quinta-feira, 2 de abril de 2015

A VIDA DE JESUS E SEUS ENSINAMENTOS




 O Novo Testamento narra à existência de Jesus e seus ensinamentos.  Segundo o evangelista Mateus os pais de Jesus residiam em Nazaré, na Galileia, e, por causa do recenseamento determinado pelo imperador César Augustus eles tiveram que viajar para a cidade de Belém. Os Anjos anunciaram e Maria rodeada de animais, deu a luz a Jesus, em uma manjedoura (cocho onde se colocava alimento para os animais).

Diz Lucas em seu Evangelho que quando Jesus tinha 12 anos de idade, os seus pais o levaram a Jerusalém para a festa da Páscoa. Tendo Jesus se afastado de seus pais, estes dando por sua falta, o foram encontrar três dias depois, no Templo, assentado entre os mestres, ouvindo-os e interrogando-os. E Jesus crescia em estatura, graça e sabedoria diante dos homens e de Deus...

Muitos anos se passaram e apareceu João Batista, pregando o arrependimento e anunciando a próxima chegada do Messias esperado.  Por esse tempo, dirigiu-se Jesus até João Batista para ser batizado. João Batista ao batizar Jesus, viu um Espírito de Deus, descer em forma de uma pomba branca sobre Jesus, e ouviu-se uma voz do céu que dizia: “Este é o meu filho amado em quem me comprazo.” Jesus após ser batizado e apresentado ao povo por João, como o Messias, afastou-se e retirou-se para a Galileia, indo morar em Cafarnaum, à beira-mar, onde começou a pregar dizendo: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus”. Ali a beira do mar da Galileia, Jesus convocou os seus discípulos, na maioria, pescadores excluídos da sociedade judaica. João, no seu Evangelho nos diz que cinco dias depois de ser batizado, houve uma festa de casamento em Cana. Jesus foi convidado juntamente com seus familiares. Como houvesse acabado o vinho, Maria pediu a Jesus e este transformou a água em vinho delicioso. Com este feito, Jesus deu princípio a sua missão. Diz Lucas, que indo Jesus para Nazaré, onde fora criado, entrou num sábado na sinagoga para pregar, e os seus concidadãos o expulsaram da cidade, tendo Jesus lhes dito: - “De fato vos afirmo que nenhum profeta é bem recebido na sua própria terra”.

Mateus nos fala que se retirando para Cafarnaum, Jesus começou a pregar e curar todo tipo de doenças. E de vários lugares, numerosa multidão o seguia. E vendo Jesus a multidão, subiu a um monte e aproximando-se os seus discípulos, passou a proferir o Sermão da Montanha, dizendo:  “Bem-aventurados os aflitos, os que choram e os que sofrem... porque serão consolados; Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça...porque serão saciados; Bem-aventurados os pobres... porque deles é o Reino dos Céus; Bem-aventurados os que são misericordiosos...porque eles obterão misericórdia; Bem-aventurados os pacíficos...porque eles serão chamados filhos de Deus; Bem-aventurados os que têm puro o coração...porque verão a Deus; Bem-aventurados sois, quando vos expulsarem e vos odiarem e vos perseguirem por minha causa... porque é deles o Reino dos Céus.” Jesus falando então para os discípulos disse: - Vós sóis o sal da terra; Vós sóis a Luz do mundo; Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas, vim para cumprir; Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás.; eu porém vos digo que aquele que se irar contra seu irmão, estará sujeito a julgamento. Também ouvistes que foi dito: Não jurarás falso; eu porém vos digo: De modo algum jureis. Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Digo-vos porém; amai os vossos irmãos, fazei o bem aos que vos odeiam. Ouvistes ainda: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu porém vos digo: Orai pelos que vos perseguem. Quando deres a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita. Quando orares, entra no teu quarto e fechada a porta, orarás a teu Pai e teu Pai que tudo vê, em segredo, te recompensará. Orareis assim: “Pai nosso que estás em todo o infinito e no nosso íntimo; santificado seja o Vosso nome; venha a nós o Vosso reino de amor e bondade; seja feita a Vossa vontade, na Terra como em todo o Universo. O pão nosso de cada dia; dai-nos hoje, amanhã e sempre que merecermos; perdoe bom Pai, as nossas dívidas nos possibilitando resgatá-las; nos dê forças para que também possamos perdoar os nossos devedores; não nos deixeis cair nas tentações das nossas próprias inferioridades; e permita nos livrarmos das nossas imperfeições; pois Sois todo poder, bondade, misericórdia, justiça e amor.  Assim seja se for da Vossa vontade e do nosso merecimento”. (Esta oração ensinada por Jesus tem pequenas modificações, sem modificar a sua essência).

Após a oração, Jesus continuou falando aos discípulos: “Não acumuleis para vós outros, tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde os ladrões  roubam; mas ajuntai para vós, tesouros no céu, porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração. Ninguém pode servir a dois senhores. Não podeis servir a Deus e ao mundo, através das riquezas terrenas, de que não sois donos e que a Deus pertence. Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer e beber. Observai as aves do céu; não semeiam, não colhem nem ajuntam em celeiros; contudo vosso Pai as alimenta. Não julgueis para que não sejais julgados também. Pois com o critério com que julgardes, sereis julgados. Pedi e dar-se-vos-á; buscai e achareis. Qual de vós é o homem que se o filho lhe pedir pão, lhe dará pedra? Ora, se vós que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus? Tudo quanto pois quereis que os homens vos façam, fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os profetas.”  E quando Jesus acabou de proferir estas palavras, também ouvidas por outras pessoas, estavam todos maravilhados da sua doutrina. Descendo Ele do monte, eis que um leproso, aproximando-se, adorou-o dizendo: - Senhor, se quiseres, pode purificar-me. E Jesus estendendo a mão tocou-lhe, dizendo: -  “Quero, fica limpo!”  E imediatamente ele ficou curado de sua lepra.

Entrando Jesus em Cafarnaum, se apresentou um centurião (comandante de cem homens), implorando: - Senhor, o meu criado jaz em casa, de coma, paralítico, sofrendo horrivelmente. Jesus lhe disse: “Eu irei curá-lo.” Mas o centurião respondeu: - Senhor, não sou digno de que entreis em minha casa; mas apenas manda com uma palavra e o meu criado será curado. Pois também tenho soldados às minhas ordens e digo a um; vai e ele vai; e a outro vem e ele vem. Ouvindo isto, disse Jesus aos que o seguiam: “Em verdade vos afirmo que nem mesmo em Israel, achei fé como esta”. E naquele mesmo instante o servo foi curado.

Então se aproximando dele um escriba, disse: - Mestre, te seguirei para onde quer que fores.  Jesus lhe respondeu:  “As raposas têm os seus covis e as aves do céus, ninhos; mas o filho do homem não tem sequer uma pedra onde reclinar a cabeça”. Outro lhe disse: - Senhor te seguirei mais me permite ir primeiro sepultar meu pai. Replicou-lhe Jesus: “Segue-me e deixa aos mortos, sepultar os seus mortos.” (Explicação: Deixa aos mortos das verdades que eu estou ensinando e que já tens conhecimento, sepultar os outros que estão mortos fisicamente.).

Marcos nos diz que dias depois, entrou Jesus de novo em Cafarnaum e logo começou a pregar e todos ficaram sabendo. Vieram quatro homens conduzindo um paralítico e não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, subiram ao telhado da casa e fazendo uma abertura no ponto em que se encontrava Jesus, baixaram o leito em que jazia o doente. Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: “Filho, os teus pecados estão perdoados. Levanta-te, toma o teu leito e vai para casa”.  Então ele se retirou andando a vista de todos. Achando-se Jesus mais tarde, à mesa na casa de Levi, e com Ele os apóstolos e muitos publicanos e pecadores. Os fariseus vendo-o comer na companhia destes, perguntavam aos discípulos: - Por que come o Mestre com os publicanos e pecadores?  Jesus ouvindo isto, respondeu-lhes: “Os são não precisam de médico, mas sim os doentes; não vim chamar os justos, mas os pecadores”.

Jesus voltando a pregar entrou num barco e o povo ficou na praia. Então Jesus lhes disse: “Ouvi. Saiu o semeador a semear. E ao semear, uma parte caiu à beira do caminho e vieram as aves e a comeram. Outra mais caiu em solo rochoso onde a terra era pouca, nasceu, porém o sol a queimou; outra parte caiu entre os espinhos, e os espinhos cresceram e a sufocaram e não deu fruto. Outras enfim, caíram em boa terra e deram fruto e cresceu produzindo, cem por um”. E acrescentou: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”. – Quando Jesus ficou só, os apóstolos o interrogaram a respeito da parábola. Então Jesus lhes perguntou: - Não entendeis esta parábola? – “O Semeador semeia a palavra. Os da beira do caminho ouvem, logo vem outro e tira a palavra semeada neles. Semelhantes a estes, os semeados em solo rochoso, os quais ouvindo a palavra, logo a recebem com alegria. Porém lhes chegando á angústia por causa da palavra logo a desprezam. Os semeados entre os espinhos são os que ouvem a palavra, mas os cuidados do mundo, a fascinação da riqueza e as demais ambições, sufocam a palavra, ficando ela infrutífera. Os semeados em boa terra são aqueles que ouvem a palavra, a recebem, frutificando a cem por um”. E passou então a lhes contar outras parábolas. A do grão de mostarda, da ovelha perdida, do filho pródigo, etc. etc.

E eis que certo homem interprete da lei, se levantou com o intuito de por Jesus à prova e disse-lhe: - Mestre, que farei para herdar a vida eterna? – Então Jesus lhe perguntou: “O que está escrito na lei? Como interpretas?” Ele respondeu: - Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda tua alma, de toda a tua força e de todo o teu entendimento; e amarás o teu próximo como a ti mesmo. Então Jesus lhe disse: “Faze isso e viverás”. Ele querendo justificar-se perguntou a Jesus: - Quem é o meu próximo? Jesus então lhe apresentou uma parábola. – Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e veio a cair em mãos de salteadores que lhe roubaram e causaram muitos sofrimentos, e retiraram-se, deixando-o semimorto. Casualmente descia um sacerdote por aquele mesmo caminho e, vendo-o, passou ao largo. Em seguida veio um levita passou-lhe perto e vendo-o também passou ao largo. Certo samaritano, que seguia o seu caminho, passou-lhe perto, e vendo-o, compadeceu-se dele, e chegando-se, aplicou-lhe óleo e vinho em seus ferimentos, e, colocando-o sobre seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e tratou dele. No dia seguinte, tirou dois denários e os entregou ao hospedeiro, dizendo: - Cuida deste homem e se alguma coisa gastares a mais, eu te indenizarei quando voltar. Concluída a parábola, Jesus perguntou:  “Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem assaltado?” Respondeu-lhe o intérprete da lei: - O que usou de misericórdia para com ele. Então Jesus lhe disse:  “Vai e procede de igual modo”.

Certa feita, estando Jesus à mesa e os fariseus vendo que alguns apóstolos dele comiam sem lavar as mãos, perguntaram a Jesus, por que eles não atendiam a tradição? Respondeu-lhes Jesus: “Bem profetizou Isaias a respeito de vós, como está escrito: -Este povo honra-me com os lábios, mas seu coração está longe de mim.  Em vão me adoram, ensinando preceitos que são dos homens”. E convocando Jesus a todos, disse-lhes: “Ouvi-me todos e entendei. Nada há fora do homem que entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai da boca do homem é o que o contamina”. Mais tarde os apóstolos o interrogaram acerca da parábola. Jesus lhes disse: “Vós também não entendeis?” Ouvi: “Tudo o que de fora entra no homem não pode contaminar porque não lhe entra no coração, mas no ventre. O que sai do homem, isso é o que o contamina, porque de dentro do coração é que procede os maus atos, a avareza, o dolo, a blasfêmia, a inveja, a calúnia, o ódio, o egoísmo. Todos estes males vem de dentro e contaminam o ser humano”.

Outra vez se reuniu grande multidão a ouvi-lo e não tendo eles o que comer, chamou Jesus os apóstolos e lhes disse: “Tenho compaixão dessa gente, porque há três dias que permanecem comigo. Se eu os despedir para suas casas, desfalecerão pelo caminho”. Jesus então lhes perguntou:  “Quanto pão tende?”  Responderam eles: - Cinco pães e dois peixes. Então Jesus lhes ordenou que se assentasse sobre a relva e tomando os cinco pães e os dois peixes, os abençoou e os deu aos apóstolos para que  repartissem, e todos comeram e se fartaram e dos restos, ainda recolheram doze cestos. E os que comeram eram cerca de cinco mil pessoas. João, no seu Evangelho, nos diz que havia entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos. Este, de noite, foi ter com Jesus e lhe disse: - Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus, porque ninguém pode fazer o que tu fazes se Deus não estiver com ele. Ao que Jesus respondeu:  “Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus”.  Perguntou-lhe Nicodemos: - Como pode um homem, nascer, sendo velho? Pode porventura, voltar ao ventre materno e nascer uma segunda vez? Respondeu-lhe Jesus: “Em verdade te digo: Quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus. Não te admires de eu te dizer: Importa-vos nascer de novo”. Então lhe perguntou Nicodemos: - Como pode isso acontecer? Respondeu Jesus: “Tu és mestre em Israel e não compreendes estas coisas?”

De volta à Galileia, passava pela Samaria. Chegando Ele a cidade de Sicar, onde estava á fonte de Jacó, cansado da viagem, despachou os apóstolos para comprar alimento e assentou-se Jesus junto à fonte. Nisto veio uma mulher samaritana tirar água do poço. Disse-lhe Jesus: “Dá-me de beber”. A samaritana lhe disse: - Como sendo tu judeu, pedes água a mim que sou samaritana? Replicou-lhe Jesus: “Se conheceres o dom de Deus, e quem é que te pede água, tu lhe pedirias e Ele te daria da água viva. Quem beber desta água tornará a ter sede; aquele, porém, que beber da água que eu lhe der, nunca mais terá sede; a água será uma fonte a jorrar para a vida eterna”.  Disse-lhe a mulher: - Senhor dá-me dessa água para que eu não mais tenha sede, porque vejo que és um profeta. Nossos pais adoravam neste monte; os judeus dizem que se deve adorar no Templo. Disse-lhe Jesus: “Mulher, podes crer, vem á hora e já chegou, quando os verdadeiros adoradores, adorarão o Pai, em Espírito e Verdade, porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é Espírito e importa que os seus adoradores o adorem em Espírito e Verdade”.

Mateus relata que seis dias depois, Jesus toma consigo a Pedro, e aos irmãos Tiago e João e os leva a um alto monte. Ali se transfigura diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol, e eis que lhes aparecem os Espíritos de Moisés e Elias falando com Ele. De repente vindo das nuvens, uma voz dizia: “Este é o meu filho amado”. Ouvindo-a, os apóstolos caíram de bruços, tomados de medo. Jesus aproximando-se deles, tocou-lhes dizendo: “Erguei-vos e não temais”. Os apóstolos o interrogaram: - Por que dizem os escribas ser necessário que Elias venha primeiro?  Jesus respondeu: “De fato Elias virá. Eu porém vos declaro que Elias já veio e não o reconheceram e fizeram com ele tudo quanto quiseram”. Então os apóstolos entenderam que Ele lhes falava a respeito de João Batista. Lucas narra que a caminho de Jerusalém, passava Jesus pela Samaria e quando entrava numa aldeia, saíram-lhe ao encontro, dez leprosos, que ficaram de longe a lhe gritarem, dizendo: - Jesus, Mestre, compadece-te de nós!  Ao vê-los, compadeceu-lhes, curou-os e disse-lhes Jesus: ”Ide e mostrai-vos aos sacerdotes”. Purificados eles se foram. Um dos dez que fora curado voltou dando glórias a Deus e postou-se aos pés de Jesus, agradecendo-lhe; e este era samaritano!  Então Jesus lhe perguntou: “Não eram dez os que foram curados; onde estão os outros nove?  Não houve quem voltasse para dar glórias a Deus, senão este estrangeiro? Vai, a tua fé te curou!”

Certo homem de posição perguntou-lhe: - Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Respondeu-lhe Jesus: “Por que me chamais bom? Ninguém é bom senão Deus. Sabes os mandamentos?” Replicou o jovem rico: -Tenho seguido eles desde a minha juventude. Ouvindo-o Jesus disse-lhe: “Uma coisa ainda te falta. Vende tudo o que tens, dá aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois vem e segue-me”. (Jesus havia penetrado no íntimo do jovem e havia notado que ele era muito apegado às coisas terrenas, e para testá-lo havia lhe sugerido a venda)  O jovem  ouvindo  estas  palavras, ficou muito triste, porque era riquíssimo. E Jesus vendo-o triste, disse: “Quão difícil é entrar no reino de Deus, os que têm riquezas! Porque é mais fácil passar um camelo (corda feita do pelo do animal) pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus. Porque onde estiver o tesouro aí estará também o coração”.

Chegando a Cafarnaum, os apóstolos o interrogaram: - Quem é porventura, o maior no Reino dos Céus? Jesus lhes respondeu: “Aquele que quiser ser o primeiro que seja o último, o que quiser ser o maior, que seja o servo dos outros”.  E Jesus chamando uma criança, colocou-a no meio deles e disse: “Em verdade vos digo que, se não vos converteres e não vos tornardes como uma criança, de modo algum entrareis no reino dos céus. E quem receber uma criança, em meu nome, a mim recebe. Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas e uma delas se extraviar, não deixará nos montes as noventa e nove, indo procurar a que se extraviou? Assim pois, não é da vontade de vosso Pai Celestial que pereça um só destes pequeninos”. Certo dia, assentado diante do gazofilácio (cofre onde se depositava as esmolas para o templo), observava Jesus, como o povo depositava sua oferta. Ora, muitos ricos depositavam grandes quantias. Vindo, porém, uma viúva pobre, depositou somente duas pequenas moedas. Jesus então chamando os apóstolos, disse-lhes: “Em verdade vos digo que esta viúva pobre depositou mais do que fizeram todos os demais. Porque eles ofertarem do que lhes sobrava; ela, porém, da sua pobreza, deu tudo quanto possuía”.

João nos diz que, Jesus voltando certo dia para o templo, os escribas e fariseus trouxeram à sua presença, uma mulher surpreendida em adultério, e, fazendo-a ficar de pé diante de todos, para tentá-lo, e fazê-lo contrariar a lei, disseram a Jesus: - Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. E na lei de Moisés, tais mulheres são apedrejadas; tu, pois, que dizes? Mas Jesus nada falou. Como insistissem na pergunta, Jesus lhes disse: “Aquele que dentro vós não tenhais pecados, seja o primeiro a atirar a pedra”.  Ouvindo eles, aquela resposta e acusados pela própria consciência, foram-se retirando um a um, ficando somente Jesus e a mulher. Jesus então lhe perguntou: “Onde estão os teus acusadores? Ninguém te condenou?” Respondeu ela: - Ninguém, Senhor. Então Jesus disse-lhe: “Nem eu também te condeno; vai e não peques mais”.
                                                                       
Mateus nos diz que tendo Jesus saído do templo, os apóstolos lhe mostraram as construções do templo. Jesus, porém lhes disse: “Vedes tudo isso? Em verdade vos digo que não ficará aqui, pedra sobre pedra, que não seja derrubada”. Jesus estando no Monte das Oliveiras, os seus apóstolos lhe pediram: - Dize-nos quando sucederão estas coisas. Ele respondeu: “Vede que ninguém vos engane. Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo e enganarão a muitos. E por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará em muitos. Então se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo ou ei-lo ali! Não acrediteis; porque assim como o relâmpago sai do oriente e vai até o ocidente, assim há de ser a volta do Filho do Homem. E quando Ele vier se assentará no trono da sua glória. Então dirá aos que estiverem à sua direita: - Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos foi preparado, porque eu tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, estava ao relento e me abrigastes, estava nu e me vestiste, enfermo e fostes me visitar.  Então perguntarão os justos: -  Senhor quando foi que te demos de comer, te demos de beber, te hospedamos, te vestimos e te fomos visitar, que não sabemos? Então Ele lhes responderá: “Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus mais humildes e pequenos irmãos, a mim mesmo o fizestes”.

Comemorava-se a páscoa, e Jesus sabendo que era chegada a sua hora de passar deste mundo para a vida espiritual, levantou-se da mesa, onde se encontrava com seus apóstolos, e tomando uma toalha; depois deitou água numa bacia e passou a lavar os pés dos apóstolos e a enxugar-lhes com a toalha. Aproximando-se de Simão Pedro, este lhe disse: - Senhor, tu queres me lavar os pés? Respondeu-lhe Jesus: “O que faço, não o sabes agora, porém compreendê-lo-ás depois”. (A ação de Jesus era uma lição de humildade). Retornando à mesa, disse-lhes: “Ainda por pouco tempo, estou convosco e um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; assim como Eu vos amei. Nisto, conhecerão que sois meus discípulos”. Então lhe perguntou Pedro: - Senhor, para onde vais? Respondeu Jesus: “Para onde vou, não me podes seguir agora; mais tarde porém, me seguirão”. Replicando,  Pedro disse: - Senhor por que não posso seguir-te? Por ti, darei a própria vida. Respondeu-lhe Jesus: “Darás a tua vida por mim? Em verdade te digo que antes do galo cantar, me negarás por três vezes”. E virando-se para os demais apóstolos, disse Jesus: “Não se turbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai, há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E vós sabeis o caminho para onde vou”. Disse-lhe Tomé: - Senhor, não sabemos para onde vais, como saber o caminho? Respondeu-lhe Jesus: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; e ninguém vai ao Pai senão por mim. Em verdade vos digo que aquele que crer em mim, fará também as obras que faço. E tudo que pedirdes em meu nome, isso farei, para que o Pai seja glorificado. Se me amais, guardareis os meus mandamentos, e Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador. O Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conhecereis, porque ele estará em vós. Isto vos tenho dito, estando ainda convosco; mas o Consolador, o Espírito de Verdade, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito. Deixo-vos a Paz; a minha Paz vos dou. Se me amais, alegrai-vos de que eu vá para o Pai que é maior do que eu. Como o Pai me amou, também vos amei. Vou para junto daquele que me enviou; porque se eu não for, o Consolador não virá para vós outros. Quando vier o Espírito de Verdade, ele vos guiará a toda a Verdade e vos anunciará as coisas que hão de vir...”  Após Jesus ter lhes falado isso, se retirou com os apóstolos até o Monte das Oliveiras onde começaria o seu martírio.

Prezados irmãos e irmãs, findo o relato da vida e dos ensinamentos de Jesus, faço pequenos comentários sobre o assunto.

Como os sofrimentos, a condenação, a crucificação e a morte do corpo físico de Jesus, representam para mim, uma mancha negra na história da Humanidade, e os seus sofrimentos só me trás tristeza e vergonha, fruto da ignorância, da maldade e do desamor dos nossos antecessores em existências terrenas, e que bem podem ter sido nós mesmos os seus algozes, em existências passadas, deixei de mencionar essas passagens, em minha exposição, sobre a vida de Jesus na Terra. É lamentável que os sofrimentos e a morte infligida ao corpo físico de Jesus, seja transformado em encenações que envergonham a Humanidade, demonstrando o nosso grau de inferioridade, dando destaque aos sofrimentos de Jesus, que veio até nós, pobres mortais ignorantes e atrasados espiritualmente, a fim de nos ensinar o Amor e a Fraternidade. Parece que as pessoas sentem prazer em ficar revivendo e perpetuando através do tempo, o que de pior aconteceu com Jesus; vejam como exemplo os crucifixos que são expostos em muitas partes e também no pescoço de muitas pessoas, como um símbolo religioso, esquecendo, eles, que a cruz é um instrumento de tortura e morte, como a força, a fogueira, a decapitação, a guilhotina, e recentemente o fuzilamento, a injeção letal, a cadeira elétrica e a câmara de gás...

A Páscoa, que é uma comemoração dos judeus, nada tem com o Cristianismo. Nós cristãos, nos alegramos com á Ressurreição de Jesus, comprovando a Imortalidade da alma (Espírito em um corpo físico). 
Esquecidos são os seus ensinamentos e seus exemplos dignificantes de caridade e amor, por grande parte da humanidade, que não os seguem, limitando-se ás vezes a orações prolongadas e repetitivas, sem as modificações interiores para o exercício da caridade e do amor ao próximo, para  merecerem as bênçãos do Divino Mestre. Tempo virá, e está próximo, após a turbulência que estamos vivendo, em que somente as lições de humildade, caridade, amor e paz, serão lembradas, quando falarmos da vinda do Mestre Amado a Terra. Nesse tempo a Humanidade já terá evoluído para um estágio, em que o sofrimento e a morte não serão mais peças encenadas, propaladas ou comercializadas pelas pessoas da Terra.

Voltemos ao Evangelho; Lucas nos diz que no mesmo dia da ressurreição, dois discípulos estavam a caminho da aldeia de Emaús. Eles iam conversando a respeito das coisas sucedidas, e aconteceu que o próprio Jesus se aproximou e ia com eles. Os seus olhos estavam como que impedidos de reconhecerem-no. Então Jesus lhes perguntou: “Que é isso que vos preocupa e que tratam à medida que caminhais?” O que se chamava Cléopas, respondeu dizendo: - És o único que não sabe o que aconteceu a Jesus, o Nazareno que era um profeta poderoso em palavras e obras diante de Deus, e que os sacerdotes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram? Quando se aproximavam da aldeia, Ele fez menção de seguir adiante. Eles então disseram: - Fica conosco porque é tarde. E aconteceu que, quando estavam à mesa, tomando Ele o pão, abençoou-o e tendo partido, lhes deu; então se lhes abríramos os olhos e o reconheceram; mas ele desapareceu da presença deles. João narra que, ao cair da tarde do dia seguinte, trancadas as portas da casa onde estavam os apóstolos com medo dos judeus, veio Jesus, põe-se no meio deles e disse-lhes ”Paz seja convosco!” E dizendo isto, lhes mostrou as mãos. Mas Tomé um dos apóstolos não estava quando Jesus veio. E os apóstolos disseram-lhe: -Vimos o Mestre. Mas ele respondeu: - Se eu não vir nas mãos o sinal dos cravos, e ali não puser o meu dedo, de modo algum acreditarei. Passados oito dias, estavam eles outra vez reunidos e Tomé com eles. Estando as portas novamente trancadas, veio Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes “Paz seja convosco”. E logo disse a Tomé: “Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; não seja incrédulo”. Respondeu-lhe Tomé: - Senhor meu e Mestre meu! Disse-lhe Jesus: “Porque me viste creste? Bem-aventurados os que não viram e creram”. (Observamos nestas passagens duas situações distintas. Jesus em Espírito se encontra com seus seguidores, assumindo um corpo fluídico para se fazer conhecer,  idêntico ao físico, o mesmo aconteceu para provar a Tomé que era ele mesmo.)                                                                                                                      

Muitos dias passados após a ressurreição,  Jesus veio ter com  seus apóstolos  e seguiu com eles para Betânia e falou-lhes: “Toda a autoridade me foi dada na Terra. Ide e pregai o Evangelho, por todo o mundo e a toda a criatura. Ide portanto, fazei discípulos em todas as nações; pregai o Evangelho, ensinando-os a guardar o que vos tenho ensinado. E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos...”  E abençoando-os, ia se retirando deles, sendo elevado para o alto; e os seus apóstolos o acompanhavam com os olhos, até que Ele sumir entre as nuvens...

Irmãos, devemos sempre lembrar o nosso Divino Mestre Jesus, não como morto, crucificado, mas como Vida; não como uma sombra, mas como extraordinário raio de Luz; não em agonia, mas em Paz; não com tristeza, mas com Alegria e Amor, pois Ele mesmo afirmou:
                             
       “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida...”


Bibliografia:
“O Novo Testamento”
+ Comentários e acréscimos.

Jc.
São Luís, 09/04/1998
Refeito em 30/3/2015
      

domingo, 29 de março de 2015

A BOA NOVA - 1ª Parte





 A  BOA  NOVA         1ª  Parte
Hoje, vamos transcrever alguns trechos dos trinta capítulos que constam do livro “Boa Nova”, do Espírito  de Humberto de Campos, psicografia de Francisco Candido Xavier.
1- Boa Nova. Os historiadores do Império Romano sempre observaram com espanto os profundos contrastes da gloriosa época de Caio Júlio César Otávio, que chegara ao poder, por uma série de acontecimentos felizes. Uma nova era principia com aquele jovem enérgico e magnânimo. É que os historiadores não perceberam na  época de Otávio, o século do Evangelho ou da Boa Nova. É por essa razão que o ascendente místico da era de Caio se traduzia na paz e no júbilo do povo que se sentia no limiar de uma transformação celestial.
2- Jesus e o Precursor.  Após a famosa apresentação de Jesus no Templo de Jerusalém, Maria recebeu a visita de sua prima Isabel e de seu filho, em sua casa de Nazaré. Izabel dizia, com carinhoso sorriso, que ficava espantada com o temperamento de João, dado às mais fundas meditações, apesar da pouca idade. – Essas crianças, a meu ver – respondeu-lhe Maria, com um brilho suave nos olhos, - trazem para a Humanidade a luz divina de um caminho novo. Transcorridos alguns anos, vamos encontrar João Batista na sua tarefa de preparação do caminho à verdade, precedendo o trabalho divino do amor, que o mundo conheceria em Jesus.
3- Primeiras Pregações.  Nos primeiros dias do ano 30, antes de suas gloriosas manifestações, Jesus demandou o oásis de Jericó e de lá se dirigiu então a Jerusalém, onde repousou, ao cair da noite. Sentado como um peregrino, nas adjacências do Templo, Jesus foi notado por um grupo de sacerdotes que se sentiram atraídos pela sua formosa originalidade e pelo seu olhar lúcido, e se afastaram sem maior interesse. No dia seguinte, pela manhã, após contemplar as maravilhas do santuário, tomou o caminho da Galileia distante.
Em breves instantes, depois de passar por Nazaré e descansar em Caná, seguiu Ele para a cidadezinha de Cafarnaum, como se procurasse algum amigo que estivesse à sua espera. Em instantes, Ele estava ás margens do Tiberíades e se dirigiu a um grupo de pescadores, como se, de antemão, os conhecesse.  Jesus aproximou-se, e assim que dois deles                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                 desembarcaram em terra, falou-lhes com amizade: - Simão e André, filhos de Jonas, venho da parte de Deus e vos convido a trabalhar pela instituição de seu reino na Terra! – André lembrou-se de já o ter visto, enquanto Simão Pedro surpreendido, o contemplava enleado. Mas, quase a um só tempo, exclamaram respeitosamente: - Sede bem-vindo!...
O Senhor esboçou um sorriso sereno e inquiriu generosamente: Quereis serem meus discípulos? – André e Simão se interrogaram a si mesmo, porém, como explicar aquela fonte de confiança e amor que lhes brotava no âmago e, sem hesitarem, responderam simultaneamente: - Senhor seguiremos os teus passos. Jesus os abraçou com ternura e se dirigiram, em seguida, para o centro de Cafarnaum, e Ele entrou na coletoria e avistando um funcionário, conhecido publicano da cidade, perguntou-lhe: - Que fazes tu Levi? – O interpelado seduzido pelo suave magnetismo de seu olhar, respondeu: - Recolho os impostos do povo, devidos a Herodes. – Queres vir comigo para recolher os bens do céu? Perguntou-lhe Jesus, com doçura. - Levi, que serias mais tarde o apóstolo Mateus, atendeu, comovido, dizendo: - Senhor estou pronto! – Então vamos – disse Jesus abraçando-o.
Nesse mesmo dia, o Mestre fez a primeira pregação da Boa Nova na praça, situada naturalmente junta ás águas. Jesus contemplou a multidão                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                            e enviou-lhe um sorriso de satisfação. Ele aproveitaria o sentimento como mármore precioso e a boa-vontade como cinzel divino. Os ignorantes, os fracos, os sofredores, os desalentados, os doentes e os pecadores seriam em suas mãos o material de base para a sua construção eterna e sublime. Converteria toda miséria e toda dor num cântico de alegria e, tomado pelas inspirações de Deus, começou a falar da maravilhosa beleza do seu reino.
4- A Família Zebedeu.  Na manhã que se seguiu à primeira manifestação da sua palavra defronte do Tiberíades, o Mestre se aproximou de dois jovens que pescavam nas margens e os convocou para o seu apostolado, dizendo: - Filhos de Zebedeu desejais participar das alegrias da Boa Nova?!  Tiago e João, que já conheciam as pregações do Batista e que o tinham ouvido na véspera, tomados de emoção se aproximaram dele, transbordantes de alegria: - Mestre! Mestre! – exclamavam felizes. Os dois rapazes galileus eram generosos, tinham carinhosas, simples, ardentes e sinceras as almas. João tomou das mãos do Senhor e beijou-as, enquanto Jesus lhe acariciava os macios cabelos. Tiago, como se quisesse hipotecar a sua solidariedade, aproximou-se do Mestre e lhe colocou a mão sobre os ombros, com sincero carinho. Ao entardecer, foram para a casa de Simão. Enquanto os dois apóstolos fitavam em Jesus os olhos calmos, Zebedeu que tinha chegado, o contemplava como se tivesse à sua frente o maior profeta do seu povo. O velho pescador dando expansão ao seu entusiasmo disse: - Senhor! Senhor! Trabalharemos convosco, pregaremos o vosso Evangelho, aumentaremos o número dos vossos seguidores!... Ouvindo estas palavras, o Mestre elucidou, pondo ênfase nas suas palavras: - Ouve Zebedeu! Nossa causa não é a do número; é a da verdade e do bem.  – Senhor, então o Evangelho não será bom para todos?  Replicou o Mestre: - Em verdade, a mensagem da Boa Nova é excelente para todos; contudo, nem todos os homens são ainda bons e justos para aceitá-la. É certo que ela um dia será a causa do mundo inteiro, mas até lá precisamos combater o mal; por enquanto, o número pertence aos movimentos da iniquidade, porém os filhos de Deus vivem para o bom combate!                                   
5- Os Discípulos.  Eram nas proximidades de Cafarnaum, que o Mestre reunia os seus seguidores.  Depois de uma das suas pregações, chamou Ele os doze companheiros que seriam os intérpretes de suas ações e de seus ensinos.  Pedro, André e Felipe eram filhos de Betsaida, de onde vinham também Tiago e João, filhos de Zebedeu, Levi, Tadeu e Tiago menor, filhos de Alfeu e sua esposa Cleofas, parenta de Maria, eram nazarenos e amavam a Jesus, sendo muitas vezes chamados “os irmãos do Senhor”, em vista de suas profundas afinidades afetivas. Tomé era filho de um antigo pescador de Dalmanuta e Bartolomeu nascera de uma família de Caná da Galiléia. Simão, o zelote, deixara sua terra em Canaã para ser pescador, somente um deles, Judas, nascera em Iscariotes e se dedicava ao comércio em Cafarnaum. O reduzido grupo do Messias logo experimentou certa dificuldade para harmonizar-se. De vez em quando, o Mestre os surpreendia em discussões sobre qual deles serias o maior no reino de Deus, outras vezes, qual deles revelava sabedoria maior no campo do Evangelho.
Iniciando-se o período de trabalhos ativos, o Mestre reuniu os doze em casa de Simão Pedro e lhes ministrou as primeiras instruções referentes ao grande apostolado: Não penetrareis nos centros de discussões estéreis. Trabalhai em curar os enfermos, limpar os leprosos, esclarecei os que se acham nas sombras dos crimes e os que se encontram em trevas, dando de graça o que de graça a vós for concedido. Quando penetrardes nalguma casa, saudai-a com amor; se essa casa merecer a vossa dedicação, desça sobre ela a vossa paz; se não for digna, essa paz retorne aos vossos corações. Porque não somos nós que falamos; mas o nosso Pai é que fala por todos nós. Os que me seguirem serão desprezados, odiados e perseguidos por minha causa, mas aquele que perseverar, será salvo. Se os adversários da luz vão reunir contra mim as tentações, as zombarias e a crueldade, o que não farão aos meus discípulos? – Judas se adiantou para o Mestre e disse:  - Senhor, os vossos planos são justos, entretanto, nada poderemos edificar sem a contribuição de algum dinheiro. E pretextando a necessidade de incentivar a grande causa, o filho de Iscariotes fez a primeira coleta entre os discípulos.  Depois exclamou satisfeito: - Senhor, a bolsa é pequena, mas constitui o primeiro passo para realizar alguma coisa... Jesus fitou-o serenamente e disse em tom profético: Sim, Judas, a bolsa é pequena, contudo, permita Deus que nunca sucumbas ao seu peso!
6- Fidelidade a Deus.  Depois das primeiras prédicas de Jesus, sobre a edificação do reino de Deus, que exigia trabalho dos discípulos, esboçou-se  um leve movimento de incompreensão. Por que a Boa Nova reclamaria tamanhos sacrifícios? –Após ouvir-lhes as dúvidas, Jesus ponderou:  Não podemos duvidar do amor do Pai para conosco e Sua dedicação nos cerca desde o primeiro dia. Ainda não o conhecíamos e Ele já nos amava. Não seria repudiarmos o título de filhos amorosos, o fato de nos deixarmos absorver no afastamento, favorecendo a negação? Tudo na vida tem um preço que lhe corresponde. Se vacilardes receosos ante as alegrias do trabalho e as bênçãos do sacrifício, meditai nos tributos que a fidelidade ao mundo exige; o prazer não costuma cobrar imposto alto e doloroso? Tiago então contou a história de um amigo que acabou com a saúde por excessos nos prazeres condenáveis; Tadeu então falou de um conhecido que ganhou fortuna e se tornou tão avarento a ponto de se privar do necessário, que terminou sendo assassinado pelos ladrões;  Pedro recordou o caso de um pescador que sucumbiu tragicamente, por efeito de sua desmedida ambição. Jesus, depois de ouvi-los, perguntou: - Não achais enorme o tributo que o mundo exige dos que se apegam aos seus gozos e riquezas? Se o mundo pede tanto, por que não poderia Deus pedir-nos lealdade? Trabalhemos pelo seu reino na Terra; e, porventura, sabemos desde quando o Pai está trabalhando por nós? . . .
Um deles exclamou: - Mestre, não seria melhor fugirmos do mundo para viver na incessante contemplação do reino? Jesus respondeu: Que diríamos do filho que se conservasse em perpétuo repouso, junto de seu pai que trabalha sem cessar, no labor da grande família? Em verdade, ninguém pode servir a dois senhores; viver para os prazeres condenáveis da Terra e para as virtudes sublimes do céu. O   discípulo da Boa Nova tem de servir a Deus, servindo à sua obra neste mundo. O grupo dos apóstolos calara-se, impressionado. Então, todos, impulsionados por uma força interior, disseram, quase a um só tempo:  - Senhor, seremos fiéis! . . .
7- A Luta contra o mal. De todas as ocorrências na área apostólica, os encontros do Mestre com os endemoninhados constituíam os fatos que mais impressionavam os discípulos. A palavra “diabo”, segundo o sentido exato da expressão, era o adversário do bem, simbolizando dessa forma, todos os maus sentimentos que dificultavam o acesso das almas à aceitação da Boa Nova, bem como, todos os homens e espíritos de vida perversa, que combatiam os propósitos da existência pura, que deveriam caracterizar as atividades dos adeptos do Evangelho.
Dentre os seguidores do Mestre, Tadeu era o que mais se deixava impressionar por essas cenas dolorosas. Quando os pobres obsidiados deixavam escapar um suspiro de alívio, Tadeu volvia os olhos para Jesus maravilhado. Certo dia em que Jesus se retirara para Cesaréia de Felipe, uma pobre demente lhe foi trazida para que ele, Tadeu, anulasse a atuação do espírito perturbador que a subjugava. Apesar de todos os esforços de sua boa-vontade, Tadeu  não conseguiu  modificar  a situação.  Somente no dia seguinte, com a presença de Jesus, à infeliz demente recuperou a sua normalidade. Tadeu ficou a cismar.  Por que o Mestre não tinha lhe transmitido o poder de expulsar os demônios? Se era tão fácil a Jesus a cura dos doentes, por que motivo não fazia ele a aproximação de todos os inimigos da luz, a fim de que, pela sua autoridade, fossem definitivamente convertidos ao reino de Deus?
Certa noite após ouvir as ponderações de Tadeu, Jesus lhe perguntou: - Tadeu, qual o principal objetivo da tua vida? Ele respondeu: - Mestre tenho procurado realizar o reino de Deus no coração. Jesus então lhe disse: - Se procuras essa realidade, por que a reclamas no adversário em primeiro lugar? Se buscarmos alcançar a sabedoria e o amor de Nosso Pai, indispensável se faz reconhecer que todos somos irmãos no mesmo caminho..!  - Senhor, os espíritos do mal são também nossos irmãos? – inquiriu o apóstolo. Jesus respondeu: - Toda a criação é de Deus. Os que vestem a túnica do mal, um dia envergarão a da redenção pelo bem. O discípulo do Evangelho não combate o seu irmão, como Deus nunca entra em luta com seus filhos; aquele apenas combate toda manifestação de ignorância, assim como o Pai trabalha pela vitória do seu amor, junto da humanidade. Tenho aceitado a luta como o Pai me envia e tenho esclarecido que a cada dia basta o seu trabalho. Capacita-te de que ninguém pode dar a outrem aquilo que ainda não possua no coração. Vai! Trabalha sem cessar pela tua melhora; zela por ti e ama a teu próximo, sem olvidares que Deus cuida de todos...
8- Bom Ânimo. O apóstolo Bartolomeu foi um dos mais dedicados a Jesus, desde os primeiros tempos das pregações junto ao Tiberíades. Entretanto, Bartolomeu era triste e, vezes outras, o Senhor o surpreendia em meditações profundas. Uma noite, enquanto os outros estavam ocupados, Jesus aproveitou para lhe falar mais demoradamente. Após Jesus lhe fazer uma interrogativa, Bartolomeu deixou falar o seu espírito: - Mestre, não saberia explicar o porquê de minhas tristezas; só sei dizer que o vosso Evangelho me enche de esperanças para o reino de luz que nos espera, além, nas alturas... Quando falastes que o vosso reino não é deste mundo, experimentei uma nova coragem para atravessar as misérias do caminho da Terra, pois, aqui, o mal parece obscurecer as coisas mais puras!...
Por toda parte, é a vitória do crime, o jogo das ambições, a corrupção e a colheita dos desenganos!... Jesus fitou-o e lhe falou com serenidade: - A nossa doutrina, entretanto, é a do Evangelho ou da Boa Nova, e já viste Bartolomeu, uma boa notícia não produzir alegria? Se já tive ocasião de ensinar que o meu reino ainda não é deste mundo, isso não quer dizer que eu desdenhe o trabalho de estendê-lo, um dia, aos corações que mourejam na Terra. Achas, então, que eu teria vindo a este mundo, sem essa certeza confortadora? O Evangelho terá de florescer, primeiramente, na alma das criaturas, antes de frutificar para o espírito dos povos. Venho de meu Pai, cheio de fortaleza e esperança, e a minha mensagem há de proporcionar grande júbilo a todos quantos a receberem no coração.
Houve um pequeno intervalo e Bartolomeu interrogou: - Mestre, os vossos esclarecimentos dissipam os meus pesares; mas o Evangelho exige de nós a fortaleza permanente? Jesus lhe disse: - A verdade não exige: transforma. O Evangelho não poderia reclamar estados especiais de seus discípulos; porém, é preciso considerar que a alegria, a coragem e a esperança devem ser traços constantes nas atividades de cada dia. – Mestre: não será justificável a tristeza quando perdemos um ente amado, perguntou, e Jesus lhe respondeu:  - Mas, quem estará perdido, se Deus é o Pai de todos nós? Se os que estão sepultados no lodo dos crimes hão de vislumbrar, um dia, a alvorada da redenção, por que lamentarmos, em desespero, o ente querido que partisse ao chamado de Deus? A morte do corpo abre as portas de um novo mundo para a alma. Ninguém fica órfão na Terra, como nenhum ser está abandonado, porque somos todos filhos de Deus...  Jesus entrou em silêncio, terminada a sua exposição e Bartolomeu se dirigiu para casa, recordando as razões de suas tristezas, mas, com surpresa, não mais as encontrou no coração.
No sábado seguinte, Jesus começou a pregar a Boa Nova, cercado de seus numerosos seguidores, e lançando um olhar sobre Bartolomeu que o contemplava, embevecido; a luz branda de seus olhos generosos penetrou fundo no íntimo do apóstolo e o pescador humilde experimentou a alma leve e feliz e escorreu uma lágrima no seu rosto. Era a primeira vez que chorava de alegria. O pescador de Dalmanuta aderira, para sempre, aos eternos júbilos do Evangelho do Reino de Deus.
9- Velhos e Moços.  Não era raro observa-se, na pequena comunidade dos discípulos, o entrechoque das opiniões, dentro do idealismo dos mais jovens. Muitas vezes, dividiam-se em discussões, relativamente aos projetos do futuro. João comentava os planos de luta, Tiago menor, seu irmão, falava do bom aproveitamento de sua juventude,  o jovem Tadeu fazia promessas maravilhosas, enquanto Pedro e André se punham a ouvir os companheiros. – Somos jovens – diziam – iremos à Terra inteira, pregaremos o Evangelho às nações, renovaremos o mundo...
Tão logo o Mestre permitisse, sairiam da Galileia, e pregariam as verdades do reino de Deus naquela Jerusalém cheia de preconceitos e de falsos intérpretes do pensamento divino. Sentiam-se fortes e bem dispostos e supunham-se os únicos discípulos habilitados a traduzir com fidelidade os novos ensinamentos. Apresentavam as suas vantagens, debatiam seus projetos imensos. E pensavam consigo: que poderia realizar Simão Pedro, chefe de família? Levi também estava enlaçado pelas obrigações de cada dia. Simão, chamado o “zelote”, acompanhava as conversas, humilhado. Era mais velho que ou demais e suas energias, a seu ver, já não estavam boas para o serviço do Evangelho. Ouvindo as palavras dos filhos de Zebedeu, perguntava a si mesmo o que seria de seu esforço singelo, junto a Jesus.
Deixando-se impressionar, procurou entender-se com o Mestre, para tirar as dúvidas que lhe roíam o coração. Depois de expor os seus receios e vacilações, observou que Jesus o fitava sem surpresa, como se tivesse pleno conhecimento de suas emoções. O Mestre então falou: - Simão poderíamos acaso perguntar a idade de Nosso Pai? E se fôssemos contar o tempo na ampulheta, quem seria o mais velho de todos nós? A existência na sua expressão terrestre é como uma árvore. A infância é a sua ramagem verdejante; a mocidade se constitui de suas flores; a velhice é o fruto da experiência e da sabedoria. Há ramagens que morrem depois de receber o sol, e flores que caem ao primeiro sopro da primavera; o fruto, porém, é sempre uma benção de Deus. A ramagem é uma esperança, a flor uma promessa, o fruto é a realização. Só ele contém o doce mistério da vida, cuja fonte se perde no infinito da divindade!...
- Então senhor, a velhice é a meta do espírito? – perguntou Simão. Respondeu Jesus: - Não a velhice enferma, triste e amargurada que se conhece na Terra, mas a da experiência que edifica o amor e a sabedoria. Disse ainda Jesus: - Achas que os moços de hoje ou de amanhã poderão fazer alguma coisa sem os trabalhos dos que os precederam e dos que estão envelhecendo? Poderia a árvore viver sem a raiz; a alma sem Deus?! Lembra-te da tua parte de esforço e não te preocupes com a obra que pertence a Deus. Quando te cerque o burburinho da mocidade, procure  amar os jovens que revelem reflexão e trabalho, entretanto, não deixes de sorrir, igualmente, para os levianos e inconstantes: são crianças que pedem cuidado, abelhas que ainda não sabem fazer o mel. Esclarece-os, Simão, e não penses que outro homem possa efetuar, no conjunto da obra divina, o esforço que te compete. Vai e tem bom ânimo!... Dando Jesus por terminado o seu esclarecimento, Simão, o “zelote”, se retirou satisfeito, como se houvesse recebido no coração uma energia nova.
Nessa noite, Simão teve um sonho feliz para sua alma simples e acordando muito alegre, procurou o Senhor e beijo-lhe a humilde túnica, exclamando feliz: - Mestre, agora eu vos compreendo! Jesus contemplando-o com amor, disse-lhe: - Em verdade, Simão, ser moço ou velho, no mundo, não interessa!... Antes de tudo, é preciso ser de Deus! ..
10- O Perdão.  As primeiras peregrinações do Mestre e seus discípulos haviam alcançado bons triunfos. Eram doentes que agradeciam pelas curas, trabalhadores humildes que se enchiam de santas consolações ante as promessas divinas da Boa Nova. As atividades, entretanto, começaram a despertar a reação dos judeus rigoristas, que viam em Jesus um perigoso revolucionário.  O amor que o profeta nazareno pregava vinha quebrar antigos princípios da lei judaica. Os senhores da terra observavam as palestras dos escravos que demonstravam imenso júbilo; os mais egoístas pretendiam ver no profeta um conspirador vulgar que desejava insuflar a ira do povo contra Herodes; outras o julgavam um feiticeiro que era preciso evitar.
Foi assim que a viagem do Mestre a Nazaré redundou numa excursão de grandes dificuldades. Não foram poucos os adversários que o precederam na cidade, buscando lhe neutralizar a ação por meios de falsas notícias. Jesus sentiu a delicadeza da situação criada com a primeira investida dos inimigos de sua doutrina. Foram tamanhas ás discussões em Nazaré que reflexos nocivos se faziam sentir sobre seus discípulos. Jesus então calmamente ordenou a retirada, afastando-se da cidade. A maioria dos apóstolos estranhou que o Mestre nada fizesse, reagindo contra as envenenadas insinuações a seu respeito. Pedro e Felipe procuraram o Mestre, ansiosos pelo seu pronunciamento. – Mestre vos chamaram de servo de Satanás, e reagi prontamente! – dizia Pedro.  - Observamos que por vós mesmos nunca oporíeis a contradita e por isso revidamos aos ataques – dizia Felipe, convicto de haver prestado um bom serviço ao Mestre.
Jesus após meditar e saindo de suas reflexões, interrogou: - Acaso poderemos colher uvas nos espinheiro? - De modo algum me empenharia em Nazaré numa contradita estéril aos meus opositores. Felipe então atalhou: - Mestre, a verdade é que a maioria dos que comparecerem às pregações falava mal de vós! – Mas, não será vaidade exigirmos que toda a gente faça de nossa personalidade elevado conceito? – interrogou Jesus. –É indispensável considerarmos que o conceito é respeitável, mas, antes dele, necessitamos obter a aprovação legítima da consciência, dentro de nossa lealdade para com Deus. Felipe vendo que a resposta não lhe satisfazia, perguntou: - Senhor, vossos esclarecimentos são indiscutíveis, porém, nessa viagem a Nazaré; uns me acusaram de desordeiro e outros de mau entendedor de vossos ensinos. Se os próprios irmãos apresentam essas falhas, como há de ser o futuro do Evangelho? O Mestre respondeu: - Estas são perguntas que cada discípulo deve fazer a si mesmo. Mas, com respeito à comunidade, cumpre-me perguntar-te, Felipe: -  Já edificaste o reino de Deus no íntimo do teu espírito? – É verdade que ainda não, – respondeu o discípulo. Disse Jesus:- O que é indispensável é nunca perdermos de vista o nosso trabalho, sabendo perdoar com verdadeira espontaneidade no coração. Se na vida um companheiro nos parece insuportável, é possível que algumas vezes sejamos também considerados assim. Temos que perdoar e trabalhar pelo bem dos nossos adversários, e desculpar os que zombam da nossa fé. Nesse ponto,  Pedro atalhou-o dizendo: -  Mas, para  perdoar  não  devemos aguardar que o inimigo se arrependa? Jesus respondeu: - Pedro, o perdão não exclui a necessidade da vigilância, como o amor não prescinde da verdade. Foi quando, então, Pedro fez a sua célebre pergunta: - Senhor, quanta vez pecará meu irmão contra mim, que lhe hei de perdoar? Será até sete vezes? Jesus respondeu-lhe: - Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes.
11- O Sermão do Monte.  Com as primeiras claridades da Boa Nova, os enfermos e infelizes da sorte, habitantes de Betsaida, Corazim, Dalmanuta, Magdala e outras aldeias, enchiam as ruas de Cafarnaum em turbas ansiosas. Todos queriam o auxílio de Jesus, o benefício imediato de sua poderosa virtude.
Certo dia um pequeno grupo de infelizes procurou Levi. Desejavam explicações sobre o Evangelho do Reino, de modo a trabalharem com mais acerto dentro dos ensinos do Mestre. Levi manifestou certa estranheza e disse a eles: - O novo reino congregará todos os corações sinceros e de boa vontade, que desejem irmanar-se como filhos de Deus. Mas, que podeis fazer na situação em que vos encontrais? Os interpelados então chegaram a reconhecer as suas deficiências e retiraram-se tristes; porém, o Mestre pregaria àquela tarde no monte e talvez falasse dos ensinos de que necessitavam?! Decorridos alguns instantes, Jesus e André deram entrada na casa de Levi, e este a sorrir, relatou a ocorrência, com um comentário:  - Que conseguiria o Evangelho com esses aleijados e mendigos?  Jesus falou com bondade: - Levi, precisamos amar e aceitar a preciosa colaboração dos vencidos do mundo! Se o Evangelho é a Boa Nova, como não há de ser a mensagem divina para eles, tristes e deserdados da imensa família humana? Os vencedores da Terra não necessitam de boas notícias. Nas derrotas da sorte, as criaturas ouvem mais altas a voz de Deus.  Levi aproveitando pequena pausa, falou:  - Senhor, minhas observações são do desejo de apressar a supremacia do Evangelho, entre os que governam o mundo!   -Quem governa o mundo é Deus. Até que o tempo elimine as imperfeições, através de séculos de experiências necessárias, os triunfadores do mundo são pobres seres que caminham por entre tenebrosos abismos -  afirmou o Mestre. André e Levi de olhos úmidos escutavam o Senhor, quando chegaram Tiago, João e Pedro e o grupo se dirigiu para o monte.
O crepúsculo descia e centenas de criaturas se aglomeravam a fim de ouvirem a palavra do Senhor. O Mestre surgiu, deixando perceber que se dirigia aos vencidos e sofredores do mundo inteiro e como que esclarecendo o espírito de Levi, que representava a intelectualidade entre os discípulos. Foi nesse instante que Jesus pela primeira vez, pregou as Bem-aventuranças celestiais, dizendo: - Bem-aventurados os pobres e os aflitos! Bem-aventurados os sedentos de justiça e misericórdia! Bem-aventurados os pacíficos e os simples de coração!... E por muito tempo falou do Reino de Deus e das Bem-aventuranças. Quando Jesus terminou, muitas mães sofredoras e oprimidas lhe trouxeram os filhinhos para que ele os abençoasse. Anciães lhe beijavam as mãos; cegos e leprosos rodeavam-no com semblante radiante e diziam: - Bendito seja o filho de Deus! E Jesus acolhia-os, enviando o sorriso de sua afeição.
Levi sentiu uma emoção diferente que lhe dominava a alma. Observando os humildes que se retiravam, então o discípulo percebeu os pobres amigos que o visitaram à tarde, que desciam o monte, abraçados, com uma expressão de grande ventura, como se os animasse um júbilo sem limite, e quando Levi os abraçou transbordante, com a sinceridade de sua alma, o Mestre o contemplou enternecido e disse: - Levi, meu coração se rejubila hoje contigo, porque são também Bem-aventurados todos os que ouvem a palavra de Deus!...
12- Amor e Renúncia.  A noite caia sobre a paisagem de Cafarnaum e Jesus se recolhia à casa de Pedro em companhia dele. Simão, no entanto, ia pensativo como se guardasse uma dúvida no coração. Inquirido pelo Mestre, o apóstolo esclareceu: - Senhor, em face dos vossos ensinos, como deveremos interpretar a vossa primeira manifestação, transformando a água em vinho, nas bodas de Caná? Não se tratava de uma festa mundana? O vinho não iria cooperar para a embriaguez? Jesus compreendeu o alcance da interpelação e disse: - Simão Pedro conhece a alegria de servir a um amigo?  Pedro não respondeu pelo que o Mestre continuou: - As bodas de Caná foram um símbolo da nossa união na Terra. O vinho ali foi bem o da alegria com que desejo selar a existência do Reino de Deus nos corações. Estou com os meus amigos e amo-os. Os afetos da alma são laços que nos levam a Deus.
Saibamos santificar a nossa afeição, proporcionando aos nossos amigos o máximo de alegria; as mais belas horas da existência são as que empregamos em amá-los, atendendo as  suas satisfações íntimas. Simão, contudo, manifestando a estranheza que aquelas palavras lhe causavam, interpelou o Mestre: - E como deveremos proceder quando os amigos não nos entendam, ou quando retribuem com a ingratidão? Jesus lhe respondeu: - Pedro, o amor verdadeiro e sincero, nunca espera recompensa. A renúncia é o seu ponto de apoio, como o ato de dar é a essência da vida. A capacidade de sentir grandes afeições já é em si mesma um tesouro.
Dias depois, o Mestre, em seus ensinos, disse que todos os homens, que não estivessem decididos a colocar o Reino de Deus acima de pais, mães e parentes, não podiam ser seus discípulos. Terminados os labores evangélicos do dia, Pedro interpelou o Senhor: - Mestre, como conciliar estas palavras tão duras com as vossas recomendações, relativas aos laços sagrados entre os que se estimam?! Jesus esclareceu dizendo: - O Evangelho não pode condenar os laços de família, mas coloca acima deles o laço indestrutível da paternidade de Deus. Não constitui o amor dos pais uma lembrança de amor e bondade permanente de Deus? O Reino de Deus no coração deve ser o tema central de nossas vidas; tudo o mais é acessório. Já pensaste Pedro, no supremo sacrifício de renunciar? Na construção do Reino de Deus, chega um instante de separação, que é necessário se saiba suportar com sincero desprendimento. Jesus deu por concluídas as suas explicações, enquanto as mãos do apóstolo passavam de leve sobre os olhos úmidos.
13- Pecado e Punição.  Jesus havia terminado mais uma de suas pregações, quando percebeu a multidão em alvoroço. Alguns populares mais exaltados gritavam, enquanto uma mulher ofegante, cabelos desgrenhados e faces avermelhadas, se aproximava dele, com uma súplica de proteção a lhe sair dos olhos. Os judeus aglomerados excitavam o ânimo geral, reclamando o apedrejamento da pecadora, na conformidade das antigas tradições. Solicitado, então, a se constituir juiz dos costumes do povo, o Mestre exclamou com serenidade e desassombro, causando estupefação a todos que o ouviam: -   Aquele que estiver sem pecado atire a primeira pedra!
Por toda a assembleia se fez sentir uma surpresa inquietante. As acusações morreram nos lábios dos mais exaltados. A multidão ensimesmava-se, para compreender a própria situação. Enquanto isso, o Mestre pôs-se a escrever no chão, despreocupadamente. Aos poucos, o local foi ficando deserto. Apenas Jesus e alguns discípulos se conservavam ali, tendo ao lado a mulher a ocultar as faces com as mãos. Em dado instante o Mestre ergueu a fronte e perguntou à infeliz: - Mulher, onde estão os teus acusadores? A pecadora lhe respondeu apenas com o olhar, num misto de agradecimento. Jesus continuou: - Ninguém te condenou? Também eu não te condeno. Vai, e não peques mais. A infeliz criatura retirou-se, sentindo uma sensação nova no espírito. A generosidade do Mestre lhe iluminava o coração, que lhe banhava a alma. Enquanto a pecadora se retirava, os poucos discípulos que estavam com o Senhor não conseguiam ocultar a estranheza que lhe causara o seu gesto. Por que ele não condenara aquela mulher; não era uma adúltera?
João então o interrogou:  - Mestre, por que não condenastes a meretriz?  Jesus fixou no discípulo o olhar calmo, e respondeu: - Quais as razões que alegas para essa condenação? Sabes o motivo pelo qual essa mulher se prostituiu? Terás sofrido alguma vez a dureza das vicissitudes que ela passou? Não sabes quantas vezes ela tem sido objeto de escárnio dos pais, dos irmãos e das mulheres mais felizes. Não seria justo agravar-lhe os padecimentos infernais da consciência pesarosa. João exclamou: Entretanto, ela pecou e fez jus à punição; não está escrito que todos pagarão os seus próprios erros? O Mestre sem se perturbar, esclareceu: - Ninguém pode contestar que ela tenha pecado; quem estará irrepreensível na face da Terra? Há sacerdotes, magistrados e filósofos, que prostituíram suas almas por mais baixo preço; e não lhes vi os acusadores. Poder-se-ia desejar para a pecadora tormento maior do que aquele a que ela se condenou? Quantas vezes lhe têm faltado o pão ou a manifestação de um carinho sincero à alma angustiada. Esse o seu doloroso inferno, sua aflitiva condenação. A Terra é como um grande hospital, onde o pecado é a doença de todos; O Evangelho, no entanto, traz ao ser humano enfermo o remédio eficaz para todas as estradas e um suave caminho de redenção. É por isso que não condeno o pecador, pois, em todas as situações acredito no bem.
Vendo tantos cegos e aleijados, Tiago o interpelou:  - Mestre, sendo Deus tão misericordioso, por que pune seus filhos com defeitos e moléstias tão horríveis? Respondeu Jesus: - Acreditas que Deus desça de sua sabedoria e de seu amor para punir seus próprios filhos? O Pai tem o seu plano determinado com respeito à criação inteira; mas, dentro desse plano, a cada criatura cabe uma parte na edificação, pela qual terá de responder. Abandonando o trabalho divino, para viver ao sabor dos seus caprichos próprios, a alma cria para si a situação de sofrimentos, até se reintegrar no plano divino.
Na companhia de Tiago e João, o Mestre se encaminhou para o templo, onde um dos paralíticos que ele havia curado relatava o acontecido, muito alegre. Jesus aproximou-se dele e falou-lhe: - Eis que estás são. Não peques mais, para que não te suceda coisa pior. . .
14- A Lição a Nicodemos.  Os mais humildes e pobres viam no Mestre o emissário de Deus, cujas mãos repartiam em abundância os bens da paz e da consolação. Os doutores não conseguiam ocultar o descontentamento, porque, não obstante suas atividades derrotistas, Jesus continuava beneficiando os aflitos e sofredores. Entre estes, figurava Nicodemos, fariseu notável pelo seu coração bem formado e dotes de inteligência. Uma noite ele procurou Jesus, em particular, seduzido pela sua grandeza e sua doutrina salvadora. Após a saudação habitual, Nicodemos dirigiu-se a Jesus: - Mestre sei muito bem que vindes de Deus, pois somente com a assistência divina poderíeis realizar o que tendes efetuado. Tenho na minha existência, interpretado a lei e desejava a vossa palavra de como deverei lançar mão para conhecer o Reino de Deus! O Mestre lhe disse bondosamente: - Nicodemos, não basta que tenhas vivido a interpretar a lei; deverias ter-lhe sentido os textos. Porém, em verdade devo dizer-te que ninguém conhecerá o Reino de Deus, sem nascer de novo! O fariseu altamente surpreendido interrogou: - Como pode um homem renascer de novo, sendo velho? Poderá regressar ao ventre de sua mãe?  O Mestre fixou nele os olhos calmos e acrescentou: - Em verdade, reafirmo-te ser indispensável que o homem nasça e renasça para conhecer a luz do reino!  Nicodemos perturbado, perguntou: - Como pode ser isso? Inquiriu Jesus surpreendido: - És mestre em Israel e ignoras estas coisas? É natural que cada um somente testifique daquilo que saiba; porém, precisamos considerar que tu ensinas. Se falando eu de coisas terrenas, sentes dificuldades em compreendê-las com os teus conhecimentos da lei, como poderás aceitar as minhas afirmativas quando eu falar das coisas celestiais?. . .
Extremamente confundido, retirou-se o fariseu, ficando André e Tiago empenhados em obter do Mestre o necessário esclarecimento acerca daquela lição nova. Como seria possível aquele renascimento? Também eles partilhavam da resposta que levara Nicodemos a se retirar surpreendido. Jesus bondosamente perguntou-lhes: - Por que tamanha admiração, em face destas verdades? As árvores não renascem depois de podadas? Com respeito aos homens, o processo é diferente, mas o espírito de renovação é sempre o mesmo. O corpo é uma veste para o homem, e toda roupagem material  acaba se destruindo, porém, o homem, que é filho de Deus, encontra sempre os elementos necessários à mudança do vestuário. A morte do corpo é essa mudança indispensável, porque a alma existirá sempre, através de outras existências, até que consiga a provisão de luz para a entrada definitiva no Reino de Deus, com toda a perfeição conquistada ao longo dos rudes caminhos trilhados.
André compreendeu e perguntou: - Mestre, já que o corpo é a roupa material das almas, por que não somos todos iguais no mundo? Vejo jovens sadios, junto de aleijados e paralíticos... Jesus lhe respondeu: - Acaso não tenho ensinado que tem de chorar todo aquele que se transforma em instrumento da maldade? Cada alma conduz consigo mesmo o inferno ou o céu que edificou na consciência. Seria justo conceder-lhe uma segunda veste mais perfeita e bela, ao espírito rebelde que estragou a primeira? Que diríamos da sabedoria do nosso Pai, se desse as possibilidades mais preciosas aos que as utilizaram na véspera para o roubo, a maldade e o assassinato? Os que abusaram da veste da riqueza vestirão depois as dos escravos mais humildes, assim como as mãos que feriram podem vir a ser deformadas. Tiago, com dúvidas, ainda perguntou: - Senhor desse modo observo que o mundo deve sempre precisar do sofrimento, desde que o devedor, para saldar sua dívida, tem que ter outro que lhe tome o lugar com a mesma dívida. O  Mestre percebeu  a  amplitude da  objeção e informou: - Tiago, ainda não percebeste que o primeiro mandamento da lei é uma determinação de amor? Se nos prendermos à lei de talião teremos que reconhecer que, onde existe um assassinato, haverá com um assassino; com a lei do amor, porém, compreendemos que o verdugo e a vítima são dois irmãos, filhos de um mesmo Pai. Basta que ambos sintam isso para que a fraternidade divina afaste os fantasmas do sofrimento. Tiago aproximou-se e sugeriu a Jesus que falasse daquelas verdades na pregação do dia seguinte; tendo Jesus lhe respondido: - Será que não compreendeste? Pois, se um doutor da lei saiu daqui sem entender nada, como queres que eu proceda para com a compreensão simplista das pessoas? Além disso, mandarei mais tarde o Consolador, a fim de esclarecer e dilatar os meus ensinos. A lei da reencarnação ali estava proclamada para sempre, no Evangelho do Reino.
15-  Joana de Cusa.  Na multidão que acompanhava Jesus nas pregações, achava-se uma mulher de nobre caráter, colocada na alta sociedade de Cafarnaum. Tratava-se de Joana, esposa de Cusa, intendente de Ântipas na cidade, onde tratava dos interesses vitais. Joana possuía verdadeira fé; contudo não conseguia afastar as amarguras domésticas, porque seu esposo não aceitava as claridades do Evangelho. Preocupada com seus dissabores, a nobre dama procurou o Mestre, quando ele estava na casa de Simão, e lhe expôs as suas contrariedades e padecimentos. O seu esposo não tolerava a doutrina do Mestre, existindo divergências entre ela e seu companheiro, porque ele era alto funcionário de Herodes, e repartia suas preferências religiosas, ora com a comunidade judaica, ora com os deuses romanos, o que lhe permitia viver fácil e rendosamente.
Jesus após ouvir-lhe a exposição, lhe aconselhou:  - Só existe um Deus e agradece ao Pai o haver-te julgado digno do bom trabalho, desde agora. Teu esposo não te compreende a alma sensível; é leviano e indiferente? Ama-o, mesmo assim. Não te acharias ligada a ele se não houvesse para isso justa razão. Servindo-o com amorosa dedicação, estarás cumprindo a vontade de Deus, e deves pelo Evangelho, amá-lo ainda mais.
Joana estava com um brilho suave nos olhos e uma satisfação íntima, mas ainda interrogou: - Para um entendimento no lar, não julgais acertado que lute por impor os vossos princípios?
Agindo assim, não estarei reformando o meu esposo para o vosso reino?  O Mestre serenamente retrucou: - Quem sentirá mais dificuldade em estender as mãos fraternas, será o que já atingiu os conhecimentos do Pai, ou aquele que ainda se debate entre a ignorância e a desolação, a inconstância e a indolência do espírito? Quanto à imposição das ideias, por que motivo Deus não impõe a sua vontade e verdade aos tiranos da Terra ou por que não fulmina com um raio o conquistador que espalha a miséria e a destruição? A sabedoria celeste não extermina as paixões inferiores: transforma-as, através do amor. Volta ao lar e ama o teu esposo com o material divino que o céu colocou em tuas mãos. Joana de Cusa sentiu um alívio no coração, e enviando um olhar agradecido, ainda ouviu-lhe as últimas palavras: - Vai filha! Sê fiel!...
Os anos passaram e ela multiplicou a sua fé. As perseguições políticas desabaram sobre seu esposo que, torturado pela ideia de vingança, pelas dívidas, pelas moléstias que atingiram seu corpo, voltou ao plano espiritual. Premida pelas dificuldades, a nobre dama procurou trabalho para manter-se com o filhinho que Deus lhe confiara. Cheia de fé sincera, ela esqueceu o conforto de outrora e passou a dedicar-se aos filhos de outras mães e ocupando-se com os mais subalternos afazeres para que o seu filho tivesse o pão.
No ano de 68, quando as perseguições aos cristãos iam intensas, num dos espetáculos do circo, uma velha discípula do Senhor, estava amarrada ao posto do sacrifício, tendo ao lado um homem novo, que era seu filho. Ante os apupos do povo, foram ordenadas as primeiras flagelações. O executar das ordens de olhar cruel, dizia: - Abjura!...  A antiga discípula do Senhor contempla o céu, sem uma palavra de queixa. Então o algoz vibra o chicote sobre o rapaz seminu, que exclama, entre lágrimas: - Repudia a Jesus, minha mãe! Não vês que nos  perdemos?! Abjura!... Por mim que sou seu filho... Dos olhos da mártir correm abundantes lágrimas. As rogativas do filho são espadas de angústia que lhe retalham o coração. – Abjura!... abjura!  Joana ouve aqueles gritos e recorda o lar as horas de ventura, os desgostos, os fracassos do esposo e sua morte, a viuvez, as necessidades e o trabalho duro... em seguida, ante os apelos do filho, recordou que Maria vendo seu filho Jesus crucificado, soubera conformar-se com os desígnios divinos, e pareceu-lhe ouvir ainda, na casa de Pedro, o Mestre a lhe dizer: - Vai filha, sê fiel!  Então possuída de força sobrenatural,  e fixando no jovem  um olhar profundo,  na sua dor imensa, exclamou firmemente: - Cala-te meu filho! Jesus era puro e não desdenhou o sacrifício. Saibamos sofrer na hora dolorosa, porque é preciso ser fiel a Deus. Em poucos instantes as labaredas atingiram o seu corpo envelhecido. O algoz da mártir falou para ela: - O teu Jesus soube apenas te ensinar a morrer? No último instante ainda teve forças para dizer:  - Não apenas a morrer, mas também a vos amar!... Nesse momento sentiu a mão do Mestre lhe tocar suavemente os ombros e escutou a voz carinhosa e inesquecível a lhe dizer: - Joana tem bom ânimo... Eu estou aqui!...

Fim da 1ª parte.

Fonte:
Livro “Boa Nova”
Espírito de Humberto de Campos
Psicografia de Chico Xavier


Jc.