sábado, 26 de março de 2016

A PÁSCOA E A RESSURREIÇÃO




 Embora a grande maioria dos cristãos desconheça a páscoa não é uma comemoração do Cristianismo. Ela é uma festa muito anterior a Jesus, instituída pelos hebreus (hoje israelenses), lembrando a saída dos judeus da escravidão do Egito, conduzidos por Moisés. Com a construção do Templo de Salomão, a festa da páscoa passou  a ser realizada em Jerusalém e durava sete dias, quando era comido o pão sem fermento (pão ázmo), em memória da fuga dos hebreus da servidão, sem pausa para a levedura do pão.

Seguindo a tradição dos antigos, diz o Evangelho de Lucas, que Jesus veio a Jerusalém com seus apóstolos, e estando eles reunidos e chegando a hora da Ceia; e sabendo Jesus que se aproximava a hora da separação. Sentou-se Ele à mesa com seus apóstolos. Disse-lhes Ele: “Tenho desejado comer convosco esta páscoa”. E munindo-se de uma bacia e de uma toalha, passou a lavar os pés de todos, em sinal de humildade e pureza d’alma. Em seguida retornou à mesa, e, tomando o pão e tendo dado graças partiu-o e, deu aos seus apóstolos, pão que simbolizava toda a Sua Doutrina; e tomando o vinho, rendeu graças a deu-lhes, como essência da Vida do Espírito que haveria de vivificar a Sua Doutrina.

Começando Ele o Sermão do Cenáculo, disse: “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Nisto, todos conhecerão que sois meus discípulos. Crede em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai, há muitas moradas (mundos habitados); se assim não fosse, eu já vos teria dito e eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, O Espírito de Verdade, que o mundo não vê nem o conhece; vós o conhecereis, porque ele estará em vós; mas o Consolador, o Espírito de Verdade, (Como é considerada a Doutrina dos Espíritos) a quem o Pai enviará em meu nome; esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que tenho ensinado”.

Após Jesus ter lhes falado estas coisas e muitas coisas mais, retirou-se Ele com seus apóstolos, para o Monte das Oliveira, onde começaria o seu martírio, narrado por João, nos Cap. 13 a 17.

Grande parte da humanidade, ainda em atraso espiritual, gosta de ficar revivendo esses tristes e lamentáveis acontecimentos, transformando-os em encenações que se repetem todos os anos, atestando a inferioridade de muitas pessoas e, como se quiséssemos vê-lo eternamente crucificado e morto fruto da vaidade, do orgulho de quem se presta a esses papeis. Tempo virá em que somente as lições de humildade, paz, amor e fraternidade, é que serão lembradas quando
falarmos de Jesus. Nesse tempo a humanidade já terá evoluído e o sofrimento e a morte não serão mais peças programas, encenadas e ainda comercializadas pelas pessoas da Terra, assim como todas as demais formas de mortes praticadas pelos humanos.

Nós, espíritas, não nos atemos a essas comemorações de “Semana Santa”, instituída pela Igreja Romana, por ser apenas uma recordação do povo judeu, onde é mostrado apenas o que de pior aconteceu com Jesus. Para nós espíritas todas as semanas são santificadas porque foram criações de Deus.

Nesta festividade, ficamos alegres por conta da Ressurreição de Jesus, no domingo, ao aparecer a Maria Madalena, fazendo-a portadora da nova revelação aos apóstolos – A IMORTALIDADE. Ressurreição quer dizer: “manifestação, aparição, reencarnação”, palavras que traduzidas em fatos são relatados nos Evangelhos. O que seria o Cristianismo sem as aparições de Jesus?- Seria possível que a Doutrina por Ele ensinada tivesse por finalidade a morte, o nada?- Ele mesmo não falou da continuidade da vida, quando disse a Nicodemos, que ele deveria nascer de novo!  Foi essa prova da Imortalidade que Jesus deu que despertou nos apóstolos a fé verdadeira, vencendo a timidez, dando-lhes a coragem e a determinação para saírem a enfrentar todas as dificuldades, e anunciar a todas as gentes, a palavra do Filho Vivo de Deus, e os esplendores da Vida Eterna. . .

A páscoa representa para os judeus, a libertação do cativeiro do Egito; o domingo da ressurreição, é para os cristãos, a libertação da ignorância, comprovando a existência da Vida Espiritual, após a alma se libertar da existência terrena, desencarnar, ou morrer.

Portanto, neste domingo devemos celebrar a Ressurreição de Jesus, lembrando o Mestre Amado, não como um morto, mas como a verdadeira Vida; não como uma sombra, mas como um extraordinário facho de Luz; não em agonia, mas em Harmonia e Paz; não com tristeza, mas com imensa alegria; pois Ele mesmo afirmou: “Eu sou o Pão da Vida” – “Eu sou a Luz do mundo” – “Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida, e ninguém vai ao Pai senão por mim”. Se quisermos segui-lo, devemos amar a Deus, amar a nós mesmos e amar ao nosso próximo, essa é a Lei... 

Fontes:
Velho e Novo Testamento
Novo Testamento

Jc.
S.Luís, 17/4/2014

quinta-feira, 24 de março de 2016

TEORIAS DA CRUCIFICAÇÃO E DA LIBERTAÇÃO





 A religião Católica, após a crucificação de Jesus e após ela passar a ser uma das religiões oficiais do Império Romano, adotou os ídolos dos deuses adorados pelos romanos e os rebatizou com o nome de santos, criados por ela, e passou a usar a teoria da crucificação como dogma permanente da igreja, fazendo da mesma uma apologia, como se a crucificação fosse uma coisa boa ou benéfica, e não uma barbárie praticada pelos povos antigos, como também a forca, a guilhotina, o cutelo, e atualmente, a câmara de gás e a cadeira elétrica.
Conservam assim, o que de mais vergonhoso foi praticado pela humanidade contra Jesus, como se quisessem conservá-lo sempre morto para servir aos seus propósitos e para encenações vergonhosas que se perpetuaram  nos séculos, e que hoje é motivo de atração para ignorantes cristãos e vaidosos artistas que se prestam para esse papel. Jesus mesmo afirmou: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”, e não merece ser sempre lembrado no ato mais infame praticado pela humanidade, que foi a sua crucificação e morte na cruz.
O Sermão da Montanha, o mais belo e mais vibrante de todos os ensinos, falando das Bem-aventuranças do Pai Celestial, bem como o Sermão do Cenáculo, foram esquecidos quando deveriam ser sempre lembrados, por nos trazer a esperança de melhores dias e nos alertar sobre os acontecimentos futuros, a fim de nos conscientizar da responsabilidade dos nossos atos para com Deus e nossos semelhantes.
A teoria da libertação nos liberta da crucificação, da cruz, dos crucifixos e nos abre um leque de oportunidades para que avancemos com Jesus, trabalhando e ajudando os que mais necessitam de uma orientação, que não seja esses símbolos e espetáculos adorados e aplaudidos até hoje, mas ciente da nossa situação de cristão convicto para melhor orientar àqueles que ainda não sabem distinguir entre o que seja servir a Deus que é de Bondade e Misericórdia, através de um viver honesto, digno, fraterno e de amor ao próximo, ao invés de aplaudir essas encenações que denigrem a personalidade do Mestre Amado Jesus, que veio ao mundo para nos deixar códigos de conduta e dar exemplos de como viver bem, para que possamos realizar a nossa evolução espiritual.
Não é revivendo ou aplaudindo os mais tristes momentos passados por Jesus aqui na Terra, que estamos cumprindo com nossas obrigações de cristão, mas procurando viver de acordo com os seus ensinos e fazendo nosso dever para com nosso Pai Celestial, a quem devemos amar acima de todas as coisas e ao nosso próximo como a nós mesmos. Só assim, estaremos respeitando aquele que nos brindou com a mais magnífica mensagem de resignação, esperança e bondade que foi o “Sermão da Montanha”, a mais bela expressão de amor que foi as “Bem-aventuranças”.
Infelizmente, ainda estamos mais apegados aos sentidos materiais, e a nossa evolução espiritual ainda é tão insignificante, razão porque esses atos bárbaros ainda são elogiados, aplaudidos encenados e perpetuados, como se quiséssemos ter o Mestre Amado sempre em agonia, para nosso prazer de ser humano ainda inferior...

Jc.
São Luís, 24/3/2016

segunda-feira, 21 de março de 2016

S C H E I L L A

 


Peixotinho, em Macaé (RJ), iniciou um trabalho de orações para as vítimas da Segunda Grande Guerra. Foi então que, de repente, ali se materializou um Espírito chamado Rodolfo, que contou que era de uma família espírita, morando da Alemanha. Ele teve que servir na guerra como oficial-médico e o pai dele. Dr. Fritz, muito reservado, educado, severo, muito autêntico, que passou muitas idéias humanitárias aos filhos, havia lhe dito: “Matar nunca”. Ao que Rodolfo respondeu: “Pai, não é isso, vou servir como médico”. Pois bem, em certa ocasião O Dr. Rodolfo foi chamado como oficial para integrar um pelotão de fuzilamento, Ele, então, disse: “A minha missão é salvar, não matar”. E, de acordo com o regulamento militar, ele passou a ser considerado um criminoso, porque deixou de servir à pátria, pois a pátria pedia a ele que matasse alguém e ele se recusava. Então lhe disseram: “Já que você não vai executar esse homem, você vai ficar junto dele para morrer como um traidor”. E ele foi fuzilado na mesma hora. A essa altura, ele se manifestou (espiritualmente) ao pai e disse: “Pai, já estou na outra dimensão da vida. Cumpri a palavra empenhada; não matei, preferi morrer”.

Para que não continuasse no ambiente de guerra, foi amparado espiritualmente no Brasil, no Grupo Espírita Pedro, em Macaé (RJ). Peixotinho, por ter sido militar, como espírita, tinha esse trabalho de preces em benefício das vítimas da guerra e pela paz. E esses fatos se deram no auge da Segunda Guerra Mundial, quase no final. Certo dia, Rodolfo (espírito) disse assim, no Grupo de Oração do Peixotinho: “Orem por minha irmã, ela está correndo perigo”. E como a voz do alemão, com sotaque carregado, através do médium, não era bem nítida, a pronuncia do nome da sua irmã não saiu boa; ao invés de Scheilla, saiu Ceila. Passados alguns dias, ele disse: “Minha irmã acabou de desencarnar; foi vítima de bombardeio de aviação. Ela e meu pai desencarnaram”. Dias depois, para agradável surpresa da equipe, materializou-se uma jovem loura e disse: “Eu sou Scheilla”. – Grande foi á alegria e os irmãos ficaram cheios de júbilos espirituais. 

Segundo fontes espíritas, apenas duas encarnações de Scheilla são conhecidas: Uma na França, no século XVI, e outra na Alemanha, durante a guerra. Na França, ela chamou-se Joana Francisca Frémiot, nascida em Dijon, a 28/01/1572 e desencarnada em Moulins, no dia 13 de dezembro de 1641. Ao entrar na história, ficou mais conhecida como Baronesa de Chantal e posteriorente, como Santa Joana de Chantal (canonizada em 1767). Casou-se aos 20 anos com o barão de Chantal e tendo muito cedo perdido seu marido, abandonou o mundo com seus quatro filhos, partilhando o seu tempo entre as orações, às obras piedosas e os seus deveres de mãe.  Em 1604, tendo vindo pregar em Dijon, o bispo de Genebra, Francisco de Salles, ela submeteu-se à sua direção espiritual. Eles fundaram em Annecy a congregação da Visitação de Maria (1610), que contava, quando desencarnou, com 87 conventos e com 6.500 religiosos. A baronesa de Chantal, como superiora, dirigiu de 1612 a 1619 a casa que havia fundado em Paris, no bairro de Santo Antônio. Em Paris instalaram-se em pequena casa alugada, em bairro pobre, e passaram por grandes necessidades, mas a Ordem da Visitação, de Paris, foi aumentando e superou as dificuldades.  Em  1619,  Vicente de Paulo  ficou  como o  superior do Convento da Ordem da Visitação. Joana de Chantal  deixou  o cargo de superiora  e voltou para Annecy, onde ficava a casa-mãe da ordem. Ela tornou várias vezes a ver Vicente de Paulo, seu confessor e diretor espiritual.

A outra encarnação conhecida de Scheilla verificou-se na Alemanha. Com a guerra no continente Europeu, aflições e angústias assolaram a cidade de Berlim, onde Scheilla atuava como enfermeira, cuidando das feridas físicas e, como amiga da caridade, tratando as chagas morais dos vitimados pela guerra. Seu abnegado Espírito não se furtou a conviver nos ambientes belicosos, ensinando a paz na guerra e o amor espiritual na ação silenciosa, apontando para os seus assistidos o porto seguro da fé cristã. Seu estilo simples e sua meiguice espontânea  ajudavam em sua profissão. Bonita, tez clara, cabelos louros que lhe davam um ar de graça muito suave. Seus olhos azuis esverdeados, de um brilho intenso, refletiam a grandeza do seu Espírito. Estatura mediana, sempre com o avental branco, Scheilla preocupada em ajudar todos, esquecia-se de si mesma, pensando somente na sua responsabilidade; via primeiro á dor depois a criatura...  

Essa moça não ouvia as terríveis explosões causadas pelos aviões, com as armas destruidoras, porque o que Scheilla ouvia era a voz de alguém que gemia de dor. Por essa razão, numa tarde quando os soldados demonstravam ódio, geradas por almas sedentas de batalha, durante violento bombardeio aéreo, heroicamente tentou salvar uma criança, eis que tomba no solo de sua pátria a jovem enfermeira, que através de sua coragem, atravessava os campos perigosos de batalha para socorrer, os que lhe vinham ao encontro e em pleno combate. Em julho de 1943, na cidade de Hamburgo, desencarna Scheilla, a jovem enfermeira aos 28 anos de idade.
                                                               
Desde essa época, faz ponte entre o plano espiritual e a Terra; e nós, seres humanos, já nos habituamos com a sua presença, que contabiliza ensinamentos, emoções e, de quando em vez, o inesquecível perfume de uma rosa que ela bem representa. Atualmente a querida mentora trabalha na Espiritualidade, juntamente com Cairbar Schutel, coordenador da Colônia Espiritual Alvorada Nova, onde ela desenvolve um trabalho forte e muito amplo, com dedicação ímpar, coordenando várias equipes que formam o Conselho da Casa do Repouso, que se reúne sempre decidindo às questões importantes.

Relata R.A. Ranieri que, numa das primeiras reuniões de materialização, iniciadas em 1943 pelo médium Peixotinho, apareceu á figura caridosa de Scheilla, ainda durante a Segunda Guerra Mundial.  Outras fontes se referem a essa data como 1948, na reunião do Centro Espírita André Luís, na cidade do Rio de Janeiro. Em Belo Horizonte, marcou-se uma pequena reunião que seria realizada com a finalidade de submeter ao tratamento, dona Ló de Barros Soares. No silêncio, surgiu a figura luminosa de uma mulher, vestida de luz e ostentando duas belas tranças; era Scheilla. Nas mãos trazia um aparelho semelhante a uma pedra verde-clara, ao qual se referiu dizendo tratar-se de um emissor de radioatividade, ainda desconhecido na Terra. Ela fez aplicações em dona Ló e depois de alguns minutos ela proferiu uma belíssima pregação  evangélica com sotaque alemão.

Por volta de 1954, em Pedro Leopoldo, Scheilla participou muitas vezes de sessões de materialização, onde seus contatos com Chico Xavier eram constantes. Brilhante era a luz que inundava toda a sala, onde trazia os vários aparelhos materializados que ainda não estavam ao alcance da medicina terrena. Utilizando-se do éter, primeiramente higienizava o recinto e as enfermidades, e depois deixava espargir seu perfume de jasmim que somente ela sabia fabricar. Chico quando muito cansado, pelo grande número  de atendimentos às criaturas necessitadas, era imediatamente envolvido por seu perfume, que exalava e muitas pessoas já o sentiam ao se aproximarem dele, em qualquer local.

No livro “Chico Xavier, 40 anos no Mundo da Mediunidade” de Roque Jacinto, se encontra o seguinte depoimento: “Chico aplicava passes e ao seu lado, ocorreu um ruído, qual se algum objeto de pequeno porte tivesse sido arremessado, sem muita violência. “Jacinto, Scheilla deu-lhe um presente”, disse um médium. Em seguida procuramos em nosso redor e vimos um caramujo grande e adoravelmente belo, estriado em deliciosas cores. Apanhamo-lo e verificamos nele água marinha, salgada e gelada, com restos de areia fresca; Scheilla o transportara para nós, que estávamos a centenas de quilômetros de uma nesga do mar, em manhã de sol abrasador e, em nossas mãos, o caramujo que o Espírito nos ofertara, servindo-se da mediunidade do Chico”.  Na assistência reduzida, estava presente um cientista suíço, materialista,  que ali viera ter por insistência de seus familiares. Scheilla, em sotaque alemão, anunciou: “Para nosso irmão que está ali, indicando o suíço, vou dar o perfume que a sua mãe usava, quando na Terra”. O suíço sentindo o perfume e, comovido pela lembrança que se lhe aflorou à memória, recordando a figura da sua mãezinha ausente, soluçou.

Tempos depois outro raro instante se deu com a presença de Scheilla. Bissoli Gonçalves, Isaura e outros, compunham a equipe de beneficiados, agrupando-se numa sala da casa André, tendo Chico se retirado para o dormitório onde permanecia em transe mediúnico. Sentiu-se uma onda de perfume e corporificou-se Scheilla, loura e jovial, falando com seu sotaque alemão. Bissoli estabeleceu o diálogo: “Eu me sinto mal”, disse ele. Scheilla respondeu: “Você come muita manteiga; é preciso fazer uma radiografia do seu estômago”. Ao seu pedido, nosso companheiro levantou a camisa. O Espírito corporificado aproxima-se e corre os dedos no sentido  horizontal,  semi-abertos sobre a região do estômago do nosso amigo. E como uma tela de vidro no abdômen, podíamos ver as vísceras em movimento. “Pronto” disse Scheilla, apagando o fenômeno. “Agora levarei a radiografia ao Plano Espiritual para que a estudem e lhe dêem um remédio”.

Finalizando estes singelos apontamentos biográficos, com muito respeito por esse Espírito Missionário, de tanta dedicação e amor, em nome de Jesus, só nos resta agradecer a assistência doada por ela, que tem seu nome vinculado a muitas instituições espíritas, em todo o Brasil, inclusive, na cidade de Londrina, onde funciona há mais de vinte anos, o “Núcleo Espírita Irmã Scheilla”.

Bibliografia:
Marinei Ferreira Rezende
Jornal “O Imortal” – 05/2008
+ Pequenas modificações.

Jc. –
S.Luis, 18/5/2011
Refeito em 7/11/2015





SEPTICEMIA NOS ORGANISMOS POLÍTICOS




  A sepse ou septicemia é infeção geral grave do organismo causada por germes patogênicos. É uma inflamação sistêmica potencialmente fatal causada por infeção grave. A sepse pode continuar mesmo após a infeção que a causou não existir mais.
O que esses governos (Lula e Dilma) e seus aliados fizeram com o Brasil nestes últimos treze anos foi exatamente isso: uma “infeção” generalizada em praticamente todo o organismo político. Quando eles estavam na oposição tinham um discurso afiado que se propunha ser ético. Diziam que tudo que fazia parte de todos os poderes estava contaminado.  Ninguém, segundo eles, tinha condições de trabalhar sem o contágio da terrível corrupção. Algumas das figuras políticas de então mereciam adjetivos impublicáveis. Precisavam, segundo diziam, ser banidos do cenário político brasileiro.
Milhares de pessoas acreditaram naquele discurso. Imaginaram que sob aquela bandeira de partido forjado na classe operária estaria a possibilidade de construção de outro país, com organismos sãos, expurgado de todos os “tumores” e de todos os “germes” que faziam do Brasil, um País que nunca foi levado a sério lá fora, e que sempre foi desigual para os seus filhos, sobretudo, os da base da pirâmide econômica.
O então candidato a presidente da República, a maior liderança do partido, sempre que encontrava um microfone ou uma câmera, vociferava a sua capacidade de liderar uma mudança no fazer política no Brasil. Chegou entre os Parlamentares Constituintes de 1988, com uma votação dada pelos eleitores de São Paulo. Naquele parlamento fundamental para o futuro do País, porque iria escrever a Nova Constituição, aquele Deputado com o seu partido foram muitos zeros à esquerda.
O Deputado Federal (Lula) que se dizia paladino da ética, o portador de boas novas para o futuro, teve participação pífia naquele momento político histórico da Nação. Ninguém se lembra de um único projeto  que ele ou seu partido tenham feito e que fosse incorporado àquele instrumento de regras que passariam a conduzir o nosso comportamento social, político e jurídico depois da  promulgação  em agosto de 1988. A única “bela” contribuição do Deputado Federal, que depois seria Presidente por dois mandatos, foi dizer que naquele parlamento havia trezentos picaretas.
Como ele nunca os identificou, o que mostra como é o seu caráter, manchou todos aqueles que faziam parte naquele momento de feitura da nossa Constituição.
Depois de três tentativas mal sucedidas, finalmente conseguiu chegar à Presidência da República em 2002, provocando a desconfiança de agentes econômicos que temiam a aventura populista que se pronunciava, mas também a esperança de uma parte expressiva da população brasileira. Eu estava incluído neste último grupo.
Regina Duarte bem mais inteligente do que eu e tantos outros Professores Universitários, desconfiaram daquilo e disse na campanha que tinha medo se aquele senhor chegasse ao poder ancorado no seu partido. Ela foi execrada e foi colocada de molho na estação de TV onde trabalhava. Até porque qualquer novela que ela participasse naquele época estava fadada ao fracasso de audiência, porque o Brasil estava anestesiado com o “operário” no poder. Obra de marqueteiros regiamente pagos.
Mas, no poder ele, o seu partido e os seus aliados ficaram fascinados pelo poder e tomaram gosto pelas mordomias. Ao contrário do que diziam, trouxeram para o seu convívio e comitiva de apoiadores, todos os que antes eram chamados de qualificativos impublicáveis. Neste caso o maranhense que foi presidente da República por acaso, além de sua família que foram alguns vilões, vociferados pelo ainda candidato e agora detentor do poder, passaram a serem “amigos deste a infância” do presidente atual. Ele convocou muito mais do que os 300 “picaretas”; a governabilidade era a desculpa. Mas o verdadeiro objetivo daquele conluio sabe-se agora qual era.
Gostaria que não fosse assim, mas a sucessão de escândalos nos ministérios, de desvios de recursos, nos dois governos Lula e no governo Dilma, é um recorde. A década petista é a década do discurso, a década da falácia. Não há realização material. Diga-me, que grande obra pública foi construída nesses dez anos? Que usina hidroelétrica foi construída nesses dez anos? Nenhuma. A transposição do Rio São Francisco até hoje, um fracasso. Estradas, fracasso. Ferrovias, fracasso. Portos, fracasso. Aeroportos, fracasso, Saúde, fracasso, Hospitais, fracasso, Educação, fracasso. Há apenas a construção de estádios de futebol, deixando a segurança a mingua  e não resolvem os problemas sociais.
Lula diz que tirou da miséria e levou para a classe média grande parte da população, apenas com a seguinte declaração: “A pessoa passa a pertencer a classe média se ganhar menos da metade do salário mínimo por mês; se ganhar 1.020 reais por mês já é considerada classe rica, fora outras barbaridades e inverdades proclamadas por ele e ela, no seu discurso de fim de ano. Isso parece até uma piada ou uma história de pescador. O PT é muito bom no palanque, mas um péssimo gestor da economia.
A “Pátria dormia distraída, e era subtraída em tenebrosas transações”. O homem que dizia: “Pobre quando rouba vai para a cadeia e rico quando rouba vira Ministro” experimenta o veneno de sua própria retórica. Ele também falou que “o problema do mentiroso é que, uma vez construída uma mentira, precisa inventar muitas outras mentiras para justificar as mentiras anteriores”. No caso dele, acreditar na própria mentira, como bem demonstram as descobertas feitas pela operação Lava Jato sob o comando do firme juiz Sérgio Moro, do Ministério Público e da Polícia Federal. As mentiras, que pareciam ficar impunes, estão sendo desvendadas. O Brasil e este articulista passam a conhecer melhor, nas mãos de quem entregou o seu destino por longos 13 anos de desgoverno do PT.
Essas pessoas introduziram uma sepse no organismo social e político brasileiro. Contagiou e colocou em estado terminal, todos os fundamentos éticos. E o germe que contaminou a administração pública foi transmitido por um homem e pelo seu partido que nos seduziu lá atrás e nos deixou sem anticorpos. Agora temos que tomar muitas doses fortíssimas  de “antibióticos” para eliminar de vez o contágio generalizado que eles nos transmitiram. Nós sobreviveremos e eliminaremos todos eles, inclusive e, principalmente, quem agora declara ser exatamente o que sempre foi uma “jararaca” peçonhenta...

Transcrito este artigo do jornal                                                 
 “O Imparcial” do dia  19/3/2016                                                    Autor: José Lemos – Professor                                                    Associado na UFCE                                                                       
+ pequenos acréscimos.

Jc.
São Luís, 20/3/2016