quarta-feira, 4 de junho de 2014

O REBANHO ÚNICO



 “Nada temais, ó pequenino rebanho, pois aprouve ao Senhor Deus, vos dar o seu Reino”  (Lucas, 12:32)
Ao longo da história, infelizmente, muitos fundadores de religião avocaram a si, unicamente, o culto devido ao Senhor da vida, formando rebanhos para ordenha própria e si arvorando em seus exclusivos ministros, pastores, etc. Iludidos, julgam haver furtado a Deus a chama total da verdade, quando esta lhes era concedida, parcialmente e a título precário, por acréscimo de Misericórdia.
O verdadeiro Pastor das almas, porém, houve por bem tachar de ladrões e salteadores (João, 10:8) os que o precederam e também, certamente, os que viriam depois, quando se dão ao desrespeito de personalizar como sua a mensagem divina. Ele declarou ainda, que um dia todos esses rebanhos de aglutinação humana, se dissolveriam para dar lugar a um rebanho só, do qual Ele é e sempre será o único Pastor.
Sua palavra outrora, por intermédio do profeta, é contundente contra os falsos pastores (Jeremias, 25: 34 a 36): “Uivai, pastores e clamai; revolvei-vos na cinza, vós, donos dos rebanhos, porque já se cumpriram os vossos dias de matardes e dispersardes, e vós mesmos caireis. Não haverá refúgio para os falsos pastores, nem salvamento para os donos dos rebanhos! Porque o Senhor está destruindo o pasto deles”.
Isto porque não basta o homem se autoproclamar pastor de ovelhas ou até mesmo seguidor de Jesus, uma vez que não é o discípulo que escolhe o Mestre, mas sim o Mestre que escolhe o discípulo, como assinala o Cristo (João, 15:16)
 “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros, e vos mandei para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça!”
Ser pastor de rebanho ou discípulo de Jesus, nos moldes em que o estabelece a palavra divina, não é esse festival de marqueteiros que se vê hoje na mídia – principalmente nas chamadas religiões eletrônicas – que se tem manifestado perante o mundo. O que se vê ali é a cupidez mais deslava pelas posses terrenas, e muitas vezes a soberba sectária travestida de fé.
 “Mentem os egoístas, os orgulhosos e os aproveitadores, quando se dizem falar em nome de Jesus, porque Jesus não os conhece como seus sinceros e verdadeiros discípulos”.
O autêntico aspirante a discípulo há que trabalhar duramente sobre si mesmo, ao longo da espinhosa senda, negar-se e tomar a sua própria cruz, até que a sua atitude sobreponha-se sobre os bens terrenos e desperte o interesse divino, que, então, o convidará para o vestibular do aprendizado. A vivência do verdadeiro líder religioso é estabelecida por Francisco de Assis, em seu tríplice aspecto, quais sejam: obediência às leis divinas; desapego aos bens terrenos, e castidade possível por pensamentos, palavras e atos em sua existência cotidiana. Faltando um desses aspectos, o líder ainda não lidera nem a si mesmo, porquanto é liderado por suas próprias paixões, o que ocorre em relação a qualquer religião.
Eis a previsão de um só rebanho para um só pastor, feita pelo próprio Cristo (João, 10:16):  “Ainda tenho muitas ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz; então haverá um rebanho para um só pastor”
Isto, depois de afirmar, revelando que suas ovelhas viriam de todos os rebanhos, no dia em que ouvissem sua voz pelos condutos internos do coração. Mas esse rebanho só será formado depois que  o joio for joeirado, atado e queimado; por outras palavras: quando os maus forem excluídos deste mundo e os remanescentes formarão os rudimentos desse rebanho único, porque descerão ao mundo, reencarnado, Espíritos redimidos iniciando uma nova era de regeneração para a humanidade.
Percebe-se assim, que o rebanho único do Senhor não é, em princípio, a totalidade do rebanho católico, nem do protestante, nem do espírita, nem do umbandista, nem do judeu, nem do muçulmano, etc., nem de qualquer rebanho considerado isoladamente que exista hoje no mundo, visto que em todos eles há boas e más ovelhas. O rebanho do Cristo será formado pelas boas ovelhas de cada rebanho, que oportunamente deles se apartarão e, vindas do Norte e do Sul, do Oriente e do Ocidente – tangidas pela inspiração divina e pelos eventos apocalípticos que se avizinham – se unificarão num só rebanho para um só Pastor, afirmou Jesus.
Porém, é forçoso reconhecer que em todos os rebanhos que permeia este estudo, sem demérito para qualquer um deles, e falando sob o ponto de vista doutrinário, a Doutrina dos Espíritos, por tudo o que enobrece seus postulados, é a que mais se aproxima do modelo ideal, para a unificação das ovelhas do rebanho de Jesus. Kardec diz que, por estas palavras, Jesus claramente anuncia que os homens um dia se unirão em uma crença única. Ele reconhece a dificuldade dessa união, devido ao antagonismo que elas alimentam entre si, mas entende que a unidade se fará em religião como já tende a se fazer em outros campos da atividade humana. A unidade se fará pela força das coisas, porque há de tornar-se uma necessidade, para que se estreitem os laços de fraternidade entre as nações; far-se-á pelo desenvolvimento da razão humana que se tornará apta a compreender a puerilidade de todas as dissidências, etc.
Kardec afirma ainda: Pelo seu poder moralizador, por suas tendências progressistas, pela amplitude de seus ensinos, pela generalidade das questões que abrange, a Doutrina dos Espíritos é mais apta, do que qualquer outra doutrina, a secundar o movimento de regeneração, por isso ela é contemporânea  desse movimento. Surgiu na hora em que podia ser de utilidade, visto que também para ela os tempos são chegados... A Terceira Revelação marcha à frente da regeneração humana, cumprindo o papel que lhe foi destinado pela profecia de Jesus, quando disse: “Se vós me amais, guardai meus mandamentos; e eu pedirei ao Pai, e ele vos enviará um outro Consolador, a fim de que permaneça eternamente convosco: O Espírito de Verdade que o mundo não pode receber, por que não o vê e não o conhece. Mas quanto a vós, vós o conhecereis porque permanecerá convosco e estará em vós. Mas o Consolador que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará relembrar de tudo aquilo que eu vos tenho dito” (João, 14: 15,16,17,26).

Fonte:
Revista “Reformador” – 03/2014
Mário Frigéri
Novo Testamento
+ Modificações e acréscimos

Jc.
São Luís, 5/4/2014