domingo, 20 de agosto de 2017

AÇÃO E REAÇÃO





  São as imperfeições ou as qualidades da alma que geram as ações felizes ou equivocadas. E essas nossas ações estão caracterizadas com o selo moral do estágio em que se situa o ser humano. Portanto, os pensamentos, os sentimentos e as próprias ações executadas no transcorrer de uma existência geram reflexos na própria existência, na vida espiritual e até na próxima ou nas futuras existências, a depender da extensão ou gravidade da ação promovida.  A lei de ação e reação, ou o lema “a cada um segundo suas obras”, baseia-se num perfeito mecanismo de justiça e igualdade, absoluta para todos.
Não há qualquer favoritismo para quem quer que seja. Agindo bem, teremos o mérito do bem praticado. Agindo mal, teremos os resgates dos nossos atos. Não se trata de castigo, em absoluto, mas de sofrer as consequências.
Muitos sofrimentos poderiam ser evitados – Qualquer prejuízo que causarmos a nós mesmos ou a terceiros ocasionará sempre consequências inevitáveis em nossa existência. Isso é da Lei Divina. E qualquer benefício que fizermos aos outros gerará méritos e benefícios correspondentes em nosso caminho, ainda que haja ingratidão dos beneficiários.
Passamos a entender, portanto, que fazer o mal a quem quer que seja nunca será compensador, pois sempre iremos responder pelo mal que tenhamos causados, inclusive a nós mesmos. E do mesmo modo, toda felicidade e tranquilidade que proporcionarmos ao nosso próximo redundará, sempre e inevitavelmente, em benefício para nós mesmos. Não é por outra razão que Jesus nos ensinou a perdoar.
O ódio alimentado, a vingança executada, ou a perseguição a qualquer pessoa redundarão em estágios de sofrimento e dor a seu próprio autor, enquanto que perdoando libertamo-nos. Também é pela mesma razão que a recomendação sempre e constante é para que promovamos o bem, ainda que este não seja espontâneo (porque estamos aprendendo a incorporá-lo em nossas ações) visto que todo bem gera o bem.
O mal praticado sempre gerará consequências desagradáveis. É fácil perceber, portanto, que muitos sofrimentos existentes nos nossos dias, na existência individual, social ou coletiva, poderiam ser evitados se houvesse o conhecimento dessa realidade; das consequências geradas por nossos atos. Quantos equívocos pelo desconhecimento dessa Lei que simplesmente usa a justiça e a igualdade como parâmetros...
Não temos o direito de denegrir, de caluniar, de espoliar ou ferir... Não temos também o direito de interferir na existência de ninguém, de roubar (bens, dignidade, oportunidades, paz, etc)  nem de impor ideias ou padrões que julgamos correto ou até mesmo de matar nosso semelhante... Todas as pessoas merecem respeito. Entendemos que as criaturas são livres, desejam ser respeitadas, assim como queremos ser...
As tentativas de dominação, imposição, de cerceamento da liberdade individual, sempre ocasionarão sofrimentos, pois todos somos pensantes, com vontade própria, e responsável por nosso próprio caminho. Poderemos é claro, sugerir, aconselhar (se formos solicitados) e auxiliar no que for possível, mas jamais violentar as consciências, pois todas merecem respeito.
Observa-se que as próprias leis humanas, refletindo as imperfeições do estágio evolutivo do planeta, muitas vezes são equivocadas, gerando também consequências para o futuro. O que se observa atualmente é fruto de toda essa inconsciência coletiva dos mecanismos que nos dirigem a existência. Há que         se pensar no que estamos fazendo. Já não somos mais seres humanos tão ingênuos que desconhecem as Leis Morais.
Estamos todos num caminho evolutivo, onde os direitos são iguais. Tais direitos, abrangentes, devem ser respeitados pela igualdade e pela justiça. E é pelo desrespeito a tais princípios de igualdade e justiça que se observam os efeitos danosos na existência material e na vida espiritual, com os depoimentos que os próprios Espíritos trazem do estado em que se encontram, em virtude do padrão moral que adotaram no seu relacionamento com os outros ou consigo mesmos.
 O livro “O Céu e o Inferno” traz depoimentos, na sua segunda parte, de diferentes Espíritos que descrevem a situação em que se encontraram após a morte. Mas a questão não é apenas para depois. Há que se considerar a própria existência, atual ou futura, onde os mesmos reflexos se fazem sentir.  As  Leis Morais e seus princípios são esquecidos pela maioria dos seres humanos encarnados no planeta, embora a consciência onde está escrita a Lei de Deus, os avise de seus equívocos.
Sufocados pelas imperfeições morais do orgulho, do egoísmo, da vaidade, ainda nos permitimos sufocar a nossa própria consciência e agimos em desrespeito e em detrimento uns dos outros, daí as consequências e os sofrimentos que experimentamos. Em tudo, porém, é preciso sempre considerar a misericórdia de Deus, que nunca abandona seus filhos e lhes abre sem cessar novas oportunidades de progresso.
Para concluir, gostaríamos de oferecer à reflexão, a frase de Joanna de Ângelis na psicografia de Divaldo Franco:  “No lugar em que te encontras, sempre poderás semear a luz da esperança e do amor”. Eis uma programação para modificar os panoramas da existência humana. Basta nos situarmos no esforço do bem, para gerar efeitos salutares de felicidade e de saúde.  Se usarmos este roteiro nas atitudes de cada dia, pronto! Estaremos sintonizados com o bem, gerando efeitos de alegria e felicidade. Simples consequência da lei de Ação e Reação...

Fonte:
Jornal “O Imortal” – julho/2017
Orson Peter Carrara
O “Livro dos Espíritos”
O livro “O Céu e o Inferno”
+ Algumas modificações.

Jc.
São Luís, 25/7/2017

BRASÍLIA, NOVA SODOMA OU GOMORRA ?




  Há mais de meio século, quando o presidente Juscelino Kubitschek  de Oliveira inaugurou Brasília, um coro de descontentes fez-se ouvir.  Nada contra a arquitetura da nova capital federal. O que temiam os descontentes era a possibilidade de que uma vez isolados no planalto central do país, longe da vigilância dos cidadãos de uma metrópole como o Rio de Janeiro, antiga sede do governo, os políticos perdessem de vez a compostura e passassem a comportarem-se como senhores feudais, acima das leis. Infelizmente os descontentes revelaram-se proféticos. Brasília tornou-se uma ilha da fantasia para deputados, senadores, ministros e presidentes, que usam seus cargos de representantes do povo, para locupletarem-se de todas as formas e obter vantagens para seus apadrinhados. A capital se transformou numa imagem de pesadelo para todos os que são obrigados a assumir á conta: nós, milhões de contribuintes que pagamos impostos absurdos, diretos e indiretos.

É tal a insensatez  de muitos políticos que se julgam poderosos e “incomuns” que não ligam para a opinião pública, para a moralidade nem para a Constituição. O ex-presidente Lula, dando o exemplo negativo, em denúncias de irregularidades contra o senador José Sarney, afirmou: “O senador tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum”. Com isso, ele afirmou existir os cidadãos “comuns”, nós, e os “incomuns” a quem tudo se permite, minando assim, a crença na democracia e os alicerces de uma nação que almeja a civilização. Não satisfeito, acrescentou: “Eu sempre fico preocupado quando começa no Brasil esses processos de denúncias, porque ele não tem fim e depois não acontece nada”. Ao afirmar que Sarney merece um tratamento diferenciado, Lula desrespeitou o preceito constitucional expresso no artigo 5º, que estabelece a igualdade de todos perante a lei, e qual foi a punição que teve do S.T.F. ?

Sem a moralidade com a coisa pública e os corretivos vindos de cima, a turma do alto clero, da média e baixa politicagem da base aliada, sentiu-se mais livre do que nunca. Há anos o Executivo e o Congresso enfrentam uma infindável onda de escândalos, corrupção e impunidade. Muda o presidente e os escândalos, a corrupção, e à roubalheira continua a acontecer praticada pelos “incomuns”, enquanto a maioria dos 100 cidadãos de dez estados, ouvidos pela reportagem da revista Veja (edição 2118), mostrou-se indignada  com a situação dos governantes em relação à corrupção e à impunidade. Entre os entrevistados, há estudantes, cientistas, artistas, comerciantes e profissionais liberais. Há também brasileiros anônimos e famosos, ricos e pobres, todos iguais perante a lei e – o mais importante – querem que assim seja no Brasil.

Há sempre uma mensagem perturbadora na recorrente retórica presidencial em defesa dos aliados envolvidos em escândalos: a minimização da corrupção, o estímulo à transgressão das regras morais e o aval da impunidade. No meu tempo de criança existia um chavão que dizia: “Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”. Hoje, podemos dizer outro chavão: “Ou o Brasil acaba com a impunidade ou a corrupção acaba com o Brasil”. No exercício do cargo, do poder e da influência, as verbas que deveriam ser empregadas em favor da população, são desviadas pelos políticos corruptos, beneficiando  muitos ministros, diretores, políticos, auxiliares,  ou até  seus  apadrinhados,  em virtude da impunidade existente no país.  Brasília sofre a influência da corrupção não só na esfera federal como também na estadual, e nos Estados, ela também se manifesta na esfera estadual e municipal.  Nunca se viu na história do Brasil tanta corrupção como nos tempos atuais...  Aguardamos todos os dias com  expectativa, o anúncio da mais nova modalidade de corrupção. Impunidade, eis a principal razão da praga da corrupção que assola o nosso país. Ela só deixará de nos assombrar a cada novo dia quando cada um de nós definirmos como queremos que seja o nosso país.

A punição existe para impor limites, refrear instintos negativos e permitir que os indivíduos possam se proteger uns dos outros. A impunidade é o avesso de tudo isso. “Impunitas peccandi illecebra” (a impunidade estimula a delinqüência), lembra o ditado em latim. A revista Veja ouviu cientistas políticos, filósofos, advogados e historiadores sobre as raízes da corrupção. Eles são unânimes em apontar a impunidade como a sua principal causa. “Enquanto não colocarem os corruptos graúdos na cadeia e recuperarem tudo o que furtaram, nada vai mudar”, diz o filósofo Denis Rosenfield, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Isso nos parecer  estar ainda longe o dia em que um corrupto estrelado pagará por seus crimes. O máximo que se vê são admoestações. O S.T.F., a corte encarregada de punir os “incomuns”, nunca condenou nem  obrigou  nenhum a restituir o que furtou. Os envolvidos nos principais escândalos de corrupção, recentes, estão livres, soltos e a afrontar os cidadãos de bem, sejam políticos ou apenas “comuns”.

No Império, havia até pena de morte para crimes graves – sempre aplicada às camadas mais baixas da sociedade, como também acontece atualmente.  Já naquela época, os políticos se beneficiavam da impunidade. José Carlos Rodrigues foi um dos primeiros corruptos do Brasil. Em 1866, ele era chefe de gabinete do ministro da fazenda, quando foi flagrado tentando sacar dinheiro do ministério, com uma assinatura falsificada de seu superior. Condenado á vinte anos de prisão, fugiu  para os Estados Unidos, e, com a proclamação da República, acabou nomeado para um cargo na embaixada do Brasil em Londres, mesmo como fugitivo da Justiça Brasileira. Outro caso ocorreu com o sobrinho do presidente Deodoro da Fonseca que foi flagrado falsificando atos do governo para favorecer banqueiros amigos. Também fugiu para escapar da punição. A corrupção e a impunidade na República Velha serviram de matéria-prima para a obra literária de Machado de Assis e Lima Barreto. Com a ditadura militar, a corrupção foi escondida e os corruptos ligados ao regime agiam impunemente. Com a redemocratização, houve  um alento com a cassação de um presidente, porém a regra nos governos seguintes continuou sendo a corrupção e a impunidade.

A revista Veja ouviu diversos depoimentos sobre as raízes da corrupção. Levantamento de entidades internacionais coloca o Brasil no patamar dos países com altos índices de corrupção. A impunidade é a principal causa, mas existem outros pontos importantes. a- Morosidade da Justiça. Por motivo dos investigados com nível superior ter poder e dinheiro, e os políticos corruptos, poderem contratar bons advogados que usam as brechas da lei para retardar os processos, até o crime prescrever antes de chegar à condenação. b- Distribuição de Cargos. O chefe do Executivo loteia o governo entre os partidos para garantir maioria no Legislativo. c- Conivência da sociedade. Políticos envolvidos  em  escândalos  continuam  sendo  eleitos  pelo povo no voto  popular. d- Excessos de burocracia. Os processos são lentos, cheios de instâncias intermediárias que criam dificuldades e funcionários públicos que vendem facilidades, situação ideal para a ação de quadrilhas ligadas aos políticos.  e- Caixa dois nas campanhas. Os escândalos de corrupção tiveram parte do dinheiro destinado ao financiamento de campanhas que são caras e mal fiscalizadas. f- Ausência de políticas anticorrupção. Os políticos combatem a corrupção nos discursos  de campanha, mas deixam o assunto de lado quando chegam ao poder. g- Falta de informação. O grande contingente de eleitor não tem informação e não se interessa por política e decide o seu voto apenas por aquele que lhe prestou algum favor. h- Tolerância política. Os partidos permitem – e até incentivam – que políticos enrolados tenham legenda, porque na maioria das vezes esses políticos ajudam a financiar os partidos. i- Falta de renovação. Os partidos são comandados pelos mesmos grupos e os candidatos são sempre os mesmos que cuidam dos cargos como se o patrimônio do país fosse pessoal, dificultando o surgimento de novas lideranças. j- O eleitor não é livre para votar em quem ele quer, pois ele é obrigado a votar nos nomes que geralmente são os mesmos de sempre, indicados pelos partidos, ou então terá que votar em branco.

A corrupção tem se revelado uma calamidade que consome o resultado do trabalho de milhões de brasileiros, envergonha o país e mancha a imagem do Brasil perante os outros paises. O PT quando chegou ao poder com o Lula, viveu uma série interminável de escândalos, sendo mais notáveis os do mensalão e o dos aloprados. Seu parceiro preferencial, sempre subserviente ao poder, o PMDB, tem em seus quadros alguns dos políticos mais corruptos do Brasil. Segundo o último levantamento da Transparência Internacional, divulgado recentemente, o Brasil ocupa a 75ª  posição no ranking das nações mais corruptas do planeta. O país obteve a nota 3,7 em uma escala que vai de zero (países mais corruptos) a 10 (paises considerados menos corruptos).

Os especialistas ouvidos pela Veja são unânimes em afirmar que a impunidade está na raiz do problema. A ausência de punição funciona como um atrativo e incentivo à ilegalidade, passando uma idéia de que o crime no Brasil compensa, principalmente entre os criminosos de colarinho-branco. Mas não é só a impunidade que colabora para a perpetuação da corrupção no país. O sistema político também tem sua parcela de responsabilidade. Uma de suas piores mazelas é a distribuição política de cargos. Há no Brasil cerca de 25.000 cargos de livre nomeação pelo presidente da República. Nos Estados Unidos, não chegam a 5.000 e na Inglaterra, não passam de 100. No Brasil, o chefe do Executivo loteia o governo entre os partidos para garantir o apoio necessário para aprovar seus projetos no Legislativo e nomear quem lhe agrada ou o beneficiou.

“O furto existe por causa do ladrão. A corrupção existe por causa da facilidade e da impunidade. O álibi do financiamento de campanha usado pelo corrupto precisa ser espancado. O corrupto furta, para viajar ao exterior, para comprar iate, para comprar bolsa Louis Vuitton. Não furta só para financiar campanha” afirma o deputado federal Miro Teixeira, do Rio de Janeiro.

Será que o destino de Brasília é o de ser uma nova “Sodoma ou  Gomorra”  nos tempos atuais? – Não acreditamos que assim seja e confiamos na Justiça Divina que destinou este país, para servir de modelo para o resto do mundo. Com a morte dos que ainda estão enlameando a Pátria do Cruzeiro, e a renovação dela com o surgimento de novas gerações mais evoluídas e moralizadas, temos Esperança e a certeza de que o Brasil assumirá a sua condição, informada pela Espiritualidade, de “Coração do mundo e Pátria do Evangelho”. O tempo que renova todas as coisas fará com que o povo trabalhador de Brasília e de todo o resto do Brasil, que sofre a praga da corrupção e da impunidade, verá surgir com as novas gerações, os valores morais, tão desprezados pelos atuais administradores infiéis e políticos corruptos.

É só uma questão de participarmos dessa modificação e renovação e esperar que os desígnios de Deus se cumpram no Brasil, de natureza tão benéfica, de povo tão acolhedor e fraterno e de muitos políticos tão corruptos e venais...


OBS: Maiores esclarecimentos encontram-se nos artigos “Carta aos Representantes do Governo do Brasil”,  “O Estado é Cúmplice” e “Uma Questão de Direito, Leis, Justiça...ou de Consciência?”, que estão no blog;
                                                                                     http://ortsac13.blogspot.com



Bibliogtrafia:
Revista Veja  nº. 2.118 – 24/6/2009
Idem     Idem      2.142  - 9/12/2009
+ Acréscimos, supressões e modificações.

Jc.
S.Luis, 11/7/2010
Refeito em 18/8/2017

sábado, 12 de agosto de 2017

SENTINELAS DE LUZ





  Nas informações simbólicas da Bíblia conta-se em Gênesis: 1-3: Disse Deus: “Haja luz! e houve luz”. Assim para o planeta Terra em formação fez-se o Dia e a Noite.
Das trevas imensas sobre as quais a Bíblia faz ligeiro comentário, o ser humano iniciou a luta contra a escuridão. Usou, inicialmente, a tocha impregnada de resinas inflamáveis, depois as velas, os gases, a lamparina, o lampião por muito tempo, até que através de Edson e de muitas experiências, inventou a lâmpada elétrica.
De igual modo, nasceu a luz espiritual desenvolvida pelo próprio ser humano para a aquisição do conhecimento. Iniciou-se por meio da comunicação entre as criaturas por meios de sinais luminosos através das sombras, e começaram a esculpir na pedra os primeiros caracteres que lhes definiram a linguagem;  os mais inclinados à meditação inventaram letras e o modo de gravá-las, em seguida umas às outras, inventaram depois a escrita em rolos de papiros e não descansaram, até que Gutemberg criasse as frases vacilantes na imprensa que se incumbiu de reproduzir textos escritos para todos os povos, reclamando a dedicação de legiões de Espíritos interessados no conhecimento superior.
De etapa em etapa, o ser humano gastou séculos de esforço para alcançar o conhecimento, e daí, partir para as realizações da atualidade. O mesmo combate da luz com as trevas para que os seres humanos alcançassem as luzes da alma prossegue há milênios, para que cada um se expresse sobre a existência, criando critérios pessoais, nos alicerces do entendimento. E as sentinelas da luz estão em todos os lugares da Terra, promovendo a educação, o discernimento, a elevação e a competência, desde os chamados “comecinhos de vida das crianças”, às universidades em que as criaturas humanas se especializam em determinadas experiências, a que têm vocação, com as quais dignificam a luz espiritual. Eis porque todos esses empreendimentos demandam a união e cooperação de milhares de pessoas que trabalham a benefício dos que procuram aprender.
Assim, somos nós todos na Vida Maior, procurando o aperfeiçoamento de que necessitamos. Todas as conquistas humanas não aparecem por geração espontânea. Exigem esforço, atenção, perseverança, trabalho, repetição, vontade de auxiliar e devotamento ao próximo, nos quais milhões de pessoas e com o auxílio dos espíritos desencarnados, estão envolvidos na condição de aprendizes e instrutores, uns dos outros. Todos somos sentinelas da luz pela atividade que despendemos para que a luz da compreensão e da paz se estabeleça no mundo.
Em síntese, queremos dizer que toda criatura humana que aspira a sublimação de si mesmo, precisa confiar em Deus e trabalhar. Enquanto buscais a revelação da verdade, em nossa companhia, procuramos convosco o auxílio fraterno para fazer muito mais luz, no engrandecimento comum. A Doutrina dos Espíritos não traz apenas o adocicado conteúdo da consolação particular, no estímulo ao bem, mas acentuando o socorro celeste à personalidade humana. Abre-nos infinita esfera de serviços, em cujas atividades não podemos prescindir do apoio no crescimento e na renovação.
Nos alicerces do edifício doutrinário espírita, compreendíamos a curiosidade e o deslumbramento  acima da responsabilidade e do dever, mas agora que já passamos o primeiro centenário da Codificação Espírita, precisamos reconhecer a necessidade de introspecção a fim de não perdermos de vista os sagrados objetivos que nos reúnem.  A superstição levantou fortaleza de sombras, os dogmas cristalizaram os impulsos embrionários da fé, e a indiferença congelou preciosas oportunidades de desenvolvimento e elevação, em toda parte. É indispensável que nosso espírito de fraternidade se manifeste e restabeleça através do amor restaurando os caminhos da fé por meio das  obras edificantes.
Não há tarefas menores; todas são grandes pela essência divina. O fio d’agua que flui da vertente regenera o deserto de vasta extensão. Um gesto humilde sempre opera milagre de solidariedade. Uma simples palavra pode apagar o incêndio emotivo, prestes a converter-se em pesadelo. Em todos os lugares precisamos solucionar problemas, corrigir deficiências e restaurar as bases simples da existência.  Por isso mesmo, precisamos fazer a renovação mental do mundo, sob a máxima do “amai-vos uns aos outros”, seguindo os padrões do Mestre. Por enquanto, nem todos entenderão a mensagem. Muitos ainda dormem anestesiados nos templos de pedra e outros narcotizados  pela ignorância, concentrando-se nas vantagens materiais do mundo, esquecidos da própria alma.
Colaborar com Jesus é o nosso dever essencial, plasmando o Evangelho nos pensamentos, nas palavras e atos da nossa existência, em todos os recantos de nossa marcha para á frente, para que a Doutrina Espírita não se faça mero mostruário de verbalismo fascinante. Reduzi-la a mecanismo de simples investigação ou a um floreado literário seria como transformar o movimento de benditas ideias e realizações edificantes num parque de êxtase inoperante ou de um personalismo ocioso e improdutivo.
Resta-nos, pois, rogar a Jesus que nos ensine atingir convicções sadias e a clarear os nossos ideais, a fim de que não estejamos tão somente a crer e a confortar-nos, mas também a servir incessantemente na edificação do iluminado e eterno Reino do Amor...

Fonte:
Livro: “Sentinelas da Luz”
Autoria: Espírito Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier.
+ Pequenas modificações.

Jc.
São Luís, 21/6/2017

AVALIE-SE E SE TRANSFORME





  O que é transformação íntima? – É um processo contínuo de autoanálise, de conhecimento de nossa intimidade espiritual, libertando-nos de nossas imperfeições, e permitindo-nos atingir o domínio de nós mesmos. O que podemos fazer para nos transformar intimamente?  - Podemos e devemos substituir nossos defeitos como o egoísmo, o orgulho, a inveja, o ciúme, a agressividade, a maledicência e a intolerância, por virtudes tais como: a humildade, a caridade, a resignação, a sensatez, a generosidade, a tolerância, o perdão, a fraternidade. Quanto tempo poderá levar para que tais mudanças ocorram?  - O tempo não importa; o que importa é o esforço contínuo que se faz para atingir a transformação íntima, conforme declara Allan Kardec, no “Evangelho Segundo o Espiritismo”, quando diz: “Reconhece-se o verdadeiro espírita, pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar as suas más inclinações”.

Não se trata de esforço físico, mas de um empenho de continuidade na transformação de nós mesmos. Deve haver persistência e a este propósito chamamos: esforço.  Em outras palavras não é bom sintoma abandonar uma atividade ou desviar a energia para outro rumo, ao primeiro sinal de dificuldade. Mesmo que no dia a dia você tenha a impressão de que não houve nenhuma mudança, não deve desanimar nem abandonar o propósito de transformação. Esse esforço é para a existência toda.

Estudar o Evangelho de Jesus, ouvir sugestões de pessoas mais experientes, assistir palestras, ler artigos e livros que tratem sobre esse assunto nos levará a conhecer ainda mais, e assim nos auxiliar na identificação dos nossos defeitos, que nos afetam em cada situação da existência, possibilitando-nos aprender aos poucos, a prática das virtudes que irão substituir nossas imperfeições. Como posso fazer isso? – O conhecer a si mesmo, deve ser o primeiro passo para a transformação íntima.

Agostinho, em resposta à questão 919 de “O Livro dos Espíritos”, nos oferece uma excelente receita para isso, ao dizer: “Quando estiveres indeciso sobre o valor de uma de vossas ações, inquiri como a qualificarieis se praticada por outra pessoa. Se a censurais, não a podeis ter por legítima quando for o seu autor, pois que Deus não usa de duas medidas na aplicação da Sua justiça. Pergunte a sua consciência, aquele que se sinta possuído do desejo sério de se melhorar a fim de extirpar de si os seus pendores negativos, como de um jardim se arranca as ervas daninhas”.

Dê um balanço no seu dia moral para avaliar suas perdas e lucros. Se puder dizer que foi bom o seu dia, poderá dormir em paz e aguardar sem receio o despertar de um novo dia. “Não é justo que se gastem alguns minutos para a conquista da felicidade eterna? Não trabalhais todos os dias com o fito de juntar haveres que vos garantam repouso na velhice? Esse objetivo não vos faz suportar fadigas e privações temporárias?  Sei haver muitos que dizem ser positivo o presente e incerto o futuro. Ora, esta é exatamente a idéia que estamos tentando eliminar de vosso íntimo, visto que desejamos fazer que compreendais esse futuro, de modo a não restar dúvida em vossa alma”.

Temos a tendência natural de sempre justificar nossos defeitos. São artimanhas e tramas inconscientes. Procuremos conhecer a fundo esses defeitos em suas particularidades, e como eles nos afetam, localizando as ocasiões em que estamos mais vulneráveis à sua manifestação.  Na verdade, bem poucas têm sido as pessoas ocupadas em trabalhar essa dimensão da personalidade, qual seja a do altruísmo, tornando-se úteis à dinâmica da existência. Nas atividades cotidianas, essas pessoas egoístas se aproveitam de todas as chances possíveis para driblarem os outros, tendo a sensação de serem mais astutos, mais vivos, mais sabidos, dando vazão ao íntimo doentio.

Precisando enfrentar as filas, desse ou daquele tipo, para serem atendidos á seu tempo, tratam de descobrir pessoas conhecidas, localizadas à frente, que lhes facilite passar para posições privilegiadas, quando não invadem abusivamente, elas mesmas, o espaço dos que aguardam pacientemente. Crêem-se mais apressadas ou com mais compromissos que os demais. Para o egoísta, tanto faz a fila, o que deseja é passar à frente dos outros, porque lhe impacienta a espera ou já é viciado nessa atitude.

Os males do caráter, desenvolvidos e alicerçados no egoísmo não há limites. Nas conduções populares, o egoísta sempre acomodado vê pessoas idosas, mulheres gestantes, criaturas enfermas, viajando em pé, com sacrifícios, e sem qualquer sensibilização continua sentado, indiferentes, às vezes, até nos lugares reservados para essas pessoas. Em outros casos, vemos crianças sentadas ao lado dos pais que acompanham tudo, fazendo de conta que não estão vendo ou entendendo o que se passa. Noutras ocasiões, vemos a disputa que se realiza por entrar ou sair primeiro, provocando até acidentes. A marca do egoísmo mostra-se por toda parte, entre as mais diversas personalidades.

Procuremos então nos afastar desses procedimentos e buscar meios para substituí-los em nosso comportamento. Como exemplo: Se nos encontrarmos em algum coletivo, valendo-nos do vigor da nossa mocidade, não esperemos que nos solicitem. Ofereçamos o nosso assento para qualquer um irmão que dele necessite, idoso, deficiente, mulher grávida, ou com criança, demonstrando os valores que nos ilumina o íntimo. Isso é tão pouca coisa a fazer.

Benjamim Franklin em sua autobiografia dá algumas sugestões: “Não fale sem proveito para os outros ou para si mesmo; tenha um lugar para cada coisa, e cada trabalho tenha seu tempo certo. Não perca tempo, esteja sempre ocupado em algo útil; não use de artifícios enganosos e fale de maneira justa e honesta. A ninguém prejudique por mau juízo ou pela omissão de benefício que é seu dever. Seja humilde imitando Sócrates e Jesus”.

Por  que  caímos? –  Um  ponto  importante  é  que vamos precisar  contar  com  as quedas    até  que   cresçamos   espiritualmente;   afinal   somos   como   crianças aprendendo a andar, e são as quedas que fortalecem nossa vontade e nos ensina a ter persistência. Por meio das quedas, podemos aperfeiçoar o modo de evitá-las. Mas se caímos porque nos faltas à vontade de acertar, estaremos de queda em queda nos enfraquecendo. A criança aprende a andar porque está determinada a isso. Então sigamos seu exemplo e levantemo-nos logo e sigamos em frente, sem esmorecimento, na firme determinação de não mais errarmos.

A cada novo dia de nossa existência, antes de iniciar qualquer ação, façamos o exercício de nos perguntar sempre:  Isto que vou fazer agora, seria bem aceito por Deus e pela minha consciência?  Se for positivo o procedimento é correto; se não for, devemos cancelar imediatamente o que iríamos fazer e não pensar mais no assunto. Aqueles que todas as noites recordassem todas as ações que praticara durante o dia, e avaliasse o bem ou o mal que houvesse feito, rogando a Deus e ao seu protetor espiritual que o orientasse, grande força conseguiria para se aperfeiçoar, porque Deus o assistiria. Perguntai ainda mais: Se Deus o chamasse nesse momento, teria algo a temer, ao entrar no mundo dos Espíritos, onde nada pode ser ocultado? – As respostas nos darão o descanso para a nossa consciência, ou a indicação de que precisamos melhorar e evitar o mal proceder.

A autoanálise permite que alinhemos as nossas ações e pensamentos na direção das correções que necessitamos realizar, para ajustarmos os nossos atos com os ensinamentos de Jesus, tanto com relação a Deus como em relação ao nosso próximo. Através do esforço e exercícios repetidos em direção às boas causas, construiremos em nós, o próprio bem. Este processo é árduo; assim necessitamos de muita força de vontade, determinação, perseverança e coragem para o realizarmos. Deus assiste e auxilia sempre, mas precisamos fazer a nossa parte, se desejamos verdadeiramente melhorar.

Todos nós somos chamados a servir e todos os instrumentos de trabalho no mundo, concretizam os ideais superiores, as aspirações de serviço e os impulsos nobres da alma. Ninguém suponha que, perante Deus, os grandes homens sejam somente aqueles que usam a autoridade. Quando os políticos orientam e governam, é o tecelão quem lhes fabrica o agasalho do corpo. Se os juizes se congregam nas mesas de justiça, são os lavradores quem lhes garantem o alimento. Cada trabalhador, em sua especialidade, seja honrado pela cota de bem que produza e permaneça convencido de que a maior homenagem que podemos prestar ao Criador é a correta execução do nosso dever, onde estivermos em atividade.

A humanidade continuará ainda por algum tempo como é agora, mas nós, que já estamos dispostos às mudanças de atitudes, que já sentimos o amor ensinado pela Doutrina dos Espíritos, que já estamos conscientes da realização das  tarefas para a nossa evolução espiritual, que já compreendemos as palavras e os ensinamentos de nosso Mestre Amado Jesus, podemos então fazer a nossa pequena parte, vivendo a solidariedade no mais alto grau, que é a Caridade, e realizando  a  transformação  do  nosso  íntimo,  fazendo a Alquimia moderna de transformar chumbo em ouro, melhor dizendo, o mal no Bem.

Com toda razão, assinala Amaral Camargo quando diz que “a transgressão da Lei de Deus, trás em seu bojo a própria punição, com as suas conseqüências naturais e inevitáveis. O crime e a punição brotam de um só ponto. Causa e efeito, meios e fins, semente e fruto, não podem ser separados, pois o efeito já floresce na causa, o fim preexiste nos meios e o fruto na semente”. Como reação retificadora ao abuso ou afronta às Leis Divinas, é que os mestres orientais consideram como a Lei do Carma, ou da Justiça Superior às palavras da sabedoria popular que diz: “Quem semeia ventos, colhe tempestades” e “quem com ferro fere, com ferro será ferido”, colhendo assim o que houver semeado.

Tratemos, pois, de avaliar como estamos procedendo na atual existência, porque hoje, estamos colhendo o que plantamos no passado, e estamos plantando hoje, o que colheremos no futuro. Se ainda temos a nossa consciência a nos acusar, precisamos imediatamente fazer uma retificação do nosso proceder, a fim de não sofrermos no amanhã.

Como máximas de bem viver, adote ser, HUMILDE como Francisco de Assis; SÁBIO como Mahatma Gandhi; VALENTE como Paulo de Tarso; LÚCIDO como Allan Kardec, e pleno de AMOR, como foi Jesus, o Mestre Amado que ensinou, exemplificou, amparou e amou todos os seus irmãos em humanidade...

Avalie-se, procurando melhorar a si próprio e ao mundo em redor, e, através da transformação interior faça o seu progresso espiritual. Não custa nada fazer isso; só é preciso ter boa vontade e querer...




Bibliografia:
“O Livro dos Espíritos”
Benjamin Franklin
Amaral Camargo
Livro “Alvorada Cristã”
+ Pequenas modificações


Jc.
S.Luis, 21/01/2009
Refeito em 10/05/2017

domingo, 30 de julho de 2017

ALGUNS TÓPICOS





 Toda forma de política é boa em mãos de homens honestos e cônscios de seus deveres e responsabilidades. Porém, nenhuma delas presta quando manejada por pessoas inescrupulosas, vis e desonestas. As melhores Constituições, as leis mais sábias, visando assegurar os direitos e o bem-estar dos povos, nada representam, se as rédeas do puder, se acham no domínio de demagogos ou de corruptos, cujos objetivos sejam locupletar-se de posições que ocupam e da força de que ocasionalmente dispõem.
Leis justas e luminosas, dependendo da interpretação e aplicação de políticos corruptos, tornam-se inócuas e inoperantes no sentido do bem coletivo; pois até mesmo dispositivos e postulados sem expressão e obsoletos, sob o critério de pessoas sensatas e de consciência, podem assegurar a felicidade de um povo e o nome de uma nação. Em qualquer hipótese e circunstâncias, não são as leis, as formas e os códigos que promovem e garantem a estabilidade das instituições e a justiça social, mas sim os seus executores.
Tudo depende do homem e não dos regulamentos e do emaranhado de dispositivos, regras e artigos metodicamente a serem aplicados. Tudo se burla, se torce se modifica e se mistifica menos o caráter íntegro, estruturado e consolidado mediante esforços e lutas consumadas com esse propósito. Fora a educação que se transforma em autoeducação quando o ser humano a imprime em si mesmo, não existe solução para os problemas da existência, a não ser por meio dela.   
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Mais humano e cristão é prevenir contra os males as nossas crianças lhes acendendo no Espírito o facho da educação, que instrui, consola, melhora e fortalece, do que deixá-las entregues a si mesmas, para oferecer-lhes mais tarde um apoio ou impor aos  rebelados a moralização cruciante das cadeias.
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“Jamais esqueçam que não existe dinheiro público, visto que todo dinheiro arrecadado pelo governo é tirado do orçamento doméstico; do sacrifício das pessoas, da mesa das famílias.” 
                                                                Margaret  Thacher                                          
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A  HISTÓRIA  DA  LIBERDADE  DE  PENSAMENTO
O historiador e filósofo irlandês, John Hagneli  Bury, no seu livro,  cujo título vai acima, explica a razão de, para algumas pessoas, ser tão difícil aceitar a liberdade de expressão:  “O cérebro médio das pessoas é naturalmente preguiçoso e tende sempre a escolher o caminho por onde encontre menor resistência. O mundo mental do homem médio consiste de credos que ele aceitou sem questionar, e aos poucos ele está firmemente fixado. Por esse motivo, ele é quase sempre instintivamente hostil a qualquer coisa que ameace a instabilidade do mundo que lhe é familiar”.
“Uma nova ideia com novos credos torna necessário rearranjar a mente, num processo trabalhoso que requer um gasto doloroso de energia mental. Para o homem médio e seus amigos, que formam a grande maioria, novas ideias e opiniões que causam dúvidas nos credos e instituições estabelecidos, parecem malignas,  e por isso são julgadas desagradáveis”.
Portanto, se eu sou esse homem médio e tenho algum tipo de poder, fico tentado a não permitir que “ideias malignas e desagradáveis”, sejam expressas. E para isso, grito mais alto esmurro, ameaço ou posso lançar mão do conceito do “bem-comum”, da “proteção aos mais fracos”, ou da “sobrevivência da humanidade”, e outros argumentos que se tornem pretextos para verdadeiros crimes contra as liberdades individuais ou coletivas.
Liberdade de pensamento quer dizer muito pouco se não for acompanhada pela liberdade de expressão. Ninguém muda o mundo só com pensamentos; eles precisam ser expostos, compartilhados, discutidos  e colocados em ação. Nós que vivemos em sociedade que são consideradas democráticas, não nos esqueçamos de que, para chegar até este ponto, foram precisos muitos séculos e muito sangue correu...
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CHAMA ACESA

A esperança anda escasseando nos corações. A nossa Terra
apresenta horizontes sombrios e desentendimentos entre os povos e o Brasil se vê mergulhado numa situação caótica. Temos ciência pelos meios de comunicações de mensagens desalentadoras e de falta de esperança com o Brasil, e temos o dever de reacender a chama da esperança nas mentes das pessoas. Cabe ao cristão sincero, sobretudo o espírita, que tem o conhecimento jorrado do alto pelos imortais, em nome do amor, manter a fé acesa. Devemos ter cuidado com pensamentos sombrios, cuidado com o que escrevemos e o que enviamos para as pessoas, pela comunicação da Internet.

A mídia tem divulgado muito o mal!  É certo que a intenção possa ser benéfica, mas o mal está sendo divulgado demais. André Luiz por meio de Chico Xavier comenta que toda vez que divulgamos o mal, inconscientemente estamos procurando arrasar o bem. As pessoas não devem desconhecer a realidade; devem saber dos fatos, mas cuidado! O Bem nunca esteve tão intenso no planeta e a solidariedade é crescente em toda parte.  É preciso manter a fé em dias melhores que virão. Pensamentos de esperança mudam a paisagem mental, para o belo, o bem e o amor. Edifiquemos pensamentos de paz e mantenhamos viva a Esperança em dias melhores, pois, Jesus está no comando do mundo...

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REFLEXÕES SOBRE A NOSSA CONDUTA ÉTICA
Uma palestra do professor e historiador Leandro Karnal, da Universidade Estadual de Campinas, fez um questionamento pertinente à conduta ética das pessoas. Segundo sua percepção, tem havido nos últimos anos, certa indisciplina em regras e valores por parte das pessoas, notadamente dos espíritas. Teriam perdido os espíritas o temor com relação às consequências advindas dos seus atos?
Nela, o professor Karnal analisa diversos assuntos, como, por exemplo, a questão da corrupção no Brasil, tema que tem estado em moda em nosso país, sobretudo por causa dos desdobramentos da Operação Lava Jato. Karnal lembra-nos em sua fala, que é ilusão imaginar que a corrupção em nossa pátria se circunscreve aos políticos, aos partidos ou aos governantes, visto que ela (corrupção) está presente no dia a dia dos brasileiros; como nas vendas sem a nota fiscal, no atestado médico falso, no suborno ao guarda de trânsito, no recibo que é majorado, no funcionário que assina a lista de presença no lugar do amigo, no estacionamento em local proibido, na omissão de rendimentos na declaração do imposto de renda... e por aí vai. Nas situações mencionadas, nem mesmo os que se dizem cristãos agem de forma ética.
É evidente que não devemos jamais generalizar, mas se não são todos, muitas pessoas agem realmente assim, ignorando por certo que tais atitudes compõem também a tão lamentada estrutura de corrupção que se registra no Brasil e, como se sabe, não apenas nas terras brasileiras, mas no mundo todo. Esse assunto evoca uma questão importante pertinente ao grau evolutivo dos habitantes da Terra. Em 1948, ano em que escreveu o livro “Voltei”, obra psicografada por Chico Xavier,, Frederico Figner (verdadeiro nome do irmão Jacob, autor do livro), revelou que – dos dois bilhões de encarnados que viviam na Terra, na época – mais da metade era constituída por Espíritos semicivilizados ou bárbaros e que as pessoas aptas à espiritualidade superior não passava de 30% da população global, distribuída pelos vários continentes.
Há 47 anos, no livro Vida e Sexo, obra escrita em 1970, Emmanuel informou que existe no planeta um grupo numeroso de homens e mulheres psiquicamente não muito distantes da selvageria, remanescentes próximos da era dos homens das cavernas. Vê-se, pois, à vista das obras citadas, que nosso orbe é um mundo ainda muito atrasado e distante da perfeição, o que explica as imperfeições morais mencionadas neste artigo, das quais não se excluem, obviamente, os espíritas que deveriam  ter uma noção mais perfeita, graças aos ensinos da Doutrina Espírita, sobre a responsabilidade que assumimos perante a Lei em decorrência de nossas ações e omissões, de que, logicamente, teremos de prestar contas, finda a nossa  existência terrena. . .
TRÊS  CONCLUSÕES
Quantos  milhares  de  minutos  e  de  frases  esbanjamos  por décadas, sem a mínima utilidade, tratando de temas e questões que não nos dizem respeito? Para conjugar essa perda inútil, reflitamos em três conclusões de interesse fundamental.
O que os outros pensam:  Aquilo que os outros pensam é ideia deles. Não podemos influir-lhes a cabeça para imprimir-lhes as interpretações diante da existência. Um indígena e um físico contemplam a luz, mantendo conceitos absolutamente antagônicos entre si. Acontece o mesmo na moral. Precisamos nutrir o cérebro de pensamentos limpos, mas não está em nosso poder exigir que os outros pensem como nós.
O que os outros falam:  A palavra dos amigos e adversários, dos conhecidos e desconhecidos, é criação verbal que lhes pertence. Expressam-se como podem e comentam as ocorrências do dia a dia com os sentimentos dignos ou menos dignos de que são portadores. Efetivamente, é dever nosso cultivar a conversação criteriosa, contudo, não dispomos de meios para interferir na manifestação pessoal dos entes que nos cercam, por mais caros nos sejam.
O que os outros fazem:  A atividade dos nossos irmãos é fruto de escolha e resolução que lhes cabe. Sabemos que a Sabedoria Divina não nos criou para cópias uns dos outros. Cada consciência é de domínio à parte. As criaturas que nos rodeiam decerto que agem com excelentes intenções, nessa ou naquela esfera de trabalho, e, se ainda não conseguem compreender  o mérito da sinceridade e do serviço ao próximo, isto é problema que lhes compete e não a nós.
Fácil deduzir que não podemos fugir da ação nobilitante, a benefício de nós mesmos, mas não nos compete impor nas decisões alheias, que o próprio Criador deixa livre. À vista disso, cooperemos com os outros e recebamos dos outros o auxílio de que carecemos, acatando a todos, mas sem perder tempo com o que possam pensar, falar ou fazer. Em suma, respeito para os outros e obrigação para nós.
Fonte:
Jornal  “O Imortal”- 5/2017
Livro “Estude e Viva”
+  Pequenas modificações.

Jc.
São Luís, 19/05/2017






DIFICULDADES E COMPORTAMENTO




 As dificuldades de todos os dias, as lutas pela sobrevivência, a violência, os vícios, são sérios problemas para os seres humanos, que não conseguem manter a estabilidade emocional e mental. Muitos se deixam levar pela tristeza, pelo pessimismo, pelo desânimo, pela agressividade e outras reações negativas que desencadeiam os sofrimentos e depressões que repercutem na ordem física e espiritual, trazendo sérios problemas de saúde.

Daniel Goleman, escritor da obra “Inteligência Emocional”, comenta que nos países modernos há uma tendência para o individualismo exacerbado que, por sua vez, acarreta uma competitividade cada vez maior entre as pessoas. Essa visão do mundo traz consigo o isolamento, a deterioração das relações sociais e a lenta desagregação da vida em família e em comunidade. Os frutos desse estado de coisas aparecem no aumento crescente dos índices de criminalidade, de suicídios, nos abusos das drogas e o enfraquecimento dos laços de família.  Ele propõe como remédio para debelar esses sintomas da doença social, o desenvolvimento da inteligência emocional... Ele poderia na sua proposta ter ido além, se conhecesse os ensinamentos da Doutrina dos Espíritos.

Não podemos entender os problemas de hoje se não se tem em mente que, boa parte deles tem muita relação com nosso estado de evolução espiritual. Muitos deles foram criados em existências passadas. Os medicamentos mais usados em nossos dias são os tranquilizantes, e isso demonstra que algo não está bem nas criaturas. A mediunidade, porta de contato com o Mundo Espiritual, e que deveria ser de amparo para um comportamento seguro, está sendo invadida, nesta fase de transição, por espíritos rebeldes, desajustados e agressivos. Por que isso está acontecendo? – Porque cultivando uma visão deformada da realidade, perseguindo uma felicidade em termos de realização humana no campo da ambição por posses terrenas e poder, limitando seus interesses à existência material, o ser humano situa-se num padrão vibratório de baixa qualidade, colocando-se à mercê e sob as ordens desses marginais da Espiritualidade.

Os tranqüilizantes ajudam; o passe e a água fluidificada, aplicados na Casa Espírita, bem como o socorro dos amigos espirituais, são excelentes auxílios.  Porém, o problema fundamental de nosso ajuste íntimo, raiz de todas as perturbações que nos envolvem não pode ser resolvido apenas por estes meios. O remédio para esta doença pessoal está dentro de cada um de nós. O que acima de tudo deve interessar ao ser humano é o progresso espiritual, pois esta é a única finalidade da existência dos seres em todos os escalões e em todos os mundos. Isto não é fácil, mas esta é a luta inevitável, que depende de decisão, de vontade firme, de perseverança e também de muita fé.

A reunião de Espíritos encarnados, quase sempre diferentes, moral e intelectualmente, em uma família, agrupados num mesmo lar, é providência tomada por força de acordos efetuados na espiritualidade antes da encarnação e compromissos assumidos no plano espiritual, que servem para resgates dos débitos, desenvolvimento da capacidade de se harmonizar com os semelhantes e de afinidade entre os participantes, sendo a consanguinidade, complemento para maior facilidade de aceitação. Muitas pessoas aceitam desculpar, tolerar, aturar, ajudar e perdoar outras pessoas, porque fazem parte da nossa família; caso contrário, ou seja, se não fosse do nosso sangue, não ajudaríamos ou partiríamos em revide, em vingança, agravando a presente existência e prejudicando nossa evolução. Além da família, devemos selecionar nossas amizades. Uma só ovelha põe o rebanho a perder. Uma gota de tinta preta mancha a água pura de um vaso. Selecionar, portanto, pelas condições morais e conservar somente as amizades que forem convenientes e agradáveis. Preferir as companhias das pessoas de bons costumes e bons sentimentos, sem distinção de cor, classe social ou riqueza; que possuam ideias pacíficas, elevadas e construtivas.

Pessoas cujas conversas são tendenciosas, maliciosas, maledicentes, empregando anedotas grosseiras e imorais ou palavrões, tudo isso indica sentimento inferior, maus costumes, maus instintos; devemos sempre dispensar a companhia dessas pessoas. É claro que não se trata de desprezar, negar auxílio, fugir ao dever da caridade, mas simplesmente não manter intimidade nem a convivência, relações afetivas e sociais. Cada um de nós ocupa na sociedade o lugar que nos é próprio, segundo nosso merecimento, nossas qualidades e, sobretudo, segundo o programa de nossa atual existência. Mesmo que a companhia seja de pessoa de posição social elevada ou de prestígio, não nos servirá quando espiritualmente demonstre um caráter inferior, sentimentos baixos, mundanos e egoístas, porque na certa irá exercer sobre nós alguma influência perniciosa.

Outro ponto de nosso comportamento refere-se à solidariedade. Pelo uso criterioso do seu livre-arbítrio, o ser humano pode apressar ou retardar sua evolução; provocar ascensão ou estacionar, obter triunfos ou derrotas. Todos nós somos células da coletividade universal e nossos atos, bons ou maus, sobre essa coletividade se refletem, assim como ocorre com as células do corpo físico, que se refletem no metabolismo geral, beneficiando ou prejudicando o funcionamento do corpo. Todos concorrem duma forma ou de outra, à movimentação da vida social coletiva e, dessa solidariedade e dependência, todos se beneficiam direta ou indiretamente. Não se move o ser humano, nem dá um passo em qualquer sentido, que não dê ou não receba algo desse organismo social.

Tudo o que temos hoje, de que necessitamos para viver, representa o trabalho dos que nos antecederam, somado ao nosso e o trabalho dos nossos semelhantes, no passado e no presente. A geração de hoje, usufrui o esforço e o trabalho acumulado de todas as gerações antecedentes, e, juntando o esforço de todos, à geração seguinte herda o patrimônio social assim enriquecido.  Observemos o panorama geral do mundo em que vivemos; o espetáculo é impressionante. Por toda parte vemos seres humanos se movimentando nas cidades; nos campos, na terra, nos rios e mares, no ar, num esforço, não percebidos, de beneficiar a todos, buscando de forma direta ou indireta, a satisfação de seus próprios interesses que, por fim, se reverte sempre em benefício da sociedade.

Imaginemos apenas como exemplo, um pescador: - Ele vai ao mar no propósito de pescar os peixes que o alimente e lhe dê vantagem financeira; porém esse pescado vai beneficiar muitas pessoas que necessitam de alimento, enquanto ele próprio vai depender de muitas outras coisas realizadas por outras pessoas. Exemplo: o padeiro que faz o pão, o usineiro ou o cortador de cana que proporciona o açúcar, o fazendeiro que planta o café, e de muitos outros, principalmente de Deus, que faz germinar a semente, o crescimento, a floração e a fruta.

Nas sociedades futuras, quando a Terra já estiver em novo estágio evolutivo, o trabalho deverá visar conscientemente o bem coletivo, a exemplo de certas tribos de índios, onde tudo é dividido igualmente com todos. Assim, pois, é evidente que devemos realizar as tarefas que trouxemos ao encarnar, visando o bem comum e não apenas a nossa satisfação particular. Se a vida coletiva for representada por um vaso contendo um pouco de água lodosa e impura, e, se todos para esse vaso trouxerem água limpa, ver-se-á que a água impura irá clareando aos poucos até transformar-se em água saudável. Mesmo nas atividades mais simples, a regra é a mesma; o bem comum.  Assim procedendo, estaremos evitando dificuldades no nosso dia-a-dia e resguardando o nosso comportamento das influências negativas, que prejudicam o nosso esforço  demorado de reforma íntima, indispensável ao nosso progresso espiritual.

Devemos simplificar nossa existência profissional, organizando o trabalho e fazendo tudo com calma e boa vontade, dentro de uma programação. Separar as tarefas do dia: primeiro as mais importantes e, dessas, as mais urgentes, depois as demais. Simplificar também as nossas relações familiares e sociais, superando ressentimentos, mágoas, irritações, animosidades, respeitando e cuidando do nosso corpo como um vaso sagrado que nos foi confiado por Deus, e respeitando o semelhante como nosso irmão; estabelecendo relações afetivas com base no desprendimento e na sinceridade, respeitando os sentimentos alheios sem complicar o nosso destino. Simplificar, enfim, nossa existência, sabendo que estamos na Terra de passagem; nossa meta é a Espiritualidade; a existência na Terra serve como um meio para a nossa renovação e evolução espiritual.

Devemos estar cientes de que, quando Deus nos concede bens materiais, é para nos ajudar e atender nossos pedidos; assim estamos na condição de devedores ou usufrutuários, e não como donos. Pelo fato de Deus ter permitido termos uma empresa, uma boa casa, um carro do ano ou uma conta bancária com bom saldo, temos que nos julgar superiores e tratar mal aqueles que nos servem ou que foram os colaboradores do nosso sucesso?  - Afinal, o que foi que trouxemos quando nascemos? – Nada. Jesus nos disse que não podemos ao mesmo tempo amar a Deus e ao dinheiro. Se amarmos a Deus, respeitando as leis divinas, o resto, família, empresa, emprego, casa, dinheiro, cultura, saúde e bem estar...  serão as consequências do amor e respeito a Deus.

Quando chegamos ao mundo, o encontramos aberto às nossas necessidades e devemos deixá-lo quando partirmos, em melhores condições, para nossos filhos, nossos netos, e até para nós mesmos, se aqui reencarnarmos. Se assim não fizermos, nossa conta-corrente na Espiritualidade ficará negativa e teremos que resgatar esse débito no futuro. Devemos exercer princípios religiosos e éticos no nosso ambiente de trabalho, respeitando uns aos outros, sem ser fanático ou radical. Existem pessoas que, em nome da empresa ou do serviço, esquecem a família, as amizades, o lazer, até os cuidados com a saúde, preocupadas apenas com a possibilidade de juntar mais bens materiais, que no final nem conseguem usufruí-los e não seguem com elas para além do túmulo.  Outras pessoas confundem o sucesso com a riqueza ou o poder. Diz um antigo provérbio: “Não há nada de nobre em ser rico ou ter poder sobre outras pessoas. A verdadeira nobreza está em ser superior ao que se era anteriormente”.

O dinheiro foi proporcionado por Deus, e pode ser tirado em qualquer tempo. Não é para o ser humano ficar escravo dele, mas para que faça bom uso dele e tenha momentos de felicidade, pois ninguém é completamente feliz aqui na Terra. O ideal é que o dinheiro nos beneficie e também a coletividade e, como energia quando movimentado, gere empregos, pague salários, aumente o progresso. Porém, quando guardado, parado, pode ser consumido pelas traças, roubado pelos ladrões, transformado em ferrugem e perder seu valor pelo tempo.

Evitemos as vantagens somente para nós, porquanto tudo aquilo que retivermos a mais para nós, no sentido de satisfazer nossas vaidades ou supérfluos, estará faltando a outros que necessitam apenas do indispensável para sobreviver. Tenhamos bom ânimo e coragem para vencermos todas as dificuldades, todos os problemas que se nos apresentarem. Logo que o sol desponte, saudemos o novo dia com uma oração ao Pai Celestial, levantando-nos também e iniciando nova jornada, com o propósito de ajudar a todos e de cumprir com boa vontade todas as nossas obrigações, para que ao final do dia a nossa consciência esteja tranquila, por havermos cumprido com nosso dever. Caminhemos resolutos no propósito do progresso, enfrentando as dificuldades, como degraus, para a nossa evolução espiritual.

Procuremos viver com equilíbrio, mesmo dentro da agitação diária, sem nos deixar levar pela onda pessimista e desordenada que envolve a sociedade. Caminhemos confiantes em Deus e certos de que venceremos, por maiores que sejam as dificuldades. Lembremo-nos de que cada companheiro de jornada é um irmão que nos ajuda, direta ou indiretamente, e a quem precisamos também ajudar. Existem dois tipos de comportamentos: o daqueles que fazem, e o daqueles outros que ficam apontando os erros. Façamos parte do grupo que trabalha confiante em Deus e sem aguardar aplausos, temer pedradas, com o objetivo superior de ser útil a nós mesmos e ao nosso próximo, beneficiando a todos e também à própria Terra, que nos acolhe com bondade, nos possibilitando a existência e a evolução.

Um gesto pequenino, uma ação que julgamos insignificante pode melhorar muito o ambiente em que nos encontramos; elevar o entusiasmo de quem está desanimado; reanimar aquele que está desiludido; erguer aquele que está caído pelas dificuldades da existência; um sorriso, uma palavra de conforto, uma oração de amparo, tudo pode melhorar a nossa situação como também a situação dos que vivem conosco neste planeta. Qualquer coisa que fizermos, por menor que seja, estamos contribuindo para diminuir as dificuldades, porque assim nos ensinou Jesus, e também pelo fato do mundo não ser um parque de diversão, mas um ambiente de trabalho, onde estamos para melhorar através do nosso trabalho voltado para a fraternidade, a paz,  o amor.

Assim como Jesus, o ser humano é chamado a inúmeros testemunhos no decorrer da existência. No livro “Tormentos da Obsessão”, Manoel Philomeno Miranda, faz um paralelo entre os testemunhos de Jesus, em vários montes, e os montes de problemas e dificuldades que o ser humano enfrenta em sua trajetória de aprendizado na Terra: 1º- Jesus sobe o Monte Tabor e diz quem é; se dá a conhecer aos seus apóstolos. O ser humano deve conhecer os objetivos a que dedicará sua existência;  2º- Quando Jesus sobe o Monte em que profere o “Sermão da Montanha” ou “Bem-aventuranças”, traça Ele o código moral a ser seguido por todos nós. A criatura deve traçar as linhas de comportamento para enfrentar as dificuldades da existência;  3º- Jesus sobe o Monte das Oliveiras para em retiro, se harmonizar com o Pai Celestial.  O mesmo deve fazer o ser humano, recolhendo-se a meditação e a oração, para receber as bênçãos necessárias a enfrentar as dificuldades e sofrimentos;  4º- No Monte Gólgota, o Mestre coroando seus ensinos,  exemplifica com os próprios sofrimentos. O ser humano deve fazê-lo também com abnegação e amor, até o momento final da sua existência terrena.

Todos nós temos as nossas lutas, mas só quem sabe vencê-las, sem pensar em desistir ou se abater diante das dificuldades, pode ser classificado como um verdadeiro e corajoso herói. Ante as dificuldades do caminho e as rudes provas de evolução, devemos nos resguardar na oração, na confiança em Deus, que certamente nos impedirá de resvalar nos abismos da revolta e dos sofrimentos...

Dificuldades todos nós temos, hoje ou amanhã, e para nos livrarmos delas, precisamos ter um comportamento de aceitação, reflexão, enfrentamento, para que venha a solução dos problemas, com o amparo dos nossos entes queridos e também com a assistência do Pai Celestial. 


Que a Paz do Senhor reine em nossos corações.


Bibliografia:
Livro “Inteligência Emocional”
     “    “Tormentos da Obsessão”
+ Acréscimos

Jc.
São Luís, 28/10/2008
Refeito em 25/4/2017  

quinta-feira, 20 de julho de 2017

A LAVA JATO




 A Operação Lava Jato só vencerá se contar com o apoio do Supremo Tribunal Federal e do Ministério Público. O Brasil precisa de harmonia, não de disputas, para que essa operação possa transformar os costumes políticos do país.
Preservar a capacidade da Operação Lava Jato sob o comando do Juiz Sérgio Moro de fazer seu trabalho, é essencial para o Brasil garantir que seja extirpado da democracia um tumor generalizado que atrapalha seu funcionamento. Procuradores e juízes precisam do apoio do Ministério Público e do S.T.F., ao qual os poderosos encarcerados recorrem. Assim, causou preocupação á possibilidade de a mais alta Corte mudar seu entendimento e libertar réus sobre cujos ombros pesam graves evidências de corrupção e continuidade delitiva comprovada. A preocupação surgiu depois da decisão da Segunda Turma do Supremo, que libertou  o ex-ministro José Dirceu. Os ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli – com fundamentação jurídica – consideraram alongada demais a prisão preventiva de Dirceu que durava mais de um ano. O ex-ministro foi condenado pelo juiz Sérgio Moro, mas a segunda instância do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, sediada em Porto Alegre, durante todo esse tempo, não julgou os recursos da defesa nem o processo. A culpa, portanto não é do juiz Sergio Moro nem da Lava Jato.
Em dias anteriores, essa mesma Segunda Turma concedeu habeas corpus a dois réus da Lava Jato, libertando José Carlos Bumlai, pecuarista amigo de Lula, João Cláudio Genu operador do PP e veterano do Mensalão, e em decisão liminar, Gilmar Mendes libertou o empresário Eike Batista. A soltura de Dirceu fez com que o ex-ministro Antônio Palocci interrompesse as negociações para firmar um acordo de delação premiada – a mais temida pelo PT, por empresários e pelo setor financeiro.
Embora a principal motivação para a delação seja a perspectiva da pena longa, e não a preventiva, ficou a impressão de que a justiça no Brasil voltou ao tempo no qual os recursos jurídicos anulavam qualquer prova, por mais forte que fosse. Sem as colaborações de réus presos, não se saberia que um esquema de corrupção reinou na Petrobrás e que a Odebrecht gastou bilhões em propina para políticos e bancou até um ex-presidente da República. Assim como o Palocci, outros réus, potenciais delatores, podem esconder segredos graves.
Não se trata de permitir que prisões preventivas durem eternamente. Entretanto, como a Lava Jato lida com uma sofisticada rede de corrupção q     ue se encastelou  nos poderes, é necessário preservar, dentro da lei, o poder de investigação da força-tarefa da Lava Jato. É saudável para a democracia que ministros do Supremo tenham visões jurídicas diferentes e as exponham em seus votos na transparência do plenário. Porém, o Brasil precisa também que o S.T.J. e ainda o S.T.F. compreendam a delicadeza do momento, e ajudem a Lava Jato a desvendar o maior esquema de corrupção da história do país.
Até então, em decisões monocráticas e no pleno, o tribunal tomou decisões que deram o apoio necessário para que a Lava Jato obtivesse o êxito que vem beneficiando o país. É preciso que o S.T.J. e o Supremo Tribunal Federal continuem assim, para honrar as tradições e ficar na história...
Entretanto, por ameaçar com as delações as altas autoridades do país, a Lava Jato, infelizmente para o Brasil e nós humildes brasileiros, foi desmembrada e praticamente destruída, e os milhões e bilhões que ela vinha recuperando para a Petrobrás e o BNDES, não serão mais recolhidos. Essa ação decepcionou a todo brasileiro honesto e trabalhador e trouxe ainda mais descredito aos poderes constituídos da Nação.  A máxima de Ruy Barbosa continua atuante e presente até nos nossos tempos. “Isto é uma vergonha” no dizer de Boris Casoy.

Fonte:
Opinião da revista Época
Edição de 8/5/2017
+  Pequenas modificações.

Jc
S. Luís, 4/6/2017