segunda-feira, 8 de setembro de 2014

SARDINHA, O ALIMENTO IDEAL




  Ela já foi vista como a prima pobre dos pescados. Mas, sua riqueza nutricional, em relação ao atum e o salmão ela é especial para coroá-la como ícone de um cardápio saudável, mesmo sem perder a popularidade. “Em termos econômicos, é o peixe mais importante do país” afirma Paulo Ricardo Schwingel, professor de oceanografia da Universidade do Vale do Itajaí, em Santa Catarina. A abundância em nossos mares e o preço mais em conta lhe rendeu a imagem de pescado pouco nobre. Vivemos atualmente o seu redescobrimento pela ciência da nutrição.
Quando ouvimos a recomendação de que precisamos comer peixe – no mínimo duas vezes por semana – o motivo recai sobre uma palavrinha mágica nos domínios da nutrição, o ômega-3. Embora seja pequena e magrinha... “ela é classifica como um peixe gordo, só que apresenta gordura de boa qualidade, com uma fração considerável de ômega-3”, diz Marília Oetterer, cientista de alimentos e professora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo. Para ser rico nessa substância, um produto deve carregar pelo menos 80 miligramas em uma porção de 100 gramas. Nesse quesito, a sardinha enlatada, versão mais ingerida de norte a sul do país, é muito milionária: são entre 1.200 a 2 mil miligramas.
Pesquisado os nutrientes da sardinha e outras fontes de alimentos, comprovem as diferenças existentes:
Energia – Apesar do tamanho, a sardinha é um peixe rico em gordura e isso tem repercussão nas calorias: são 114 cl. por 100 g. de peixe, quase o dobro da mesma porção de abandejo com 59 cl.
 Cálcio – Uma lata de sardinha (85g) oferta mais de 460 mg. do mineral que afasta a osteoporose; comparado com um copo de leite de 200 ml. são 246 mg.
Vitamina D – A sardinha em lata contribui com 250 UI, enquanto o ovo, coitado, entre 15 e 30 UI.
Proteína – Dizem que ninguém bate a carne vermelha nessa categoria. A sardinha faz bonito: 100 g. de sardinha têm a mesma porção (32.2g) de um filé-mignon grelhado (32.8g)
Ômega-3 – Em uma lata de sardinha há mais de 1 g. de gordura –
valor diário sugerido pela Associação Americana do Coração. A de atum tem 0,6 g.; e o salmão também perde para a sardinha.
A sardinha é abundante numa faixa do litoral brasileiro que vai do Rio de Janeiro até Santa Catarina, e das 800 mil toneladas de pescados anualmente no Brasil, 100 mil toneladas são de sardinhas. A captura é feita por barcos conhecidos como traineiras, que cercam o cardume, lançam as redes e acomodam os peixes em gelo ou sal. Depois de capturadas e levadas ao cais, os peixes entram, já mortos, numa esteira rolante e ali mesmo tomam um banho de água clorada; em seguida, inspecionadas, as sardinhas passam por uma máquina que corta o rabo e a cabeça, além de eliminar a barrigada. Manualmente, elas são colocadas nas latas – duas três ou seis por unidade, e em seguida recebem uma dose de óleo de soja e solução salina. As latinhas são fechadas e alojadas numa espécie de panela de pressão, onde elas ficam meia hora a 125 C, sendo esterilizadas e o cozimento amolece as espinhas.
“A vantagem da lata é que podemos comer o peixe bem mais íntegro, com partes das suas vísceras, justamente os redutos do ômega-3”, ensina o nutricionista Dennys Cintra, professor da Universidade Estadual de Campinas-SP. Os brasileiros estão consumindo mais pescados, e hoje, já chegamos à recomendação da Organização Mundial de Saúde, de ingerir no mínimo 12 quilos de peixe anualmente por habitante.
As regiões Norte e Nordeste são os maiores consumidores com o maior per capita de sardinhas em lata, e consomem oito vezes mais que a região Sudeste, informa Marília Oetterer da USP. Enquanto tem gente comendo quase 30 quilos por ano, há aqueles que não veem o peixe no prato. É um retrato muito diferente de Portugal, onde é devorado mais de 50 quilos por ano per capita. Diz um historiador lusitano do século 16 que o pequeno pescado sustentava o reino. A tradição se perpetuou e hoje a sardinha faz parte de receitas finas e populares dos portugueses.
Fonte:
Revista “Saúde é Vital” – maio/2014
+ Pequenas modificações
Jc.
São Luís, 22/5/2014