sexta-feira, 8 de maio de 2015

MEDIUNIDADE - POSSIBILIDADES E DESAFIOS





 A mediunidade, digamos natural, é uma faculdade psicofísica presente em todos os seres humanos. Porém, nem todos percebem a presença ostensiva dos Espíritos. É uma percepção á qual Charles Richet chamou de “sexto sentido”. Ela sempre esteve presente na História da humanidade desde as épocas remotas. A manifestação dos fenômenos mediúnicos é efeito natural da maior incidência dos Espíritos sobre os seres humanos.
Allan Kardec diz que não se deve lidar com a mediunidade sem conhecê-la. Aquele que frequenta uma casa espírita com a exclusiva intenção de servir apenas no campo da mediunidade, não entendeu ainda o papel da Doutrina dos Espíritos em sua existência e muito menos a oportunidade que está tendo de servir com o equilíbrio na Causa do Bem. Uma casa espírita proporciona muitas tarefas diversificadas no campo da evangelização, da assistência social, da divulgação, dos serviços gerais, da administração, etc.
Médium ignorante, em desequilíbrio, é médium obsidiado. O grande tratamento para este mal (obsessão) que hoje afeta milhões de criaturas que se encontram em estado de psicopatologia degenerativa, com desequilíbrio da personalidade, repetimos, é o estudo da mediunidade e o trabalho cristão. A Doutrina Espírita oferece ao ser humano a direção moral para que ele, erguendo-se na ordem psíquica moral e emocional, passe a sintonizar com os Espíritos Superiores de cujo contato sobrevirá efeitos positivos e benéficos.
A mediunidade esteve presente nos seres mais aberrantes da humanidade. Nabucodonosor pereceu sob o látego da possessão; sabe-se também que Nero, nos últimos dias de seu reinado, viu-se fora do corpo carnal, na companhia de Agripina e de Otávia, sua mãe e esposa, ambas assassinadas por sua ordem, a lhe pressagiarem a queda no abismo. Os espíritos vingativos em torno de Calígula eram tantos que, depois de lhe enterrarem os restos mortais nos jardins de Lâmia, eram ali vistos frequentemente, até que lhe exumaram os despojos para a incineração. Há noticias que informam ter sido Adolfo Hitler portador de uma mediunidade exercida em Berlim, no grupo de Tullis, entre os anos de 1914 a 1918. A mediunidade, portanto, pode acentuar estados psicopatológicos muito graves por desequilíbrio do indivíduo.
A mediunidade também potencializou as energias espirituais presentes em Francisco de Assis, em Tereza d’Ávila, em Rita de Cássia, em irmã Dulce, em Francisco Candido Xavier “um cisco” e tantas outras personalidades que na história conseguiram atrair o pensamento universal pelo intercâmbio com os Espíritos Superiores pela síntese da caridade e do amor.
A mediunidade, hoje tão vulgarizada pelas novelas da tevê, é ainda pouco 
compreendida pelos cristãos, não obstante esteja muito bem descrita nos Atos dos Apóstolos. Paulo de Tarso, o convertido de Damasco, cita os dons dos médiuns, dizendo que uns veem, outros ouvem, outros falam, outros profetizam e outros curam. Ora os dons nomeados por Paulo nada mais são que a mediunidade.
Nos tempos apostólicos a mediunidade atinge a culminância desde o famoso dia de Pentecostes, em que foram produzidos diversos fenômenos físicos tais como sinais luminosos e vozes diretas; psicofonia e xenoglossia. Nos domínios dos fenômenos de efeitos físicos notamos Jesus no rio Jordão, durante o célebre batismo, o fenômeno de pneumatofonia (voz direta). Nas bodas de Caná, Jesus transforma água em vinho. Naqueles áureos idos históricos o magnetismo curativo através do passe era muito exercitado. Através de Jesus, muitos fenômenos foram realizados. Em Cafarnaum e Jericó, Jesus aplica o passe aos cegos; em Betsaida, na piscina de Siloé, levanta os paralíticos; em Gerasa liberta possessos. Em Betsaida e Gerasa, o Mestre divino promove a multiplicação dos peixes e pães pelo processo de transubstanciação. Em Genezaré o Mestre caminha sobre as águas no processo de levitação. No monte Tabor Ele promove a transfiguração. No mar da Galileia abranda a tempestade. Sob o império dos fenômenos de efeitos intelectuais, Jesus antevê a Sua crucificação e prevê a negação de Pedro, pressente a traição de Judas e a dispersão do povo judeu. No jardim de Getsamani provoca o fenômeno de clarividência e clariaudiência.
Paulo, através da clarividência, vê o próprio Jesus e se converte definitivamente nas portas de Damasco. Os apóstolos (na condição de médiuns) sofriam terríveis perseguições. Pedro e João são presos; Estêvão é morto a pedradas; Tiago é morto a golpes de espada; Paulo é decapitado na via Ápia, Pedro é crucificado de cabeça para baixo, ambos em Roma. Mesmo sofrendo perseguições o Cristianismo nos presenteia com belos fenômenos mediúnicos. Francisco de Assis tem visões arrebatadoras; Lutero tem visões aterradoras; Tereza d’Ávila viaja em desdobramentos; José de Cupertino promove a levitação diante do papa Urbano III; Antônio de Pádua promovia a bicorporeidade com desdobramentos; igualmente o que acontecia com Eurípedes Barsanulfo que nesse processo desprendia-se, facilmente, deixando o corpo inerte, enquanto o seu espírito transportava-se para atender doentes à distância.
Detalhe importante: A mediunidade não traz privilégio para ninguém. Por oportuno, lembramos o exemplo de Chico Xavier. Ele que aos 8 anos já trabalhava à noite numa fábrica de tecidos, aos 12 anos ralava num empório, e aos 15 anos ficou órfão e laborou por 32 anos como escriturário no Ministério da Agricultura. Chico, durante três anos, (12 a 15) foi acometido do mal de São Guido. Na década de 40 o “Mineiro do século” foi acionado judicialmente pela família de Humberto de Campos. Logo depois, como se não bastassem tantos desafios, foi submetido a uma cirurgia de hérnia estrangulada. Em 1958, ele teve que mudar-se para
Uberaba a fim de melhorar sua saúde. Ele era cego de um olho e carregava uma catarata no olho esquerdo, e ainda sofria de constantes ataques de angina e outros problemas mais.
Muitas pessoas, infelizmente, ao sentirem a influência dos Espíritos creem que por isso estão prontas para lidar com os seres do além-túmulo. Comumente não aceitam a ideia de que precisam se instruir sobre a mediunidade. Qualquer médium que não tiver os cuidados necessários  com a sua edificação moral e se colocar a serviço do intercâmbio, sem o devido preparo e conhecimento, cairá fatalmente nas malhas dos espíritos inferiores. Naturalmente, os médiuns ostensivos, que já demonstram algum “sinal” desde cedo, devem ser submetidos obrigatoriamente ao estudo disciplinado da mediunidade e à orientação doutrinária dentro de um Centro Espírita, que lhe possa dar direcionamento seguro de sua faculdade...
Para maiores esclarecimentos, acesse o artigo: A mediunidade.

Fonte:
Revista “On Line” de Artigos Espíritas
A Luz na Mente
Autor: Jorge Hessen
+ modificações e acréscimos

Jc.
São Luís, 20/04/2015