segunda-feira, 21 de julho de 2014

COMPLEMENTO AOS EVANGELHOS




 A tradição espiritual do mundo, em seus setores mais elevados, ensina que a criação subordina-se aos seguintes princípios universais: Um Criador, um Agente Executor e um Animador. O primeiro princípio é Deus – o Pai Criador absoluto. O segundo princípio é o Filho. O terceiro princípio é o Espírito Santo. Esta é a base fundamental das Trindades, imaginadas por algumas religiões como a bramânica, a egípcia, a persa, entre outras, sendo copiadas, inclusive por religiões dogmáticas cristãs. Eis as Trindades mais conhecidas:
Brama, Schiva e Vishnu  -  dos indus.     Osíris, Ísis e Orus  -  dos egípcios. Ea, Istar e Tamus   -  dos babilônios.     Zeus, Demétrio e Dionísio  -  dos gregos. Baal, Astarté, e Adonis - dos assírios.     Orzmud, Ariman e Mitra  - dos persas. Voltan, Friga e Dinar - dos celtas.   Deus, Jesus, Espírito Santo  - dos católicos.
Os agentes diretos de Deus são as Inteligências Divinas que santificam e presidem à formação de galáxias e que, a seu turno, delegam poderes a agentes seus – os Cristos – que corporificam seus pensamentos executando a criação de planetas, satélites e astros em geral, dos diferentes sistemas planetários e são os governadores espirituais desses orbes.
A mesma tradição espiritual também revela que, em determinadas épocas, segundo as necessidades evolutivas de algum planeta, Espíritos Elevados, são enviados pelo Cristo, e encarnam-se nos diferentes orbes, em meio a seus habitantes, para levarem às humanidades que os habitam, diretrizes mais avançadas de progresso espiritual. Nessas encarnações esses Espíritos têm vindo ora como precursores intelectuais de conhecimentos filosóficos, científicos, religiosos e artísticos; ora como pregadores da paz e da concórdia, no encaminhamento dos povos bárbaros à civilização.
Os conhecimentos revelados por esses magnânimos Espíritos foram conservados em vários lugares. No oriente, pelos Flâmines, sacerdotes filiados aos cultos da antiga Lemúria, berço das primeiras encarnações humanas em nosso planeta, e que com o afundamento desse continente, passaram à Índia e lá viveram, até o advento de Krisna, quando então desceram para o Ceilão, fundando ali os santuários denominados “Torres do Silêncio”. No ocidente pelos Dáctylos, descendentes dos Atlantes, refugiados na Grécia, antes da catástrofe desse continente, e para onde transportaram os documentos das tradições mais antigas.
Pelos Kobdas, que vieram depois e fixaram essa civilização no Delta do Nilo e a difundiram pelo Egito e Mesopotânia, e finalmente, pelos Essênios, refugiados nas grutas e mosteiros da Palestina, Fenícia e Arábia, que receberam e conservaram os ensinamentos deixados por Moisés, com base nos documentos descobertos nas ruínas dos templos de Mênfis, de Abidos, de Saís e outros.
Quanto ao Messias, a mais alta manifestação do Plano Espiritual Superior na Terra, ás profecias hebraicas confirmavam outras anteriores de outras regiões do mundo, no sentido de um nascimento miraculoso, através de uma virgem, sem contato humano, (como ocorrera com outros missionários religiosos fundadores de movimentos espiritualistas como, por exemplo, Zoroastro, Krisna e Buda), que era esperado de há muito e houvera sido predita por vozes proféticas dos israelitas, preparado para receber em seu seio o Espírito radiante do Redentor.
Quando o excelso Missionário, custodiado pelos seus luminosos assistentes espirituais, aproximou-se da atmosfera terrestre, no crucial sofrimento da redução vibratória para adaptação ao pequenino corpo preparado para o nascimento físico, quatro grupos de iniciadores, pertencentes àquelas correntes já referidas atrás, pressentiram essa aproximação e se prepararam para receber tão sublime visitante; foram eles: os sacerdotes do templo-Escola do Monte Horeb na Arábia, dirigido por Melchior; os sacerdotes Ruditas, solitários dos Montes Sagros, na Pérsia, baseado no Zend-Avesta de Zoroastro, cujo chefe era Baltazar; os solitários do Monte Zuleiman, junto ao Rio Indo, dirigidos por Gaspar príncipe de Bombaim; e os Essênios da Palestina, da Arábia e da Fenícia. A esses iniciados foi revelada pela mediunidade, a próxima encarnação do Messias, há tanto tempo esperado.
Para essa encarnação, o vaso carnal escolhido e já compromissado desde antes de sua reencarnação na Terra, foi escolhida Maria, virgem hebreia de família sacerdotal, filha de Joaquim e Ana. Com a morte de seus pais foi ela internada por parentes no Templo de Jerusalém, junto às Virgens de Sião, que nas festividades cantavam em coro os salmos de Davi, pois as jovens descendentes de tais famílias tinham esse direito e podiam ser educadas no Templo, consagrando-se, caso o quisessem, a seus serviços. Uma tarde, dias antes de sua indicação para esposa, ela em uma dependência do Templo, adormeceu e teve um sonho (era dotada de faculdades psíquicas) no qual um anjo a visitou e a saudou como predestinada a gerar o Messias esperado. Ela então resolveu guardar silêncio sobre o ocorrido.
Dois anos depois, José, carpinteiro, residente em Nazaré, usando também de um direito que lhe pertencia por descender da família de Davi, tendo enviuvado de sua esposa Débora, e ficado com cinco filhos menores, bateu às portas do Templo, pedindo que lhe fosse designada uma esposa. Nesses casos, a designação era feita pela sorte e a indicada foi Maria. A partir de sua chegada a Nazaré e após as comemorações rituais das cerimonias, dedicou-se aos afazeres domésticos sem poder, contudo, esquecer as lembranças do acontecido no Templo. Por fim, sentindo-se grávida, confessou seus temores a José, de quem estava certa poder esperar auxílio e compreensão. José, dentro da sensatez que lhe era tributo, guardou silêncio e não podendo confiar nos parentes ali residentes, resolveu levar a jovem esposa para a localidade de Belém ( Efrata, antigo nome) onde ela ficaria sob os cuidados maternais de sua tia Sara. Foi naquela cidade histórica, que se deu o nascimento do Messias Redentor, ao qual foi dado o nome de Jesus.
Contam ás escrituras que o evento se deu num estábulo, o que não é de estranhar, tendo em vista a pobreza e a exiguidade das habitações do povo naquela época, e o fato de que os estábulos nem sempre eram destinados somente a guardar o gado, servindo também de depósito de material. É de se admitir que os hóspedes devem terem sido acomodados num local  mais afastado do bulício e da curiosidade dos estranhos. Em Belém, se encontram ainda hoje, vários estábulos que servem, ora para habitação, ora para depósito de combustível e forragem, ora ainda para acomodação de pastores nômades.
A respeito do nascimento de Jesus existem duas alternativas: aceitar a concepção sobrenatural, como consta dos Evangelhos de Mateus e de Lucas, ou admitir o nascimento natural, como aceitam várias correntes materialistas e espiritualistas. Embora os evangelistas narrem um nascimento sobrenatural, o Evangelho em si mesmo, estudado no conjunto dos seus autores, oferece elementos sérios para acreditar no nascimento natural. A primeira versão de Mateus e Lucas não é admitida por João e Marcos, sendo isso bem estranhável, porque fato de tamanha importância espiritual ficaria esquecido por eles. Pode-se, pois, concluir e aceitar o nascimento natural baseado no que disse João 4:3 “todo Espírito que não confessa que Jesus veio na carne, não é de Deus”. Isso é concludente. Por outro lado o padre Jerônimo encarregado de codificar os Evangelhos, ao realizar o seu trabalho, teria todo o empenho em prestigiar a versão de Jesus-Deus, membro da Trindade Católica Romana, dando a versão sobrenatural, porém ele não o fez.
Sobre o corpo de Jesus, retirado da cruz por José de Arimatéia e colocado num túmulo que ele havia construído para si mesmo, a versão mais aceita, é a do corpo natural, embora muitos creiam o contrário.  A controvérsia vem desde os tempos do cristianismo primitivo. Na ausência de documentos para  comprovar  os  fatos,  muitos  formularam suas próprias opiniões pessoais. Por isso resolvemos fazer algumas perguntas:
P – Existe nos Evangelhos alguma citação que prove ter sido fluídico o corpo de Jesus? R.  Não; o que existe são alguns fatos que alimentam tal suposição.
P – Existe alguma prova de que seu corpo era de carne, igual ao de outras pessoas?   R – Sim, em termos, existe. Se não o fosse como aceitar que Ele se alimentou com seus discípulos e como sangrou por ocasião dos ferimentos recebidos e também por ter Ele carregado nas costas a pesada cruz de madeira, pelas vias urbanas, sob cujo peso caiu várias vezes ao chão? Se assim não fosse, seria uma simulação da verdade. Ele tinha um corpo de carne, sem dúvida, porém de consistência diferente, de densidade muito menor, de matéria mais pura, adequada a conter um Espírito de Sua elevada vibração que comportasse Sua permanência em nosso mundo atrasado, grosseiro e impuro.
Os materialistas negam que Jesus haja morrido na cruz, porque a morte na cruz só se dava três a quatro dias após a crucificação, e porque após sua morte, seu corpo desapareceu, mas foi visto depois por vários discípulos, tanto em Jerusalém como na Galileia. Sobre a duração do sacrifício na cruz e a morte, temos que lembrar que antes da crucificação Ele foi preso, chicoteado, colocada em sua cabeça uma coroa de espinhos que lhe causou sangramento, e ainda obrigado a carregar uma cruz tão pesada que outra pessoa ofereceu-se para ajudá-lo a levá-la até o gólgota. Nessa situação, com o corpo já muito debilitado e sofrido, não demorou muito para que viesse a  falecer após a crucificação.
O desaparecimento do corpo material de Jesus, depois da sua morte, foi objeto de várias interpretações. Ele é atestado pelos quatro evangelistas e sobre o relato das mulheres que se apresentaram ao sepulcro no terceiro dia, e não o acharam.  Alguns viram, nesse desaparecimento, um fato miraculoso, outros supuseram que o corpo de Jesus foi retirado do sepulcro pelos essênios, chefiados por José de Arimatéia, por uma abertura existente nos fundos, para que o povo pensasse que de fato ele havia ressuscitado, para que a doutrina que Ele pregara vencesse no mundo.
Segundo outra opinião, Jesus não teria utilizado um corpo carnal, mas somente um corpo fluídico; não fora Ele, durante sua existência, senão uma aparição tangível, em uma palavra, uma espécie de agênere. Seu nascimento e todos os atos de sua vida, inclusive a morte, não seriam senão uma aparência. Foi assim, dizem, que seu corpo em estado fluídico, pôde desaparecer do sepulcro, e foi com esse mesmo  corpo  que  ele  se  mostrou  depois de sua morte.  Semelhante fato não é impossível, segundo o que se sabe hoje sobre as propriedades dos fluidos. A questão é saber se tal hipótese é confirmada ou contraditada pelos fatos.
A vivência de Jesus na Terra apresenta dois períodos: a existência terrena e aquela que se segue à sua morte. Desde o seu nascimento até a morte, tudo, em seus atos, em sua linguagem e nas diversas situações de sua existência, apresenta os caracteres inequívocos da corporeidade. Se Jesus durante sua existência estivesse nas condições dos seres fluídicos, não teria sentido nem a dor, nem nenhuma das necessidades do corpo; supor que assim não haja sido, é tirar-lhe todo o mérito da existência de privações e de sofrimentos que escolheu como exemplo de resignação. Se tudo nele não era senão aparências, todos os atos de sua existência, o anúncio reiterado de sua morte, a cena dolorosa do gólgota, sua prece a Deus para afastar o cálice, sua paixão, sua agonia, tudo, até a sua última exclamação no momento de entregar o Espírito, não teria sido senão um simulacro, para enganar sobre a sua natureza e fazer crer num sacrifício ilusório, uma comédia indigna do mais simples homem honesto, com mais forte razão de um ser tão superior; ele teria abusado da boa-fé dos seus apóstolos e da posteridade. Essas consequências não são admissíveis, porque o denigrem moralmente, em lugar de elevá-lo.
Concluímos, portanto, que Jesus possuía um corpo físico especial de carne, puro e perfeito, de vibração especial superior ao comum dos seres humanos, enquanto viveu encarnado; e após sua crucificação e morte, manifestava-se Ele em corpo fluídico, razão porque podia aparecer ou desaparecer, mesmo em locais fechados onde se encontravam seus discípulos, temerosos da agressão dos judeus, e onde Jesus se apresentou por duas vezes, para comprovar a Tomé, e por ocasião da sua despedida deles.
Quanto ao desaparecimento do seu corpo material, outra versão diz que um anjo (espírito superior) desceu sobre o túmulo e o seu corpo foi envolvido por uma fulguração vinda do alto, como uma língua de fogo, e o desmaterializou, restando apenas sobre a pedra o lençol que o envolvia. Como era quase madrugada, aquela fulguração despertou os guardas que estavam vigiando o túmulo, e atemorizados eles se afastaram do local. No mesmo instante os selos que foram colocados à porta do túmulo, a mando de Caifás, foram arrancados e, após, o anjo afastou a pedra da entrada do túmulo. (Mateus 27:66 e 28: 1 a 4)                                                                    
Esta versão é a mais aceita, em virtude do que foi dito anteriormente sobre o corpo de Jesus, ser de consistência diferente, de densidade muito menor e de matéria mais pura, possibilitando a sua desmaterialização e dispersão, se apresentando Ele, daí em diante, apenas com o corpo fluídico...  Jesus teve, pois, como todos, um corpo carnal e um corpo fluídico, que atestam os fenômenos materiais e os fenômenos psíquicos que assinalaram a sua vida, após a sua morte.

P – Como pode Ele se desmaterializar como varias vezes fez, conforme consta dos Evangelhos?
R – As desmaterializações narrados pelos evangelistas são explicáveis em todos os sentidos. Após a morte, Ele estava utilizando um corpo fluídico, numa densidade que lhe permitia manifestar-se de forma objetiva e tangível no nosso plano. Com esse corpo fluídico Ele podia se materializar e se desmaterializar quando lhe fosse necessário. . .
O papa Damaso I, que exerceu o pontificado de 366 a 384, incumbiu o padre Jerônimo de codificar o Cristianismo, disperso em 44 narrativas existentes na época, todas com foro de autenticidade, porém, foram desprezadas por Jerônimo em sua totalidade, aceitando ele somente aquelas que constavam terem sido escritas pelos apóstolos (testemunhas de vista) João e Mateus, além de Marcos por ter ligações com Paulo de Tarso, e Lucas que investigou os fatos, elaborando assim a intitulada Vulgata Latina”,  até hoje adotada, sem contestação pela Cristandade.

Bibliografia:                                                                                                                                    Livro “O Redentor”                                                                                                                      Edgard Armond                                                                                                                       “Novo Testamento”                                                                                                      Livro “A Gênese”                                                                                                             + Acréscimos e pequenas modificações

Jc.
S.Luis, 26/5/2012
Refeito em 21/7/2014