sexta-feira, 23 de outubro de 2015

AVISO SOBRE O MEU BLOG






  AVISO E ATENÇÃO
QUERO AVISAR A TODOS QUE ACESSAREM O MEU BLOG, http://ortsac13.blogspot.com que não faço nenhuma solicitação, não peço doação de espécie alguma, e nem existe nenhum anúncio agregado ao mesmo, que é inteiramente acessível a qualquer pessoa inteiramente gratuito.
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São Luís, 23/10/2015

A VIDA E O NOSSO COMPORTAMENTO






  “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a Terra”, disse Jesus.

Há muito para ser mudado, se quisermos construir um mundo melhor; códigos, instituições, relacionamentos, educação, ciência, política, religião, e só um fator nos fará entrar no mundo novo, cujo território existe em nossas consciências, sendo o mundo lá fora, apenas o reflexo. Esse fator se chama “Respeito à Vida”.

Não há uma única miséria, violência, desonestidade, injustiça individual ou coletiva, neste planeta, que não resulte da ausência, em qualquer grau, desse valor essencial: O respeito à vida. Foi-nos ensinado desde que nascemos que a Vida é sagrada e divina para todos os seres. Por causa da nossa indiferença ao divino que habita em todas as formas de vida, ficamos sempre alheios, convivendo com a existência de crianças famintas, perambulando pelas ruas, idosos desamparados; admitimos a miséria e a desigualdade, a destruição da Natureza e dos animais menores, sem protesto. Assistimos inertes ao desrespeito à Vida. Inúteis serão as religiões enquanto não ensinarem à humanidade, o respeito à Vida de todas as formas. 

Por trás de coisas tão diversas como, um plantador que envenena a flora com pesticidas; indústrias jogando metais pesados na água que vamos beber; motoristas que ignoram um idoso num ponto de ônibus; traficante com drogas à porta de uma escola; carroceiro que espanca seu animal que lhe garante o sustento; jovens que matam seus pais e pais que matam os filhos; políticos corruptos desviando verbas sociais para o amparo de crianças e idosos; a mutilação e matanças de jovens nas guerras e de animais nos matadouros, comprovam que os seres humanos, não respeitamos a Vida. Ela ainda é para nós um valor supremo, apenas nos textos, nas leis. Por que? – Perguntamos. Porque não respeitamos a Vida de modo incondicional. Permanecemos na ilusão de termos Paz e segurança num mundo, enquanto admitimos a crueldade e a destruição de vidas inocentes. A única esperança de um Mundo Melhor será a consolidação nas consciências das pessoas desse princípio: A Vida é Sagrada.

São tão vastas e necessárias as mudanças de atitudes, comportamentos e hábitos, que há uma perplexidade: O que pode fazer um único ser humano, na vida, para melhorar-se e ao mundo em que vive? – Há uma sugestão bem simples, acessível e concreta, porém de alcance difícil de realizar: Pare de matar...  Não contribua para que outros o façam por você. Confira, por favor, no seu prato de cada dia. Se há seres animais sendo mortos para se transformar em sua refeição (o que é nocivo à saúde). Certamente o respeito à Vida não se faz presente. Não existem vidas maiores ou menores; existe a Vida. E onde existir a dor e o sofrimento, causá-los é incorrer no pior de todos os erros: O da crueldade.

Podemos ensinar a nossos filhos, o respeito a todas as formas de vida; a respeitar os pássaros, gatos, cachorros, baleias, tartarugas, golfinhos, micos-leões...  Não podemos é desmentir isso quando nos sentamos à mesa para comer. Não podemos amar e respeitar, matando e destruindo ao mesmo tempo. Hipócrates, o pai da Medicina, ensinou: “Faz de teu alimento o teu remédio, a tua saúde”.  Sempre que pensamos que a carne que comemos (cadáver) exige de nós o sacrifício dos animais, a resposta é: “não podemos viver sem comer carne”. Então, tentar esquecer o que acontece é a única forma de calar a nossa consciência.

O planeta Terra abriga atualmente mais de 6 bilhões de criaturas humanas; destas 800 milhões vivem com fome crônica. Isso é devido á falta de alimentos? – Não; falta é consciência. Senão vejamos: Numa área de terra qualquer, se for cultivado pasto para alimentar o gado, este irá alimentar 1.000 pessoas; mas, se nessa mesma área plantarmos grãos,  os cereais alimentarão  14.000  pessoas. A proporção é essa mesmo, não se espantem: 1.000 pessoas alimentadas pelo gado e 14.000 pessoas alimentadas pelos grãos. Multipliquemos então isso por milhares de áreas, e saberemos para onde vai á comida que deveria alimentar os famintos da Terra. Isso levou um diretor da O.N.U. a declarar: “As áreas onde os grãos que deveriam alimentar as classes pobres,  estão sendo usadas para criar o gado dos ricos.” Agora vejamos: O rebanho bovino do Brasil é de cerca de 180 milhões, igual a população das pessoas. Com certeza cada boi está recebendo a alimentação que deveria ser destinada aos nossos irmãos famintos.

A soja que é uma fonte magnífica e barata de proteínas, em substituição do gado, está presente no Brasil, que é o maior exportador de soja do mundo. Por esta razão o país não deveria ter famintos, desnutridos, mas o que acontece com a soja? – Em vez de alimentar o povo, é exportada para alimentar o gado do Primeiro Mundo, em troca dos dólares. Consumir carne de vaca nos faz a contragosto, coniventes e responsáveis pela fome, pela destruição das formas de vida, pela especulação e pelo lucro daqueles que ganham com essa situação lamentável. O Rio Grande do Sul, onde o churrasco é a comida preferida, existe o lema: “Sem carne, para mim não é comida”; esse Estado é também  o campeão nas estatísticas de câncer no Brasil.

Se compararmos a máquina humana com os dois modelos básicos existentes – carnívoros e herbívoros, é fácil não perceber que o nosso modelo não é o carnívoro. Os carnívoros têm dentes caninos frontais, afiados para rasgar a carne das vítimas, e não possuem os dentes molares  (dê uma olhada nos dentes de gatos e cachorros). Já os herbívoros e o ser humano não têm dentes caninos e frontais; possuem dentes pré-molares e molares que são adaptados a moer os grãos e sementes. Outra informação: Os carnívoros não possuem na saliva a substância “ptialina” que promove a pré-digestão na boca dos herbívoros e do ser humano. Por outro lado a digestão dos carnívoros é realizada no estômago, que possui um suco gástrico poderoso, vinte vezes mais ácido, para digerir carne e ossos.

Ainda tem mais: A carne demora alguns dias para chegar dos abatedouros até os postos de venda (açougues) e, por isso, assume uma coloração acinzentada e escura que afastaria os consumidores.  Para evitar esse problema os abatedouros  acrescentam uma bela coloração avermelhada, que são os Nitratos, substâncias cancerígenas. Este detalhe ninguém comenta e é desconhecido pela grande maioria dos consumidores... Benzo pireno é outra substância química que é adicionada a carne que causa câncer e leucemia. Acreditem: Em pouco mais de um quilo de carne, há mais dessa substância, que na fumaça de 600 cigarros. Há ainda o metilcolantreno, outro agente cancerígeno, e ainda, os animais doentes que são abatidos nos matadouros clandestinos e que causam muitas doenças.  No ser humano, quando a doença se manifesta, procura-se a cura, se possível; e nos animais, que não podem dizer o que sentem? Será que cada galinha, porco ou boi, passa por um check-up antes do seu abate? Você crê nisso? Acredita que assim é feito?

Todos nós, pessoas sensíveis, somos incapazes de maltratar um animal ou assistir e participar da matança de uma ave, porco ou boi. Entretanto, é a necessidade de carne, por parte dos materialistas e também de muitos espiritualistas, que provoca e sustenta essas matanças diárias que cobrem o planeta de rios de sangue inocentes. Todos os carnívoros são os incentivadores da indústria da tortura, dos sofrimentos e das mortes desses animais. Certamente, se as pessoas tivessem que matar, com suas próprias mãos, o animal que fossem comer, com certeza se reduziria drasticamente o carnivoríssimo. Não o fazendo, precisam que outros o façam por si. A responsabilidade tanto é do executor como também dos que se servem dele.

Se os irmãos estão achando que estamos exagerando, vejamos então uma cena vivida por André Luiz, junto com o seu mentor Alexandre, e por ele descrita, no livro “Missionários da Luz”:  “Diante do local da matança dos bovinos, André percebeu um quadro estarrecedor; grande número de desencarnados (espíritos inferiores), em lastimáveis condições, atiravam-se sobre o sangue vivo, como se procurassem beber o líquido em sede devoradora. Alexandre então esclareceu-me com serenidade: “Estes infelizes irmãos estão sugando as forças do plasma sanguíneo dos animais que lhes oferece elementos vitais.  Esses são famintos que merecem nossa piedade.”

Se, achamos essa cena descrita chocante, digo-lhes que é mesmo. O vampirismo desses irmãos do Além é apenas uma conseqüência. Triste mesmo é o quadro de nosso planeta Azul, diariamente encharcado de sangue dos infelizes animais abatidos e transportados para os açougues, onde os seres chamados humanos disputam suas porções de carne morta, para sepultarem no estômago, qual cemitérios terrestres ambulantes. Como podemos melhorar o planeta, se estamos diariamente matando e alimentando incessantemente o astral inferior com o combustível detestável do sangue de inocentes, contribuindo para a manutenção do domínio das Sombras?  - Não há como atenuar o peso dessa contradição: aqueles que se dizem adeptos da Lei Cósmica da Fraternidade, se sentarem à mesa e devorarem os restos mortais sangrentos do nosso irmão menor, em nome do “prazer”, porque da saúde e da sobrevivência é que não é. Você irmão ou irmã quer continuar participando da matança e se envenenado?

No Livro dos Espíritos, cap. XI, é bem explicada a nossa irmandade com os menores irracionais: “Há nos animais um princípio independente da matéria, que sobrevive ao corpo; é também uma alma. Estão sujeitos, com o ser humano, a uma lei progressiva. Emana de um único princípio a inteligência do homem e dos animais; no homem passou por uma elaboração, em várias existências que precederam o período a que chamais de Humanidade.”  - A justiça Divina não seria tão injusta, permitindo que o ser humano seja feliz enquanto ferir e matar o irmão menor, indefeso e serviçal, que também sente e sofre. Quantas tragédias, angústias e sofrimentos, que há séculos afligem a humanidade, e que são resgates cármicos, provenientes da culpa de derramar o sangue do irmão menor, a serviço do Vampirismo da Terra?

Comecemos a renovação de nossos costumes pelo prato de cada dia, diminuindo gradativamente o desejo de comer carne de animais... Em volta da Terra, grandes multidões de espíritos inferiores, levados pelas paixões e vícios, famintos de vitalidade e aflitos para obterem o “tônus vital” que existe no sangue (a mercadoria mais cobiçada pelos espíritos inferiores do Além), procuram aqueles que consomem carne, que lhes podem saciar os seus desejos. Só um deus dotado do mesmo egoísmo e insensibilidade do ser humano, poderia nos recompensar com a “Paz na Terra” ensangüentada pela tortura e morte de seus filhos menores, tão sagrados e divinos quanto os “grandes” que os matam!

Se você meu irmão ou irmã, é uma pessoa com anseios espirituais ou médium, tenha certeza de que o astral do animal consumido torna a pessoa menos receptiva e mais obscura, com as janelas vibratórias abertas para o astral inferior. Se a pessoa trabalha com passes ou cura espiritual, tem por dever manter sua energia etérea tão pura quanto possível. Afinal, essa pessoa vai doá-la a outras pessoas que necessitam dela.

Após todos estes esclarecimentos, chegamos a uma interrogação: - Como proceder para melhorar nossa condição espiritual? – Primeiramente devemos ir cortando aos poucos o nosso consumo de carne bovina, podendo usar os produtos oriundos do mesmo, como o leite, a manteiga, o queijo e outros derivados. Os hindus, os muçulmanos e muitos outros povos não se alimentam da carne bovina. Em seguida, devemos ir eliminando o consumo de aves (galinha) e nos servirmos dos ovos. Depois, vamos eliminar se possível, do nosso cardápio, a carne de porco, que muitos povos não comem, por considerá-la impura e portadora de muitas doenças. Para substituir essas carnes, vamos consumir mais peixes, camarão e outros produtos do mar. . .

A declaração de uma nutricionista serve bem ao caso que estamos tratando. Disse ela: “O prato comum do brasileiro, de feijão com arroz, já é uma refeição quase perfeita, com os nutrientes básicos necessários. É só acrescentar mais algum legume, verdura ou fruta, e aí está a refeição ideal. Saibam que, 100 gramas de feijão contém mais proteínas que 100 gramas de carne.” - Temos ainda para nos alimentar, o pão, o macarrão, o fubá de milho, a pizza, o café, o leite, os ovos, a farinha, a batata, a abóbora, e muitas frutas, legumes e verduras, e está mais que completa a nossa refeição, sem as carnes de animais que podem nos trazer problemas psíquicos e a obesidade, tão comuns nos dias atuais.

A água é essencial para a nossa existência e devemos evitar o desperdício e a sua poluição, em virtude da escassez. E por entrar nesta questão, ao examinarmos quanto é gasta para produzir os alimentos. Veja quanta água potável é gasta para produzir alguns itens do nosso dia-a-dia: (1 litro de leite =  560 a 860 litros); (1 quilo de trigo = 1.150 a 2.000 litros); (1 quilo de arroz = 1.400 a 3.600 litros); (1 quilo de frango = 2.800 a 4.500 litros); (1 quilo de carne de porco = 4.600 a 5.900 litros); (1 quilo de carne de boi = 13.500 a 20.700 litros). Por isso é tão importante proteger as matas à beira de mananciais e evitar o desperdício e a poluição.

Faz apenas trezentos anos que, neste país, autoridades religiosas garantiam que os escravos,os negros e os índios não possuíam alma, portanto, nada impedia que fossem torturados e mortos. As mulheres, também para certas religiões do Oriente Médio, não eram dotadas desse princípio inteligente invisível. A vítima não possuindo alma podia sofrer à vontade. E os animais? – Não há um só reencarnacionista, seja ele hindu, budista, umbandista, espírita, teosofista, esotérico, etc., que possa alegar desconhecimento da Lei de Evolução. Foi assim que fomos, nos primitivos tempos, aprendendo a ser humano. O animal de hoje, será o humano de amanhã, assim como o homem de hoje esteve no nível de animal no passado.

André Luiz, no livro, “Missionários da Luz” diz: “Devemos prosseguir no trabalho educativo, convocando os companheiros encarnados, mais experientes e esclarecidos, para a nova era em que os seres humanos cultivarão o solo da terra com amor, e utilizar-se-ão dos animais com espírito de respeito. Semelhante realização é de importância essencial porque, sem amor para com nossos irmãos inferiores... não podemos aguardar a proteção dos irmãos superiores.”

Se você, prezado irmão ou irmã iniciar essa modificação de hábitos alimentares e recair, não se desespere: Recomece e prossiga em frente.

 Para concluir esta exposição, apresento alguns depoimentos de vultos da Humanidade:  “A carne é o alimento de alguns animais. Os elefantes, os bois, os cavalos, as girafas e outros animais se alimentam de ervas. Só os que têm índole feroz, como os leões, os tigres, as hienas, os leopardos, as panteras, e no nosso ambiente  os cachorros e os gatos alimentam-se de carne. Que horror é alimentar um corpo devorando outro corpo morto; viver da morte de outros seres vivos.”  (Pitágoras – filósofo)  “O ser humano implora a misericórdia de Deus, mas não tem piedade dos animais, para os quais o homem é um deus. Eles depositam confiança nas mãos criminosas que os matam. Ninguém purifica seu espírito com sangue.”  (Gautama Buda – líder espiritual)    “Virá o dia em que a matança de um animal será considerada crime, tanto quanto o assassinato de um ser humano.”  (Leonardo da Vinci – Inventor e pintor)   “Francisco de Assis, os chamava de nossos irmãos inferiores; porém inferiores na verdade somos nós, quando não os estimamos e os matamos.”  “O que quiserdes para vós, fazei-o também aos outros (seres da criação)”  ( Jesus – O Messias)

Um dia no futuro,  estaremos libertos desse condicionamento milenar; libertos da escravidão do hábito de matar, livres do peso da crueldade. Um dia em que vamos olhar o céu, as árvores, os animais, ouvir as cigarras e os pássaros, sentindo na pele o sol da vida; vamos observar ao nosso redor, milhares de pequeninas vidas que se abrigam na grande mãe Natureza; vamos sorrir sabendo que somos irmãos de todos eles... Todos, filhos do mesmo Deus. Pai de Amor e Misericórdia, de Bondade e de Justiça...

Bibliografia:
“Paz e Amor Bicho” de Mariléa de Castro,
“Evangelho de Jesus”, “Livro dos Espíritos”,
“Missionários da Luz”,+ reduções modificações
e acréscimos de textos.

Jc.
S.Luis, 5/7/2009
Revisado em 7/8/2012


AGRADECIMENTOS AOS AMIGOS VIRTUAIS








  Há pessoas que enviam pela Internet mil piadas por E-mail e essas piadas se espalham como fogo, tendo milhares e milhares de acessos. Porém, quando são enviadas mensagens sobre algo bom, algumas pessoas pensam duas vezes antes de compartilhá-las...
“Se você não quer ser esquecido quando partir para a Espiritualidade, escreva coisas que vale a pena ler, ou faça coisas que vale a pena escrever.”
                                                              ( Benjamin Franklin)

Que os amigos virtuais que tenho se sintam tão amigos quanto às pessoas que amo. Que os amigos que tenho no meu caminho, eu não os desaponte para não quebrar a confiança da sua amizade... Eu sei que uma palavra basta para acabar uma amizade, mas sei também que se isso ocorrer foi porque nunca houve amizade sincera. Amigos, nós os conquistamos mostrando o que somos. 
Amigo, é um tesouro e a amizade é valiosa demais para ser descartada; grande demais para ser perdida; importante demais para ser esquecida. Pessoas amigas vêm e se vão de nossa companhia, entram e saem no nosso viver. Tenho visto muitos irmãos e amigos irem-se deste mundo, de repente, sem ao menos um “adeus”, sem terem o prazer de se tornarem idosos, como eu.
Os nossos olhos piscam juntos, movem-se juntos, choram juntos, veem as coisas juntos e dormem juntos. Ainda que nunca possam ver-se um ao outro... A amizade deve ser assim.
Agradeça pelos amigos que você tem, pois eles são presentes em sua existência e que você seja a luz na vida deles. Que você e seus amigos celebrem a graça do encontro e da amizade e que se reconheçam como amigos, mesmo à distância. Aos amigos vale a pena sempre lembrar-lhes que eles são responsáveis por manter acesa a chama da amizade, para que o fogo seja forte, eficaz e duradouro.  A solidariedade, a amizade e o amor ao próximo, jamais sairão de moda; basta querermos...

Histórico:
Quando iniciei o blog na Internet foi com o propósito de preservar os muitos artigos sobre assuntos religiosos, morais, biografias, temas
das minhas exposições nas Casas Espíritas, não imaginava na época, que esse blog chegasse a ser acessado por trezentas pessoas, mas enganei-me, pois ele já chegou a mais de 50 mil acessos, sendo pesquisado por amigos virtuais de 70 países. Posteriormente, passei a agregar ao mesmo, outros assuntos e os números foram aumentando de tal maneira que hoje, cinco anos depois, chegaram á casa dos 370 artigos, e com perspectivas de ainda aumentar, se o Pai Celestial ainda me permitir continuar.
Humilde e honrado com a aceitação do meu blog pelos amigos virtuais, de diversas partes do mundo, desejo expressar meus sinceros agradecimentos, a todos os que vieram a conhecer o meu blog, e que, dado o número expressivo de acessos, devem ter também informado, possivelmente, aos seus amigos; “pois valeu a pena escrever”, no dizer de Benjamin. Enquanto ainda permanecer na Terra, vou continuar levando aos meus amigos internautas, a minha modesta colaboração no sentido de propagar as lições do Evangelho de Jesus, da Doutrina Espírita e outras orientações.
Ao me despedir dos amigos do Brasil e dos outros Continentes, que não tenho o prazer de conhecer pessoalmente, renovo meus sinceros agradecimentos, desejando a todos, que considero irmãos e amigos, que tenham muita Paz, Harmonia e Saúde, extensivos aos seus entes queridos.

Jurandy T. de Castro
São Luís – Estado do Maranhão – Brasil.
Em 23/10/ 2015

O QUE É O ESPIRITISMO ?







  Muitas pessoas que nada conhecem do Espiritismo, sem qualquer noção do que se trata, costumam confundir a Doutrina dos Espíritos, com a macumba, a Umbanda, a adoração do demônio. Essas pessoas, sem ao menos um conhecimento superficial, são levadas a fazer comentários sobre a doutrina, por desconhecer o assunto. Deveriam elas ao menos saber do que se trata e se vale a pena conhecê-lo. Em vista dessa situação, Allan Kardec resolveu condensar em um livro alguns diálogos e algumas orientações sobre esse assunto, para conhecimento dessas pessoas, e que reproduzo resumidamente, extraído do livro, cujo título vai acima.
Primeiro diálogo – O crítico.
O crítico – Senhor eu recuso a admitir a realidade dos fenômenos que são atribuídos aos Espíritos e que, disso estou persuadido que não existem senão na sua imaginação.
Allan Kardec – Senhor, se vossa razão se recusa a admitir o que nós consideramos fatos comprovados, é que vós se credes superior à de todas as pessoas que não compartilham de vossa opinião.
O crítico – Se vós chegásseis a me convencer, eu um antagonista das vossas ideias, isso seria um milagre favorável à vossa causa.
Allan Kardec – Lamento  senhor, pensais que uma ou duas sessões serão necessárias para vos convencer? Foi-me necessário mais de um ano de observações para eu mesmo estar convencido, o que prova que não o foi por leviandade. Aliás, senhor, eu não dou sessão e parece que vos enganastes sobre o objetivo de nossas reuniões, pois não fazemos experiências para satisfazer a curiosidade de quem quer que seja.
O crítico – Não desejais, pois fazer prosélitos?
Allan Kardec – Por que eu desejaria fazer de vós um prosélito se vós mesmos isso não o desejais? Eu não forço nenhuma convicção. Quando pessoas sinceras e desejosas de se instruírem me dão a honra de solicitar-me esclarecimentos, é para mim um prazer e um dever, responder-lhes no limite dos meus conhecimentos. Quantos aos antagonistas que, como vós, têm convicções firmadas, eu não faço tentativa para desviá-los. Alguns partidários a mais ou a menos não pesam na balança.
O crítico – Haveria, no meu convencimento mais interesse do que vós o credes. São minhas ideias sobre o assunto; posso respeitar a pessoa sem partilhar sua opinião.
A.K. – Senhor, não tenho empenho de modo algum em vos fazer partilhar minha opinião. Respeito a vossa, como desejo que se respeite a minha. Uma vez que tratais o Espiritismo como um sonho quimérico, dizeis a vós mesmos: eu vou ver um louco. Isso não me melindrará, pois todos os espíritas são tidos como loucos. Se estiverdes persuadido de não poder ser convencido, vossa tentativa tem por objetivo apenas a curiosidade. Abreviemos, porque eu não teria tempo a perder em conversa sem objetivo.
O crítico – Podemos enganar-nos, iludir-nos sem por isso ser louco.
A.K. – Dizes como tantos outros, que o Espiritismo é um capricho que tem seu tempo; mas convireis que um capricho que em alguns anos ganhou milhões de partidários em todos os países, que conta com sábios de todas as ordens, que se propaga nas classes mais esclarecidas, é uma singular mania que merece algum exame.
O crítico – Eu tenho minhas ideias sobre esse assunto e eu vos confesso que devo publicar um livro que deve ter um grande alcance e atacar os Espíritos, mas se eu chegar a ser convencido, não o publicarei.
 A.K. – Senhor, eu ficaria desolado por vos privar do benefício de um livro que deve ter grande alcance. Eu não tenho nenhum interesse em vos impedir de fazê-lo, mas lhe desejo uma grande popularidade, já que isso nos servirá de anúncio. Quando uma coisa é atacada, isso desperta a atenção; há muitas pessoas que querem ver os prós e os contras, e a crítica a fez conhecida daqueles mesmos que dela não sonhavam. É assim que a publicidade, frequentemente, sem o querer, serve àqueles aos quais se quer prejudicar.
O crítico – Então, segundo vós, a crítica não serve para nada; a opinião pública não conta para nada?
A.K. – Eu não considero a crítica como a expressão da opinião das pessoas, mas como uma opinião individual que pode se enganar. A história narra quantas obras-primas foram criticadas quando surgiu o que não as impediu de permanecer obras-primas. Quando uma coisa é má, todos os elogios possíveis não a tornarão boa. Se o Espiritismo é um erro, ele cairá por si mesmo; se é uma verdade, todos os ataques não farão dele uma mentira. Que       dizer do homem que se fizesse censor de uma obra literária sem conhecer literatura? Censor de um quadro sem ter estudado pintura? É elementar que o crítico deva conhecer, mais a fundo e não superficialmente, aquilo de que fala, sem o que a sua opinião não tem valor algum.
O crítico – É exatamente para evitar isso que vim vos pedir permissão para assistir a algumas experiências.
A.K. – E pensais que isso vos bastaria para falar do Espiritismo? Como poderíeis compreender essas experiências e com mais forte razão, julgá-las, se não haveis estudado os princípios que lhe servem de base? Como poderíeis apreciar o resultado, satisfatório ou não, de uma experiência metalúrgica, por exemplo, se não conheceis a fundo a metalurgia? Fazer a crítica de um livro não é condená-lo. Aquele que exerce essa tarefa deve fazê-la sem ideias preconcebidas. Se antes de abrir o livro já o condenou em seu pensamento, seu exame não é imparcial. Tal é o caso da maioria daqueles que têm falado do Espiritismo. Disso resultou que a crítica ficou sem razão e, ao invés de persuadir, ela provocou risos.
O crítico – Credes que seja possível a um jornalista ler e estudar tudo o que lhe passa pelas mãos, sobretudo quando se trata de teorias novas  que lhe seria preciso aprofundar e verificar?
A.K. -  Quando não se tem tempo de fazer conscientemente uma coisa, não se deve envolver-se com ela; é melhor não fazer uma coisa bem, do que fazer dez mal.
O crítico – Não credes senhor, que minha opinião esteja formada levianamente. Eu vi mesas girarem e baterem; pessoas que estavam supostamente escrevendo sob a influência de Espíritos; mas eu estou convencido que havia charlatanismo.
A.K. – Quanto pagou para ver isso?
O crítico -  Nada seguramente.
A.K. – Então eis charlatões de uma espécie singular. Até o presente não se viu ainda charlatões desinteressados. Se algum brincalhão maldoso quis se divertir uma vez por acaso, segue-se que as outras pessoas sejam cúmplices da fraude? Aliás, com que objetivo se fariam cúmplices de uma mistificação? Eu aceito que uma vez alguém se preste para um gracejo; mas quando isso dura meses e anos, será possível fazer crer em uma coisa que se sabe ser falsa, espera-se horas inteiras sobre uma mesa? O prazer não valeria o trabalho. Antes de se concluir pela fraude é preciso primeiro se perguntar qual o interesse de enganar, de pessoas das quais só o caráter é uma garantia de probidade.
O Espiritismo não é o responsável pelos que abusam desse nome e o exploram, da mesma maneira a ciência médica não o é pelos charlatões que vendem suas drogas, nem a religião pelos sacerdotes que abusam da sua condição. Sobre quem recai o  ridículo? Não é sobre o charlatão nem sobre o Espiritismo cuja doutrina escrita desmente semelhantes assertivas, mas sobre os críticos convictos de falarem daquilo que não sabem, ou de alterarem conscientemente a verdade.
Em resumo, cada um é perfeitamente livre para aprovar ou criticar os princípios do Espiritismo, para deduzir dele tais consequências boas ou más, como lhe agrade, mas a consciência impõe um dever ao crítico sério, de não dizer ao contrário do que é, e por isso a primeira condição é de não falar daquilo que não conhece.
O critico – Retornemos às mesas moventes e falantes. Não poderia ocorrer que elas estivessem preparadas?
A.K. – Quando a fraude estiver provada eu a entrego; se for confirmada a fraude, o charlatanismo, a exploração, eu os entrego à vossa fustigação, porque o Espiritismo é o primeiro a repudiá-los, e mencionar os abusos é ajudar a preveni-los e prestar-lhe serviço. Porém, generalizar essas acusações sobre pessoas honradas, á reprovação que merecem alguns indivíduos, é um abuso de outro gênero: o da calúnia. Como não se conhece, ainda, o nome do hábil fabricante que as confecciona? Por que desde Tertuliano que também falou das mesas girantes e falantes, até o presente ninguém pode ver o mecanismo, nem descrevê-lo?
O crítico – Um célebre cirurgião disse que certas pessoas podem, pela contração de um músculo da perna, produzir um ruído que vós atribuís à mesa.
A.K. – Então se é um músculo não é a mesa que está preparada. Cada um explica a pretendida fraude à sua maneira, isso é prova,  a mais evidente, de que nem uns nem outros conhecem a verdadeira causa. Não se sabia que esse músculo tivesse tanta virtude.
O crítico – Vedes que a moda das mesas girantes já passou; durante certo tempo foi um furor, hoje, dela não se ocupam mais. Por que isso se esse assunto é uma coisa séria?
A.K. – Porque das mesas girantes saiu uma coisa mais série ainda; delas saiu toda uma ciência, uma doutrina filosófica, muito mais interessante. O período de curiosidade teve seu tempo: o da observação lhe sucedeu. As pessoas que fazem dele uma coisa séria não se prestam para nenhuma experiência de curiosidade.
O crítico – Se vós não operais senão em presença de pessoas convencidas, permiti-me dizer-vos que pregais aos convertidos.
A.K. – Uma coisa é estar convencida, outra é estar disposto a se convencer. É a estes últimos que eu me dirijo, e não àqueles que creem ser uma fantasia. A convicção não se forma senão com o tempo, por uma contínua observação. Os fenômenos espíritas diferem daqueles que se apresentam nas ciências exatas: eles não se produzem à nossa vontade. Para o observador assíduo e refletido, as provas são bastante; para um observador superficial e para um simples curioso, elas nada são...
Segundo diálogo – O céptico
O céptico - Senhor, eu compreendo a utilidade do estudo prévio do qual acabais de falar. Eu não sou nem pró nem contra o Espiritismo, mas o assunto excita meu interesse. Eu proporia submeter-vos algumas objeções que foram feitas e que me parecem ter um certo valor para mim  que confesso minha ignorância.
Allan Kardec. -  Ser-me-á um prazer responder às questões que me queira fazer, quando são feitas com sinceridade e sem prevenção, sem me iludir de poder respondê-las todas. O Espiritismo entra nos ramos da religião, da filosofia, da metafísica, da psicologia e da moral. É um campo imenso que não se pode  percorrer em algumas horas. Assim, nós nos limitaremos a algumas questões gerais.
O céptico  - Seja como desejais. Eu vos peço me chamar à ordem se delas eu me afastar. Eu vos pergunto primeiro, que necessidade haveria de criar as palavras novas de espírita e Espiritismo, para substituir a palavra espiritualista e Espiritualismo, que estão na linguagem popular e compreendidas por todo mundo? Já ouvi alguém tratar essas palavras de barbarismos.
A.K. – A palavra Espiritualista  – aquele ou aquela, cuja doutrina se
opõe ao materialismo. Todas as religiões estão baseadas no Espiritualismo. Quem quer crer haver em nós outra coisa além da matéria é espiritualista, o que não implica na crença nos Espíritos e nas suas manifestações. Como vós o distinguiríeis daquele que o crê? Precisar-se-ia, pois, para evitar equívoco de palavras novas. Portanto, se adotei as palavras, Espírita e Espiritismo, é porque elas exprimem, sem equívoco, as ideias relativas aos Espíritos. Essas palavras não são, aliás, mais bárbaras que todas aquelas que as ciências, as artes e as indústrias criaram. Doravante essas palavras passaram para o linguajar popular e em todas as línguas.
O céptico – Essa diversidade na crença do que chamais uma ciência, parece ser sua condenação. Se essa ciência repousasse sobre fatos positivos, não deveria ser a mesma na América como na Europa?
A.K. – A isso eu responderei primeiro que essa diferença está mais na forma do que no fundo. Dizei-me qual a ciência que, em seu início, não suscitou dissidências até que seus princípios estivessem claramente estabelecidos? Não existem dissidências até hoje, nas ciências melhor constituídas? – No que concerne ao Espiritismo, não é natural que, nos primeiros fenômenos, quando se ignorava as leis que os regiam, cada um tenha dado seu sistema e examinado á sua maneira? Alguns anos bastaram para estabelecer a unidade grandiosa que prevalece até hoje na doutrina, e que reúne a imensa maioria dos adeptos. A prova é que nada detém sua marcha ascendente, e que depois de poucos anos o Espiritismo conta mais adeptos do que jamais qualquer outra religião, depois de um século.
O céptico – Já foram provados que fora do Espiritismo poder-se-ia produzir esses mesmos fenômenos. Conclui-se, daí, que eles não têm a origem que lhes atribuem os espíritas.
A.K. – Do fato de se poder imitar uma coisa não se segue que ela não exista. Os prestidigitadores pensaram que o nome do Espiritismo, devido à sua popularidade e as controvérsias das quais era objeto, poderia ser bom para explorar e, para atrair a multidão, simularam alguns fenômenos mediúnicos. Só a malevolência e uma má fé puderam assemelhar o Espiritismo à magia e à feitiçaria, uma vez que ele repudia as práticas, fórmulas e as palavras místicas. Muitos críticos não têm base mais séria. Sobre quem cai o ridículo senão sobre aqueles que são estouvadamente? Quanto ao Espiritismo, seu crédito, longe de sofrer com isso, tem crescido pela
ressonância dessas manobras, porque foi reconhecido que ao invés de uma brincadeira, ele era uma coisa séria.
O céptico – Eu concordo que entre os detratores do Espiritismo há pessoas inconsequentes, mas ao lado destas, há homens de valor cuja opinião é de certo peso.
A.K. – Eu não o contesto de modo algum. A isso eu respondo que o Espiritismo conta também em suas fileiras com um grande número de homens de valor não menos real. Digo mais: a imensa maioria dos espíritas se compõe de homens inteligentes e estudiosos; só a má fé pode dizer que entre estes há incautos e os ignorantes.
O céptico – O Espiritismo tende a reviver as crenças sobre o maravilhoso e o sobrenatural, e no século do positivismo isso me parece difícil, porque é recomendar superstições.
A.K. – Uma ideia só é supersticiosa porque ela é falsa; ela cessa de sê-lo desde o momento que é reconhecida verdadeira. A questão é saber se há ou não, manifestações de Espíritos. Acrescento que o Espiritismo esclarecido, como o é hoje, tende ao contrário, a destruir as ideias supersticiosas porque mostra o que há de verdadeiro e de falso nas crenças populares. Digo ainda que é o positivismo é que faz aceitar o Espiritismo e a ele é que deve sua rápida propagação. O sobrenatural desaparece diante da luz da ciência, da filosofia e da razão, como os deuses do paganismo  desapareceram diante da luz do Cristianismo. O sobrenatural é o que está fora das leis da Natureza. O Espiritismo repudia no que lhe concerne, todo efeito maravilhoso fora das leis da Natureza. Ele responde às aspirações do ser humano, no que diz respeito ao futuro, sobre bases positivas, racionais, morais e espirituais.
O céptico – Vós dizeis que vos apoiais sobre fatos; mas se vos opõe a opinião dos sábios que os contestam. Por que eles não aceitaram o fenômeno das mesas girantes? Os sábios não são o farol das nações e seu dever não é de espalhar a luz?
A.K. – Acabais de traçar o dever dos sábios de um modo admirável. Como já disse, é precisamente na classe esclarecida que o Espiritismo faz mais prosélitos, e isso em todos os países do mundo. Eles se contam em grande número, entre os homens de ciência; os magistrados, os professores, os artistas, os homens de letras, os médicos, os eclesiásticos, os funcionários, os oficiais. Do fato de o Espiritismo não ter ainda, direito de cidadania na ciência
oficial é motivo para condená-lo? Se a ciência jamais tivesse se enganado, em sua opinião; infelizmente a experiência prova o contrário, ao rejeitarem uma multidão de descobertas que mais tarde ilustraram a memória dos seus autores.
O céptico – Eu admito que eles não são infalíveis, porém em razão do seu saber, sua opinião tem valor, e se os tivésseis convosco daria um grande peso ao vosso sistema.
A.K. – Vós admitis que cada um é bom juiz naquilo que é da sua competência. As ciências vulgares repousam sobre as propriedades da matéria que se pode manipular à vontade. Os do Espiritismo têm por agentes inteligências independentes e não estão submetidas aos nossos caprichos. A ciência, pois, enganou-se quando quis experimentar os Espíritos como se fosse uma pilha voltaica; ela fracassou, e assim deveria sê-lo porque usou uma analogia que não existe. Depois, sem ir adiante, ela concluiu pela negativa. Muitos sábios fizeram o seguinte raciocínio: “Não há efeito sem causa, e os mais vulgares efeitos podem conduzir ao caminho dos maiores problemas”. Disseram ainda, por outro lado: “Uma vez que tantas pessoas deles se ocupam, uma vez que homens sérios delas fizeram um estudo, é preciso que haja aí alguma coisa”.
O céptico – Muito bem, eis um sábio que raciocina com sabedoria e prudência e, sem ser sábio penso como ele. “Sobre o que basear a crença na existência dos Espíritos e, sobretudo, na possibilidade de comunicação com eles?”
A.K. – Essa crença se apoia sobre o raciocínio e os fatos. Eu mesmo não a adotei senão depois de um maduro exame. Tendo adquirido nas ciências exatas, o hábito das coisas positivas, eu sondei, perscrutei essa nova ciência em seus detalhes mais ocultos. Eu quis conhecer tudo porque não aceito uma ideia senão quando lhe conheço o porquê e o como. Eis o raciocínio que me fez acreditar e aceitar o Espiritismo. “Diz-se que os seres invisíveis se comunicam; e por que não?” Antes da invenção do microscópio supunha-se a existência desses bilhões de bactérias? Teríamos por acaso a pretensão de tudo saber e de dizer a Deus que ele nada mais nos pode ensinar? Se os seres invisíveis que nos cercam são inteligentes, por que não se comunicariam conosco? Aqueles que creem nisso, são ridicularizados; mas o que isso prova? Não ocorreu o mesmo com todas as descobertas?
O céptico – Sem dúvida; mas do fato de uma coisa ser possível, não se segue que ela exista.
A.K. – De acordo; mas convireis que já é uma grande coisa desde que ela não é impossível. O Espiritismo com as suas manifestações não é coisa moderna, muito longe disso;  tudo prova que os antigos o conheciam tão bem  e talvez melhor que nós. Quanto aos fatos, eles são de duas naturezas: espontâneos e provocados. Os primeiros são as visões e aparições que são muito frequentes; os ruídos, barulhos e movimentação de objetos sem causa material e uma multidão de efeitos que estão na lei da Natureza; os fatos provocados são aqueles que se obtém por intermédio dos médiuns.  
O céptico – É contra os fenômenos provocados que se exerce a crítica. Admitamos uma inteira boa fé; não se poderia pensar que eles próprios são joguete de uma alucinação?
A.K. – Supondo-se que o médium, por um efeito de sua imaginação, creia ver o que não existe, é provável que todo um grupo esteja tomado de mesma vertigem?  Que se repita por todos os lados, em todos os países? A alucinação, nesse caso, seria mais prodigiosa que o fato.
O céptico – Admitindo-se a realidade dos fenômenos, não é mais racional atribuí-lo à ação de um fluido qualquer, por exemplo, o fluido magnético?
A.K. – Tal foi o primeiro pensamento e eu o tive como tantos outros. Mas quando esses movimentos e golpes deram provas de inteligência e respondiam as perguntas com inteira liberdade, tirou-se esta consequência: se todo efeito tem uma causa, todo efeito inteligente tem uma causa inteligente. Quando vedes o manipulador do telégrafo fazer os sinais que transmitem o pensamento, sabeis bem que não são esses braços de ferro que são inteligentes, mas dizeis que uma inteligência os faz mover. Ocorre o mesmo com os fenômenos.
O céptico – Os Espíritos devem ter interesse em fazer prosélitos. Por que não consentem nos meios para convencer certas pessoas cuja opinião seria de grande influência? 
A.K. – É que no momento eles não têm interesse em convencer certas pessoas, cuja importância não mede como elas próprias.   É um pouco lisonjeiro, mas nós não comandamos suas opiniões;  eles  
veem, pensam e agem segundo outros elementos, enquanto nossa visão está circunscrita pela matéria no qual nos encontramos. Para compreendê-los, é preciso se elevar pelo pensamento acima do nosso horizonte material; não cabe a eles descerem até nós, mas nos elevarmos até eles e é isso que nos conduz o estudo e a observação. Os          Espíritos se afastam  desses pretensos que, nada tendo observado, pretendem manobrá-los como marionetes. Para estes, os Espíritos nada fazem e se inquietam pouco com o que eles pensam ou falam.
O céptico – Falastes de meios de comunicação; poderíeis dar-me uma ideia deles, porque é difícil compreender como esses seres invisíveis podem conversar conosco? 
A.K. – Certamente, porém o farei ligeiramente porque isso exigiria uma explicação muito grande que encontrais em O Livro dos Médiuns. Certos Espíritos se comunicam por pancadas, respondendo por sim ou por não, ou designando as letras que devem formar as palavras. Esse modo primitivo é demorado e dificilmente para as ideias de uma determinada extensão. A escrita a substituiu. Primeiro serviu-se de um objeto móvel, como uma prancheta, uma cesta, a qual se adaptava um lápis cuja ponta repousava sobre o papel. O médium colocava as mãos sobre esse objeto, transmitindo-lhe a influência que recebe do Espírito, e o lápis traça os caracteres. Reconheceu-se depois a inutilidade desse intermediário. Hoje os Espíritos se manifestam e podem transmitir seus pensamentos, por sons articulados, seja no vago do ar, seja no ouvido, pela voz do médium, por desenhos, pela música e por outros meios. Temos, assim, os médiuns de efeitos físicos que produzem as pancadas; os médiuns auditivos, falantes, videntes e escreventes, sendo esta faculdade a mais comum e também a mais preciosa, que permite comunicações mais frequentes e rápidas.
O céptico – O procedimento me parece dos mais simples. Ser-me-á possível experimentá-lo eu mesmo?
A.K. – Perfeitamente, se estiverdes dotado da faculdade mediúnica; esse seria o melhor meio de vos convencer, porque não poderíeis duvidar de vossa boa fé. As comunicações dos Espíritos estão cercadas de mais dificuldades do que se pensa; elas não estão isentas de inconvenientes e perigos, para aqueles que não têm a experiência necessária. Ocorre o mesmo com quem quisesse fazer misturas químicas sem conhecê-la; correria o risco de se queimar.
Terceiro Diálogo – O padre             
Padre- Permiti-me, senhor, dirigir-vos algumas questões?
Allan Kardec – Perfeitamente, senhor, mas antes creio ser útil fazer-vos conhecer o terreno sobre o qual eu tenciono me colocar convosco. Primeiramente, devo declarar-vos que não procurarei, de nenhum modo, converter-vos às nossas ideias. Se desejeis conhecê-las detalhadamente, as encontrareis nos livros onde elas estão expostas. A liberdade de consciência é uma consequência da liberdade de pensar, que é um dos atributos do ser humano. Tal é, senhor, a linha de conduta que tive com os ministros de diversos cultos que a mim se dirigiram.
Padre – Se a Igreja, vendo surgir uma nova doutrina, nela encontra princípios que no seu entender, crê dever condenar, contestai-lhe o direito de discutir e combater, de precaver seus fieis contra aquilo que ela considera um erro?
A.K. – De nenhuma maneira contestamos um direito que reclamamos para nós também. Se ela tivesse se contido nos limites da discussão, nada de melhor; mas, os sermões que pregam, vereis a injúria e a calúnia extravasar de todas as partes, e os princípios da doutrina  sempre julgados indignos e maldosamente deturpados. Do alto do púlpito, os partidários da doutrina não são qualificados de inimigos da sociedade e da ordem pública? Não se afligiram por não haver para os espíritas as fogueiras da inquisição? A Igreja não impôs, a todos os fieis, fugirem dos espíritas como de pestilentos; as mulheres não foram solicitadas a separarem de seus maridos e os maridos de suas mulheres, por causa do Espiritismo? Não foram despejados de certos asilos, até os cegos, porque não quiseram abjurar suas crenças? Os espíritas opuseram a injúria pela injúria, o mal pelo mal? Não. A tudo opuseram a calma e a moderação e a consciência pública já lhes rendeu justiça de que os espíritas não foram os agressores.
O padre – Todo homem sensato deplora esses excessos; mas a Igreja não poderia ser responsável pelos abusos de seus membros pouco esclarecidos.
A.K. – Concordo com isso; mas esses membros pouco esclarecidos são os príncipes da Igreja. Vede a pastoral do bispo de Argel e de outros. Não foi um bispo que ordenou colocar na fogueira as obras espíritas no auto de fé de Barcelona?
Um pensador – Tendes proclamado a toda hora, a liberdade de pensamento e de consciência, e declarado que toda crença sincera é respeitável. O materialismo é uma crença  como qualquer outra, por que não gozaria ele da liberdade que concedeis as outras?
A.K. – Cada um é livre para crer no que lhe agrada, ou para não crer em nada. Combatendo o materialismo, nós atacamos não os indivíduos, mas uma doutrina que, se é inofensiva para a sociedade quando se encerra no íntimo da consciência de pessoas esclarecidas, é uma calamidade social se ela se generaliza. A crença de que tudo termina para o homem depois da morte, que toda solidariedade, cessa com a morte, daí a máxima: cada um por si durante a existência, uma vez que nada há além dela. A caridade, a fraternidade, a moral  não têm nenhuma razão de ser. Por que se mortificar, se reprimir, se privar hoje quando, amanhã não mais existiremos? A negação do futuro, a simples dúvida sobre o futuro, são os maiores estimulantes do egoísmo, fonte da maioria dos males da Humanidade. A crença na vida futura, mostrando a perpetuidade das relações entre os homens, estabelece entre eles uma solidariedade que não termina no túmulo: ela muda assim, o curso das ideias. É isso o que prega o Espiritismo, e com sucesso,  porque dá as provas, e porque em definitivo,  o homem prefere ter a certeza de viver feliz em um mundo melhor. O pensamento de se ver aniquilado para sempre, de crer os filhos e os seres que amamos perdidos sem retorno, não satisfaz e nem é a Lei de Deus.
O padre – Nossa religião ensina tudo isso e bastou até o momento, qual a necessidade de uma nova doutrina?
A.K. – Se a vossa religião basta, por que há tantos incrédulos, religiosamente falando? A vossa religião ensina, é verdade, e nos diz para crer; mas há muitas pessoas que não creem apenas em palavras. O Espiritismo prova e faz ver o que a religião ensina por teoria. Ora, é provável que os Espíritos  se manifestem com a permissão de Deus; se pois, Deus, em sua misericórdia, envia aos homens  esse socorro para tirá-los da incredulidade, é uma impiedade recusá-lo.
O padre – Não discordais, entretanto, que o Espiritismo não está de acordo com a religião?
A.K. – Senhor,  as religiões  dirão a mesma coisa: os protestantes,  os judeus, os muçulmanos e os católicos. Se o Espiritismo negasse a existência de Deus, da alma, da sua individualidade e também de
sua imortalidade, das dívidas e das recompensas futuras, do livre arbítrio do homem; se o Espiritismo ensinasse que cada um neste mundo, não deve pensar senão em si mesmo, ele seria não somente contrário  à religião católica, mas a todos as religiões do mundo. Longe disso, os Espíritos proclamam um Deus único soberanamente justo e bom, que o homem seja livre e responsável por seus atos, recompensado ou punido segundo o bem ou o mal que tenha praticado. Eles ainda colocam sobre todas as virtudes a caridade, regra sublime ensinada pelo Cristo; e agir para com os outros como gostaríamos que agissem para conosco. Eles fazem mais:  iniciam-nos nos mistérios da vida futura, que para nós não é mais uma abstração, mas uma realidade, porque nos veem descrever suas situações e nos dizer como e porque eles sofrem ou são felizes. Que há nisso de antirreligioso? Essa certeza do futuro, de reencontrar com aqueles que amamos, não é uma consolação?
O padre – Eu concordo que para as questões gerais, o Espiritismo está conforme as grandes verdades do Cristianismo; mas ocorre o mesmo no ponto de vista dos dogmas? Ele não contradiz certos princípios que a Igreja nos ensina?
A.K. – O Espiritismo é, antes de tudo, uma ciência e não se ocupa com questões dogmáticas. Ele tem consequências morais como todas as ciências filosóficas e são boas ou más? Pode-se julgá-las pelos princípios gerais que acabo de lembrar. O Espiritismo está fundado sobre a existência de um mundo invisível, formado de seres incorpóreos que povoam o espaço e que são as almas daqueles que viveram na Terra a quem damos o nome de Espíritos. O Espiritismo depois que se vulgarizou, veio lançar luzes sobre uma multidão de questões até então insolúveis ou  mal compreendidas, e a prova disso é que existem entre seus adeptos homens de todas as crenças que não renunciaram por isso às suas convicções.
O padre – Não fazeis, entretanto, as evocações depois de uma fórmula religiosa?
A.K. – Sim, colocamos um sentimento de religiosidade nas nossas evocações e nas nossas reuniões, mas não há formula sacramental; para os Espíritos o pensamento é tudo e a forma é nada. Nos os chamamos em nome de Deus porque cremos em Deus, e sabemos que nada se faz neste mundo sem a Sua permissão, e se Deus não lhes permitir vir, eles não virão. Fazemos um apelo aos bons Espíritos porque sabemos que há bons e maus.
O padre – Que dizem os Espíritos superiores com respeito á religião? Suponha que eu não tenha religião e quero escolher uma. Se eu lhes perguntar eles me aconselharão a me tornar católico, protestante, espírita, judeu ou maometano, que responderão eles?
A.K. – Há dois pontos a considerar nas religiões: os princípios gerais, comum a todas as religiões, e os princípios particulares de cada uma. Os primeiros são aqueles de que falamos toda hora; quanto aos segundos, os Espíritos vulgares sem serem maus, podem ter preferência e opiniões; eles podem indicar tal ou qual forma. Os Espíritos superiores, quando não são solicitados por nenhuma consideração especial, não se preocupam com questões de detalhes. Eles se limitam a dizer: “Deus é bom e justo; ele não quer senão o bem; a melhor de todas as religiões, pois, é aquela que ensina conforme a bondade e a justiça de Deus; que dá de Deus uma ideia mais ampla, mais sublime, e não o rebaixa com as paixões e pequenez da Humanidade”. Vede, julgai e escolhei.
O padre – Dizeis que o Espiritismo não discute os dogmas, todavia, admite certos pontos combatidos pela Igreja, como: a presença do homem na Terra antes de Adão, a reencarnação, nega a eternidade das penas, a existência do demônio, o purgatório e o inferno.
A.K. – Acreditais que o mundo foi criado, em todas as suas partes, em seis vezes vinte e quatro horas e que o homem está sobre a Terra há apenas seis mil anos? Se é essa vossa opinião, isso não impedirá da Terra em suas camadas geológicas provar o contrário; se acreditais que temos uma só existência corporal, se vos agrada; isso não impedirá de renascer aqui ou alhures, se assim deve ser, malgrado vós. Quanto a eternidade das penas, se fosse possível por a questão em votação, os homens em estado de raciocinar e de compreender, ver-se-ia de que lado fica a maioria, porque a ideia de uma eternidade de suplícios é a negação da infinita misericórdia de Deus. Acreditai em tudo que quiserdes, mesmo no diabo, se essa crença pode vos tornar bom, humano e caridoso para com os seus semelhantes. O inferno foi descrito como uma imensa fornalha; mas a teologia diz muito bem que é uma figura e que o fogo é moral, símbolo das dores maiores. Essa doutrina está mais conforme a justiça de Deus que pune enquanto se persiste no mal e perdoa quando se entra no bom caminho.
O padre – A Igreja, com efeito, reconhece hoje, que o inferno é uma figura;  mas não  exclui  a  existência dos demônios, pois sem eles,
não se sabe explicar a influência do mal, que não vem de Deus!
A.K. – O Espiritismo não admite os demônios no sentido vulgar da palavra, mas admite os maus Espíritos que fazem igualmente o mal; somente ele diz que esses seres não são à parte, criados para fazer o mal e sempre devotados ao mal, mas Espíritos ainda imperfeitos, aos quais, Deus lhes permite se melhorarem no futuro, por meio das reencarnações. Anotai ainda que a palavra demônios, originária do grego daimôn, significava gênio, inteligência.
O padre – Se a Igreja proíbe  as comunicações com os Espíritos dos mortos é porque são contrários à religião, e condenadas por Moisés que anunciou a pena de morte contra essas práticas, por serem repreensíveis aos olhos de Deus.
A.K. – Eu peço que observe que essa proibição não está em nenhuma parte do Evangelho; ela está somente na lei mosaica. Trata-se de saber se a Igreja coloca a lei mosaica que é judia, acima da lei evangélica, que é cristã. A proibição feita por Moisés tinha sua razão de ser porque ele queria que o seu povo rompesse com todos os costumes adquiridos com os egípcios e que era motivo de abuso. Se ele pronunciou contra esse abuso uma penalidade severa, é que precisava de meios rigorosos para conter seu povo indisciplinado e ignorante; a pena de morte era prodigalizada na sua legislação. Se a proibição de evocar os mortos veio de Deus, como pretende a Igreja, deve ter sido também Deus quem autorizou a pena de morte contra os infratores. Havia naquele tempo duas leis; a mosaica que era apropriada para conter àquele povo rústico e selvagem, e que Moisés dizia ser de Deus, que Jesus aboliu, e a real lei divina resumida nas tábuas (Decálogo) recebidas no Monte Sinai, que o Cristo só fez dar desenvolvimento. Se a Igreja proíbe evocar os mortos, de acordo com o que fez Moisés, não evita que eles venham se comunicar todos os dias, em todas as partes do mundo. Uma contradição: Se Moisés proibiu a evocação dos mortos foi porque esses Espíritos poderiam se comunicar de outro modo á proibição teria sido inútil, e se eles podiam naquele tempo, por que não podem nos tempos atuais?
O padre – A igreja não nega que os bons Espíritos possam se comunicar, uma vez que reconhece que os santos se manifestam: mas ela não reconhece como bons os que vêm contradizer  os seus princípios. Os Espíritos ensinam as penas e as recompensas, mas não ensinam como a Igreja e só ela pode julgar os bons e os maus.
A.K. – Eis a grande questão. Galileu foi acusado de heresia e de ser inspirado pelo demônio, porque revelou uma lei da Natureza, provando o erro de uma crença que era inatacável e exclusiva da Igreja; e se ela não tivesse cerceado a liberdade de consciência os Espíritos teriam sido bem-vindos e não qualificados de demônios. As religiões dos muçulmanos e dos católicos se creem na posse exclusiva da verdade, considerando como obra do demônio toda doutrina que não aceite seu ponto de vista. Ora os Espíritos não vêm destruir as crenças, mas, como Galileu, revelar as leis da Natureza, e se alguma lei não coincide com a fé da Igreja, ela está em contradição com as leis divinas que são obras de Deus.
O padre – Passemos a falar sobre a reencarnação que me parece mais difícil conciliar com os dogmas, porque ela não é outra coisa senão a metempsicose renovada de Pitágoras.
A.K. – A Metempsicose dos antigos consistia na transmigração da alma do homem para os animais, o que significa uma degradação. A pluralidade das existências terrenas segundo o Espiritismo difere muito da metempsicose, no sentido de que não se admite a encarnação da alma nos animais mesmo como punição. Os Espíritos ensinam que a alma não retrograda, isto é, não recua, mas progride sem cessar. Suas diferentes existências se realizam no corpo físico (Humanidade); cada existência é para ela um passo adiante na senda do progresso intelectual, moral e espiritual. Não podendo adquirir o desenvolvimento completo em uma única existência, Deus lhe permite continuar a sua tarefa em novas encarnações para sua elevação espiritual, até atingir a angelitude. Aqueles que não quiserem aceitar estão livres, como antigamente, para crer que o Sol é que gira em redor da Terra. Quando ela for reconhecida como verdade natural e for aceita por todo o mundo, como ficará a Igreja? Sendo ela uma lei natural, criada por Deus, não poderá ser anulada por nenhuma opinião contrária.
O padre – Aqueles que não creem nos Espíritos e em suas manifestações, são menos dotados na vida futura?
A.K. – Se essa crença fosse indispensável à salvação dos homens, como seriam aqueles que, desde que o mundo existe não a puderam ter, e aqueles que, por muito tempo ainda, morreram sem a conhecer? Como ficariam também os que não conheceram os ensinos de Jesus?  Deus pode lhes fechar a porta? – Não; os Espíritos que nos instruem são mais lógicos e nos dizem: Deus é soberanamente justo e bom e não faz distinção de seus filhos. Eles não dizem: “Fora do Espiritismo não há salvação”, mas como Jesus: “Fora da caridade não há salvação”. A salvação depende, portanto das nossas ações praticadas no sentido do bem, da caridade e do amor. Qual vale mais aos olhos de Deus: a prática das virtudes cristãs, sem os deveres dos dogmas; ou a prática dos dogmas sem as da moral e do amor ao próximo?...

DOUTRINA DOS ESPIRITOS - ESPIRITISMO
Os Espíritos Superiores que se manifestaram são unânimes em afirmar que Allan Kardec foi enviado por Jesus a Terra para realizar a codificação da Doutrina dos Espíritos, o Consolador Prometido, que representa a continuação histórica do Cristianismo e restabelece os ensinos de Jesus em espírito e verdade. A passagem de Kardec pelo planeta foi muito importante; porque se não tivesse surgido a Doutrina, ainda hoje estaríamos sem entender Jesus, pois decorridos muitos séculos da era cristã não O compreendemos e suas palavras foram modificadas e desfiguradas pelos seres humanos através dos tempos, para dar lugar a cerimônias e dogmas que nada tem com o Evangelho. Kardec veio restabelecer todas as coisas e pô-las em seus devidos lugares.
Datam da mais remota antiguidade, as tentativas de comunicações  dos mortos, mas somente no século dezenove, com a estruturação da Doutrina dos Espíritos, em termos teóricos, foi que isso efetivamente ocorreu. Apesar das primeiras manifestações tidas como espíritas, terem sido efetuadas na América do Norte, foi, no entanto, no seio acolhedor da França, ponto convergente das atenções do mundo, devido á revolução que adotou a legenda da “Fraternidade, Liberdade e Igualdade”, que surgiu a figura do professor Hippolyte Leon Denizard Rivail, que observou e estudou os fenômenos das “mesas falantes”, e reuniu os princípios essenciais, ditados pelos Espíritos Superiores, formando um corpo doutrinário a que denominou de “Doutrina dos Espíritos”, no seu tríplice aspecto de Ciência, Filosofia e Religião. Em 18 de abril de 1857, foi publicado em Paris, o primeiro livro da codificação, com o título de “O Livro dos Espíritos”. Hippolyte usou o pseudônimo de Allan Kardec, para ela não ser reconhecida como mais uma obra sua, em virtude de já ter algumas obras publicadas, mas, como uma obra dos Espíritos Superiores.
A Doutrina dos Espíritos é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos. Bem como de suas relações com o mundo corporal. Como filosofia, explica as consequências que se originam dessas relações e os ensinamentos de Jesus a luz da Doutrina. Como religião, religa a criatura ao Criador, através do conhecimento das leis Divinas, e pela Fé na Bondade, Justiça e Amor de Deus. Os principais fundamentos do Espiritismo são: 1- A aceitação da existência de um Ser Superior a que denominamos DEUS; inteligência suprema, criador do Universo e de todas as coisas e seres; 2- A aceitação de Jesus, como guia e protetor espiritual da Terra; 3- A crença na existência do espírito, envolvido pelo perispírito que, quando encarnado, tem a denominação de alma, e que, após a morte física, conserva a lembrança de todas as situações terrenas; 4- A crença no livre-arbítrio, que determina o destino do espírito de acordo com a causa e o efeito de seus atos; 5- A crença na reencarnação, através da qual o espírito vai evoluindo nos planos intelectual, moral e espiritual; 6- A crença na comunicação dos espíritos com os humanos e destes para com os espíritos; 7- A crença na pluralidade dos mundos habitados; uns atrasados e outros evoluídos.  Por meio destes três últimos princípios, podemos nós espíritas entender o que Jesus nos quis dizer, há dois mil anos passados; a- Quando apareceu aos seus discípulos, no Monte Tabor, conversando com os espíritos de Elias e Moisés; b- Quando se juntou aos seus seguidores, a caminho de Emaús, após sua morte física, se fazendo conhecer por eles e desaparecendo depois;  c- Quando se comunicou com Saulo de Tarso, na estrada de Damasco; d- Quando respondendo aos seus discípulos, disse: “Se vós bem quereis compreender, João Batista é o Elias que há de vir”; e- Quando disse a Nicodemos: “Não te maravilhes de te haver dito. Necessário vos é nascer de novo”; f- Quando respondendo a Pilatos, disse: “Meu reino não é deste mundo”; g- “Quando falando aos seus discípulos, disse: “Há muitas moradas na casa de meu Pai; se assim não fosse, eu já vos teria dito, porque eu vou para vos preparar o lugar”...
Fontes:
“O que é o Espiritismo”
“Doutrina dos Espíritos”
+ Supressões e modificações.

Jc.   (ortsac1331@gmail.com)
São Luís, 12/10/2015