terça-feira, 10 de novembro de 2015

AS CRIANÇAS E A TELEVISÃO




 O avanço tecnológico permitiu um progresso sem precedentes nos veículos de comunicação. Transmissões de locais de difícil acesso, imagens em tempo real via satélite e outros tantos recursos permitem que milhares de informações e imagens, das mais diversas culturas e fatos, invadem a nossa casa e os quartos de nossas crianças, através da TV ou da Internet. O que fazer? Liberar, proibir, ou o que deve ser proibido? São perguntas atormentam os pais angustiados.

O fato de a televisão ter se tornado uma “ocupação” constante para a criança é visto com cautela pelos pais. Ao mesmo tempo em que tal ação representa o indício  de que a criança está se integrando aos novos tempos, significa também que ela pode estar se envolvendo com o que há de pior neste espaço de informações e imagens indiscriminadas. Quanto maior a oferta de informação, maior a dificuldade em julgá-la, isto é, separar seu valor de exemplo ou de contraexemplo, distinguir seu caráter de realidade ou fantasia, qualificar como positiva ou negativamente a informação ou a imagem.

A violência e a erotização é uma constante e para esse excesso indiscriminado é que os pais temem expor seus filhos, e pode ser exemplificada no filme “A Vida é Bela”, de Roberto Benigni. Nele, um pai preso com seu filho num campo de concentração, finge que aquilo tudo não passa de uma espécie de jogo, uma brincadeira que no fundo não é tão real quanto parece. Observamos em muitos pais, o desejo de  tentarem restringir o acesso a essa realidade “dura demais”, impondo limites. É melhor não saber daquilo com que não se pode lidar ou entender. Estas duas atitudes de proteção, por desqualificação ou por restrição, estão cada vez mais difíceis de sustentar.

Em uma época onde é importante saber de tudo e o quanto antes, os pais se vêem pressionados a introduzir cada vez mais cedo os filhos nesse mundo de informações. Exemplo disso está no alto valor que a cultura “informática” adquire para a educação em nossa época. Mais além, deve-se registrar a sobreposição crescente entre o saber que se ensina formalmente nas escolas e o saber ligado ao entretenimento. Na classificação dos saberes, duas figuras encabeçam a lista do que se deve evitar expor as crianças: a violência e a erótica dos costumes.  É claro que programas que exploram diretamente tais aspectos, devem ter seu acesso vetado à criança. Há um consenso de que a exposição a tais programas é um fator de risco para o desenvolvimento social e cognitivo. Mas como fazê-lo? O veto ao acesso a certos programas ou jogos em função de seu risco potencial é muito difícil de cumprir.

Sabe-se que entre a oferta de um programa educativo bem produzido,
Para a faixa etária, e um lixo industrial potencialmente danoso, a escolha da criança pode se dirigir preferencialmente para o primeiro caso, principalmente se os pais e a escola trabalharem ativamente nesse sentido. Diante da intensa e extensa exposição da mídia, a que nossas  crianças são submetidas, e o trabalho para conter o acesso ao imaginário da violência e da sexualidade é árduo. Mesmo assim, pais e educadores devem manter a atitude criteriosa quanto à seleção e incentivo do tipo preferencial de programação a assistir.

Nas escolas de educação infantil uma estratégia que pode ser utilizada é trazer a própria criança para o centro da avaliação do que é ruim ou bom assistir, estimulando diretamente o julgamento do que é apresentado e enfatizado, e a tarefa de qualificação da informação pela própria criança. Isso implica em deslocar o problema do que pode ou não ser assistido, interpretando o que é dado. Tal ação auxilia no que podemos chamar de formação ética ou estética de nossas crianças, desenvolvendo seu raciocínio crítico. Nesta medida, proibir um programa de baixa qualidade é muito menos eficaz do que assisti-lo e comentá-lo criticamente com a criança, mostrando por que aquele é um programa ruim. O fato, entretanto, é que poucos pais sabem efetivamente o que seus filhos assistem, e a situação tende a piorar com o passar do tempo. Exemplo: A televisão no quarto da criança onde  o acesso ao que é assistido não é compartilhado ou fiscalizado, torna-se  um  problema muito maior do que se imagina, por causa dos pedófilos.

A vida banalizada pela violência, pelas drogas e pelo sexo é diariamente retratada pela televisão. Para a criança que está em fase de desenvolvimento, período onde o mundo da fantasia e o mundo real confundem-se, os parâmetros dados pela família e pela escola de educação infantil são fundamentais, pois são eles que nortearão o saber e a construção de um aparato cognitivo que seja capaz de fazer a criança diferenciar o real do imaginário, o certo do errado, o bom do mau. É na socialização das idéias com os pais, com o professor, com os colegas de sala de aula que a criança constrói seu conhecimento que o acompanhará por toda a existência.

Leia também o artigo “O Poder da Televisão”

Bibliografia
Ana Cristina Dunker
Jornal “Mundo Jovem” – 05/2005
+ pequenas modificações

Jc.
S.Luis, 17/4/2012
Refeito em 3/8/2015

A ORIGEM DO CRISTIANISMO





Vendo Deus, os homens se hostilizarem numa existência de egoísmo; uns amontoando haveres, outros sucumbindo famintos, uns governando como tiranos, outros obedecendo como escravos; chamou a Jesus e disse-lhe: “Filho bem amado; vai a Terra e dize àquelas pessoas que eles são todos irmãos, filhos meus, criado por mim que tenho reservado a todos igual destino. Ensina-lhes que minha lei é de Amor.  Esforça-te por fazê-los compreender essa Lei;  exemplifica-a do melhor modo possível, ainda mesmo com o sacrifício de tua parte. Quero que o egoísmo desmedido, que  impera no coração dos homens, seja substituído  pela fraternidade e pelo amor. Sei que essa missão  será difícil, que vai custar muito, mas não importa; minha vontade é essa.
Tu serás a encarnação do meu verbo. Falarás aos homens, instrui-los-ás no conhecimento desta verdade. Eu estarei sempre contigo.  E Jesus, filho dileto e obediente, ouviu a palavra do Pai, e, compenetrado da missão que recebera, veio ao mundo. Nasceu num estábulo, para mostrar  que tinha humildade e não as vaidades  vigente entre os homens.
Cresceu, fez-se homem, e deu início ao cumprimento da missão recebida.  Começou a instruir a Humanidade. Pregava nas praças públicas, nas praias, nas sinagogas, nos montes, onde quer que Ele reunisse o povo. Percorria aldeias, vilas e cidades, anunciando e exemplificando a Lei do Amor, dizendo entre outras coisas: - Homens; vós sois irmãos;  amai-vos mutuamente; pois tal é a única e verdadeira religião. A vossa sociedade está dividida; há entre vós separações profundas. Uns dispõem do poder com tirania; outros se submetem como servos. O grande oprime o pequeno. O fraco é esmagado pelo forte. Para os ricos, todas as regalias, todos os privilégios; para os pobres, somente trabalhos e angústias. Tendes concentrado toda a vossa aspiração na posse da terra e dos seus bens. O egoísmo domina-vos. É necessário que vos reformeis.
 A existência, que ora fruís no mundo, é apenas uma oportunidade que o Pai vos concede para conquistardes o futuro brilhante que Ele vos reserva. Aspirais, pois, de preferência, pelos bens espirituais, que o ladrão não rouba e a traça não rói. Tal é a vontade do Pai, e vós o adorais com os lábios, porém não o fazeis com o coração.  Deus é Espírito e como tal deve ser compreendido. Ele não está encarcerado nos templos de pedras como supõem os judeus.
Enquanto Jesus assim  falava, ia curando  todos os  enfermos que encontrava, e tudo fazia por amor, sem receber nenhuma paga pelos benefícios que distribuía. O povo escutava-o com avidez, pois, até então, jamais alguém pregara semelhante doutrina de  igualdade e de amor. Enquanto isso, o clero e as autoridades já começavam  a inquietar-se  vendo na doutrina de Jesus, um perigo para as instituições vigentes e para os privilégios que eles desfrutavam como representantes do Estado e da Igreja.
Os dois poderes, o temporal e o espiritual resolveram agir em defesa de seus mútuos interesses seriamente ameaçados e trataram logo de prender Jesus, e o levaram ao sinédrio, onde os sacerdotes o acusaram de herege, nivelando os senhores e os escravos e dizendo que todos são iguais, de não guardar as tradições de Moisés, e em seguida o levaram a Pilatos para que ele lavrasse a sentença, dizendo: Se não o condenares não és amigo de Cesar, que temos por rei, e esse Jesus se diz rei. Pilatos, acovardado pela ameaça, condenou Jesus para ser crucificado.
Jesus, antes de exalar o último suspiro voltou-se para os que estavam ao pé da cruz e disse-lhes: - Não vos entristeçais; eu não vos deixarei órfãos, eu vos enviarei o Consolador, o Espírito de Verdade, que lhes relembrará tudo o que tenho dito e muitas coisas mais, e erguendo os olhos para o céu, acrescentou: Pai cumprido está o teu mandato. Recebe o meu Espírito...
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Jesus não veio ao mundo fundar uma nova Igreja e não trouxe a Terra mais um sistema religioso. Ele recebeu uma missão: Revelar Deus à Humanidade. Encarnando Deus e a sua justiça, não fez obra divina: revelou a obra divina. Destruiu o personalismo, o sectarismo, fazendo ver aos homens que não devem se preocupar em  criar religiões, mas conhecer a verdade e a verdade é eterna e coexiste com Deus.  Deus se revela ao mundo de todas as formas. As maravilhas da criação, a harmonia dos astros e do Universo, a sabedoria das leis que regem a criação, são manifestações inequívocas da Divindade.
O mundo já o conhecia na exteriorização de sua força e poder, da sua sabedoria e de sua inteligência. Era necessário que o conhecesse também através de sua bondade e do seu amor. Já o tinham visto como o supremo arquiteto e Senhor dos Céus e da Terra. Era, porém, preciso que o conhecessem na intimidade como um Pai justo e bondoso.  Nesse ambiente não havia quem pudesse revelá-lo sob esse prisma, e então veio Jesus ao mundo desempenhar essa missão. Os profetas, como emissários  entre o Céu e a Terra, falaram de Deus aos homens. Jesus, como Cristo fala de Deus na qualidade de filho do próprio Deus; veio revelar a sua justiça e misericórdia: Essa foi a missão confiada a Jesus...
Assim, se passaram muitos séculos; mas, um dia menos um dia  a luz vencerá as trevas, a liberdade se oporá à escravidão, a justiça destronará a tirania, e, ao reinado do egoísmo, sucederá o reinado do amor. Passarão o céu e a terra, mas a sua palavra não passará...

Fonte:
Vinícius no livro
“Nas pegadas do Mestre”
+ Pequenas modificações.

Jc.

São Luís, 19/10/2015