sábado, 20 de maio de 2017

CELESTES MORADAS - ORAÇÃO DO MONTE




  “Há muitas moradas na casa de meu Pai, onde vou preparar-vos lugar”.   (João, 14:2)
Definida por Aristóteles, por vasta planície e por centro do Universo, por muitos séculos admitiu-se a Terra orbitada pelo Sol e pela Lua, sustentando um firmamento enfeitado de estrelas. Ratificada a teoria por Ptolomeu, as moradas da casa do Pai só poderiam ser localizadas neste mundo, filosofia que deu motivo à seguinte exclamação dos apóstolos Tomé e Felipe: “Senhor, não sabemos para onde vais; como saber o caminho?”  (João, 14:5) 
Com elevada sabedoria, Allan Kardec define o Universo como a casa do Pai, e os planetas por infinitas moradas, habitadas por Espíritos de várias evoluções. Não se pode ignorar, todavia a presença do ser humano que, no pretérito, demonstraram elevados conhecimentos sobre a matéria, sendo oportuno conhecer o que o Codificador diz a respeito: 
Pelo ano de 600 A/C, Tales de Mileto na (Ásia Menor), descobriu a esfericidade da Terra, a obliquidade da eclíptica e a causa dos eclipses. Um século depois, Pitágoras, de Samos, descobre o movimento diurno da Terra, sobre o próprio eixo, o movimento anual em torno do Sol e incorpora os planetas e os cometas ao sistema solar. As descobertas, no entanto, por ausência de maturidade das pessoas e de melhores fatores de comunicação levou perto de dois mil anos para que fossem popularizadas, ficando apenas como patrimônio dos filósofos.  
As pirâmides do Egito, segundo Emmanuel, traduzem avançados conhecimentos confiados com exclusividade aos mais graduados sacerdotes, que se recolhiam em ambiente reservado dos templos, mediante os mais severos compromissos dos iniciados nos seus mistérios. Enquanto os egípcios e os maias detêm conhecimentos sobre o Universo, por meio de respeitáveis faculdades mediúnicas, a esfericidade da Terra, divulgada por Galileu, foi muito questionada por autoridades religiosas da Igreja Católica, que o condenam à prisão domiciliar, qualificando suas descobertas de heresia. Sem desprezar o mérito indiscutível da Ciência, os astrônomos da atualidade, equivocadamente,  admitem, por acidente, a vida física na Terra e os mundos que compõem o Universo. 
Compreenda-se a mediunidade por fonte das informações que os seres de antanho detinham sobre o Universo, definindo as moradas infinitas na casa de Deus, cuja vida não se revela, só e exclusivamente, à natureza biológica ou física, considerando expressar-se, igualmente, em diferentes dimensões. No exame criterioso a que toda nova revelação mediúnica deve ser submetidas, como determina o profeta Jeremias (23:16 a 33), só o conteúdo determina sua qualidade. Convém esclarecer,  contudo, que a presença do animismo, das forças mediúnicas embrionárias, das mistificações ou dos falsos médiuns não invalida a existência da faculdade mediúnica, admitida por futuro de todos os seres humanos, facultando a comunicação com o Além, pátria verdadeira de todos, de onde procedem as revelações de comprovada lógica e de inusitado valor, que não podem ser desprezadas sem prejuízo ao progresso do homem. 
Foi com a faculdade mediúnica que os egípcios obtiveram revelações sobre Capela, no sistema do Cocheiro, de onde migraram como Espíritos, trazendo informações de Astronomia aos maias, sobre as grandes transições anotadas nos evangelhos e orientando Allan Kardec na Codificação da Doutrina dos Espíritos. Jesus assegura aos Apóstolos que iria preparar-lhes lugar, as moradas celestes ou o Céu. Enquanto os planos são por Jesus, edificados, os Espíritos os conquistam, na proporção  de sua evolução.  Esses planos são definidos por Kardec, em cinco categorias: os mundos Primitivos compreendem a origem ou o berço das criaturas mais estranhas da Natureza, contrastando com os  mundos de  Provas e Expiações, os mundos de Regeneração, os mundos de Felicidades, e os mundos Celestes ou Divinos que constituem moradas dos Espíritos puros.  
Nos mundos evoluídos as condições da vida são significativamente diferentes da vida terrena. A aparência é muito aperfeiçoada, embelezada e ainda purificada, nada existindo da materialidade terrestre e não está sujeita às exigências, nem às doenças ou ao envelhecimento. Os sentidos mais apurados e a leveza do corpo permite a fácil e rápida locomoção e em vez de se arrastar, desliza sem qualquer esforço, a não ser o da vontade. Memorizando as suas passadas migrações, os Espíritos se mostram tais como conhecidos por seus afins, porém, irradiando luz divina. Somente a superioridade moral e espiritual e a autoridade oriunda dos méritos espirituais confere a  supremacia e o respeito de todos. O mal nesses mundos, não existe.
A Terra e o corpo biológico não oferecem condições à completa felicidade, somente encontrada em planos mais evoluídos, onde ingressa depois de libertado dos erros que a consciência anota, livrando-se da obrigatoriedade imposta pela lei da reencarnação.  Saúde eterna, paz de consciência e sem os sofrimentos, por ter alcançado esferas mais evoluídas, sentindo a ausência dos seres amados que permanecem à retaguarda, para os quais mobiliza planos de auxílios.                               
ORAÇÃO NO MONTE
“Retirou-se Jesus para o  monte, onde passou a noite orando a Deus.”             ( Lucas 6:12)
Depois de contemplados os apóstolos por orientações de Jesus sobre a oração, transcrevemos alguns trechos evangélicos sobre o nobre ato de fé.
“E orando, não procedais como os hipócritas que gostam de orar nas sinagogas e nas praças, para serem vistos pelos homens. Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e fechada a porta, ora em secreto ao Pai Celestial; e orando, não useis de vãs repetições como fazem os gentios, que       presumem serem ouvidos pelo muito falar; não vos assemelheis a eles, porque vosso Pai sabe o que tendes necessidade, antes que lhe peçais.”     (Mateus, 6: 5 a 8)
“Vem a hora e já chegou em que não será no monte ou em Jerusalém que o Pai será adorado, pois importa seja Ele adorado, em Espírito e em Verdade.”     (João, 4: 21 a 24) 
O valor da oração, segundo os textos evangélicos, não se mede pelo lugar nem pela quantidade de palavras e nem por luzes simbólicas, sendo oportuno considerar ainda que entrar no quarto, significa o recolhimento íntimo recomendado pelo Senhor. Quanto à sua extensão e à multiplicidade de palavras, vejamos o que o profeta Elias diz aos profetas do Baal que, sem resposta, oram a seu ídolo durante toda a manhã:  “Clamai em altas vozes porque vosso deus pode estar dormindo.”
Na ausência de resposta à rogativa, convém examinar se o coração e os sentimentos se harmonizam às palavras proferidas, considerando que, como veículo da palavra, o pensamento desorientado, como barco a deriva, omite o endereço da oração. A súplica desde que endereçada, tendo como alicerce o coração e a mente, sempre se obtém resposta ainda que incompreendida  pelo ser humano que desconsidera a vida espiritual e a Justiça Divina. 
Não constitui delito pedir o pão de cada dia, nem a saúde para o corpo físico, como ensina a oração do Senhor.  A ausência de ambos deve ser compreendida como falta de mérito espiritual, sendo necessária a submissão às divinas diretrizes. É imperioso admitir que a evolução do Espírito não se obtém com regalias materiais, por vezes ausentes no roteiro da existência.  Pedir a Deus, desde que seja com humildade e submetendo-se à Sua Vontade, que deseja a redenção do Espírito, ás vezes, com débitos espirituais e tendências inferiores. 
Se o lavrador sensato, depois da semeadura que traduz pedido à Natureza, espera de Deus o crescimento da planta e à formação da semente que antecede a bênção da colheita, devemos proceder de acordo com a lição do Mestre: “Seja o que for que peçais na prece, em meu nome, crede que obtereis”, lembrando que pedir em nome de Jesus significa sujeitar-se a seguir seus ensinamentos.  (Mateus, 7: 7 a 11)
Na ausência da compreensão evangélica, muitas pessoas abandonam os sublimes benefícios facultados pela oração, traduzidos pela fé e a resignação, alegando desilusões quanto à eficácia da oração, pela ausência imediata da resposta aos ingênuos pedidos materiais contidos na oração. No campo íntimo da oração não se pode olvidar que, além dos méritos espirituais, o atendimento depende do que se pede.  
Recordem-se, pois, dos doentes por vezes assistidos e beneficiados sem que haja qualquer palavra ou por simples merecimento, como a mulher que foi beneficiada pelo simples toque nas vestes do Senhor, que nos convoca à oração e ainda acrescenta: “Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei-o vós também a eles.”      (Mateus, 7: 12)  

Fonte:
Livro “Respiga de Luz”
Autor: João J. Moutinho
“Evangelho de          Jesus”
+ Pequenas modificações.

Jc.
São Luís, 2/5/23017                             

A DEPRESSÃO




  Falar de depressão nos dias atuais tem sido uma constante entre profissionais e o público em geral. A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou que a depressão é considerada hoje a primeira causa de incapacidade entre todos os problemas de saúde. E quando falamos de problemas mentais, há de se levar em conta não apenas as síndromes depressivas, que são várias, mas as neuróticas, as psicóticas, as maníacas e as ansiosas também. Portanto, o que não nos faltam são classificações e definições para as mais variadas fobias e conflitos que assolam o ser humano.

O que é depressão?  É uma tristeza que se apodera do ser humano e se transforma em desânimo e desencanto incompreensível diante da existência, candidatando a criatura a um sanatório, às vezes às garras da loucura ou da morte prematura. Mas, nem tudo é depressão... Por exemplo, tristeza não é depressão, mas um estado normal da alma. Ela faz parte de nossas expressões emocionais. Muitas pessoas que vivem seus processos de luto passam por períodos de tristeza, onde o mundo perde seu brilho, a comida o bom sabor, as festas a sua alegria. Depois de algum tempo, quando a pessoa consegue sua paz, o luto estará acabado e a existência seguirá com todo seu dinamismo.

É forte a crença de que se a pessoa está chorosa e sem apetite por algum tempo, entrou em depressão; isso, porém, não é verdade. O diagnóstico da depressão só poderá surgir se a pessoa estiver com cinco ou mais sintomas e sinais descritos abaixo, pelo menos por duas semanas, a saber: 1- Humor deprimido; 2- Desânimo ou perda de interesse; 3- Apetite alterado; 4- Sono alterado; 5- Incapacidade de sentir prazer; 6- Fadiga ou perda de energia; 7- Pessimismo; 8- Baixa autoestima; 9- Concentração prejudicada; 10- Retardo ou agitação psicomotora; 11- Tristeza sem motivo; 12- Pensamento de suicídio ou morte. Nesses processos depressivos, podemos encontrar situações leves, medianas e graves, podendo nos casos mais difíceis, a pressão negativa  aumentar a ponto de sucumbirmos sob seus efeitos, podendo resvalar para o retorno à pátria espiritual, através do suicídio.

Em o “Evangelho Segundo o Espiritismo”, no capítulo V item 25, vamos encontrar um comentário sobre o assunto, dizendo: “Sabeis por que uma vaga tristeza se apodera por vezes dos vossos corações e vos faz achar a existência tão amarga ? É o vosso espírito que aspira à liberdade e à felicidade e que,  preso ao corpo, que lhe serve de prisão, se cansa em vãos esforços para dele sair. Mas, vendo que são inúteis, uma espécie de apatia se apodera de vós, e vos achais infelizes”. O corpo é a máquina de expressões do espírito, e o que este é, e como ele está se reflete na função corporal, para a saúde ou a doença. Os estados depressivos são os que mais estragos têm trazidos à saúde humana, devido a sua larga incidência.

O processo depressivo, se não for combatido com energia, poderá levar à tristeza cada vez mais profunda, pelas dificuldades do dia a dia, seja no relacionamento da manutenção (trabalho), ou no relacionamento afetivo no lar. Segundo a Doutrina dos Espíritos, a depressão pode resultar da influência de espíritos imperfeitos, com a intenção de fazer justiça, como também pode ser consequência de desequilíbrios nossos na existência atual ou em outras passadas; pode ainda funcionar como resgate de débitos contraídos em existências anteriores. Allan Kardec nos informa que a depressão provocada pelos espíritos obsessores funciona como expiação.

Devemos reconhecer que viemos ao planeta, pela reencarnação, para trabalhar muitas vezes fisicamente, mas sempre espiritualmente, no combate às nossas doenças da alma. Segundo, temos uma inesgotável fonte de energia de Deus, que está à nossa disposição, bastando saber buscá-la, e isso não é segredo para ninguém. O veículo para receber essa energia chama-se oração, que traz a força e o alívio para qualquer um de nós.

Além disso, é necessário estarmos dispostos a seguir os conselhos e tratamentos estabelecidos, pois ninguém poderá remover nossas doenças se não estivermos dispostos a tomar o remédio curador. O tratamento medicamentoso, o tratamento espiritual, a oração, a água fluidificada, o passe, o trabalho beneficente, a mudança de comportamento, pensamentos positivos e a melhora moral, são ações que devemos buscar juntamente com a nossa enérgica disposição para eliminar o processo de tristeza que evolui para a depressão.

Até aqui falamos dos sintomas. Mas, e as causas?- Estas invariavelmente, são marcadas por questões ambientais e genéticas, e residem, em sua gênese mais profunda, nos porões da alma. Se o mal está em nós, também temos o remédio. Nosso compromisso de reencarnação foi programado de modo a se encaixar dentro de nossa capacidade de solucionar todos os problemas que surgirem em consonância com a afirmação de Jesus, quando disse: “O Pai não coloca fardos pesados em ombros fracos”.  Desse modo, ficamos mais fortes ao sentir que os nossos problemas podem ser resolvidos com a energia e as possibilidades de que somos portadores.

Fugir, não vai resolver os problemas de ninguém, ao contrário, só os agrava. O  que resolve mesmo é enfrentá-los, procurando as soluções. A existência é um jogo e os problemas são desafios ao nosso desenvolvimento interior, e aparecem quando a pessoa já tem condições de solucioná-los. Por isso, dizer que tal pessoa era fraca e que não agüentou a pressão, fugindo pelo suicídio é um engano. Às vezes a pessoa não quis enfrentar a situação, por desejar que tudo fosse do seu jeito. Como a existência não lhe fez as vontades preferiu fugir acreditando assim, se livrar das responsabilidades, o que não vai adiantar, pois a pessoa como espírito, vai continuar com os mesmos problemas agravados agora pelo ato que cometeu. Descobrir que não pode fugir de si mesmo é a grande desilusão dos suicidas ao se encontrarem na dimensão espiritual.

Que felicidade seria a nossa se aprendêssemos a expulsar da nossa memória as coisas desagradáveis, idéias tristes, pensamentos deprimentes. Com certeza, nossa força se multiplicaria se pudéssemos ter só pensamentos que elevam e animam. Há pessoas que não sabem lembrar as coisas agradáveis. Quando nos encontram, têm sempre alguma coisa de triste a contar. Só sabem lembrar fatos negativos ou infelizes. São pessoas que julgam encontrar na infelicidade e na falta de esperança, a harmonia. Outras são exatamente o contrário; falam sempre de coisas agradáveis e interessantes. São pessoas que passaram por momentos de aflições, sofreram perdas, e falam delas tão poucas vezes que parecem, nunca terem tido problemas na existência, mas sim, boa sorte e felicidade como diz o dito popular: “Quem canta seus males espanta”.


Outras recomendações que se fazem necessárias, são: 1- Cantar, mesmo não possuindo boa voz, cante com a que Deus lhe deu, para espantar as tristezas, de preferência melodias alegres que não tenham pornografias, ou religiosas. Humberto de Campos conta que Maria, mãe de Jesus, após deixar o corpo físico, foi visitar os cristãos nos sombrios cárceres de Roma e vendo o sofrimento ali reinante quis deixar aos oprimidos a força da alegria, e aproximou-se de uma jovem, dizendo-lhe ao ouvido: “Canta minha filha! Tenha bom ânimo! Convertamos as dores da Terra, em alegrias no Céu...” A triste jovem prisioneira, contemplando o firmamento através das grades, ignorando a razão de sua alegria, começou a contar um hino de profundo e enternecido amor a Jesus, traduzindo sua gratidão pelas dores que lhe eram enviadas, transformando as suas amarguras em consoladoras rimas de esperança. Daí a instantes, seu canto era acompanhado pelas centenas de vozes que aguardavam nos cárceres, o glorioso testemunho de fé. Então a 1ª recomendação é cantar; a 2ª é relembrar mentalmente as boas ações e os momentos de felicidade. Não há ninguém que durante a sua existência, não haja desfrutado de momentos de felicidade, junto a entes queridos ou na satisfação de algum desejo. É bom para espantar a depressão, nos lembrarmos desses momentos, procurando reviver as alegrias já vividas.

Luiz Almeida Marins relata em um de seus livros, o seguinte: Certa vez estava muito bem, alegre e satisfeito com a existência que tinha, e se encontrou com um amigo e em meia hora de conversa, o amigo deixou-o um verdadeiro “trapo”, triste e deprimido. Depois ficou pensando no que aconteceu e como se modificara, e logo percebeu que aquela conversa horrível do “amigo”, falando de doenças, dificuldades, assaltos, vícios, desemprego, calamidades, falta de dinheiro, etc., acabou por roubar-lhe a energia positiva, o bem estar e a alegria que sentia. – Cuidado com esses “amigos” sugadores de energia positiva que só vêem e pensam nas coisas negativas. Eles estão em todo lugar; no trabalho, na rua, na roda de amigos, na família. Eles só sabem falar de desgraças. Vivem tirando as energias alheias e lhes dando o pessimismo. Não é agradável conviver com alguém que vive “puxando você para baixo” o tempo todo.

A 3ª recomendação é ocupar-se com alguma atividade física ou beneficente. Se ficarmos parados, entregues, alimentando pensamentos negativos, será como conservar lixo dentre de casa; e com lixo, chegam os indesejáveis que comprometem a saúde e provocam o mal-estar. A atividade física ou caridosa desvia a nossa mente desses pensamentos negativos, desligando-nos da sintonia com espíritos infelizes ou inferiores que estejam procurando alguém para transferir seus
miasmas.

A 4ª recomendação é substituir a tristeza por vibrações positivas pelos outros que sofrem. Se atentarmos para o nosso semelhante e escutarmos os seus problemas, constataremos que existem dramas de mais difícil solução, do que aqueles com os quais nos defrontamos. No mundo, existem milhões de pessoas em pior situação do que nós; isso é comprovado facilmente. Nesta época de crises de toda espécie, os problemas, os sofrimentos e a miséria campeiam, dificultando a existência de milhares de pessoas, tornando mais freqüentes os casos de depressão, e as dores cada vez maiores.  Não nos esqueçamos de que amanhã, quem sabe, não sejamos nós quem estará a implorar socorro para nossas dores. Se não nos for possível fazer alguma coisa em benefício dos sofredores, façamos uma oração procurando envolvê-los em vibrações de bom ânimo, coragem, esperança, confiança e paz.

A 5ª recomendação é fazer leituras edificantes e consoladoras. Busquemos nos livros espíritas, principalmente nas obras de Allan Kardec e nas que foram psicografadas por Chico Xavier, a leitura de esclarecimento, de alento e consolo para nosso espírito aflito e triste. Mesmo nas leituras de outras religiões, encontramos sempre o que nos eleva o ânimo, o otimismo e a força para melhorarmos os nossos estados de alma.

Finalmente chegamos a 6ª recomendação que é a oração. Esta é a melhor coisa a fazer e funciona como um oásis de paz na vastidão do deserto. Orando, estabelecemos uma sintonia com os protetores espirituais que velam por todos nós e nos cercam de cuidados, amparando e nos sugerindo soluções para os nossos problemas, revigorando as nossas energias. Quando os apóstolos do Mestre estavam em alto mar, remando com dificuldades porque o vento lhes era contrário, eis que surge Jesus, andando sobre o mar; acalma a tempestade e lhes diz: “Tende bom ânimo! Sou eu, não temais!” – Na existência, mais cedo ou mais tarde, nos encontraremos em provações, como em “alto mar” e teremos a sensação de abandono, no entanto Jesus não deixa de velar por nós, e se abrirmos o coração, haveremos de ouvir uma voz suave e a sensação de conforto, a nos dizer murmurando: “Tende bom ânimo. Eu estou aqui para te amparar!”.

Lembremo-nos de que o Evangelho é o eterno conselheiro que deve estar sempre em nossa companhia; porque se choramos, ele nos consola; se estamos tristes, ele nos alegrará; se estivermos na escuridão, ele nos trará as luzes;  se estivermos perdido, ele nos mostrará o caminho; se somos culpados, ele nos perdoará; se doentes, ele nos restabelecerá; se desesperado, ele nos concederá a paz; se estivermos fraco, ele nos fortalecerá; se cairmos, ele nos levantará; se faminto de entendimento, ele nos alimentará com a orientação e os ensinamentos. Não nos esqueçamos de que o Evangelho é o amigo divino e silencioso que Jesus nos legou; não para que o guardemos na estante, mas para nos ser o amigo sincero, nas horas incertas.

Procuremos, pois, utilizar esses recursos simples e fáceis de serem aplicados, escolhendo o que melhor se adapte ao nosso temperamento, na convicção de que, logo a tão indesejável depressão estará em retirada voltando a brilhar em nossa mente, o claro sol da esperança e da confiança sem limites, na certeza de que somos filhos de Deus, que é de misericórdia, bondade e amor por todos nós...

Não somos pobres coitadinhos; somos essência divina nos disse Jesus! E se somos divinos, se possuímos uma centelha divina não precisamos de piedade, mas de autoconfiança. Deus, nosso Pai, confia em ti, em mim em nós! E se Ele confia em toda Sua Criação, quem somos nós para duvidar disso?


Bibliografia:
Revista Espírita Allan Kardec
“O Evangelho Segundo o Espiritismo”
Humberto de Campos
Luiz Almeida Martins
Cláudia Gelernter
Jornal “O Imortal” – 5/2013


Jc.
S. Luís, 10/06/1998
Refeito em 17/5/2016