sábado, 21 de novembro de 2015

COLETÂNEA ESPIRITUAL




  O PORQUÊ DA VIDA
Qual o ser humano que, nas horas vagas de silêncio e recolhimento, deixou de interrogar a Natureza e o seu próprio coração, pedindo-lhes o segredo das coisas, o porquê da existência, a razão do Universo? – Onde está quem não tenha procurado conhecer o seu destino; o porquê da morte; saber se Deus é uma ficção ou uma realidade? – Não há um ser humano que por mais indiferente que seja que não tenha interrogado sobre esses grandes problemas. Haverá em nós um elemento que persista depois da morte do corpo? Haverá qualquer coisa da nossa consciência, da nossa personalidade moral, da nossa inteligência, do nosso “eu”, que subsista à decomposição do invólucro material (corpo)? Você já procurou a resposta para tudo isso? – Saber o porquê da vida?

O SANTUÁRIO
Noutros tempos, as nações admiravam como maravilhas o Colosso de Rodes, os Jardins Suspensos da Babilônia, o Túmulo de Mausolo, e, hoje, não há quem não fique admirado diante das obras da engenharia moderna, quais sejam; a Catedral de Milão, a Torre Eiffel, os Arranha-céus de Nova Iorque, o Cristo Redentor no Rio de Janeiro, etc. Raros estudiosos, no entanto, se lembram dos prodígios da construção do corpo humano, realização paciente da Sabedoria Divina,  corpo esse que é o templo da alma, em temporada na Terra. Por mais que se tenha inteligência, até agora não se consegue explicar, em toda a sua harmoniosa complexidade, o milagre do cérebro, com bilhões de células; o sistema nervoso, com os gânglios  e células sensíveis, portador de uma corrente necessária, com a velocidade de setenta metros por segundo; a câmara ocular, onde as imagens viajam, da retina para o cérebro, onde se incorporam às telas da memória, como patrimônio do Espírito; o sentido da audição, com seus complicados recursos para o registro dos sons e para a fixação deles nos recessos da alma, que seleciona ruídos e palavras, definindo-os e catalogando-os; o centro da fala, nas papilas da língua, a sede miraculosa do gosto, com um potencial gustativo que ultrapassa 2.000 sensações; o esqueleto ósseo, as fibras musculares, o aparelho digestivo, o tubo intestinal, o motor do coração, a fábrica de sucos do fígado, o sistema sanguíneo com seus milhões de vidas microscopias e com suas artérias vigorosas, que suportam a pressão de várias atmosferas; os pulmões, o serviço dos rins, a epiderme e os demais órgãos do corpo humano.

No corpo humano, temos na Terra o mais sublime dos santuários;  uma máquina que é uma maravilha da obra divina. Da cabeça aos pés, sentimos a glória do Supremo Criador, que pouco a pouco, organizou para o Espírito em progresso, o corpo em que a alma se manifesta. Comparemos essa máquina humana, esse computador celeste, a um escritório, subdividido em diversas secções de trabalho, possuindo o departamento do desejo, em que operam os propósitos e as aspirações; o departamento da inteligência, dilatando os patrimônios da cultura e evolução; o departamento de imaginação, guardando as riquezas do ideal e da sensibilidade; o departamento da memória, arquivando as experiências; e outros departamentos que definem os investimentos da alma. Acima de todos eles, surge o Gabinete da Vontade, esclarecida e vigilante, governando todos os setores da ação. Para considerar-lhe a importância, basta lembrar que ele é o leme de todos os tipos de ações incorporados ao nosso dia-a-dia. Ele dispõe do botão poderoso que decide o movimento ou a inércia da máquina humana. O cérebro é o dínamo que produz a energia mental, no entanto, na vontade temos o controle que dirige nossas ações nesse ou naquele rumo, estabelecendo as causas do nosso destino. Só a vontade é suficientemente forte para sustentar a harmonia do Espírito.

Na confecção de um agasalho, o fio contará com o apoio da máquina; a máquina esperará pela competência do operário; o operário será orientado pelo técnico que supervisiona o trabalho; o técnico se apoia na diretoria da fábrica; a diretoria precisa da produção da indústria; a indústria precisa do combustível econômico para a sustentação do serviço. Observamos assim, que a vontade, para satisfazer a atividade, precisa da colaboração de todos a fim de que se complete a obra. No mundo inteiro, a vontade é o agente que decide se relaxa ou executa o que lhe é devido fazer.

OS EVANGELHOS  
Nos tempos antigos, muito antes da vinda de Jesus, a palavra dos profetas preparava os seres humanos para os ensinos do Evangelho. As eternas verdades foram comunicadas ao mundo em todas as épocas, levadas a todos os povos, postas ao alcance das inteligências, com paternal bondade. O ser humano desdenhando dos princípios ensinados, arrastado por suas paixões inferiores, passou ao largo sem tomar conhecimento. Veio Jesus, divino missionário, médium inspirado, encarnando-se entre os humildes, a fim de dar a todos o exemplo de uma vida simples e cheia de grandeza, de abnegação e sacrifícios, que deixou na Terra, impagáveis lições. Suas orientações todas de luz e amor se dirigia principalmente aos humildes e aos pobres, às mulheres e aos homens do povo, curvados ao peso da matéria, aguardando na provação e no sofrimento, a palavra de vida que lhes reanimassem e dessem consolações. Pouco a pouco esses ensinos transmitidos verbalmente nos primeiros tempos do Cristianismo, foram se alterando e complicando sob a influência das correntes opostas da sociedade.

Os apóstolos escolhidos por Jesus para lhe continuarem a missão, haviam recebido o impulso da sua presença e fé.  Mas os seus conhecimentos eram restritos, e eles só puderam conservar as tradições, os ensinamentos morais e o desejo de regeneração que Jesus lhes havia depositado no íntimo. Os Evangelhos, escritos posteriormente, em meio das convulsões que assinalavam o mundo judaico, se ressentem, e cada grupo de fiéis e cada comunidade tem seus Evangelhos, que diferem uns dos outros. Grandes disputas dogmáticas agitam o mundo cristão e provocam perturbações, até que Teodósio impõe sua opinião como bispo de Roma á cristandade, e para por termo a essas divergências de opinião, confia ao padre Jerônimo, no ano de 384 d/C, a missão de redigir uma nova tradução latina do Antigo e Novo Testamento.

Esse trabalho criou enormes dificuldades para o padre Jerônimo, em virtude de tantos Evangelhos e tantas outras cópias. Essa variedade enorme de textos o obrigava a uma escolha e a modificações profundas. E assustado com as responsabilidades, ele expõe no prefácio da sua obra, opinião sobre a sua tradução latina dos Evangelhos: - “De velha obra me obrigais a fazer obra nova. Quereis que, de alguma sorte, me coloque como árbitro entre os exemplares das Escrituras que estão dispersas por todo o mundo, e, como diferem entre si, que eu distinga os que estão de acordo com o verdadeiro texto grego. É um piedoso trabalho, mas é também um perigoso arrojo, da parte de quem deve ser por todos julgado, julgar ele mesmo os outros; querer mudar a língua de um velho e conduzir à infância o mundo já envelhecido... Qual de fato, o sábio e mesmo o ignorante que, tenha em mãos um exemplar novo, vendo que se acha em desacordo com o que está habituado a ler, não se ponha imediatamente a clamar que eu sou um sacrílego, um falsário, por ter tido a audácia de acrescentar, substituir, corrigir alguma coisa nos antigos livros sagrados?”.

A obra do padre Jerônimo denominada de “Vulgata”; daí em diante passou a ser a única tradução aceita pela Igreja, sendo objeto das  críticas; polemicas e injúrias se travaram entre ele e seus detratores,  quando ainda na existência, e sua obra permanece até os nossos dias.

RELIGIÕES
As religiões têm contribuído poderosamente para a melhora do ser humano; têm posto um freio às paixões violentas, à barbárie das idades do ferro, e gravado fortemente nos seres humanos, a noção moral no íntimo das consciências. A religião criou obras-primas em todos os domínios; a arte cristã atingiu o sublime nas catedrais góticas, com suas naves imponentes, cheias de vibração dos órgãos e dos cânticos sagrados e pelas suas estátuas vistosas; mas está exausta, e esse papel está por terminar. Devemos fugir da tentação de acreditar que no mundo, somente há uma religião verdadeira, a que adotamos. A Verdade é uma só e todas as religiões têm a convicção de que a incorporam em seus respectivos princípios. Não há religião que seja melhor ou pior. Existem umas mais adiantadas outras mais atrasadas; todas serviram nas épocas em que floresceram; todas cooperam para a evolução do ser humano sobre a Terra. Só se pode dizer que uma religião é má, quando não realiza o bem, ou não tem por objetivo Deus. Esse Deus tanto pode ser chamado de Jeová, Alá, Brahma ou tupã; é sempre o mesmo Deus, e por isso é sempre boa á religião, porque há a ideia religiosa, a ideia de unir em pensamento a criatura com o seu Criador. Respeitem-se, portanto, todos os credos, reverenciem-se todas as religiões que pregam o amor e a caridade, porque assim deve proceder, o verdadeiro religioso, o ser humano espiritualizado.   

É preciso ser tolerante o mais que se puder, porém não devemos apoiar atitudes que  venham a ser contrárias aos ensinos de Jesus. Não somos juízes porque somos todos réus. Todo mundo tem seus defeitos, suas opiniões certas ou erradas e suas crenças de acordo com suas conveniências e grau evolutivo. O erro não é um mal, porque o mal permanente não existe; existe é a inexperiência, a ignorância, a imperfeição da alma. Portanto, devemos seguir o conselho de Jesus quando disse: “...de não fazer aos outros o que não queremos para nós”. O erro está em dogmas rígidos, que imobilizou o livre-arbítrio e o pensamento livre, quando o movimento é a própria lei da existência. A fé cega e o materialismo fazem a sua obra e, somente quando se mostram impotentes na ordem social, é que se torna possíveis uma renovação idealista, moral e religiosa. O verdadeiro Cristianismo era uma lei de liberdade e amor; a religião do passado fez dela uma lei de dogmas e rituais, de terror e escravidão, daí o enfraquecimento do espírito religioso nos tempos atuais.

A ideia religiosa acaba de percorrer o seu período inferior e se vão desenhar os planos de uma espiritualidade mais elevada.  A religião deve ser o veículo para a humanidade se comunicar com a Essência eterna e divina. À proporção que o pensamento se vai aperfeiçoando, a moral vai se elevando, missionários de todas as ordens vêm provocar a renovação religiosa no seio da humanidade. São eles, os Espíritos Superiores que exercem ao mesmo tempo a sua ação em toda a superfície da Terra e em todos os domínios do pensamento, e então aparece um novo Espiritualismo. Até aqui separados, cercados de barreiras, a Ciência de um lado e a Religião de outro;  quando tudo é simples e faz parte de um todo no Universo, que o sistema tudo complicou. O Universo é um prodígio de sabedoria, de harmonia, de beleza, e realiza a união, pela vontade de Deus com a Sua obra.  Entre todos, deve se estabelecer uma verdadeira comunhão...

Dia virá, em que todos os pequenos sistemas  acanhados e envelhecidos, criados pelo ser humano, vão  fundir-se abrangendo todos os reinos da ideias. Ciências, filosofias, religiões, divididas hoje, se reunirão na Luz e será então a vida singela, o esplendor do espírito, o reinado do Conhecimento e da Verdade. A alma orientar-se-á para os mais altos cimos, mantendo o equilíbrio da relação com a inteligência e a consciência, na sua ascensão para a conquista do bem e do amor.

DEUS EM NÓS
Ainda que todos os apoios humanos te falhem de improviso, nada precisas temer. Tens contigo, à frente e à retaguarda, à direita e à esquerda, a força do amparo invisível que te ampara e resolve os problemas sem perguntar, e que te provê com todos os recursos indispensáveis à paz e à sustentação dos teus dias. Ele que te ama, trabalha e serve sem descanso, espera que também ames, trabalhes e sirva quanto te for possível. Sem que o saibas, Ele te acompanha os pequeninos progressos e se regozija com os teus mais íntimos triunfos, assegurando-te tranquilidade e vitória. Ele que te amparou ontem, te ampara também hoje e amanhã. Em qualquer tempo, lugar, circunstância, em que te sinta a beira do desfalecimento, da angústia ou da queda na tentação, chama por Ele...  Ele te atenderá sempre pelo nome de Deus, o teu Pai de Misericórdia...

A existência na Terra é um livro em branco que estás escrevendo... cada novo dia é uma página, cada hora é uma afirmação de tua personalidade, através das situações que enfrentas. Diz o preguiçoso: “Amanhã farei”. Exclama o fraco: “Amanhã terei forças”. Assevera o delinquente: “Amanhã me regenero”. Poucos são os que reconhecem que, adiando o esforço pessoal, ainda não alcançou a noção real do tempo desperdiçado. Quem não aproveita a benção do dia, vive sofrendo na existência e ficando para trás na longa evolução. Todo ser humano dispõe do tempo, mas se esse tempo estiver sem luz, sem moral, sem saúde, sem trabalho, qual a utilidade desse tempo que passa e não volta mais? – Ele passa implacável, dominador de gerações e civilizações, marchando apenas com minutos, mas nunca se detém a espera de ninguém. Somos, enquanto jovens, semelhante à pedra preciosa a lapidar. O tempo, dia a dia nos desgasta e nos transforma, até que um novo entendimento da existência nos faça brilhar. Guardemos a lição e caminhemos para diante, com a melhoria de nós mesmos, lembrando que os problemas se estendem ao infinito...

Não procures Deus nos templos de pedra ou de mármore; mas sim no templo íntimo de cada um, nos esplendores da vida, no sorriso de uma criança, no olhar de um ancião, no gesto de fraternidade do teu próximo, no canto dos pássaros, na eterna Natureza, nas planícies, vales, montanhas, mares e no céu estrelado que tua morada terrestre te oferece. Agradeça a Deus a vida que te concedeu e a existência presente, a paz, a saúde, a família, o trabalho, as oportunidades de crescimento, as dificuldades e os problemas que são necessários para a tua evolução, enfim, tudo o que faça parte do teu viver aqui na Terra. Por toda parte, à luz brilhante do sol ou sob o manto da noite, nos oceanos ou nas florestas, na cidade, no teu lar ou na tua consciência, ouvirás a voz de Deus a te chamar de filho bem amado, para o exercício do amor incondicional...

Que a Paz do Senhor nos ampare para exemplificar esse amor sublime.

Bibliografia:
Emmánuel
Leon Denis
Diversas obras.

Jc
S. Luis,  15/7/2009
Refeito em 8/11/2015

OS ESSÊNIOS



Os Essênios o os Manuscritos do Mar Morto - Em Qumran (Em 2013, visitamos este local na Palestina)

Em 1947 foram descobertos uns manuscritos com mais de 2.000 anos que se crê terem sido escritos pelos Essênios que  eram um povo humilde, de grande conhecimento, originário do Egito, que formavam um grupo de judeus que abandonaram as cidades e rumaram para o deserto, passando a viver às margens do Mar Morto. Foram umas das três principais seitas religiosas da Palestina (Saduceus, Fariseus e Essênios) e acreditava-se que Jesus foi membro do grupo do norte que se concentrava ao redor do Monte Carmelo, como de resto tinha participado dessa seita, seu primo João Batista.

Uma das diferenças críticas entre os essênios e os outros grupos judaicos da época está no conhecimento acerca da imortalidade do espírito, do karma e da reencarnação. Eles entendiam que a alma imortal está unida ao corpo material numa espécie de prisão e, após a morte, ela pode experimentar a alegria da volta à verdadeira vida, a
Vida Espiritual.

Em cima das contradições e omissões da História,
formularam-se hipóteses a respeito da vida secreta de Jesus. Algumas delas foram, em parte, confirmadas por outras fontes, como os manuscritos do mar Morto, descobertos em 1947. Pode-se então especular sobre o aprendizado de Jesus (que na certa não se deu na casa do carpinteiro José e da jovem Maria, se é que Ele ainda precisava aprender, sendo um Espírito de elevada categoria), sua vida dos treze aos trinta anos, o caráter parapsicológico dos milagres, a morte na cruz, a sobrevivência ao martírio e até sua ressurreição.
Conforme espiritualistas de diversas correntes, Jesus, se não foi um essênio, pelo menos manteve contato com eles. O teósofo francês Édouard Schuré (1841-1929) afirma que Maria, mãe de Jesus, era essênia e destinara seu filho, antes do nascimento, a uma missão profética. Seria por isso chamado nazareno como os outros meninos consagrados a Deus.
“Não pagarei homem algum com o mal. Persegui-lo-ei com a bondade, pois que o julgamento de todos os vivos cabe a Deus, e é Ele quem irá entregar aos homens seu prêmio”.
                                                (Hino da filosofia Essênia)

Segundo os manuais de Disciplina dos Essênios, eles eram originários do Egito, e durante a dominação do Império Selêucida, em 170 a.C., formaram um pequeno grupo de judeus  que abandonou as cidades e rumou para o deserto, passando a viver às margens do Mar Morto. Suas colônias estendiam-se até o vale do rio Nilo.

No meio da corrupção que imperava, eles conservaram a tradição dos profetas e o segredo da Pura Doutrina. Suportavam com admirável estoicismo, os maiores sacrifícios para não violar o menor preceito religioso. Vivendo em comunidades distantes,  procuravam encontrar na solidão, o lugar ideal para desenvolver a espiritualidade e estabelecer a vida comunitária onde á partilha dos bens era a regra geral. Um pouco  antes  do  ataque  romano  destruir   o           Monastério de Qumran, os essênios esconderam seus manuscritos em potes de cerâmica e os enterraram em cavernas nas montanhas.
Em abril de 1947, foi encontrado numa caverna o primeiro documento. Estavam escondidos em 11 cavernas centenas de manuscritos (pergaminhos) que datam do terceiro século antes do Cristo até o ano 68 depois do Cristo, num total de quase mil encontrados, que ficaram conhecidos como “Manuscritos do Mar Morto” e foram escritos em três idiomas diferentes: Hebreu, Aramaico e Grego.
Eles incluíam manuais de disciplina, hinários, comentários bíblicos, escritos apocalípticos, copias do livro de Isaias e quase todos os livros do Antigo Testamento, exceto o de Ester. Muitos desses manuscritos estão guardados no Museu do Livro em Israel e em Universidades nos Estados Unidos, França e Inglaterra. Foram preservados e são considerados “O Achado do Século”.

De acordo com os “Manuscritos”, alguns costumes dos essênios e alguns textos antigos nos dizem sobre o curandeirismo,  a reencarnação, a divisão das colheitas, o povo no poder, o vegetarianismo, e a relação pacífica dos homens com os animais. A revelação dos pergaminhos diz que eles possuíam muitos anos antes de Cristo, práticas consideradas exclusiva dos cristãos. Acreditavam na redenção e na imortalidade da alma. Tinham a prática do batismo e compartilhavam um repasto litúrgico do pão com vinho, presidido por um sacerdote que era o líder principal chamado: Instrutor da Retidão, um profeta messiânico abençoado com a revelação divina.
Procuravam servir a Deus auxiliando o próximo, sem imolação no altar e sem cultuar imagens. Era, esta seita, aberta aos necessitados e desamparados, mantendo muitas atividades onde a acolhida, o tratamento dos doentes e a instrução dos jovens eram os objetivos principais. Rompendo com o conceito da propriedade individual,  acreditavam ser possível implantar na Terra, a verdadeira igualdade e fraternidade, entre os homens. Em sua sociedade livre não havia escravos, porque considerava a escravidão um ultraje à missão que Deus deu aos homens. Todos os membros da seita trabalhavam para si e nas tarefas comum, se sustentando do que produziam desde que não envolvessem a violência ou a destruição.
Possuíam moralidade exemplar através de costumes corretos e pacíficos. Dedicavam-se ao estudo espiritualista, à contemplação e à caridade, ao contrário do materialismo vigente na época. Para ser um deles o pretendente era preparado desde a  infância, na vida comunitária das aldeias. Já adulto, após cumprir várias etapas do aprendizado, recebia uma missão definitiva que ele deveria cumprir até o fim da sua existência. Em seus ensinos, seguindo o método das Escolas Iniciáticas, submetiam os discípulos a rituais de iniciação, e conforme adquiriam mais conhecimento, passavam para graus mais avançados. Mostravam então, tanto na teoria como na prática, as leis superiores da Vida e do Universo, esquecidas na época pelos demais povos. É sabido que liam textos e estudavam outras doutrinas.

Para medir o tempo utilizavam um calendário inspirado no calendário egípcio baseado no Sol, que continha 364 dias, diferente do utilizado na época pelos judeus, que era de 354 dias, e era dividido em 52 semanas, permitindo que cada ciclo
de estação do ano fosse dividido em 13 semanas e mais 1 dia unindo cada uma delas. Consideravam o seu calendário sintonizado com a “Lei da Grande Luz do Céu”. O primeiro dia do ano e o de cada estação sempre caiam no mesmo dia da semana – quarta-feira – já que de acordo com a Gênesis foi no quarto dia que a Lua e o Sol foram criados.
Eles acordavam antes do nascer do Sol. Permaneciam em silêncio e faziam suas preces até o momento em que um mestre dividia as tarefas entre eles de acordo com a aptidão de cada um. Trabalhavam durante 5 horas em atividades diversas ou no estudo das Escrituras. Terminadas as tarefas, banhavam-se e vestiam túnicas brancas e comiam a refeição em silêncio, só quebrada pelas orações recitadas pelo sacerdote. Após, retirava a túnica branca considerada sagrada e retornavam ao trabalho até o por do sol. Findo o trabalho, tomavam outro banho e jantavam com a mesma cerimônia.
Possuíam pomares irrigados pelas águas das chuvas, que era recolhida e armazenada em enormes cisternas. As refeições eram de legumes, azeitonas, figos, tâmaras e um tipo rústico de pão feito com pouco fermento. Cultivavam hábitos saudáveis, zelando pela alimentação, o físico e a higiene pessoal, banhando-se antes das refeições, acreditando que purificavam o corpo e a alma. O ritual consistia em relatar as falta e então submergir na água. Essa prática influenciou o batismo e a confissão adotados na Igreja Católica Romana.            
O silêncio era muito respeitado por eles. Sabiam ficar em silêncio, evitando discussões em público e assuntos sobre religião. Para um Essênio, a voz possuía uma grande poder e, com diferentes entonações, era capaz até de curar um doente. Tinham para com a terra uma relação de respeito. Um dos rituais deles consistia em cavar um buraco de 30 centímetros de profundidade, em um lugar deserto, dentro do qual se deitavam para relaxar e meditar.

Eram excelentes médicos e tornaram-se famosos pelo conhecimento e uso das ervas e praticavam o exercício da medicina ocultista. Foram eles os fundadores dos abrigos “Beth-saida” que tinham como tarefa cuidar dos doentes e desabrigados em época de epidemias e fome. Eles anteciparam em séculos, os hospitais,  instituições derivadas de um ramo
essênio denominado “hospitaleiros”, voltados para a prestação de socorro às pessoas doentes.
 Por suas vestes brancas, pela capacidade de predizer o futuro e pela leitura do destino através da linguagem dos astros,  tornaram-se “figuras magnéticas”, conhecidas em sua época como “aqueles que são do caminho”.
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 Alguns estudiosos afirmam que foi entre os Essênios que Jesus passou o período de 13 a 30 anos, embora não tenha sido encontrado nenhum escrito que comprove. A postura messiânica de Jesus era muito próxima à dos essênios...
Na Espiritualidade a Fraternidade dos Essênios, com sua sabedoria milenar e energia pura, muito ajudam a cada um de nós e ao nosso Planeta Terra, para que se transforme, no futuro próximo, em um Planeta de Regeneração...

Fonte:
Página na Internet
+ pequenas modificações.

Jc.

São Luís, 13/10/2015