sábado, 10 de junho de 2017

NUNCA COMO ANTES NESTE PAÍS





  Com este título a revista Época de 22/5/2017, expõe o retrato e  trata o delator Joesley Batista como a personagem  da semana.
Na noite de quinta-feira (18/5), pouco depois da divulgação do áudio de sua conversa com o presidente Michel Temer, o empresário Joesley vibrava com a repercussão do caso.  Apesar de estar atualmente nos Estados Unidos, após se evadir com a sua família, experimentava a sensação de ter provocado uma hecatombe no Brasil, e de se tornar  o centro das atenções.
Com boas conexões políticas e propinas, Joesley Batista conseguiu muitos bilhões do DNDES e virou o rei do crime. Com isso, bancou campanhas políticas, e com ações controladas, propinas e microfone plantado, se converteu num membro prestigiado do crime organizado, convertido em delator e com um acordo com a Polícia, a Justiça e o STF, criou o maior problema para o governo e o país.
Em conversa com Temer, Joesley revelou alguns crimes praticados: 1º Pagavas pelo silêncio de Eduardo Cunha e seu operador Lúcio Funaro, ambos presos; 2º comprou o silêncio de um procurador da República ( ? ) que tratava dos negócios da JBS; 3º comprara um juiz (?) responsável por sentenças dos casos nos quais está enrolado; e pediu a Temer que nomeasse um interlocutor, capaz de resolver os problemas de suas empresas.  Joesley e Temer já se conheciam desde 2010 quando Temer era candidato á vice de Dilma, e foi esse Joesley que chegou ao Palácio Jaburu, no dia 7 de março.
As suspeitas sobre o conglomerado de empresas de Joesley incluem desde pagamentos de propina para liberação de recursos do fundo de investimentos do FGTS e do BNDES, fraudes em fundos de pensões e irregularidades na produção de seus frigoríficos. Em 2007, a JBS abriu seu capital. Foi então que as benesses do governo Lula fez o grupo crescer. O BNDES, com o senhor Luciano Coutinho à frente, deu início a política de investir nos “campeões nacionais” – grandes empresas. Para a JBS o BNDES não só emprestou muito dinheiro, mas se tornou sócio do grupo. Em dois anos colocou nos cofres da JBS, 10 bilhões.
Depois, os irmãos Joesley e Wesley, pediram ao BNDES, dinheiro para comprar a empresa “Swift”, a maior processadora de carnes do mundo.  O BNDESPar  decidiu não só financiá-los, mas tornar-se seu sócio no empreendimento e injetou  mais 750 milhões de dólares para a transação. Em seguida ele comprou a empresa J&F e passou a comprar marcas e produtos diversificados. Em 2014 a J&F desbancou a “Vale” do ranking de maior empresa privada brasileira. A partir daí, o conglomerado passou a chamar a atenção, mais por pendências com a Justiça do que pelos feitos no mundo dos negócios. No ano seguinte, investigações começaram a encontrar corrupções em diversos órgãos e instâncias.
Nos últimos dez meses, empresas e sócios da J&F foram alvos de cinco operações da Polícia Federal. A “Sepsis” deflagrada a partir da Lava Jato, em julho, investiga uma suspeita de favorecimento a Eldorado integrante do grupo, na liberação de recursos do FGTS, com pagamento de propina ao ex-deputado Eduardo Cunha. Dois meses depois, na Operação Greenfield, policiais voltaram ao grupo à procura de provas sobre a suspeita de liberação de R$- 550 milhões, dos fundos de pensão da Petros e Funcef, respectivamente da Petrobrás e da Caixa Econômica. A justiça afastou os irmãos do comendo do grupo e bloqueou seus bens. Em janeiro deste ano, o grupo foi alvo da Operação “Cui Bono” que investiga a fraude em liberação na CEF.  
Atualmente o Tribunal de Contas da União, se debruça sobre as quatro operações de crédito efetuadas pelo BNDES entre os anos de 2007 e 2009, com indícios de irregularidades. O cerco havia levado Joesley e mais cinco executivos a acertar delação premiada com a Procuradoria Geral da República, em abril. A carta de Joesley pede desculpas e promete abandonar as práticas ilegais. O grupo, então, concluiu um acordo de leniência com as autoridades e se compromete a ajudar nas investigações. Ao delatar, os sócios da J&F aceitaram pagar R$-225 milhões, uma multa irrisória para o tamanho do grupo.
A relativa facilidade com que o grupo se livrou de sofrer outras investigações criminais no Brasil pode não se repetir nos Estados Unidos, onde a empresa tem uma operação grande e planejava uma oferta de ações. A J&F contratou o escritório de advocacia Trench, Rossi & Watanabe para defendê-la junto às autoridades nos Estados Unidos. À frente, estará o ex-procurador da Lava Jato, Marcelo Miller, desligado do MPF há apenas dois meses para ingressar no escritório (??).
A seguir, a saga da JBS e dois traços bem brasileiros, entre o capital e o Estado. Em 2014, a Polícia Federal indicia Joesley e mais 16 pessoas numa investigação sobre crimes financeiros que envolvem o Banco Original, do grupo, e no mesmo ano o grupo J&F doa R$-367 milhões a 21 partidos e se torna o maior doador de campanhas políticas no país. Em 2015, o nome do grupo J&F aparece pela primeira vez na Operação Lava Jato. Figura numa planilha encontrada com o delator Paulo Roberto Costa. No mesmo ano, por R$-27 bilhões, a J&F compra a Alpargatas do grupo Camargo Corrêa. Em 2016 no mês de janeiro, Joesley e o grupo viram alvos de uma ação penal sob acusação de crimes financeiros em operações feitas em 2011 entre os bancos Original e Rural. Em julho, a casa de Joesley e a Eldorado são alvos de mandatos de busca e apreensão na Operação Sapsis, da Lava Jato que investiga propina na liberação de recursos do Fi-FGTS.  Em setembro, Joesley e Wesley são alvos de mandatos de condução coercitiva e a Eldorado de uma busca e apreensão -- é a Operação Greenfield que investiga fraude em investimentos de fundos de pensão. Os irmãos sofrem um bloqueio de bens e assinam um acordo com o MPF. Dão garantias de R$- 1,5 bilhão.
 Em 2017, no mês de janeiro, o grupo é citado nas investigações que deram base à Operação  “Cui Bono”, sobre fraude em liberação de créditos na CEF, como possível beneficiário do esquema. Em março, a Justiça afasta Joesley da presidência do conselho da J&F – segundo o Ministério Público Federal, o grupo tentou maquiar operações irregulares da Eldorado e comprar o silêncio de um ex-sócio. Em abril, executivos da J&F, incluindo Joesley Batista e Ricardo Saud assinaram acordos de delação premiada. Como resultado da Operação Carne Fraca, a Seara é alvo de ação penal por corrupção e violação do sigilo funcional. Em maio, Joesley é alvo de um mandato de condução coercitiva e a J&F de busca e apreensão – é a Operação Bullist, da PF que investiga irregularidades nos aportes do BNDES ao JBS. A carta de Joesley pede desculpas e promete abandonar as práticas ilegais, que vinha sendo usada por ele e seu grupo.
A Lava Jato já está em sua 40ª  fase. Começou  em  março  de 2014 e continua a expor as vísceras de várias e imensas organizações criminosas de corrupção e propinas no sistema politico. Por lentidão da Justiça, por corporativismo dos Três Poderes – á revelia da presidente do STF, Srª Cármem Lúcia – ou até por conluio de alguns juízes  e réus, a Lava Jato corre o risco de ser torpedeada. Um a um os réus podem ser liberados até a prescrição dos crimes. Sem confiscar os bens para recuperar os bilhões roubados, sem multar as empresas, sem manter presos os ladrões, o que esperar para o futuro do país?
As liberações animaram o ex-ministro Antônio Palocci a pedir habeas corpus. Se Dirceu saiu da prisão, por que não ele, que nem julgado foi ainda? Além de tudo, Palocci preso há sete meses, se prontificou a delatar nomes, endereços, valores, dando a Moro “mais um ano de trabalhos”. Talvez Palocci tenha se precipitado ao dispensar o advogado especialista em delação premiada. Os 11 ministros do Supremo – e não apenas cinco – decidirão se Palocci encomendará a pizza em casa. Nunca antes neste país, se roubou tanto em prejuízo do povo.
Nesse imbróglio todo, a revista Época expõe o retrato do corrupto Joesley, autor de muitos crimes confessos, e que não sabemos por que não foi preso como os outros, e lhe foi permitido evadiu-se para o exterior, talvez pelo fato do ministro Edson Fachin haver sido assessorado pelo senhor Ricardo Saud, executivo da J&F, quando de sua indicação para Ministro do STF, e agora questionado pela CCJ da Câmara Federal, para responder por essa ligação. O Joesley foi classificado como o personagem da Semana, como se a revista Época estivesse homenageando um cidadão honrado, honesto, íntegro, em vez de um malfeitor que usurpou o dinheiro do povo (do nosso bolso), no dizer do jornalista Heródoto Barbeiro. E lá fora, está ele, feliz por ter sido o centro das atenções, dando uma banana para o povo, à Polícia e à Justiça Brasileira.
Temer é hoje um presidente investigado e suspeito de três crimes, comandando um governo com oito ministros investigados pela Operação Lava Jato. E muitos pedem a sua saída da presidência, sem levar em conta os progressos e a normalidade que ele trouxe ao país, apesar de tudo, e achando que com a sua saída e a eleição indireta pelo congresso, segundo a Constituição, vai eleger um presidente interino, “Salvador da Pátria”, que fará milagres com essas instituições e esses três poderes desacreditados pelo povo. Somente um louco ou um visionário pode acreditar nisso...
Fontes:
Revista Época nº 987  - edição de 22/5/2017
Artigo de Ruth de Aquino – edição de 8/5/2017
Internet
+ Pequenos acréscimos

Jc.
São Luís, 7/6/2017

A TERRA NO CONCERTO DO UNIVERSO





  O que está acontecendo com o nosso planeta? Por que em curto espaço de tempo, está ocorrendo terremotos, erupções vulcânicas, deslizamento de terras e enchentes, trazendo muito dor, sofrimentos e mortes? Será o fim do mundo, ou o sinal dos tempos dizem os alarmistas. Nós, espíritas o que dizemos?
Dentre as muitas obras doutrinárias que abordam esse tema, vale ressaltar o livro “Emmanuel”, psicografado por Chico Xavier e publicado em 1938 pela Federação Espírita Brasileira, que, em vários capítulos aborda a questão do atual estágio em que se encontra nosso orbe.
“... a Terra é apenas um minúsculo ponto obscuro no concerto sideral... região de provação de amargura e exílio, constituindo um planeta varrido, muitas vezes, pelos cataclismos do infortúnio e da destruição...” (pag. 86)
De fato, o telescópio Hubble, desvendando as fronteiras do Universo, veio demonstrar a existência de 200 bilhões de galáxias, contendo cada uma delas vários bilhões de estrelas. Hoje já se tem notícia da existência de quase 500 planetas além do sistema solar. Colocado em escala, o próprio Sol, comparado a outras estrelas, não passa de um grãozinho de areia no conjunto do Universo.
Além de ser infinitamente pequena, estima-se que a Terra tenha surgido 9,1 bilhões de anos depois da criação do Universo.  E se quisermos falar em humanidade, sabemos que o ser humano, na forma como existe atualmente, pensante, vivendo em sociedade, deve ter aproximadamente só 30 mil anos. Comparando-se com a idade do Universo e das infinitas galáxias e possíveis planetas, chega-se à conclusão de que a vida na Terra é muito recente.
Emmanuel afirma que “a Terra está povoada, em quase todas as latitudes, de seres que se desenvolveram com ela própria e que se afinam perfeitamente às suas condições”. E mais: que esses seres humanos, bem como os seus acompanhantes desencarnados, são espíritos atrasados em sua evolução, em cujas mentes ainda não se fixaram as noções de moralidade e dever, e sob a influência desses espíritos do além, que se comprazem em atrasar a marcha do progresso da humanidade terrena, grandes massas de pessoas se sintonizam, retardando também a própria caminhada.
Temos que admitir que estamos carregando conosco as marcas do estágio evolutivo terreno e o nosso próprio. Sem termos as corretas noções do dever, andamos tropeçando nos nossos próprios passos, cometendo erros e equívocos e temos que retornar para consertá-los em novas encarnações expiatórias.
Mas a Terra, além de lugar de expiação, é também o palco de novas provas muitas delas estão relacionadas com as condições do planeta que sofre ainda as injunções da sua própria evolução. As ocorrências catastróficas que nela ocorrem são contingências do seu próprio estágio. O mesmo se pode dizer para a maioria dos seres que aqui habita. Viver nesse tipo de mundo é estar á mercê dos incontroláveis fenômenos da natureza que aqui ocorrem, é sofrer-lhes os danos e esse sofrimento pode ser, simplesmente, prova necessário ao nosso adiantamento. Ainda que não passemos diretamente por tais provas, o fato de constatá-las no próximo é um convite a que reflitamos sobre a sua dor.
Sabermos que podemos ser passíveis de também sermos atingidos por tais fenômenos nos faz menos arrogantes e nos torna mais fraternos. Não é, pois, sem razão que Emmanuel afirma que “a experiência é necessária como chave bendita que descerra as portas da compreensão”. Cada uma das dificuldades que passamos, nos ajuda a alargar nossa capacidade de compreender o próximo. Quanto mais ricas e diversificadas forem ás circunstâncias das nossas diferentes reencarnações, maiores são as nossas possibilidades de nos tornarmos pessoas melhores. A questão é saber aproveitá-las. Não podemos esquecer que trazemos dentro de nós os germes da perfeição e o nosso destino é, de acordo com esse mentor, “conhecer as alegrias perfeitas da harmonia da vida”. Isso, porém, não nos será dado sem a contrapartida do nosso esforço. Temos que fazer a nossa parte, ampliando nosso grau de consciência e sintonizando nossas antenas para ouvir as palavras dos muitos espíritos evoluídos que, desde os tempos antigos, têm vindo a Terra ou nos enviado suas mensagens de orientação e estímulo; e Emmanuel é um deles.
Diz ele: “Nossa palavra é para que a Terra vibre conosco nos ideais sublimes da fraternidade e da redenção espiritual. Se falamos de mundos felizes é para que o planeta terreno seja igualmente venturoso; se dizemos do amor que enche a vida inteira da Criação Divina, é para que o ser humano aprenda também a amar a existência e os seus semelhantes, se discorremos acerca das condições aperfeiçoadas da existência em planos superiores do Universo, é para que os habitantes da Terra ponham em prática essas mesmas condições”.
Diante, pois, das calamidades que atingem contingentes de pessoas, tenhamos a certeza de que Deus está no comando e se compreendermos que tudo faz parte da nossa evolução, devemos aproveitar as oportunidades para fazer brilhar a nossa luz sob a forma de fraternidade, caridade e amor...

Bibliografia:
Lucia Moysés
Boletim do Serviço Espírita de  Informações
+ acréscimos e modificações


Jc.

São Luís, 13/05/2009
Refeito em 28/3/2017