quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

O QUE ESPERAR DO NOVO ANO




  Mais um ano se findou deixando para muitos, alegria de conquistas e realizações. Para outros, as lições das provações enfrentadas. Mas, mesmo com todas as dificuldades, devemos agradecer ao Pai Celestial a nova oportunidade que nos é concedida, na certeza de que dias melhores virão para nós.
De todos os rincões da Terra, elevam-se à Espiritualidade, pedidos de mais paz e felicidade; felicidade essa, para alguns, representada pelo ganho fácil, pelos bens amoedados, pela fartura de recursos, pelos bens adquiridos e pela posição de destaque... Felicidade essa, passageira e ilusória, pois na verdade não somos donos de nada, visto que nada trouxemos quando chegamos ao mundo e dele nada levaremos, a não ser o mérito ou o demérito das nossas ações praticadas durante a existência.
De diversas partes do mundo, elevam-se também os gemidos das almas desanimadas, famintas, sofredoras e descrentes. Foi-se mais um ano de infelicidade, flagelos, doenças, violências, crueldades, assassinatos, fruto da indiferença e da ignorância de muitas pessoas que se fecham em si mesmas, isolando-se da luz, da fraternidade e do amor, em opção deliberada pela negação, pelo pessimismo, pela insensatez e pelo egoísmo.
Entretanto, novas esperanças e novos projetos, novas expectativas de um mundo melhor, animam muitas outras pessoas que ainda possuem fé, praticam a fraternidade e acreditam na Providência Divina, que rege todos os fatos. Novo ano, um tempo ainda não passado; talvez símbolo de novas realizações construtivas. Tempo de história ainda não escrita, que só a nós, caberá determinar, se um tempo de harmonia ou de discórdia, de conquistas passageiras ou de reais aquisições; tempo de lutas ou de paz.
Reflitamos neste início de novo ano, o que faremos do tesouro das horas, dias e meses que nos será confiado. Fechemos o livro de páginas tristes, de lutas inglórias e dos tormentos mentais, e fitemos com esperança, as páginas brancas de um novo tempo, onde poderemos escrever uma história de paz verdadeira, de amor fraterno, de real felicidade, que nos dignifique a existência, enobrecendo o nosso próprio viver e a nossa consciência.
Para isso, eliminemos do nosso pensamento e coração, quimeras e sonhos voltados exclusivamente para as conquistas de bens terrenos, no imediatismo do hoje de ter e agora. Lancemos o nosso olhar para o alto, nos dispondo à conquista paciente, nas lutas de cada dia, na Paz por tesouro inalienável, trabalhando com amor e fraternidade, sem esmorecimento, para que a Luz do Mestre Amado nos alcance e transforme o nosso tempo de labor, na direção do Reino de Deus, nosso Pai de Infinita Bondade.
Ansiamos grandes mudanças em nossas existências e, ao final de cada ano, novas esperanças são renovadas. A expectativa é que o novo ano seja sempre melhor do que o último que se foi e, para garantir as transformações, recorremos às nossas tradicionais superstições. São tantas simpatias para a virada do ano que poderíamos escrever um livro inteiro para enumerá-las.
Sempre estamos tendo a sensação de que o ano passa tão depressa que quando percebemos, o Natal bate à nossa porta. Percebemos, então, que não colocamos nenhum daqueles antigos projetos em prática e que tudo em nossa volta permanece como antes, sem mudanças. Isso acontece com a maioria das pessoas; talvez em virtude da existência atribulada que levamos, ou simplesmente por comodismo. Mesmo não conseguindo sair do marasmo que nos envolve, em 31 de dezembro, tornamos a realizar as mesmas simpatias, de realizações positivas, com a esperança de que a nossa existência se modifique pela Vontade Divina.
Ora, sejamos racionais!  Nada e ninguém poderão mudar o curso do destino a não sermos nós mesmos. O progresso é resultado de nossas escolhas e, sobretudo de nossas ações. De nada adiante vestir certas cores, pular ondas, brindar o novo ano, se no coração permanecemos a mesma pessoa, presa aos velhos e negativos hábitos. Albert Einstein dizia que: “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar os resultados diferentes”. Certamente, se plantarmos macieiras não poderemos colher outra fruta que não seja maçã. E assim também é a nossa existência.
Nossa jornada é muito longa, mas para concluir a trajetória é preciso progredir lentamente, dando um passo de cada vez. Se não tivermos a iniciativa de caminhar para progredir, permanecemos estagnados. Portanto, um ano proveitoso só será construído dia após dia, aproveitando a oportunidade bendita de renovação que Deus nos concede a cada amanhecer. Se você deseja saúde, cuide do corpo e da mente; se quer progredir moralmente, pratique a caridade; se sonha com um novo amor, procure amar o próximo; se almeja o perdão, reconcilie-se com seu irmão; trabalhe para o bem, vigie seus pensamentos e ações e perdoe para que Deus o assista.
Saibamos também compreender que até mesmos as nossas quedas e os nossos sofrimentos são importantes para o aperfeiçoamento do nosso Espírito. Aquilo que julgamos ser uma derrota pode representar um grande salto na nossa caminhada de progresso. O pensamento escolhe; a ação realiza. O ser humano conduz o barco com os remos do desejo e a existência conduz o ser humano ao porto a que ele aspira chegar. Eis por que, segundo as Leis que nos regem, “a cada um será dado segundo suas próprias obras”.  (Jesus)
Todo final de ano é quase sempre igual, na esperança de dias melhores que virão; uma mudança no tempo, ao toque da meia-noite tudo parece mudar para melhor; explodem os fogos, abraços são dados, num toque mágico, tudo mudou de um dia para o outro. Mas o que mudou? Situações extremas nos circundam. Riqueza de um lado, miséria do outro. Opulência e pobreza, obesidade e desnutrição, alegria e tristeza, guerra e paz.
Sonhamos com o oposto da miséria, da pobreza, da violência e da guerra, Desejamos o respeito, a paz, a fraternidade, com as pessoas entrelaçadas pela tolerância e o amor. Isso, no entanto, como é natural, não se faz a um toque de relógio, nem em um dia.  É um processo trabalhoso e vagaroso, no tempo, um processo que se alcança com a maturidade. Para esse mundo que sonhamos externamente, é necessário que o interior das pessoas se transforme. É necessário que usemos o mais puro mármore que é o sentimento. É preciso buscar sempre o conhecimento que se puder e trabalhar o sentimento. É para os ensinos de Jesus que devemos nos voltar para a modificação de sentimentos que precisamos para nos tornarmos mais afáveis, dóceis e fraternos.
O novo ano chega, como sempre. Será apenas mais um modificar de ponteiros do tempo, ou o modificador de nossos sentimentos nesse tempo? Meditemos. Para um mundo melhor é preciso sermos melhores. Não é fácil esse processo, mas Jesus bem o disse, quando asseverou que, com a boa vontade tudo é possível.
Somos donos do nosso próprio destino e através do livre-arbítrio construímos o nosso futuro. Nossas conquistas e dissabores são sempre o resultado de nossas ações. Aproveitemos, então, os dias  deste novo ano, para realizarmos uma auto avaliação. Sócrates, antes da chegada de Jesus, já nos recomendava: “Conhece-te a ti mesmo”, pois é desta maneira que seremos capazes de nos transformar para melhor. Vamos aproveitar então o tempo, pois vemos que ele sempre passa e a nossa encarnação é breve. Façamos o melhor ao nosso alcance, edificando o reino de Deus em nossos corações.
Se lhe conforta, faça simpatias, orações, mas esteja disposto a mudar seus hábitos para que os resultados sejam diferentes. Do contrário o próximo ano será, para você, apenas mais um registro no calendário do tempo. . .

Fonte:
André Luiz Alves Jr.
Jornal “O Imortal” – 01/2015
+ Acréscimos e modificações.

Jc.
São Luís, 21/12/2016

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

A MAGIA DO NATAL




  Dentre as muitas tradições da Humanidade, em todas as épocas, temos a comemoração do Natal, em que festejamos o nascimento de Jesus.

Há dois mil anos atrás, na Judéia, na Palestina, na Galileia, e em outros lugares próximos, não se falava de outra coisa que não fosse à vinda do Messias, o Salvador da Humanidade. Por isso, judeus descendentes das doze tribos, preparavam-lhe oferendas para recebê-lo. As profecias eram lidas e comentadas, e, preparados com devotamento, tecidos, tapetes; perfumes raros eram trazidos de outros lugares. Palácios eram reconstruídos, pomares eram cuidados e animais eram tratados para serem sacrificados no grande banquete.

O Enviado Celeste desce ao mundo na pequenina cidade de Belém e pequena manjedoura serve-lhe de berço. Nem príncipes, nem doutores, nem sábios nem os grandes lhe assistem a chegada. Apenas humildes pastores em peles surradas, camponeses simples e pobres mulheres se achegam a Ele. Por terem os pastores, visto a estrela que os guiou e ouvindo as vozes do Céu que diziam: “Glórias a Deus nas alturas, paz na Terra, boa vontade entre os homens”, eles se achegaram até a manjedoura.  Jesus, com o povo inicia uma nova era de progresso... Mateus, em seu Evangelho, diz que tendo nascido o Messias, guiados pela estrela vieram do Oriente três magos para adorá-lo e o presentearam com Ouro, Incenso (resina perfumada que se queima) e Mirra (resina perfumada medicinal).

Avancemos até o século IV (400 anos depois). O Imperador Constantino, ao ter a visão de uma cruz e a inscrição: “In Hoc Signus Vinci”, e ao colocar a cruz e a inscrição em seu estandarte, vence o exército inimigo. Julgando que Jesus o ajudara, resolve adotar a crença cristã como mais uma religião oficial, onde o culto aos deuses do Olimpo continuavam, sendo Júpiter o deus dos deuses, seguido de Hermes, Ceres, Afrodite e outros deuses menores...

Avancemos mais um pouco até o século VI (600 anos depois). Nesse tempo o papa Gregório decide que Jesus deveria ter uma data para comemoração de seu nascimento. Mas, que dia seria esse?  Ninguém sabia!  - Alguns diziam que Jesus nascera no ano 750 depois da Fundação de Roma; outros afirmavam que tinha sido na época do recenseamento, porém não sabiam precisar. Muitas outras datas foram citadas e eram todas contraditórias. O que fazer? O papa Gregório então decide: O nascimento de Jesus seria na data em que na Europa e no Oriente, se comemorava a entrada do inverno que se iniciava em 22 de dezembro. Como em Roma era realizada no dia 25 de dezembro, a procissão ao deus Júpiter, que durava vários dias ficando o povo a comer e beber, louvando o deus Júpiter, o papa decidiu então que nessa data também fosse comemorado o nascimento de Jesus, para agradar aos romanos pagãos e aos cristãos.

Eis porque o Natal de hoje, para muitas pessoas que se dizem “cristãos”, continua sendo uma festa pagã, em que as barrigas se enchem de comidas e de bebidas alcoólicas, trocam-se votos de felicidade e presentes, mas o aniversariante que é Jesus fica esquecido, porque na verdade, para muitos, a festa não é de sentimento e agradecimento pela sua vinda de Jesus a Terra, mas apenas uma versão atualizada da festa dos romanos, complementada com a figura grotesca do “papai-noel”, uma invenção criada para promover o consumismo e enganar as crianças.

Avancemos agora até o século XII (1200 anos), na mesma Itália na comunidade de Lácio.  Francisco havia completado 42 anos, mas parecia ter muito mais idade. Sua existência de sacrifícios, privações e dificuldades, voltada para os seus semelhantes, havia deixado marcas em seu rosto e dores pelo corpo. Seu Espírito, entretanto, tinha um desejo e sua preocupação naqueles dias era como aproximar-se das pessoas que não saiam de suas casas em virtude do frio, e passavam o Natal sem uma noção clara do seu significado. Eram pessoas simples que preferiam não se esforçar para entender a sua fé.

Seus companheiros, frades, estavam sempre em andanças pela região, procurando levar o Evangelho de Jesus aos camponeses, em virtude das distorções que os teológicos medievais haviam disseminados. Lembrava Francisco de seus primeiros Natais; seu pai trazendo presentes caros e farta comida, parecendo não se lembrarem de que a festa celebrava o nascimento de Jesus! Sua memória lhe trazia as imagens descritas pela mãe e, passados tantos anos, continuava a lembrar de cada personagem do estábulo onde nascera Jesus, que havia gravado na sua imaginação infantil.  

De repente, o passado e o presente se uniram e Francisco vislumbrou a resposta para a questão de como se aproximar das pessoas. Eufórico, chamou seu companheiro, Frei Leão e, repetindo cada palavra materna, foi descrevendo ao amigo a cena do nascimento de Jesus. Era isso que precisava: criar uma imagem que reproduzisse o nascimento de Jesus. Todos, enfim, poderiam entender a posição de Jesus, o desvelo de Maria, a proteção de José, os Magos, a presença dos pastores, dos animais, e que ficariam à mostra, o tempo necessário para os fieis. Frei Leão disse a Francisco que não sabia onde encontrar esses bonecos. Chamado Frei Gil, este disse que não daria certo e foi deitar. Frei Leão, cansado, despediu-se de Francisco e também foi embora.

Mas Francisco de Assis ficou pensando em sua idéia e, de repente, foi como se tivesse sido transportado até onde estava sua mãe. Maria Picallini olhava para ele e contava a história do nascimento de Jesus. Na medida em que ela descrevia um personagem, ele modelava a figura em argila... Assim ele foi criando várias figuras representadas no Natal. Ao amanhecer, Francisco tinha diante de si o mais expressivo painel pedagógico já criado, para enaltecer o nascimento do Mestre Amado. Ali estavam todos os personagens que compunham a mística histórica, e não havia dúvidas, toda a população do Lácio iria ficar enternecida e entender o espírito do Natal.

Os frades, quando vieram dar a saudação matinal a Francisco, ficaram admirados com aquele painel tridimensional e Frei Leão, chamou a representação de “presépio”, lembrando a língua materna de Jesus. O povo, no serviço religioso foi convidado para ir até o local onde o painel estava montado. Foi um sucesso, os frades se revezavam explicando o significado da vinda de Jesus, aos diferentes grupos convidados que silenciosos e atentos estavam emocionados. . . Era o ano de 1223, e Francisco não ficaria muito mais tempo na existência terrena. Se ele não fosse lembrado na história do Cristianismo, por sua grande contribuição na construção do amor entre os seres humanos, teria seu lugar garantido na lembrança de todos, pelo único momento, naquela época de tanta ignorância, em que Jesus verdadeiramente havia nascido, trazendo sua mensagem de simplicidade, humildade e amor. . .

Assim, devemos fazer uma reformulação nas comemorações do nosso Natal. De forma alguma devemos imitar as comemorações pagãs voltadas somente para os comes e bebes e as trocas de presentes, se nos consideramos realmente cristãos. A nossa comemoração deve ser uma festa de sentimento, de fraternidade, de amor para com nossos semelhantes, tanto nas nossas reuniões, como em família; troquemos votos de paz, felicidade, porém não nos esqueçamos de elevar nossas preces a Deus e a Jesus, pedindo que nos ajude e aos nossos irmãos, nas nossas imperfeições e nos auxilie no nosso desejo de evolução espiritual. Devemos repartir com nosso irmão ou irmã necessitada, nossa alegria, nossa esperança, nossa amizade e também um pouco do nosso pão. Com essa atitude, o Natal do Mestre Amado estará sendo sempre lembrado em todos os dias da nossa existência. . .

Desejando saber como adultos e crianças pensam sobre essa festividade, façamos uma pesquisa sobre o que representa as comemorações do Natal:

Que nome tomou o Messias, aqui na Terra? 
Em que cidade Jesus nasceu?
Quem eram os pais de Jesus? 
Pessoas importantes visitaram Jesus; quem?
Em que palácio Jesus nasceu?  
O que ouviram do Céu, os pastores?  -
Como devemos comemorar o Natal? 
Por que estamos aqui reunidos hoje?  

Muitas delas com certeza não saberão responder, ou dirão que é uma homenagem a “papai noel”, o símbolo criado  para o consumismo das coisas.

Eu, seguindo a tradição da minha querida mãe, monto todos os anos, um “presépio” em nosso lar, como uma singela homenagem ao Espírito mais perfeito que veio a Terra, nos trazer uma mensagem de humildade, fraternidade, caridade e amor... Finalizando este artigo, desejo um FELIZ NATAL com muita Paz, Harmonia e Saúde para todos os meus irmãos, irmãs em Humanidade, e seus entes queridos...

Bibliografia:
Boletim do “SEI”
+ Acréscimos diversos

Jc.
São Luís, 6/12/2010
Atualizado em 21/12/2016

domingo, 18 de dezembro de 2016

QUANDO CHEGAR A HORA





  “Felizes são aqueles que levam consigo uma parte das suas dores no mundo. Durante a longa jornada, eles saberão mais coisas sobre a felicidade do que aqueles que a evitam.”
Todo e qualquer ser humano passa por duas grandes fases na existência, quais sejam o nascimento e a morte física  (encarnação e desencarnação). Entre estes dois períodos, cada espécie possui a sua própria trajetória terrena, onde tudo ocorre no seu devido tempo. Um camundongo, por exemplo, vive em média mais de quatro anos; um gorila por sua vez pode ultrapassar os 40 anos de idade, enquanto o ser humano pode chegar até 120 anos, e a existência é dividida em quatro situações: Infância, adolescência, fase de adulto e velhice.
A infância é o período que vai desde o nascimento até os sete anos. É um período de grande desenvolvimento físico, marcado pelo gradual crescimento da altura e do peso da criança. Mais do que isto, é um período onde o ser humano desenvolve-se psicologicamente, envolvendo as graduais mudanças no seu comportamento e na aquisição das bases de sua personalidade. Neste estágio, especialmente nos primeiros anos, a criança é totalmente dependente dos cuidados de terceiros (geralmente os pais), para quaisquer coisas, como alimentação, higiene e locomoção. Neste período, a criança aprende a sentar-se, a engatinhar e andar, enfim, é o estágio da existência em que ela cresce rapidamente.
Essa fase é caracterizada na criança pelo egocentrismo, pois  ela não compreende que faz parte de uma sociedade, e o mundo para ela gira em torno de si mesma. Apesar de termos tido as mesmas experiências da inocência infantil, da ignorância de tantas coisas, ao nos tornarmos adulto, é como se esquecêssemos do que fizemos, do que éramos. Quando foi que deixamos de ser criança ou quando foi que assumimos o papel de adulto e ás vezes zangado com a situação no mundo? Quando foi que deixamos de apreciar alguma coisa simples, mas que nos dava imenso prazer?
A dor nos faz mais leve, quando extraímos dela a sabedoria. De que adianta sofrermos e continuarmos com os mesmos defeitos e os mesmos vícios? O sofrimento quase sempre é compreendido como injusto e apenas, com o passar do tempo é quando a visão madura de nós mesmos sobrepõe-se ao nosso pensamento e persiste na alma. Todos os dias a Natureza nos brinda com o esplendor do sol, nos acaricia o vento, sentimos  o perfume das flores, tanto quanto a chuva, o frio e a neve.
Allan Kardec, em o Livro dos Espíritos, diz que a civilização tem os seus graus, como todas as coisas. Uma civilização incompleta é um estado de transição que engendra males especiais, mas nem por isso deixa de se constituir em progresso natural, necessário, que leva consigo mesmo o remédio para aqueles males. À medida que a civilização se aperfeiçoa, vai fazendo cessar alguns dos males que engendrou, e esses males desaparecerão com o progresso moral. De dois povos que tenham chegado ao ápice da escala social, só poderá dizer-se o mais civilizado, aquele em que se encontre menos egoísmo, orgulho e vaidade; em que os costumes sejam mais intelectuais e morais do que materiais; em que a inteligência possa desenvolver-se com mais liberdade; em que exista mais bondade, boa fé, benevolência e generosidade recíprocas; em que os preconceitos de casta e de nascimento sejam menos enraizados, isto porque essas atitudes  são incompatíveis com o verdadeiro amor ao próximo.
Nenhum de nós terá dons ou virtudes ofertadas como presentes injustificáveis da bondade divina. O que Deus nos oferece é a oportunidade de desenvolver dons e virtudes que ainda adormecem em nossa alma, esperando o esforço de cada um de nós. A nossa existência é, pois, a oportunidade de desenvolver virtudes morais e dons intelectuais, e é por isso que ela nos oferece embates, dores, dificuldades que serão sempre as oportunidades de progresso e evolução. Pensemos em quanto de nós, após um progresso doloroso e difícil em determinado momento da existência, saímos dele mais fortalecidos e maduros.
Se não nos apressarmos e deixar o tempo correr, quando chegar a hora da nossa partida, e nos dermos conta, será tarde; talvez não haja mais tempo para nos reabilitar. Quem sabe, não haverá outra chance de apreciar o que há de mais belo no mundo, que é a vida. A água que hoje passa debaixo da ponte, não será a mesma amanhã; a chuva de verão, talvez não faça brilhar as mesmas cores do arco-íris que aparecerá no dia seguinte. Deixemos nossas mazelas de lado e plantemos fraternidade, compaixão e amor, para que, ao chegar o “ponto exato”, possamos colher a paz, o carinho, a paciência e a sabedoria, porque será com elas que manteremos nosso foco no progresso moral, intelectual e principalmente espiritual.
Deus escolheu com esmerado cuidado a melhor família para nosso aprendizado, a melhor cidade para nosso progresso e as melhores condições de existência para as lições de que precisamos. Ele apenas espera que possamos cada um de nós, bem aproveitar essas oportunidades que a existência nos oferece, para fazermos a nossa evolução espiritual.

Fonte:
Revista “O Imortal” – 10/2016
Autor:  Marcel Bataglia
+ Algumas modificações.

Jc.
São Luís, 19/10/2016

sábado, 10 de dezembro de 2016

AGRADECIMENTO AOS INTERNAUTAS, AMIGOS E IRMÃOS





  “Se você não desejar ser esquecido quando partir para a Espiritualidade, escreva coisas que vale a pena ler, ou faça coisas que vale a pena escrever”.
                                                        Benjamim Franklin

Ao completar na data de hoje, 7 anos do surgimento do meu blog   ( http://ortsac13.blogspot.com ), venho agradecer a todos os que acessaram a minha página na Internet, e que  chegou a 438 artigos, inicialmente sobre assuntos religiosos, temas morais e biografias, e depois, outros assuntos que foram sendo agregados,  no decorrer do tempo, que possibilitou, até o presente, chegar a 90 mil acessos, por 101 países pelo mundo.
Que os internautas, amigos e irmãos se sintam tão estimados quanto às pessoas que amo. Que eu não os desaponte, pois sei que apenas uma palavra basta para acabar uma amizade. Amigos, nós os conquistamos mostrando o que somos. Pessoas amigas e queridas vêm e se vão de nossa companhia, entram e saem do nosso viver. Tenho visto muitos irmãos e amigos irem-se deste mundo, de repente, sem ao menos um “adeus”, sem terem o prazer de se tornarem idosos, como eu.
Os nossos olhos piscam juntos, movem-se juntos, choram juntos, veem as coisas juntos e dormem juntos. Ainda que nunca possam ver-se um ao outro... A amizade deve ser assim. Agradeço pelos amigos e irmãos, desencarnados e encarnados pois eles foram e são presentes em minha existência, e que eu possa ser um simples ponto de luz na existência deles. A fraternidade e a amizade, a solidariedade e o amor ao próximo, não sairão de moda; basta apenas que queiramos...
Humilde e honrado com a aceitação do meu blog pelos amigos e irmãos de diversas partes do mundo, desejo expressar meus agradecimentos a todos os que conheceram o meu blog, e que dado o grande número de acessos, devem ter também informado aos seus amigos para acessá-lo, “pois valeu a pena escrever” no dizer de Benjamin Franklin.
Os principais assuntos consultados foram os que seguem abaixo:
  1-  Biografia  de  Cáritas. . . . . . . . . . . . . . . . .  7.784  acessos
  2-  As Doenças e as Dores. . . . . . . . . . . . . . .  5.991       “
  3-  Ananda – Além do Amor. . . . . . . . . . . . . .  3.547       “
  4-  Eutanásia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . 3.287       “
  5-  Augusto Elias da Silva . . . . . . . . . . . . . . .  3.130       “
  6-  Maranhão e Seus Encantos. . . . . . . . . . .  3.111       “
  7-  Camilo Rodrigues Chaves . . . . . . . . . . . .  2.308       “
  8-  Aparecida Conceição Ferreira. . . . . . . . .  1.816       “
  9-  Parábola do Festim das Bodas. . . . . . . .  1.169       “
10-  Luís Olímpio Telles de Menezes . . . . .  .  1.121       “
11-  Jésus Gonçalves . . . . . . . . . . . . . . . . . . .   1.061       “
12-  A Impaciência. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .      993       “
13-  Doenças Sexualmente Transmissíveis     939       “
14-  Brilhe a Vossa Luz. . . . . . . . . . . . . . . . . .      822      “
15-  Hanseníase . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .     701      “
16-  Meimei . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .       698      “
17-  Eurípedes Barsanulfo . . . . . . . . . . . . . .        664      “
18-  Cilício – Sofrimento Voluntário . . . . . .        637      “
19-  Laços Simpáticos. . . . . . . . . . . . . . . . . .        629      “
20-  Joaquim Carlos Travassos . . . . . . . . .         621      “
21-  Os Espíritas e a Alteridade . . . . . . . . .         609      “
22-  Diabetes. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .       555      “
23-  Aura Celeste . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .       504      “
24-  Biografia dos Espíritas do Maranhão .       504      “
25-  Maria Máximo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .        493      “
26-  O Egoísmo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .        459      “
27-  As Imperfeições . . . . . . . . . . . . . . . . . . .        457      “
28-  O Aleijadinho e a Arte Barroca. . . . . . .        436      “
29-  O Poder da Palavra. . . . . . . . . . . . . . . . .        408      “
30-  A Vida de Cairbar Schutel. . . . . . . . . . .         397      “

Os países que mais acessaram o meu blog, seguem abaixo:
01-  E. U. do Brasil=  52.640           02- E. U. da América=  15.265
 03- Alemanha=  12.403                  04-  Rússia=  1.421
05-  Portugal=  1.000                       06-  Ucrânia=  734
07-  Angola=  583                             08-  França=  532
09-  Moçambique=  319                  10-  índia=  283
11-  Itália=  189                                 12-  Lituânia=  140
Ao me despedir dos amigos e irmãos do Brasil e dos países dos outros continentes, quero renovar meus agradecimentos, desejando a todos que tenham um Feliz Natal e o Ano Novo com muita Paz, Harmonia e Saúde, extensivos aos seus entes queridos, e que o nosso Pai Celestial os abençoe, hoje e sempre. . .  

Início do Blog:   10/12/2009
São Luís - MA.   10/12/2016 =  7 anos.
Jc.  =  Jurandy Castro.

domingo, 4 de dezembro de 2016

FREI LUIZ, O LIRIO DO VALE




 Uma das grandes responsabilidades no mundo é a missão de ajudar ao próximo por meio da irradiação de pensamentos positivos e fraternos. Com a irradiação e a transmissão desses pensamentos, auxiliamos a cura das almas.
A alegria indiscutível manifestada em Frei Luís se fez das mais variadas formas; e uma delas: A Lei do Amor. Paulo já nos dizia  que “a Lei perfeita é o Amor porque o Amor não faz mal a ninguém”. Frei Luís foi á dedicação viva, reluzente e atraia para si, todos aqueles que tinham a necessidade de amor, porque ele foi á perfeição da nossa consciência, da nossa moral. Foi essa fonte luminosa e alimentadora que este irmão teve dentro de si; foi o modelo do Bem, a abnegação absoluta para a sabedoria na incessante busca do Templo Maior. . .
Frei Luís veio ao mundo em 27 de junho de 1872, em uma aldeia  situada em Westfália, na antiga Prússia, com o nome de Teodoro Henrique Reinke, filho de Hermann Reinke e de Maria Reinke, de cuja união nasceu, primeiro, Gertrude, de temperamento terrível  que infligia ao seu irmão, pesados castigos corporais para manter a disciplina. Teodoro, por sua vez, apesar de ser alto não possuía muita musculatura. Ele tinha uma fronte alta e pensadora e uma cicatriz na altura do nariz em consequência de um acidente. Seus cabelos eram louros e os olhos lembravam as águas do mar, e seu rosto tinha lábios finos.
Ele terminou seu curso primário com quatorze anos e aos quinze anos, passou a trabalhar num armazém como caixa. Aos dezoito anos ingressou no Colégio Seráfico de Harrefeld, Holanda, e em 1894 recebeu a indumentária de franciscano, iniciando o noviciado e surge então Frei Luiz. Em1895 embarca para o Brasil em um vapor alemão, acompanhado de cinquenta  e um franciscanos. Chega ele à Bahia, rumando para o Convento de São Francisco, onde passou a maior parte da sua juventude. Em1896 ele contraiu a febre amarela e depois o beribéri e, após, tuberculose, ficando extremamente fraco.
Nesse interim, surge ao lado do seu catre, um Espírito amigo que lhe ofertando um frasco, contendo um líquido de cor esbranquiçada, disse-lhe: “Tome seu conteúdo de uma vez que ficará curado”. E assim, foi feito. Em 1899, embarca para o Rio de Janeiro e se dirige para Petrópolis, vindo a celebrar, em 1990, sua primeira missa na Igreja do Sagrado  Coração de Jesus. Sob o pseudônimo de “Lírio do Vale”, traduz o romance “Josefina”, do alemão Franz V. Seeburg. Foi um entusiasta da flora brasileira, onde se servia para curar os pobres. Em 1914, sofreu um acidente automobilístico, passando a ter severas hemorragias pelo nariz e boca.
Seus olhos verdes mostravam sempre um sorriso de confiança e era por todos considerado o apóstolo da ternura e do amor; e por onde passava, transmitia paz, compreensão e bondade. Frei Luís previa o futuro, seus pensamentos viajavam a uma terra muito longe, onde tinha exercido a sua missão espiritual, ou seja, a de espalhar a semente do Senhor. Num certo momento de sua existência, ao não poder atender ao pedido de uma senhora carente, lhe disse:  “Neste dia estou morto”.
Como um luminar, Frei Luís lutou persistentemente contra o “baixo espiritualismo”, a magia negra e os trabalhos de bruxaria, e veio a falecer em 1937. Hoje, ergue-se na Estrada da Boiúna, 1367, na Taquara, Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, o Educandário Social de Frei Luiz, cujo objetivo é a assistência médica e odontológica, como também obras sociais, tudo gratuitamente. Que a paz e o amor do Pai esteja sempre com você, Frei Luiz, e que o suave perfume do Lírio do Vale o envolva...

Fonte:
“Brasília Espírita” – 9-10/2016
Autor: José Antônio Leite de Morais
+ Pequenas modificações.

Jc.
São Luís, 23/9/2016

domingo, 27 de novembro de 2016

OS ROUBOS, OS ASSALTOS, A VIOLÊNCIA E O CRIME





  Quais as causas que levam muitas pessoas a esses crimes, que se multiplicam atualmente na sociedade? São vários os motivos que servem para explicar essa situação que vivemos na atualidade:  a- O exemplo de corrupção que vem de cima;  b- Desagregação familiar;  c- Lei de “Gerson”;  d- Consumismo;  e- Situação Econômica; f- Falta de religiosidade; entre outras causas.
A anarquia que se generalizou e se agravou nos governos do PT, com os furtos, as roubalheiras, a corrupção, a lavagem de dinheiro, o enriquecimento ilícito e também a impunidade, proporcionaram a situação em que vivemos atualmente, de descredito das principais autoridades que deveriam zelar pelo patrimônio do Brasil, que pertence aos que sempre contribuíram para o engrandecimento desta pátria, o povo. Antigamente, havia um dito que dizia:  “Ou o Brasil acaba com as saúvas, ou as saúvas acabam com o Brasil”. Hoje o que se sabe é que; “Ou o Brasil acaba com os “ratos”, ou os “ratos” acabam com o Brasil”. Precisamos, urgentemente, de um  “Salvador da Pátria” para reorganizar e arrumar a Nossa Casa.
De alguns anos para cá, muitos casamentos foram sendo desfeitos por vários motivos, trazendo a intranquilidade para os filhos do casal. Essa desagregação da família passou a influenciar na vivência dos filhos ao verem o mundo desabar sobre suas cabeças. Muitos destes filhos passaram a achar que o mundo lhes devia o que eles não podiam conseguir por meio do trabalho digno. Assim, a Lei de “Gerson” passou a ser aplicada por muitos que, de qualquer maneira, desejavam o que não podiam possuir por seus esforços; ou seja, levar vantagem de qualquer maneira e conseguir aquilo que era fruto dos seus desejos.
Aí entrou a propaganda do governo Lula dizendo que quem ganhava um salário mínimo era da classe média, e recomendava o consumismo desenfreado, do compre sua casa, compre seu carro, compre seu televisor, seu refrigerador, seu computador, seu celular, e tudo o mais que lhe fosse vontade de possuir; para o que muito contribuiu a TV, para isso. Muitos queriam atender a esse consumismo mais não tinham condições e então passaram a tomar, através dos roubos, assaltos, da violência e até do crime, aquilo que pertencia aos outros e que lhes causavam a inveja e o desejo. A situação econômica do país, virou um caos e  piorou com os descalabros, os escândalos dos governos e os furtos praticados pelos que estavam e estão ainda por algum tempo na classe alta, que influenciam a classe de indivíduos, já propensos a conseguir o que querem de qualquer modo,  sem o trabalho dignificante, agravando muito a situação, no país.
A falta de religiosidade, da educação e os bons exemplos para orientar as pessoas, contribuiram para torná-las sem rumo e sem valores morais, e por isso, passaram a achar mais fácil conseguir o que queriam, sem levar em consideração o esforço e o trabalho que suas vítimas tiveram para conseguir aquilo que era desejo de suas ambições. Esses indivíduos passaram então a furtar, roubar, assaltar, violentar e recorrer até ao crime para satisfação dos seus desejos. Eis aí, as principais razões em que se encontram as pessoas de bem, sujeitas a essas situações humilhantes, difíceis e criminosas, com a perda dos seus bens patrimoniais, e, ás vezes, até a própria existência terrena.
Apesar da Espiritualidade Maior declarar que o Brasil “Será o Coração do Mundo e a Pátria do Evangelho”, estamos vivendo, atualmente, a falta de “Ordem e Progresso” fixada em nossa Bandeira Nacional.  A situação está tão difícil de se enfrentar, porém não devemos deixar de ter a esperança, a confiança e a certeza de que, depois dessa tempestade, virá a concretização do que é proclamado pela Espiritualidade. Para isso, estão nascendo      Espíritos Superiores que serão os dirigentes dessa transformação que vai se processar. Sejamos, portanto, firmes no nosso pensar e agir, certos de que a Providência Divina estará sempre presente e não nos desamparará, e o país sairá dessa lamentável situação. Vamos apenas dar tempo ao tempo para isso se concretizar...
                                                                  

 Jurandy Castro


São Luís, 23/11/2016

domingo, 20 de novembro de 2016

AS CRIANÇAS




  Recordemos duas sentenças acerca das crianças, proferidas pelo Mestre Amado Jesus:  “Deixai vir a mim os pequeninos; não os impeçais, porque deles é o reino dos céus”.   “Em verdade vos digo, que, se não vos fizerdes como as crianças, não entrareis no reino dos céus”.
A primeira destas duas assertivas não exprime somente uma expressão carinhosa, um gesto afetuoso, muito próprio do caráter e da personalidade do Divino Mestre; encerra também sabedoria das condições em que as crianças se encontram ao entrarem no seio da Humanidade, e, ao mesmo tempo, recorda e põe em destaque os compromissos daqueles que as recebem, notadamente os pais e preceptores. A criança não é uma entidade recém-criada: é, apenas, recém-nascida, fenômeno este que se consuma em cada uma das vezes em que o Espírito imortal se serve da indumentária carnal, quando está no plano terreno por tempo incerto, que pode ser mais ou menos dilatado.
Portanto, encaminhar as crianças a Jesus, importa em educá-las segundo os seus preceitos. Ora, o que é educar, no legítimo sentido da expressão, senão orientar o Espírito na aquisição parcial, porém progressiva dos valores morais e da verdade? Após o – deixai vir a mim os pequeninos – ele acrescentou: Não as impeçais. Deixar de proporcionar à infância essa oportunidade é contribuir para o seu extravio, quando está em nossas possibilidades conduzi-la ao progresso e àquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida.
Prosseguindo, consideremos a terceira parte da sentença: -- porque delas (crianças) é o reino dos céus. A velha crença ensina que o reino dos céus lhes pertence porque elas são inocentes, e, assim, desencarnando nessa condição, vão diretamente para o reino dos céus. Semelhante interpretação, porém, não procede e não resiste mesmo ao mais ligeiro sopro de raciocínio. Senão vejamos:  Onde o mérito da criança para obter o céu? Que fez ela digna de tamanha recompensa, considerando, sobretudo, o conceito desta outra frase que foi proclamada por Jesus?!: -- “A cada um será dado segundo as suas obras”.
Se não é lícito imputar culpa às crianças, também, de igual modo, não lhes podemos conceder merecimentos. A prevalecer aquele postulado, que a criança desencarnada vai para o céu; a melhor ventura que poderia lhe  suceder  seria, por certo, a morte.  Em tal hipótese, deveriam desaparecer a Puericultura e a Pediatria como ciências heréticas, e levantar-se um monumento a Herodes I, o tetrarca da Galileia, porque tendo decretado a degola de milhares de crianças nascidas em Belém e suas cercanias, enviou ao reino dos céus, grande número de almas sem pecado. Tampouco teria fundamento os protestos de nossa imprensa chamando a atenção das autoridades para o grande número de crianças que morrem em nossa sociedade; antes, fariam jus, essas autoridades, a louvores, por estarem proporcionando a essas levas sucessivas de inocentes o caminho dos céus eternos.
Semelhante erronia procede do desconhecimento da verdade a respeito da criança e das leis que regem e regulam a marcha evolutiva dos seres humanos. Sendo a criança que nasce um Espírito que reencarna, a sua inocência resulta da ignorância do mal no decurso dos primeiros sete anos de cada existência. E mais ainda, porque o novo corpo, em desenvolvimento, obscurece a mente, constrangendo o Espírito nos limites acanhados do corpo, determinando um recomeço. A criança nessa fase ignora os preconceitos de raça, nacionalidade, classe, credos e posição social. Elas são propensas a se confraternizarem, e se por vezes, se hostilizam, não guardam ressentimentos, pois jamais o sol se põe sem que elas se hajam reconciliado. Às contendas da manhã, sucedem as fraternas reconciliações da tarde. Conforme verificamos, elas não guardam animosidade, como também ao modo como encaram as utilidades da existência, as crianças dão lições de harmonia aos adultos, justificando estes dizeres do Divino Educador: “Se não vos fizerdes como as crianças não entrareis no reino de Deus”.
Assim, é preciso, pois, mediante essas reiniciações verificadas através das sucessivas e necessárias existências, é que a alma imortal vai adquirindo evolução. Cada nova existência na Terra é uma oportunidade, sendo que os sete anos iniciais são os mais adequados e propícios ao lançamento das bases educativas. É após esse período que o Espírito integra o seu aprisionamento ao corpo, sendo, portanto, a fase anterior mais adequada às iniciativas renovadoras.
Cada nova existência importa, pois, no retorno da alma ao ciclo de aprendizagem e de experiências renovadoras. Desprezar tais oportunidades, deixando de orientar, esclarecer e conduzir as crianças, é um crime de lesa-humanidade cometido pelos pais ou responsáveis. A melhoria da Humanidade está na razão direta da nova orientação que as mães de hoje possam dar aos seus filhos. E toda mulher é sempre mãe, seja qual for a sua idade e o seu estado civil. É das mulheres que nascem as auroras de novos dias de esperança e fé. . .
Pensemos, portanto, no problema da Educação, dando escola às nossas crianças, pois do contrário estaremos falhando lamentavelmente ao cumprimento do mais imperioso dever que nos cabe e desprezando estas luminosas sentenças de Jesus: “A quem muito foi dado, muito será cobrado” e “Se não vos fizerdes como as crianças não entrareis no reino de Deus”.

Fonte:
Livro “O Mestre na Educação”
Autor:  Pedro Camargo (Vinicius)
+ Pequenas modificações.

Jc.
São Luís, 6/9/2016

domingo, 13 de novembro de 2016

A CORRUPÇÃO CULTURAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA




  O país vive um momento histórico, assolado pela corrupção  que nos atinge e nos coloca no pódio de uma crise sem precedentes nunca antes vista, e com rumos incertos onde vivenciamos dificuldades a cada dia. Nessa expectativa de “sairmos dessa”, nos resta a esperança de que ainda podemos sonhar com uma saída heroica, baseada na superação do brasileiro em escapar das dificuldades sem maiores lesões. É dito á tempos que “a ocasião faz o ladrão”, e é inegável a verdade desse ditado, mas seria, no caso brasileiro, só a ocasião para a pessoa política, a razão da corrupção? Para responder a essa pergunta, temos primeiramente que definir o que é corrupção.
Corrupção do latim  (: Corruptus – “despedaçado” ou em outra acepção, “pútrido”, é o ato de se corromper, ou seja, obter vantagem indevida, seja pelo abuso, por ação ou omissão, observando-se  a satisfação do benefício próprio, a despeito do bem comum. A corrupção não é só política, e nem sempre só envolve dinheiro. Existem três formas de se corromper:  1ª Pelo abuso; 2ª Pela omissão; e 3ª Pelo desvio.
O abuso, que é tido como normal pela sociedade brasileira hierarquizada pode ser representado pela frase: “Você sabe com quem está falando?”. Trata-se de um traço autoritário da sociedade brasileira. Ela funciona para demarcar diferenças e posições hierárquicas. O seu uso pode ser traduzido como: “respeite-me, pois não sou do seu nível”, ou ainda “nós não somos iguais”. A partir da famosa frase de Maquiavel: “Favori agli amici, nemici dela legge (aos amigos favores, aos inimigos a lei) representa bem esse abuso de um poder que deveria servir para  manter o bem comum, e é usado, na verdade, como pressuposto de superioridade daquele que o detém.
A omissão,  é, talvez, a forma de corrupção mais vista na nossa sociedade. Omitir-se é deixar de fazer ou dizer algo que deveria ser dito, deixando como certo, o errado prosseguir ininterrupto. Todo brasileiro se omite. Deixamos de denunciar tudo o que vemos de errado; deixamos de ajudar aqueles que necessitam de nossa ajuda; deixamos de devolver aquilo que sabemos que não é nosso, entre outras omissões comuns. Não só não denunciamos, mas até continuamos votando naqueles que se corrompem escrachadamente.
O desvio é relacionado ao abuso em partes. É quando devida função ou recurso, seja ele público ou privado, é desviado por aqueles que o administram para se beneficiarem. É como o administrador que desvia para si o patrimônio daquilo que administra, ou o político que dá cargos de confiança para parentes. É o uso do patrimônio alheio que administra para si.
Podemos relacionar as três modalidades de ação aos costumes tupiniquins modernos, que desobedecem todos os seus deveres, a favor de beneficiar-se; mas que sempre requer seus direitos  baseando-se no ordenamento jurídico. É como uma relação de dualidade entre o Legal e o Ilegal, ou do jovem delinquente que reclama dos abusos da polícia e também do criminoso que anseia pelos seus direitos humanos, e que é negado às suas vítimas.
Provavelmente ninguém parou para pensar quanto afeta na sociedade essa mentalidade anêmica, essa carência de preceitos morais e éticos, sempre em busca da vantagem própria. É a “Lei de Gérson” aplicada, talvez, uma frase infeliz do ex-jogador para o momento, mas que reflete em totalidade como funciona a política no Brasil, até porque fazer política não é exclusividade parlamentar, mas um dever de todo cidadão, segundo disposto no parágrafo único do Artigo 1º da Constituição Federal. “Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.
Aqueles que nos representam no Palácio do Planalto, nos Ministérios,  no Congresso e nas Autarquias, vieram de nós, por nós e para nós, e representam não apenas como pessoas políticas que nos governam, mas como membros do POVO BRASILEIRO, como nós, aos quais confiamos os nossos direitos, nossas garantias e nosso patrimônio; ou seja, se elas são corruptas, são frutos da nossa sociedade, infelizmente, ainda corrupta e “malandra”.
Fonte:                                                                                                      
Jornal “São Luís” – edição de agosto/2016
Autor: Felipe Pires Morandini
+ Pequenas modificações

Jc.
São Luís, 15/10/2016

domingo, 6 de novembro de 2016

MELANCOLIA, SERENIDADE, ELEVAÇÃO = FASES DO IDOSO





 Dedico este texto a um pai, que em grande parte está vivendo uma velhice bem vivida. Ele ainda tem que ajeitar algumas coisas, mas que não ajeite muito rápido, para não ir embora tão logo!
Eu já observei muitas pessoas próximas e não muito próximas envelhecendo, e penso poder fazer alguns relatos, tirar algumas conclusões e formular algumas hipóteses. É fato que a velhice é o caminho natural e obvio para a libertação da existência terrena, embora nem toda ela ocorra somente na velhice, colhendo as pessoas em qualquer idade, sendo esse caminho atual para todos.
Nessa libertação da existência terrena há um enfrentamento e é o momento máximo em que estamos face a face com nós mesmos, sozinhos  - porque esse ato é um ato solitário, mesmo se acontecer simultaneamente com outras pessoas. Tanto é verdade, que muitos relatos de quase-morte e outros tantos pós-morte, via mediúnica, falam do filme que se apresenta à nossa percepção, com todos os anos da nossa vivência e atos da existência inteira.
Então é um momento de suprema introspecção e a condição de idoso já começa a fazer um trabalho nesse sentido. Já pelo próprio fato de que o idoso, por mais ativo que seja (e é saudável que permaneça ativo, dentro dos limites que a idade impõe) sempre estará atuando menos no mundo, do que alguém no vigor da juventude ou da maturidade, em virtude da diminuição gradativa das forças vitais; um retirar-se lentamente do cenário social, e por isso, a mente se volta para si próprio.
Lembranças recorrentes da infância, fatos esquecidos durante a existência, saudades dos que se foram...  enquanto estávamos ainda na correria da sobrevivência, guardamos tudo isso na nossa memória, que nesta fase da existência, relaxam-se as amarras e vêm à tona muita coisa escondida de si ou que nem lembrávamos. Há também um acúmulo de dores e alegrias que constituem a bagagem emocional que se foi amontoando no decorrer dos anos: lutas, perdas, ganhos, frustações, mágoas, decepções, ingratidões; realizações, conquistas  e afetos... Isso é o que é a velhice, que se apresenta de forma mais ou menos restritiva por incapacitações ou doenças. Mas viver essa velhice é algo pessoal de cada pessoa.
Depende, em primeiro lugar, como se viveu a  existência e o que
se faz agora com o resto da existência que ainda temos. A ausência de remorsos graves é de início uma boa coisa, mas se estiverem presentes pequenos ou grandes arrependimentos, é hora de rever, refazer, pedir perdão e, sobretudo, perdoar-se, sabendo que foi o possível de ser feito e melhores ações ficarão para a próxima existência. A certeza da reencarnação nesse ponto é altamente confortadora, afinal não precisamos aprender nem nos desfazermos das nossas imperfeições, tudo de uma só vez, pois haverá outras oportunidades. Entretanto, é bom durante a presente existência, irmos logo resolvendo as pendências e desculpando e pedindo desculpas para não ficarmos devedores.
A melancolia ou a serenidade e até a depressão, levando até a  necessidade do uso de antidepressivos, depende da capacidade de resistência e superação de todo esse arsenal de mágoas e tristezas que fazem parte de todas as pessoas... de como sabermos nos elevar até o alto da montanha e enxergar tudo com uma perspectiva de eternidade, com elevação, com compaixão e com perdão. De como sabermos transformar dores e frustrações em experiências de vida, em ensinamentos que sejamos capazes de partilhar com os que amamos, de forma benevolente e sem imposições. De como tivermos aprendido (e se não aprendemos, corramos para aprender enquanto na existência) a amar com desapego e compreensão.
O fato de não querer se tornar dependente e, portanto, fazer um esforço  de se manter em pé, é também um bom antídoto para uma velhice muito degradada, tendo, porém, o cuidado para que isso não seja mais orgulho do que autoestima e a pessoa não acabe  negando que a velhice, é sim, um período de limitações e temos que aceitá-la com humildade e grandeza de alma.
Há três questões que ajudam a tranquilizar nessa fase:
1- A espiritualidade é capaz de nos fazer conectar com Deus, com a natureza, com nossos semelhantes e com nossa essência divina e  fazermos tudo o que é capaz para encher o coração de paz;
2- A sensação de continuar sendo útil, podendo ser a simples presença, um conselho, um afeto caloroso aos filhos, netos, familiares, amigos, é muito positivo, sendo melhor do que num asilo, isolado dos que ama, vivendo uma verdadeira tragédia;
3-  A música. Existem pesquisas que mostram o impacto produtivo
dessa arte nos neurônios, nas emoções e na qualidade de vida das pessoas, principalmente as músicas suaves que atingem os sentimentos; fazendo os idosos ficarem mais tranquilos e felizes.
A fragilidade física que se instala no idoso, se acompanhada por uma tristeza, por certas circunstâncias da própria velhice, e se ele se entrega a recordações amargas, a culpas e apegos, se não consegue desenvolver defesas de elevação moral, de perdão a si próprio e aos outros, de serenidade existencial e de pensamentos otimistas e recordações alegres, o desânimo e a desapego a existência, podem concorrer para abreviar a sua partida da Terra...

Fonte:
Jornal “Brasília Espirita” – nº 202
Artigo da autora: Dora Incontri
+ Pequenas modificações

Jc.
São Luís, 22/9/2016

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

MORTOS NA TERRA, VIVOS NA ESPIRITUALIDADE





 Bezerra de Menezes diz que, muitos dos que partem para a vida espiritual, finda a existência terrena, costumam ficar presos à matéria. Eles se encontram desencarnados, mas não libertos, invisíveis, mas não ausentes.  A oração e a leitura de uma página do Evangelho podem, sem dúvida, ajudá-los na sua nova realidade e a readaptação à vida espiritual. 
“O Evangelho Segundo o Espiritismo” nos fala de Sócrates que, da mesma forma que Jesus, nada escreveu, e como Jesus, ele teve a morte dos criminosos.  As duas últimas palavras de Sócrates aos seus algozes e juízes, foram: “Ou a morte é uma destruição absoluta, ou ela é a passagem de uma alma para outro lugar. Se ela é apenas uma mudança de morada, que felicidade será nela reencontrar aqueles que se conheceu a amamos”.
Nenhum sofrimento na Terra será comparado ao daquele ente que observa outro ente querido, sem vida, em grande silêncio. Entretanto, quando essa provação nos bate à porta, devemos reprimir o desespero e a mágoa, porque sabemos que os chamados “mortos”, são apenas ausentes na Terra, por viverem na Espiritualidade. Essa nova concepção da vida da alma, liberta o ser humano do medo da morte, dando-lhe uma nova compreensão e substitui na mente e no coração das pessoas, o velho temor e a antiga revolta contra as Leis naturais de Deus. O discípulo Paulo, em sua primeira epístola aos Coríntios, diz: “Planta-se o corruptível e nasce o incorruptível; enterra-se o corpo material e aparece a alma espiritual”.
Durante séculos, a morte era lembrada com o chamado “luto”, ou seja, até um ano depois do desenlace, a família vestia-se de preto. Quando alguém se encontrava com uma pessoa com tais trajes, se lhe dava os pêsames e rememorava-se a triste situação. Entretanto, Jesus sempre se referiu à morte como algo natural, como se fora um sono para despertar depois, em uma situação mais feliz; e chamava a atenção para a superioridade da alma – Espírito encarnado – que é eterna, sobre o corpo por ela usado em cada existência e abandonado como roupa velha que não lhe serve mais, e completa dizendo: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma” - Mateus, Cap.11 vr. 28
Emánuel nos diz:  “Ante os que partiram na grande jornada, não permitas que o desespero tome conta do seu coração. Eles estão vivos e compartilham as suas aflições. Efetua por eles o bem que poderiam fazer e contempla os céus que nos falam da união sem adeus e ouvirás a voz deles no coração, a dizer-lhes que caminham felizes, em plena imortalidade.Tenham a certeza de que Deus que nos criou para nos amarmos mutuamente, jamais nos separaria  para sempre...”.
Essa é a fé que a Doutrina dos Espíritos ensina e conforta seus adeptos.
Jc.
São Luís,  2/11/2016