambicano  Samora Machel. Como presidente ele não era um santo nem um líder incapaz de erro, pois falhou ao não envolver seu país na luta contra a Aids, causa que abraçou depois que saiu do cargo. Ele atingiu, porém, uma grandeza rara. Sua morte ocorrida no dia 5/12/2013) com 95 anos de idade, em Johannesburgo (África do Sul), não apagará ensinamentos que ele deixou de importância para políticos e cidadãos. Àqueles que o ouviram, Mandela ensinou muito – lições que agora precisam ser lembradas e abraçadas como objetivos, na busca por mais qualidade de vida e justiça para todos.
Em 1980, Nelson Mandela era, para muitos sul-africanos, apenas um mito, pois na prisão desde 1963, ele estava incomunicável, distante de jovens que sonhavam com um grande líder negro africano que simbolizasse a autonomia, a independência e o fim do colonialismo europeu. Libertado em 1990, foi eleito presidente em 1994, tendo permanecido no governo por quatro anos. Uma das primeiras medidas ao chegar à Presidência foi formar a Comissão da Verdade e da Reconciliação. Foi constituído para organizar, a CVR, uma lista de 25 candidatos e selecionados 17, sob a presidência do arcebispo Desmond Tutu, ganhador do Nobel da Paz. A Comissão ouviu vítimas de violações dos direitos humanos, cometidas pelo Estado. O processo foi o maior gesto de Mandela em favor da paz entre negros e brancos. Saídos de um regime que os tratava como animais, os negros poderiam ter se lançado a uma violenta vingança. Nas mãos de um líder populista e irresponsável, a África do Sul poderia ter sido palco de um colossal banho de sangue. Era o que Mandela mais temia. Ele queria reconciliar o país, não perseguir os derrotados. “Dizia ser impossível ter uma África do Sul boa, se não fosse boa para brancos e negros”. Esse princípio que serviu para a África é útil para o mundo todo. Divididos em etnias, credos, política e definições de comportamento, muitos ainda são vítimas da violência organizada no preconceito. Sensato, prático e defensor apaixonado do ser humano, Mandela pregou a convivência respeitosa mesmo entre aqueles que não se achavam iguais... Como ele não cansou de mostrar, a humanidade é uma só.
Ele poderia ter facilmente conquistado um segundo mandato, mas preferiu apoiar a candidatura de seu vi-presidente, Thabo Mbki. Mandela sabia que, a perpetuação de lideres no poder, era um dos maiores erros cometido por nações africanas após sua libertação do domínio europeu. Em fevereiro de 1980 Robert Mugabe vencia as primeiras eleições  de um Zimbábue livre. Hoje, 33 anos depois ele continua sendo governado pelo mesmo Mugabe. José Eduardo dos Santos governa Angola desde 1979, o mesmo ano em que tomou posse o atual presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Mbasogo.  Mandela preferiu fortalecer a democracia ao invés de tornar a África do Sul dependente do seu carisma político. Fora do governo, ele usou sua influência para enfrentar exatamente a mazela representada pelos conflitos étnicos e políticos. Sua intervenção foi vital para a paz no Borundi, que mediou a partir de 1999, após décadas de conflito entre tutsis e hutus.
“Mandela ensinou que o melhor caminho para a paz é o perdão é o entendimento e se houvesse na África mais líderes como Mandela, capaz de lidar e dialogar com o inimigo, haveria menos conflitos” afirma Ryan Irwin, professor de história da África  na Universidade de Nova York. O Brasil ganharia muito se tivesse um Nelson Mandela em sua história ou se alguém incorporasse os seus ensinamentos na política. Mandela ensinou a conciliação e a negociação, pois confrontos e enfrentamentos não funcionam. Mandela buscou o diálogo com seus adversários e apertou a mão do presidente Frederick De Klerk que o aprisionou e com quem dividiu o Prêmio Nobel da Paz. Hoje, duas décadas no governo, o partido que derrotou o apartheid agarra-se ao poder, é manchado pela corrupção e perde apoio popular. Cada vez que o nome do presidente Jacob Zuma era citado, uma vaia ecoava pelo estádio, na cerimônia de despedida do maior líder da história da África.
O cientista político José Paulo Martins Junior da Universidade Federal do Rio de Janeiro, destaca a ausência do espírito de revanchismo de Mandela. “Ele enfrentou sempre uma oposição muito forte de quem estava no poder e, quando assumiu a governança não encarnou o revanchismo”. Ele assimilou muito mais a importância de pôr em prática projetos de redução das desigualdades, relativas aos problemas sociais. Mandela também inspirou aqueles que sabem o valor da educação, uma das maiores carências brasileiras. “Educação é a mais poderosa arma que se pode usar para mudar o mundo, e se o Brasil aprendesse essa lição, já teria um futuro muito melhor”, dizia Mandela.
Fonte:
Reporteres:
Rodrigo Turrer e Rogério Simões
Revista Época -  9/12/2013
+ supressões e pequenas modificações
Jc.
São Luís, 9/01/2014