domingo, 31 de maio de 2015

O VENTO AMIGO




 Ninguém jamais descobriu de onde vem o vento e para onde ele vai. Às vezes nos chega como uma leve brisa, algumas vezes ele vem refrescando na onda de calor, muitas vezes, anuncia uma tempestade chegando com ímpeto, e outras vezes ele se transforma num tornado, levando de roldão e causando destruição em tudo o que encontra pela frente. . .
Naquela manhã soprava um vento muito forte e Carlos caminhava com dificuldades a caminho da escola. Ele sentia frio e se encolhia, com o corpo inclinado para frente a reclamar consigo mesmo: - Que droga! Não suporto esse vento!  Chegando à escola, ele correu para a sala de aula, pois estava atrasado.  – Bom dia, professora Maria! Cheguei atrasado porque está ventando muito. Hoje o dia está péssimo para mim! Detesto o vento. Em seguida Carlos acomodou-se na sua cadeira, na companhia dos colegas. – A professora perguntou-lhe: Carlos, você acha que nós, seres vivos, poderíamos viver sem o vento? – Com expressão de dúvida, o garoto respondeu: - Ah, não sei, professora, mas acho que o vento não serve para nada. A professora sorriu e respondeu:
- Saiba que o vento é muito importante para nossa existência. Devemos a ele nossa gratidão, por ser um instrumento que Deus nos deu para trabalhar a nosso benefício. Como o menino fizesse cara de quem não acreditava, a professora perguntou à classe o que pensavam os alunos sobre o assunto, e todos concordaram com Carlos, menos Júlio, o menor da turma que lembrou: - Quando está muito calor, o vento refresca. Eu adoro sentir esse ventinho! Diante da turma que ria do jeito dele, a professora concordou dizendo: - Tem razão, Júlio. Mas esse é apenas um dos benefícios que o vento nos proporciona. Alguém pode lembrar mais algum? Então, Rosa lembrou: - O vento limpa o chão das folhas. Minha mãe diz que quando venta, ela não precisa varrer o quintal e também ele seca a roupa no varal!
Mais animados os alunos passaram a lembrar-se de outros benefícios do vento: limpa o ar dos micróbios e dos vírus que produzem doenças,  transporta o pólen das plantas e flores que irão nascer em outro lugar, sustenta os aviões no ar, mantem o papagaio empinado, impulsiona os barcos a vela... A professora ouvia satisfeita a contribuição dos seus alunos e depois acrescentou: - Muito bem! Mas existem outros benefícios que o vento nos presta. Já ouviram falar em energia do vento? Hoje ela está sendo utilizada em vários países com muitas vantagens sobre as energias elétricas geradas por carvão e petróleo, que poluem porque emitem gases tóxicos. A energia que proporciona o vento é limpa e não se esgota, pois sempre haverá vento!
- Mas como funciona, professora? – indagou um dos alunos. – É através de um sistema de grandes cata-ventos. – Como assim? Indagou uma aluna. – Funciona como um brinquedo que vocês conhecem. O cata-vento gira quando se corre, não é? Então, assim também esses imensos cata-ventos, girando pela força do vento cria a energia que irá ajudar a população pelos benefícios que traz. – Carlos ouvia todos darem sua opinião e cada vez mais ele ficava mais surpreso. Então a professora concluiu afirmando: -  O vento é indispensável à vida dos seres vivos, é ele que leva o ar viciado e traz o oxigênio novo e limpo para nossos pulmões. Entenderam?           - Como haviam falado muito sobre o vento, a professora pediu que os alunos pesquisassem sobre o assunto.  Logo bateu o sinal para o recreio e Carlos se aproximou da professora e comentou que ele não sabia nada de tudo o que fora falado sobre o vento e sua importância, e completou: - Nossa! Fiquei muito admirado e lhe agradeço pela explicação, professora!
Retornando para casa, Carlos foi para a cozinha, onde sua mãe estava terminando o almoço e disse:  Mamãe, hoje fiquei sabendo sobre tudo o que o vento faz pelos seres vivos. Nunca mais vou reclamar! E depois do almoço, vou fazer uma pesquisa.          Quero ver se descubro mais coisas sobre esse assunto! – Isso mesmo, meu filho. Tudo o que Deus criou é para nosso benefício – disse a mãe. Finalmente a raiva de Carlos pelo vento havia passado, diante dos benefícios do vento para as pessoas. E, desse dia em diante, ele passou a contar sobre todos os benefícios do vento, a todas as pessoas que encontrava...
Ainda sobre o assunto, temos a história que se passou com Chico Xavier, contada no livro “Um minuto com Chico Xavier”, cujo título é “O Vento”:  - Certa vez, uma senhora foi até Uberaba e lá, diante do Chico, começou a se queixar de que não conseguia nada do que precisava, mesmo trabalhando na Doutrina Espírita e orando dia e noite. Ao ouvir suas queixas, Chico lhe disse: - Quando nós temos fé, confiamos e temos merecimento, eles ajudam minha filha!
Em outra ocasião em Pedro Leopoldo, Chico ensinava catecismo às crianças, mas, um dia, me proibiram. Eu ensinava catecismo para quarenta crianças... e fui proibido porque me tornara espírita. Então eu fiquei em casa, mas as crianças queriam o Tio Chico... Então as famílias passaram a levar as crianças lá em casa.

 Eu fiquei com muita pena delas, porque na Igreja elas tinham lanche. Já eram duas horas da tarde e eu só tinha água e uns pedacinhos de pão para dar.  Eram quarenta crianças... Como eu iria alimentar aquelas crianças?  Eu fiz uma prece e pedi a Deus que me ajudasse, porque elas não podiam ficar sem comer.  Como eu iria fazer?

Estávamos embaixo de uma árvore. E então, um vento muito estranho começou a balançar as folhas da árvore. O vento uivava entre os galhos daquela árvore. Uma vizinha saiu e perguntou: - Chico, que é isso? Que barulho é esse?  Chico respondeu: - O vento.   – O vento?!... E essas crianças aí?  - Chico respondeu: - Estou ensinando o catecismo. – Você não deu nada para elas comerem? – Não tenho! Informou Chico. – Oh, Chico! Eu tenho aqui, bolo e pão. E a outra vizinha do lado também apareceu e perguntou: - O que foi isso, Chico? Que vento foi esse?  Chico falou: - O vento. E essas crianças aí? Ele informou: - Estou ensinando o catecismo...

E assim, doze famílias se reuniram e passaram a oferecer o alimento, o lanche daquelas crianças, por causa do vento...



Fonte:
Ditado pelo Espírito de Meimei
Recebida por Célia Camargo em 23/6/2014
Jornal “O Imortal” – 9/2014
José Antônio V. de Paula
+ Acréscimos e pequenas modificações.

Jc.
São Luís, 24/9/2014